3 de novembro de 2015

Doze

— Tem certeza de que não quer entrar?
Faço que não com a cabeça, cruzando o olhar com o de Jude por um instante e mudando o foco para os galhos secos que antes exibiam as lindas peônias cor-de-rosa e roxas que contornavam o caminho da entrada até sua porta.
— Realmente vai prosseguir com isso?
Confirmo com um aceno de cabeça, percebendo que poderia tentar responder a pelo menos uma de suas perguntas verbalmente, mas no momento estou sufocada demais para falar. Não consigo parar de pensar naquela última cena com Damen — suas últimas palavras, o que ele disse sobre a possibilidade de eu não retomar, de me perder na lama e não conseguir encontrar o caminho de volta. No modo como logo depois, a poucos passos de sair da sala, ele parou, deu meia-volta em minha direção, o corpo vindo quase contra sua vontade, e me puxou para seus braços. Seu abraço, tão caloroso, tão completo, tão cheio de amor, tão... rápido, foi um contraste absoluto com suas palavras, frias e insensíveis.
Mesmo podendo perceber o conflito interno, mesmo reconhecendo os sinais de alguém se esforçando para se desapegar de um resultado que tem certeza de que acabará sendo magoar-se, eu esperava algo mais.
Mesmo sabendo que precisava ir sozinha, mesmo insistindo em afirmar que a jornada era minha, e apenas minha, ainda tinha certeza de que ele pelo menos me acompanharia até Summerland.
Expulsando esse pensamento, resolvo me concentrar no presente, no lugar em que Jude está, diante de mim, do outro lado da porta.
— E onde está Damen? — Ele olha para o espaço vazio à minha direita e me observa com cuidado. — Ele vai com você, certo?
Olho para baixo. Estou consciente do modo terrível como minha garganta aperta e meus olhos começam a arder — sinais de que uma enxurrada de lágrimas está a caminho, mas paro bem ali. Não me permitirei chorar.
Não aqui.
Não na frente de Jude.
Não por algo que escolhi fazer.
Finalmente me recomponho e digo:
— Vou só eu. É algo que preciso fazer sozinha. Lótus deixou isso bem claro. — Ergo os ombros como se não fosse nada de mais e espero que ele acredite.
Ele se recosta na porta com as mãos enfiadas nos bolsos da frente. Só de olhar para a maneira como seus lábios se torcem e para a inclinação das sobrancelhas unidas, fica evidente que acontece o oposto, que ele está tentando imaginar o que se passa entre mim e Damen.
Mas não é por isso que estou aqui, portanto ignoro. Olho em seus olhos e digo:
— Só quis passar aqui para agradecer. Obrigada por ser um amigo tão bom em todas essas... vidas.
Ele franze a testa e olha atrás de mim, focando na rua distante. Solta um ruído sarcástico, uma mistura de grunhido e gemido, e diz:
— Ever, talvez seja melhor deixar sua gratidão para alguém que a mereça. Nada que eu fiz ajudou. Na verdade, foi praticamente o contrário: só piorei tudo. Parece que tenho o mau hábito de estragar tudo da pior forma possível.
Como é impossível negar, rapidamente concordo, embora também acrescente:
— Mesmo assim, não acho que tenha sido culpa sua. Para falar a verdade, tenho quase certeza de que é seu destino.
Ele inclina a cabeça e coça o queixo com barba por fazer.
— Meu destino é estragar sua vida? — Ele me lança um olhar de dúvida. — Não sei como devo me sentir a respeito disso.
— Bem, não. Não só isso. Tenho certeza de que há muitas coisas melhores à sua espera, coisas que não têm nada a ver comigo. O que eu quis dizer é que talvez nosso destino esteja entrelaçado, sabe? Talvez tenhamos nos encontrado durante todos esses séculos por uma razão que nunca imaginamos... — Olho para ele tentando decifrar como absorveu essa informação, mas sua cabeça está inclinada de um modo que faz um emaranhado de dreadlocks cair de lado, cobrindo seu rosto. — De qualquer forma... — Faço uma pausa e começo a me sentir um tanto boba por ter vindo até aqui. — Espero que a jornada revele isso e mais.
