15 de janeiro de 2016

Capítulo 2 - Livro aberto

O dia seguinte foi melhor... E pior.
Foi melhor porque ainda não estava chovendo, apesar de as nuvens estarem densas e pretas. Foi mais fácil porque eu sabia o que esperar do meu dia. McKayla veio se sentar comigo na aula de inglês e me acompanhou até a aula seguinte, com a Erica Clube de Xadrez olhando de cara feia o tempo todo; isso foi meio lisonjeiro. As pessoas não ficaram me encarando tanto como no dia anterior. No almoço, fiquei com um grupo grande que incluía McKayla, Erica, Jeremy, Allen e várias outras pessoas de cujos nomes e rostos agora eu me lembrava.
Comecei a sentir que estava boiando na água, e não me afogando nela.
Foi pior porque eu estava cansado; ainda não tinha conseguido dormir com a chuva caindo na casa. Foi pior porque a Sra. Varner chamou meu nome na aula de trigonometria quando não levantei a mão, e acabei dando a resposta errada. Foi lamentável porque tive que jogar vôlei e, na única vez que não me abaixei para escapar da bola, acertei dois colegas de equipe na cabeça com uma jogada ruim. E foi pior porque Edythe Cullen não foi à escola.
Durante toda a manhã, tentei não pensar no almoço, sem querer me lembrar dos olhares cheios de ódio. Parte de mim queria confrontá-la e exigir que me dissesse qual era o problema. Enquanto estava deitado insone na cama, cheguei a imaginar o que diria. Mas eu me conhecia bem demais para pensar que realmente teria coragem de fazer isso. Talvez se ela não fosse tão linda.
Mas, quando entrei no refeitório com Jeremy, tentando evitar que meus olhos vasculhassem o lugar à procura dela e fracassando completamente, vi que seus quatro irmãos adotivos estavam sentados juntos à mesma mesa, e ela não estava com eles.
McKayla nos interceptou e nos conduziu à mesa dela.
Jeremy pareceu empolgado pela atenção, e os amigos dele logo se juntaram a nós. Tentei prestar atenção nas conversas ao meu redor, mas continuei pouco à vontade, esperando a chegada de Edythe. Eu esperava que ela simplesmente me ignorasse quando chegasse e provasse que eu estava fazendo tempestade em copo de água. Ela não apareceu, e fui ficando cada vez mais tenso.
Segui para a aula de biologia mais confiante quando, lá pelo final do almoço, ela ainda não tinha aparecido. McKayla, que estava começando a parecer estranhamente, sei lá, possessiva em relação a mim, andou ao meu lado até a sala de aula. Hesitei por um segundo na porta, mas Edythe Cullen também não estava lá. Soltei o ar e fui para o meu lugar. McKayla me seguiu, falando da futura viagem que faria à praia. Ela se demorou na minha carteira até o sinal tocar, depois sorriu para mim de um jeito tristonho e foi se sentar ao lado de um menino de aparelho e um corte de cabelo meio cuia.
Eu não queria ser arrogante, mas tinha quase certeza de que McKayla estava a fim de mim, o que era uma sensação estranha. As garotas não prestavam muita atenção em mim em Phoenix. Eu me perguntei se queria que ela gostasse de mim. Ela era bonitinha, mas a atenção que me dava me deixava pouco à vontade. Por quê? Porque ela me escolheu, em vez de eu escolhê-la? Era um motivo idiota.
Era meu ego enlouquecido, como se a decisão tivesse que ser minha primeiro. Mas essa possibilidade não era tão idiota quanto a outra em que pensei: eu torcia para que não fosse pelo tempo que passei olhando para Edythe Cullen no dia anterior, mas estava com medo de ser. E essa era a coisa mais idiota do mundo, na verdade. Se eu baseasse minha reação à aparência de uma garota num rosto como o de Edythe, eu estava ferrado. Aquilo era fantasia, não realidade.
Fiquei feliz por ter a carteira só para mim, por Edythe estar ausente. Disse isso a mim mesmo várias vezes. Mas não conseguia me livrar da sensação irritante de que eu era o motivo da ausência dela. Era ridículo e egoísta pensar que eu podia afetar tanto uma pessoa. Era impossível. Mas eu não conseguia deixar de me preocupar.
Quando o dia de aula enfim terminou e o rubor pelo incidente no vôlei desapareceu do meu rosto, vesti rapidamente a calça jeans e o suéter pesado. Saí correndo do vestiário, satisfeito por descobrir que tinha conseguido escapar de McKayla por um tempo. Andei rapidamente para o estacionamento. Estava abarrotado de alunos indo embora. Entrei na minha picape e vasculhei a mochila para ter certeza de que tinha o que precisava.
Não era segredo que Charlie não sabia cozinhar grande coisa além de ovos fritos e bacon. Na noite anterior, pedi para cuidar da cozinha enquanto estivesse ali. Ele estava disposto a me deixar assumir. Uma busca rápida revelou que ele não tinha comida em casa. Então, fiz minha lista de compras, peguei o dinheiro no pote do armário rotulado D INHEIRO DA COMIDA e fui para o Thriftway.
Disparei meu motor ensurdecedor, ignorando as cabeças que se viravam na minha direção, e dei a ré para entrar na fila de carros que esperavam para sair do estacionamento. Enquanto aguardava, tentando fingir que o estrondo de furar os tímpanos vinha de outro carro, vi os dois Cullen e os gêmeos Hale entrando no carro deles.
Era o Volvo novinho. Claro. Eu ainda não tinha percebido as roupas que usavam – fiquei hipnotizado demais pelos rostos. Agora que olhei, ficou óbvio que todos usavam roupas que deviam custar mais do que meu guarda-roupa inteiro. Com sua beleza extraordinária, eles podiam vestir sacos de lixo e ainda assim lançar moda. Parecia um exagero que fossem bonitos e também tivessem dinheiro. Mas, pelo que eu sabia, na maior parte do tempo a vida era assim. E aparentemente isso não lhes trazia aceitação por aqui.
Não, eu não acreditava plenamente nisso. O isolamento devia ser escolha deles; eu não conseguia imaginar nenhuma porta que não se abrisse para aquele grau de beleza.
Eles olharam para minha picape barulhenta quando passei, como todo mundo fez. Só que eles não eram como todo mundo. Vi o cara louro grande, devia ser Royal. Fazia sentido. Enfim, Royal estava casualmente com a mão no quadril da garota alta com cabelo escuro e ondulado, que parecia capaz de ficar tão à vontade na sala de musculação quanto ele. Ele devia ser uns cinco centímetros mais alto do que eu, mas só um centímetro maior do que ela. Apesar de ele ser um cara bem seguro, ainda fiquei meio surpreso de ele se sentir à vontade para fazer aquilo. Não que ela não fosse gata (ela era supermegagata), mas não era... abordável. Tipo, nem The Rock ousaria assobiar para ela, se é que você me entende.
A garota loura me viu olhando, e a forma como apertou os olhos para mim me fez virar para a frente e pisar no acelerador. A picape não foi mais rápido, o motor só roncou mais alto.
O Thriftway não ficava longe da escola, só algumas ruas ao sul, junto à rodovia. Foi bom estar dentro do supermercado. Parecia normal. Sempre fiz as compras da casa, e me voltei com facilidade à rotina do trabalho familiar. O mercado era bem grande por dentro, e não consegui ouvir o bater da chuva no telhado para me lembrar de onde estava.
Quando cheguei em casa, guardei todos os mantimentos e rearrumei os armários até tudo estar organizado de um jeito que fizesse sentido. O sistema de Charlie era meio caótico. Eu esperava que ele não se importasse, que não tivesse TOC em relação à cozinha como eu. Quando fiquei satisfeito com a organização, comecei a preparar o jantar.
Tenho uma espécie de sexto sentido no que diz respeito à minha mãe. Percebi quando estava colocando a carne marinada na geladeira que não avisei para ela quando cheguei. Ela devia estar surtando.
Subi a escada dois degraus de cada vez e liguei o velho computador no quarto. Demorou um minuto para ganhar vida, e precisei esperar a conexão. Quando fiquei online, três mensagens apareceram na minha caixa de entrada. A primeira era do dia anterior, enquanto eu ainda estava viajando.
Beau”, escrevera minha mãe.

