28 de dezembro de 2015

A Prova de Fogo


Simon e Clary são chamados para serem testemunhas da cerimônia parabatai de Emma Carstairs e Julian Blackthorn... e discutem os seus próprios planos em relação a essa ligação.



Simon estava começando a pensar sobre o fogo. O fogo parecia não gostar dele.
Isso parecia paranoia.
Do lado de fora, as árvores estavam sem folhas e os campos, marrons. Dentro, até o mofo se refugiou nas junções entre as pedras da parede.
Os Caçadores de Sombras não acreditavam muito em aquecimento central. A Academia tinha lareiras, não muitas, e nunca perto o suficiente de alguém. Não importa onde Simon se sentava, o fogo estava sempre do outro lado da sala. A elite sempre entrava primeiro e sentava perto das lareiras. Mas mesmo quando isso não acontecia e todos entravam juntos, Simon acabava mais distante do fogo. Quando se está com frio, o fogo crepitante parece zombar de você. Simon tentou descartar esse pensamento de sua cabeça, porque a lareira claramente não estava zombando dele.
Porque isso com certeza era paranoia.
Havia várias lareiras no refeitório, mas George e Simon tinham parado de tentar conseguir um lugar perto de uma. Simon já tinha coisas o suficiente para se preocupar. Ele estava olhando para o prato. Disse a si mesmo que também tinha que parar com isso, parar de pensar na comida, apenas devia engolir. Mas ele não podia evitar. Toda noite ele brincava de adivinhar. Esta noite parecia ser algum tipo de mistura frita, mas parecia ter massa. Havia pimenta. E algo vermelho.
Era uma pizza! Alguém tinha feito pizza frita.
— Não! — ele disse sonoramente.
— O quê?
Seu colega de quarto, George Lovelace, já comia seu jantar. Simon apenas balançou a cabeça. Essas coisas não incomodavam George, de qualquer forma.
Em sua casa no Brooklyn, se Simon tivesse ouvido falar que alguém montou uma pizza frita, ele não teria se importado. Assumiria que algum restaurante moderno decidira desconstruir a pizza porque era isso que os restaurantes modernos do Brooklyn faziam. Simon teria rido, e talvez em algum momento a pizza frita se tornaria popular, e então começaria a ter pizza frita em food trucks, e em seguida, ele teria provado. Porque era assim que funcionava no Brooklyn e porque era pizza.
Mas nessa situação? O melhor palpite era que talvez alguém tenha deixado a pizza cair no óleo, ou ela se quebrou e por algum motivo a única solução concebível foi colocar a pizza em uma panela e fritá-la. O problema não era a pizza, não realmente.
O problema era que a pizza o fez lembrar-se de casa. Qualquer nova-iorquino confrontado com uma pizza ruim seria obrigado a pensar em casa, pelo menos por alguns instantes. Simon nasceu e foi criado em Nova York, da mesma forma que a elite nasceu e foi criada como Caçadores de Sombras.
Era uma parte dele, o zumbido e o pulsar da cidade que podia ser tão rígida quanto a Academia. Ele sabia procurar por ratos nos trilhos do metrô ou à beira das praças públicas. Foi treinado instintivamente para se desviar para evitar se sujar com a neve suja pelos táxis. Ele nem sequer precisava olhar para baixo para passar por cima da sujeira deixada pelos cães. Obviamente, havia partes melhores do que isso. Ele se distraiu lembrando da Ponte do Brooklyn durante a noite, com a cidade inteira iluminada pelas grandiosas montanhas feitas pelo homem, o rio passando por baixo da ponte.
Sentia falta da sensação de estar ao redor de tantas pessoas fazendo coisas incríveis. Sentia falta da sensação constante de tudo parecendo um espetáculo magnífico. E sentia falta de sua família e amigos.
O feriados estava ali, e ele deveria estar em casa. Sua mãe já teria pegado o menorá de argila que ele pintara na oficina “Faça Você Mesmo” quando era criança. Era brilhante, decorado com tinta azul, branco e prata. Ele e a irmã estavam no comando do preparo de panquecas de batata juntos. Eles se sentavam no sofá para trocar presentes. E todo mundo que importava estava a uma pequena distância de caminhada, até a estação de metrô, no máximo.
— Você está com aquele olhar de novo — George comentou.
— Desculpe.
— Não se desculpe. Não tem problema ficar triste. É feriado e nós estamos aqui.
Isso era o que tornava George tão bom, ele sempre sabia o que falar e nunca o julgava.
Havia muitas desvantagens em estar na Academia dos Caçadores de Sombras, mas George compensava a maioria delas. Simon tivera bons amigos antes. Mas George era como um irmão. Eles compartilhavam o quarto. Compartilhavam suas desgraças, seus pequenos triunfos e suas refeições terríveis. E no ambiente competitivo da Academia, George sempre estava atrás de Simon. Ele nunca tentou fazer nada melhor do que Simon (e parecendo um dos deuses gregos menores, George muitas vezes era melhor, não só nas competições físicas). Simon sentiu seu espírito flutuar novamente. George saber o que ele estava pensando – apenas ter o seu amigo lá – já era o suficiente.
— O que ela está fazendo aqui? — perguntou George, acenando com a cabeça para alguém atrás Simon.
A reitora Penhallow aparecera do outro lado do refeitório (perto da lareira zombadora). Ela não costumava vir jantar no refeitório. Ela nunca nem passava por perto do lugar.
— Atenção, por favor! — ela chamou. — Temos algumas notícias maravilhosas para compartilhar com todos os alunos da Academia. Julie Beauvale e Beatriz Mendoza, por favor, juntem-se a mim.
Julie e Beatriz se olharam ao mesmo tempo, sorrindo. Simon vira esse tipo de sorriso antes, esse movimento sincronizado. Era totalmente igual Jace e Alec. A dupla fez seu caminho através da sala. As pessoas começaram a afastar as cadeiras para dar espaço para elas, e havia o mais leve murmúrio.
A lareira ria e ria, crepitava e continuava rindo. Quando elas chegaram ao final do refeitório, a reitora colocou um braço em volta de cada uma delas, e todos da escola ficaram encarando.
— Tenho o prazer de anunciar que Julie e Beatriz decidiram se tornar parabatai.
Começou uma súbita onda de aplausos. A maioria deles era da elite, eles gritaram e comemoraram. Isto foi permitido por alguns momentos, e, em seguida, a reitora levantou a mão.
— Como todos sabem, a cerimônia parabatai é um compromisso sério, um vínculo quebrado apenas pela morte. Sei que esta notícia fará muitos de vocês pensarem seriamente em se tornar um parabatai. Nem todos os Caçadores de Sombras tem um parabatai, ou mesmo querem um. Na verdade, a maioria de vocês não vão terão um. Por isso é muito importante vocês se lembrarem disso. Se vocês se sentirem, como Julie e Beatriz, que chegou a hora de se tornar parabatai, ou se quiser conversar com alguém sobre qualquer parte da cerimônia ou o que ela significa, pode procurar qualquer um de nós. Estamos todos aqui para ajudá-los com a decisão mais importante de suas vidas. Mas, novamente, parabéns a Julie e Beatriz. Em sua honra, teremos bolo esta noite.
Enquanto ela falava, os cozinheiros da Academia chegaram trazendo um grande bolo assimétrico.
— Vocês agora podem retornar à sua refeição e, por favor, comam um pedaço de bolo.
— De onde veio isso? — perguntou George. — Aquelas duas? Parabatai?
Simon balançou a cabeça. As famílias de Caçadores de Sombras se enroscavam entre si como trepadeiras. Era mais fácil encontrar o seu parceiro de vida quando o conhecia desde o nascimento.
Muitos na Academia eram estrangeiros. Julie e Beatriz eram da elite, mas Simon nunca tinha imaginado que elas fossem tão próximas assim.
— Bem, isso foi uma surpresa — disse George em voz baixa. — Você está bem?
Ele deu um tapinha leve em Simon.
Tinha pensado em pedir que Clary fosse sua parabatai. Mas parabatai eram como Alec e Jace, treinavam juntos como Caçadores de Sombras desde que eram crianças. Claro, Simon e Clary se conheciam há muito tempo, mas não da maneira de lançar facas e matar demônios (exceto nos videogames, que infelizmente, não contavam). Ele começou a pensar na ideia de se tornar um parabatai, mas sabia que mentalmente não era capaz disso. Ele treinava o tempo todo. E não a via ultimamente. Ele…
… era muito bom em inventar desculpas.
Ele se acovardou. Via a chegada do seu aniversário como um relógio gigante de contagem regressiva. Todo dia ele dizia a si mesmo que era tarde demais. Clary tinha chegado um dia antes do seu aniversário, trazendo-lhe uma Sandman Omnibus de presente. Até então, ele disse a si mesmo, a contagem regressiva estava acabado. A campainha tocou em sua mente. Ele já tinha dezenove anos.
Ele tentou tirar isso da mente. Mas agora, olhando para essas duas parabatai recém-anunciadas, deu um chute mental em si mesmo.
— Isso não é para todos, Si — disse George. — Vamos. Coma a sua comida e vamos voltar a conversar mais sobre Firefly.
Durante as noites, Simon se ocupara em expandir a educação cultural de George, explicando a trama de cada episódio de Firefly, um por um. Isso se tornou um ritual agradável, mas também tinha uma contagem regressiva. Só havia mais um episódio para discutir. Antes que eles pudessem começar a conversar sobre isso, no entanto, a reitora passou pela mesa deles e parou.
— Simon Lewis, venha comigo por um instante, por favor?
As pessoas das outras mesas começaram a olhar para eles. E George olhou para baixo e ficou cutucando sua pizza-frita.
— Claro... — respondeu Simon. — Eu estou com problemas?
— Não — ela disse, com voz monótona. — Nada de problemas.
Simon empurrou a cadeira para trás e se levantou.
— Eu te vejo no nosso alojamento, né? — perguntou George. — Eu te levo um pedaço de bolo.
— Claro — confirmou Simon.
Muitas pessoas o assistiram levantar, porque é isso o que acontece quando a reitora te chama para conversar no meio do jantar. Mas a maioria da elite estava em volta de Julie e Beatriz.
Havia risos e gritos e todo mundo falava muito alto. Simon deu a volta neles para chegar até a reitora.
— Por aqui — ela indicou.
Simon tentou fazer uma pausa perto da lareira só por um segundo, mas a reitora já estava caminhando em direção à porta que era usada pelos professores. Os professores não comiam sempre com eles. Havia claramente outro lugar, outra sala de jantar em algum lugar na Academia. Catarina era a única que ia ao refeitório regularmente, e Simon tinha a impressão de que ela fazia isso porque preferia enfrentar a comida horrível dos estudantes do que se sentar junto com um grupo de Caçadores de Sombras em uma sala privada.
Simon nunca tinha passado pelo corredor pela qual a reitora o levava. Era mais mal iluminado do que os que alunos utilizavam. Havia tapeçarias nas paredes de pedra que eram certamente tão antigas quanto as do resto da escola, mas também pareciam mais valiosas.
As cores eram mais brilhantes e o dourado tinha um brilho de ouro de verdade. Havia também armas ao longo das paredes. As armas dos estudantes estavam todas na sala de armas e os que tinham alguma própria deviam manter em algum lugar seguro. Se você queria uma espada, precisava tirar várias amarras para usá-las. Mas estas armas eram colocadas em suportes simples, fáceis de arrancar em poucos segundos.
O barulho do refeitório foi dissipando conforme eles andavam, até que não podiam ouvir mais nada. O salão abriu-se depois de uma série de portas fechadas, e estava cada vez mais cheio de silêncio.
— Para onde estamos indo? — perguntou Simon.
— Para a recepção — falou a reitora.
Simon olhou para fora das janelas enquanto passavam por elas. Aqui, o vidro era uma colcha de pequenos vidrilhos, unidos por juntas de chumbo. Cada pedacinho era velho e deformado, e o efeito era como de um caleidoscópio barato, que na maior parte era escuro e em certos pontos era como uma neve caindo muito levemente. Era o tipo de neve que não seria possível enxergar no chão. Seria apenas pó sobre a grama morta. O termo técnico para esse nível, ele decidiu, seria um “incômodo” de neve.
Eles chegaram a uma curva no corredor. A reitora abriu a primeira porta após a curva e revelou uma pequena, mas grandiosa sala, com móveis que não estavam nem um pouco gastos ou esfarrapados. Cada cadeira no quarto tinha pernas do mesmo comprimento, e os sofás eram longos e pareciam confortáveis. Eles estavam cobertos por exuberantes almofadas de veludo cor de uva.