— Então é isso? — Ele afasta o cabelo do rosto, lançando-me seu olhar tropical.
— Acho que sim. — Tento sorrir, mas quase não consigo.
Ele concorda com a cabeça, balançando o corpo ligeiramente, como se estivesse se segurando... Lutando entre dizer o que quer e o que o seu bom-senso permite. Por fim, opta pelo bom-senso e diz:
— Então lhe desejo boa sorte.
Ele se afasta da porta, move-se como se fosse me abraçar, mas muda de ideia no último segundo e deixa os braços caírem de lado.
Antes que a situação fique mais embaraçosa que já está, percorro o espaço que nos separa e o abraço com força. Demoro-me no abraço por um instante, um instante que parece ficar suspenso, e então me afasto. Sinto a onda de energia de Jude, seu cartão de visita de paz, calma e serenidade, que continua correndo por meu corpo.
Prolongando-se, persistindo, resistindo de modo estranho enquanto sigo para o carro e parto para uma nova série de despedidas.
Depois de parar na casa de Miles e descobrir que ele não está, vou para a de Ava e das gêmeas, mas não encontro ninguém lá também. Então passo pela antiga casa de Haven, onde ela morava com os pais e o irmão mais novo, Austin. Estaciono na rua e vejo uma placa de VENDE-SE no gramado e um monte de curiosos entrando e saindo da casa.
Fico me perguntando se seus pais se deram conta de que ela se foi, de que nunca mais voltará. Ou se continuam a ignorá-la, olhar à volta dela, enxergar tudo menos ela, exatamente como faziam quando Haven ainda estava aqui. Como ainda estou triste demais, decido passar de carro em frente à casa de Sabine, mas é tudo o que faço. Não paro. Não entro. Já me despedi em silêncio na noite de ontem.
Sem mais nenhum motivo para adiar, cruzo a rua seguinte e abandono o carro junto ao meio-fio. Então fecho os olhos e materializo o portal que me leva a Summerland. Aterrisso no vasto campo perfumado com flores reluzentes e árvores vibrantes, fazendo uma pausa para desfrutar o esplendor puro e genuíno de tudo isso — a massa absoluta de beleza, amor e tudo o que existe de bom — antes de ir embora e me aventurar do lado oposto. O lugar onde todas as árvores são secas, não nascem flores e não há magia e materialização.
Minha suspeita se confirma no momento em que percebo um rastro fino de lama indo do túmulo em homenagem à memória de Haven até o lado sombrio com que deparei primeiro.
Está crescendo.
Ultrapassando os limites.
Mesmo sem estar nem um pouco surpresa por ver aquilo, não tenho ideia de como impedi-lo. Não tenho ideia do que fazer quando chegar. Embora tenha tentado me preparar mentalmente para quase tudo o que pudesse encontrar, não me preparei para o que vejo.
Paro, arregalando os olhos de surpresa. Meu queixo cai quase até os joelhos quando vejo Jude, Ava, Romy, Rayne e... Miles? esperando por mim.
A única pessoa que falta, infelizmente, é Damen.
— Como vocês... ? — Minha voz vai sumindo enquanto fico embasbacada com Miles, a maior surpresa de todas.
— Bem, deu trabalho, mais que algumas tentativas, mas éramos nós quatro reunindo nossas energias e o desejo fervoroso de Miles de vê-la partir em sua jornada. No fim conseguimos.
— Espero que pelo menos tenham mostrado a ele a parte mais bonita antes. — Encolho-me só de pensar em como ele deve ter-se sentido ao passar por tudo aquilo, entrar no lindo véu brilhante e cair em um lugar tão escuro, terrível e desolador.
— Vamos mostrar mais tarde — diz Ava. — Estávamos correndo para chegar antes que você partisse.
— Mas... por quê? — Olho para Jude, presumindo corretamente que ele os tenha chamado e convencido a me encontrar aqui logo depois que saí de sua casa.
— Porque você merece uma despedida decente — diz Romy, cutucando a irmã com o cotovelo até que ela, relutante, concorda com a cabeça.
— Eu... eu nem sei o que dizer. — Engulo em seco, dizendo a mim mesma para não chorar na frente deles.
