5 de novembro de 2015

Capítulo dois - Rituais

Haus der Nacht, Frankfurt, Alemanha, 1085 d.C. A terceira dentre as dez runas é uma ponte,
às vezes indicando uma troca (em termos atuais, uma “viagem de ida e volta”), outras,
sugerindo um evento isolado que altera a vida de um modo irreversível.
Uma ponte sempre indica uma escolha.

Introdução: Os rituais são o batimento cardíaco de uma sociedade vampírica. Por meio deles exaltamos Nyx, e também assinalamos vários aspectos de nossas vidas. A sociedade vampírica tem Rituais Maiores, que incluem, mas não se limitam a, fases da lua, mudanças de estação, limpezas e proteções em grupo, morte de um familiar, o rompimento de um Imprint, a celebração de Samhain, Yule, Beltane e Eostre.
Apesar de os rituais diferirem de acordo com os talentos, as preferências e as necessidades de cada Grande Sacerdotisa, há alguns aspectos que nunca mudam. Por exemplo, um círculo sempre é traçado antes de começar o ritual.
Ao traçar o círculo, a Grande Sacerdotisa sempre começara no leste e chamará o ar para si. Então, ela se moverá no sentido horário ao redor do círculo, parando no sul para chamar o fogo, no oeste para a água, no norte para a terra e, finalmente, em direção ao meio para chamar o espírito a fim de completar o círculo.
Normalmente, velas são acesas em cada uma das cinco direções quando o elemento é chamado. As cores usadas para as velas são: ar – amarelo; fogo – vermelho; água – azul; terra – verde; espírito – púrpura.


Quando o ritual se completa, a Grande Sacerdotisa costuma fechar o círculo agradecendo a cada um dos elementos, enquanto dá uma volta pelo círculo no sentido anti-horário, terminando onde começou, no leste, com o elemento ar. Durante o ritual, é importante não se esquecer de manter a mente concentrada em pensamentos positivos. Depois de finalizado, é preciso comer, beber e relaxar para se estabilizar. Note que o sangue é muito usado nos rituais, mas raramente por novatos que ainda não sejam sextanistas.
Para começar a entender a importância do ritual, você precisa se familiarizar com as bases históricas de cinco dos ritos mais sagrados. Então, novato, vire a página e deixe que o tempo pese sobre seus olhos. Prepare-se para se espantar com algumas de nossas mais gloriosas Grandes Sacerdotisas, bem como os rituais que elas inspiraram.

Calcutá, House of Night da Índia, 2001, onde novatos integram sua cultura à House of Night
ao decorar a mesa com os saris usados na primeira vez em que traçaram o círculo.


Ritual de Iniciação das Filhas Negras

Haus der Nacht, Frankfurt, Alemanha, 1085 d.C. A quarta dentre as dez runas e uma
combinação de três luas crescentes que formam uma figura alada, representando verdade e
ausência de medo. Entretanto, assim como o ar, estas crenças são transparentes para os
demais, podendo ser por eles distorcidas se expostas inadvertidamente.

Elemento ar
As origens das Filhas Negras remontam ao ano 60 d.C., na Bretanha. Na época, a tribo celta mais próspera era a dos Iceni, liderados pela corajosa rainha humana Boudicca, que não se curvou ao domínio de Roma. Com o intuito de humilhar a rainha Iceni, o cobrador de impostos romano Catus Brutus fez a rebelde Boudicca ser chicoteada em praça pública e forçou-a a assistir às suas duas filhas adolescentes, Mirain e Una, serem brutalmente estupradas.
Apesar de ser humana, Boudicca demonstrou ter uma coragem digna de um vampiro Filho de Erebus, ao vestir seu traje de guerra e convocar os celtas para lutar contra as poderosas legiões romanas. Os livros de história relembram as efêmeras vitórias de seu exército, sua derrocada final e seu massacre pelas mãos dos romanos, bem como o fato de a rainha Boudicca ter se suicidado pouco depois do massacre de seu exército.
Mas a história dos humanos não faz menção ao que aconteceu com suas filhas... E é por isso, novato, que a história dos vampiros relata o episódio.
Após a trágica batalha, as duas meninas foram Marcadas. Fracas e doentes por causa das Marcas recentes, e longe da proteção dos vampiros, as bravas jovens partiram de sua terra desolada pela guerra rumo às Terras Altas da Escócia e à House of Night da Ilha de Skye.
Lá, as irmãs sofreram tanto a perda da mãe que os vampiros tinham pouca esperança de que seus corpos de calouras aceitassem a transformação. E, assim, o coven deixou as meninas à mercê de seu luto, como se temessem que tamanha desdita fosse contagiosa.
Inteiramente sós e achando que a dor de seus corações jamais teria fim, as garotas não tinham vontade de viver. Na calmaria que acompanha o fim de cada noite, elas foram até a beira do penhasco em Neist Point, determinadas a pular para a morte, e reencontrar a mãe e rainha.
Então o ar se agitou.

Os últimos momentos de Una e Mirain. c. 1970. House of Night: Hall das Sacerdotisas,
Tulsa, Oklahoma. Gentilmente cedido pelo conselho dos Vampiros do Sudoeste, EUA.

Levada pela brisa salgada e atravessando a névoa turva da ilha, a voz de Nyx alcançou os ouvidos de Mirain e Una. Logo antes do amanhecer, com a típica escuridão que precede as rosadas pontas dos dedos da manhã que galgam o céu, a voz da deusa, cheia de amor maternal, envolveu-as com uma afinidade elemental, oferecendo-lhes uma vida nova.
Ó, minhas Filhas Negras, vocês estão tomadas por tamanho desespero, que sinto profundo pesar! Não desperdicem suas preciosas vidas! Sejam valentes e abracem este elemento e seu novo destino. Saibam que estou sempre com vocês. Escutem seus corações, e hão de me ouvir na brisa que responde ao seu chamado de pronto. Vejam com suas almas, e me enxergarão nos olhos umas das outras. Meu amor por vocês é tão eterno quanto o ar que vocês respiram e cujo controle lhes concedo. Peço-lhe que optem pela vida, pelo amor e pela felicidade. Deixem-me curar suas tristezas para que possam encontrar força uma na outra, minhas lindas e corajosas Filhas Negras...
O elemento ar encheu as irmãs com o amor da deusa, e, enquanto Mirain e Una prestavam atenção nas palavras de Nyx e aceitavam seu novo destino, sua compaixão curou as feridas nos corações das irmãs. Lá, de frente para o mar e o amanhecer, pela primeira e única vez na história dos vampiros, novatas Marcadas há apenas duas semanas passaram pela transformação.
Antes de deixarem o íngreme penhasco, as vampiras recém-transformadas fizeram um voto sagrado de jamais permitir que outro novato entrasse em desespero devido à solidão que quase lhes custara suas vidas.
Elas selaram o voto sagrado com o poder do vento.
Ofereceram a Nyx o voto sagrado.
Ataram o voto sagrado com as palavras: “As Filhas Negras escolhem a vida”.
E, assim, nasceram as Filhas Negras.

