31 de janeiro de 2016

Capítulo 23

Celaena olhou para o chão. Conhecia aquelas pedras pontiagudas e cinzas – sabia como se esfarelavam sob os pés, como cheiravam após a chuva, como poderiam facilmente cortar sua pele quando fosse jogada no chão. As pedras se estendiam por quilômetros, erguendo-se em montanhas afiadas como dentes que perfuravam o céu nublado. Exposta ao vento gélido, tinha poucas roupas para protegê-la das lufadas cortantes. Quando tocou os retalhos sujos, seu estômago subiu até a garganta. O que havia acontecido?
Celaena deu meia-volta, os grilhões tilintando, e observou o deserto desolador que era Endovier.
Havia falhado, falhado e sido enviada de volta para lá. Não havia chance de escapar. Provara a liberdade, chegara tão perto e agora...
Celaena gritou quando uma dor insuportável irradiou em suas costas, anunciada pelo estalar do chicote. Ela caiu no chão, e as pedras cortaram seus joelhos nus.
— Levante-se — gritou alguém.
Lágrimas queimavam-lhe os olhos, e o chicote estalou quando foi erguido mais uma vez. Celaena seria morta dessa vez. Morreria com a dor.
O chicote desceu, partindo o osso, reverberando pelo corpo da assassina e fazendo com que tudo desabasse e explodisse em agonia, transformando o corpo dela em um cemitério, algo morto...
Os olhos de Celaena se abriram. Ela ofegava.
— Você está... — disse alguém ao lado dela, e Celaena se virou.
Onde estava?
— Foi um sonho — disse Chaol.
Celaena o encarou, então olhou ao redor do quarto, passou uma das mãos pelos cabelos. Forte da Fenda. Forte da Fenda – era onde estava. No castelo de vidro – não, no castelo de pedra abaixo.
Estava suada, e o suor das costas parecia, desconfortavelmente, ser sangue. Ela se sentiu tonta, enjoada, pequena e grande demais ao mesmo tempo.
Embora as janelas estivessem fechadas, uma corrente de ar esquisita vinda de algum lugar no quarto beijou-lhe o rosto, com um cheiro incomum de rosas.
— Celaena. Foi um sonho — falou novamente o capitão da guarda. — Você estava gritando. — Ele deu um sorriso trêmulo. — Achei que estivesse sendo assassinada.
Celaena esticou a mão para tocar as costas, sob a camisola. Conseguia sentir as três cicatrizes – e algumas menores, mas nada, nada...
— Eu estava sendo chicoteada. — Celaena balançou a cabeça para afastar a lembrança. — O que está fazendo aqui? Nem mesmo amanheceu.
Ela cruzou os braços e corou levemente.
— É Samhuinn. Não vou treinar com você hoje, mas queria saber se planejava comparecer à cerimônia.
— Hoje é... o quê? Hoje é Samhuinn? Por que ninguém mencionou? Há um banquete esta noite? — Será que ficara tão envolvida com a competição que perdera a noção do tempo?
Chaol franziu a testa.
— É claro, mas você não está convidada.
— É claro. E vocês invocarão os mortos nesta noite assombrada ou acenderão uma fogueira com os companheiros?
— Não participo de tais besteiras supersticiosas.
— Cuidado, meu amigo cínico! — avisou Celaena, levando uma das mãos para o alto. — Os deuses e os mortos estão mais próximos da terra hoje, podem ouvir cada comentário maldoso que faz!
Chaol revirou os olhos.
— É um feriado idiota para celebrar a chegada do inverno. As fogueiras apenas produzem cinzas para cobrir os campos.
— Como uma oferta aos deuses para mantê-los a salvo!
— Como um modo de fertilizá-los.
Celaena empurrou as cobertas para longe.
— É o que você diz — falou ela, enquanto se levantava para arrumar a camisola ensopada. Fedia a suor.
Chaol riu com escárnio e seguiu a assassina conforme ela caminhava.
— Jamais a tomei por uma pessoa supersticiosa. Como isso se encaixa em sua carreira?
Celaena o encarou por cima do ombro antes de caminhar até o banheiro, com Chaol no encalço. Ela parou sob o batente da porta.
— Vai se juntar a mim? — disse a jovem, e Chaol se enrijeceu, percebendo o erro. Ele bateu a porta em resposta.
Celaena o encontrou à espera na sala de jantar quando emergiu, os cabelos pingando água no chão.
— Não tem o próprio café da manhã?
— Você ainda não me deu uma resposta.
— Uma resposta a quê? — Celaena se sentou do outro lado da mesa e serviu mingau dentro de uma tigela. Só era preciso uma colherada, não, três colheradas de açúcar e um pouco de creme quente e...
— Vai ao templo?
— Tenho permissão para ir ao templo, mas não ao banquete? — Ela comeu uma colher do mingau.
— Práticas religiosas não deveriam ser negadas a ninguém.
— E o banquete é...?
— Um espetáculo de frescuras.
— Ah, entendo. — Celaena engoliu mais uma colherada. Ah, como amava mingau! Mas talvez precisasse de mais uma colher de açúcar.
— Bem? Você vai? Precisamos sair em breve se você for.
— Não — disse ela, com comida na boca.
— Para alguém tão supersticioso, arrisca irritar os deuses ao faltar. Imagino que uma assassina se interesse mais pelo dia dos mortos.
Celaena fez uma expressão de idiotice e continuou comendo.
— Pratico do meu próprio modo. Talvez faça um sacrifício ou dois por conta própria.
Chaol se levantou, dando tapinhas na espada.
— Cuide-se enquanto eu estiver fora. Não se incomode em se vestir de modo muito elaborado... Não estarei, mas Brullo me disse que você vai treinar esta tarde. Tem uma prova amanhã.
— De novo? Não tivemos uma três dias atrás? — reclamou a jovem. A última prova fora lançamento de dardo enquanto montavam cavalos, e um ponto do punho de Celaena ainda estava sensível.
Mas Chaol não disse mais nada e os aposentos dela ficaram silenciosos.
Embora tivesse tentado esquecer, o som do chicote ainda estalava em seus ouvidos.