Escreva assim que chegar. Conte como foi seu voo. Está chovendo? Já estou com saudade. Estou quase terminando as malas para a Flórida, mas não consigo encontrar minha blusa rosa. Sabe onde eu a coloquei?
Phil manda lembranças. Mamãe.

Eu suspirei e passei à mensagem seguinte. Foi enviada seis horas depois da primeira.

Beau,
Por que você não me escreveu ainda? O que está esperando?
Mamãe.

A última era daquela manhã.

Beaufort Swan,
Se eu não tiver notícias suas até as cinco e meia da tarde de hoje, vou ligar para Charlie.

Olhei o relógio. Ainda tinha uma hora, mas minha mãe era famosa pela precipitação.

Mãe,
Calma. Estou escrevendo agora. Não faça nenhuma bobagem.
Beau.

Mandei essa e comecei a seguinte, com uma mentira logo de cara.

Está tudo ótimo. É claro que está chovendo. Eu estava esperando ter algo para escrever. A escola não é ruim, só meio repetitiva. Conheci umas pessoas legais que almoçam comigo.
Sua blusa está na lavanderia – você devia ter pego na sexta-feira.
Charlie comprou uma picape para mim, dá para acreditar? É demais. É velha, mas bem forte, o que é bom, sabe como é, para mim. Também estou com saudades. Vou escrever novamente logo, mas não vou ficar verificando meus e-mails a cada cinco minutos. Relaxe, respire fundo. Eu te amo.
Beau.