As legendárias tatuagens de Una e Mirain desenhadas a partir de antigos pergaminhos.
Seus símbolos demonstram profunda afinidade com o ar, e muitos se repetiram em
outras Sacerdotisas depois de desenvolvidos seus laços. (c. 1970). House of Night: Hall
das Sacerdotisas, Tulsa, Oklahoma. Gentilmente cedido pelo conselho dos Vampiros
do Sudoeste, EUA.


Ritual de iniciação das Filhas Negras

Elemento ar
Antes de traçar o círculo, a líder das Filhas Negras deve colocar, pessoalmente, uma mesinha feita de madeira de abeto-branco, também conhecido como árvore do nascimento, no centro. Após, ela deve dispor três vasilhas amarelas na mesa ao redor da vela púrpura do espírito, que sempre fica no centro do círculo traçado. Deve encher uma vasilha com folhas secas de manjericão, outra com água salgada fresca, e uma terceira com folhas secas de abeto-branco. Também é preciso encher o cálice ritual de hidromel*.

Sir Ronald Fleming, séc. IX d.C. Bruxelas, Bélgica. Cálice de cristal forjado à mão.
Presenteado à House of Night para uso exclusivo das Filhas Negras, nas cerimônias logo
após serem Marcadas, bem como quando se transformam durante a adolescência. Cedido
pela Coleção Vampírica dos Flandres, Bélgica.

Depois, a líder das Flhas das Trevas deve decorar a mesa com componentes, de sua escolha, que representem o elemento ar, além de símbolos de amizade. Por exemplo, ela pode escolher plumas, que representam o ar, e fitas bem coloridas trançadas para representar o entrelaçamento das vidas dos amigos.
Quando a mesa estiver pronta, e o círculo tiver sido traçado pela líder das Filhas Negras, o candidato à iniciação é chamado ao centro. A líder mergulha as pontas dos dedos na vasilha de água salgada e borrifa ao redor do candidato, dizendo:
Em memória da Ilha de Skye, onde nasceram as Filhas Negras, eu uso a água salgada para limpar o espaço ao redor de minha irmã candidata.
A líder retorna à mesa e, com a vela do espírito, acende a vasilha de manjericão seco. Depois que a chama já estiver produzindo fumaça, ela apaga. Com gestos delicados, incita a brisa a levar a fumaça de manjericão até a candidata, que deve aspirá-la profundamente. Enquanto a candidata é envolvida pela fumaça, a líder continua:
O doce manjericão exorciza a negatividade. À medida que o ar a envolve com a fumaça do manjericão, as energias negativas vão sendo banidas de sua vida.
Retornando à mesa, a líder acende as folhas secas de abeto-branco com a vela do espírito. Estas também devem ser apagadas após produzir fumaça suficiente. Segurando a vasilha fumegante à sua frente, a líder deve rodear a candidata três vezes, lentamente, dizendo:
Seja corajosa e aceite seu novo destino. Você sabe que Nyx está sempre com você. A partir de hoje, saiba que suas irmãs, as Filhas Negras, também estarão sempre com você. Se tiver medo, chame uma irmã pelo vento e será respondida. Se estiver só, procure uma irmã e saberá o que é amizade. Quando você olhar nos olhos de outra Filha das Trevas, saberá que neles estarão refletidos o amor e a compaixão de Nyx.
A líder retorna à mesa para pegar o cálice e oferecê-lo à candidata, dizendo:
Se você fizer o juramento desta irmandade, jamais estará sozinha de verdade. Qual a sua escolha, novata?
A candidata deve, então, pegar o cálice, levantá-lo e proclamar alegremente:
Eu escolho a vida!
E, enquanto ela bebe profundamente do cálice, a líder e as testemunhas do ritual gritam:
Bem-vinda à nossa irmandade de vida, amor e felicidade! Bem-vinda, Filha das Trevas**!
A nova Filha Negra recebe a honra de ser aceita para fechar o círculo. Ao final, deve-se comer e beber em celebração. Muitas líderes presenteiam o novo membro com algo que simboliza o nascimento da Filha das Trevas como parte da irmandade.

*Hidromel era uma das bebidas favoritas dos antigos celtas. Ao usá-lo durante o Ritual de Iniciação das Filhas Negras, você estará homenageando Mirain e Una. Note que algumas calouras misturam sangue ao ritual de hidromel. A prática não é estimulada, a menos que alunas de turmas adiantadas estejam passando pela iniciação.
**É claro que os novatos também são bem vindo as Filhas Negras, e são chamados de Filhos das Trevas durante e após o ritual.


Ritual de Proteção de Cleópatra

Elemento fogo
A história dos humanos oferece vasta documentação mostrando que Cleópatra foi a única faraó do Egito e que também foi uma Grande Sacerdotisa Vampira. Historiadores humanos relatam que ela foi Marcada quatro anos antes da morte do pai, Ptolomeu XII, em agosto de 51 a.C., e que completou a transformação no dia em que ele foi sepultado.
Ptolomeu XII deixou seu vasto reino para o filho Ptolomeu XIII, mas decretou que ele deveria governar junto com a irmã, Cleópatra, e que – de acordo com a antiga tradição egípcia – os dois deveriam se casar.
Mas Cleópatra não era mais humana, e sábia demais para seguir cegamente uma tradição abominável. Ela partiu da House of Night de Tebas retornando a Alexandria, apesar de não ter intenção de se casar com o irmão. Dizem os textos humanos que ela usou Júlio César e o poder de Roma para banir Ptolomeu – e, acabou se casando com Marco Antônio depois do assassinato de César. Também é narrado como seu romance com Marco Antônio levou o Egito à derrota e resultou em sua morte. Novamente, devemos consultar a história dos vampiros para saber a verdade.

Haus der Nacht, Frankfurt, Alemanha, 1085 d.C. A quinta dentre as dez runas reflete
a liberação da paixão, mas é temperada com um alerta: se os motivos são puros, tudo
estará bem. Mas, se tiverem origem negativa, cuidado.

No Egito, Nyx é adorada como Nyx-Sekhmet, que se traduz literalmente como Deusa da Noite e do Fogo. Antes mesmo de ser Marcada, Cleópatra oferecia incenso e óleos vegetais no Templo de Nyx-Sekhmet, em Alexandria. Seus pergaminhos, preservados pela House of Night de Tebas, explicam, com suas próprias palavras, como ela foi Marcada e como passou pela transformação naturalmente. Cleópatra relata como sua dedicação a Nyx-Sekhmet se aprofundou durante quatro anos que levou para se transformar, e que o Conselho Supremo declarou de imediato seu status de Grande Sacerdotisa. Ela estava destinada a se tornar uma voz poderosa no Conselho Supremo dos Vampiros, mas a morte de seu pai e sua decisão de deixar a sociedade dos vampiros para governar o Egito alteraram seu destino irrevogavelmente.