Havia uma mesa baixa de cerejeira, e sobre ela havia uma enorme e elaborada bandeja de prata com xícaras de porcelana para chá. E sentados ao redor da mesa, nas cadeiras e sofás de fina qualidade, estavam Magnus Bane, Jem Carstairs, Catarina e Clary, seu cabelo vermelho brilhante se contrastando com o seu suéter azul. Magnus e Catarina estavam sentados no sofá do outro lado (perto da lareira, que como em todas as outras salas, ficava no fim do cômodo). Clary olhou para Simon, e embora ela tivesse sorrido assim que o viu, sua expressão sugeriu que seu convite para esta pequena reunião também fora recente e não bem-explicado.
— Simon — disse Jem. — É tão bom vê-lo. Por favor, sente-se.
Simon só tivera alguns encontros com Jem Carstairs, que era aparentemente tão velho quanto sua esposa, Tessa Gray. Ambos pareciam incrivelmente bem dispostos para pessoas de 150 anos. Tessa ainda parecia bastante quente. (Talvez Jem parecesse quente também? Como Simon pensara uma vez antes, ele provavelmente não era o maior juiz de atração do sexo masculino). Era estranho pensar que pessoas que tinham o dobro da idade de seus avós possuíam boa aparência?
— Eu os deixarei a sós — falou a reitora, e novamente havia algo faltando em seu tom. Era como se ela tivesse acabado de dizer: — Eu vou apenas dar-lhes esta cobra morta.
Ela fechou a porta.
— Teremos chá — disse Magnus. Ele media colheres de chá e soltava folhas no filtro de um pequeno bule. — Uma colher para cada xícara.
Ele colocou a pequena vasilha de chá de lado e pegou um dos grandes bules de prata, despejando água fervendo através do filtro. Catarina o assistia com um estranho fascínio.
Jem parecia à vontade em um casaco branco e jeans escuros. Seus cabelos negros tinham uma única e dramática mecha prata, que se destacava contra a sua pele morena.
— Como você está se saindo no seu treinamento? — ele perguntou, se virando para frente.
— Eu não estou me machucando mais tanto — Simon respondeu, dando de ombros.
— Excelente — disse Jem. — Isso significa que você está usando melhor os seus pés e se desviando melhor dos golpes.
— Sério? Pensei que era porque eu estava morrendo por dentro.
Magnus soltou a tampa de volta na pequena vasilha de chá de repente, fazendo um barulho alto.
— Sinto muitíssimo interromper o seu jantar — Jem continuou. Ele tinha uma maneira formal de falar que era a única coisa nele que demonstrava sua idade real.
— Não precisa se desculpar por isso — Simon murmurou.
— Acho que a comida não tem a melhor característica na Academia.
— Acho que a comida da Academia não tem um lado melhor — observou Simon.
Jem sorriu, seu rosto iluminado.
— Temos bolinhos e biscoitos aqui. Penso que são de qualidade pouco superior do que você se acostumou aqui.
Ele indicou um prato de porcelana cheio de pequenos bolinhos e biscoitos que pareciam muito comestíveis. Simon não hesitou. Ele pegou o bolinho mais próximo e enfiou-o na boca. Era um pouco seco, mas melhor do que qualquer coisa que ele comia há um bom tempo. Ele percebeu que algumas migalhas caíram na sua blusa escura, mas não se importou.
— Ok, Magnus — disse Clary. — Você disse que explicaria por que me trouxe pra cá depois que o Simon chegasse. Não que eu não esteja feliz em vê-lo, mas você está me deixando mais nervosa.
Simon assentiu e mastigou para mostrar que ele concordava com a Clary, como um melhor amigo deveria fazer. Pelo menos ele esperava estar demonstrando isso.
Magnus se levantou. Era um bruxo bem alto, com os olhos de gato que chamavam muita atenção, e transformou o humor da sala. Surgiu de repente um ar pesado com uma energia muito estranha.
Catarina se afundou no sofá, olhando para Magnus. Não era normal Catarina ficar tão quieta. Catarina era a voz do time azul nos salões da Academia.
— Fui convidado a passar uma mensagem para vocês — Magnus falou, girando um dos muitos anéis que estavam em seus longos dedos. — Emma Carstairs e Julian Blackthorn estão para se tornar parabatai. A cerimônia exige duas testemunhas, e eles pediram que vocês fossem essas testemunhas.
Clary levantou uma sobrancelha e olhou para Simon.
— Claro. Emma é um amor. Definitivamente sim, estou dentro.
Simon pegou outro bolinho.
— Definitivamente. Eu também, mas eles não podiam simplesmente mandar uma carta pra gente?
Magnus parou por um momento, olhou para Catarina e em seguida virou-se para Simon e deu uma piscadela.
— Por que enviar uma carta se podemos fazer algo realmente magnifico? — era algo muito Magnus de se dizer, mesmo parecendo meio falso. Havia alguma coisa nele que soava meio falsa, sua voz, talvez.
— A cerimônia será realizada amanhã na Cidade do Silêncio — continuou Jem. — Nós já conseguimos a permissão para vocês participarem.
— Amanhã? — espantou-se Clary. — E nós só estamos sendo avisados agora?
Magnus deu de ombros elegantemente, indicando que às vezes coisas como esta apenas aconteciam.
— O que nós temos que fazer? — perguntou Simon. — É complicado?
— Nem um pouco. A posição da testemunha é em grande parte simbólica, muito parecido com a de um casamento. Vocês não precisam dizer nada. É apenas uma questão de estar com eles. Emma escolheu Clary…
— Eu posso entender isso... — Simon concordou. — Mas Julian não me escolheria. Nós mal nos conhecemos. Por que não Jace?
— Porque Julian não é particularmente próximo dele também — respondeu Jem — e Emma sugeriu que como você e Clary são melhores amigos, seriam perfeitos como testemunhas, e Julian concordou.
Simon balançou a cabeça como se entendesse, embora ele não tivesse certeza. Ele se lembrou de ter tido uma conversa com Julian durante o casamento de Helen e Aline, pouco tempo atrás. Lembrou-se de ter pensado no peso colocado em seus pequenos e frágeis ombros. Talvez Julian simplesmente não tivesse tido tempo suficiente para encontrar sua testemunha. Ou ninguém disposto a fazer isso? Seria incrivelmente triste se a resposta fosse sim.
— De qualquer forma — Magnus continuou. — Você já está escalado para passar com eles por essa prova de fogo.
— Do quê?
— Esse é o verdadeiro nome da cerimônia — Jem explicou. — Os dois parabatai permanecem dentro de um anel de fogo.
— O chá está pronto — Magnus falou de repente. — Nunca deixe descansar por mais de cinco minutos. Hora de beber.
Ele serviu duas xícaras do bule menor.
— Há apenas duas xícaras — Clary observou. — E vocês?
— O bule é pequeno. Eu farei outro. Estes são para vocês dois. Bebam.
As duas xícaras foram entregues. Clary deu de ombros e tomou um gole. Simon fez o mesmo. Este era, para ser justo, um chá excepcional. Talvez fosse por isso que os ingleses ficassem tão animados sobre ele. Havia uma clareza maravilhosa no sabor. Ele aquecia seu corpo enquanto descia. A sala não estava mais fria.
— Isso é muito bom — disse Simon. — Eu não adoro chá, mas gostei desse. Quero dizer, eles oferecem chá aqui, mas uma vez peguei um copo que tinha um osso dentro, e foi uma das melhores xícaras que peguei.
Clary riu.
— Então, o que devemos vestir? — ela perguntou. — Como testemunhas, quero dizer.
— Para a cerimônia, uniforme formal. Para o jantar depois, roupas comuns. Algo confortável.
— Casamento — Catarina disse finalmente. — É bastante semelhante a um casamento, mas...
— ... sem o romance e flores — Jem acrescentou.
Magnus estava agora observando-os atentamente, seus olhos de gato brilhando no escuro. O cômodo ficara muito escuro, de fato. Simon lançou a Clary um olhar que dizia: Isto está estranho. Ela respondeu claramente com: superestranho.
Simon bebeu seu chá em vários goles grandes e devolveu a xícara na mesa.
— É engraçado — ele comentou. — Houve outro anúncio de parabatai no jantar. Dois estudantes da elite.
— Isso não é incomum para esta época do ano — disse Jem. — À medida que o ano chega ao fim, as pessoas refletem, tomam decisões.
A sala de repente ficou mais quente. O fogo na lareira aumentou? E se ele se aproximou furtivamente? Estava definitivamente crepitando mais alto, porém agora não soava como riso – era como vidro quebrando. O fogo estava falando com eles.
Simon se conteve. O fogo estava falando? O que estava errado com ele? Ele olhou vagamente ao redor da sala, e ouviu Clary soltar uma exclamação de surpresa estranha, como se ela tivesse visto algo que não esperava.
— Acho que é hora de começar — Jem observou. — Magnus?
Simon podia ouvir Magnus suspirar enquanto permanecia de pé. Magnus era realmente alto. Isso, Simon sempre soube. Agora parecia que ele poderia alcançar o teto. Ele abriu uma porta que Simon não tinha notado que estava lá.
— Venham por aqui — Magnus pediu. — Há algumas coisas que vocês precisam ver.
Clary se levantou e foi até a porta. Simon a seguiu. Catarina capturou seu olhar enquanto ele passava por ela. Tudo era não dito naquela sala. Ela não aprovava o que estava acontecendo. Nem Magnus.
O que quer que estivesse do outro lado da porta, era escuro, e Clary hesitou por um segundo.
— Está tudo bem — disse Magnus. — É apenas um pouco frio lá. Desculpe.
Clary entrou, e Simon a seguiu um passo atrás. Eles estavam em um espaço de sombra, definitivamente frio. Ele virou-se, mas não podia mais ver a porta. Era só ele e Clary. O cabelo de Clary brilhava vermelho no escuro.
— Nós saímos — disse Clary.
Era óbvio o suficiente. Simon piscou. Seus pensamentos estavam um pouco lentos e esticados. Claro que eles estavam fora.
— Eles talvez pudessem ter dito que sairíamos — Simon comentou, tremendo. — Ninguém aqui acredita em casacos.
— Vire-se — Clary falou.
Simon se virou. A porta pela qual eles tinham acabado de passar – o edifício todo, de fato – sumira. Ele estavam simplesmente ao ar livre, cercados por apenas umas poucas árvores. O céu acima era de um cinza arroxeado que parecia ser iluminado por uma luzes baixas no horizonte, fora de vista. Havia uma rede de caminhos de tijolos ao redor, pontilhada com áreas de árvores mortas e vasos que provavelmente contiveram flores nos tempos bons e agora eram lembretes da época.
Era familiar, e ao mesmo tempo, era como um lugar que Simon jamais fora.
— Nós estamos no Central Park — Clary falou. — Eu acho...
— O quê? Nós...
Mas assim que ele perguntou, tornou-se claro. As cercas metálicas baixas que marcavam os caminhos de tijolos. Mas não havia bancos, nem latas de lixo, ninguém. Não havia ninguém até o horizonte em qualquer direção.
— Ok... — disse Simon. — Isso é estranho. Será que Magnus apenas perdeu completamente a cabeça? Como isso aconteceu? Vocês vieram de Nova York. Ele abriu o mesmo Portal?
— Talvez?
Simon respirou fundo o ar de Nova York. Estava muito frio e queimou o interior do seu nariz, despertando-o.
— Eles vão perceber em um segundo — disse Clary, tremendo de frio. — Magnus não comente erros.
— Então, talvez não seja um erro. Talvez nós só tenhamos ganhado uma viagem grátis para Nova York. Ou eu ganhei. Apenas suponho que iremos aonde eles quiserem e eles virão nos pegar. Você sabe que eles têm o caminho deles. Poderia muito bem ser uma vantagem!
Esta viagem inesperada e totalmente súbita para casa tinha revigorado completamente Simon.
— Pizza — ele falou. — Meu Deus. Eles serviram pizza frita esta noite. Foi o pior. Talvez café. Talvez haja tempo para chegar ao Forbidden Planet? Eu apenas...
Ele apalpou os bolsos. Dinheiro. Ele não tinha dinheiro.
— E você? — perguntou.
Clary balançou a cabeça.
— Na minha mochila. Ficou lá atrás.
Isso não importa. Era o suficiente estar em casa. O modo súbito só tornou mais maravilhoso. Agora que ele parecia mais acostumado, Simon podia ver claramente os contornos dos arranha-céus que ladeavam o parque ao sul. Pareciam os quarteirões onde ele costumava brincar quando criança - uma série de retângulos de diversos tamanhos colocadas lado a lado. Alguns tinham o fraco brilho de placas acima, mas eles não podiam ler o escrito. Ele podia, no entanto, ver as cores das placas com uma clareza incomum. Uma era rosa, uma flor brilhante. A próxima era de um tom vibrante. Não eram apenas as cores que estavam nítidas. Ele podia sentir o cheiro de tudo no ar. O cheiro penetrante e metálico do frio. O cheiro do East River, a quadras de distância. Até mesmo as saliências dos fundamentos rochosos e os vários pequenos montes do Central Park pareciam ter um cheiro. Não havia lixo, porém, e sem odores de comida ou tráfego. Isto era elementar em Nova York. Esta era a ilha em si.
