2 de novembro de 2015

Dezessete

— O que aconteceu com você?
Eu pisco, sem ter ideia do que ele está falando até seguir seu dedo que está apontando para a barra da minha calça que está cheia de lama, e os meus chinelos de dedos que costumavam ser bonitos com sua cor de ouro metálico, mas agora estão tão com uma crosta de sujeira tão grande que estão tingidos de marrom.
Eu franzi a testa, instantaneamente trocando eles por uma melhor, nova e limpa versão da mesma coisa, feliz em saber que eu estou de volta à magia de Summerland, o que é bem melhor do que a No-Man‘sland que eu visitei mais cedo. Levo um momento para me envolver no macio casaco lilás que eu também manifestei, colocando ele firmemente ao meu redor quando digo:
— Eu me cansei de esperar. Eu não sabia quanto tempo você ia levar, então eu saí em uma pequena –uh- viajem de campo— eu dei de ombros como se não fosse grande coisa, como se fosse uma coisa do dia-a-dia, andar no jardim, tarde da noite – quando a verdade é que com a estranha chuva implacável, aquelas árvores sem graça e a determinação do meu cavalo de sair daquele lugar – foi tudo menos isso. Porém Jude já tem o suficiente para processar sem adicionar mais um território confuso a isso, e eu já estou morrendo para saber o que ele viu.
—-Mais importante de saber o que aconteceu comigo, é saber o que aconteceu com você?— eu olho ele, desde o seus dreds marrons, até a sola dos seu chinelos, notando como ele continua bonito por fora, exatamente como eu o deixei, mas por dentro, alguma coisa definitivamente mudou. Há uma mudança
em sua energia, no seu comportamento. Em uma mão ele parece mais leve, brilhante, cheio de confiança, porém ele parece muito delicado para alguém que acabou de visitar uma das maiores maravilhas do universo.
— Bem, isso foi, interessante— ele balança a cabeça, seu olhar encontra o meu, mas só por um instante antes de ele desviá-lo rapidamente. E eu não acredito que ele acha que pode escapar com isso, quero dizer, eu acho que eu mereço um pouco mais que isso depois de trazê-lo aqui.
— Hum, se importa de elaborar?— eu levanto minha sobrancelha. — Exatamente, o quanto isso foi interessante? O que você viu, ouviu, aprendeu? O que você fez a partir do momento em que eu te deixei? Você conseguiu as respostas que eu precisava?— sabendo que eu estou a um segundo se espiar em sua cabeça e ver por eu mesma se ele não começar a falar logo.
Ele respira fundo e vira, dando alguns passos até finalmente encontrar o meu olhar e diz:
— Eu não tenho certeza se quero falar isso agora – é muito pra processar – eu ainda preciso dar um sentido a isso. Tudo isso é um pouco – complicado.
Eu fecho os olhos, determinada a ver por mim mesma. Existem só alguns segredos em Summerland, especialmente para um novato como ele que não tem nem uma pista de como isso funciona, mas no momento em que eu dou de cara com uma parede mental, eu sei onde ele esteve.
Os registros Akashic.
Lembro quando Romy disse uma vez. “Nem todos os pensamentos podem ser lidos, só aqueles que você tem permissão para ver. O que quer que seja que você viu nos registros Akashic te pertencem, e são seus para guardar”.
Eu estreito meus olhos, precisando saber mais do que nunca, eu chego mais perto dele, sendo parada quando eu sinto aquele calor e o formigamento que sua presença traz. Virando-me para encontrar Damen, descendo pelos degraus de mármore antes de vê-lo parar — tudo para — e nossos olhos se encontram. Eu estou a segundos de chamá-lo – precisando que ele se junte a mim, sabendo que essa é a chance de me explicar – quando eu vejo o que ele vê. Eu e Jude, juntos, aproveitando uma bela viajem a Summerland – o lugar especial para Damen e eu. Antes de eu poder fazer alguma coisa, falar alguma coisa, ele se foi. Num piscar de olhos ele sumiu, como se nunca estivesse lá.
Exceto que ele esteve.
Eu posso ver a linha da sua energia. Eu posso senti-lo na minha pele.
Uma olhada em Jude é tudo o que eu preciso para confirmar isso. Vendo o jeito que seus olhos se arregalam, o modo como seus lábios se separam – o jeito que ele se aproxima de mim, querendo me confortar, mas eu o empurro para longe rápido, ciente do que Damen deve ter pensado – o jeito que nós devemos parecer ao seu olhar.
—Você deveria ir— eu digo, virando minhas costas para ele, minha voz forte e nítida — Só feche os olhos, faça o portal e vá. Por favor.
— Ever… — ele diz, buscando por mim, mas eu já tinha ido, me mandando para outro lugar.

Um comentário:

  1. acho errado o modo como ela trata ele quando vê Damen, ele ajuda ela e quando o Damen aparece ela simplesmente despreza ele! ( eu sei que o Damen é lindo gato e perfeito, mas é injusto)

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