Feliz porque a cerimônia tinha finalmente acabado, Dorian Havilliard caminhava sozinho pela propriedade do castelo. Religião não o convencia, nem emocionava, e depois de horas sentado em um banco do templo, murmurando oração após oração, estava precisando desesperadamente de ar fresco. E de solidão.
O príncipe suspirou entre os dentes trincados, esfregando um lugar na têmpora, e se dirigiu ao jardim. Ele passou por um aglomerado de jovens, cada uma fez uma reverência e deu risinhos atrás do leque. Dorian lançou um curto aceno de cabeça para elas ao passar. A mãe dele usara a cerimônia como uma chance de indicar todas as moças casadouras ao filho. Dorian passara o tempo todo tentando não gritar a todo pulmão.
O príncipe virou em uma cerca-viva e quase se chocou contra uma figura que vestia veludo azul-esverdeado. Era da cor do lago da montanha – aquele tom como o de uma gema que não tem um nome exato. Sem falar que o vestido estava cerca de cem anos desatualizado. O olhar dele se ergueu até o rosto da figura, e Dorian sorriu.
— Olá, Lady Lillian — disse o príncipe, e fez uma reverência, então se virou para as duas companhias da moça. — Princesa Nehemia, capitão Westfall. — Dorian olhou mais uma vez para o vestido da assassina. As dobras de tecido, como as águas correntes do rio, eram bem atraentes. — Você parece festiva.
Celaena abaixou as sobrancelhas.
— Os criados de Lady Lillian estavam na cerimônia quando ela se vestiu — disse Chaol. — Não havia mais nada para ela vestir. — É claro que corseletes requeriam assistência para vestir e tirar, e os vestidos eram um labirinto de presilhas e laços secretos.
— Minhas desculpas, meu senhor príncipe — falou Celaena. Os olhos dela brilhavam de raiva, e as bochechas ficaram coradas. — Sinto muitíssimo por minhas roupas não agradarem seu gosto.
— Não, não — disse Dorian, rapidamente, olhando para os pés de Celaena. Estavam calçados em sapatos vermelhos, vermelhos como as frutas de inverno que começavam a surgir nos arbustos. — Você está muito bonita. Só um pouco... deslocada. — Séculos deslocada, na verdade. Celaena lançou ao príncipe um olhar exasperado. Ele se virou para Nehemia. — Perdoe-me — falou Dorian, em seu melhor eyllwe, o qual não era nada impressionante. — Como está?
Os olhos da princesa brilharam com diversão diante do eyllwe tosco do príncipe, mas ela assentiu em reconhecimento.
— Estou bem, Vossa Alteza — respondeu Nehemia, na língua de Dorian.
A atenção dele se voltou para os dois guardas da princesa, os quais espreitavam às sombras, próximos, aguardando, observando. O sangue de Dorian latejou nas veias.
Há semanas, duque Perrington insistia na ideia de levar mais forças para Eyllwe – para esmagar os rebeldes com tanta eficiência que não ousariam desafiar o domínio de Adarlan novamente. No dia anterior, o duque apresentara um plano: deslocariam mais legiões e manteriam Nehemia no castelo para desencorajar qualquer retaliação dos rebeldes. Não muito disposto a acrescentar sequestro ao repertório de habilidades, Dorian passara horas discutindo contra tal estratégia. Embora alguns integrantes do conselho também tivessem expressado sua reprovação, a maioria parecia pensar que a tática do duque seria bem-sucedida.