— Eu me sinto um pouco estranho — disse Simon. — Talvez eu devesse ter terminado o jantar. E agora que acabei de dizer isso, sei que deve haver algo errado comigo.
— Você precisa comer — Clary concordou, dando-lhe um soco fraco. — Você está se transformando em um grande homem musculoso.
— Você notou?
— É difícil não notar, Superman. Você é como a foto de “depois” dos comerciais para equipamentos de ginástica em casa.
Simon corou e desviou o olhar. Não estava mais nevando. Estava apenas escuro e límpido, com muitas árvores ao redor. Havia uma brilhante amargura ao frio.
— Onde você imagina que estamos? — Clary perguntou. — Eu estou supondo... no meio do caminho?
Simon sabia que era possível caminhar por algum tempo no Central Park sem realmente ter uma noção de onde você estava. As trilhas do vento. As árvores criam um dossel. A terra sobe e desce em inclinações agudas.
— Lá — ele falou, apontando para um padrão de sombras. — Se abre ali. É a entrada para alguma coisa. Vamos seguir por ali e ver o que dá.
Clary esfregou as mãos e se abraçou contra o frio. Simon desejou que ter um casaco para oferecer a ela, quase mais do que desejava ter um casaco para si mesmo. Ainda assim estar com frio em Nova York era melhor do que passar frio na Academia. Ele tinha que admitir, no entanto, que em Idris era mais temperado. Nova York tinha climas mais extremos. Este era o tipo de frio que o congelaria se você ficasse parado por muito tempo. Eles provavelmente precisavam descobrir onde estavam e sair do parque e entrar num ambiente fechado – qualquer um. Uma loja, um café, o que pudessem encontrar.
Eles caminharam em direção à abertura, que revelou-se uma coleção de pedestais de pedra esculpidos. Havia vários deles em conjuntos. Eventualmente, eles levaram a uma escadaria igualmente talhada que se curvava para um amplo terraço com uma grande fonte. Havia um lago um pouco além, coberta de gelo.
— Bethesda Terrace — Simon disse, balançando a cabeça. — É onde estamos. Fica na Rua Setenta, certo?
— Setenta e Dois — disse Clary. — Já estive aqui antes.
O terraço era uma grande área ornamental dentro do parque e não era realmente um lugar para se estar em uma noite fria – mas parecia ser o único lugar para ficarem. Se eles caminhassem naquela direção, pelo menos saberiam onde estavam, ao invés de se locomover entre as árvores e trilhas.
Desceram juntos as escadas. Estranhamente, a fonte estava funcionando à noite. Ela era muitas vezes desligada no inverno, quando, certamente, congelaria. Mas a água fluía livremente, e não havia gelo sobre a base de água da fonte. As luzes estavam acesas e todas focadas na estátua do anjo centralizada na fonte, dois níveis acima de quatro pequenos querubins.
— Talvez Magnus tenha se confundido — disse ela.
Clary caminhou até a borda baixa da fonte, sentou-se e envolveu os braços em torno de si mesma. Simon olhou para a fonte. Engraçado, pensou ele, como não tinham notado nenhuma luz há poucos minutos quando eles se aproximaram. Talvez eles tivessem acabado de acendê-las. O anjo da Fonte Bethesda era uma das estátuas mais famosas em todo o Central Park – as asas estendidas, água escorrendo de suas mãos estendidas.
Ele virou baixou o olhar novamente para mostrar a estátua para Clary, mas Clary se fora. Ele se virou, deu uma volta completa. Ela não estava à vista.
— Clary? — ele chamou.
Não havia lugares reais para se esconder no terraço, e ele desviou o olhar para apenas um momento. Caminhou ao redor da base da fonte, chamando seu nome várias vezes. Ele olhou para a estátua mais uma vez. Era a mesma estátua, olhando para baixo com benevolência, água ainda caindo de suas mãos.
Exceto que a estátua estava de frente para ele. E ele dera a volta na fonte. Ele deveria estar encarando as costas do anjo.
Ele deu mais alguns passos. Ao mesmo tempo em que não a via mover-se, a cada passo a estátua continuava enfrentando-o diretamente, sua expressão de pedra suave, vazia e angelical.
Algo fez um clique na cabeça de Simon.
— Com certeza isso não é real. Com certeza.
A evidência agora parecia ridiculamente óbvia.
A geografia do parque estava sutilmente errada. Ele considerou o céu brilhante por um momento, que era agora preenchido por nuvens brancas do tamanho de estados inteiros. Elas deslizavam ao longo do céu, como se acompanhando seu progresso em um constrangido desfile de moda. Ele tinha certeza de que podia sentir o cheiro do Oceano Atlântico, das rochas e pedras.
— Magnus! — Simon gritou. — Você está brincando comigo? Magnus! Jem! Catarina!
Nada de Magnus.  Nada de Jem. Sem Catarina. Sem Clary.
— Ok — Simon disse para si mesmo. — Você já esteve em situações piores que esta. Isso é apenas estranho. É tudo. Apenas estranho. Apenas muito, muito estranho. Estranho está bem. Estranho é normal. Estou em algum tipo de sonho. Algo aconteceu. E eu vou descobrir. O que eu faria se estivesse no D&D?
Esta era uma pergunta tão boa quanto qualquer outra, exceto que sua resposta tinha a ver com rolar um D20, de modo que talvez não fosse, na verdade, útil.
— E uma armadilha? Por que eles me enviariam para uma armadilha? Deve ser um jogo. É um quebra-cabeça. Se ela estivesse em apuros, eu saberia.
Isso foi interessante. Ele teve o súbito conhecimento de que se Clary estivesse machucada, ele saberia. Ele não sentia nenhum ferimento. Sentia uma ausência, uma compulsão em localizá-la.
Quando este pensamento lhe ocorreu, algo muito incomum aconteceu – o grande anjo de pedra da Fonte Bethesda bateu as asas e voou em linha reta para o céu noturno. Enquanto ele voava, a base da fonte permaneceu presa a seus pés e elevou-se para as nuvens como uma planta crescendo. O grande reservatório da fonte começou a se esticar e quebrar. Os blocos e argamassa se soltaram, e uma rede de tubos enterrados foi revelada, além de um buraco aberto na terra crua que rapidamente foi preenchido com água. O gelo sobre o lago quebrou-se de uma só vez, e todo o terraço começou a inundar. Simon correu na direção da escada enquanto a água cobria tudo. Ele subiu-a lentamente, degrau a degrau, até que a água estava no mesmo nível que ele. O lago agora incorporou o terraço, oito degraus acima. A fonte e o anjo se foram.
— Isso — disse Simon — foi mais estranho do que normal.
Enquanto ele falava, um som pareceu rasgar a noite em duas. Era uma nota pura, um trovejar harmônico que atingiu o osso timpânico de sua cabeça e sacudiu seus joelhos. As nuvens dispersaram, como se estivesse com medo, e a lua brilhava clara e cheia acima dele. Era de um amarelo brilhante, tão brilhante que ele mal conseguia encará-la. Teve que proteger seus olhos e desviar o olhar.
Havia um barco a remo. Isto não era tão misteriosa – devia ter se soltado do deque, não muito longe. Todos os barcos flutuavam livremente, animados por estarem soltos. Mas este barco viera até ele e bateu próximo aonde ele estava. Além disso, ao contrário de todos os outros barcos a remos, este tinha o formato de um cisne.
— Acho que eu deveria entrar — ele falou, vacilante, caso o céu decidisse fazer outro ruído aterrorizante. Não houve resposta do céu, assim, Simon pegou o pescoço do cisne com as duas mãos e cuidadosamente entrou, sentando-se no meio.
A água não podia ser muito profunda. Ele certamente seria capaz de ficar de pé se o barco virasse. Mas o frio da noite, fonte voadoras, barco mágicos e Clary sumindo, não havia razão para adicionar “queda na água fria” à mistura.
Assim que estava dentro dele, o pequeno barco-cisne começou a se mover, como se soubesse que deveria estar em algum lugar. Ele flutuava no lago, evitando os outros barcos livres. Simon encolheu-se, envolvendo os braços em torno de si mesmo enquanto tentava preservar seu calor durante a jornada suave no lago. A superfície era totalmente lisa, refletindo a lua e as nuvens. Simon nunca fizera isso antes. A coisa toda barco-no-Central-Park parecia concebida para os turistas. Mas em sua lembrança, o lago era relativamente pequeno e comprido. Ele ficou surpreso quando o rio estreitou muito de repente e transformou-se em um canal sob um dossel de árvores grossas. Uma vez sob as árvores, não houve absolutamente nenhuma luz durante vários minutos. Então, tudo se iluminou de uma vez, fileiras de lâmpadas superbrilhantes forrando os lados do canal, e em frente a ele estava um túnel baixo com as palavras Túnel do Amor em um arco de luzes. Corações rosa circundavam as palavras.
— Você está brincando — Simon falou pelo o que sou a milionésima vez.
O ar agora estava espesso com o cheiro de pipoca e areia do mar, e havia sons de parque de diversão. O barco cisne se moveu, como se tivesse que passar pelo caminho do passeio túnel. Simon deslizou dentro dele. A luz atrás dele desapareceu, e o túnel emitia um brilho suave e azul. Música clássica, andrógena, tocava, de violinos. O barco acomodou-se na pista. As paredes estavam pintadas em cenas antiquadas de casais – pessoas em balanços se beijando, mulheres relaxando à representação de uma lua crescente, namorados inclinando-se sobre um refrigerante gelado para se beijar. A água era iluminada por baixo e reluzia em verde, que refletia para o teto. Simon olhou para a lateral do barco para ver quão profundo ele era, ou se havia algo debaixo dele, mas parecia superficial, como qualquer barco de passeio comum.
— Este é um lugar estranho para um encontro — disse um voz.
Simon se virou para ver que agora compartilhava o seu pequeno cisne com Jace. Jace estava de pé na frente do barco, inclinado contra a cabeça do cisne. Por ser Jace, o equilíbrio era perfeito, assim o barco não balançava para a o lado.
— Ok — Simon falou — isto eu realmente não esperava.
Jace deu de ombros e olhou para o túnel.
— Suponho que essas coisas tiveram seu uso um dia — ele comentou. — Provavelmente era arriscado fazer este passeio. Você conseguiria quatro minutos inteiros de carícias sem supervisão.
A palavra “carícias” era ruim. Ouvir Jace dizê-la que era um novo tipo de ruim.
— Então — Jace falou — você quer falar, ou eu?
— Fala sobre o quê?
Jace indicado o túnel em torno deles, como se o assunto fosse muito óbvio.
— Eu não vou te beijar — disse Simon. — Nunca.
— Nunca ouvi ninguém me dizer isso antes — Jace meditou. — Foi uma experiência única.
— Desculpe — Simon não se sentia nem um pouco culpado. — Se eu namorasse rapazes, não acho que você estaria entre os dez primeiros.
Jace desencostou-se da cabeça do cisne e veio se sentar ao lado de Simon.
— Lembro-me de como nos conhecemos. E você?
— Você está jogando “do que você se lembra?” comigo? — perguntou Simon. — Isso é classico.
— Não é um jogo. Eu te vi. Você não me viu. Mas eu sim. Eu vi tudo.
— Isso é divertido. Você e eu no túnel, e do que diabos você está falando?
— Você precisa tentar se lembrar — Jace falou. — Isso é importante. É preciso lembrar como nos conhecemos.
O que quer que isso fosse – um sonho, algum tipo de estado alterado – estava tomando uma direção muito estranha.
— Como tudo é sempre sobre você?
— Isso não é sobre mim. É sobre o que eu vi. É sobre o que você sabe. Você pode chegar lá. Você precisa disso de volta. Precisa dessa memória.
— Você está me pedindo para lembrar de algum lugar onde eu não te vi?
— Exatamente. Por que você não teria me visto?
— Porque você estava com um encantamento — Simon respondeu.
— Mas alguém me viu.
Tinha que ser Clary. Era a escolha óbvia. Mas...
Agora algo balançava no fundo da mente de Simon. Ele estava em algum lugar com Clary, e Jace estava lá... exceto que Jace não estava lá.
Isso era tanto em sua memória quanto no presente. Jace se fora. O barco deu uma volta, dobrando uma esquina e mergulhando de volta no escuro. Houve uma pequena queda e uma explosão de nevoeiro, em seguida veio o ooOoOoOOooO de um fantasma animado e da entrada de algum tipo de mansão do terror. O passeio mudou de túnel do amor para a mansão mal assombrada. Simon passou através de representação animadas dos cômodos da mansão. Na biblioteca, fantasmas pendiam de fios e um esqueleto saiu de um relógio de pêndulo.