Ouvi a porta da frente ser aberta e corri para baixo para tirar as batatas e colocar os bifes para grelhar.
— Beau, é você? — perguntou meu pai quando me ouviu na escada.
Quem mais seria?, pensei comigo mesmo.
— Oi, pai, bem-vindo.
— Obrigado.
Ele pendurou o cinturão da arma e tirou as botas enquanto eu estava atarefado na cozinha. Pelo que eu sabia, ele nunca disparou a arma no trabalho. Mas a mantinha preparada. Quando eu era criança e vinha aqui, ele sempre retirava as balas assim que passava pela porta. Acho que agora me considerava velho o bastante para não atirar em mim mesmo por acidente, nem deprimido o bastante para atirar em mim mesmo de propósito.
— O que temos para o jantar? — perguntou ele, cheio de cautela.
Minha mãe era uma cozinheira com muita imaginação quando queria, e as experiências dela nem sempre eram comestíveis. Fiquei surpreso e triste por ele parecer se lembrar de um fato tão remoto.
— Bife com batata — respondi.
Charlie pareceu aliviado.
Ele ficou constrangido de ficar ali na cozinha sem fazer nada, e arrastou-se para ver TV na sala enquanto eu trabalhava. Acho que nós dois ficávamos mais à vontade desse jeito. Fiz uma salada enquanto os bifes grelhavam e arrumei a mesa.
Eu o chamei quando o jantar estava pronto, e ele gostou do cheiro ao passar pela porta.
— Que cheiro bom, Beau.
— Obrigado.
Comemos sem dizer nada por alguns minutos. Não foi desagradável. Nós dois gostávamos do silêncio. De certa forma, éramos bem adequados para morar juntos.
— E então, como foi na escola? Fez algum amigo? — perguntou ele ao se servir pela segunda vez.
— Bom, tive algumas aulas com um cara chamado Jeremy. Sentei para almoçar com os amigos dele. E tem uma garota, McKayla, que é muito simpática. Todo mundo parece bem legal. — Com uma notável exceção.
— Deve ser McKayla Newton. É uma boa garota... de uma boa família. O pai é dono da loja de produtos esportivos perto do centro. Ele ganha um bom dinheiro com todos os mochileiros que passam por aqui.
— Conhece a família Cullen? — perguntei, hesitante.
— A família da Dra. Cullen? Claro. Ela é uma grande mulher.
— Eles... os filhos... são meio... diferentes. Não parecem se adaptar muito bem à escola.
Fiquei surpreso ao ver o rosto de Charlie ficar vermelho, como sempre fica quando ele está com raiva.
— As pessoas desta cidade — murmurou ele. — A Dra. Cullen é uma cirurgiã brilhante que provavelmente podia trabalhar em qualquer hospital do mundo, ganhando dez vezes o salário que ganha aqui — continuou ele, falando mais alto. — Temos sorte por tê-la aqui... Sorte pelo marido dela querer morar numa cidade pequena. Ela é um grande acréscimo à comunidade, e todos os filhos são bem-comportados e educados. Tive minhas dúvidas quando se mudaram para cá, com todos aqueles adolescentes adotivos. Pensei que podíamos ter alguns problemas com eles. Mas todos são muito maduros... Não tive um pingo de problema com nenhum deles. Não posso dizer o mesmo dos filhos de algumas pessoas que moram nesta cidade há gerações. E eles são unidos, como deve ser uma família... Viajam para acampar em fins de semana alternados... Só porque são novos aqui, as pessoas ficam falando.
Foi o discurso mais longo que já ouvi de Charlie. Ele devia se aborrecer muito com o que as pessoas diziam.
Recuei um pouco.
— Eles pareceram legais. Só percebi que são muito reservados. São todos muito bonitos — acrescentei, tentando ser mais elogioso.
— Você devia ver a médica — disse Charlie, rindo. — Ainda bem que é casada. Muita gente do hospital tem dificuldade para se concentrar no trabalho quando ela está por perto.
Voltamos a ficar em silêncio enquanto terminávamos de comer. Ele tirou a mesa enquanto eu começava a lavar a louça. Ele voltou à TV, e eu, depois de terminar com os pratos – lavados à mão, e não na máquina – subi sem nenhuma vontade de fazer o dever de matemática. Deu para sentir um costume se formando.
Enfim aquela noite foi silenciosa. Adormeci rapidamente, exausto.
O resto da semana foi calmo. Eu me acostumei com a rotina das aulas. Na sexta-feira, já conseguia reconhecer e me lembrar do nome de quase todos os alunos da escola. Na educação física, as pessoas do meu time aprenderam a não jogar a bola na minha direção. Eu ficava fora do caminho de todo mundo.
Edythe Cullen não voltou à escola.
Todo dia, eu observava, fingindo não estar olhando, até os demais Cullen entrarem no refeitório sem ela. Depois, conseguia relaxar e participar da conversa. Centrava-se principalmente numa viagem ao La Push Ocean Park dali a duas semanas, que McKayla estava organizando. Fui convidado e aceitei ir, mais por educação do que por vontade de ir à praia. Eu achava que as praias devem ser quentes e, fora o mar, secas.
Na sexta-feira, eu estava perfeitamente à vontade na hora de entrar na aula de biologia; sem me preocupar mais se Edythe apareceria. Pelo que eu sabia, ela tinha saído da escola. Tentei não pensar nela, mas não conseguia reprimir completamente a preocupação de que eu fosse o responsável por sua ausência contínua, embora isso fosse ridículo.
Meu primeiro fim de semana em Forks prosseguiu sem incidentes. Charlie trabalhou na maior parte do tempo. Escrevi mais e-mails falsamente animados para minha mãe, adiantei o dever e arrumei a casa; obviamente, Charlie não tinha problema de TOC. Fui à biblioteca no sábado, mas nem me dei o trabalho de fazer um cartão de inscrição; não havia nada de interessante que eu já não tivesse lido. Eu teria de ir a Olympia ou a Seattle em breve e encontrar uma boa livraria. Imaginei qual seria o consumo de combustível da picape... e estremeci ao pensar nisso.
