2 de novembro de 2015

Dois

Haven atirou-se em meu carro, lançando seu corpo com força contra a porta e apoiando seus pés. Franzindo as sobrancelhas, olhando furiosa e murmurando uma lista de reclamações para mim, enquanto eu saía para a rua.
— Regra número um— eu olhei para ela, tirando meu longo cabelo loiro do meu rosto, determinada a ignorar ela abertamente com um olhar hostil — Você não pode contar para ninguém— eu pauso, permitindo as palavras perfurarem, acrescentando — Sério, você não pode contar para sua mãe, seu pai, seu irmãozinho Austin...
— Por favor— ela mexeu-se, cruzando e descruzando suas pernas, puxando suas roupas e sacudindo seus pés de um jeito tão inquieto, tão contorcido que é claro que ela mal suporta ficar contida aqui comigo — Eu mal falo com eles de qualquer jeito— ela olha de cara feia — Além disso, isso é uma repetição. Você já avisou isso alto e claro. Então vamos manter em movimento, vamos apenas acabar com isso, então eu posso sair daqui e começar minha nova vida.
Eu engoli duro, recusando-me tão pouco a ser precipitada ou influenciada, olhando para ela enquanto, eu paro em um semáforo, determinada que ela entenda a completa importância disso quando eu adiciono — Isso inclui Miles, de maneira alguma, seja o que for, não pode contar para ele.
Ela rola seus olhos e ocupa-se com seu anel, torcendo ao redor de seu dedo médio, claramente tentando atirá-lo em mim — Ótimo, não posso contar para ninguém, entendi— ela resmungou — Próxima, por favor!
— Você ainda pode comer comida real— eu fiz meu caminho pelo cruzamento, lentamente pegando velocidade — Mas você não irá querer sempre, pois o elixir a enche e fornece todos os nutrientes que você precisa, mas de qualquer jeito, em público, é importante manter as aparências, então você tem que pelo menos fingir que você está comendo.
— Oh, como você?— ela olha para mim, sobrancelha arqueada, lábios enrolados em um sorriso falso — Você sabe, quando você senta ali no almoço, rasgando seu sanduíche em pedaços e esfarelando sua batata frita em pedacinhos pensando que ninguém percebe? É aquilo que você tem feito todo esse tempo? Preservando aparências? Cruzes, Miles e eu pensamos que você tinha apenas uma desordem alimentar!
Eu tomo uma profunda respiração e focalizo em dirigir, mantendo minha velocidade da luz, recusando deixá-la chegar a mim. Como o carma de Damen sempre continua reivindicando que toda ação causa uma reação, isso é onde minha ação tem me levado. Além do mais, se eu pudesse voltar no tempo de novo, eu não iria mudar qualquer coisa. Eu faria exatamente a mesma escolha como antes, por que não importa quão complicado esse momento possa ser, é ainda melhor que estar presente ao seu funeral algum dia da semana.
— Oh meu Deus— ela olha para mim, sua boca aberta, olhos arregalados, voz alta e estridente quando ela diz — Eu acho, eu acho que escutei isso!
Meus olhos encontram os dela, e apesar do fato dela estar abaixada, apesar do fato de que o sol do verão do sul da Califórnia está batendo diretamente sobre nós, minha pele fica instantaneamente resfriada.
         Isso não é legal, isso não é nada legal!
— Seus pensamentos! Você estava pensando algo sobre estar feliz por não ir ao meu funeral, certo? Quer dizer, eu realmente escutei suas palavras em minha cabeça. Isso é tão legal!
Eu imediatamente levanto meu escudo, barrando todo o acesso à minha mente, minha completa energia, e tudo. Mais um pouco assustada pelo fato que ela era capaz de fazer aquilo quando eu não podia ler a sua, e eu nem tinha tido a chance de mostrar para ela como fazer seu escudo ainda.
— Então vocês dois não estavam zombando, vocês estavam? Sobre toda a coisa de telepatia? Você e Damen realmente leem a mente um do outro.
Eu acenei, devagar, relutantemente enquanto ela me analisava com seus olhos que brilhavam mais do que nunca. O que uma vez foi um comum, basicamente uma sombra marrom, frequentemente escondida com loucas lentes de contato, é agora uma brilhante redemoinho dourado, topázio e bronze, mais outro efeito colateral da imortalidade.
— Eu sempre soube que vocês eram estranhos, mas isso leva a um outro nível. E agora eu posso fazer isso também! Jesus, eu queria que Miles estivesse aqui.