Esta fantasia, ou o que fosse, parecia bater com suas memórias da Casa Mal Assombrada da Disney World quando ele era um garoto. E ainda, enquanto eles se moviam de sala em sala, as coisas pareciam mais familiares – as paredes de pedra rachada, o ruído, as tapeçarias... a Mansão Mal Assombrada foi se transformando na Academia. Havia uma versão fantasmagórica do refeitório e das salas de aula.
— Por aqui, Simon.
Era Maia, acenando do que parecia um escritório com painéis de madeira elegante. Havia uma tabuleta na parede atrás dela, algum tipo de poesia. Simon só entendeu um verso dele: “tão antigo e tão verdadeiro quanto o céu.”
 Maia usava um terninho elegante, seu cabelo cortado para trás, e pulseiras de ouro em seus pulsos. Ela olhou tristemente para Simon.
— Você realmente vai nos deixar? — ela perguntou. — Deixar de ser um ser do Submundo? Tornar-se um deles?
— Maia — disse Simon, um nó em sua garganta.
Lembrava-se apenas de trechos da sua amizade com ela, mais do que amizade, talvez? Como ela era valente, e como fora sua amiga quando ele precisava desesperadamente.
— Por favor — pediu ela. — Não vá.
O barco se moveu rapidamente para frente, para outro cômodo, uma sala de estar de um apartamento padrão, com alguns móveis baratos. Este era o apartamento de Jordan.
Jordan saiu da porta do quarto. Havia uma ferida em seu peito; sua camisa preta com o sangue.
— Ei, colega de apartamento — disse ele.
O coração de Simon pareceu parar em seu peito. Ele tentou falar, mas antes que pudesse dizer uma palavra, tudo mergulhou na escuridão. Ele sentiu o barco deslizar em seu caminho com um solavanco suave, como se tivesse chegado ao fim do passeio. Ele correu adiante. O túnel se abriu, e o barco foi para frente e começou a acelerar, como se pego por uma corrente. Simon agarrou o banco para manter-se estável. Ele fora parar em um enorme corpo de água, um rio muito amplo. Próximo a ele o céu de Nova York estava escuro – os edifícios estranhamente sem iluminação, mas era possível discernir suas formas. Não muito longe à esquerda do lago, ele podia ver a silhueta do Empire State Building. À frente, a talvez um quilômetro e meio, uma ponte travessava o rio em que ele estava. Ele conseguia até mesmo ver o contorno sombrio de uma antiga propaganda de Pepsi na margem direita. Que ele conhecia. Essa placa ficava perto do início da 59th Street Bridge com a Queens.
— O East River — ele disse para si mesmo, lançando um olhar ao redor.
O East River não era um lugar para estar durante a noite, no frio, em um pequeno bote na forma de cisne. O East River era perigoso, rápido e profundo. Ele sentiu algo bater na traseira de seu minúsculo cisne e se virou, esperando ver lixo, uma barcaça ou um cargueiro. Em vez disso, era outro barco em forma de cisne. Este continha uma garota, de talvez treze ou catorze anos, em um vestido de baile esfarrapado. Ela tinha longos cabelos loiros presos em tranças tortas, dando a impressão de bagunça constante. Ela puxou o cisne para perto de Simon e, sem nenhum esforço aparentemente, ergueu a saia e pulou de um barco para o outro. Simon instintivamente esticou a mão para ajudá-la e com a se firmou. Ele tinha certeza de que a transferência faria seu barco virar, que balançava incerto enquanto a distribuição de peso mudava. De alguma forma, eles continuaram flutuando.
A menina sentou-se ao lado de Simon no banco. O cisne fora projetado para um casal ficar aconchegado, de modo que ela estava pressionada contra a sua lateral.
— Oi! — ela disse alegremente. — Você voltou!
— Eu... voltei?
Havia algo de errado com o rosto da menina. Ela era muito pálida e seus olhos eram circundados por sombras muito profundas, e seu lábios estavam levemente cinza. Simon não tinha certeza de quem ela era, mas teve uma sensação muito desconfortável.
— Demorou uma eternidade! — ela falou. — Mas você voltou. Eu sabia que você voltaria para mim.
— Quem é você?
Ela lhe deu um soco no braço, como se ele tivesse contado uma grande piada.
— Cale a boca! Você é tão engraçado. É por isso que te amo.
— Você me ama?
— Cale a boca! — ela repetiu. — Você sabe que eu te amo. Sempre fomos assim. Eu e você para sempre.
— Sinto muito. Eu não me lembro.
A garota olhou para o rio e para prédios escuros como se tudo fosse muito maravilhoso e ela estivesse exatamente onde queria estar.
— Tudo valeu a pena. Você vale a pena.
— Obrigado?
— Quero dizer, eles me matariam por você. Me atirariam em uma lata de lixo. Mas eu te esperei.
O frio estava agora dentro de Simon também.
— Mas você está procurando-a, não é? Ela é tão irritante.
— Clary? — perguntou Simon.
A menina balançou a mão como afastasse a fumaça de um cigarro.
— Você podia ficar comigo. Ser o meu rei. Ficar com a rainha Maureen. Rainha Maureen, a rainha da morte! Rainha da Noite! Eu dominei tudo isso!
Ela fez um gesto em direção ao horizonte. Enquanto parecia improvável que esta jovem garotinha pudesse ter governado Nova York, havia algo sobre a história que era verdade. Ele sabia disso. Foi culpa dele. Ela não o obrigou a nada exatamente, mas Simon podia sentir a terrível culpa e a responsabilidade esmagadora.
— E se você pudesse me salvar? — perguntou ela, inclinando-se para ele. — Faria isso?
— Eu...
— E se você tivesse que escolher? — perguntou Maureen, sorrindo ao pensamento. — Nós poderíamos fazer um jogo. Você poderia escolher. Eu ou ela. Quero dizer, vocês são a razão de eu morrer, então... você deve escolher a mim. Salve-me.
As nuvens, sempre atentas quando algo interessante estava acontecendo, juntaram-se novamente. O vento soprou no rio e assumiu uma vigília pesada, balançando o barco de um lado para o outro.
— Ela está na água, você sabe — Maureen comentou. — A água da fonte que vem do lago. A água do lago que vem do rio. A água do rio que vem do mar. Ela está na água, na água, na água...
Houve uma enorme pontada no peito de Simon, como se alguém tivesse dado um soco em seu esterno. Logo ao lado da barco, algo apareceu, algo como pedra e algas marinhas. Não. Era um rosto e cabelos flutuando ao redor. Era Clary, boiando de costas, os olhos fechados, o cabelo liderando o caminho. Ele tentou alcançá-la, mas a água estava rápida demais e ela era levada para longe.
— Você poderia tornar tudo melhor! — Maureen gritou, pulando. O barco balançava. — Quem que você vai salvar, Diurno?
Com isso, ela mergulhou pelo outro lado do barco. Simon agarrou o longo pescoço do cisne para manter o equilíbrio e esquadrinhou as águas. Clary já flutuava a mais de seis metros de distância, e Maureen estava da mesma forma, agora parada e aparentemente adormecida, a mais ou menos metade dessa distância. Não havia muito tempo para pensar. Ele não era o melhor nadador, e a contracorrente do rio provavelmente o puxaria para baixo. O frio o entorpeceria e possivelmente o mataria primeiro. E ele tinha  duas pessoas a salvar.
— Isso não é real — disse para si mesmo.
Mas a dor em seu peito falou o contrário. A dor estava chamando-o. Ele também tinha certeza de que, real ou não, quando ele pulasse no rio, doeria tanto quanto qualquer coisa que ele já havia sentido, senão mais. O rio era real o suficiente. O que era real? O que ele tinha que fazer? Ele deveria nadar para uma garota e deixar a outra para trás? Isso se conseguisse chegar até uma delas.
— Escolhas difíceis — falou uma voz atrás dele.
Simon não teve que se virar para saber que era Jace, recostado elegantemente na cauda do cisne.
— É nisso que tudo gira. Escolhas difíceis. Elas nunca ficam mais fáceis.
— Você não está ajudando — disse Simon, chutando os sapatos dos pés.
— Então você vai entrar? — Jace olhou para a água e se encolheu. — Mesmo eu pensaria duas vezes sobre isso. E eu sou incrível.
— Por que você tem que se envolver em tudo? — perguntou Simon.
— Eu vou aonde Clary vai.
Os dois corpos derivavam adiante.
— Eu também — disse Simon.
E ele pulou pelo lado direito do barco, segurando o nariz. Não mergulhe. Não há necessidade de teatralidade. Pular é o suficiente, e, pelo menos, o manteria na posição vertical.
A dor da água foi ainda pior do que ele pensou. Foi como saltar através de vidro. O frio tomou todo o seu corpo, forçando todo o ar a sair de seus pulmões. Ele tentou alcançar o barco, mas este afastou-se, com Jace na cauda, ​​acenando. As roupas de Simon o estavam puxando para o fundo, mas ele lutou. Por mais difícil que fosse mover os braços, ele os esticou para tentar nadar. Seus músculos contraíram, incapazes de funcionarem a esta temperatura.
Nenhum deles poderia sobreviver a isso. E aquilo não parecia um sonho. Estar naquela água, que o puxava com mais força agora, era tão bom quanto estar morto. Mas algo estalou em sua mente, algum conhecimento q estava bem ali. Ele sabia o que era estar morto. Teve que abrir o seu caminho para fora do chão. Havia terra em seus olhos e em sua boca. A garota, Maureen, ela estava morta. Clary não. Ele sabia disso porque seu próprio coração ainda batia – erraticamente, mas ainda batia.
Clary.
Ele estendeu a mão novamente e lutou contra a água. Uma braçada.
Clary.
Duas braçadas. Duas braçadas eram ridículas. A água estava mais rápida e mais forte, e seus membros tremiam de tanta força. Ele começou a se sentir sonolento.
— Você não pode desistir agora — Jace falou. O barco dera a volta e agora estava do lado direito de Simon, mas fora do alcance. — Diga-me o que você sabe.
Simon não estava com vontade para ser interrogado. O rio e a própria terra o estavam puxando.
— Diga-me o que você sabe — Jace insistiu.
— Eu... Eu...
Simon não conseguia formar palavras.
— Diga-me!
— C... C... Clar...
— Clary. E o que você sabe sobre ela?
Simon definitivamente não podia mais falar. Mas ele sabia a resposta. Ele iria para ela. Vivo. Morto. Lutando contra o rio. Mesmo que o seu corpo acabasse flutuando ao lado dela, seria de alguma forma o suficiente. O conhecimento aqueceu um pouco o seu corpo. Ele bateu os pés na água.
— Vamos lá! — incitou Jace. — Você está apenas começando. Agora você consegue.
Todo o corpo de Simon estremeceu violentamente. Seu rosto mergulhou abaixo da superfície por um momento e ele engoliu um pouco de água, que queimou por dentro. Ele puxou a cabeça para fora, tossiu e cuspiu. Uma braçada. Duas. Três. Não era tão inútil. Ele estava nadando. Quatro. Cinco. Ele contou. Seis. Sete.
— Eu conheço o sentimento — disse Jace, à deriva ao lado dele. — É difícil de explicar. Elas não fazem cartões de agradecimento por isso.
Oito. Nove.
 A cidade começou a acender-se. Começando no nível do solo, as luzes apareceram, atingindo para o céu.
— Quando você percebe isso — Jace falou — sabe que pode fazer qualquer coisa, porque é necessário. Porque é você. Você é único.
Dez. Onze.
Não havia necessidade de contar agora. Jace e o cisne foram ficando para trás, e agora ele estava sozinho, nadando, seu corpo bombeando adrenalina. Ele se virou para olhar para Maureen, mas ela tinha ido embora. Clary, no entanto, ainda estava claramente visível, flutuando logo à frente. Não flutuando. Nadando. Em direção a ele. Ela fazia exatamente o mesmo que ele, forçando seu corpo ao máximo, estremecendo, empurrando através da água. Simon nadou os últimos metros e sentiu o toque de sua mão. Ele estava com ela. E ela sorria, os lábios azuis. E então sentiu o chão sob ele, alguma superfície sob a água, apenas trinta ou sessenta centímetros abaixo. Clary reagiu no mesmo momento, ambos agarraram-se e esforçaram para ficar de pé. Eles estavam de pé na Fonte de Bethesda, a estátua do anjo olhando para baixo, para eles, derramando água sobre suas cabeças.
— V... você... — Clary falou.
Simon não tentou falar. Ele a abraçou, e eles estremeceram juntos antes de saírem com cuidado da fonte e se encontrarem nos azulejos do terraço, arfando para respirar. A lua estava muito cheia e próxima. Mentalmente, Simon disse à lua para deixar de ser tão brilhante e apenas continuar a ser uma lua comum. Estendeu a mão e pegou a mão de Clary, que já estava esticada, à espera da sua.