As tatuagens de Cleópatra, reproduzidas a partir de hieróglifos. A tão mencionada víbora
era um símbolo de poder, podendo ser vista no meio da tiara que envolve o cabelo da Faraó.
Aqui, ela se volta para a parte interna das costas da lua crescente. Cerca de 1970, House of Night:
Hall da Sacerdotisa Tulsa, Oklahoma.Gentilmente cedido pelo conselho dos Vampiros do Sudoeste, EUA.

Antes de encarar a nobreza egípcia, a recém-transformada Cleópatra se retirou para o deserto além-Alexandria, onde passou três dias e três noites jejuando e rezando para Nyx-Sekhmet, rogando à deusa que a ajudasse em sua determinação de governar o Egito, sem ser forçada a um abominável casamento com o irmão. A deusa ficou tocada com o amor de Cleópatra pelo povo egípcio e atendeu às preces da jovem vampira, presenteando-a com uma afinidade com o fogo tão poderosa que, quando ela emergiu do deserto e entrou na cidade, o povo egípcio ficou perplexo ao vê-la.
O antigo historiado vampiro Seshat descreve a cena:
E eis que quando o sol se pôs no oeste, Cleópatra adentrou em Alexandria. A vampira resplandecia. Seus grossos cabelos negros haviam adquirido um tom bronzeado e, assim dourados, esvoaçavam pelos ombros lustrosos em resposta ao poder que lhe inflamava o corpo. Ela era uma deusa dourada de fogo. Até seus olhos escuros haviam ganhado a cor do fogo, pois emanavam um etéreo brilho cor de âmbar.
As pessoas gritaram que ela só podia ser a encarnação de Nyx-Sekhmet, mas Cleópatra não reivindicou a divindade da deusa. Com a voz amplificada dez vezes, ela gritou: “Eu não sou Ela, mas fui tocada por Sua chama e, se me aceitarem como sua verdadeira faraó, usarei o poder do fogo para protegê-los até meu último suspiro!”
Os Alexandrinos, tanto os plebeus quanto a nobreza, curvaram-se voluntariamente diante de Cleópatra, e baniram seu irmão quando ele tentou insistir que todos tinham que seguir a tradição humana e promover seu casamento com a irmã.
No dia em que coroaram Cleópatra como rainha do Alto e do Baixo Egito, ela evocou o elemento, o fogo, na frente de todos, e traçou um círculo de proteção ao redor da cidade de Alexandria, o que garantiu a segurança de todos os moradores por duas décadas...

Cleópatra perto de Alexandria.
c. 1970. House of Night: Hall das Sacerdotisas, Tulsa, Oklahoma. Gentilmente
cedido pelo conselho dos Vampiros do Sudoeste, EUA

Ah, novato, posso imaginar sua confusão. Você está se perguntando por que o Ritual de Proteção de Cleópatra é tão importante se durou apenas duas décadas. A resposta é que o que importa não é o ritual de Cleópatra, mas a lição que foi aprendida por meio de sua deterioração.
Júlio César foi, de fato, aliado de Cleópatra e do Egito, o que faz todo sentindo, já que ele teve um Imprint com ela durante sua primeira visita a Alexandria. A grande vampira faraó chegou até a visitar César em Roma, e chorou muito a perda de seu consorte quando ele foi assassinado por seres humanos sedentos por poder.
Marco Antônio também se aliou a Cleópatra após ter tido um Imprint com ela, tornando-se seu segundo consorte. Foi esse Imprint e o desejo de Marco Antônio de renunciar à sua terra e viver ao lado de Cleópatra que fez Roma se voltar contra o Egito.
Roma exigiu que o Imprint de Marco Antônio fosse rompido, e que ele retornasse para reassumir seu cargo de comandante das legiões. Cleópatra se recusou a se separar dele, e disse: “Roma já me tirou um consorte. Não levará mais um”.
A nobreza egípcia implorou que Cleópatra reconsiderasse, dizendo que o reino não tinha como enfrentar o poder de Roma.
Cleópatra se recusou a ouvir.
O Conselho Supremo dos Vampiros, agindo de modo sem precedentes, se envolveu em uma questão politica dos humanos. Eles se reuniram com Cleópatra, insistindo para que ela não se esquecesse de que não era simplesmente uma vampira apaixonada por seu consorte humano. Ela era faraó do Egito e responsável pela segurança da nação de humanos.
Cleópatra novamente se recusou a ouvir.
Suas criadas contaram aos plebeus que testemunharam Nyx-Sekhmet aparecendo para Cleópatra nas chamas da lareira da faraó. A deusa tentava dizer a filha para ter juízo e tentava reconduzi-la ao caminho certo.
Como você já sabe, caloura, o maior presente de nossa deusa a todas as suas filhas e todos os seus filhos é o livre-arbítrio.
Cleópatra preferiu não ouvir.
Roma ficou contra o Egito e Cleópatra, paralisada de medo por seu consorte, abandonou seu povo e o círculo de proteção ao redor de Alexandria. A flama antes pujante, foi reduzida então a cinzas inócuas. A cidade foi invadida. Marco Antônio tentou conduzir o exército egípcio e cessar a destruição, mas o medo que Cleópatra sentia por ele o fez perder seu espírito guerreiro, e no final, encontrar a morte quando os egípcios eram escravizados.
Ao saber da morte de Marco Antônio, Cleópatra evocou seu elemento e o mandou libertá-la do insuportável pesar e culpa que estava sentindo. Então, como uma serpente gigante, o fogo consumiu a vampira, engolindo-a por inteiro.
Portanto, como você vê, novato, a importância do Ritual de Proteção não se encontra no círculo em si, mas no vampiro que o projeta. Deixem a memória de Cleópatra guiá-los para as boas escolhas...


