2 de novembro de 2015

Sete

Examino seus olhos, seu rosto, ciente de que tenho poucos segundos para escolher entre passar por ela e sair, dando a nós duas o tempo necessário para nos acalmarmos, ou ficar bem aqui e tentar conversar com ela, ou pelo menos deixá-la acreditar que “ganhou” dessa vez.
Meu silêncio fornece todo o encorajamento de que ela precisa para retomar de onde parou.
— Está mesmo querendo me dizer que você e Damen não têm segredos? — Seu tom combina perfeitamente com o desprezo em seu rosto. — é sério? Nenhunzinho? — Ela joga a cabeça para trás e ri, expondo um pescoço alvo e cheio de joias e parte de uma tatuagem colorida de Ouroboros que some e ressurge, parecida com a que Roman tinha, e Drina antes dele, só que a de Haven é bem menor e pode ser facilmente escondida pelos cabelos longos. Sua confiança foge a todos os parâmetros, confundindo meu silêncio com apreensão e medo, quando diz:
— Ah, por favor. — ela bate os cílios. — Não se engane nem tente me enganar. Seiscentos anos é um tempo extremamente longo, Ever. Tão longo que é impossível para qualquer uma de nós imaginar. Porém é mais do que suficiente para acumular alguns segredinhos sujos, certo?
Ela sorri, seus olhos desvairados. Sua energia é tão frenética, tão intensa, tão afetada, que meu único objetivo é mantê-la sob controle. Impedi-la de começar algo de que certamente se arrependerá.
— Nada disso me preocupa — digo, tomando cuidado para manter a voz baixa e estável. — Nosso passado pode nos moldar, mas não nos define. Então não há motivo para prolongar o assunto mais que o necessário.
Tento não recuar quando ela franze a testa e vira em minha direção. Seu rosto está tão perto do meu que posso sentir a explosão do seu hálito gelado em minha face, posso ouvir o barulho dos brincos balançando nas orelhas, as longas fileiras de pedras batendo umas contra as outras.
— Verdade. — Ela passa os olhos por mim. — Mas, bem, algumas coisas nunca mudam. Alguns... Apetites... Apenas ficam cada vez maiores, se é que me entende.
Sigo novamente na direção das pias, apoio o quadril em uma delas enquanto olho para Haven e suspiro. Quero que ela veja que estou entediada com tudo isso, mas não a afeto nem um pouco. Ela não está nem aí. Este é seu palco, eu sou sua plateia, e este show em particular está muito longe de terminar.
— E isso nunca a preocupa? — Ela vem em minha direção, diminuindo em alguns passos a distância entre nós. — O fato de nunca ser capaz de satisfazê-lo de verdade de modo como ele, bem, ou qualquer outro cara, realmente necessita?
Tento — quero — desviar os olhos, mas algo não deixa. Ela não deixa. De algum modo, ela está me prendendo.
— Você nunca tem receio de que ele se canse de toda essa abstinência e angústia, a ponto de não ter escolha senão dar uma escapadinha para... Hum, aliviar-se um pouco, por assim dizer?
Eu respiro. Apenas olho para ela e respiro. Concentro-me na luz que mora dentro de mim e faço o possível para não entrar em pânico com essa perda repentina de controle.
— Porque, se eu fosse você, estaria preocupada. Muito preocupada. O que você está exigindo dele, bem, é simplesmente... Anormal, não é? — Ela esfrega as mãos nos braços, estremecendo como se fosse algo muito terrível, muito inimaginável, como se de alguma forma a afetasse mais que a mim.
— Ainda assim, desejo a vocês tudo de bom, pelo menos enquanto durar.
Ela me libera de seu olhar fixo, mas continua a me analisar, entretida pela forma como meu corpo acaba de estremecer involuntariamente, como tento não deixá-la notar o quanto me perturbou.
Ela dá um sorriso de sarcasmo enquanto me olha e diz:
— Qual é o problema, Ever? Você parece um pouco... Chateada.