Quando abriu os olhos, ele não estava lá fora. Estava em algo bastante confortável e macio. Simon olhou ao redor e sentiu uma superfície aveludada sob ele. Ele se sentou e percebeu que estava em um sofá da sala da reunião. O jogo de chá estava ali, na frente dele. Magnus e Catarina estavam de pé perto da parede, conversando, e Jem estava sentado na cadeira entre eles.
— Sente-se lentamente — ele recomendou. — Respire fundo algumas vezes.
— Que diabos aconteceu? — Simon perguntou.
— Você bebeu água do Lago Lyn — Jem explicou calmamente. — As águas produzem alucinações.
— Vocês nos fizeram beber água do Lago Lyn? Onde está Clary?
— Ela está bem — Jem disse calmamente. — Beba um pouco de água. Você deve estar com sede.
Catarina já segurava um copo contra os lábios de Simon.
— Você está brincando? Quer que eu beba isso? Depois do que aconteceu?
— Está tudo bem — disse Catarina. Ela tomou um longo gole do copo e segurou-o novamente na frente dos lábios de Simon.
Sua língua estava grossa. Ele pegou o copo e bebeu-o inteiro de um gole, em seguida, encheu-o de novo e mais uma vez de um jarro sobre a mesa. Após apenas o terceiro copo, começou a sentir como se pudesse falar novamente.
— Isso não deixa as pessoas loucas? — ele perguntou, sem se preocupar em disfarçar sua raiva de qualquer maneira.
Jem sentava-se calmamente, as mãos descansando nos joelhos. Simon podia ver a sua idade agora, não em seu rosto, mas em seus olhos. Eram espelhos escuros que refletiam a passagem de incontáveis anos.
— Se alguma coisa tivesse dado errado, você esteve com um Irmão do Silêncio na última uma hora. Posso não ser mais um Irmão do Silêncio, mas tratei anteriormente aqueles que consumiram as águas. Magnus preparou o chá porque ele já trabalhou com suas mentes. Catarina, é claro, é enfermeira. Vocês sempre estiveram seguros. Sinto muito. Nenhum de nós quis enganá-los. Foi para o bem de vocês.
— Essa não é uma explicação — disse Simon. — Eu quero ver Clary. Quero saber o que está acontecendo.
— Ela está bem — falou Catarina. — Vou checar como ela está. Não se preocupe.
Ela saiu, e Jem inclinou-se para frente.
— Antes de Clary chegar, eu preciso saber: O que você viu?
— Quando você me drogou?
— Simon, isso é importante. O que você viu?
— Eu estava em Nova York. Eu... pensei que estava em Nova York. Será que fomos para Nova York? Vocês abriram um Portal?
Jem balançou a cabeça.
— Vocês ficaram nesta sala o tempo todo. Por favor, conte-me.
— Clary e eu estávamos no Central Park, na Fonte de Bethesda. O anjo na fonte voou para longe e a fonte inundou, e Clary desapareceu. Então um barco veio e eu estava em um “Túnel do amor” com Jace. E ele continuou me dizendo para lembrar de quando nos conhecemos, mesmo que eu não o tenha visto.
— Pare um momento — pediu Jem. — O que significa para você?
— Eu não faço ideia. Só sei que ele estava dizendo que eu tinha que me lembrar.
— Você se lembra?
— Não — Simon retrucou. — Eu mal me lembro de qualquer coisa. Eu sei que provavelmente foi com Clary. Clary podia vê-lo.
— Prossiga. O que aconteceu então?
— Eu vi Maia. E Jordan. Ele estava coberto de sangue. Então esse passeio acabou no East River, e alguma garota chamada Maureen disse que morreu por minha causa e saltou dentro do rio. Clary estava boiando na água e eu...
Ele estremeceu novamente, e Jem imediatamente levantou-se e pegou um cobertor, envolvendo-o ao redor de seus ombros.
— Aproxime-se do fogo — Jem falou, guiando-o para perto de uma poltrona.
Quando Simon estava instalado e um pouco aquecido, Jem encorajou que ele continuasse.
— Maureen me disse que eu tinha que decidir qual delas eu salvaria. Jace apareceu novamente e me deu uma palestra sobre como todas as escolhas eram difíceis. Eu pulei na água.
— Quem fez você decidiu salvar? — perguntou Jem.
— Eu não tinha... decidido... nada. Eu sabia. Eu tive que pular. E acho que eu sabia que Maureen estava morta. Ela disse que estava morta. Mas Clary não estava. Eu só tinha que chegar até Clary. De repente tive toda essa energia e consegui nadar para ela. E quando estava fazendo isso, olhei para cima e ela estava nadando para mim.
Jem reclinou-se e juntou os dedos por um momento.
— Eu quero ver Clary — Simon disse através dos dentes que batiam.
Seu corpo estava quente – provavelmente nunca esteve frio, na verdade – mas a água do rio ainda parecia tão real. Catarina reapareceu um momento depois com Clary, que também estava envolvida em um cobertor.
Jem imediatamente levantou-se e lhe ofereceu a cadeira. Os olhos de Clary estavam arregalados e brilhantes, e ela olhou para Simon.
— Será que aquilo aconteceu com você também? — ela perguntou. — Seja lá o que for.
— Acho que foi com nós dois — respondeu ele. — Você está bem?
— Estou. Apenas... com muito frio. Pensei que eu estivesse no rio.
Simon parou de tremer.
— Você pensou que estava no rio?
— Eu estava tentando nadar até você — disse Clary. — Nós estávamos no Central Park, e você tinha sido sugado para o chão – como se estivesse sendo enterrado vivo. E Raphael veio, e eu estava em sua motocicleta, e nós estávamos voando sobre o rio e eu vi você. Eu pulei...
De trás da cadeira de Clary, Catarina assentiu.
— Eu vi algo parecido — Simon disse. —Não exatamente, mas... o suficiente. E eu a alcancei. Você estava nadando para mim. Em seguida, voltamos para...
— ... o Central Park. Na fonte do anjo.
Magnus se juntou ao grupo, e estendeu-se em um sofá.
— Fonte de Bethesda — refletiu ele. — Os Caçadores de Sombras tiveram algo a ver com a sua construção. Estou apenas dizendo.
— O que isso tudo significa? — perguntou Simon. — O que foi isso?
— Vocês dois são diferentes — Magnus disse. — Há certas coisas em seus antecedentes que significam que... certos pontos terão que ser feitos de forma diferente. Para começar, ambos tiveram bloqueio em suas memórias. Clary possui uma quantidade incomum de sangue de anjo. E você, Simon, costumava ser um vampiro.
— Nós sabemos disso. Mas por que teve que nos drogar para fazermos algo tão simbólico?
— Não foi simbólico. O teste é parabatai é um teste de fogo — disse Catarina. — Vocês permanecem em anéis de fogo para formar o seu vínculo. Este... este é o teste da água. A natureza da prova exige que vocês não tenham conhecimento do teste. A preparação mental para o teste pode afetar o resultado. Este teste não foi sobre Julian e Emma. Foi sobre vocês dois. Pensem sobre o que ambos viram, e o que aprenderam. Pensem sobre o que sentiram. Pensem sobre quando ambos foram capazes de nadar até o outro quando não havia nada para apoiá-los, quando você deveria ter morrido.
    Simon e Clary se olharam. A ficha começou a cair.
— Vocês beberam da água — explicou Jem. — E encontraram-se no mesmo lugar em suas mentes. Vocês foram capazes de encontrar um ao outro. Você estão vinculados. “E sucedeu, que a alma de Jonathan foi ligada com a de David, e Jonathan o amou como a sua própria alma”
Parabatai? — perguntou Simon. — Espera, espera, espera. Vocês estão tentando me dizer que isto é sobre ser parabatai? Eu não posso ter um parabatai. Fiz dezenove anos dois meses atrás.
— Não exatamente — Magnus apontou.
— O que você quer dizer com não exatamente?
— Simon — Magnus falou claramente — você morreu. Estava morto há quase meio ano. Vocês pode ter voltado, mas você não estava vivo, não como um ser humano. Quando o tempo não passa. Pelos padrões dos Caçadores de Sombras, você ainda tem dezoito anos. E tem um ano inteiro até seu décimo nono aniversário para encontrar um parabatai — ele olhou para Clary. — Clary, como você sabe, ainda está dentro do limite de idade. Deve haver tempo para você Ascender e depois os dois se tornarem parabatai imediatamente. Se for o que querem. Algumas pessoas encontram-se unicamente para ser parabatai — disse Magnus. — Nasceram para isso, se poderia dizer. As pessoas pensam que é sobre concordar sempre, estar em sincronia. Não é. É sobre ser melhor em conjunto. Lutar melhor em conjunto. Alec e Jace nem sempre concordam, mas eles sempre são melhores juntos.
— Falaram muitas vezes para mim — Jem disse em sua voz suave — o quanto vocês dois são dedicados um ao outro. A maneira como sempre colocam o outro em primeiro lugar. Quando um vínculo parabatai é verdadeiro, quando a amizade é tão profunda e honesta, que pode ser... transcendente — havia tristeza em seus olhos, uma tristeza tão profunda que era quase assustadora. — Precisávamos descobrir se o que foi observado sobre vocês dois era verdade para este fim. Vocês estão prestes a testemunhar uma cerimônia. Isso pode causar uma forte reação em parabatai verdadeiros. Tivemos que ter a certeza de que era verdade e que vocês poderiam resistir a ela. O teste nos disse o que precisávamos saber.
Os olhos de Clary estavam muito arregalados.
— Simon... — ela sussurrou. Sua voz estava rouca.
— É uma pequena tecnicalidade — Magnus acrescentou. — Mas Caçadores de Sombras não têm problemas com aspectos técnicos. Eles adoram uma tecnicalidade. Olhe para Jem. Jem é um detalhe técnico vivo. As pessoas não deixam de Irmãos do Silêncio, tampouco, e ali está ele.
Jem sorriu para isso, a tristeza em seus olhos retrocedendo.
Parabatai — Clary disse novamente.
E nesse momento, algo desceu sobre Simon. Algo como um cobertor em um dia frio. Algo completamente reconfortante.
Parabatai — ele concordou.
Um longo silêncio se estabeleceu entre eles, e naquele momento, tudo estava decidido. Não havia necessidade de discutir o assunto. Você não precisava perguntar se o seu coração precisava bater, ou se você devia respirar. Ele e Clary eram parabatai. Toda a raiva de Simon tinha ido embora. Agora ele sabia. Ele teria Clary, e ela o teria. Para sempre. Suas almas estavam ligadas.
— Como vocês sabiam? — perguntou Simon.
— Não é assim tão difícil de ver — Magnus respondeu, e, finalmente, alguma dos leviandade habitual surgiu em seu voz. — Eu também sou um feiticeiro de verdade.
— É bastante óbvio — acrescentou Catarina.
— Até eu sabia — disse Jem. — E não os conheço muito bem. Há sempre algo sobre os verdadeiros parabatai. Eles não precisam falar para se comunicar. Eu vi vocês terem conversas inteiras sem dizer uma palavra. Foi assim com o meu parabatai, Will. Eu nunca tive que perguntar o que Will estava pensando. Na verdade, geralmente era melhor não perguntar o que ele estava pensando...
Isso arrancou um sorriso de Magnus e Catarina.
— Mas eu vejo isso entre vocês. Verdadeiros parabatai estão ligados muito antes de a cerimônia acontecer.
— Então nós podemos... nós podemos fazer a cerimônia? — Clary perguntou.
— Podem — confirmou Jem. — Mas não esta noite. Haverá algumas discussões na Cidade do Silêncio sobre isso, com certeza, já que este é um caso incomum.
— Tudo certo — disse Catarina. — Agora a enfermeira está tomando conta. Isso é o suficiente por esta noite. Vocês dois precisam dormir. A água cobra um preço. Vocês ficarão bem de manhã, mas precisam descansar. Descansar e se hidratar. Vamos.
Simon ficou de pé e descobriu que suas pernas tinham substituídas por uma substância molenga em forma de perna. Catarina pegou-o pelas axilas e o segurou. Magnus ajudou Clary a levantar.
— Há um espaço para você aqui esta noite, Clary — disse Catarina. — De manhã nós arrumamos o uniforme de combate para você usar na cerimônia de Julian Emma.
— Espere — Simon disse enquanto era conduzido para fora. — Jace não parava de dizer alguma coisa sobre como eu deveria lembrar de como nos conhecemos. O que isso significa?
— Isso é para você descobrir — respondeu Jem. — As visões causadas pelo Lago Lyn podem mexer emoções poderosas.
Simon assentiu. Seu corpo estava dolorido. Ele permitiu que Catarina  o ajudasse a voltar ao seu quarto.
— O que aconteceu com você? — George perguntou quando Catarina o deixou na porta.
— Quanto tempo estive fora? — Simon devolveu, de cara caindo em sua cama.
Era um sinal de sua exaustão que sua terrível cama dura parecesse gostosa. Pareciam travesseiros empilhados sob um castelo inflável.
— Talvez duas horas — George respondeu. — Você parece terrível. O que foi?
— A comida — Simon murmurou. — Ela finalmente me pegou.
E então ele estava dormindo.

