20 de novembro de 2015

Capítulo 9

Quando estavam todos indo embora, Stefan foi deixado com Elena, agora decentemente vestida por Bonnie em seu “Traje noturno.” A escuridão do lado de fora era confortável aos olhos feridos dele – não feridos pela luz do dia, mas por contar aos bons amigos as tristes notícias. Pior que os olhos feridos era a ligeira sensação ofegante de um vampiro que não tinha se alimentado. Mas ele remediaria isso logo, disse a si mesmo. Uma vez que Elena dormisse, ele escapuliria para a floresta e acharia um veado-galheiro. Ninguém perseguia como um vampiro; ninguém conseguia competir com Stefan na caçada.
E mesmo que precisasse de diversos veados para aplacar a fome dentro dele, nenhum deles ficaria permanentemente machucado.
Mas Elena tinha outros planos. Não estava sonolenta, e nunca ficava entediada em ficar sozinha com ele. Assim que os sons do carro de seus visitantes estavam decentemente fora de audição, ela fez o que sempre fazia quando estava com esse humor. Flutuou até ele e inclinou sua cabeça para cima, os olhos fechados, os lábios ligeiramente franzidos. Então esperou.
Stefan se apressou até uma das janelas abertas, puxou as cortinas para evitar expectadores indesejados, e retornou. Elena estava exatamente na mesma posição, corando ligeiramente, os olhos ainda fechados. Stefan às vezes achava que ela esperaria para sempre daquele jeito, se quisesse um beijo.
 Eu realmente estou tirando vantagem de você, amor — ele disse, e suspirou.
Inclinou-se e a beijou gentilmente.
Elena fez um som desaprovador que soava exatamente com um gatinho ronronando, terminando com uma nota de inquisição. Bateu no queixo dele com seu nariz.
 Amor — Stefan disse, acariciando seu cabelo. ― Bonnie tirou todos os nós sem puxar?
Mas ele estava se inclinando para seu calor agora, indefeso.
Uma dor distante em sua mandíbula superior já estava começando. Elena cutucou de novo, exigindo. Ele a beijou ligeiramente por mais tempo.
Logicamente, sabia que ela era crescida. Era mais velha e tinha muito mais experiência do que tivera há nove meses, quando se perdiam em beijos de adoração. Mas a culpa nunca estava longe de seus pensamentos, e ele não conseguia evitar se preocupar de ter o consentimento adequado dela.
Desta vez o ronronar foi um de exasperação. Elena estava cheia. De uma só vez, forçou seu peso contra ele, forçando-o a repentinamente aguentar seu calor, o pacote substancial de feminidade em seus braços, e ao mesmo tempo, seu “Por favor?” um som tão claro quanto um dedo circulando em um copo de vidro.
Foi uma das primeiras palavras que ela tinha aprendido a pensar para ele quando acordara muda e sem peso. E, anjo ou não, sabia exatamente o que fazia com ele – como entrar.
“Por favor?
 Ah, amorzinho  ele gemeu. ― Querida...
“Por favor?
Ele a beijou.
Houve um longo tempo de silêncio, enquanto ele sentia seu coração bater mais e mais forte. Elena, a sua Elena, que uma vez dera a vida por ele, estava quente e sonolentamente pesada em seus braços. Era somente dele, e eles se pertenciam exatamente assim, e ele não queria que nada mudasse desse momento em diante. Até mesmo a crescente e rápida dor em sua mandíbula superior era algo que para ser deliciado. A dor mudou para prazer com a boca quente de Elena debaixo da dele, seus lábios formando pequenos beijos de borboleta, provocando-o.
Ele às vezes pensava que ela estava mais acordada quando parecia estar parcialmente dormindo, como agora. Era sempre a instigadora, mas ele seguia indefesamente aonde quer que ela quisesse. Da única vez que tinha se recusado, parara no meio do beijo e ela tinha parado de falar com ele com sua mente e flutuou até um canto, onde então se sentara entre a poeira e as teias de aranha... e chorou. Nada que ele fazia a consolava, apesar de ter se ajoelhado nas tábuas duras de madeira e implorado e persuadido e quase chorado ele mesmo – até que a tomou de volta em seus braços.
Tinha prometido a si mesmo nunca cometer esse erro novamente. Mas ainda assim a culpa o atiçava, apesar de estar ficando cada vez mais distante e mais confusa enquanto Elena mudava a pressão de seus lábios repentinamente e o mundo balançava e ele tinha que recuar até que estivessem sentados em sua cama. Seus pensamentos se fragmentaram. Ele só conseguia pensar que Elena estava de volta para ele, sentada em seu colo, tão animada, tão vibrante, até que havia um tipo de explosão lustrosa dentro dele e não precisava mais ser forçado.