Concentro-me em respirar lenta e profundamente, mais uma vez pensando as opções de dar o fora ou deixá-la continuar. Escolho ficar e tenho a esperança de colocar algum bom-senso de volta em sua cabeça quando penso: É sério? É isso? Você me convoca até o banheiro para demonstrar suas preocupações com Damen e minha vida sexual? Eu suspiro e balanço a cabeça, como se estivesse com preguiça até mesmo de reunir forças para falar em voz alta.
Está mais para falta de vida sexual. Ela ri, encarando-me e revirando os olhos.
— Acredite, Ever, tenho planos muito maiores, como sabe. E, graças a você, tenho tempo e poder para realizá-los! — Ela inclina a cabeça para o lado e olha para mim. — Lembra o que eu disse da ultima vez que a vi? Na noite em que matou Roman?
Começo a negar, mas ao mesmo tempo me forço a parar. Não há sentido em repetir tudo.
Ela não mudará de ideia. Apesar da confissão de Jude, ela ainda prefere me considerar igualmente responsável por aquele incidente, e não há nada que eu possa fazer a respeito disso.
— O fato de não ter dado o golpe não quer dizer que não seja cúmplice. Não a torna menos colaboradora. — Ela sorri, mostrando por um momento os dentes de um branco estonteante quanto chuta novamente cada uma das portas. Suas palavras são pontuadas por uma série de batidas, estrondos e pancadas quando diz: — Não foi isso o que disse à sua grande amiga Honor agora há pouco? Por que a verdade é que você estava bem ali quando ele invadiu, e não fez nada para impedi-lo. Apenas ficou lá parada, deixando as coisas acontecerem, sem mover um dedo sequer para salvá-lo. E isso a torna tanto cúmplice quanto colaboradora. Só estou usando seu próprio argumento contra você.
Ela para e se vira, olhando em meus olhos, esperando que as palavras entrem em minha cabeça, querendo que eu saiba que ela não apenas está espionando minhas conversas, mas também que é capaz de muito mais que isso.
Levanto as mãos na minha frente, com as palmas viradas para ela em um gesto de paz, esperando acabar com isso antes que seja tarde demais.
— Não precisamos fazer isso. — Olho atentamente para ela. — Você não precisa fazer isso. Não há motivo para não podermos simplesmente... Coexistir. Não há motivo para continuar com isso...
Mal tenho tempo de terminar e sua voz se sobrepõe à minha, os olhos escurecem, o rosto fica tenso e ela diz:
— Nem se dê o trabalho. Não vai me fazer mudar de ideia.
Cada palavra que ela diz é sincera. Posso ver em seus olhos. Apesar disso, a aposta é muito alta, deixando-me sem opção a não ser tentar.
— Certo, tudo bem. Então está determinada a cumprir sua ameaça e acha que não posso impedi-la. Que seja! Isso é o que veremos. Mas, antes que faça algo de que sem dúvida se arrependerá, precisa saber que está perdendo seu tempo. Caso não tenha entendido, eu fiquei tão mal quanto você em relação ao que aconteceu a Roman. Embora eu saiba que é difícil acreditar, essa é a mais pura verdade. Embora não possa desfazer o que ocorreu, embora eu tenha sido lenta demais para impedir Jude, nunca tive a intenção de que aquilo acontecesse. Nunca quis que acontecesse. No final, entendi melhor quem Roman realmente era, o que o motivava, por que optou pelas atitudes que tomou.
E por isso eu o perdoei. Foi por isso que fui falar com ele, para explicar de uma vez por todas que estava cansada de brigar, que queria uma trégua. E o havia convencido, havíamos concordando em trabalhar juntos quando Jude entrou, entendeu tudo errado... E... Bem, você sabe o que aconteceu depois. Mas, Haven, eu nunca imaginei que aquilo fosse acontecer. Se tivesse, teria impedido. Nunca teria deixado as coisas se desenrolarem daquele jeito. Quando percebi o que estava se passando, já era tarde demais para fazer qualquer coisa para impedir. Foi um trágico mal-entendido, nada além disso. Não foi desonesto, não foi premeditado, não foi nada do que está pensando. — faço um gesto afirmativo com a cabeça sem estar totalmente convencida, mas ainda assim desesperada por convencê-la.
