30 de dezembro de 2015

Fanfic: Never Too Late


Sinopse:
Never Too Late é sobre uma garota, Ruby, ela ama música, quando o pai dela morreu de cancro ela teve de ir viver para outra cidade, Ruby é diferente das outras garotas, ela ama Rock e Metal e normalmente se veste de preto, isso nunca foi um problema para ela, até Ruby ir viver para Delaware, e quando tudo parecia horrível e ela só queria acabar com a sua vida, Ash, um garoto como ela, entra na sua vida e muda tudo.

Categorias: drama, romance, adolescência, história original
Autora: Margarida Coutinho
____________________________________


Capítulo 1



I'm tired of being what you want me to be
Feeling so faithless, lost under the surface
I don't know what you're expecting of me

Linkin Park - numb

Pus as mãos no ar, e dancei ao ritmo da música. O meu corpo movia-se de acordo com a batida da música que saia do meu rádio.
- 'Cause it's the end and I'm not afraid, I'm not afraid to die. - A minha voz acompanhou a letra. 
A cama balançava em baixo dos meus pés, pus as mãos pra baixo e os meus dedos tocavam numa guitarra invisível. O meu cabelo voava ao mm tempo que eu abanava a cabeça.
Sentia-me livre, sentia-me onde deveria estar, parei de tocar a guitarra invisível e a minha imaginação levou-me para um concerto. Voltei a por as mãos para cima, e dancei ao ritmo da música mais uma vez.
Esta era a diferença da realidade, porque na minha imaginação eu sentia que pertencia a algum lugar, fazia-me sentir parte de uma coisa grande.
Desci da cama e juntem-me a todas as outras pessoas invisíveis naquele concerto invisível, pessoas que gostavam do que eu gostava, pessoas que sentiam o que eu sentia.
- Not afraid, I'm not afraid to die, no not afraid, I'm not afraid to die! - Acabei de cantar.
A porta do meu quarto foi aberta rapidamente, o mundo girou, as pessoas desapareceram, o palco desapareceu, tudo o que a minha imaginação criou desapareceu.
- São 7 e meia da manhã! - A minha mãe disse á porta do quarto. 
Bufei e fui para a casa de banho, que ligava ao meu quarto.
A minha mãe, ela não entendia, ela nunca entendeu. Irónico como ela sempre dizia que não se devia julgar as pessoas pela aparência, mas ela era a primeira a fazer isso. 
Tomei banho e vesti.me com o mesmo tipo de roupa de sempre. Umas calças pretas e uma t.shirt igualmente preta dos Black Veil Brides.
Pus a mochila no ombro e preparei-me para sair de casa quando a minha mãe interrompeu-me.
- Será que pelo menos uma vez na vida consegues vestir alguma coisa que não pareça que acabaste de sair do mundo dos mortos? 
Apenas revirei os olhos e sai de casa.
Eram apenas 10 minutos de casa a escola, 10 minutos que eu percorria todos os dias, 10 minutos onde eu poderia ter paz e sossego. As pessoas já não se incomodavam a olhar para mim de forma estranha.
Vivia em Dover, uma cidade pequena em Delaware, não é fácil viver em cidades pequenas, as pessoas conhecem-se e falam, e essas pessoas conhecem outras pessoas, então praticamente toda a Dover conhece a rapariga estranha que se veste de preto.
Pois, sou eu mesmo.
Da primeira vez que eu me mudei para Dover, foi quando o meu pai morreu de cancro, não foi fácil, as pessoas olhavam para mim como se eu fosse algum tipo de aberração, elas sussurravam umas as outras como esquisita eu era, depois de algum tempo elas pararam de sussurrar....e simplesmente diziam em voz alta....
E não ficou melhor, quando a minha mãe decidiu me matricular na escola, eu fiquei feliz, não por ter escola, claro. Mas sei lá, por ter amigos, parar de deixar de me sentir sozinha, ter alguém que me compreende-se. Isso não aconteceu...
Eu conheci pessoas, pessoas que me fizeram sentir como se eu fosse nada, pessoas que fizeram-me passar um inferno, pessoas que fizeram com que eu ficasse noites a chorar no meu quarto desejando que tudo fosse diferente, pessoas más, pessoas más que não ligavam nem um pouco para os teus sentimentos ou para a tua felicidade....
Quando cheguei a escola, o toque de entrada já tinha tocado, sempre que eu chegava a escola, sempre que eu punha os pés dentro da escola, todos os olhos se viravam para mim, e os sussurros e os insultos começavam, então decidi começar a chegar atrasada, não que fizesse muita diferença...
O dia correu como todos os outros: sentada no fundo da sala, a fingir que não me importava que ninguém me escolhesse como par nos trabalhos de grupo, almoçar sozinha enquanto via todos os outros alunos a falarem sobre como estava a correr o dia ou a fazer planos para depois da escola, e ficar sentada num canto da escola a ouvir musica nos intervalos, acho que nesse último ponto não me importava, preferia mil vezes a companhia de uma boa música do que muitas pessoas por aí.
Quanto a campainha finalmente tocou a assinalar o fim da aula, arrumei o caderno e os livros na mala e saí da sala. Voltei a por os fones nos ouvidos e dirigi-me para o portão da escola juntamente com todos os outros.
O meu coração deu um pulo assim que eu o vi, tudo pareceu desaparecer como sempre desaparecia quando eu o via, o meu corpo ficou uma mistura de sentimentos, alegria por vê-lo, borboletas na barriga e aquela sensação como se tivesse o peito a arder, sorri ao ver a figura dele a alguns passos de mim, com o seu cabelo loiro, a sua estatura alta e o casaco de cabedal que eu amava.