Ritual de Proteção do Fogo
Observação: Este ritual é usado para proteger a House of Night. Mas os novatos devem se lembrar que um ritual de proteção pode ser usado para vários propósitos diferentes, desde algo amplo, como a proteção de um campus ou de uma cidade, até alguma coisa mas específica, como a proteção de um companheiro ou consorte.
Para desempenhar um autêntico ritual de proteção com ênfase no fogo, a sacerdotisa no comando da cerimônia deve seguir o exemplo de Cleópatra e isolar-se para jejuar e rezar durante três dias antes da noite do ritual. Não é preciso retirar-se para o deserto, mas deve ficar totalmente sozinha – e não falar com ninguém, a não ser com Nyx. Durante esse tempo, a sacerdotisa deverá estabelecer seu Intento Ritual. Isto quer dizer que precisa se concentrar no que ou quem deseja proteger, e por que considera o ritual necessário. Lembre-se, calouro, de que dependerá da sacerdotisa o sucesso ou malogro da proteção. Se seu intento for honrado e assim permanecer, o ritual será bem sucedido é algo que depende inteiramente da força da sacerdotisa. Se houver o menor vestígio que seja de intenção desonrosa ou egoísta, o ritual será tão ineficaz quanto combustível para quem quer apagar o fogo.
O Ritual de Proteção do Fogo começa exatamente ao anoitecer do terceiro dia de jejum da sacerdotisa. O círculo já deve estar pronto para ela, com velas nos pontos de cada um dos cinco elementos e testemunhas agrupadas ao redor. No meio, sobre uma mesa de ferro forjado, deverá haver um cálice vermelho cheio de óleo precioso misturado com canela. Quando o sol tiver se posto, a sacerdotisa deve adentrar o círculo sem falar. Ela deve ter em mãos fósforos de madeira* e um athame**
A sacerdotisa traça o círculo e depois dirige-se para pegar o cálice cheio de óleo. Segurando-o à sua frente, ela deve começar pelo leste e caminhar ao redor do círculo no sentido horário, derramando o óleo em sua mão direita e, com ela, borrifá-lo pelo círculo. Enquanto caminha, ela diz:
Eu evoco o elemento fogo para assistir, abençoar e guiar este ritual. Em honra do fogo, unjo o círculo com óleo de canela derramado por minha própria mão, e proclamo meu intento de pedir a proteção do elemento para esta House of Night. Para demonstrar a pureza de meu intento, proclamo estas antigas verdades originalmente enunciadas muito tempo atrás, quando Cleópatra, outra filha de Nyx, o evocou.
Em alto e bom som, a sacerdotisa deve clamar:
Saudações, caminhante de Nyx! Vinda da reclusão, em nada me equivoquei. Saudações, àquela cujos dois olhos ardem em chamas! Não maculei as coisas da deusa, nem em pensamento, nem em gesto. Saudações, eliminadora do falso discurso! Não me inflamei em cólera. Saudações, deusa que tudo vê, provedora de suas filhas e filhos! Não pronunciei Seu nome em maldições.
As antigas proclamações cessam quando a sacerdotisa retorna ao centro do círculo. Ela acende o óleo que restou no cálice e o levanta sobre a cabeça, dizendo:
Com puro intento ritualístico incluo o fogo nesta jura de proteção. Sua força está em mim, e através de mim sua flama será duradoura, consumindo ferozmente qualquer um que deseje fazer mal a esta House of Night.
Ainda segurando o cálice flamejante, a sacerdotisa pega seu athame e se aproxima da vela amarela, que representa o fogo, na ponta leste do círculo. Passando a lâmina três vezes pela chama do cálice, ela diz:
Sou una com a chama. Mesmo sob a plena luz do sol, adentro no fogo protetor, do fogo apareço, a luz do sol não me perfurou, vós que sabeis que meu puro intento não me queimou. Vosso fogo manterá esta House of Night em segurança, cortando como o punhal corta a cera qualquer um que ouse desafiar este ritual.
Com o athame quente, a sacerdotisa cinzela então o nome de sua House of Night na vela amarela e depois a coloca cuidadosamente no cálice, deixando que a chama a consuma. Enquanto a vela queima, a sacerdotisa deve agradecer aos outros elementos e dispensá-los; as testemunhas também devem partir sem alarde, deixando a sacerdotisa a sós com a vela ardente. Ela deve esperar até que a vela seja consumida e a chama se extinga espontaneamente, para só então partir.
Este ritual é muito exaustivo para a sacerdotisa que o desempenha. Depois de realizá-lo, ela precisará se reenergizar*** e se estabilizar.

Punhal Cerimonial. 250-200 a.C. Ouro 10 quilates. Da Coleção
de Fatima Bastet, Galeria da Noite do Cairo, Egito.

*Isqueiros modernos jamais deverão ser usados para evocar a ajuda do fogo em qualquer Ritual.
** Punhal de uso apenas ritualístico.
***Você saberá mais detalhes sobre como os vampiros se reenergizam, caso se torne sextanista.


Circe, e o Ritual da Lua Cheia
Haus der Nacht, Frankfurt, Alemanha, 1085 d.C. A sexta dentre as dez runas é um
desenho rudimentar de sete gotinhas de água caindo juntas em curva. A runa da água
representa fluidez, fluxo criativo, soluções e conexão; seu lado negativo pode indicar
instabilidade e loucura.

Elemento água
O Ritual da Lua Cheia é único com seu propósito. Trata-se do único Ritual Maior que existe somente para permitir que vampiros e novatos conheçam a beleza e o encanto de Nyx, ao transcender os limites do mundo físico. Dentre todas as belíssimas Grandes Sacerdotisas que já conduziram este ritual, há uma vampira cuja memória se destaca em esplendor. O texto a seguir é carinhosamente dedicado a ela.
Até o mês de agosto do ano 79 d.C., o Conselho Supremo dos Vampiros ficava na adorável Ilha de Capri. Muitas extraordinárias Grandes Sacerdotisas lá reinaram, mas a mais conhecida de nossas antigas matriarcas é Circe, a quem Nyx concedeu o dom da afinidade com a água. Foi Circe quem teve um Imprint com o famoso viajante Odisseu, e também foi quem inspirou a construção de Pompeia. Era dona de tamanha beleza e sedução que os antigos operários fizeram Pompeia com a intenção de produzir “uma joia bela o bastante aspirando adornar o seio de Circe”.
É claro que Circe não era só uma linda Grande Sacerdotisa. Ela seguia o caminho de Nyx e, tamanha era sua devoção à deusa, que sabia encontrar o toque mágico de Nyx até nas coisas mais simples.
Os humanos a temiam e a chamavam de bruxa feiticeira, criando toda uma mitologia sobre sua longa vida repleta de magia. Os vampiros a adoravam e diziam que ela era abençoada pela deusa. Quando Circe fez a passagem para o Outro Mundo, dizem que o azul-esverdeado do Mediterrâneo que circunda Capri ficou de luto, enegrecendo por três dias.
Dentre todos os talentos de Circe, os historiadores vampiros concordam que ela era uma grande adepta do ritual conhecido como “trazer para baixo a lua cheia”. Sabemos que isso é verdade não apenas devido à lenda vampírica. Os “vampiros” modernos de Circe realizando Rituais da Lua Cheia podem ser encontrados ornando as paredes de vários museus, incluindo o Louvre, a National Portrait Gallery britânica e o Museu de História Natural de Nova York.
Talvez uma das razões que explicam o fato de os rituais da lua serem tão extraordinários fosse ela ser capaz de prever a data exata em que a lua cheia chegaria ao topo das Rochas Faraglioni, ao sul de Capri. Sobre estes três blocos de rochas, Circe escreveu:
O mar azul-celeste reina supremo ao redor de minhas belas ilhas, acariciando as Faraglioni com seu beijo salgado. Uma de minhas queridas rochas, com sua abertura no meio formando um túnel, parece ter sido esculpida pela mão de Nyx. A outra brota orgulhosamente da costa, como uma sentinela guerreira – sempre vigilante, sempre alerta. E quando nossa deusa, na forma de uma luz prateada cintilante, é atraída para o meio delas, o resultado é pura magia...
Agora, novato, prepare-se para receber de presente uma joia preciosa. O texto a seguir foi traduzido a partir do único ritual escrito à mão por Circe que restou de seu diário. Aqui, nas palavras da própria Grande Sacerdotisa, já falecida há tanto tempo, é possível apreciar a magia de um Ritual da Lua Cheia de Capri.