Venho remoendo isto desde aquela noite: se Jude entendeu realmente mal a situação e estava apenas tentando me proteger, ou se tinha em mente um plano muito mais obscuro, de me impedir de conseguir o antídoto, para que ele pudesse finalmente ter uma chance comigo após centenas de anos de rejeição. E ainda não cheguei a conclusão alguma.
— Ele imaginou que eu estivesse em perigo, fora de mim, dominada por magia negra. Agiu de forma puramente instintiva, nada mais, nada menos. É sério, pode dirigir toda a raiva que quiser a mim, mas, por favor, deixe Jude fora disso, certo?
No entanto, mesmo tentando ao máximo convencê-la, minhas palavras não surtem efeito.
Apenas escorrem por ela como chuva em uma vidraça, deixando um leve rastro para trás, mas recusando-se a penetrar.
— Se você quer proteger Jude, o problema é seu. — Ela dá de ombros, como se ele fosse tão descartável quanto uma boy band do ano passado. — Mas acho que deveria saber que há apenas um modo de fazer isso: obrigando-o a tomar o elixir. Ou não será uma briga justa. Ele nunca sobreviverá. Nunca sobreviverá a mim. — Ela se vira novamente para as portas, chutando-as em uma sequência tão rápida que é como um borrão de velocidade e som, enquanto balanço a cabeça e observo.
Não tenho intenção alguma de transformar Jude ou qualquer outra pessoa. Mas, mesmo que não consiga a deixá-lo em paz, ainda há mais uma coisa que posso dizer. Algo que tenho certeza de que ela não sabe, algo que provavelmente irá fazer com que fique ainda mais nervosa, mas que, ainda assim, precisa ouvir. Precisa saber o que seu suposto amado Roman havia planejado.
— É o seguinte — digo com o olhar calmo, estável, querendo que ela saiba que não estou nem um pouco impressionada ou intimidada por seu showzinho de chutes nas portas. — O único motivo pelo qual não lhe contei isso antes foi porque não vi necessidade e não queria magoá-la ainda mais. Mas a verdade é que Roman estava planejando ir embora. — Meu olha sonda o dela, vendo-a encolher-se bem de leve, mas ainda o suficiente para que eu perceba, o bastante para me convencer a continuar a todo o vapor. — Ele estava voltando para Londres. Para a boa e velha Inglaterra, como a chamava, e que não sentiria falta dela de jeito nenhum... Nem de nada daqui.
Ela engole em seco e tira a franja dos olhos. Dois de seus cacoetes, o que prova que não está tão melhor e renovada afinal, que boa porção de suas antigas inseguranças e dúvidas ainda permanecem ali. Mas, ainda demonstrando uma falsa ousadia, diz:
— Boa tentativa, Ever. Patética, mas certamente valeu à tentativa, certo? Pessoas desesperadas tomam atitudes desesperadas, não é o que dizem? Imagino que, se alguém sabe bem disso, esse alguém é você.
Levanto os ombros e entrelaço as mãos diante de mim como se fôssemos apenas duas boas amigas desfrutando uma conversa agradável.
— Pode negar quanto quiser, mas isso não muda a verdade. Ele me contou naquela noite, contou tudo. Estava se sentindo limitado, sufocado, disse que precisava fugir de tudo isso. Ir a algum lugar maior, mais empolgante. Um lugar onde pudesse ficar livre da loja, de Misa, de Rafe, de Marco e ah, é claro, de você.
Ela coloca as mãos nos quadris, lutando para parecer forte, durona, completamente inabalável, mas seu corpo diz outra coisa, traindo-a com um leve tremor.
— Ah, é claro. — ela faz cara feia, dedilhando nos quadris e revirando os olhos dramaticamente. — Então devo acreditar que Roman escolheria confessar tudo isso a você, e não mencionar nada a mim, a pessoa com que estava dormindo? É sério, Ever, isso é absolutamente patético e ridículo. Até mesmo para você.