— Não precisa dizer nada. — Miles sorri. — Sabe que sou capaz de falar todos nós.
— É verdade — Rio, ainda me acostumando a vê-lo aqui.
— Ah, e trouxemos alguns presentes — diz Ava, empolgada.
Tento parecer feliz com isso, mas a verdade é que não tenho ideia do que fazer com os presentes, se poderei levá-los para onde vou, seja onde for. Esse pensamento desaparece no momento em que Rayne dá um passo à frente, faz um sinal para que eu abaixe a cabeça e pendura em meu pescoço um pequeno talismã de prata preso em um cordão de couro bege.
Seguro o pingente entre o indicador e o polegar, levantando-o até onde possa vê-lo melhor, sem saber como interpretar o que ele significa, principalmente por vir dela.
— Um ourobóro? — pergunto, minha voz aguda e minhas sobrancelhas arqueadas interrogativas.
— É um presente meu e de Romy — ela diz, com os olhos arregalados e sérios. — É para proteção. Damen tinha razão, o símbolo não é do mal, e esperamos que sirva para lembrar onde você começou, onde vai terminar e onde esperamos que encontre a si mesma novamente.
— E que lugar seria esse? — pergunto, sem tirar os olhos dela.
— Aqui. Com todos nós — ela responde cheia de sinceridade. Sua natureza dualista, sua capacidade de ser tão calorosa e fria, sobretudo comigo, é tão confusa que não consigo entendê-la. Lembro-me do senhor com quem cruzei em Summerland, aquele que insistiu que as gêmeas tinham personalidades opostas ao que eu pensava, que alegou que Rayne era a quieta e Romy, a teimosa, e não posso deixar de pensar na frequência com que elas fazem esse jogo.
Antes que eu possa formular qualquer resposta, Ava dá um passo à frente e me entrega uma pequena pedra reluzente e cristalina feita de um azul-esverdeado tão brilhante que me faz lembrar um pouco os olhos de Jude.
— É cavansita — diz ela, analisando-me com cuidado. — Fortalece a intuição e a cura mediúnica. Também estimula a reflexão profunda, inspira novas ideias, ajuda a pessoa a se livrar de crenças falhas e auxilia na indução de lembranças de vidas passadas.
Encaro Ava fixamente e ela me responde com um olhar cheio de significados. É impossível não desejar que Damen estivesse por perto para ouvir aquilo.
Concordo com a cabeça, coloco a pedra no bolso e me viro para Jude.
Não porque espero algo dele, mas porque percebo, pela maneira como sua aura brilha e a energia irradia, que ele tem algo a me dizer.
— Eu vou junto — diz ele.
Estreito os olhos em dúvida se ouvi direito.
— É sério. Esse é meu presente. Farei a jornada com você. Você não deveria ter que ir sozinha. Não quero que vá sozinha.
— Mas... você não pode — digo, soltando as palavras antes de ter tempo de parar para pensar. Por algum motivo me parece o certo a dizer. Se Damen não pode ir, Jude também não pode. Além disso, não há motivo algum para envolvê-lo nisso ainda mais. — Acredite, agradeço a consideração. Agradeço de verdade. Mas as instruções de Lótus foram bem claras. Preciso fazer isso sozinha. Sem você, sem Damen, contando apenas comigo mesma. É o meu destino, só eu posso fazer essa jornada.
— Achei que nossos destinos estivessem entrelaçados. Foi você mesma quem disse.
Faço uma pausa, sem saber como responder. Olho para as gêmeas, para Miles, depois para Ava e volto a Jude, prestes a reiterar o que acabei de dizer, quando sinto sua presença.
Lótus.
Ela está aqui.
Eu me viro, olhando instintivamente em seus olhos, e percebo que ela parece ainda mais velha que da última vez em que a vi, mais delicada, frágil, um tanto franzina. Seus movimentos são vagarosos, porém determinados, o corpo é magro, levemente curvado para a frente. Sem as tranças de antes, os cabelos estão soltos sobre os ombros, caindo em longas mechas prateadas. As ondas flutuam, elásticas, formando uma espécie de halo — a cor se mistura com a pele tão pálida que faz seus olhos azuis se destacarem como duas admiráveis águas-marinhas jogadas em uma paisagem branca como a neve. Diferentemente das outras ocasiões em que a vi, desta vez ela se apoia bastante em uma velha bengala de madeira entalhada. Os dedos envolvem a ponta curva, os nós artríticos esbranquiçados e protuberantes. Mesmo assim, a cabeça ainda está erguida enquanto ela se aproxima, encarando-me com os olhos embaçados enquanto entorta os lábios em deleite.
