2 de novembro de 2015

Vinte e dois

— Já chegamos?
Passo os dedos na venda macia e sedosa que Damen usou para cobrir meus olhos. Uma formalidade boba, já que ambos sabemos que não preciso olhar para ver, mas, ainda assim, ele está tão decidido a manter segredo que prefere se cercar por todos os lados, seja ou não necessário.
Ele ri, e o som é tão melódico que faz meu coração se encher. Pega minha mão e entrelaça os dedos nos meus. A quase sensação de seu toque provoca o mais vivo e mais delicioso formigamento e calor do mundo, uma sensação que aprendi a valorizar, especialmente depois de saber como é perdê-la por completo.
— Pronta? — ele pergunta, posicionando-se atrás de mim e desatando o nó atrás de minha cabeça, tirando a venda e aproveitando para alisar meu cabelo antes de me girar e dizer:
— Feliz aniversário!
Eu sorrio antes mesmo de ter a chance de abrir os olhos, já convencida de que será bom, não importa o quê.
No segundo em que vejo, suspiro, boquiaberta e com a mão no peito um cenário tão impressionante que quase não parece possível. Até mesmo para Summerland.
— Quando você fez isso? — pergunto, esforçando-me para assimilar tudo.
Observo uma ilusão delicada, um campo aparentemente infinito de tulipas vermelhas resplandecentes com um pavilhão requintado bem no centro. -Certamente não criou isso agora, não é?
Ele dá de ombros, fitando meu rosto de um modo que faz meu corpo todo ficar quente.
— Venho planejando há algum tempo e, embora o pavilhão não seja obra totalmente minha, fiz algumas alterações. As tulipas foram um toque que acrescentei para você. — Ele olha para mim, puxa-me para perto e diz: - Eu só queria que você melhorasse para podermos aproveitar isso juntos. Só nós dois, sabe?
Confirmo com a cabeça. Seu olhar amoroso e agradecido faz minhas bochechas corarem, e sou tomada por uma timidez inexplicável.
— Só nós dois? — Inclino a cabeça e olho para ele. — Quer dizer que não precisamos voltar correndo para minha festa surpresa?
Damen ri e me acompanha por um campo vermelho muito brilhante e resplandecente.
— Eles ainda estão arrumando tudo... eu prometi que chegaríamos um pouco mais tarde. Mas, por enquanto, o que acha?
Pisco várias vezes rapidamente, já que não quero chorar. Não aqui. Não agora. Não neste campo magnífico, feito para representar nosso amor eterno. Engulo o nó na garganta e digo:
— Eu acho... Eu acho que você é a pessoa mais incrível do mundo... E acho que tenho tanta sorte de conhecer e amar você... E acho... Acho que não tenho ideia do que faria sem você... E também acho que estou muito agradecida por não ter desistido de mim.
— Eu nunca desistiria de você - ele diz, ficando sério de repente, procurando meus olhos.
— Bem, deve ter ficado com vontade. — Eu me viro, lembrando como as coisas ficaram sinistras, como fui longe demais, e fazendo um agradecimento silencioso a Hécate por realizar meu desejo e me devolver tudo o que mais me importa no mundo.
— Nem por um segundo — ele diz, com a mão em meu queixo, virando meu rosto para seu lado novamente. — Nem uma vez sequer.
— Você estava certo, sabia? Sobre a magia... — Mordo os lábios e olho para ele, constrangida. Mas ele apenas confirma com a cabeça, é como se eu tivesse admitido algo que ele já soubesse. — Eu... Eu fiz um feitiço... Um feitiço de amarração... e, bem, meio que teve o efeito oposto. Eu me amarrei acidentalmente a Roman. — Engulo em seco, vendo-o olhar para mim sem expressão alguma no rosto, tornando impossível tentar decifrar o que está pensando. E... Primeiro, não contei nada porque... Bem... Porque fiquei muito envergonhada. É como... Como se eu estivesse obcecada por ele e... — Balanço a cabeça, fazendo cara feia ao me lembrar do que fiz e disse. — Bem, de qualquer modo, o único lugar onde eu ficava saudável era aqui em Summerland. Por isso eu implorava para vir. Em parte, para que eu pudesse me sentir inteira novamente, e em parte porque o monstro, a magia, não me deixava contar nada no plano terreno. Sempre que eu tentava, as palavras eram silenciadas e não conseguiam sair... E tudo isso é para dizer...
Ele coloca a mão em meu rosto e olha para mim.
— Ever — sussurra —, tudo bem.
— Eu sinto muito — murmuro, sentindo seus braços à minha volta enquanto ele me puxa para mais perto. — Sinto tanto, tanto.
— E está tudo acabado agora? Você consertou? — Ele se afasta e inclina a cabeça, observando-me.