Eu apenas dou de ombros, certa de que está funcionando, de que minhas palavras estão atingindo Haven. Analiso-a, estudo-a com cuidado, sabendo que posso estar exagerando, enfeitando um pouco aqui e ali, mas que a ideia central é a mesma. Ele planejava dispensá-la, e ainda assim ela está empenhada em destruir Jude e a mim por causa dele.
— Ele sabia que você faria um drama se lhe contasse, e você sabe como ele odiava esse tipo de coisa. Ninguém está dizendo que ele não gostava de você, Haven. Quer dizer, tenho certeza de que gostava. No mínimo, ter sua companhia era um modo agradável de passar o tempo. Mas não se engane: Roman não a amava. Ele nunca a amou. Você mesma disse isso. Lembra quando disse que em todo relacionamento sempre há um que ama mais que o outro? Não foi isso o que disse? E ainda admitiu que, em seu caso, era você. Você amava Roman e ele não a amava. Mas não é culpa sua, então não leve isso muito a sério nem se martirize. A verdade é que Roman era completamente incapaz de amar qualquer pessoa, ele nunca conheceu a amor. O mais próximo que chegou disso foi o que sentiu por Drina. Mas, mesmo assim, não era amor. Era mais uma obsessão. Ela era praticamente a única coisa sobre a qual ele conseguia pensar. Lembra-se dos lapsos obscuros dele, como costumava chamar? Quando ele se trancava no quarto por horas a fio? Sabe o que ele ficava fazendo? Ficava tentando se reconectar com a alma dela, para não se sentir tão sozinho no mundo. Ela foi a única pessoa com quem ele realmente se preocupou durante todos esses seiscentos anos. O que, sinto muito dizer, praticamente reduz você a pouco mais que outro furo no cinto dele.
Ela está quieta, muito quieta, e começo a me sentir mal, imaginando que fui longe demais. Ainda assim, prossigo até o ponto aonde queria chegar:
— Você está jurando vingança pela perda de um cara que planejava dispensá-la na primeira oportunidade.
Ela fica furiosa, os olhos tão semicerrados que mal posso vê-los, as sobrancelhas unidas enquanto a safira em sua testa emite um brilho sombrio e assustador. Quando vejo, todas as torneiras estão jorrando, os recipientes de sabonete líquido estão escorrendo, as descargas são acionadas, os secadores de mãos estão soprando, enquanto pacotes de papel higiênico flutuam pelo banheiro e batem nas paredes.
Mesmo estando claro que ela está fazendo tudo isso acontecer, não há como saber se é intencional ou se é resultado de uma raiva descontrolada que despertei.
Mas, de qualquer forma, não me acovardo. Agora que sei que está funcionando, não tenho escolha senão continuar.
Ando pela fileira de pias, fecho cada uma delas calmamente e digo:
— Essa vingança não faz o menor sentido. Seu grande romance com Roman não passou de, bem, como ele mesmo diria, algumas transas medíocres, cara. — Olho para ela, acrescentando um pequeno sorriso à minha excelente imitação de sotaque britânico. — Então por que perder seu tempo vigando um passado que nunca existiu, quando tem o futuro que quiser bem diante de si?
Mal tenho tempo de terminar e ela está em cima de mim.
Bem em cima.
Desferindo um golpe que me lança ao outro lado do banheiro, até a parede de azulejos cor— de—rosa. Minha cabeça bate com tanta força que o baque ecoa por todo o lugar enquanto um rastro de sangue morno escorre do ferimento até meu vestido.
Eu vacilo, balanço para a frente e para trás. Cambaleante, lutando para retomar o foco, o equilíbrio, mas tão trêmula, tão confusa e instável que não consigo retirar os dedos em meu ombro, que me imobilizam.
Seu rosto está a apenas alguns centímetros do meu quando ela diz:
— Não se engane, Ever, não estou jurando vingança só por Roman... Quero me vingar de você.