Quando já estava a alguns metros dele e a única coisa que conseguia ver, se olhasse para trás, era o seu cabelo, pus o capuz sobre a cabeça e permiti que as lágrimas escorressem pelo meu rosto. Esta era a parte pior, porque depois do peito a arder e as borboletas na barriga vinha a dor. A dor de saber que ele nunca seria meu, que nunca iria resultar.
- Let it go. - Sussurrei a letra da música.
Mais lágrimas caíram enquanto eu acompanhava a música. Aí está a razão de eu preferir música ao em vez de pessoas, a música é como se fosse a nossa alma gêmea, ela está lá, e sempre sabe o que dizer, ela compreende-nos de uma forma que um amigo nunca poderia compreender, mesmo o melhor amigo, e melhor que tudo, nunca te vai julgar.
Assim que cheguei a casa atirei a mochila para um canto e tirei os fones dos ouvidos e desconectei ao telemóvel, deixando a música flutuar pelo ar enchendo a casa, dirigi-me para a cozinha onde sabia que havia um bilhete em cima da mesa, da minha mãe a dizer que (mais uma vez) iria chegar tarde.
A minha mãe era advogada o que quer dizer que quase nunca está em casa, não que eu me importe, o que, sim parece horrível de se dizer, mas às vezes só gosto mesmo de ficar em casa a ouvir música e deitada no sofá a fazer nada mesmo, e com ela em casa é impossível que isso aconteça. Assim que acabei de ler o bilhete a dizer que ( como eu previ ) ia chegar atrasada e que o jantar estava no forno, abri o frigorífico e tirei um iogurte. Encostei-me á janela enquanto comia e observei a rua lá fora.
Carros passavam nas estradas com as suas diferentes cores e feitios, pessoas andavam na rua, com os amigos, filhos ou até mesmo sozinhos, um grupo de rapazes e raparigas atravessavam a rua a rir e a fazer gestos esquisitos o que provocou mais risos no grupo. Também sorri ao ver aquilo, deve ser assim ter amigos, pensei, fazer coisas esquisitas e engraçadas no meio da rua e não ter medo do que as pessoas possam pensar ao ver aquilo.
Quando deixei de os ver, olhei para o relógio na parede que marcava as 7:30. Fiquei mais uns 10 minutos á janela a ver o movimento na rua diminuir ao mesmo tempo que os primeiros pingos de chuva caíam. Dirigi-me para o meu quarto pronta para fazer os trabalhos de casa.
Só ia na 5 equação e a minha cabeça já ia explodir. Pus os cotovelos em cima da mesa e enterrei a cabeça nas mãos.
Qual é o valor do X?, pensei, qual é o valor do X?
Quanto mais eu pensava, mais a resposta parecia se afastar, aos poucos até que só restasse um grande X mesmo. Cruzei os braços em cima da mesa e apoiei a cabeça neles, fechei os olhos com força e parei de procurar o X.
Uma imagem atravessou a minha mente, tentei me focar nela mas mais imagens apareceram até que formou-se uma memória completa. Eu vi-me no meu antigo quarto, enquanto eu ainda vivia em Nova Yorque, eu estava sentada com as pernas cruzadas em cima da cama e o meu pai estava á minha frente numa cadeira com a sua guitarra em cima das pernas. Ele tocava a guitarra enquanto eu o acompanhava com a letra da música.
Assim que me dei conta, os meus lábios tinham-se aberto num sorriso e lágrimas caíam dos meus olhos. Eu só tinha 9 anos naquela altura mas sabia perfeitamente que era a música que eu queria seguir pelo resto da minha vida, mas então 4 anos depois ele morreu e eu sabia que nunca mais ia poder cantar com ele novamente.
Levantei a cabeça lentamente e olhei para a janela. A chuva já tinha encharcado todas as ruas de Dover, e não parecia que ia parar tão cedo. Voltei a olhar para a folha cheia de equações, o papel tinha ficado enrugado onde as minhas lágrimas  tinham caído, passei os dedos pelo papel sentindo a humidade.
Ao fundo a música vinda da sala ainda tocava, tinha-me esquecido completamente do telemóvel, voltei a olhar para a janela onde milhares de gotas batiam no vidro e escorregavam até ao parapeito, formando grandes poças de água.
Levantei-me da cadeira e fui buscar o meu casaco impermeável, voltei á sala onde peguei o meu telefone e conectei os fones, pus nos ouvidos e saí de casa. Não havia ninguém na rua, só eu, quando cheguei ao fim da rua já estava encharcada de água, continuei á andar sem rumo ou direção.
Esta é a sensação da liberdade, pensei. Abri os braços e pus a cabeça para trás, tentando ao máximo absorver todas as gotas de água, naquele momento não me importei com nada, era só eu e a chuva. Sorri para o céu.
Esta é a sensação da liberdade, voltei a pensar. liberdade... Liberdade... Liberdade...
Tirei o telemóvel do bolso, pus playlist de músicas e procurei a música que estava na minha cabeça, quando carreguei no play voltei a guarda-lo no bolso.
Quando os primeiros sons de guitarra foram aparecendo, voltei a lembrar-me do meu pai e todos os momentos em que eu cantei enquanto ele tocava guitarra.
Movi os lábios ao som dos primeiros versos da música, apesar do barulho da chuva, a minha voz era audível e eu sabia que devia isso ao meu pai, ele ia querer que eu continuasse a cantar e foi o que fiz,  nada importava naquele momento e foi com esse pensamento que cantei a música Shadow of today, dos Linkin Park, a música que tinha cantado á 7 anos atrás no quarto com o meu pai, a primeira música que cantámos juntos.