Sabia que ela estava gostando do prazer-dor de sua mandíbula dolorida tanto quanto ele.
Não havia mais tempo ou razão para se pensar. Elena estava derretendo em seus braços, seu cabelo debaixo de seus dedos acariciadores uma líquida suavidade. Mentalmente, já tinham derretido juntos. A dor em seus caninos tinha finalmente produzido o resultado inevitável, seus dentes se alongando, se afiando; o toque deles contra o lábio inferior de Elena causando um relampejo leve de dor prazerosa que quase o fez arfar.
E então Elena fez algo que nunca tinha feito antes. Delicada e cuidadosamente, tomou uma das presas de Stefan e a capturou entre seus lábios superior e inferior. E então, deliberadamente, simplesmente segurou-o.
O mundo inteiro vacilava ao redor de Stefan.
Foi só pela graça de seu amor por ela, e por suas mentes conectadas, que não mordeu e perfurou seu lábio. Antigas vontades de vampiros que nunca conseguiam ser domadas em seu sangue estavam gritando para ele fazer isso.
Mas ele a amava, e eles eram um só – e além do mais, não conseguia se mover um centímetro. Estava congelado de prazer. Suas presas nunca tinham se estendido tanto ou se tornado tão afiadas, e sem fazer nada. A ponta afiada de seu dente cortou o lábio inferior de Elena. Sangue pingava muito devagar pela garganta dele.
O sangue de Elena, o qual tinha mudado desde que ela voltara do mundo dos espíritos. Ele fora maravilhoso uma vez, cheio de vitalidade juvenil e da essência da própria vida de Elena.
Agora... simplesmente estava em outro nível. Indescritível. Nunca tinha experimentado nada como o sangue de um espírito retornado. Estava carregado com um Poder que era tão diferente de sangue humano quanto o humano era de sangue animal.
Para um vampiro, sangue fluindo pela garganta era um prazer tão afiado quanto qualquer coisa imaginável a um humano.
O coração de Stefan martelava em seu peito.
Elena delicadamente soltava a presa que tinha capturado.
Ele conseguia sentir a satisfação dela enquanto a minúscula dor de sacrifício virava prazer, porque estava ligada a ele, e porque era um dos mais raros tipos de humanos: um que realmente gostava de nutrir um vampiro, amava a sensação de alimentá-lo, de ele precisar dela. Ela era uma da elite.
Tremores quentes viajaram por sua espinha, o sangue de Elena ainda fazendo o mundo girar.
Elena soltou sua presa, sugando seu lábio inferior. Deixou sua cabeça cair de volta, expondo seu pescoço.
O cair da cabeça era realmente muito para se resistir, até mesmo para ele. Conhecia os traços das veias de Elena tão bem quanto conhecia seu rosto. E ainda assim...
“Tudo está bem. Tudo está bem...” Elena chamou telepaticamente.
Ele afundou suas presas gêmeas doloridas em uma veia pequena. Seus caninos estavam tão afiados que mal produziram dor para Elena, que estava acostumada com a sensação de picada de cobra. E para ele, para ambos, havia por fim a alimentação, enquanto a indescritível doçura do novo sangue de Elena enchia a boca de Stefan, e uma efusão de entrega varreu Elena para a incoerência.
Já havia perigo de tomar demais, ou de não dar a ela o bastante de seu próprio sangue para impedi-la – bem, francamente, de impedi-la de morrer. Não que ele precisasse de mais que uma pequena quantidade, mas sempre haveria aquele perigo em trocar sangue com vampiros. No fim, contudo, pensamentos obscuros flutuaram para longe com uma felicidade absoluta que havia dominado os dois.


Matt pescou suas chaves enquanto ele, Bonnie e Meredith se amontoavam no largo assento dianteiro de seu calhambeque. Embaraçado por ter que estacioná-lo próximo ao Porsche de Stefan. O forro dos fundos estava em pedaços que tendiam a grudar na roupa de quem quer que se sentasse, e Bonnie cabia facilmente no assento do meio, que tinha um cinto de segurança improvisado, entre Matt e Meredith. Matt mantinha um olho nela, já que quando animada, tendia a não usar o cinto. A estrada de volta para floresta tinha muitas curvas difíceis para não ser levada a sério, mesmo que fossem os únicos viajando nela.