— Seu olhar é penetrante, lançando-me tanto ódio que nada posso fazer além de me virar e fechar os olhos. Estou ciente de seu hálito gelado em meu rosto, seus lábios perto de minha orelha, enquanto ela aproveita para se apoiar sobre mim e saborear sua vitória.
Os rolos do papel higiênico voltam ao lugar, as descargas se acalmam, os secadores param, enquanto litros de sabão se infiltram lentamente no cimento do chão. Sua voz é um sussurro rouco e áspero a apenas alguns centímetros de distância.
— Você me tirou tudo o que tinha algum significado para mim. E também me transformou no que sou hoje. Então, se alguém aqui tem culpa disso, é você. Você fez de mim o que eu sou. E agora você decide que você não gosta do que está vendo e você está determinada a me impedir? — Ela se inclina para me observar melhor, deixando os dedos perigosamente perto do amuleto pendurado em meu pescoço. — Bem, é uma pena! — Ela ri, batendo com os dedos nas pedras e deixando todo o meu corpo tenso. — Você escolheu me dar o elixir, você escolheu me transformar, você escolheu me fazer exatamente como sou. Agora não tem volta.
Ela me desafia a negar, desafia-me com os olhos. Mas não posso encará-los. Estou ocupada demais desejando que a tontura acabe, ocupada demais implorando para melhorar.
Esforçando-me a cada respiração, as palavras saem por entre dentes cerrados:
— Você não está apenas delirando, está errada. — Encho os pulmões de ar e cerco-me de luz branca, sabendo que preciso de toda a ajuda que puder. As coisas não estão saindo nem um pouco como planejei.
Confundi sua baixa estatura com falta de força... Julguei mal o poder do ódio, juntamente com a energia que cresce dentro dela, abastecendo-a com uma fúria aparentemente infinita.
Tomo cuidado para manter a expressão neutra, o tom estável, sem querer alertá-la sobre o estado de terror que acaba de tomar conta de mim.
— Posso tê-la tornado imortal, mas o que vai fazer com isso depende apenas de você. — As palavras me lembram da cena que materializei ontem, só que esta vista não se parece com aquela vitoriosa que ensaiei.
Então, de uma hora para outra, eu sinto. Estou de volta. Minha ferida está curada. Minha força, recuperada. Só de olhar em seus olhos, sei que ela sente também.
E, de uma hora para outra, está acabado.
Ela já me empurrou.
Já alcançou a porta.
Olhando para trás, diz:
— Ei, Ever, antes que saia por aí me dando sermão sobre perdão, talvez devesse dar uma olhada em volta. Há milhares de coisas que não sabe sobre Damen. Coisas que ele não confessaria por conta própria. É sério. Você deveria dar uma olhada.
Eu não respondo. Deveria, eu sei, mas as palavras não vêm.
Meu olhar está fixo no dela quando acrescenta:
— O perdão, Ever, pense nisso. É tão fácil pregar e tão difícil praticar. Talvez devesse se perguntar se você é realmente capaz disso. Pode mesmo perdoar os pecados do passado de Damen? É o que eu gostaria de saber. E é só por isso que eu a estou deixando viver agora. Só por isso que pretendo deixá-la por aí um pouco mais de tempo. No mínimo, será interessante de assistir. Mas não se engane, assim que começar a me chatear, ou a me irritar, bem, sabe como é...
Quando percebo, ela já se foi.
Mas suas palavras continuam a reverberar ao meu redor.
Provocando.
Zombando.
Recusando-se a se dissiparem enquanto me ocupo lavando o sangue de meu cabelo e materializando outro vestido.
Preparando-me para ver Damen, que, sem dúvida, ainda está me esperando.
Desesperada para enterrar a prova do que acabou de acontecer, juntamente com as dúvidas que me corroem por dentro.

Um comentário:

  1. Eeeeeeeeeeeeee a vencedora do primeiro Round foiiiiiiiii..... Haver!
    Tava torcendo para a Ever mais sabia a Haver verceria...

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