2 de novembro de 2015

Seis

— Como ele está?
Eu atirei minha revista sobre a pequena mesa ao meu lado e me levantei. Cuidadosamente abordando a enfermeira ao invés de Jude, desde que uma simples olhada foi tudo que levou para perceber que ambos de seus braços estavam agora pesadamente enfaixados, sua aura vermelha com fúria e suponho raiva, e o olhar cruel nos seus olhos estreitos é de algum modo um indício. Ele claramente não quer mais nada comigo.
A enfermeira parou, seu olhar percorrendo os sessenta e oito centímetros entre minha cabeça e meus dedos.
Examinando-me tão de perto que eu não posso evitar me aninhar com medo - não posso evitar imaginar o que exatamente Jude disse a ela.
— Ele vai conseguir.— ela diz, voz firme, eficiente, mas nem um pouco amigável — O corte percorreu todo caminho até o osso, chegando até a entalhá-lo, mas estava limpo. E se ele tomar seus antibióticos vai continuar dessa maneira. Ele sentirá uma boa quantidade de dor, mesmo com os remédios que dei a ele, mas se ele tornar mais fácil, tendo um bom descanso, vai estar melhor em algumas semanas.
Seu olhar se moveu até a porta e eu o segui. Bem a tempo de ver dois membros uniformizados de Laguna Beach na minha direção, seus olhos passando entre mim e Jude e parando quando a enfermeira acenou afirmativamente.
Eu congelei, engolindo apesar do nó em minha garganta enquanto alinhava os ombros, encolhendo sobre o brilho escuro do hostil olhar de Jude. Sabendo que eu merecia cada bocado de sua ira, merecendo ser algemada e arrastada — mas ainda sim — eu não achava que ele o faria. Eu não acho que ele chegaria a isso.
— Então, há algo que você queira nos dizer?— eles estão diante de mim, pernas afastadas, mão na cintura, olhos escondidos pelas lentes espelhadas que me refletiam.
Eu olhei entre a enfermeira, Jude e os policiais sabendo que era isso. Era isso que ia acontecer. E apesar de todo o problema em que eu estava metida, tudo em que eu conseguia pensar era: A quem vou recorrer na minha única ligação?
Quero dizer, não é como se eu pudesse pedir a Sabine por seu advogado para me tirar dessa — eu não iria tão baixo, e não é como se eu pudesse explicar isso para Damen também. É claramente um dilema que eu tinha que lidar sozinha...
E eu estava a ponto de limpar minha garganta, a ponto de dizer algo, qualquer coisa, quando Jude se apressou e disse,
— Eu já disse a ela — ele acenou para a enfermeira— Foi um reparo em casa que deu errado. Não soube o limite. Acho que vou definitivamente ter que contratar um “faz-tudo” agora.— ele forçou um sorriso, forçando seu olhar a encontrar o meu. E mesmo querendo sorrir de volta, acenar de acordo e interpretar junto, eu estava tão chocada pelas palavras dele, em minha defesa, que tudo que posso fazer é continuar lá boquiaberta.
Os policiais suspiraram, obviamente infelizes por terem sido chamados por nada, mas fazendo uma última tentativa quando olharam para Jude e disseram, — Você tem certeza disso? Tem certeza que não tem nada mais? É meio loucura fazer um reparo em casa quando você está para contratar um... — sua cabeça rolando entre nós, obviamente suspeitando de algo, mas disposto a deixá-lo ir se assim for.
— Eu não sei o que dizer a você — Jude deu de ombros. — Talvez seja loucura, mas foi puramente alto-infligido.
Eles olharam severamente — para ele, para mim e para a enfermeira — e então balbuciaram algo sobre se ele decidisse mudar a história e colocaram um cartão no bolso dele. E no momento que eles foram embora a enfermeira colocou a mão sobre seus quadris bem malhados, franzindo as sobrancelhas para mim e disse:
— Eu dei a ele algo para a dor,— seu olhar ativo no meu, claramente não acreditando em uma palavra da história de Jude, me vendo claramente como uma ciumenta insana, completamente pirada e psicopata namorada que peguei ele em um acesso de raiva. — Isso deve passar rápido, então eu não o quero dirigindo, não que ele possa nessa condição— ela acenou em direção aos braços dele. — E certifique-se que ele receba essa prescrição — ela estava segurando um pequeno pedaço de papel, a ponto de entregá-lo para mim, até que ela pensou melhor e o arrancou de volta. — Nós queremos evitar qualquer chance de infecção, mas a melhor coisa que ele pode fazer agora é ir para casa e descansar. Ele provavelmente vai cair no sono logo, então eu espero que você o deixe sozinho e o deixe fazer apenas isso — ela franze a testa seu olhar como um desafio.