— Consertei— confirmo, secando os olhos com as costas da mão. — Está tudo bem agora... Estou melhor. ...e minha obsessão por Roman acabou. Eu... eu só achei que você deveria saber. Odiei esconder isso de você.
Ele se inclina em minha direção e pressiona os lábios em minha testa, olha para mim e diz:
— E agora, mademoiselle, gostaria de começar? — Ele levanta o braço, formando um arco, e faz uma reverência.
Sorrio, de mãos dadas com ele enquanto me conduz pelo campo e entramos naquele lindo pavilhão, um edifício tão lindo, tão bem trabalhado, que não consigo deixar de suspirar novamente.
— Que lugar é este? — pergunto, observando o piso de mármore polido, o teto abobadado repleto de afrescos maravilhosos de querubins iluminados de bochechas rosadas, além de outros seres celestiais.
Ele sorri, levando-me até um sofá creme tão macio e confortável que parece uma gigantesca nuvem de marshmallow.
— É seu presente de aniversário. E, coincidentemente, não apenas aniversário de nascimento.
Aperto os olhos, pensando, vasculhando uma série de lembranças, sem conseguir chegar a uma conclusão. Ainda não faz um ano que estamos juntos - pelo menos não nesta vida, então realmente não tenho ideia de que outro aniversário ele está falando.
— Oito de agosto — ele diz, vendo a expressão confusa em meu rosto.
— Oito de agosto de 1608, para ser mais exato, foi o dia em que nos encontramos pela primeira vez.
— É sério? — Tudo o que consigo fazer é respirar fundo, de tão chocada que fico com a informação.
— Sério. — Ele sorri, recostando-se na nuvem de almofadas e me puxando para mais perto. — Mas não precisa acreditar em minha palavra. Veja com seus próprios olhos. — Ele pega um controle remoto na mesa à nossa frente e aponta para a grande tela circular que cobre toda a parede da sala.
— Na verdade, não está limitada a ver, pode até vivenciar, se quiser, depende de você.
Olho de soslaio, sem saber aonde ele quer chegar, sem ter ideia do que está acontecendo aqui.
— Trabalhei nisso por muito tempo e acho que finalmente está pronto.
Pense em minha pequena invenção como um tipo de teatro interativo. Em que você pode ficar sentada, aproveitando a apresentação, ou entrar e participar. Você escolhe. Mas antes há algumas coisas que deve saber. Primeiro você não pode mudar o resultado, o roteiro é predeterminado, e, segundo... - Ele chega perto de mim e passa o dedo pelo meu rosto. __...aqui em Summerland todos os finais são felizes. Tudo o que foi até mesmo só um pouco trágico ou perturbador foi cuidadosamente omitido, então não se preocupe. Pode ter inclusive algumas surpresas. Eu tive.
— São surpresas reais ou foram criadas por você? — indago, aninhada em seus braços.
Ele rapidamente nega com a cabeça.
— Reais. Total e completamente reais. Minhas lembranças, como você bem sabe, são de muito tempo atrás, tanto que às vezes, bem, elas se misturam um pouco. Então decidi pesquisar um pouco nos Grandes Salões do Conhecimento, um tipo de curso de atualização, por assim dizer. E relembrei algumas coisas que tinha esquecido.
— Como, por exemplo...? — Olho brevemente para ele, antes de pressionar os lábios naquela região maravilhosa onde seu ombro encontra o pescoço, tranquilizada imediatamente pela quase sensação de sua pele e pelo perfume almiscarado.
— Como isso — ele sussurra, virando-me de forma que eu olhe para a tela, e não para ele. Nós nos aninhamos enquanto ele aperta um botão no controle e vemos a tela se iluminar, enchendo-se com imagens tão grandes, tão multidimensionais, que parece que estamos dentro dela.
E no momento em que vejo aquela praça movimentada, com as ruas de pedra e multidões de pessoas atarantadas como hoje em dia, como se todas tivessem de estar em algum lugar importante, sei exatamente onde estamos. Pode haver cavalos e carruagens no lugar dos carros, os trajes podem ser mais formais quando comparados às nossas roupas modernas e casuais, mas, pela enorme quantidade de vendedores anunciando mercadorias aos berros, as semelhanças são surpreendentes: estou olhando para um mini shopping do século XVII.
Olho para Damen, com uma pergunta estampada nos olhos, e vejo ele sorrir em resposta, enquanto me ajuda a me levantar. Ele me leva na direção da tela com tanta rapidez que sou obrigada a parar, convencida de que vou esmagar meu nariz contra ela. Mas ele se aproxima de mim e sussurra:
— Acredite.
E é o que eu faço.