* * *

Ele se sentia surpreendentemente bem quando acordou. Até levantou antes de George. Ele saiu da cama em silêncio e pegou a toalha e outros itens para ir ao banheiro. No chão do lado de fora, em uma caixa preta, estava um conjunto de uniforme formal. As vestes formais dos Caçadores de Sombras pareciam muito o equipamento normal – era mais leve e, de alguma forma, mais preto e mais limpo que a maioria dos uniformes. Sem lágrimas. Sem icor. Nada de roupas chiques. Ele colocou a caixa em sua cama e calmamente fez seu caminho até o banheiro.
Ninguém estava acordado ainda, então ele teve o todo o lugar mofado para si mesmo. Descobriu que se você acordasse primeiro, podia ter um pouquinho de água quente de verdade, então ele ficou sob o chuveiro, fingiu que não gosto de ferrugem, e deixou seu corpo relaxar no calor.
Havia luz suficiente entrando pela janela no alto da parede para que ele conseguisse fazer a barba.
Ele caminhou pelos corredores vazios da Academia, que estavam iluminados pela luz da manhã. Nada parecia tão sério esta manhã. Era quase aconchegante. Ele encontrou sozinho um dos salões onde queimava uma lareira, e ficou parado ao lado dela para se aquecer antes de sair em busca de um pouco de ar. Ele não ficou surpreso ao descobrir Clary ali, já vestida, sentada no topo dos degraus, olhando a névoa que flutuava sobre o solo ao alvorecer.
— Você acordou bem cedo, hein? — disse ela.
Ele sentou-se ao lado dela.
— Sim. Levantar-se antes da cozinha começar a trabalhar. É a única maneira de escapar. Estou morrendo de fome, apesar de tudo.
Clary remexeu em sua mochila por um momento e puxou um bagel envolto em vários pequenos guardanapos.
— É aquele...?
— Você acha que eu viria de Nova York de mãos vazias? Sem cream cheese, mas você sabe, é alguma coisa. Eu sei do que você precisa.
Simon segurou o bagel por um momento.
— Faz sentido — ela falou. — Você e eu. Sinto que sempre foi real. Sempre o que nós fomos. Você não... Eu sei que você não se lembra de tudo, mas sempre foi você e eu.
— Lembro-me o suficiente — disse ele. — Eu sinto o suficiente.
Ele queria dizer mais, mas a enormidade de tudo... grande parte disto era melhor deixar não dito. Por agora, de qualquer maneira. Esse sentimento ainda era tão fresco em sua. O sentimento de estar completo.
Assim, ele comeu o bagel. Sempre comer o bagel.
— Emma e Julian — Simon disse entre as mordidas. — Eles tem apenas quatorze anos.
— Jace e Alec tinham quinze.
— Ainda assim, parece... Quero dizer, eles passaram por muita coisa. O ataque ao Instituto de Los Angeles...
— Eu sei — disse Clary, balançando a cabeça. — Mas acontecimentos ruins... às vezes unem as pessoas. Eles tiveram que crescer rápido.
Uma carruagem puxada por cavalos negros apareceu na estrada que levava à Academia. Enquanto ela se aproximava, Simon pôde ver uma figura em um roupão cor de pergaminho segurando as rédeas. Quando carruagem parou e a figura se virou para eles, Simon pôde ver as runas que selavam a boca do homem. Quando ele falou, não foi através de palavras normais, mas com uma voz que soou direto na mente de Simon.
Eu sou o Irmão Sadrach. Estou aqui para levá-los para a cerimônia. Por favor, entrem.
— Você sabe — Simon murmurou enquanto eles entravam na carruagem — provavelmente houve um tempo em que nós consideraríamos isso assustador.
— Eu não me lembro mais desse tempo — respondeu Clary.
— Acho que finalmente temos algo que não nos lembramos.
A carruagem era simplesmente decorada em preto – cortinas, estofado, tudo, realmente. Mas era bem montada e confortável, na medida em que carruagens a cavalos podiam ser.
O Irmão Sadrach não tinha medo de velocidade, e logo a Academia estava longe e Simon e Clary se olhavam em lados opostos da carruagem enquanto seguiam caminho. Simon tentou falar algumas vezes, mas a sua voz trepidava com o constante tap tap tap do transporte através da Brocelind Plain. As estradas de Idris não eram as rodovias lisas a que Simon estava acostumado. Eles eram pavimentadas em pedra, e não houve paradas para descanso com banheiros e Starbucks. Não havia aquecimento, mas cada um recebera um pesado cobertor de pele. Como um vegetariano, Simon realmente não queria usar aquilo. Como uma pessoa sem muita escolha entre o congelamento, ele usou.
Simon também não tinha relógio, telefone, nada para contar a passagem do tempo, exceto o nascente sol de fim de outono. Ele estimou que viajaram uma hora, talvez mais. Eles entraram na sombra calma da Floresta Brocelind. O cheiro das árvores e do mato era quase inebriante, e o sol vinha através de galhos e folhas, iluminando o rosto e o cabelo de Clary, seu sorriso.
Sua parabatai.
Eles não seguiram muito fundo na floresta.
A porta se abriu, e o Irmão Sadrach apareceu ali.
Nós chegamos.
De alguma forma, ficou pior quando pararam. O corpo e a cabeça de Simon ainda pareciam tremer. Simon olhou para cima e viu que eles estavam perto da base de uma montanha que se esticava acima das árvores.
Por aqui.
Eles seguiram o irmão Sadrach por um caminho mal demarcado – uma leve trilha por onde vários pés passaram, deixando apenas a mais ínfima cicatriz no chão de alguns centímetros de largura.
No meio de um bosque contra a encosta da montanha havia uma porta com cerca de quinze metros de altura. Era larga na base e mais estreita no topo. Havia uma figura em relevo do anjo logo acima do lintel da porta. O Irmão Sadrach ergueu uma das aldravas e bateu com força apenas uma vez. Ela se abriu, aparentemente por vontade própria.
Atravessaram uma passagem estreita com paredes de mármore liso, e desceram uma escadaria de pedra. Não havia corrimão, assim ele e Clary esticaram os braços para as paredes para não caírem. O Irmão Sadrach, em sua túnica longa, não tinha esse medo. Ele parecia deslizar para baixo. Depois disso, eles entraram em um espaço maior, que Simon inicialmente pensou ser feito de pedras. Depois de um momento, viu que as paredes formavam um mosaico de ossos, alguns branco feito giz, alguns cinza, outros de uma cor acastanhada perturbadora. Ossos longos formando arcos e colunas, e crânios, com o lado superior para fora, constituindo maioria das paredes.
Eles foram finalmente levados a uma sala onde a arte com os osso foi realmente ambiciosa – o grande padrão circular de crânios e ossos deu forma ao lugar. Acima, pequenos ossos formavam estruturas mais delicadas, como lustres, que brilhavam com pedras enfeitiçadas. A como ver o pior seriado de decoração de casas.
Vocês devem esperar aqui.
O Irmão Sadrach saiu da câmara, e Simon e Clary ficaram sozinhos. Uma coisa sobre a Cidade do Silêncio: ele realmente fazia jus a seu nome. Simon nunca tinha estado em um lugar totalmente desprovido de som. imaginou que se ele falasse, as paredes de ossos viriam abaixo sobre sua cabeça e os enterrariam ali. Isso provavelmente não aconteceria - seria necessária uma grande falha no projeto – mas a sensação era forte.
Depois de vários momentos, a porta se abriu novamente e Julian apareceu. Julian Blackthorn podia ter apenas quatorze anos, mas parecia mais velho, ainda mais velho que Simon. Ele tinha crescido um pouco, e agora Simon podia encará-lo olho no olho. Possuía o cabelo castanho escuro ondulado, característico de sua famíliam cortado curto, e seu rosto tinha uma aparência de seriedade tranquila. Esta era uma seriedade que lembrava Simon de a forma como sua mãe parecia quando seu pai morreu, e ela passou noites acordada se preocupando com uma maneira de pagar a hipoteca e alimentar seus filhos, como criá-los sozinha. Ninguém tinha esse tipo de expressão por escolha. O único sinal de que Julian não era um adulto era a forma como o seu uniforme ficava um pouco largo, e da maneira que ele era um pouco desengonçado.
— Julian! — Clary exclamou, parecendo considerar se devia abraçá-lo e, em seguida, descartando a ideia. Ele parecia digno demais para ser apertado em seus braços. — Onde está Emma?
— Conversando com o Irmão Zachariah — Julian respondeu. — Quero dizer, Jem. Ela está conversando com Jem.
Julian parecia profundamente confuso sobre isso, mas também não parecia a vontade em ser questionou ainda mais.
— Então — Clary falou — como você se sente?
Julian simplesmente balançou a cabeça e olhou em volta. Ele hesitou.
— Eu só quero... fazer isso. Eu quero.
Esta parecia ser uma resposta um pouco estranha. Agora que Simon pensava em sua própria cerimônia com Clary, a perspectiva parecia incrível. Algo pelo o que esperar.
Mas Julian tinha passado por muita coisa. Perdera seus pais, seu irmão e sua irmã mais velhos. Era, provavelmente, difícil passar por algo tão grande assim sem eles lá.
Era difícil olhar para Julian e não lembrar que viu o irmão mais velho de Julian não muito tempo atrás, preso e meio louco. Que ele tinha decidido não compartilhar este fato com Julian porque teria sido incrivelmente cruel fazê-lo. Simon ainda acreditava que sua decisão fora a correta, mas isso não significava que não pesava como uma pedra em sua alma.
— Como é em L.A.? — ele perguntou, e imediatamente arrependeu. Como é Los Angeles? Como é esse lugar onde você vive, onde viu o seu pai ser assassinado e seu irmão levado como refém eterno pelas fadas? Como é isso?
A boca de Julian enrolou em um canto. Como se ele sentisse que Simon estava se sentindo desconfortável, e simpatizasse com isso, mas também achasse engraçado.
Simon estava acostumado com isso.
— Quente — respondeu Julian.
O que era justo.
— Como está a sua família? — Clary perguntou.
O rosto de Julian se iluminou, os olhos brilhando como a superfície da água.
— Todos estão bem. Ty está realmente mergulhado em coisas de detetive, Dru só no horror – assistindo todos os filmes mundanos q ela não deveria assistir. Mas aí ela se assusta e tem que dormir com a pedra enfeitiçada acesa. Livvy está ficando realmente boa com o sabre, e Tavvy...
Ele parou quando Jem e Emma desceram as escadas. O passo de Emma parecia mais leve. Havia algo em Emma que fazia Simon pensar em verões eternos em uma praia – seu cabelo sempre iluminado, seus movimentos graciosos, seu bronzeado de inverno. Ao longo do interior de um de seus braços estava uma longa cicatriz.
Ela olhou uma vez para Julian, que assentiu antes de começar a atravessar a sala.
Emma imediatamente envolveu Simon em um abraço. Seus braços, embora menores que os dele, fecharam-se em torno dele como cabos de aço. Ela cheirava a borrifos de mar.
— Obrigada por estarem aqui — ela falou. — Eu queria escrever para vocês, mas eles... — ela olhou para Jem por um momento. — Eles disseram que contariam a vocês. Agradeço a ambos.
Julian passou a mão ao longo da suave parede de mármore. Ele parecia ter problemas em olhar para Emma. Emma foi até ele e Jem a seguiu, falando com eles, por um momento. Clary e Simon ficaram para trás e os observaram. Algo sobre a maneira como Emma e Julian agiam não era bem o que Simon esperava. Claro, eles estavam nervosos, mas...
Não, era algo a mais.
Clary puxou a manga de Simon, indicando que ele deve se abaixar um pouco para que ela pudesse sussurrar para ele.
— Eles parecem tão... — Clary interrompeu sua sentença e inclinou a cabeça um pouco para o lado — jovens.
Havia uma sugestão em sua voz que esta não era uma declaração completamente satisfatória. Algo estava faltando. Mas Simon não teve tempo para descobrir o que. Jem, Emma ​​e Julian se juntaram a eles novamente.
— Eu vou acompanhá-los à câmara — Jem disse. — Clary vai caminhar com Emma. Simon, com Julian. Você se sentem prontos continuar?
Emma e Julian engoliram visivelmente e estavam com os olhos arregalados, mas ambos conseguiram dizer sim.
— Então, vamos. Por favor, sigam-me.
Seguiram por mais corredores, mas o osso cada vez mais dava lugar ao mármore branco e, em seguida, a mármore que tinha a aparência de ouro. Eles chegaram a um grande conjunto de portas, que foram abertas pelo Irmão Sadrach. O cômodo aonde entraram era maior ainda, com uma imponente cúpula no teto. Havia mármores de todas as cores – branco, preto, rosa, dourado, prata. Cada superfície era completamente lisa. O cômodo estava ocupado por um círculo de Irmãos do Silêncio, talvez vinte no total, que se separaram para permitir a passagem deles.
A sala estava escura e a iluminação bruxuleante vinha de arandelas douradas e velas. O ar era espesso com incenso.
— Simon Lewis e Julian Blackthorn — a voz de Jem ressoou. Por um momento, Simon quase pensou ter ouvido dentro de sua mente, do jeito que uma vez ouvira o Irmão Zachariah. Ele ainda tinha uma profundidade que lhe parecia mais rica que de um humano comum. — Atravessem para o outro lado do círculo, onde eles abriram espaço para vocês. Quando chegarem, permaneçam lá. Será falado a vocês o que fazer.
Simon olhou para Julian, que ficara branco. Apesar de parecer que ia desmaiar, Julian caminhou firmemente até o outro lado da sala, e Simon o seguiu. Clary e Emma e tomaram seus lugares no lado oposto. Jem se juntou ao círculo de Irmãos do Silêncio, que deram simultaneamente um passo atrás, ampliando o círculo. Agora os quatro estavam no centro.
De repente, dois anéis de fogo branco e dourado apareceram do chão, as chamas subindo apenas alguns centímetros, mas queimando reluzentes e quentes.
Emma Carstairs. Dê um passo à frente. As vozes soaram na cabeça de Simon. Era como se todos os irmãos falassem como um. Emma olhou para Clary, em seguida, deu um passo para dentro de um dos anéis. Ela fixou os olhos em Julian e sorriu amplamente.
Julian Blackthorn. Dê um passo à frente.
Julian foi para dentro do outro anel. Seu passo foi mais rápido, mas ele manteve a cabeça baixa.
Testemunhas, você devem ficar nas asas do anjo.
Simon precisou de um momento para obedecer ao comando. Ele finalmente viu que na parte superior do círculo, esculpida no chão, estava outra figura de um anjo com asas abertas. Ele tomou o seu lugar em uma asa, e Clary, no outro. Isto os levou um pouco mais perto do anel de fogo. Ele sentiu o calor rastejar agradavelmente sobre seus pés frios. Do lugar onde estava, ele podia ver as expressões Emma e Julian.
O que ele estava vendo? Era algo que ele conhecia.
Começamos a Prova de Fogo. Emma Carstairs, Julian Blackthorn, entrem no centro deste anel. Neste círculo, você estarão confinados.
Um anel central apareceu, juntando os dois. Um Diagrama de Venn de fogo. Assim que Emma e Julian estavam nele, o anel central queimou mais, chegando a altura da cintura.
Algo brilhou entre Julian e Emma naquele momento. Foi tão rápido que Simon não podia dizer de qual direção vaio, mas ele vira isso com o canto do olho. Algum vislumbre, algo sobre a forma como os dois permaneceram ali, alguma coisa – mas era um vislumbre de alguma postura ou alguma coisa que ele tinha visto antes.
O fogo brilhou mais alto. estava até os seus ombros agora.
Agora vocês recitarão o juramento.
Emma e Julian começaram a falar como um, suas vozes com um pequeno tremor enquanto eles recitavam as antigas palavras bíblicas.
— Onde fores, irei...