— Eu vou — mas eu estou tão assustada por seu jeito, pela polícia e pelas palavras de Jude me defendendo que as palavras saem como um chiado.
Sua boca estava inclinada para o lado em desagrado, obviamente relutante em deixar Jude sob meus cuidados ou a prescrição, mas ela tinha pouca escolha.
Eu segui Jude até lá fora, até o meu manifestado Miata, uma replica exata do que eu costumava dirigir.
Sentindo-me estranha, nervosa, dificilmente capaz de olhar em seus olhos.
— Apenas saia e vire a direita. — ele diz, voz baixa, grogue, não dando nenhuma indicação sobre o que ele estaria verdadeiramente pensando ou como está se sentindo sobre mim. E apesar de sua aura ter amenizado aparentemente, havia ainda um pouco de vermelho em suas bordas, um fato que apenas fala por ele mesmo. — Você pode me deixar na praia Main. Eu me viro a partir dali.
— Eu não vou te deixar na praia Main.— eu digo, aproveitando um feixe de luz para estudá-lo. E mesmo que esteja escuro lá fora, não havia maneira de não perceber a cavidade sob seus olhos, o brilho do suor em sua testa, dois inegáveis sinais de que ele estava sofrendo uma grande quantidade de dor, graças a mim.
— Sério, isso é só, ridículo. — eu balancei minha cabeça — Só me diga onde você mora e eu prometo te levar pra casa em segurança.
— Segurança?
Ele riu, uma espécie de riso irônico que vêm de algum lugar lá no fundo, seus braços machucados descansando em seu colo quando ele diz — Engraçado, você usou essa palavra duas vezes nos últimos cinco minutos, e para ser honesto, eu estou me sentindo tudo, menos seguro perto de você.
Eu suspiro, olhando para o céu sem estrelas, acelerando pouco deixando de lado meu pé de chumbo habitual de lado já que eu não quero assustá-lo mais do que eu já o tinha feito.
— Ouça, — eu digo, — Eu... Eu sinto muito! Realmente e verdadeiramente... sinto!— olhando para ele por tanto tempo, que ele acenou nervosamente para a rua.
— Uh, tráfego?— ele balança a cabeça — Ou você controla isso também?
Eu desviei o olhar e tentei pensar no que dizer.
— É aqui em cima, à esquerda. A de portão verde. Só estacione aqui e eu estou bem para seguir.
Eu faço como ele diz, parando perto de uma porta de garagem com o tom de verde igual ao do portão, desligando imediatamente o motor, o que o leva a dizer — Oh não. — Ele olha para mim. — Não tem necessidade disso, acredite em mim, você não está entrando.
Eu dou de ombros, olhando através dele, querendo abrir a porta de maneira antiga, ao invés da forma tele cinética, percebendo como ele estremece quando meu braço vira muito perto dele.
— Ouça,— eu digo, de volta ao meu lugar — Eu sei que você está cansado, e eu sei que você quer ficar mais longe de mim possível, o mais rápido que puder, e eu não posso dizer que te culpo, se eu fosse você , eu me sentiria da mesma maneira. Mas ainda sim, se você pudesse me dar apenas mais alguns segundos do seu tempo, eu realmente gostaria de uma chance para explicar.
Ele balbuciou sobre sua respiração, olhando pela janela até que se virou para mim de um jeito que me dirigia sua total e indivisível atenção.
E sabendo que eu tinha que ir rápido, que ele me daria apenas alguns segundos e nada mais, eu digo — Ouça, é que... Eu quero dizer, eu sei que isso vai soar como loucura e eu realmente não posso entrar em detalhes, mas você tem que acreditar em mim quando eu digo que eu tinha realmente bons motivos para pensar que você era um deles.
Ele fechou seus olhos por um momento, sobrancelhas torcidas em dor, olhando para mim quando ele diz, — Um trapaceiro. Sim. Você fez o seu ponto, Ever. O fez abundantemente claro, se lembra?— ele olhou entre seus braços machucados e eu.