O Ritual da Lua Cheia

Elemento água
Senti que o ar noturno vinha soprando algo diferente, mas só depois do anoitecer tive certeza absoluta de que a lua tumescente ia chegar ao topo das Rochas Faraglioni esta mesma noite.
Como se espera de um evento que acontece no máximo duas vezes por ano, o Conselho Supremo imediatamente espalhou a notícia, sinalizando com o farol de fogo do topo de nosso afloramento pedregoso, convocando todos os vampiros das redondezas para comparecer a Capri.
Minhas sacerdotisas me prepararam, tomando o cuidado especial de ungir meu corpo com bons óleos, delinear meus olhos com kohl* e me vestir com os mais esplêndido traje ritualístico – um vestido apertado e tão macio que parecia que eu estava usando um traje de água transformada em pano pela magia de Nyx.

As tatuagens de Circe, desenvolvidas ao longo de séculos por sua liderança
filantrópica por toda a costa de Amalfi. Observação: Dentro de seu crescente, vê-se
um náutilo de concha alveolar, com um de seus animais prediletos e uma forma viva
de nossa espiral, c. 1970. House of Night: Hall das Sacerdotisas, Tulsa, Oklahoma.
Gentilmente cedido pelo Conselho dos Vampiros do sudoeste, EUA.

Optei pela maior e mais linda concha que peguei na ultima lua cheia. Levantei-a com cuidado em frente a mim, enquanto as sacerdotisas e os Filhos de Erebeus me acompanharam do castelo até a trilha sinuosa que leva a uma praia ao sul. Enquanto caminhávamos, percebi que a luz de suas tochas refletia o âmago rosado da concha, como se estivesse iluminando um segredo.
Eu poderia viver uma eternidade sem jamais me esquecer daquela noite tão alegre. Quando o cálido mar, pleno de sal e vida, tocou meus pés descalços, achei que fosse desmaiar, tamanho prazer senti.
Ah, deusa! Que bênção primorosa ser presenteada com a afinidade com água! Como sempre, louvo seu nome!
Não estivesse a lua cheia e luminosa entre minhas amadas Faraglioni, eu poderia ficar lá por horas, totalmente encantada pelo mar.
Mas a lua da deusa fez-me lembrar de meu propósito e então, com a ajuda de quatro sacerdotisas preferidas, acendi a vela de cada elemento, colocando-as em pedaços de madeira trazida pelas águas com furos feitos especialmente para esse fim. Quando meu círculo estava completo, a música começou. Bateram tambores, flautas cantaram e címbalos tremularam, tornando audível a felicidade. Juntos elevaram suas vozes em doce harmonia, e eu dancei, absorvida pelo mar e pela luz prateada da lua. Quando a radiante esfera atingiu o ponto mais alto no céu, levantei a concha fazendo um sinal para que a música parasse. Depois soltei na água as pequenas embarcações de madeira com as velas, adentrando mais fundo no mar com elas.

Circe traz a lua para baixo. c. 1970. House of Night: Hall da sacerdotisa,
Tulsa Oklahoma. Gentilmente cedido pelo conselho dos Vampiros do Sudoeste, EUA.

Como sempre, meu círculo permaneceu completo. Meu elemento não me faltou. Por amor a mim e em homenagem à deusa, as ondas e marés pararam, suspendendo os movimentos para que eu ficasse no meio de um circulo mágico. Sorrindo, mergulhei a concha no mar e depois me virei para encarar a multidão que se espalhara até onde a vista alcançava na praia e no litoral rochoso.
“Merry meet!”, gritei.
“Merry meet!”, eles responderam em brado jubiloso.
“Quando a lua está cheia, o véu entre o nosso mundo e a deusa – o conhecido e o desconhecido – fica transparente. Em noites como esta, a magia está em ação! E agora devo encerrar este ritual de mágico de consumação.”
Pronunciei as palavras que tão bem conhecia como se tivessem sido escritas no âmago de meu coração.

CIRCE. Bênção da Lua Cheia. Século VIII a.C. Papiro importado e tinta.
Cedido pela Casa di Notte de Napoles, Itália.

“O ritual desta noite ganha uma camada de mistério com o cintilante símbolo de Nyx ascenso entre nossas amadas Faraglion. Portanto, esta noite, vampiros, regozijaremos com a benção adicional da deusa. Qualquer tarefa terminada esta noite será abençoada... qualquer intento que decidirem expressar esta noite será abençoado... qualquer separação realizada esta note será abençoada.”
“Saudações, Nyx!”, todos gritaram.
Virei-me de frente para a lua cheia, brilhando tanto que as Rochas Faraglioni fizeram sombras de um profundo azul sobre as águas. Segurando a concha acima da cabeça, em uma posição que captava os raios prateados para a água dentro dela, recitei a Benção da Lua Cheia para o meu povo:
“Acima de mim sinto teu amor
   minha deusa
Plena da promessa de que através de ti
   minha deusa
Todas as coisas amadureçam e se tornem realidade
   minha deusa
Assim como a diáfana fronteira entre os mundos
   minha deusa
É iluminada pela branca luz de teu sinal
   minha deusa
Peço que desças um raiozinho de teu amor
   minha deusa
Enchas este cálice que segue pelo março
   minha deusa
Para que eu possa sobre mim derramá-lo
   minha deusa
E leves teu toque gentil aos filhos da noite.”
Continuei segurando a concha acima da cabeça, de modo que não pude ver, mas senti o momento exato em que a mão de Nyx tocou a água por causa do súbito calor que irradiou das palmas das minhas mãos e dos ofegos de alegria cujos ecos reverberaram por toda praia.
“A lua cheia é abençoada à vista de todos; como a deusa quiser, assim será!”
Gritei as palavras ao derramar a água cheia de energia da deusa na cabeça e por meu corpo. A água cobriu minha pele até me deixar brilhando com a luz prateada que refletiu a lua de tal maneira que tive de fechar os olhos para que tanto brilho não me cegasse, e enquanto as sacerdotisas fechavam o círculo, regozijei com os filhos de Nyx – da noite – com música e dança, com risos e louvores, e acima de tudo, com amor... sempre amor...

Acima fotografia oferecida por Sofia da Este, novata sextanista que morava em Sorrento, Itália,
antes de ser Marcada. Já transformada, ela voltou para sua casa no litoral para realizar a Bênção
da Lua Cheia; olhe de perto para ver o brilho da concha iluminando a dança dos vampiros.