A chuva continuou branda pelo fim de semana, tranquila, então consegui dormir.
As pessoas me cumprimentaram no estacionamento na segunda-feira de manhã. Eu não sabia o nome de todos, mas sorri para todo mundo. Estava mais frio naquela manhã, mas pelo menos não estava chovendo. Na aula de inglês, McKayla tomou seu lugar de costume ao meu lado. Teve um teste relâmpago sobre O morro dos ventos uivantes. Foi simples, muito fácil. No geral, eu estava me sentindo muito mais à vontade do que pensava que estaria àquela altura. Mais à vontade do que esperava me sentir ali um dia.
Quando saímos da sala de aula, o ar estava cheio de pontinhos brancos rodopiando. Eu podia ouvir as pessoas gritando animadas umas com as outras. O vento congelava meu rosto, meu nariz.
— Puxa — disse McKayla. — Está nevando.
Olhei para os pequenos tufos de algodão que se acumulavam pelas calçadas e giravam erraticamente por meu rosto.
— Ugh. — Neve. Lá se foi meu dia bom.
Ela pareceu surpresa.
— Não gosta da neve?
— Neve significa que está frio demais para chover. — Obviamente. — Além disso, pensei que devia cair em flocos... Sabe como é, cada um é único e essas coisas. Isso aqui só parece ponta de cotonete.
— Você nunca viu neve cair? — perguntou ela, incrédula.
— Claro que vi. — Eu hesitei. — Na TV.
McKayla riu. E aí, uma bola grande e molhada de neve gotejante bateu na cabeça dela. Nós dois nos viramos para ver de onde tinha vindo. Eu tinha minhas desconfianças de Erica, que estava se afastando, de costas para nós – na direção contrária a da primeira aula dela. McKayla teve a mesma ideia. Ele se curvou e começou a formar um morro de papa branca.
— A gente se vê no almoço, está bem? — Continuei andando enquanto falava. A última coisa que queria era uma bolota de gelo sujo derretendo pelo meu pescoço durante o resto do dia.
Ela só assentiu, o olhar nas costas de Erica.
Segui em estado de alerta para o refeitório com Jeremy depois da aula de espanhol. Voavam bolas empapadas por todo lado. Fiquei com o fichário na mão, pronto para usá-lo como escudo, se necessário. Jeremy me achou hilário, mas alguma coisa na minha expressão impediu que ele me lançasse uma bola de neve.
McKayla nos encontrou quando passávamos pela porta, rindo, com o cabelo normalmente liso ficando ondulado por causa do gelo. Ela e Jeremy conversaram animadamente sobre a guerra de neve enquanto entrávamos na fila para comprar comida. Olhei a mesa do canto, mais por hábito. E gelei. Havia cinco pessoas à mesa.
Jeremy puxou meu braço.
— Ei! Beau! O que você quer?
Baixei a cabeça; minhas orelhas estavam quentes. Eu não tinha motivo para me sentir constrangido, lembrei a mim mesmo. Não tinha feito nada de errado.
— O que há com Beau? — perguntou McKayla a Jeremy.
— Nada — respondi.
Peguei uma garrafa de refrigerante quando cheguei no fim da fila.
— Não está com fome? — perguntou Jeremy.
— Na verdade, estou meio enjoado — falei.
Ele se afastou um pouco de mim.
Esperei que eles pegassem a comida e os segui até a mesa, com olhos em qualquer lugar, menos no fundo do refeitório.
Bebi o refrigerante lentamente, o estômago agitado.
Por duas vezes, McKayla perguntou, com uma preocupação que pareceu desnecessária, como eu estava me sentindo. Disse a ela que não era nada, mas fiquei me perguntando se eu devia fingir e escapulir para a enfermaria pela próxima hora.
Ridículo. Eu não precisava fugir. Por que estava sendo tão covarde? O que havia de tão ruim em ser olhado de cara feia? Ela não ia me enfiar uma faca nem nada.
Decidi me permitir dar uma olhada na mesa da família Cullen. Só para sentir o clima.
Mantive a cabeça baixa e espiei de rabo de olho. Nenhum deles olhava na minha direção. Ergui um pouco a cabeça.
Eles estavam rindo. Edythe, Jessamine e Eleanor estavam com os cabelos totalmente encharcados de neve derretendo. Archie e Royal se curvavam, tentando se afastar, enquanto Eleanor sacudia o cabelo molhado na direção deles, deixando a marca dos pingos na parte da frente dos casacos. Eles estavam curtindo o dia de neve, como todo mundo – só que pareciam estar numa cena de filme, mais do que o resto de nós.
Mas, além dos risos e das brincadeiras, havia algo diferente, e eu não conseguia perceber o que era.
Examinei Edythe e a comparei com a lembrança que tinha da semana anterior. A pele estava menos pálida, concluí – corada da guerra de neve, talvez – os círculos em torno dos olhos, bem menos perceptíveis. O cabelo estava mais escuro, molhado e grudado na cabeça. Mas havia mais alguma coisa. Esqueci-me de fingir que não estava olhando enquanto tentava identificar a mudança
— O que você está olhando, Beau? — perguntou Jeremy.
Naquele exato momento, os olhos de Edythe lampejaram e encontraram os meus.
Virei a cabeça toda para Jeremy e também mexi os ombros na direção dele. Jeremy se inclinou para trás, surpreso pela minha invasão repentina do espaço pessoal dele.
Mas eu tinha certeza de que, no instante em que nossos olhos se encontraram, ela não estava com raiva e nem nojo, como na última vez que a vi. Só parecia curiosa novamente, e de certa forma insatisfeita.
— Edythe Cullen está olhando para você — disse Jeremy, olhando por cima do meu ombro.
— Ela não parece estar com raiva, parece? — Não pude deixar de perguntar.
— Não. — Jeremy pareceu confuso, mas sorriu de repente. — O que você fez, chamou ela pra sair?
— Não! Eu nunca nem falei com ela. Eu só... acho que ela não gosta muito de mim — admiti.
Mantive o corpo inclinado na direção de Jeremy, mas minha nuca ficou arrepiada, como se eu conseguisse sentir os olhos dela em mim.