Franzi meu nariz e friccionei meus lábios juntos, sabendo que a próxima parte não seria mais fácil, mas seguindo em frente quando digo — É, bem, veja, a coisa é que eu pensei que você era mal. Sério. É o único motivo que eu fiz o que eu fiz. Quero dizer, eu vi sua tatuagem e tenho que dizer que foi muito convincente. Bem, exceto pelo fato de que não se mexeu ou tremeu ou algo assim, mas ainda sim, isso, e o fato de que Ava ligou, e, bem algumas outras coisas que eu não posso explicar, mas mesmo assim, tudo isso me fez pensar que você... — eu balancei minha cabeça, sabendo que não estava chegando em lugar nenhum com isso e escolhendo apenas pular isso, indo para um assunto que me intrigava desde que deixamos o hospital — Sabe, se você está tão furioso comigo, se você me odeia tanto, porque você me ajudou lá? Por que você mentiu para os policiais e levou toda a culpa? Quero dizer, fui eu que machuquei, nós dois sabemos disso, até eles sabem que eu fiz isso. Mas mesmo assim, você arruinou sua chance de me ver algemada e arrastada para longe e jogou isso fora quando mentiu em meu nome. E para ser sincera, eu não entendi isso.
Ele fecha os olhos e inclina sua cabeça para trás, sua dor fática é tão palpável, que eu estou a ponto de deixar isso de lado, dizer a ele que não importa, apenas vá para dentro e descanse, quando ele eleva seus incríveis olhos verdes diretamente nos meus e diz — Ouça, Ever, aqui está a coisa... Por mais louco que isso soe eu estou pouco interessado no porque você fez isso, mas sim em como você fez.
Eu olho para ele, dedos segurando o volante, incapaz de falar.
— Como você me atirou como um Frisbee através do seu quintal...
Eu engulo duro, olhos fixados a frente, sem dizer uma palavra.
— E como em um momento você está parada na minha frente, de mãos vazias, nenhum bolso a vista e a próxima coisa que eu sei é que você está segurando uma faca de dois gumes, com joias no cabo, que por sinal, desapareceu da mesma maneira depois que você me atacou. Estou certo?
Eu respirei fundo e acenei. Não havia porque mentir agora.
— E então tem o pequeno fato de que você ligou seu carro sem uma chave, e nós dois sabemos que esse tipo de carro, esse modelo em particular definitivamente precisa de uma. E não se esqueça do primeiro dia quando te achei na loja, apesar de que a porta estava trancada, sem contar o quão rápido você achou O Livro das Sombras, que estava protegido por um bloqueio. Então, esqueça todo o resto, esqueça as desculpas e explicações e todas as coisas sem sentido, o que está feito está feito, não tem volta. Tudo o que eu quero é a explicação de como. É nisso que eu estou realmente interessado.
Eu olho para ele, engolindo duro, insegura de como continuar. Tentando uma piada fraca quando eu digo — Ok, mas primeiro, me diga, esses remédios para dor não te chutaram ainda?— dando essa horrível risada que só serve para deixá-lo furioso.
— Ouça, Ever, se você decidir ser honesta, você sabe onde eu moro. Caso contrário... — ele tentou abrir a porta, tentou uma grande e corajosa saída dramática, mas com ambos os braços enfaixados, isso não é tão simples quanto parece.
Então eu salto do meu lado para o dele, aparecendo ao seu lado antes que ele possa ao menos piscar e esperando que ele não veja isso como uma ameaça a sua masculinidade quando eu digo — Aqui, permita-me.
Mas ele apenas continua sentado, suspirando e balançando sua cabeça quando ele diz — E então é claro, tem essa...
Nossos olhos se encontrando e eu segurei a respiração.
— O jeito que você se move rápida e graciosamente como um gato selvagem.
Eu fiquei parada lá, em silencio e ainda sem saber o que vinha em seguida.
— Então, você vai me ajudar ou não?
— Claro. — eu acenei, olhando para ele — Só me dê as chaves.
Seu olhar em mim — Desde quando você precisa de chaves?
Eu dou de ombros, descendo através do estreito caminho, levemente iluminado que leva até a sua porta, tendo uma incrível variedade de peônias vibrantes de rosa e roxo quando eu digo — Eu não tinha ideia que você era um amante da natureza.
— Eu não sou. Bem, não realmente. Lina plantou tudo. Eu apenas mantive isso. Nós cultivamos as maiorias das ervas da loja aqui.— ele faz menção à porta, obviamente cansado disso, cansado de mim, louco para entrar e acabar com tudo isso.