Mesmo assim, Dorian convencera-os a recuar até que seu pai retornasse. Isso lhe daria mais tempo para convencer alguns dos apoiadores do duque.
Agora, diante de Nehemia, Dorian rapidamente desviou o olhar da princesa. Se ele fosse outra pessoa que não o príncipe herdeiro, avisaria a princesa de Eyllwe. Mas se Nehemia partisse antes do previsto, o duque saberia quem a havia informado e contaria ao rei. As coisas já estavam bastante ruins entre Dorian e o rei; o príncipe não precisava ser tachado de simpatizante dos rebeldes.
— Vai ao banquete esta noite? — perguntou Dorian à princesa, obrigando-se a olhar para ela e manter as feições do rosto naturais.
Nehemia olhou para Celaena.
— Você vai?
Celaena deu a ela um sorriso que só significava problemas.
— Infelizmente, tenho outros planos. Não é, Vossa Alteza? — A assassina não se incomodou em esconder a irritação subjacente.
Chaol tossiu, repentinamente muito interessado nas frutinhas e na sebe.
Dorian estava por conta própria.
— Não me culpe — falou o príncipe, com suavidade. — Você aceitou o convite para aquela festa em Forte da Fenda há semanas. — Os olhos de Celaena pareceram confusos, mas Dorian não cederia. Não podia levá-la ao banquete, não com tantos assistindo. Haveria perguntas demais. Pessoas demais. Vigiá-la seria difícil.
Nehemia franziu a testa na direção de Celaena.
— Então você não vai?
— Não, mas tenho certeza de que você se divertirá bastante — respondeu Celaena, então passou a falar eyllwe e disse outra coisa.
O eyllwe de Dorian era competente o bastante para compreender que a ideia geral do que ela dissera fora: “Sua Alteza com certeza sabe divertir as mulheres”.
Nehemia gargalhou, e o rosto de Dorian ficou quente. As duas faziam um par incrível, pelos deuses.
— Bem, somos muito importantes e estamos muito ocupadas — disse Celaena a ele, e deu o braço à princesa. Talvez permitir que as duas fossem amigas fosse uma ideia horrorosa e perigosa. — Então, precisamos ir. Um bom dia para você, Vossa Alteza. — Celaena fez uma reverência, as gemas vermelhas e azuis em seu cinto reluziram sob o sol. Ela olhou por cima do ombro e fez uma careta para Dorian enquanto levava a princesa para o jardim.
Dorian encarou Chaol.
— Obrigado por sua ajuda?
O capitão deu tapinhas no ombro do príncipe.
— Acha que foi ruim? Deveria vê-las quando se empenham. — Com isso, o capitão seguiu as mulheres.
Dorian queria gritar, arrancar os cabelos. Gostara de ver Celaena naquela noite – gostara imensamente. Mas durante as últimas semanas, ficara ocupado com reuniões do conselho e com a corte, e não pudera visitá-la. Não fosse pelo banquete, visitaria a assassina novamente. Não quisera irritá-la com o comentário sobre o vestido – embora fosse ultrapassado – nem soubera que ela ficaria tão chateada por não ter sido convidada para o evento, mas...
Dorian fez uma expressão de irritação e caminhou até os canis.