Eu fecho meus olhos e balanço minha cabeça, aspirando por paciência e perguntando quantas vezes mais eu irei ter que repetir isso. Quando eu freei para um pedestre e disse:
— Mas você não pode dizer a Miles, lembra? Nós já terminamos com isso.
Ela encolhe os ombros, minhas palavras afetando-a imediatamente, enquanto ela roda um fio de um lustroso cabelo castanho em volta de seu dedo indicador enquanto uma Bentley preta para ao nosso lado com um garoto de nossa escola atrás do volante.
— Tudo bem, tudo bem, eu não irei contar para ele. Chillax ali, você viu?— ela olhou nosso colega de classe, sorrindo, flertando e acenando, até ficar distante enquanto ela soprava uma serie de beijos para ele, sorrindo quando ele fez o dobro — A chave do segredo. Eu apenas costumo conversar com ele quando coisas excitantes acontecem. Isso é tudo, é um hábito, eu tenho certeza que irei me restabelecer, mas ainda, você tem que admitir, isso é uma maldição tão legal! Quer dizer, como você reagiu quando você descobriu? Você não ficou completamente empolgada?
Ela olha para mim, sorrindo quando ela acrescenta — Sem trocadilhos.
Eu amarro a cara, empurrando o acelerador, mais severamente do que eu pretendia. O carro balança para frente enquanto minha mente viaja de volta a aquele primeiro dia, ou na última vez que Damen tentou interromper a vida, alterando as novidades no estacionamento lotado da escola. Mas eu não estava pronta para escutar, e eu estava muito bonita, longe de estar animada com isso. Então, pela segunda vez, ele insistiu em explicar nosso passado, longo e enrolado passado, eu ainda estava com dúvidas. Quero dizer, por um lado eu achava que era muito legal que nós finalmente pudéssemos ficar juntos depois séculos mantidos separados. Mas por outro lado, era muito para entender, muito para desistir.
E, enquanto, pela primeira vez, nós pensávamos que a escolha era toda minha, que eu poderia continuar a beber o elixir e abraçar minha imortalidade, ou ignorar isso completamente, viver minha vida e sucumbir à morte em algum ponto em um futuro distante, agora nós sabemos melhor.
Agora nós sabemos a verdade sobre o fim da imortalidade.
Agora nós sabemos sobre Shadowland.
O vazio infinito.
O eterno abismo.
O lugar onde os imortais permanecem, isolados por toda a eternidade.
Um lugar que nós precisamos nos afastar.
— Terra para Ever— ela riu. Mas eu apenas dei de ombros, é a única resposta que eu planejo dar.
O que faz ela se inclinar para mim e dizer:
— Desculpe-me, mas eu não compro você— Seus olhos me varrem — Isso é como o melhor dia da minha vida e tudo que você quer fazer é focalizar no negativo. Quero dizer, Alô! Poderes psíquicos, aptidão física, a juventude eterna, e a beleza, isso não significam nada para você?
— Haven, não é todo o divertimento e jogos, isso é...
— Sim, sim— ela rola seus olhos e bate na cadeira puxando os joelhos ao peito enquanto ela envolve seus braços firmemente em torno deles — Há regras, uma desvantagem, ouvi isso alto e claro— ela franze as sobrancelhas, pegando o cabelo ao seu lado e torcendo em um brilhante cacho castanho.
— Mas Jesus, você nunca se cansa disso, de sempre estar tão sobrecarregada, tão sobrecarregada no mundo? Quero dizer, você tem a melhor vida! Você é loira, olhos azuis, alta, está em forma, é talentosa, oh, e ainda por cima, o cara mais sexy do planeta acontece de ser loucamente apaixonado por você!— ela suspira, perguntando como eu posso possivelmente ser tão cega à sua verdade. — Quero dizer, vamos reconhecer, você tem o tipo de vida que as outras pessoas só podem sonhar e ainda, você faz com que pareça o caminho para a “Cidade Porcaria”. E honestamente, eu sinto muito dizer isso, mas acho que isso é loucura. Porque a verdade é que me sinto fantástica! Eletrificada! Como um raio passando pelo meu corpo da minha cabeça até os meus pés e de nenhum jeito eu estou me juntando a você e sua jornada a “Ilha da Tristeza”. De nenhum jeito eu vou escapulir pelo campus com horrorosos capuzes e óculos com um Ipod praticamente estourando em minha cabeça como você costumava fazer. Quer dizer, pelo menos agora eu sei por que você fez isso, para evitar todas as vozes e pensamentos, certo? Mas, ainda assim, de maneira nenhuma vou viver assim. Eu quero abraçar isso, com ambos os braços, e também planejo chutar seriamente os traseiros de Stacia, Honor e Craig se eles incomodarem a mim e meus amigos!— ela se inclina para frente, braços nos joelhos e estreita seu olhar — Quando eu penso sobre toda a porcaria que eles fizeram você passar e você apenas rolou e aceitou... — Ela franze os lábios — Eu não entendo!