— Os Cullen não gostam de ninguém... Bom, eles não percebem a presença de ninguém para gostar. Mas ela ainda está olhando para você.
— Pare de olhar para ela — insisti.
Ele deu uma risadinha, mas desviou os olhos. McKayla nos interrompeu nesse momento; estava planejando uma batalha épica de neve no estacionamento depois da aula e queria que fôssemos também. Jeremy concordou com entusiasmo. Pelo modo como olhou para McKayla, havia poucas dúvidas de que ele concordaria com qualquer coisa que ela sugerisse. Eu me mantive calado.
Fiquei pensando em quantos anos teria que morar em Forks para chegar ao ponto de tédio que me faria achar água congelada empolgante. Provavelmente bem mais tempo do que eu planejava ficar.
Pelo resto da hora de almoço, mantive os olhos voltados para a mesa. Edythe não parecia mais estar planejando me matar, então não foi nada de mais ir para a aula de biologia. Meu estômago deu um nó com a ideia de me sentar ao lado dela de novo.
Na verdade, eu não queria ir para a aula com McKayla, como sempre fazia – ela parecia ser um alvo popular dos atiradores de bola de neve – mas, quando chegamos à porta, todo mundo do meu lado gemeu em uníssono.
Estava chovendo, e a água lavava todos os vestígios de neve em faixas claras e geladas pelo canto do meio-fio. Puxei o capuz para esconder o sorriso. Eu ficaria livre para ir para casa depois da educação física.
McKayla desfiou um rosário de queixas no caminho para o prédio quatro.
Depois de entrar na sala de aula, vi com alívio que a cadeira de Edythe ainda estava vazia. Isso me dava um minuto para me acomodar. A Sra. Banner andava pela sala, distribuindo um microscópio e uma caixa de lâminas para cada carteira. A aula só começaria alguns minutos depois, e a sala zumbia com as conversas. Mantive os olhos afastados da porta, rabiscando preguiçosamente na capa de meu caderno.
Ouvi com muita clareza quando a cadeira ao lado da minha se mexeu, mas meus olhos continuaram voltados para o que eu desenhava.
— Oi — disse uma voz baixa e melodiosa.
Olhei para cima, atordoado por ela estar falando comigo. Estava sentada o mais distante de mim que a carteira permitia, mas a cadeira estava inclinada na minha direção. O cabelo gotejava, despenteado. Mesmo assim, ela parecia ter acabado de gravar um comercial. O rosto perfeito estava simpático, franco, um leve sorriso nos lábios carnudos e rosados. Mas os olhos longos estavam cautelosos.
— Meu nome é Edythe Cullen — continuou ela. — Não tive a oportunidade de me apresentar na semana passada. Você deve ser Beau Swan.
Minha mente girava de tanta confusão. Aquilo tudo teria sido fruto da minha imaginação? Ela agora estava sendo perfeitamente educada. Eu precisava falar; ela estava esperando. Mas não consegui pensar em nada de normal para dizer.
— Co-como você sabe meu nome? — gaguejei.
Ela riu baixinho.
— Ah, acho que todo mundo sabe seu nome. A cidade toda estava esperando você chegar.
Eu franzi a testa, embora já soubesse que era algo desse tipo.
— Não — insisti, feito um idiota. — Quer dizer, por que me chamou de Beau?
Ela pareceu confusa.
— Prefere Beaufort?
— De jeito nenhum — falei. — Mas acho que Charlie... quer dizer, meu pai... deve me chamar assim nas minhas costas. É como todo mundo aqui parece me conhecer — Quanto mais eu tentava explicar, mais idiota a explicação parecia.
— Ah. — Ela deixou o assunto de lado. Eu desviei os olhos, sem graça.
Felizmente, a Sra. Banner começou a aula naquele momento. Tentei me concentrar enquanto ela explicava a prática de laboratório que íamos fazer hoje. As lâminas na caixa estavam fora de ordem. Trabalhando em equipe, teríamos que separar as lâminas de células de ponta de raiz de cebola nas fases de mitose que representavam e rotulá-las corretamente. Não devíamos usar os livros. Em vinte minutos, ela voltaria para ver o que tínhamos conseguido.
— Podem começar — ordenou ela.
— Primeiro as damas? — perguntou Edythe.
Olhei para ela e a vi dando um sorriso com covinhas tão perfeito que só pude ficar olhando como um idiota.
Ela ergueu as sobrancelhas.
— Ah, claro, pode começar — falei
Vi o olhar dela se dirigir para os pontos vermelhos surgindo nas minhas bochechas. Por que meu sangue não podia ficar nas veias, onde era o lugar dele?
Ela desviou o olhar rapidamente e puxou o microscópio para o lado dela da mesa.
Ela observou a primeira lâmina por um quarto de segundo, talvez até menos.
— Prófase.
Ela botou a lâmina seguinte no microscópio, mas parou e olhou para mim.
— Ou você queria verificar? — desafiou ela.
— Ah, não, tudo bem — falei.
Ela escreveu a palavra prófase com capricho na primeira linha da folha de papel. Até a letra dela era perfeita, como se ela tivesse feito aulas de caligrafia ou alguma coisa assim. Alguém ainda fazia essas aulas?
Ela mal olhou o microscópio com a segunda lâmina, depois escreveu anáfase na linha de baixo, fazendo uma curva no A, como se estivesse escrevendo um envelope de convite de casamento. Eu precisei fazer os convites do casamento da minha mãe. Imprimi etiquetas com uma fonte elegante que não chegava nem perto da letra de Edythe.
Ela colocou a terceira lâmina no lugar. Eu aproveitei que sua atenção estava voltada para isso e fiquei olhando para ela. Tão de perto, era de se pensar que daria para ver alguma coisa errada, uma sombra de espinha, um fio torto na sobrancelha, um poro, alguma coisa. Mas não havia nada.
De repente, ela se voltou para a frente da sala, logo antes de a Sra. Banner chamar:
— Srta. Cullen.
— Sim, Sra. Banner.
Edythe empurrou o microscópio para mim quando falou.
— Que tal deixar o Sr. Swan ter a oportunidade de aprender?
— Claro, Sra. Banner.
