2 de novembro de 2015

Oito

Damen virou-se para mim, a palavra “problema” passou de sua mente para a minha.
Mas eu só fico ali, tão atordoada que eu não tenho ideia do que fazer.
— Eu sabia que ela seria um problema. — ele balança a cabeça e cai no sofá. — Ela é muito frágil, muito volátil, ela não será capaz de lidar com nada disso. Com o tempo ela será consumida pela fome de poder, apenas espere.
— Esperar?— me sento no braço do sofá ao seu lado. — Você esta falando sério? Esperar pelo quê? Você realmente acha que vai ficar pior do que acabamos de ver?
Ele balança a cabeça, fazendo um grande esforço para reter o que eu percebi do seu olhar. Mas não importa. Ambos sabemos que eu sou a única responsável por essa bagunça.
Deslizei do braço do sofá e me apoiei nele. Sabendo que eu tinha coisas a fazer — tomar o controle da situação antes que fique pior – mas não tendo ideia do que essa coisa é. Cada decisão que eu fiz até este ponto só fez tudo piorar. E eu estou tão cansada, tão drenada! Tudo que eu quero fazer é tirar uma longa soneca agradável e pacífica, onde Roman não pode entrar no meu sonho.
Roman.
O nome passa da minha mente para a dele, e quando ele olha para mim, eu sei que é tarde de mais – eu sei que ele sentiu isso.
— Por que você mudou de ideia?— ele me estuda de perto, buscando a verdade através dos meus olhos, as palavras na minha língua. — Por que você disse a ela para evitá-lo?
— Porque ambos sabemos que eu estou certa,— eu murmuro, odiando a mentira que estou prestes a dizer. — Foi uma coisa egoísta de se fazer; colocá-la em perigo daquela forma só nós pudéssemos nos beneficiar— eu balanço a cabeça, permitindo que o meu cabelo a cair sobre o meu rosto de uma forma que eu pudesse me esconder.
Porque a verdade é que eu estou preocupada que eu não fiz isso por ela.
Estou preocupada em mantê-la longe de Roman, assim haveria mais espaço para mim.
Continuo assim, rosto escondido enquanto eu me esforço para me recompor, sem algum pequeno vislumbre do velho eu. Finalmente levanto a cabeça para encontrar somente sua testa franzida de preocupação, enquanto a sua mão aperta o meu joelho.
— Hey, vai com calma, — diz ele, a voz suave e baixa — Não seja tão dura consigo mesma. Então, nós temos nossos momentos de falhas, nós vamos passar por isso! Nós ainda temos um ao outro, certo? Isso é tudo que importa, no grande esquema das coisas. Enquanto ao resto das coisas, nós encontraremos um jeito. Eu prometo que vou!
— Nós vamos?— eu olho para ele, meus olhos se alargam quando percebo o que eu disse, com a intenção de dizer “nós vamos” pretendia questionar a parte de encontrar uma maneira, e não parte de nós.
Ele olha para mim, claramente perturbado com as minhas palavras — Eu pensei que fosse uma entrega. Eu estava errado?
Eu engulo duro e alcanço sua mão, observando como o véu fino de danças de energia entre a palma da sua mão e a minha, engolindo as palavras até que eu possa confiar na minha voz novamente. — Você não esta errado, — eu sussurro — Você é a melhor coisa da minha vida! A única coisa que realmente importa.
Repetindo as palavras que eu sei com certeza que são verdadeiras, apenas desejando que eu me sinta da mesma maneira que eu costumava me sentir.
Mas Damen não compra, ele me conhece bem demais; tendo testemunhado um milhão de humores diferentes, um zilhão diferentes inflexões de voz e técnicas de prevenção ao longo dos últimos quatrocentos anos – e essa é apenas a minha contagem.
— Ever, têm algo de errado? Você tem agido estranhamente desde...
Olho para ele, a minha voz aguda, nervosa, cortante quando eu digo:
 — Desde quando eu te fiz beber o elixir que nos fez letal um para o outro?
Ele balança a cabeça.
— Desde quando eu fiz da Haven uma imortal?
Ele balança a cabeça novamente, desta vez pressionando o dedo nos lábios, me acalmando quando ele diz, — Eu não estava me referindo a nenhuma dessas coisas. Você fez as melhores decisões que pôde sob as circunstâncias em que você se encontrou. Eu não tenho direito de criticá-la por isso! O que eu ia dizer é que você está agindo estranha desde que você começou a se aprofundar em magia. Você parece preocupada, distraída, você nunca esta realmente presente. E eu estou preocupado com você, perguntando se foi demais pra sua cabeça, e em caso afirmativo, como eu poderia ajudar.
Eu olho nos olhos dele, e há tanta esperança e ternura lá que eu não posso fazer-me confessar o que eu tenho sentido por Roman. O pensamento é demasiado horrível.
 — Eu admito que estive um pouco desligada. E por enquanto eu prefiro não entrar em todos os detalhes, é o melhor agora. Romy e Rayne me mostraram como desfazê-lo e é tudo. Bom, você apenas tem que confiar em mim.
Ele olha para mim, sua preocupação se aprofundando, mas ainda assim ele apenas balança a cabeça e diz, — Se você está me dizendo para confiar em você, então em confio. Mas me deixe saber se você precisar da minha ajuda.
Eu me aconchego perto dele – meu namorado, minha alma gêmea, meu parceiro para toda vida. Sabendo que essa é a forma como tem que ser ; que tudo pelo o que eu estou passando agora é só uma rude interrupção, uma dificuldade técnica, uma breve falha na tela das nossas infinitas vidas. Ciente de que um insistente zunido horrível se aproxima, tocando no fundo, ameaçando tomar conta mais uma vez, olho-o bem nos olhos e digo — O que você me diz de sairmos daqui?
Ele olha para mim, o rosto amolecendo, sempre pronto para uma boa aventura. — Algum lugar em particular?— ele pergunta, não tendo ideia do que eu tenho em mente, mas é evidente a cumplicidade em seu olhar.
Eu aceno, apertando sua mão e calmamente pedindo-lhe para fechar os olhos, enquanto eu digo — Me segue!

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