Libertação de um Espírito Familiar

Haus der Nacht, Frankfurt, Alemanha, 7085d.C. A sétima dentre as dez runas retrata as duas
direções para onde cresce uma árvore: para cima na superfície, em direção ao céu, e para baixo,
expandindo-se na escuridão, uma metáfora de como as maiores forças também são as maiores fraquezas.

Elemento terra
A adorável cidade de Beregen, Noruega, foi fundada em 1070 d.C. Pelo Guerreiro Filho de Erebus Olav Kyrre. A cidade era próspera, repleta de mercadores e artesãos, artistas e poetas. Em 1270, uma Grande Sacerdotisa vampira, conhecida como Freya, estava em missão de exploração à procura de um local para a nova House of Night escandinava, que seria conhecida na época como portão de entrada para os deslumbrantes fiordes da costa da Noruega.
Freya ficou hipnotizada por Beregen, e se apaixonou instantaneamente pelas montanhas fortes e majestosas que se espalhavam ao seu redor, como se fossem um anfiteatro para o mar aberto. Na qualidade de Grande Sacerdotisa que ganhara de Nyx a afinidade pela terra, Freya raramente se sentia segura perto de uma massa de água muito grande, mas, no século XIII, a melhor forma de viajar e fazer comércio era por água, de modo que Beregen pareceu a escolha perfeita para a nova escola.
Mas Freya era tão sábia quanto bela. Em vez de tomar uma decisão tão importante por impulso, adentrou o coração das florestas norueguesas. Isolando-se de modo a estar cercada apenas pela natureza selvagem, ela buscou seu centro, traçou um círculo sagrado e então rezou ardentemente para Nyx, pedindo que a grande deusa lhe mandasse um sinal caso Beregen fosse mesmo a melhor escolha para a nova House of Night. Imediatamente Freya ouviu a voz ecoando pelos ramos de pinheiros, dizendo:
Se meus filhos da floresta a aceitam, então você escolheu bem, filha.
Enquanto o eco sumia pelo mato adentro, dois gatos enormes saíram da floresta. Apesar de raramente vistos e quase nunca domesticados, a Grande Sacerdotisa percebeu que os visitantes eram gatos noruegueses – um casal – da floresta pertencente à lenda escandinava.
Não se sabe exatamente o que aconteceu entre Freya e os gatos, a quem ela deu os nomes de Kais e Kaira, mas artistas e contadores de história recriaram, à exaustão, a dramática cena da esguia e graciosa Grande Sacerdotisa surgindo da floresta ladeada por dois majestosos gatos. As mãos dela estavam pousadas sobre as cabeças dos felinos. Houve gritaria entre a população humana local, que pensou que ela enfeitiçara os animais, mas Freya riu e disse: “Fui eu a enfeitiçada por estas criaturas fascinantes e por sua cidade encantadora!”
A história dos humanos relata a grande alegria de Freya, a beleza de sua tez dourada que combinava tão bem com os gatos da floresta que a escolheram, e sua evidente ligação com a terra; tudo isso conquistou o povo de lá. Os humanos de Beren conseguiram superar sua natureza supersticiosa e aceitaram a nova House of Night, que foi construída com ajuda de artesãos locais em um ponto espetacular da montanha com vista para a cidade. Freya e seus gatos da floresta ficaram tão populares entre o povo, que a Grande Sacerdotisa tinha uma carruagem feita especialmente para os gatos, e era comum vê-la pelas ruas estreitas e sinuosas da cidade ainda puxada por seus amados Kaia e Kaira.

Resposta à pergunta de Freya
c. 1970. House of Night: Hall das Sacerdotisas, Tulsa, Oklahoma.
Gentilmente cedido pelo Conselho dos Vampiros do Sudoeste, EUA.

Os dois gatos da floresta viveram inéditas cinco décadas, e morreram no mesmo período de uma hora. Eles eram tão amados por todos na House of Night e na cidade que, depois de suas mortes, a Grande Sacerdotisa permitiu (uma das poucas vezes nas histórias dos vampiros) que humanos sem Imprint com vampiros participassem de um Ritual Maior, o Ritual da Libertação de um Espírito Familiar.
Calouro, se um gato o escolher como dele, você conhecerá a bênção que é o amor e a devoção de um felino. Quando perder seu felino – já que todos terão de fazer a passagem para o Outro Mundo de deusa bem antes de seus vampiros – prepare-se para o luto e saiba que, mesmo depois da morte, seu felino continuará dedicado a você. Portanto, é importante despedir-se ritualisticamente do espírito de seu felino para que ele possa estar livre para brincar como um filhote nos prados Nyx e não ficar preso neste mundo solitário e incorpóreo, sem conseguir estar com você de verdade, e incapaz de deixar seu espírito partir.
O Ritual de Libertação de um Espírito Familiar é baseado na despedida de Freya a Kaia e Kaira. É forte a influência do elemento terra, que é especialmente importante ao se libertar um espírito. O vampiro deve estar firmemente estabelecido na terra, e os mortos devem ser guiados pelo espírito para que se libertem completamente desta esfera.

Tatuagens de Freya a partir de descrições em seus escritos. Estas são bastante diretas:
flores, vinhas, árvores e pegadas de animais representam a generosidade da terra.
c. 1970. House of Night: Hall das Sacerdotisas, Tulsa, Oklahoma. Gentilmente
cedido pelo Conselho dos Vampiros do Sudoeste, EUA.


Ritual de Libertação de um Espírito Familiar

Elemento terra
É melhor realizar este ritual em uma área o mais desprovida possível de humanos, e deve ocorrer no espaço de três dias da morte do felino. Este é um dos poucos Rituais Maiores que não deve ser conduzido por uma Grande Sacerdotisa, mas sim pelo vampiro que perdeu seu felino. Para honrar a ligação entre gato e vampiro, todos que comparecerem ao ritual devem se banhar e vestir belos mantos antes de entrar no círculo.
Na mesa, no meio do círculo, deve haver representações do gato: fotos, seu brinquedo favorito, uma porção da comida que ele mais gostava, etc., bem como uma corda trançada com feno-de-cheiro e um bastão defumador com sálvia branca. Dentro do círculo, na frente da vela, deve ser posta uma vasilha verde cheia de nata de leite.
Após trançado o círculo, o vampiro que conduzirá o ritual deve acender a corda de feno-de-cheiro. Caminhando no sentido horário ao redor da mesa, ele deve agitar a corda fumegante pelo ar dizendo: “_____________ (o nome do gato), é com tanto amor quanto tristeza que o chamo pela última vez.”
O vampiro deve continuar chamando seu felino até sentir a presença de seu espírito. Então é recomendável que faça uma pausa no ritual e tranquilize o espírito de seu gato, para que ele saiba que será muito amado e que jamais será esquecido. Estas palavras devem ser muito particulares, exclusivas para cada gato, e apesar de não serem uma parte previamente escrita do ritual de libertação, são necessárias e importantes. Depois que o vampiro sentir que tranquilizou o espírito de seu gato, deve acender o defumador dizendo:
Sou filho da deusa e, como tal, sei que quando uma criatura morre, a alma continua vivendo. Sei que a morte é só um jeito de esquecer a dor e o sofrimento – sei que ela é um percurso de volta à Deusa para se renovar e fortificar – para descansar e um dia poder voltar a este plano, pois assim dizem as Grandes Sacerdotisas:
Buscando um novo corpo, que outra mãe possa lhe dar a luz
Para que com os membros mais fortes e a mente mais clara,
a velha alma possa retomar a estrada para a terra.