Eu olho para ela sabendo que eu posso apenas baixar meu escudo, pensar a resposta e ela irá escutar as palavras em minha cabeça, mas sabendo que isso irá ressoar muito mais se eu falar alto e dizer — Eu acho que tudo que vem com um alto preço, a perda da minha família, nunca atravessar... — eu pauso, não deixando as palavras escaparem. Não exatamente explicando sobre Summerland, a gloriosa dimensão mística entre a dimensão, ou a ponte que leva todos os mortais para o outro lado, ou pelo menos agora de qualquer maneira. Uma coisa de cada vez — É apenas sempre estar aqui, nunca atravessar nem ver minha família de novo — eu balanço minha cabeça — E bem, para mim de qualquer maneira, parece como uma grande penalidade!— ela me alcança, um olhar triste de cachorrinho em seu rosto, antes de afastar-se rapidamente.
— Opa, me desculpe, me esqueci que você odeia ser tocada!— ela enruga seu nariz enquanto ela coloca fios de seu cabelo atrás de sua orelha.
— Eu não odeio ser tocada — eu dou de ombros — Eu apenas, às vezes, bem isso pode ser bem revelador, isso é tudo!
— Será que irá ser assim para mim também?
Eu olho para ela, não tendo ideia de que habilidade ela tem. Ela está tão distante do normal, em apenas uma garrafa de elixir, quem sabe o que uma cesta completa irá trazer?
— Eu não sei— eu dou de ombros — Algumas coisas aconteceram por eu morrer e parar em...— Seus olhos estreitaram esforçando-se para ler os meus pensamentos, mas não ficando muito distante, graças ao escudo que eu construí.
— Bem, vamos apenas dizer que tive uma experiência de quase-morte. Isso tende a mudar as coisas.
Eu viro em sua rua. Ela olha para mim, olhar fixo, intenso, dedos vagarosamente tocando em um pequeno rasgo em sua legue enquanto ela diz — Parece que você é o tipo que escolhe as coisas que você quer que eu saiba— ela levanta sua sobrancelha, desafiando-me a negar. Mas eu não faço, apenas fecho meus olhos e aceno. Então cansada de mentir e encobrir todo o tempo, é bom admitir algumas coisas para uma mudança — Posso perguntar por quê?
Eu levanto meus ombros e respiro fundo, forçando meu olhar a encontrar o dela — É muito para pegar de uma vez. Algumas coisas precisam ser experimentadas para entender enquanto outras coisas... Bem, um monte disso pode esperar, embora ainda há um par de coisas que você precisa saber.
Eu estaciono e remexo pela minha bolsa, dando uma pequena bolsa de seda, que Damen me deu.
— O que é isso? — ela puxa o barbante, e coloca seu dedo dentro, soltando um pequeno grupo de coloridas pedras preciosas unidas por fios de ouro fino, e pendurado em um cordão de seda preta.
— Isso é um amuleto — eu aceno — É importante você usar isso todo o tempo, todo dia de agora em diante. — Ela pisca os olhos, balançando para trás e para frente, observando como as pedras capturam e refletem na luz do sol.
— Eu tenho um também — eu puxo a minha, revelando o meu próprio cacho de pedras.
— Por que o meu é diferente? — ela dá uma olhada entre os dois, comparando, tentando decidir qual é o melhor.
— Por que os dois não são o mesmo, nós todos temos diferentes... necessidades, e usar estes irá nos manter a salvo.
Ela olha para mim — Eles têm qualidades protetoras— eu dou de ombros, sabendo que estou pisando em águas escuras. A parte que eu e Damen discordamos.
Ela inclina sua cabeça e enruga sua face, incapaz de ler meus pensamentos, mas sabendo que eu estou protegendo eles — Proteger de que exatamente? Quer dizer, nós somos imortais, certo? Se eu não estou enganada isso significa que nós iremos viver para sempre, e você está me falando que eu preciso de proteção? Para me manter a salvo?— ela balança sua cabeça — Desculpa, Ever! Mas isso não está fazendo nenhum sentido. De quem, ou do que eu deveria estar protegida?