— Adelina. — Ela se curva, parando a alguns metros de mim, os olhos fixos nos meus, como se ainda não tivesse visto que tenho companhia. — Está pronta? Pronta para fazer a jornada? Pronta para me libertar?
— É isso o que vou fazer? — Observo-a atentamente. Suas palavras plantaram uma semente de incerteza que me faz duvidar de meu propósito mais uma vez.
— Esperamos tanto tempo. Só você pode fazer a jornada, só você pode revelar a verdade.
— Mas por que só eu? — pergunto. — Por que Damen não pode ir... ou Jude?
— Por favor — ela sussurra, a voz baixa e gutural, pressionando a mão esquerda contra o peito e curvando-se em minha direção. Não consigo deixar de notar um brilho no aro fino e dourado em seu dedo anelar. Fico me perguntando se ela sempre usou, e, se usou, como nunca percebi.
— Você precisa escolher acreditar — diz ela.
Pela primeira vez desde que ela chegou, volto o olhar para meus amigos e me dou conta de que a estão observando com tamanho respeito e reverência que fico pensando se estão vendo algo que não vejo.
Mas, quando me viro novamente para Lótus, percebo tão claramente quanto eles — o belo brilho dourado que emana de seu interior, crescendo e expandindo-se até que todo o seu entorno reluz.
— Então, está pronta? — Ela olha para mim com o rosto tão luminoso que simplesmente concordo, incapaz de resistir.
Erguendo um dedo velho e retorcido, ela faz sinal para que eu a siga — para que dê o primeiro passo rumo a um destino que ainda não posso imaginar.
Viro para me despedir de meus amigos, mas vejo apenas Miles, Ava e as gêmeas acenando de volta. Jude está parado bem atrás de mim.
Quando estou prestes a explicar novamente por que preciso ir sozinha, Lótus para, olha para trás e o observa como se só então o estivesse vendo. Ela passa os olhos sobre ele como se, de algum modo, o reconhecesse, e me surpreende quando acena, convidando-o a se juntar a nós.
— Esse também é seu destino. Agora as respostas que busca estão a seu alcance — diz ela, com a voz sábia e segura.
Alterno o olhar entre ela e Jude, imaginando que diabo aquilo pode significar, mas ela já se virou, e, pelo olhar de Jude, ele está tão confuso quanto eu.
Ela nos guia pela lama, pela floresta de árvores exauridas com galhos secos, sem sinal algum de folhagem, apesar da chuva constante. Seus pés se movem com uma precisão surpreendente, enquanto luto para acompanhá-la, colando os olhos na parte de trás de sua cabeça, sem querer perdê-la de vista, ciente do slip-slop dos passos de Jude com dificuldade atrás de mim.
Mesmo sendo grata pela companhia, não consigo parar de pensar que deveria ser Damen.
Damen deveria estar fazendo a jornada a meu lado. Damen, que quis vir, quis me manter a salvo — apesar de não concordar com minha vinda desde o início.
Ter Jude aqui parece errado em todos os sentidos.
Vamos em frente, seguindo Lótus pelo que parecem quilômetros, e estou prestes a perguntar quanto falta quando, então, chegamos.
Tenho certeza disso assim que vejo.
A paisagem é praticamente a mesma, o solo ainda é lamacento, a chuva ainda cai e o entorno é tão sombrio e estéril como sempre — mas, mesmo assim, não há como negar. O ar é diferente. Mais frio. A temperatura caiu tanto que desejo estar vestindo algo mais quente que calça jeans e blusa de mangas compridas. Ainda mais notável, porém, é o modo como a área a nosso redor parece resplandecer e cintilar — lampejando e reluzindo. Parece menos com o véu brilhante que marca o portal para Summerland e mais com uma mudança na atmosfera. De repente, tudo se torna nebuloso, revolto, e o que há à frente é nada mais que borrões, meras sugestões do que pode existir.