Mas, para que esta crença se torne realidade, você não pode ficar penando aqui. Você deve partir deste plano para encontrar Nyx no Outro Mundo.

13000-12000 a.C. Serra da Capivara, Brasil. O laço entre vampiro e animal familiar
vem de tempos ancestrais. Nesta pintura rupestre, um vampiro caça com o agora extinto
Smilodon populator, mais conhecido como tigre-dentes-de-sabre.

O vampiro deve caminhar até a parte mais ao norte do círculo e parar com o defumador em frente à vela verde da terra, inalando profundamente a sálvia purificadora, ele deve defumar a si mesmo dos pés à cabeça, e depois usar defumador de sálvia como se fosse um bastão para traçar nosso sagrado pentagrama* no ar, antes de recitar três vezes:
Pequeno amigo, eu te agradeço pelos anos de amor e alegria que me destes. Pequeno amigo, tua memória estará para sempre em meu coração. Pequeno amigo, peço-lhe que esqueça agora de tua concha vazia e não te preocupes comigo. Rogo, em nome de Nyx, que passes desta esfera, sigas em frente, deites e regozijes nos prados da Deusa.
O vampiro precisa, então, derramar a vasilha de nata ao redor da vela da terra, dizendo: ”Com esta oferenda para terra e com o amor é a plenitude de minhas lembranças, eu te liberto e digo merry meet, merry part e merry meet outra vez!”.
O vampiro e os presentes devem visualizar uma porta brilhante, logo depois da parte mais ao norte do círculo. Unidos em pensamento, todos precisam imaginar a porta brilhante se abrindo para revelar um belo prado cheio de grama ondulando ao vento, e o pequeno e luminoso espírito do gato pulando alegremente pela porta, que se fecha suavemente depois de sua passagem.
O ritual estará, enfim, completo. Normalmente, uma das pessoas mais próximas ao vampiro fechará o círculo permitindo-lhe que passe estes momentos relembrando e vivendo seu luto...

D. E. ENGLAND. Farewell, Chenise. Começo da primavera. 2006. Fotografia, 8X10.
Tulsa, Oklahoma. Com permissão da vampira. Observação da autora:
“Esta fotografia foi escolhida por transmitir esperança – novos ramos da grama surgindo na neve”.


*Pentagrama é uma estrela de cinco pontas, sagrada para as filhas e filhos da deusa. Ao contrário do que diz a visão equivocada dos humanos, o pentagrama não é um símbolo do mal. É simplesmente um símbolo sagrado dos cinco elementos: a ponta superior representa o Espírito, e as outras quatro, o Ar, o Fogo, a Água e a Terra. Nós usamos o pentagrama com a ponta do Espírito para cima, simbolizando o aspecto eterno de nossas almas e a trilha que um dia nos levará na forma de espírito à nossa deusa.


A Grande Sacerdotisa e Hércules: rompendo um Imprint

Haus der Nacht, Frankfurt, Alemanha, 1085 d.C. A oitava dentre as dez runas
representa todas as energias e todas as direções: um fluxo simultâneo de conexão entre
o que pode ser vivenciado ou avaliado no plano físico, e o que se qualifica por dentro: o espírito.

Elemento Espírito
As guerreiras amazonas da antiga Ásia Menor, na região geralmente conhecida como Turquia, desconcertaram os humanos por milhares de anos. Mas não são um mistério para nós, novato, pois sabemos exatamente quem eram, onde viviam e o que foi feito delas.
As amazonas eram um grupo de sacerdotisas vampiras que escolheram viver separadas de todos os homens, até dos vampiros. Segundo os documentos do Conselho Supremo dos Vampiros, no século I a.C., uma sacerdotisa chamada Hipólita os abordou com uma petição assinada por vinte e cinco vampiras, pedindo permissão para se retirar da sociedade e fundar seu próprio coven – sem qualquer influência masculina. O Conselho aceitou o pedido das sacerdotisas, e até ajudou Hipólita e suas mulheres a estabelecer sua isolada comunidade pela costa do Mar Negro, no alto de uma montanha escarpada conhecida como Amazonenses, no lugar onde fica a fonte de Thermodon.
Lá as sacerdotisas viviam em total liberdade. Continuaram fiéis em sua adoração a Nyx e, tirando isto, não se reportavam a ninguém, a não ser Hipólita, a quem resolveram chamar de rainha, e não de Grande Sacerdotisa. Eram amazonas experientes e guerreiras destemidas, que se dedicavam ao treinamento nas artes do arco e flecha e no uso do letal machado de duas lâminas. Reza a lenda que chegaram até a domar os majestosos tigres da Ásia Menor, que lhes eram tão devotos quanto nossos felinos nos são hoje em dia.
Mas as amazonas, como acabaram ficando conhecidas, chamaram a atenção dos gregos helenitas. Altamente patriarcais, os gregos não suportavam a ideia de mulheres vivendo sem os homens. Então, um rei grego, Euristeu, mandou seu maior herói, Hércules, roubar de Hipólita sua armadura peitoral dourada. Sabendo que a violação as faria pegar em armas para se defender, os gregos planejaram deixar as amazonas desferirem o primeiro golpe, para então, exterminá-las em retaliação.
Novato, esta não foi a primeira nem a única vez que os humanos subestimaram os vampiros. Hércules de fato rumou para Thermodon, mas ficou surpreso quando ele e seus homens foram recebidos graciosamente pelas amazonas. Hipólita em pessoa mandou fazer um banquete para os convidados. As vampiras dançaram, cantaram e celebraram em uma alegria incontida, intrigando Hércules e seus homens. Eles jamais tinham visto mulheres tão poderosas, lindas e encantadoras. Nessa noite, Hércules convidou Hipólita, a morena de cabelos negros, para beber de seu sangue, e foi quando a rainha amazona e o maior dentre os heróis dos gregos tiveram seu Imprint. Saiba, novato, que as amazonas não odeiam os homens. Elas apenas queriam viver livres – segundo seus próprios termos – jurando fidelidade apenas à rainha e a Nyx. Elas optaram por ser suas próprias guerreiras, trabalhadoras, companheiras e parceiras.
Pelos dois meses seguintes, Hércules não saiu do lado de Hipólita. Durante o dia eles galopavam pelos caminhos traiçoeiros da montanha e se equiparavam na arte do arco e flecha. A noite, amavam-se por inteiro.
Mas sua alegria foi apenas temporária. Passados dois meses, Hércules revelou a Hipólita que, na verdade, o rei o enviara para roubar sua armadura peitoral dourada e provocar uma guerra entre as amazonas e a Grécia. Ao ouvir aquilo, Hipólita sorriu, foi até seu quarto, retornou com a armadura peitoral dourada e a deu a Hércules, dizendo:
Você não pode roubar uma coisa que lhe foi entregue como um presente. Não haverá guerra, pois este não seria o desejo de Nyx, e não seria bom para as minhas mulheres. Portanto leve este presente para o seu rei, e siga com meu grande afeto por você, meu bravo e belo guerreiro grego.
Agora lembre-se, novato, Cleópatra já nos ensinou uma lição sobre os perigos de um vampiro se apaixonar demais por seu consorte. Mas é preciso entender também que é igualmente destrutivo quando um consorte fica obcecado por sua vampira.
Hércules respondeu que não voltaria para Euristeu. Na verdade, ele ficaria ao lado de Hipólita pelo resto da vida.
A reação da rainha amazona foi de perplexidade e consternação. Mas ela não hesitou. Insistiu para que Hércules retornasse ao seu mundo, que era o seu lugar, explicando-lhe que pensara que ele havia entendido que a ligação entre eles era apenas temporária, que não podiam ficar juntos nessa vida, pois ela e suas mulheres haviam jurado viver sem os homens.