Eu tomo uma respiração, assegurando-me que estou fazendo a coisa certa, a única coisa na qual Damen consegue pensar. Esperando que ele perdoe o que irei dizer — Você precisa estar protegida de Roman.
Ela balança sua cabeça e cruza os braços, se recusando a acreditar — Roman? Isso é ridículo, Roman nunca iria me machucar.
Eu pasmo, mal acreditando nos meus ouvidos, especialmente depois de tudo o que eu disse a ela.
— Desculpa, Ever, mas Roman é meu amigo, e não que isso seja da sua conta, mas nós atualmente, bem, estamos no caminho de nos tornar mais do que amigos! E uma vez que não é nenhum segredo que você o odiou desde o primeiro dia, realmente não é tão surpreendente ouvir você dizer isso agora. É triste, mas não me surpreendente.
— Eu não estou inventando.— eu encolho os ombros, aspirando por calma que eu nem sequer posso invocar. Sabendo que levantando minha voz, tentando forçar ela a ver as coisas do meu jeito, nunca irá funcionar com alguém teimosa como ela.
— É, talvez você esteja certa, talvez eu não goste dele, mas considerando como ele tentou matar você e tudo, bem, me chame de louca, mas eu acho que isso é razão suficiente! Eu tenho testemunhas, eu não era a única ali, você sabe!
Ela pisca os olhos, unhas batendo contra a maçaneta da porta, enquanto ela diz — Ok, então me deixe entender corretamente, Roman tenta me envenenar com um chá estragado.
— Beladona, também conhecida como uma planta venenosa...
— Não importa! O ponto é que você diz que ele estava tentando me matar, mas ao invés de você ligar para o 190, você apenas ficou para ver por você mesma? Quer dizer, e aí com isso? Obviamente você não levou isso muito a sério, então por que eu deveria?
— Eu tentei ligar, mas isso era... Complicado — eu balancei minha cabeça — Isso era uma escolha entre... Entre... Alguma coisa que eu realmente preciso, e como você pode ver, eu escolhi você.
Ela olha para mim, olhos arregalados, mente calculando, não dizendo uma palavra.
— Roman prometeu me dar o que eu precisava se eu apenas deixasse você morrer, mas eu não pude fazer isso, e então...— eu gesticulei para ela — Agora você é imortal!
Ela balança a cabeça e olha em volta, se focando em um grupo de crianças vizinhas dirigindo um carrinho de golfe para cima e para baixo na rua. Permanecendo quieta por um longo tempo que eu estou prestes a falar quando ela diz:
— Desculpe se você não conseguiu o que você queria Ever, realmente eu sinto, mas você está errada sobre Roman! Não! De maneira alguma ele me deixaria morrer! Sobre o que você disse, ele tinha o elixir pronto para mim caso você escolhesse diferente. Além do mais, eu acho que conheço Roman um pouco melhor que você, e o fato é... Ele sabe como eu estava infeliz com as coisas que estavam acontecendo com minha família — Ela encolheu os ombros — Ele provavelmente apenas queria me fazer imortal para me tirar dali, mas não queria ser o responsável por isso, pois há um monte de encargos (ou obrigações) que vem com isso. E eu não tenho dúvida que se você não tivesse me feito beber ele teria interferido. Seja realista, Ever, você fez a escolha errada, você deveria apenas ter chamado de blefe.
— Ele não é responsável por nada! — Eu murmuro, interiormente rolando os olhos, tirando toda essa ladainha. Que escolha eu teria? Eu balanço minha cabeça e começo de novo — Não é assim, ainda não terminei... é... — Minha voz desvanece enquanto ela olha para longe, plenamente convencida de que ela está certa e eu estou errada; e, já que eu tentei avisá-la sobre todo o perigo, sobre ele, Damen provavelmente vai me culpar pelo o que eu direi em seguida.
— Bem, acredite no que você quiser, apenas me faça um favor. Se você vai insistir em sair com Roman, então tudo que eu peço é que você sempre use o seu amuleto. Sério, nunca tire ele! Para nada! ...E...
Ela olha para mim, sobrancelha levantada, porta entreaberta, desesperada para sair do carro e ir pra longe de mim.
— E se você estiver realmente retribuindo a gentileza por eu fazer você imortal...— nossos olhos se encontram — Então Roman tem algo que eu realmente preciso ter de volta!

4 comentários:

  1. Eu acho que foi uma péssima escolha ter transformado a Haven!
    Ass: Bina.

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  2. eu acho q ela será de grande ajuda para ever conseguir o antidoto... ou nao

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