* * *

Simon foi atingido por um raio de ansiedade. O que ele tinha acabado de ver? Por que era tão familiar? Por que o deixou assim? Ele estudou Emma e Julian novamente, da melhor forma que conseguiu sobre o fogo. Os dois pareciam nervosos como crianças fazendo algo muito sério, nos limites do círculo flamejante.
Lá estava aquilo novamente. Tão rápido. Foi obscurecida pela cintilação na parte superior do anel. Que diabos era aquilo? Talvez isto fosse precisamente o que as testemunhas deveriam fazer. Talvez eles devessem prestar atenção a este tipo de coisa. Não. Jem disse que era uma formalidade. Uma formalidade. Talvez ele devesse ter esta perguntar antes de o anel de fogo ficar ainda mais gigante.
— Onde morreres, morrerei, e lá serei enterrado...
Rituais Caçadores de Sombras, sempre alegres.
— Que o Anjo o faça por mim, e ainda mais...
Julian tropeçou nas palavras “faça por mim”. Ele limpou a garganta e terminou a declaração um segundo depois de Emma.
Algo clicou na mente de Simon. Ele se lembrou, de repente, de Jace em sua alucinação, dizendo algo sobre a primeira vez em que eles se encontraram. E então a memória brilhou através de sua mente como um desses banners levados por pequenos aviões que voavam acima da praia de Long Island...
Ele estava sentado com Clary no Java Jones. Eles estavam assistindo Eric ler sua poesia. Simon decidiu este era o momento, ia dizer a ela. Precisava contar a ela. Ele pegara os cafés dos dois e os copos estavam quentes. Seus dedos estavam queimando. Ele tinha que externar isso, o que não seria um movimento suave.
Ele podia sentir a queimação. A sensação de que ele tinha que falar.
Eric lia um poema que continha as palavras “quadrilha nefastos”. Quadris nefastos, quadris nefastos... as palavras dançaram em sua cabeça. Ele tinha que falar.
— Há algo que quero conversar com você — ele falara.
Clary fez um comentário sobre o nome da banda, e ele teve que trazê-la de volta ao ponto.
— É sobre o que estávamos falando antes. Sobre eu não ter uma namorada.
— Oh, eu não sei. Ah, eu não sei. Convide Jaida Jones. Ela é legal, e gosta de você.
— Eu não quero chamar Jaida Jones para sair.
— Por que não? Você não gosta de garotas inteligentes? Ainda buscando um corpo perfeito?
Ela era cega? Como podia não ver? O que exatamente ele deveria fazer? Ele tinha que mantê-lo juntos. Além disso, “buscando um corpo perfeito”?
Mas quanto mais ele tentava, mais alheia ela parecia. E então ela fixou o olhar em um sofá verde. Era como se o sofá fosse tudo no mundo. Ali estava ele, tentando se declarar para o amor da sua vida, e Clary concentrara sua atenção na mobília. Mas era mais do que isso. Algo estava errado.
— O que é? — perguntou. — O que há de errado? Clary, o que há de errado?
— Já volto — disse ela.
E com isso, ela largou o café e fugiu.
Ele a olhou através da janela, e de alguma forma ele sabia que este momento estava acabado para sempre. E então viu...
O anel de fogo se extinguira. Era sobre isso. O juramento foi feito, e Emma e Julian estavam diante de todos eles. Julian tinha uma runa em sua clavícula, e Emma em seu braço.
Clary puxava o seu braço. Ele olhou para ela e piscou algumas vezes.
Você está bem?,  sua expressão perguntava.
Sua memória tinha escolhido um ótimo momento para retornar.

* * *

Após a cerimônia, eles voltaram para Alicante, aonde foram levados para a mansão Blackthorn para trocar de roupa. Emma e Julian foram levados pelos empregados para quartos no piso principal. Clary e Simon foram levados até a grande escadaria.
— Eu não sei o que deveria vestir — Simon falou. — Não tive um aviso prévio.
— Eu te trouxe um terno de casa — Clary disse. — Peguei emprestado.
— Não de Jace.
— De Eric.
— Eric tem um terno? Você jura que não era, tipo, do falecido avô dele?
— Não posso jurar nada, mas acho que vai caber.
Simon foi levado para um quarto pequeno no segundo andar, com móveis estofados, papel de parede e olhares penetrantes de alguns Blackthorn que montaram residência ali na forma de retratos sóbrios. O saco com o terno estava na cama. Eric tinha um paletós preto liso. A camisa também fora fornecida, juntamente com uma gravata azul prateada e sapatos. As mangas estavam dois ou três centímetros mais curtas do que deveriam. A camisa estava um pouco justa – o treinamento diário fizera Simon se transformar em uma dessas pessoas que estouravam os botões da camisa. Os sapatos não couberam, então ele calçou os sapatos pretos e confortáveis que faziam parte do uniforme formal. A gravata ficou boa. Gravatas eram boas assim.
Ele sentou na cama por um momento e deixou-se pensar em tudo o que tinha acontecido. Fechou os olhos e lutou contra o desejo de dormir. Sentia-se cambaleando e quase deitando quando houve uma batida suave na porta.
Ele bufou quando voltou da microsoneca.
— Claro — disse ele, o que não era o que ele quis dizer. — Sim. Quero dizer, entre.
Clary entrou, usando um vestido verde que completava perfeitamente o seu cabelo, sua pele, cada parte dela. E Simon teve uma revelação. Se ele ainda sentisse uma atração romântica por Clary, vê-la naquele momento poderia fazê-lo começar a suar e gaguejar.
Agora, ele via alguém que amava, que parecia muito bonita, e era sua amiga. E isso era tudo.
— Ouça — disse ela, fechando a porta — de volta à cerimônia, você pareceu... esquisito. Se você não quiser fazer... a coisa parabatai. Foi um choque e eu não quero que você esteja...
— O quê? Não, não.
Instintivamente, ele pegou a mão dela. Ela apertou com força.
— Tudo bem — ela falou. — Mas alguma coisa aconteceu lá dentro. Eu vi.
— Na alucinação que eu tive por causa da água do lago, eu vi Jace, e ele ficava me dizendo para lembrar de como nos conhecemos — ele explicou. — Então, eu estava tentando lembrar. E depois no meio da cerimônia, a memória meio que voltou. É apenas uma espécie de... download.
Clary franziu a testa, o nariz franzindo em confusão.
— A lembrança de como conheceu Jace? Não foi no Instituto?
— Sim e não. A memória era na verdade sobre nós, você e eu. Estávamos no café, no Java Jones. Você estava falando de todas aquelas garotas com quem eu podia sair e eu... eu estava tentando te dizer que era de você que eu gostava.
— Sim — Clary concordou, olhando para baixo.
— E então você correu para fora. Simples assim.
— Jace estava lá. Você não podia vê-lo.
— Isso é o que eu pensava — Simon estudou o rosto dela. — Você saiu correndo enquanto eu te dizia como eu me sentia. O que está bem. Nós nunca fomos destinados a ser... daquele jeito. Penso que isso é o que o meu subconsciente, na forma irritante de Jace, queria que eu soubesse. Porque acho que nós estamos destinados a ficar juntos. Parabatai não podem gostar um do outro assim. É por isso que foi importante que eu me lembrasse. Eu tinha que lembrar que me senti assim. Tinha que saber que é diferente agora. Não de uma forma ruim. Da forma certa.
— Sim — disse Clary. Ela havia ficado com os olhos marejados. — Da forma certa.
Simon assentiu com a cabeça uma vez. Era grande demais para dizer em palavras. Era tudo. Esse era todo o amor que ele viu nos olhos de Jem quando ele falou sobre Will, e o amor no rosto de Alec quando ele olhava para Jace, mesmo quando Jace estava sendo chato, e uma memória desanuviou-se, de Jace segurando Alec enquanto ele estava ferido e o desespero nos olhos de Jace, o terror que vem só de pensar que você pode perder alguém que não poderia viver sem.
Era Emma e Julian, olhando um para o outro.
Alguém os estava chamando lá de baixo.
Clary afastou uma lágrima e levantou-se, alisando o vestido já arrumado.
— Isso é como um casamento — ela falou. — Sinto como se eles estivessem vindo nos chamar para posarmos para o fotógrafo em um minuto.
Clary enganchou o braço no dele.
— Uma coisa — disse ele, lembrando de Maia e Jordan. — Mesmo quando eu for um Caçador de Sombras, ainda serei um pouco como um ser do Submundo. Nunca darei as costas para eles. Esse é o tipo de Nephilim que eu quero ser.
— Eu não teria esperado outra coisa.
No andar de baixo, os dois novos parabatai se examinavam do outro lado da sala. Emma estava de um lado, usando um vestido marrom coberto de flores entrelaçadas de ouro. Julian estava do outro, contorcendo-se dentro de seu terno cinza.
— Vocês estão maravilhosos — Clary falou para ambos, e eles baixaram o olha timidamente.
No Salão dos Acordos, Jace estava à espera deles no degrau da frente, parecendo Jace de terno. Jace de terno era insuportável. Ele olhou Clary de cima a baixo.
— Esse vestido é...
Ele teve que limpar a garganta. Simon gostou de seu desconforto. Não havia muito que deixasse Jace sem palavras, mas Clary sempre fora capaz de provocá-lo como um balão num dia de vento. Os olhos dele eram praticamente como corações dos desenhos animados.
— É muito bonito — ele terminou. — Então, como foi a cerimônia? O que vocês acharam?
— Tem definitivamente mais fogo do que um bar mitzvah — Simon disse. — Mais fogo do que um churrasco. Estou pensando em chamá-lo de Evento Formal com Mais Fogo.
Jace assentiu.
— Foi surpreendente — Clary falou. — E... — ela olhou para Simon. — Temos uma novidade.
Jace inclinou a cabeça.
— Mais tarde — ela disse, sorrindo. — Acho que todo mundo está esperando que a gente se sente.
— Então nós precisamos trazer Emma e Julian aqui.
Emma e Julian estavam no canto da sala, conversando, mas com uma estranha distância entre seus corpos.
— Vou falar com eles — disse Jace, acenando para Julian e Emma. — Dar-lhes alguns conselhos viris e reflexivos.
Assim que Jace se afastou, Clary começou a falar, mas eles foram imediatamente acompanhados por Magnus e Alec. Magnus estava prestes a começar como professor convidado na Academia e ele queria saber quão ruim a comida era. Os irmãos e irmãs de Julian – Ty, Livvy, Drusilla e Octavian – agrupados em torno da mesa com os aperitivos. Simon olhou por cima do ombro e viu Jace descarregar conselhos Jacenianos sobre novos parabatai. Havia um delicioso cheiro de carne assada. Grandes travessas estavam sendo colocados sobre as mesas agora, juntamente com legumes, raízes, pães e queijos. Vinho estava sendo servido. Era um momento para comemorar. Era bom, pensou Simon, que no meio de todas as coisas terríveis que podiam acontecer, e por vezes aconteciam, havia também momentos assim. Com tanto amor.
Quando Simon se virou, viu Julian apressando-se para fora do salão. Jace voltou, seu braço ao redor dos ombros de Emma.
— Está tudo bem? — Clary perguntou.
— Tudo. Julian precisava de ar. Esta cerimônia é intensa. Tantas pessoas. Vocês precisam comer.
Esta foi Emma, que sorria, mas se manteve olhando para a porta por onde seu parabatai tinha acabado de passar. Então ela se virou e viu Ty correndo pelo salão com uma bandeja contendo um queijo inteiro.
— Oh — ela disse — É, isso é ruim. Ele pode na verdade, comer todo o queijo, mas, depois vai vomitar tudo. É melhor eu ver isso ou vai acabar mal para Jules.
Ela correu atrás de Ty.
— Eles têm muito em suas mãos — Jace disse, observando-a ir. — Que bom que eles têm um ao outro. Sempre terão. É assim que parabatai são.
Ele sorriu para Alec, que sorriu de volta para ele de uma forma que iluminou todo o seu rosto.
— Sobre esse negócio parabatai — Clary falou. — Nós também temos que contar algumas novidades...