Edythe se virou e me lançou um olhar de muito bem, vá em frente.
Eu me inclinei para olhar. Consegui sentir que ela estava me observando, e era justo, considerando que antes eu não tirava os olhos dela, mas me senti constrangido, como se o mero movimento de inclinar a cabeça fosse desajeitado.
Pelo menos, a lâmina não era difícil.
— Metáfase — falei.
— Você se importa se eu olhar? — perguntou ela quando comecei a tirar a lâmina. Ela segurou minha mão para me impedir enquanto falava. Os dedos estavam frios como gelo, como se ela os estivesse enfiado na neve antes da aula. Mas não foi por isso que puxei a mão tão rápido. Quando ela tocou em mim, senti uma dor que pareceu um choque elétrico de baixa voltagem.
— Me desculpe — murmurou ela, puxando a mão rapidamente, embora continuasse querendo pegar o microscópio.
Eu a observei, um pouco atordoado, enquanto ela examinava a lâmina por mais uma fração de segundo.
— Metáfase — concordou ela, e empurrou o microscópio na minha direção.
Tentei trocar as lâminas, mas eram pequenas demais, ou meus dedos que eram grandes demais, e acabei deixando as duas cair. Uma caiu na mesa e a outra pela beirada, mas Edythe a pegou antes que caísse no chão.
— Ugh. — Eu expirei, morrendo de vergonha. — Desculpa.
— Bom, a última não é mistério nenhum, de qualquer jeito — disse ela. O tom era quase uma gargalhada. Alvo de piadas de novo.
Edythe escreveu as palavras metáfase e telófase nas duas últimas linhas da folha de papel. Terminamos bem antes de todo mundo. Consegui ver McKayla e o parceiro comparando duas lâminas repetidas vezes, e outra dupla estava com o livro aberto embaixo da carteira.
Fiquei sem nada para fazer além de tentar olhar para ela... sem sucesso. Olhei para baixo, e ela estava me encarando, com aquela mesma expressão estranha de frustração nos olhos. De repente, identifiquei a diferença sutil no rosto dela.
— Você usa lentes de contato? — perguntei de repente.
Ela pareceu intrigada pela minha pergunta sem propósito.
— Não.
— Ah — murmurei. — Achei que tinha alguma coisa diferente nos seus olhos.
Ela deu de ombros e afastou o rosto.
Na verdade, eu sabia que havia algo diferente. Não me esqueci de nenhum detalhe daquela primeira vez que ela olhou para mim com raiva, como se me quisesse morto. Eu ainda conseguia ver o preto chapado dos olhos dela, tão contrastante com a pele clara ao fundo. Hoje, os olhos estavam com uma cor completamente diferente: um dourado estranho, mais escuro do que caramelo, mas com o mesmo tom quente. Eu não entendia como podia ser assim, a não ser que, por algum motivo, ela estivesse mentindo sobre as lentes de contato. Ou talvez Forks estivesse me deixando louco, no sentido literal da palavra.
Olhei para baixo. As mãos dela estavam fechadas com força de novo.
A Sra. Banner foi à nossa mesa, olhou por sobre nossos ombros para ver o trabalho concluído, depois foi verificar as respostas.
— Então, Edythe... — A Sra. Banner começou a dizer.
— Beau identificou metade das lâminas — disse Edythe antes que a Sra. Banner pudesse terminar.
A Sra. Banner olhou para mim; sua expressão era cética.
— Já fez essa experiência de laboratório antes? — perguntou ela.
Eu encolhi os ombros.
— Não com raiz de cebola.
— Blástula de linguado?
— Isso.
A Sra. Banner assentiu.
— Você estava em algum curso avançado em Phoenix?
— Estava.
— Bem — disse ela depois de um momento. — Acho que é bom que os dois sejam parceiros de laboratório. — Ela murmurou mais alguma coisa ao se afastar. Depois que saiu, comecei a rabiscar de novo no meu caderno.
— Que chato que não tenha neve, não é? — perguntou Edythe.
Tive a sensação estranha de que ela estava se obrigando a bater um papinho comigo. Era como se ela tivesse ouvido minha conversa com Jeremy no almoço e estivesse tentando provar que eu estava errado. Mas isso era impossível. Eu estava ficando paranoico.
— Na verdade, não — respondi com sinceridade, em vez de fingir ser normal como todos os outros. Eu ainda tentava me livrar da sensação idiota de desconfiança e não conseguia me concentrar em montar uma fachada socialmente aceitável.
— Você não gosta do frio. — Não era uma pergunta.
— Nem da umidade.
— Forks deve ser um lugar difícil para você morar — refletiu ela.
— Você nem faz ideia — murmurei, melancolicamente.
Ela pareceu fascinada com a minha resposta, por algum motivo que eu não conseguia entender. Seu rosto era uma distração tal que tentei não olhar para ela mais do que a cortesia me exigia.
— Então por que veio para cá?
Ninguém tinha me perguntado isso, não da forma direta como ela fez, querendo mesmo saber.
— É... complicado.
— Acho que consigo acompanhar — pressionou ela.
Fiquei mudo por um longo momento, e depois cometi o erro de encontrar o olhar dela. Seus olhos dourado-escuros me confundiam, e respondi sem pensar.
— Minha mãe se casou de novo — eu disse.
— Isso não parece tão complexo — discordou ela, mas o tom de voz ficou mais suave de repente. — Quando foi que aconteceu?
— Em setembro. — Não consegui afastar a tristeza de minha voz.
— E você não gosta dele — supôs Edythe, o tom de voz ainda gentil.
— Não, o Phil é legal. Novo demais, talvez, mas é bem legal.
— Por que você não ficou com eles?
Eu não conseguia entender o interesse dela, mas ela continuava a me fitar com os olhos penetrantes, como se a história insípida da minha vida fosse algo de importância crucial.
— Phil viaja muito. Ganha a vida jogando bola. — Dei um meio sorriso.
— Eu conheço? — perguntou ela, sorrindo em resposta, só o suficiente para uma sombra das covinhas aparecer.
— Provavelmente não. Ele não joga bem. É da segunda divisão. Ele se muda muito.