" I close both locks below the window
I close both blinds and turn away

Sometimes solutions aren't so simple
Sometimes goodbye's the only way

And the sun will set for you
The sun will set for you

And the shadow of today
Will embrace the world in grey

And the sun will set for you

In cards and flowers on your window
Your friends all plead for you to stay

Sometimes beginnings aren't so simple
Sometimes goodbye's the only way

And the sun will set for you
The sun will set for you

And the shadow of the day
Will embrace the world in grey

And the sun will set for you

And the shadow of the day
Will embrace the world in grey

And the sun will set for you

And the shadow of the day
Will embrace the world in grey

And the sun will set for you"

_________________________________

Deixe sua opinião nos comentários!

Saiba mais: coutinho.meggi@hotmail.com

12 comentários:

  1. Gostei gostaria de ler! onde posso ler o resto?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Jessi! Em saiba mais há um e-mail, mande uma mensagem pra autora perguntando, ela não me deixou nenhum link

      Excluir
  2. oi karina te sigo desde o outro blog cade a serie goosepumps completa

    ResponderExcluir
  3. Karina, vc ainda vai postar PLL nesse ano?

    ResponderExcluir
  4. Cadê o resto do livro ?? Como que acabou desse jeito. Onde está o restante da história?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Siane, manda um e-mail pra autora que ela te diz como faz pra terminar de ler (e-mail ao final do post, em "Saiba mais")

      Excluir
  5. Em qual site posso encontrar esse livro para comprar?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Fernanda, manda um e-mail pra autora que ela te diz como faz pra terminar de ler :)

      Excluir
  6. Cade o resto do liiiiivroo :'-(

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!