c. 1970. Hipólita e a infinidade de espírito. House of Night: Hall das Sacerdotisas,
Tulsa, Oklahoma. Gentilmente cedido pelo Conselho dos Vampiros do Sudoeste, EUA.

A mitologia humana criou uma história sem pé nem cabeça, segundo a qual Hipólita teria rejeitado seu herói, mas a história da sangrenta batalha entre as amazonas e os homens de Hércules e o relato de que Hipólita e suas mulheres foram assassinadas é pura ficção. A verdade é que o grande herói grego teve de ser amarrado por seus próprios homens, que o arrastaram do vilarejo da rainha amazona. Ele então praguejou, jurando retornar para ter o amor de Hipólita outra vez.
Ela achou que sabia o que tinha que fazer, mas, antes de agir, isolou-se por três dias e três noites, rezando para Nyx, que lhe apareceu em sonho no fim da terceira noite. A deusa simplesmente assentiu uma vez e disse três palavras: “Sim, minha filha”.
A rainha voltou para suas mulheres, ciente de estar tomando o rumo certo. E explicou que acreditava que os gregos não lhe dariam paz quando todos ficassem sabendo que ela rejeitara Hércules. Portanto, teriam que abandonar a beleza de Thermodon e se transformar em espíritos. Se quisessem continuar livres, teriam que desaparecer nas matas da Ásia Menor para nunca mais serem vistas por nenhum humano ou vampiro.

Este coração de cristal foi dado a Hipólita por Hércules em sinal de sua adoração,
e a House of Night a guardou em segurança na Grécia por séculos a fio.
Fotografia gentilmente cedida pelo Museu de História Antiga dos Vampiros da Grécia.

Hipólita. 1250 a.C. Busto de mármore, aprox.. 30. Fotografia gentilmente cedida
pelo Museu de História Antiga dos Vampiros da Grécia.

Antes de partirem, Hipólita tinha que fazer duas coisas. Primeiro, mandou uma amazona cavalgar até o Conselho Supremo para que a história fosse contada antes de ela romper qualquer tipo de contato com a sociedade vampírica. Depois para garantir que Hércules jamais a seguisse por meio de seu laço de sangue e conduzisse os gregos até elas, fez o Ritual de Rompimento de Imprint.
E, então, as amazonas desapareceram para sempre.
A mitologia humana diz que Hércules não sobreviveu muito tempo depois que Hipólita rompeu seu Imprint. O mito relata que ele foi morto por um manto envenenado. Para os vampiros, o veneno estava em sua própria mente, e o manto simbolizava sua incapacidade de dar liberdade a seu amor.
Se você tiver a sorte de completar a transformação e se tornar um vampiro, lembre-se de pensar bem antes de escolher um consorte.

Hipólita, com seu animal familiar, Korku. c. 1970. House of Night: Hall das Sacerdotisas,
Tulsa, Oklahoma. Gentilmente cedido pelo conselho dos Vampiros do Sudoeste, EUA.


Rompendo um Imprint
Elemento Espírito
Observação: Após cuidadosa consideração e extenso debate, o Conselho Supremo dos Vampiros, liderados por Shekinah, decidiu tirar este ritual do Manual do Novato 101. Ao que parece, a inclusão deste ritual levaria alguns novatos a acreditarem que poderiam se alimentar dos humanos sem medo do Imprint, pois, se ele acontecesse, poderiam simplesmente apelar a este texto para desfazer tudo.
Calouro, Imprints podem ser tudo, menos simples. Apesar de ser raro que um novato consiga fazer um, é possível acontecer, portanto, nunca é demais alertar seriamente pra o fato de que um Imprint é um vínculo dilacerador de almas. Jamais deve ser feito apenas como experiência ou de forma irresponsável. É um processo que muda irreversivelmente tanto o humano quanto o vampiro novato. Romper um Imprint é uma experiência dolorosa e arrasadora.
Consortes humanos morreram quando a vampira com quem tiveram Imprint se feriu. Outros também morreram em decorrência do rompimento intencional do Imprint por parte da vampira, como evidenciado pelo exemplo histórico de Hipólita e Hércules.
É de uma crueldade indizível sujeitar um consorte ao Ritual de Rompimento de Imprint por razões frívolas e o Conselho Supremo, nossa Grande Sacerdotisa Vampira e o Conselho em exercício na sua House of Night não toleraram este tipo de barbaridade por parte de seus novatos. Sendo assim, os detalhes deste perigoso ritual foram transferidos para o Manual do Novato 401, disponível apenas para os novatos sextanistas que se encontram no fim de sua jornada na House of Night.
Como lição no que diz respeito às consequências, decidimos incluir neste manual a história de Hipólita e Hércules, na qual o consorte morre depois que a vampira rompe propositalmente o Imprint. Neste caso, a Grande Sacerdotisa amazona teve que desaparecer de nosso mundo, com seu povo, deixando para trás somente lendas e mentiras de sua cultura brilhante e bravia.

Shekinah, a Árvore-Mãe. Azulejo comemorativo criado em algum ponto
do século VI para celebrar a transformação da nova sacerdotisa. Fotografia
gentilmente cedida dos arquivos de Shekinah, Tiberíades, Israel.



Primeira experiência no círculo mágico:
Possível afinidade elementar?
Como você soube?
Meu primeiro animal familiar:

Professores vampiros e suas afinidades ou dons:
Grande Sacerdotisa de nossa House of Night:
Ar:
Fogo:
Água:
Terra:
Espírito:

Alguém especial nesta House of Night:
Forças que começo a perceber em mim:

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