— E sua mãe mandou você para cá para poder viajar com ele. — Ela disse isso como uma suposição de novo, e não como uma pergunta.
Meus ombros se empertigaram automaticamente.
— Não, ela não me mandou para cá. Eu quis vir.
As sobrancelhas dela se uniram.
— Não entendi — admitiu ela, e parecia mais frustrada com isso do que deveria.
Eu suspirei. Por que eu estava explicando isso? Ela continuava a me encarar, esperando.
— Ela ficou comigo no começo, mas sentia falta dele. Isso a deixava infeliz... Então, cheguei à conclusão de que estava na hora de passar algum tempo de verdade com Charlie. — Eu soava mal-humorado quando terminei.
— Mas agora é você que está infeliz — observou ela.
— E? — questionei em desafio.
— Isso não parece justo. — Ela deu de ombros, mas seus olhos ainda estavam intensos.
Eu dei uma gargalhada.
— Ninguém te contou ainda? A vida não é justa.
— Acho que já ouvi isso em algum lugar — concordou ela secamente.
— E então, é isso — insisti, perguntando-me por que ela ainda me encarava daquele jeito.
Ela inclinou a cabeça para o lado, e os olhos dourados pareciam perfurar a superfície da minha pele.
— Você está fingindo bem — disse ela devagar. — Mas aposto que está sofrendo mais do que deixa transparecer.
Eu dei de ombros.
— Eu repito: e?
— Não entendo você direito, só isso.
Franzi a testa.
— Por que você quereria entender?
— É uma ótima pergunta — murmurou ela, tão baixinho que me perguntei se estava falando consigo mesma. Mas depois de alguns segundos de silêncio, concluí que era a única resposta que eu teria.
Era constrangedor ficarmos nos encarando, mas ela não afastou o olhar. Eu queria ficar olhando para o rosto dela, mas tive medo de ela estar se perguntando qual era meu problema e acabei me virando para o quadro-negro. Ela suspirou.
Olhei novamente, e ela ainda estava me observando, mas a expressão estava diferente... meio frustrada ou irritada.
— Me desculpe — pedi, rapidamente. — Eu... estou irritando você?
Ela balançou a cabeça e sorriu com metade da boca, de forma que só uma covinha apareceu.
— Não, acho que estou mais irritada é comigo mesma.
— Por quê?
Ela inclinou a cabeça para o lado.
— Decifrar as pessoas... costuma ser fácil para mim. Mas não consigo... Acho que não sei como interpretar você. Isso é engraçado?
Escondi o sorriso.
— É... inesperado. Minha mãe sempre me chama de livro aberto. De acordo com ela, dá para praticamente ler meus pensamentos impressos na minha testa.
O sorriso dela sumiu, e ela olhou com intensidade nos meus olhos, mas não com a raiva de antes. Como se estivesse tentando muito ler a minha testa, como minha mãe fazia. E então, mudando de marcha de forma abrupta, ela sorriu novamente.
— Acho que sou confiante demais.
Eu não sabia o que dizer.
— Hã, desculpa?
Ela riu, e o som foi como música, embora eu não conseguisse pensar em nenhum instrumento com o qual comparar. Os dentes dela eram perfeitos, o que não era surpresa, e brancos e brilhantes.
A Sra. Banner então chamou a turma, e eu fiquei aliviado de voltar a atenção para ela. Essa conversinha trivial com Edythe foi intensa demais. Eu me sentia tonto, de um jeito estranho. Eu tinha mesmo acabado de explicar minha vida chata para aquela garota bizarra e linda que podia ou não me odiar? Ela parecia quase interessada demais no que eu tinha para dizer, mas agora eu podia ver, pelo canto do olho, que ela estava se afastando de mim de novo, as mãos agarradas na beira da mesa com uma tensão evidente.
Tentei prestar atenção enquanto a Sra. Banner repassava a experiência com transparências do retroprojetor, mas meus pensamentos estavam longe da aula.
Quando o sinal tocou, Edythe correu da sala de maneira tão rápida e elegante quanto na segunda-feira anterior. E, como naquela segunda, fiquei olhando para ela de queixo caído.
McKayla chegou à minha carteira quase com a mesma rapidez.
— Foi horrível — disse ela. — Todas elas pareciam iguais. Você tem sorte por ter a Edythe como parceira.
— É, ela parecia conhecer bem uma raiz de cebola.
— Ela pareceu bem simpática hoje — comentou McKayla enquanto vestíamos as capas de chuva. Não aparentava estar feliz com isso.
Tentei falar com casualidade na voz.
— Nem imagino o que aconteceu com ela na segunda passada.
Eu não consegui me concentrar na tagarelice de McKayla enquanto íamos para o ginásio, e a aula de educação física também não conseguiu prender minha atenção. McKayla era do meu time dessa vez. Ela cobriu minhas posições e as dela, então só precisei prestar atenção quando era minha vez de sacar. O time se abaixava cautelosamente sempre que eu dava o saque.
A chuva era apenas uma névoa quando fui para o estacionamento, mas eu ainda estava bem úmido quando cheguei à picape. Coloquei o aquecedor na temperatura mais alta possível, pela primeira vez sem me importar com o rugido enlouquecedor do motor.
Quando olhei em volta para me certificar de que o caminho estava livre, percebi a figura imóvel e branca. Edythe Cullen estava encostada na porta da frente do Volvo, a três carros de mim, e olhava intensamente na minha direção. O sorriso tinha sumido, mas pelo menos a fúria assassina também, ao menos por enquanto. Desviei os olhos e engatei a ré, quase batendo num Toyota Corolla enferrujado na pressa. Para sorte do Toyota, pisei no freio a tempo. Era o tipo de carro que minha picape transformaria em sucata. Respirei fundo, ainda olhando para o outro lado, e dei ré de novo, com cuidado. Dessa vez, consegui. Fiquei olhando para a frente ao passar pelo Volvo, mas, pela visão periférica, consegui ver o bastante para saber que ela estava rindo.

