2 de novembro de 2015

Vinte e cinco

Ela o balança diante de mim. Os cristais brilham, provocam, deixando-me vulnerável, exposta, indefesa e limitada. Joga o amuleto para trás enquanto o som agudo e nauseante de sua risada ecoa pelo recinto.
Jude grita, mãos e pés postos, mas ele não é páreo para ela. Com um mero movimento do pulso, ela o empurra para longe, sem nem notar enquanto ele voa pela loja e choca-se contra a parede.
Nem se dá conta do som de ossos quebrando e estalando quando ele desmorona no chão, uma pilha humana triste e retorcida.
Por mas que eu queira correr para ele e ver se está tudo bem, fico sem ação. Não posso fazer nada. Ela só iria me seguir, e não posso arriscar que chegue perto dele. Pela segurança dele, preciso mantê-la focada em mim.
Ainda assim, olho para ele, pedindo mentalmente que crie o portal, que seja rápido enquanto ainda pode, esperando que, de algum modo, ele possa me ouvir. Não consigo saber se a recusa em colaborar deve-se à gravidade de seus ferimentos, uma mascara pavorosa de agonia em seu rosto e um filete de sangue escorrendo de sua boca, ou ao fato de se recusar a me deixar sozinha com ela, determinado a ficar a meu lado, custe o que custar.
Ela se move em minha direção, tentando parecer lenta e intimidadora, mas tem a aparência instável e trêmula. O que, verdade seja dita, é muito mais irritante do que se ela se movesse com determinação. É impossível ler sua aura, adivinhar o que fará em seguida, quando nem ela mesma sabe.
Ela toma impulso e ergue o punho em um arco, mirando-o em mim. Mas desvio na mesma velocidade, driblo o golpe e vou para o outro lado do recinto, fazendo-a se virar e vir atrás de mim novamente. Sua língua pressiona a bochecha e sua energia se alimenta da raiva e cresce e se expande de tal modo que faz a luz piscar, o piso ceder e todos os vidros, inclusive o do balcão, estilhaçarem.
Segue-me sem obstáculos até o outro lado e diz:
— Boa tentativa, Ever. Mas, acredite, você está apenas adiando o inevitável. Cada vez que foge de mim, só torna a situação toda mais divertida. Além disso, não tenho pressa, posso ficar neste jogo o dia todo se você quiser. Mas deveria saber que, quanto mais isso se arrastar, mais ele... — Ele aponta o polegar para trás, para onde Jude está caído e mal consegue respirar. — Bem, mais ele sofrerá.
Trinco os dentes e aperto os lábios com força. Estou cansada de tentar argumentar com ela.
Fiz tudo o que podia. E agora é hora de colocar meu treinamento em prática.
Ela me ataca novamente, mas está tão desestabilizada que eu apenas dou um passo para o lado no último instante, fazendo com que ela se choque contra um mostruário de CDs de tal forma que cai no chão junto com eles. Ela aterrissa na pilha de cacos de vidro que quebrou antes, deixando as paredes manchadas de sangue quando o vidro penetra profundamente em sua pele.
Ela apenas ri e deita de costas, arrancando os cacos de sua pele rasgada. Seus olhos brilham enquanto as feridas se fecham, ela se levanta, bate a poeira e volta a me encarar.
— Qual é a sensação de saber que morrerá em breve? — ela pergunta com a voz irregular, perturbada, revelando os efeitos de seus esforços.
Eu apenas olho para ela, ergo os ombros e digo:
— Não sei. Diga você.
Recuo apenas um pouco, percebendo tarde demais que estou encurralada contra a parede — o que não é o melhor lugar para estar quando preciso me manter livre, desimpedida, com espaço para escapar. Mas pretendo ficar aqui por pouco tempo, apenas até chegar ao outro lado, onde está meu amuleto. Assim que conseguir botar as mãos nele, ele votará diretamente para meu pescoço e eu farei de tudo para acabar com esta história.
Ela está parada diante de mim, braços soltos, dedos inquietos, pés plantados no chão e joelhos levemente flexionados — preparando-se para se mover, preparando-se para atacar a presa.
Aproveito o momento para estuda-la com atenção, sentir sua energia e tentar prever seu próximo passo. Mas ela está tão desorientada, tão fora de si e desconectada de qualquer coisa, que é como tentar ver através de uma nuvem de estática: é impossível decifrá-la.
Então quando ela ataca, descendo o punho com um golpe na direção de meu estômago, movimento-me instantaneamente para bloqueá-lo.
Nunca imaginei que ela mudaria no último instante.
Nunca imaginei que alguém tão fisicamente debilitado e emocionalmente instável pudesse fazer uma manobra como aquela.
Capto o triunfo enlouquecido em seus olhos quando seu punho se enterra em minha garganta.
Acertando-me bem no ponto central — meu quinto chacra —, o núcleo da falta de discernimento, mau uso da informação e confiança nas pessoas erradas.
O golpe é tão forte e rápido que leva um segundo para que eu me dê conta do que aconteceu.
Leva um segundo até que eu esteja dominada por uma dor lancinante.
Leva um segundo até que eu esteja fora de meu corpo, flutuando, serpenteando, olhando para baixo e vendo o olhar atravessado de Haven, a forma desmoronada de Jude e a bela porém efêmera nuvem azul que se expande a meu redor... Até que tudo encolhe e entra em colapso e o mundo escurece.

5 comentários:

  1. Nãoooooooooooooooo! Não pode ter acontecido!

    ResponderExcluir
  2. HAVEN SUA PROSTITUTA!VOLTA PRO TARTARO!

    ResponderExcluir
  3. que b***a é essa não entendi nada... Como assim e agora o que vai ser do resto da historia sem ela.

    Ass:Claudia

    ResponderExcluir
  4. CADÊ O DAMEN?Eu sinto que esse ñ éh o fim da Ever...

    ResponderExcluir
  5. naoo creio que isso aconteceu...
    ever se achando a tal e nao aguento nada..... ela volta? neh ? se nao perde tda a graça !!!

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!