Mergulho no escuro e continuo andando, diretamente para dentro da tela de cristal, que instantaneamente suaviza, cede e nos dá as boas-vindas. E não somos apenas coadjuvantes com roupas estranhas, mas, com vestes apropriadas à época, nós dois chegamos para assumir os papéis principais.
Olho para minhas mãos, surpresa por estarem tão ásperas e calejadas, embora as reconheça imediatamente de minha vida parisiense, quando era Evaline, uma simples criada com uma vida monótona de trabalho manual até Damen aparecer.
Passo os olhos pela frente de meu vestido, sentindo a coceira provocada pelo tecido, observando o corte modesto e sério que resulta em um caimento nem um pouco lisonjeiro. Mas está limpo e bem-passado, então tento me orgulhar um pouco dele. E mesmo que meus cabelos louros estejam trançados, enrolados e presos, um ou dois cachos ainda escapam.
O vendedor fala comigo em francês, e, embora eu saiba que estou apenas representando um papel, que não falo essa língua, de alguma forma consigo não apenas entender, como também responder. Reconhecendo-me como uma de suas clientes mais exigentes, ele me entrega um tomate vermelho e diz que é o melhor que tem. E observa enquanto o viro várias vezes na palma da mão, inspecionando a cor e a firmeza. Confirmo minha aprovação e procuro o dinheiro na bolsinha quando alguém tromba em mim de forma tão abrupta que o tomate escorrega de minha mão e cai no chão.
Olho para meus pés com dor no coração quando vejo aquela meleca vermelha toda espalhada. Sabendo que me custará muito, que os funcionários da cozinha nunca concordarão em encobrir o fato de que desperdicei um tomate, viro-me para dizer uma palavra de reprovação e vejo que é ele.
Aquele dos cabelos escuros e brilhosos, do olhar luminoso e penetrante, das roupas maravilhosamente bem-cortadas e da melhor carruagem que já passou por essas partes, exceto a da rainha. Aquele que chamam de Damen... Damen Auguste. Aquele com quem aparentemente tenho dado de cara muitas vezes nos últimos tempos.
Levanto minhas saias e me ajoelho no chão, esperando salvar o que puder, mas logo sou impedida por sua mão em meu braço, um toque que envia uma onda de formigamento e calor até meus ossos.
— Pardon— ele murmura, inclinando-se diante de mim, e cuida para que o vendedor seja reembolsado pela perda.
Mesmo intrigada, mesmo com o coração batendo loucamente, pulsando contra o peito, mesmo com aquela sensação estranha de formigamento e calor persistente, viro-me e vou embora. Estou certa de que ele está apenas brincando comigo, dolorosamente consciente de que é bom demais para mim. Mas ele me alcança e diz:
— Evaline... espere!
Eu me viro e olho em seus olhos, sabendo que continuaremos neste jogo de gato e rato, pelo menos devido às convenções sociais. Mas também sei que uma hora, se ele continuar, se não ficar entediado ou perder o interesse, ficarei feliz em me render, não há dúvida quanto a isso.
Ele sorri e coloca a mão em meu braço, pensando: Foi assim que começamos, e assim continuamos por algum tempo. Podemos adiantar para as partes boas?
Digo que sim e, quando vejo, estou diante de um grande espelho com moldura dourada, olhando para a imagem refletida diante de mim. Noto que meu vestido simples e feio foi trocado por um de tecido tão rico, tão macio e sedoso que praticamente desliza por meu corpo. Seu decote profundo é a vitrine perfeita para minha pele pálida e uma quantidade generosa de joias tão brilhantes que mal consigo ver outra coisa.
Ele está atrás de mim, chamando minha atenção e sorrindo em tom de aprovação. Não consigo deixar de pensar em como cheguei até aqui, como uma empregada pobre e órfã como eu acabou em um lugar tão grandioso, com um homem tão lindo, tão... Mágico... Que é quase bom demais para ser verdade.
Ele me estende a mão e me conduz até uma mesa para dois, arrumada com extravagância. O tipo de mesa que estou mais acostumada a servir. Mas, agora, com Damen a meu lado, e seus empregados dispensados, vejo-o erguer uma jarra de cristal lentamente, com tanta hesitação, com a mão tão trêmula, que fica claro que há uma batalha interna sendo travada ali.
Ele olha, desconcertado, em meus olhos. Franze ligeiramente a testa, coloca a jarra de volta na mesa e então escolhe a garrafa de vinho.
Fico ofegante, com os olhos arregalados, a boca aberta, mas as palavras não saem... a compreensão daquele mero ato faz com que de repente eu me dê conta. Você quase fez! Chegou tão perto. Por que parou? Sei que se ele tivesse ido em frente, se tivesse me servido o elixir no início... Tudo teria sido diferente.
Cada. Único. Detalhe.
Drina nunca teria me matado, Roman nunca teria me enganado e Damen e eu teríamos vivido felizes para todo o sempre. Praticamente o oposto do que vivemos agora.