Lótus para, leva a mão à testa e analisa o entorno. Eu fico a seu lado, e Jude ao meu, ponderando se ele insistirá em continuar agora que estamos aqui.
Viro-me para Lótus, contando com algum tipo de instrução, conselho, aviso, palavras de sabedoria — disposta a aceitar qualquer coisa que ela possa me oferecer, mas ela apenas aponta para a frente e faz um sinal para que eu continue andando, que dê o grande salto do lugar onde estou para o imenso desconhecido diante de mim.
— Mas o que farei ao chegar lá? — pergunto, praticamente implorando.
Em vez de se dirigir a mim, ela se vira para Jude e diz:
— Siga em frente. Aprenda. Saberá a hora de voltar.
— Mas... Eu vou com Ever... Não vou? — Ele olha para nós, uma expressão no rosto tão confusa quanto a minha.
Lótus gesticula sem paciência, apontando para a frente, e quando olho para a direção que seus dedos velhos e nodosos indicam, sou obrigada a piscar algumas vezes para captar tudo, enxergar o que ela vê.
Ainda assim, apesar de meus esforços, só consigo enxergar um holograma borrado. É como uma miragem vaga, que poderia ser um vilarejo e seus habitantes, ou algo totalmente distinto.
— Suas jornadas começam aqui. Onde terminam, vocês mesmos devem descobrir.
Jude agarra minha mão, determinado a me apoiar, a seguir comigo, mas ainda não estou pronta.
Por mais que eu goste de Jude, Damen é o dono de meu coração. Ele é único que quero a meu lado nesta jornada — em qualquer jornada.
Lótus toca em meu braço e coloca uma pequena bolsa de seda na palma da minha mão. Fechando meus dedos ao redor dela, diz:
— Tudo de que acha que precisa está aqui. Você decide o significado.
— Mas como? Como vou saber? Como vou... — começo a perguntar, um milhão de perguntas sem resposta invadindo meu cérebro.
Não chego muito longe antes que ela olhe para mim e diga:
— Confie. Acredite. É a única coisa a fazer.
Ela me empurra para a frente, surpreendendo-me com sua força. Não consigo evitar — olho novamente para trás. Meus olhos analisam a área, procurando desesperadamente por Damen, como se a força de meu desejo pudesse transportá-lo até aqui.
Mas não o encontro em lugar algum. Então endireito os ombros, ergo o queixo e dou o primeiro passo, com Jude a meu lado, de mãos dadas comigo.
Ambos hesitamos em direção a algo que não conseguimos definir, embora não demore muito até sermos puxados por uma força irresistível — como uma massa de energia em redemoinho, um turbilhão que nos suga para dentro de si. Estou prestes a entrar nele quando sinto.
A onda familiar de formigamento e calor.
Logo seguida por um grito melancólico de meu nome em seus lábios.
Viro-me, percebendo o lampejo de dor em seus olhos quando me vê com Jude e supõe que o substituí.
Solto a mão de Jude e assisto, desamparada, ao turbilhão que o engole enquanto me esforço para me equilibrar entre dois mundos.
Meus dedos tentam ávida e ansiosamente alcançar Damen, mas, embora ele venha rápido, não é o suficiente para que nossas mãos se encontrem As pontas de nossos dedos se tocam de leve enquanto nossos olhos rapidamente se encontram. Quando dou por mim, já não posso fazer nada.
Sou puxada para longe.
Perdida no redemoinho.
Jogada em um lugar desconhecido — uma época desconhecida.
Sei que Damen está aqui — em algum lugar —, mas não consigo encontrá-lo.
Já estou fazendo a viagem de volta.
Para muito longe.
De volta para o início.

2 comentários:

  1. Ela tem que ficar com Damen no final de tudo, por que se não... Vou ficar bem irritada!

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  2. Prefiro mil vezes que ela fique com o jude porque sério o damem é um louco só porque viu ela uma vez e não aguentou a perda precisou a caçar pelo mundo durantes séculos?? Mas o jude não ele sempre renascia na mesma época que ela tipo coisa do destino

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