7 de dezembro de 2015

Fanfic: Gelo


Sinopse:
A vida da jovem milionária Elizabeth Stark nunca foi exatamente um mar de rosas. Ela sempre esteve isolada do mundo, sempre cheia de seguranças por todos os lados, sempre enfrentando uma doença que lhe tirava o ar.
Sua vida nunca fora a mais fácil - apesar dos dólares exorbitantes na conta; mas tampouco era a mais triste. Ela sempre tivera uma família que a apoiava em todos os momentos.
E para ela aquilo bastava. 
Mas a vida já mostrou que seu caminho não assim tão fácil. 
Afinal, ela é amaldiçoada.
Com tudo que lhe era precioso tirado, ela precisa encontrar seu lugar em um mundo totalmente diferente do seu e ao mesmo tempo lidar com perdas e cicatrizes profundas, tentando desvendar as ramificações de sua maldição, e por  consequência, afastando todos aqueles que ela amava; ou começou a amar. E que no final, terá que escolher se será uma heroína - ou uma vilã.

Categorias: fantasia, aventura, romance, história original
Autora: Alycia Carvalho
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Prólogo - Ao Nascer da Vida


A neve caía suave e tranquila, nas calçadas de Manhattan.
O céu estava cheio de espessas nuvens branco acinzentado, as árvores permaneciam firmes, sem folhas ou flores, embrulhadas em casulos de neve, silenciosas. De longe, era possível ver os delicados enfeites natalinos nas janelas dos pequenos apartamentos da cidade, as guirlandas pendidas nas portas dos prédios, cheias de azevinhos e bengalas doces.
O natal estava chegando.
Dezembro era, sem dúvidas, o mês mais mágico do ano. Naquele mês invernal, as pessoas largavam seus debates e desentendimentos  e seus corações se enchiam da plena esperança e do desejo de paz.
Mas como todos os dias de todos os meses de todos os anos, bebês nasciam. Eram milhares e isso não seria novidade alguma se entre os milagres nascidos, em especial, houvesse uma garotinha.
Mais tarde, no cartório, seu nome seria Mary Elizabeth Stark.
E ela seria memorável e diferente de todos.
Pois diferente de todas as outras crianças, Elizabeth portava uma maldição. Sua vida não seria a mais fácil, mas tampouco a mais triste. Porque, juntamente lhe veio uma bênção. A delicada garotinha estava destinada a grandes feitos.
No entanto, a pequena recém-nascida mal tinha consciência da grande responsabilidade – e fardo – que teria pela frente. Ela dormia suavemente, os espessos cabelos pretos conferindo-lhe uma espécie de moldura ao redor do rosto marfim de porcelana, as mãos pequenas espalhadas no bercinho da maternidade. Sua mãe dormia profundamente e feliz, no quarto ao lado, descansando pela primeira vez desde o parto. Uma enfermeira fazia o turno no Berçário e tudo parecia tranquilo no corredor do berçário, se não fosse pelos dois homens que se aproximaram da grande janela que exibia os bebês. Era o pai de Elizabeth que a admirava, juntamente com o amigo. Os dois, assim como a mãe, sabiam da maldição que a pequena carregava. Mas, diferentemente da mãe, eles tinham dons incomuns.
Os dois, amigos desde sempre, compartilham de um mundo secreto, que mais tarde Elizabeth faria parte.
Um mundo em que talvez, ela tivesse alguma paz.
O pai sorriu ao encontrar a filha, embrulhada em um casulo de mantos rosa.
- Ela não é linda? – ele disse ao amigo, os olhos verdes com toques castanhos em sua íris enrugando como o sorriso. O amigo, Vincent, fitou a menina e sorriu também, embora muito ligeiramente.
- Certamente, Edward. Seus sonhos também são tranquilos. – Vincent disse com o sorriso alargando um pouco mais com a constatação do último fato, ao terminar de enxergar a mente da recém-nascida.
- Você não resiste, não é? – Edward arqueou uma sobrancelha preta, o sorriso ainda permanente em seu rosto.
Vincent encolheu os ombros e juntou as mãos nas costas.
- Não me é uma opção.
Edward queria ter respondido essa resposta, mas antes que realmente pudesse realiza-lo, outros passos foram escutados no corredor silencioso. Ele já sabia quem era antes mesmo de virar-se para ver.
- Otávio. – Edward cumprimentou o senhor de terno cinza, cor que causava certos efeitos nos cabelos grisalhos. O senhor parou perto deles e suspirou.
- Ainda tem essa mania sem nexo de não chamar-me de pai. – ele resmungou, embora muito tranquilamente.
- O que faz aqui, pai? – Edward rebateu tenso. O velho senhor sorriu, exibindo a fileira de dentes brancos perfeitos e virou-se para a janela do berçário, onde fitou a garotinha.
- Eu não posso ver minha neta?
- Claro que pode senhor. – Vincent intrometeu-se, fazendo uma leve mesura com a cabeça em respeito. Vincent pôs a mão no ombro do amigo.
- Edward. – alertou quase silenciosamente e apertou o ombro um pouco mais em um alerta final.
O velho senhor ignorou os dois e colocou a mão na vidraça, como se quisesse tocar além dela e talvez pudesse se não tivesse a enfermeira cuidadosa do outro lado para ver. Ele suspirou e isso fez Edward e Vincent voltarem ao foco.
- Ela tem uma maldição horrenda. – disse Otávio aos homens, o semblante com uma tristeza de séculos. – Um fardo muito pesado para um bebê tão pequeno e até mesmo para um adulto.
Pela primeira vez em muito tempo, o pai e o filho concordaram entre si.
- Queria poder ajudá-la de alguma forma. – Edward disse.
- Acredite em mim, meu filho, eu queria também. Mas não podemos. Isso, ela tem que fazer sozinha.
- Seu pai tem razão, Edward. – Vincent disse, encarando a menina como os outros. Sua baixou alguns decibéis quando continuou – Ela não é comum. Mesmo para o nosso povo. O melhor que pode fazer é crescer aqui, no mundo humano, onde uma parte lhe pertence. Isso adiará a maldição por um tempo, enquanto ela permanecer na ignorância.
- Sim. – Otávio concordou e ajeitou a lapela do terno perfeitamente engomado. – Está na hora de voltarmos à Aladia, Vincent. Vamos.
Quando Vincent acenou prontamente, Otávio se dirigiu ao filho, onde entregou sua despedida.
- Adeus, meu filho. Cuide dela. – avisou e depois sorriu – embora eu creia que você já ia fazer isso.
Edward acenou muito levemente e passou a mão no próprio terno, sorrindo de leve.
- Adeus, pai.
E observou a saída dos dois, que ao virarem o corredor, desapareceram sem deixar resquício de sequer terem vindo. Voltou a olhar a filha, ainda dormindo, mas sabia que se ela abrisse os olhos, ele veria íris caleidoscópicas verde com castanho, o selo da família, e prometeu:
- Um dia, minha filha, mesmo diante as tempestades, você será feliz, porque essa maldição não te dominará mais; e o poder com que ela antes te subjugava, será seu maior dom.
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