21 comentários:

  1. Gostei mais desse... Acho que o outro eu saltei muito, foi um pouco entediante...
    Gostei dessas pequenas mudanças que teve nesse capitulo, acho que combinou mais com essa versão de Edward e Bella.

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  2. Estou gostando mas poderia ter invertido os pais dele também, há um erro " — Não — insisti, feito "uma" (o correto seria idiota já que se trata de um menino) idiota. — Quer dizer, por que me chamou de Beau?
    Ela pareceu confusa.
    — Prefere Beaufort?

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  3. Nossa o conflito entre esse livro é o outro me deixou louca...estou gostando. Gostei mais desse capitulo.

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  4. Estou bocejando com a leitura desse livro, parece uma fanfic.

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  5. Concordei com as duas pessoas acima...
    Esse capítulo o Beau ficou menos Bella... E consequentemente, menos menininha...

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  6. Tá difícil ler sem me confundir acho que tem certas coisas que a Bella fazia e falava que beau fala e faz ele parece mulher... aff to me confundindo tudo beata muito gay

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  7. Cara tem partes q esqueço que n é a Bela, Ele parece um pouco gay mas ta legal sim

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  8. LADY.DOCETE.BEWARD3 de abril de 2016 00:41

    Eu estou confundindo bastante os personagens, mas estou revivendo me sinto como na primeira vez que li.

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  9. acho que gostei mais desse capitulo, mesmo mais ainda sim é estranho.

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  10. Sou critica de mais pra comentar, parece mesmo uma Fanfic mais mesmo assim, sou tão fanática em Crepúsculo que não consigo "não gostar" ehsuheus

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  11. vdd,ta meio estranho ,mas devemos lembrar q a autora teve pouco tempo

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  12. Bugada estou.Tem horas que penso que tô lendo Crepúsculo mesmo kkkkk Impossível ler algumas partes e não confundir com a Bella

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  13. Eu fico vendo 'Beau' e fico pensando no Beaulfire de Once Upon a Time ._.

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  14. Estou amando as mudanças, essa nova perspectiva é muito interessante.
    PS: Ainda me confundo um pouco.

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  15. Estou amando essa versão, nessa invertida de papeis ainda me confundo um pouco,mas estou achando muito interessante e NEM um pouco intediante.... SIMPLESMENTE AMEII *-*

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  16. Sinceramente, a ideia da Autora não foi tão ruim, mas pelo menos a estória deveria ter mudado. Tipo, a linda vampira tímida, e o garoto desengonçado completamente bondoso o suficiente pra observá-la com fascínio, e depois com curiosidade. Não sei qualquer coisa, menos a mesma estória.
    Mas sla, não dá pra juntar a estória, é meio entediante. Não vou ler algo do gênero. Sorry.

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