Celaena sorriu consigo mesma e passou um dos dedos por uma bainha perfeitamente costurada. Ela achava o vestido lindo. Festivo, de fato!
— Não, não Vossa Alteza — dizia Chaol para Nehemia, devagar o bastante para que ela pudesse entender. — Não sou um soldado. Sou um guarda.
— Não há diferença — replicou a princesa, o sotaque pesado e um pouco difícil.
Mesmo assim, Chaol entendeu o bastante para bufar, e Celaena mal conseguiu controlar a alegria.
Conseguiu ver Nehemia bastante nas últimas duas semanas – na maior parte, não somente para caminhadas rápidas e jantares; nos quais discutiam como tinha sido para Nehemia crescer em Eyllwe, o que ela achava de Forte da Fenda e quem na corte conseguira irritar a princesa naquele dia. Isso, para a satisfação de Celaena, era feito, normalmente, por todos.
— Não sou treinado para lutar em batalhas — respondeu Chaol, com os dentes trincados.
— Você mata a mando de seu rei.
Seu rei. Nehemia podia não ser completamente versada na língua deles, mas era esperta o bastante para entender o poder de dizer aquelas duas palavras. “Seu rei”, não o dela. Embora Celaena pudesse ouvir Nehemia reclamar do rei de Adarlan durante horas, estavam em um jardim – outras pessoas poderiam estar ouvindo. Um estremecimento passou pelo corpo de Celaena, e ela interrompeu antes que Nehemia pudesse dizer mais.
— Acho que é inútil discutir com ela, Chaol — falou Celaena, cutucando o capitão da guarda com o cotovelo. — Talvez não devesse ter dado seu título a Terrin. Pode pedi-lo de volta? Evitaria muita confusão.
— Como se lembra do nome de meu irmão?
Celaena deu de ombros, sem entender muito bem o brilho nos olhos dele.
— Você me disse. Por que não me lembraria?
Chaol estava bonito naquele dia. Era o modo como os cabelos tocavam a pele dourada, nos espaços minúsculos entre as mechas, no modo como caía sobre as sobrancelhas dele.
— Acho que vai se divertir no banquete... sem minha presença lá, quero dizer — falou Celaena, chateada.
Ele riu com escárnio.
— Está chateada porque vai perdê-lo?
— Não — respondeu a assassina, e jogou os cabelos soltos sobre um dos ombros. — Mas... Bem, é uma festa, e todos amam festas.
— Devo levar-lhe uma lembrança da festividade?
— Somente se consistir em uma porção generosa de cordeiro assado.
O ar estava claro e limpo ao redor deles.
— O banquete não é tão animador assim — apaziguou Chaol. — É igual a qualquer jantar. Posso assegurar-lhe de que o cordeiro estará seco e duro.
— Como meu amigo, você deveria me levar ou me fazer companhia.
— Amigo? — perguntou ele.
Celaena corou.
— Bem, “acompanhante emburrado” é uma descrição melhor. Ou “colega relutante”, se preferir. — Para a surpresa da jovem, ele sorriu.
A princesa agarrou a mão de Celaena.
— Você me ensinará! — disse ela, em eyllwe. — Como falar melhor sua língua, e me ensinará como escrever e ler melhor do que faço agora. Assim não terei de sofrer com aqueles velhos terrivelmente chatos a quem chamam de tutores.
— Eu... — Celaena começou a falar na língua comum, então se encolheu. Ela se sentia culpada por deixar Nehemia de fora da conversa por tanto tempo, e se a princesa fosse fluente nas duas línguas, seria muito divertido. Mas convencer Chaol a deixá-la ver Nehemia era sempre uma chateação, pois o capitão insistia em ficar junto para observar. Ele jamais concordaria em assistir aulas. — Não sei como ensiná-la minha língua de maneira apropriada — mentiu Celaena.
— Besteira — falou Nehemia. — Você me ensinará. Depois... do que quer que você faça com esse aí. Durante uma hora, todos os dias antes do jantar.
Nehemia ergueu o queixo de modo que sugeria que recusar não era uma opção. Celaena engoliu em seco e fez o melhor que pôde para parecer agradável quando se virou para Chaol, que observava as duas com as sobrancelhas erguidas.
— Ela quer que eu a ensine todos os dias antes do jantar.
— Creio que não seja possível — respondeu o capitão.
Celaena traduziu.
Nehemia lançou a Chaol seu olhar desencorajador, o qual costumava fazer as pessoas começarem a suar.
— Por que não? — Ela voltou a falar eyllwe. — Lady Lillian é mais inteligente do que a maioria das pessoas neste castelo.