Então eu fechei meus olhos, vendo a porta aberta até escutar um click inconfundível e o levei para dentro. Então eu fiquei parada lá, feito uma idiota, fazendo isso como se só tivesse vindo deixá-lo após um agradável picnic. Relutante em me mover até mesmo depois que ele balançou a cabeça e fez menção para eu entrar, obrigando um firme convite verbal antes de me atrever a ir mais longe.
— Você vai me atacar novamente?— seu olhar navegando por mim, enchendo-me com uma onda de calma.
— Só se você sair da mão. — dou de ombros.
— Isso foi um trocadilho?— ele pisca os olhos, seus lábios se curvando levemente.
Eu ri — Sim, e um realmente ruim.
Ele se inclina sobre o batente da porta, olhando-me devagar, sem pressa, e tomando uma longa e profunda respiração antes de dizer — Ouça, eu odeio admitir, especialmente para você de todas as pessoas, desde que você já me afeminou o suficiente por uma vida toda, mas eu talvez vá precisar de uma ajudinha. Os remédios estão me pegando e eu não sou muito bom quando sóbrio e com apenas uma mão, então eu mal posso imaginar fazer isso agora. Isso só vai levar um minuto, dois no máximo, e então você pode voltar para o Damen e para sua própria noite.
Eu franzi a testa, imaginando porque ele disse isso. Ligando as luzes e fechando a porta atrás de mim enquanto eu o seguia para dentro, olhando ao redor do pequeno acolhedor espaço, espantada de encontrar-me dentro dessa real, autêntica casa de Laguna Beach. As lareiras de tijolos antigos e grandes janelas panorâmicas. O tipo que você não vê mais nessas partes.
— Legal, não é mesmo?— ele acenou, lendo meu rosto — Foi construído em1958, Lina pagou barato aqui, a um longo tempo atrás, depois de muito dinheiro investido e reality shows rodados aqui.
Vou em direção da porta de vidro deslizante que dava a visão de um agradável pátio de tijolos que conduz a uma encosta gramada, um conjunto de escadas e a visão de um oceano iluminado pelo luar.
— Ela aluga para mim por uma merreca, mas meu sonho é comprá-la algum dia. Ela diz que só vai me vender se eu prometer não transformar num duplex toscano. Como se eu fosse fazê-lo — ele ri.
Afasto-me da janela e passeio por sua cozinha, ligando uma luz e abrindo alguns armários até achar um que tivesse um conjunto de copos. Olhando em volta, procurando por uma garrafa d‘água, apenas para encontrá-lo tão perto que eu posso ver cada mancha individual de seus olhos.
— Não seria mais fácil só manifestar isso?— ele diz, sua voz áspera, baixa e intensa.
Eu olho para ele, incerta sobre o que mais me incomodava, a proximidade dele, o desejo em sua voz ou a forma que ele foi capaz de deslocar-se sobre mim.
— Eu... Eu pensei que apenas podia fazer isso da velha maneira... Está bem? Garanto que vai ter o mesmo gosto. — eu murmurei, as palavras desajeitadas em meus lábios, esperando que ele estivesse mergulhado em seus remédios para dor, para que não percebesse como sua presença me afeta.
Ele continuou parado lá, olhar firme, não indo nem um passo para longe. Voz grogue e profunda quando ele diz, — Ever... O que você é?
Eu congelei, os dedos tão firmes ao redor do copo que eu estava com medo de que talvez quebrasse em minha mão. Concentrando-me no piso frio, na pequena mesa à direita, o espaço profundo do outro lado, qualquer lugar menos nele. O silêncio ficando grossamente palpável entre nós e eu só queria quebrar isso quando digo — Eu... Eu não posso te contar.
— Então, não é apenas o livro, tem algo... Mais.
Meus olhos encontraram com os dele, imediatamente reconhecendo meu erro, como eu basicamente acabei de admitir que não sou totalmente normal quando eu poderia apenas ter culpado a mágica instantânea. Mas a verdade é que ele não teria comprado essa. Ele sabia que havia algo mais desde o dia em que nos conhecemos, muito antes de me emprestar aquele livro.
— Porque você não me disse que O Livro das Sombras era escrito em código?— eu digo, olhos estreitos, o colocando de volta na defensiva.
— Eu disse— ele desviou o olhar e se afastou, aborrecimento estampado em seu rosto.