Seus olhos buscam os meus, o olhar é inquisitivo e penetrante. Ele balança a cabeça e pensa: Eu estava tão inseguro... Não sabia se você aceitaria... Não achei que tinha o direito de obrigá-la. Mas não foi por isso que trouxe você aqui. Minha única intenção era mostrar que sua vida em Paris, por mais dura que tenha sido, não era só sofrimento. Tivemos nossa cota de momentos mágicos... Momentos como esse... e teríamos mais, se não fosse por...
Ele deixa essa parte no ar. Ambos sabemos como termina. Antes mesmo que possa erguer minha taça para brindar, o jantar acabou e ele me acompanha até em casa. Levando-me pelos fundos, paramos um pouco antes da entrada dos empregados, onde passa os braços ao redor de minha cintura e me puxa para mais perto, beijando-me com tanta paixão, tanta profundidade, que não quero que acabe nunca. A sensação de seus lábios nos meus é tão suave e insistente, tão calorosa e convidativa, que mexe com algo dentro de mim... Algo tão familiar... Algo tão... Real...
Eu me afasto com os olhos arregalados, mirando os dele enquanto passo os dedos por meus lábios macios e exuberantes, pela parte de meu rosto arranhada por sua barba por fazer. Não há campo de energia entre nós, nenhum véu protetor. Nada além da gloriosa sensação de sua pele na minha.
Ele sorri, tocando em minhas bochechas, descendo pelo pescoço, pela clavícula, e rapidamente substitui os dedos pelos lábios. É real, ele pensa. Não é necessário nenhum escudo. Não há perigo aqui.
Olho para ele, minha mente cheia de possibilidades. É... É realmente possível ficarmos juntos... Agora... Aqui? Fico esperançosa.
Mas ele respira fundo e entrelaça os dedos nos meus, tocando-me de um jeito que não vivenciávamos há meses, e pensa: Acho que isso é apenas uma encenação do passado. É possível editar o roteiro, mas não mudá-lo, improvisar ou acrescentar experiências que nunca aconteceram.
Faço um gesto indicando que entendi, triste com a informação, mas ávida por começar de novo, puxando-o de volta para perto de mim e pressionando meus lábios contra os dele, determinada a ser feliz com o que nos é permitido, pelo tempo que restar.
Então nos beijamos na porta de serviço... Ele vestindo um colete de tecido fino, e eu, minha roupa simples de empregada.
Nós nos beijamos nos estábulos. Ele com a vestimenta inglesa completa de caça, e eu, com calças justas de montaria, um casaco vermelho bem-ajustado e botas pretas e lustradas.
Nós nos beijamos à beira do rio. Ele vestindo camisa branca lisa e calças pretas, e eu, uma roupa nem um pouco lisonjeira de puritana.
Nós nos beijamos em um campo de tulipas tão vermelhas que combinam quase perfeitamente com meus cabelos de fogo ondulados. Ele vestindo uma camisa fina branca e calças largas, e eu, um lençol de seda rosado, estrategicamente amarrado. Fazemos um intervalo antes que ele continue a me pintar, acrescentando um toque aqui e uma pincelada ali. Ele larga o pincel, puxa-me para perto dele e me beija novamente.
Todas as minhas vidas são tão diferentes e, ainda assim, terminam quase do mesmo jeito: nós dois nos encontramos e nos apaixonamos rapidamente, apenas para Damen, determinado a não agir por impulso e a conquistar minha confiança antes de me oferecer o elixir, hesitar por tempo demais e dar oportunidade a Drina para tomar conhecimento da situação e me eliminar.
Por isso você não perdeu tempo quando me encontrou depois do acidente, penso.
Envolvida no calor de seus braços, apertando o rosto contra seu peito, vendo o momento de sua perspectiva - como ele me descobriu aos dez anos (graças a uma ajudinha de Romy, Rayne e Summerland) e como viveu os anos seguintes, esperando que passasse tempo suficiente, e se mudou para Eugene, no Oregon. Havia acabado de se matricular em minha escola quando aconteceu o acidente que destruiu todos os seus planos.
Vejo-o naquela cena. Vejo como hesita, aflito, implorando por uma orientação, em pânico quando o cordão prateado que liga o corpo à alma ficou tão tenso, tão fino, que se rompeu, fazendo-o tomar instantaneamente a decisão de colocar a garrafa em meus lábios e me forçar a tomar, a voltar à vida, a me tornar imortal como ele.
Algum arrependimento? Ele olha para mim, insistindo para que eu seja sincera, independentemente da resposta.
Mas eu faço que não, sorrindo e puxando-o de volta para perto de mim, de volta para aquele campo vermelho e resplandecente de um dia muito tempo atrás.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!