Chaol, ainda bem, entendeu a ideia geral.
— Não acho que...
— Não sou a princesa de Eyllwe? — interrompeu Nehemia na língua comum.
— Vossa Alteza — começou Chaol, mas Celaena o silenciou com um gesto da mão. Estavam se aproximando do relógio da torre, negro e ameaçador como sempre. Mas, ajoelhado diante do monumento, estava Cain. A cabeça dele estava inclinada e o competidor se concentrava em algo no chão.
Ao ouvir as passadas do grupo, a cabeça de Cain se ergueu. Ele abriu um sorriso largo e ficou de pé. Estava com as mãos cobertas de terra, mas antes que Celaena pudesse observá-lo melhor ou observar o comportamento esquisito, o campeão assentiu para Chaol e saiu andando para trás da torre.
— Brutamontes nojento — disse Celaena, com um suspiro, ainda olhando na direção em que Cain desaparecera.
— Quem é ele? — perguntou Nehemia, em eyllwe.
— Um soldado do exército do rei — falou Celaena — embora agora sirva o duque Perrington.
Nehemia olhou para Cain, e seus olhos castanhos se semicerraram.
— Algo a respeito dele me faz querer acertar-lhe o rosto.
Celaena gargalhou.
— Que bom que não sou a única.
Chaol não disse nada quando começou a andar de novo. Celaena e Nehemia seguiram atrás do capitão, e, quando atravessaram o pequeno pátio no qual se erguia o relógio da torre, Celaena olhou para o lugar em que Cain estivera ajoelhado. Ele havia cavado a terra alojada nos sulcos da marca esquisita na pedra, tornando o símbolo mais visível.
— O que acha que é isto? — perguntou Celaena à princesa, e apontou para a marca na pedra. E por que Cain a estava limpando?
— A marca de Wyrd — respondeu a princesa, proferindo o nome na língua de Celaena.
As sobrancelhas da assassina se ergueram. Era apenas um triângulo dentro de um círculo.
— Consegue ler esses símbolos? — perguntou ela. Marca de Wyrd... que estranho!
— Não — respondeu Nehemia, rapidamente. — São parte de uma religião antiga que morreu faz muito tempo.
— Que religião? — perguntou Celaena. — Olhe, tem outra. — Ela apontou para outra marca, a poucos metros de distância. Era uma linha vertical com uma seta invertida que se estendia para cima a partir do meio.
— Você deveria esquecer isso — disse Nehemia, bruscamente, e Celaena piscou. — Tais coisas foram esquecidas por um motivo.
— Do que vocês estão falando? — perguntou Chaol, e Celaena explicou a ideia geral da conversa. Quando terminou, o capitão comprimiu o lábio, mas não disse nada.
O grupo continuou, e Celaena viu outra marca. Era de uma forma estranha: um pequeno losango com duas pontas invertidas que se projetavam de lados opostos. Os vértices do topo e da base do losango pareciam ser simetricamente perfeitos. Será que o rei os havia mandado entalhar quando construiu a torre do relógio ou seriam de antes disso?
Nehemia olhava para a testa de Celaena, e a assassina perguntou:
— Tem sujeira no meu rosto?
— Não — respondeu Nehemia, um pouco distante, franzindo as sobrancelhas enquanto estudava as de Celaena. A princesa, de súbito, encarou os olhos de Celaena com uma ferocidade que fez a assassina se recolher levemente. — Você não sabe nada sobre as marcas de Wyrd?
O relógio da torre soou.
— Não — replicou Celaena. — Não sei nada sobre elas.
— Você está escondendo alguma coisa — falou a princesa, baixinho, em eyllwe, embora não em tom acusatório. — Você é muito mais do que parece, Lillian.
— Eu... bem, espero que seja mais do que uma dama da corte afetada — respondeu Celaena, com o máximo de coragem que conseguiu reunir. Ela abriu um sorriso largo, esperando que Nehemia parasse de encará-la de modo tão estranho e parasse de olhar para as sobrancelhas dela. — Pode me ensinar a falar eyllwe direito?
— Se você puder me ensinar mais da sua língua ridícula — falou a princesa, embora alguma cautela ainda pairasse nos olhos dela. O que Nehemia vira que lhe fizera agir daquela forma?
— Fechado — disse Celaena, com um sorriso fraco. — Apenas não conte a ele. O capitão Westfall me deixa sozinha no meio da tarde. A hora antes do jantar é perfeita.
— Então irei amanhã às 17 horas — replicou Nehemia.
A princesa sorriu e começou a caminhar mais uma vez, um brilho surgiu em seus olhos castanhos.
Celaena só conseguiu segui-la.