— Não, você me disse que estava escrito no código de Theban, que tinha de ser intuído para ser entendido. Mas você falhou em mencionar que estava na verdade protegido por um código... Um código que tem que ser quebrado para assim poder ver o que realmente contém. Então, o que há? Porque você não me disse nada a respeito? Esse é um detalhe grande demais para ser deixado de fora, você não acha?
Ele inclina-se sobre o balcão de azulejos, sacudindo a cabeça quando ele diz — Com licença, mas eu estou sob suspeita de novo? Porque me corrija se eu estiver errado, pois eu estava com a impressão de que quando você me cortou, você ficou determinada que eu era um dos bonzinhos.
Eu cruzei meus braços e semicerrei os olhos.
— Não, eu determinei que você não era um trapaceiro. Eu nunca disse que você era bom.
Ele olhou para mim, buscando por paciência, mas eu ainda estava longe de terminar — E você também falhou em mencionar como você conseguiu o livro, como acabou em suas mãos.
Ele dá de ombros, olhar fixo, voz firme, controlada, quando ele diz — Eu lhe disse. Eu consegui com um amigo, alguns anos atrás.
— E esse amigo tem um nome, como talvez Roman, a propósito?
Ele ri, mas sai mais parecido com um grunhido. Seu aborrecimento soando alto e claro quando ele diz — Oh, você vê, você ainda acha que eu faço parte de tudo isso. Bem, me desculpe por dizer isso então Ever, mas eu achei que estávamos claros com relação a isso?
Eu entrelacei meus braços sobre meu peito, permitindo que o copo balançasse por meus dedos.
— Ouça, Jude, eu gostaria de poder confiar em você, sério eu deveria. Mas na outra noite quando... — eu parei, me dando conta que não poderia continuar nessa direção — Bem, de qualquer maneira, Roman disse algo sobre esse livro uma vez tivesse pertencido a ele, e eu realmente preciso saber se foi dele que você o conseguiu; se ele de alguma maneira ele o vendeu para você.
Ele me alcança, os poucos dedos que ainda estavam funcionando tiraram o copo de meu alcance.
— Minha única conexão com Roman é por você. Eu não sei mais o que te dizer, Ever.
Eu estreitei os olhos, analisando sua aura, sua energia, sua linguagem corporal, somando tudo isso em quanto ele vai em direção a pia, chegando à conclusão de que ele está dizendo a verdade, não escondendo nenhuma coisa.
— Torneira?— eu perguntei, vendo-o olhar sob seu ombro para mim — Já faz um tempo desde que vi alguém fazendo isso, desde que deixei Oregon
— Eu sou um cara simples, o que eu posso dizer?— ele toma um gole generoso, acabando rapidamente antes de se virar e encher o copo novamente.
— Então é serio, você não sabia sobre os livros?— eu o sigo, vendo como ele se dirige a um antigo sofá marrom e prontamente se despenca sobre ele
— Para ser honesto praticamente tudo que você falou desde que eu corri para você tem sido um mistério. Nada disso faz sentido. Normalmente, eu apenas te dou o benefício da dúvida e culpo os remédios, mas eu me lembro de você falando disso loucamente pouco antes de resultar nisso.
Eu franzi, me sentando na cadeira oposta a ele sustentando meus pés sobre uma elaboradamente talhada porta antiga que ele usa como mesa de café. — Eu sou... Eu queria poder explicar isso... Eu sinto como se eu te devesse isso tudo. Mas eu não posso. É... É complicado. Coisas que envolvem...
— Roman e Damen?
Eu semicerro os olhos, imaginando porque ele disse isso.
— Só um palpite. — ele dá de ombros — Mas pelo olhar no seu rosto, um bem sucedido.
Eu pressiono meus lábios juntos e olho através da sala, tendo em vista altas prateleiras de livros, um velho som, e algumas artes interessantes, mas sem TV. Não confirmando nem negando sua declaração ao dizer — Eu tenho esses poderes. Coisas além das psíquicas que você já sabe a respeito. Eu posso fazer as coisas se moverem...
— Telequinesia.— ele acena, olhos fechados agora.
— Posso fazer coisas aparecerem.
— Manifestação, mas no seu caso instantânea. — Ele abre apenas um olho para espreitar para mim — O que me faz imaginar... Porque o livro? Você tem o mundo a seus pés. Você é bonita, inteligente, abençoada com todos os tipos de poderes, e eu posso apostar que seu namorado esconde alguns dons também...