52 comentários:

  1. ( •̀∀•́ ) Amei esse! E Happy New Year, Karina! ヾ( ̄▽ ̄)

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    1. Obrigada! Pra vc também, Maddy, que venham muitos livros por aí <3

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  2. Um dos melhores, esse ♥ Clary+Simon parabatai! Lindo!

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  3. "Quando este pensamento lhe ocorreu, algo muito incomum aconteceu – o grande anjo de pedra da Fonte Bethesda bateu as asas e voou em linha reta para o céu noturno. Enquanto ele voava, a base da fonte permaneceu presa a seus pés e elevou-se para as nuvens como uma planta crescendo. O grande reservatório da fonte começou a se esticar e quebrar. Os blocos e argamassa se soltaram, e uma rede de tubos enterrados foi revelada, além de um buraco aberto na terra crua que rapidamente foi preenchido com água. O gelo sobre o lago quebrou-se de uma só vez, e todo o terraço começou a inundar. Simon correu na direção da escada enquanto a água cobria tudo. Ele subiu-a lentamente, degrau a degrau, até que a água estava no mesmo nível que ele. O lago agora incorporou o terraço, oito degraus acima. A fonte e o anjo se foram.
    — Isso — disse Simon — foi mais estranho do que normal."

    kkkkkkkkk

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  4. Por algum motivo eu tenho a impressao de que Simon e Clary estao de algum modo, diferentes. Tipo, na narraçao mesmo. Parece que é outro autor que esta criando a historia, ai os personagens parecem... diferentes. Outra personalidade? De qualquer modo, pensei que o cabelo de Zacarias/Jem fosse completamente escuro, ja que a droga meio que foi retirada, mas ai diz que tinha uma mecha prateada. E mesmo no epilogo de Princesa Mecanica, nao percebi Tessa dizendo que havia alguma mecha em seu cabelo. Estranho...

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    1. Oih Jessica!! Bom eu nao sou a Karina né pq tipo pq eu estou respondendo ao seu comentario se vc nem pediu minha opniao? Nao pense q sou atrevida é que eu achei interessante o q vc falou e me identifique pq eu tbm pensei a mesma coisa quando comecei a ler Os Contos da Academia, ELES ESTAO TAO DIFERENTES!!! :0 Mas o tempo passo e eu percebi que isso acontece, é tipo pra ser uma evoluçao dos personagens, pra tbm mostrar que todos mudamos, pensamentos tudo, nós amadurecemos, e ficamos diferentes, e talvez tenha sido isso que aconteceu na cronica e taus, e tbm tem o fato de a autora ter ficado um tempo escrevendo os outros livros e etc e acaba de certa forma perdendo a alma do personagem de certa forma, nossa acho q escrevi quase um texto haha, Pronto agora eu posso dormir feliz por ter dito algo sobre o seu comentario kkk Bjimm

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    2. O cabelo do James desde que ele entrou para a Irmandade, eliminando a maior parte das drogas dele no processo, ficou com o cabelo escuro (com a mecha cinza) como era quando criança e com seus olhos também pretos com um brilho prateado.

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    3. GENTEEEEEEEEE MAS SÃO OUTROS AUTORES QUE ESTÃO CRIANDO A HISTÓRIA CARA... FOI AVISADO ALI NO COMEÇO... NÃO É SÓ A CASSANDRA CLARE... TEM VÁRIOS OUTROS...

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  5. "Conselhos Jacenianos" kkkkkkkk Amo d+

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    1. Eu ri com essa parte! kkkkk

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    2. Na verdade em Princesa Mecânica a Tessa fala que o cabelo estava escurecendo, ela n~´ao diz que o cabelo dele estava completamente escuro. Me tirem uma dúvida, em qual livro fala como o James Castairs "conseguiu" a cura?

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    3. Em Cidade do Fogo Celestial

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  6. Só o que eu precisa pra encerrar 2015 e começar 2016 😍😍. Muito obrigada!

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  7. Não aguento ver Emma e Jules como parabatai, quero que eles cresçam, casem, tenham filhos e um carrocho chamado Rex :'(

    Mas tipo, Clary e Simon <3 amorecos da minha vida

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    1. Néee! Pensei que fosse acontecer alguma coisa estranha, aquilo que o Simon estava vendo/sentindo... mas não. Agora eles são parabatai D:

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    2. acho que a autora comentou em algum site, que Emma está se apaixonando por Jules... o que era proibido, no Dark Artifices.

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    3. Eu torço pra ela ficar com o Mark

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  8. Ok, chocante esse capitulo, eles realmente viraram parabatai a emma e o julian.. Mas eles se amaaaam. Mas entao,
    Eu quero o proximo capitulooooo, serio, O Magnus vai ser um professor convidadooo huuummm
    É AGORA
    Eu quero um bebe!!!
    💕💕💕

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  9. Respostas
    1. Nope... é o oitavo conto da Academia dos Caçadores de Sombras, da Cassandra Clare

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  10. Nossa que dó do Jules a Emma consegue ser mais cega que a Clary quando o Simon tentou se declarar ele deve está sofrendo muito poverino, por outro lado estou realmente muito feliz pela Clary e o Simon terem colocado os pingos nos "is" só queria saber porque a Izzy não apareceu.

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    1. Né, cadê a namorada do Simon? Só pq o foco eram os parabatai a Izzy não aparece, poxa!

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  11. Simon, clary. Parabatai.
    Q lindo
    Nossa, q pena do julian.

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  12. Simon olhou por cima do ombro e viu Jace descarregar conselhos Jacenianos
    Morta nessa parte kkkkkkk

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    1. Eu tive crise convulsiva de risos na parte em que o Simon fala que a consciência dele tem a voz irritante do Jace.

      "Penso que isso é o que o meu subconsciente, na forma irritante de Jace, queria que eu soubesse".

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  13. Clary e Simon como parabatais sempre foi meu sonho! <3

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  14. Poxa! Eu queria ver a expressão do Jace de saber que ela e Simon irão se torna parabatai!
    Ass: Bina.

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  15. como eu faço para ver os outros contos dos cassadores de sombras ??? Ou so tem esse ????

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  16. Sobre o conto: Tem umolho no meu oceano de lágrimas.
    Agr ai socorro, comecei a suspeitar Cidade do Fogo Celestial e agora eu tenho certeza T.T. Os dois vão se apaixonar, mas agora são parabatai, e vão ter que lidar com isso enquanto milhares de coisas acontecem envolta deles. Porque é isso que a Cassie faz com os nossos corações quando ela quer. '-.-

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  17. Nossa esse capitulo foi realmente emocionante !!! Mas eu fiquei meio triste pelo Julian e a Emma eu acho que eles se gostam de verdade e não como parabatai, e agora que eles fizeram a cerimonia como vai ser ?

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    1. Pois é :x
      A cada série ele desconstrói algum conceito dos Caçadores de Sombras... em Os Artifício das Trevas será o amor entre parabatai

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    2. A Tia Cassie é wrecking ball destruindo tudo, pq ela cria as bagaceiras pra ela vir montada na bola de destruição dela é acaba com tudo. Mas se pensar bem, ela nem precisa é só ela se jogar e já quebra as coisa huehuehue

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    3. Q comentário mais preconceituoso e de péssimo gosto,Gabriella!...q coisa mais nada a ver,tanta coisa p se falar sobre o conto e sobre Cassandra Clare!!!...tsc tsc tsc...triste...

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  18. Emma e Julian...não vai dar certo. Agora que Simon e Clary serão parabatai, a Isabelle vai sobrar. Estou apenas louca para ler a próxima série!!

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  19. Emma e Julian claro que vão dar um jeitinho e vão ficar juntos! Apenas esperando muito isso.

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  20. Faltou um pouquinho de Sizzy... Definitivamente.
    E, só acho, que o Simon teve esse "pequeno" insight porque, de alguma forma, ele reconheceu a expressão no rosto do Julian, de quando estava "apaixonado" pela Clary. Ele só não se deu conta disso, ali, naquele momento. E acho que até a Clary, percebeu.

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  21. Emma e julian "sabem" q gostam um do outro.. eles só viram parabatai pra nao se separarem.. nao quriam manter os dois juntos.. no msm instituto e tal.. ai eles fizeram isso.. acho q a cassandra clare falou isso em algum momento.. só nao entendo pq um parabatai nao pode gostar de seu parabatai.. É como se fosse um casamento msm... entao nao sei pq.. espero q eles fiquem juntos ;)

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  22. Emma e julian "sabem" que se gostam romanticamente... Mas viram parabatai pq queriam colocá-los em institutos diferentes.. Por isso eles fazem a cerimônia... Para ficarem juntos e ela poder ajudar ele a cuidar dos irmãos... Acho a Cássie falou isso em algum lugar... Só não entendo pq parabatai não podem se envolver romanticamente.. Afinal a cerimônia é praticamente um casamento msm... Mas espero que eles consigam dar um jeito de ficarem juntos... Tomara q tia Cássie seja legal ;)

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  23. por um momento eu penso que o simon fosse da linhagem do herondale perdido com todo aquele misterio do simon mandando ele lembrar, fiqui decepcionada qnd soube q n era

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  24. coitados do Jules e da Emma qualquer um percebe que eles se amam mais que parabatais podem se amar

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  25. Aiaiaiai amei tudooooo e amei os comentários... MAS O QUE EU MAIS AMEI E CHOREI RIOS FOI QUANDO O JEM FALOU DO WILL SEU PARABATAI ... MISS YOU JEM WILL TESSA... <3 E GENTEEEEEEEE NÃO TEVE O CASAMENTO DA TESSA E DO JEMMMMM COMO ELES JA ESTÃO CASADOS? E NO COMEÇO DE DAMA DA MEIA NOITE NÃO FALA NADA... ENTÃO... AIAIAIAI PERDEREMOS ESSE CASÓRIO?

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  26. so que tenho certeza que o jules e a emma são mt novos e por isso vão acabar se apaixonando???

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    1. Oi karina! Sabe me dizer a ordem dos livros da Cassandra, por que eu vejo todos falando sobre Artifícios das Trevas e tal e eu fico tipo " Mas que série é essa?" é essa continuação de TMI?

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    2. Isso mesmo, é continuação de TMI! Bom, eu recomendo que leia As Peças Infernais, Os Instrumentos Mortais, As Crônicas de Bane e depois Contos da Academia dos Caçadores de Sombras para então ler Dama da Meia-noite (Os Artifícios das Trevas). É o que eu recomendo, mas vc pode ler em outra ordem se quiser!

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  27. Mds, meu coração. Ainda mais q eu já li TDA. Tava claro que eles não tinham certeza q era isso q queriam. E o Simon notou e n falou nada. Vacilou feio Simon u_u

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  28. Só eu percebo que a autora desse conto (sem ser a Cassandra.) se chaa Maureen, que é o nome da vampira meio louca que fora apaixonada pelo Simon? Será q a Cassandra homenageou ela? Rs nem sei porq comentei isso... enfim amei esse capitulo e estou anciosa pra ver eem TDA esse amor proibido entre parabatais s2 JEMMA s2

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