22 comentários:

  1. Isso foi levemente assustador '-' mas eu concordo com a princesa

    Sério, eu leio esses nomes tudo errado, tipo Chaol eu leio Cahol, Celaena eu leio Caena,sem falar nos lugares, Elyse, Arla-alguma-coisa ;-;

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    1. kkkkkkkkk
      Chaol eu leio Chaol mesmo... apesar de saber que a pronúncia deve ser completamente diferente. Celaena eu leio Celina... Eyllwe eu leio do jeito que se escreve mesmo, "éilwe" - também deve estar errado, mas quem liga? Pelo menos sei escrever kkkkkkk

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    2. Chaol eu leio Kal, n sei porque, e Celaena eu leio Celena, tipo os Legados de Lorien, não leio quimaera, mas quimera. Sei lá!

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    3. Chaol eu leio assim mesmo, mas Celaena eu lei Calaena. Não sei porque mas leio assim. kkk

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    4. Eu leio Chaol e Celaena mesmo

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    5. Eu leio Celâeina
      ass: Carla

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    6. eu leio os nomes igual a Mayy ler.

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkk, concordo com vocês, o nome mais difícil que eu acho é da protagonista, não sei se é Celena ou Celine!
    ass: Bina.

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    1. meu deus, vc tava brincando né? é celaena

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  3. Kkkkkk eu erro o nome dela o tempo todo Celine, Celeane. Kkkkkk

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  4. Ainda bem que eu não sou a unica a ficar confusa com esses nomes, principalmente com a da Celaena e do Chaol (que na minha cabeça são Calena/Celena e Xaol)

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  5. eu leio ciline e koul

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  6. Gente que bizarro será que é alguns simbolos satanicos dah até arrepio.

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  7. Na verdade eu leio Celaena, mesmo, e Kaol - mas pra falar em voz alta eu me embolo toda, e vira Selena/Celana e Cal/Xaól...

    E imagino essas marcas como as runas nórdicas, ou sei lá. :)

    Ass.: Mutta Chase Heyes

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  8. Para mim fica Calaena/Celaena e Xaol/Chaol.

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  9. Esse capítulo me deixou intrigada...muito!

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  10. Acho que só Chaol que eu leio errado leio Chacol

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  11. Quem será que tá matando os campeões? No começo eu até cogitei em ser o Chaol, o que foi loucura da minha parte. Depois eu pensei em ser o Cain, pra eliminar todos até ficar o mais fraco. Depois o rei, mas por que ele mataria o candidato a braço direito dele? Aguardo ansiosamente o final do livro ;)

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  12. Acho que Cain é pagão 😯

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  13. "— Como se lembra do nome de meu irmão?
    Celaena deu de ombros, sem entender muito bem o brilho nos olhos dele.
    — Você me disse. Por que não me lembraria?"
    Esse amor está grande demais já. Sinto muito Dorian, mas tô shippando ela com Chaol. Não tem como evitar.

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Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!