Eu olho para ele. Essa é a terceira vez que ele o mencionava, e isso me incomodou tanto quanto da primeira vez — Qual é o seu problema com Damen?— eu pergunto, imaginando se ele está entre nós, se de alguma maneira ele sente algo sobre o longo e conturbado passado que nós três dividimos.
Ele se ajeita, colocando seus pés sobre o acolchoado e uma almofada por baixo da cabeça — O que eu posso dizer? Eu não gosto dele. Tem apenas... Algo sobre ele. Só não colocaria meu dedo nisso.
Virando sua cabeça para olhar para mim quando ele adiciona — Isso não é um trocadilho, e você pediu por isso. E se há algo mais que você queria saber, essa é a sua chance. Esses medicamentos realmente estão me pegando e me deixando alto, então você pode querer aproveitar em quanto eu não sou derrubado, enquanto eu ainda estou disposto a falar fácil e rapidamente.
Eu balancei minha cabeça, já tento tido todas as respostas que eu precisava quando o peguei na calçada algumas horas atrás. Mas agora talvez fosse a hora de eu mesma compartilhar algumas verdades — ou pelo menos levá-lo até a verdade para ver se ele percebe.
— Sabe, tem uma razão para você e Damen não gostarem um do outro... — eu arrisco, mordendo meu lábio de baixo, ainda não decidida até quão longe eu levaria isso.
— Ah... Então é mutuo. — seu olhar encontra o meu, mantendo-o por tanto tempo, que eu sou a primeira a quebrá-lo.
Estudando o tapete sob meus pés, a mesa de madeira talhada diante de mim, o grande cilindro de geoides encostada no canto, me perguntando por que diabo eu comecei isso, e a ponto de falar quando ele diz:
— Não se preocupe. — ele se esforça para chutar o cobertor sobre seus pés, mas ele não o alcança o suficiente — Não precisa explicar, não precisa... Se preocupar. É apenas o seu cotidiano, um jardim de caras variados! Você sabe, o tipo de competição primitiva que acontece em qualquer lugar, tem uma garota extraordinária e dois caras desesperadamente a querendo. E desde que apenas um de nós pode ganhar... Desculpe-me... Desde que apenas um de nós ganhou, eu só vou voltar para minha caverna, bater meu taco na parede algumas vezes, e lamber minhas feridas onde ninguém pode ver— ele fecha seus olhos, sua voz mais baixa quando ele adicionou — Confie em mim, Ever! Eu sei quando admitir derrota. Eu sei quando me curvar, então não se preocupe. Há uma razão para que eu tenha o nome do santo padroeiro das causas perdidas... Eu já fiz isso varias vezes antes, e... Eu...
Suas palavras falharam em seu peito, então eu me levantei da minha cadeira e fui em sua direção, agarrando a coberta sobre seus pés e cuidadosamente a arrumando para que o cobrisse completamente.
— Durma um pouco, — eu murmurei — Eu vou achar sua prescrição amanhã, não se preocupe. Apenas fique aqui e descanse.
Sabendo que ele deveria, ir para algum outro lugar mas querendo assegurá-lo e nada mais.
Aconchegando o cobertor sob seus pés quando ele diz — Ei, Ever! Você nunca me respondeu, sobre o livro. Por que você queria esse livro quando você já tem tudo que você possivelmente poderia querer?
Eu congelei, contemplando o cara que eu conheci por tantos séculos, tantas vidas, que surgiu mais uma vez. Sabendo que deveria ter uma razão, para tudo isso que eu tenho visto e experimentado até agora, o universo não é tão aleatório quanto parece. Mas a coisa é, eu não sei a razão. De fato, eu não sei mais de nada. Tudo que eu sei é que eles não poderiam ser mais diferentes. A presença calma de Jude é exatamente o oposto da mistura de formigamento e calor de Damen. Como yin e yang. Opostos no mais puro grau.
Eu terminei de ajeitá-lo, esperando que ele adormecesse novamente antes de me dirigir até a porta, dizendo — Porque eu não tenho tudo que eu quero. Nem de perto.

3 comentários:

  1. Omg! Quem ira ganhar? O imortal e sexy do Damen ou o sufista e garanhão do Jude?!
    Ass: Bina.

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  2. O jude me faz rir muito ele q tá deixando esse livro legalzinho

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