Nada mais de mortes, Matt pensou enquanto se afastava da pensão. Nada mais de ressurreições milagrosas, também. Tinha visto o bastante do sobrenatural para o resto de sua vida. Ele era exatamente como Bonnie; queria que as coisas voltassem ao normal para que pudesse seguir vivendo do velho e simples jeito comum.
Sem Elena, algo dentro dele sussurrou zombeteiramente. Vai desistir sem nem mesmo lutar?
Ei, eu não conseguiria vencer Stefan nem que ele estivesse com os dois braços amarrados atrás das costas e um saco na cabeça. Esqueça. Isso está acabado, não importa que ela tenha me beijado. É uma amiga, agora.
Mas ainda conseguia sentir os lábios quentes de Elena em sua boca do dia anterior, os toques leves que ela ainda não sabia que não eram socialmente aceitáveis entre amigos. E ele conseguia sentir o calor e a oscilação, dançando finamente de seu corpo. Droga, ela voltara perfeitamente – fisicamente, pelo menos, pensou.
A voz plangente de Bonnie cortou suas lembranças agradáveis.
 Justo quando eu achava que tudo ia ficar bem  ela lamentava, quase chorando. ― Justo quando pensei que tudo daria certo afinal. Vai ser do jeito que deveria ser.
Meredith disse, muito gentilmente:
― É difícil, eu sei. Parece que a ficamos perdendo. Mas não podemos ser egoístas.
 Eu posso  Bonnie disse categoricamente.
Eu posso, também, a voz interior de Matt sussurrou. Pelo menos por dentro, onde ninguém pode ser meu egoísmo. O bom e velho Matt; não se importa – que bom esportista Matt é. Bem, essa é uma vez que o bom e velho Matt se importa. Mas ela escolheu o outro cara, e o que posso fazer? Sequestrá-la? Mantê-la trancada? Tentá-la tomar a força?
O pensamento foi como um jorro de água fria, e Matt acordou e prestou mais atenção na direção. De algum jeito, ele dirigia automaticamente pelas diversas curvas da estrada cheia de buracos e de mão-única que corria pela floresta.
 Deveríamos ir para a faculdade juntas  Bonnie persistiu. ― E então deveríamos voltar aqui para Fell’s Church. Voltar para casa. Tínhamos tudo planejado – desde o jardim de infância, praticamente – e agora que Elena é humana novamente, achei que isso significasse que tudo voltaria ao jeito que deveria ser. E nunca será o mesmo novamente, será?  Ela terminou mais silenciosamente e com um pequeno suspiro engolido. ― Será? ― Não era uma pergunta de verdade.
Matt e Meredith se encontraram olhando um para o outro, surpresos pela agudeza de sua pena, e indefesos em confortar Bonnie, que agora tinha seus braços dobrados ao redor de si, desprezando o toque de Meredith.
É a Bonnie – apenas a Bonnie sendo exagerada, Matt pensou, mas sua própria honestidade natural se levantou para zombar dele.
 Eu acho ― disse lentamente ― que isso é o que todos nós meio que estávamos pensando, na verdade, quando ela voltou primeiramente  quando estávamos dançando na floresta como pessoas loucas, ele pensou. ― Acho que pensamos que eles poderiam viver em silêncio em algum lugar perto de Fell’s Church, e que as coisas voltariam ao jeito que eram antes. Antes de Stefan.
Meredith balançou a cabeça, olhando para distância além do para-brisas.
 Stefan não.
Matt percebeu o que ela queria dizer. Stefan tinha vindo para Fell’s Church para se juntar à humanidade, não para levar uma garota humana para o desconhecido.
 Você está certa  Matt disse. ― Eu estava justamente pensando em algo assim. Ela e Stefan provavelmente poderiam ter descoberto alguma maneira de viver aqui em paz. Ou pelo menos de ficar perto de nós, sabe. Foi Damon. Ele veio tomar Elena contra sua vontade, e isso mudou tudo.
 E agora Elena e Stefan estão indo embora. E uma vez que tenham ido embora, nunca voltarão  Bonnie lamentou.
 Por quê? Por que Damon começou tudo isso?
 Ele gosta de mudar as coisas por puro tédio, Stefan uma vez me disse.
― Dessa vez provavelmente começou um ódio pelo Stefan ― Meredith apontou. ― Mas eu queria que pelo menos uma vez ele pudesse nos deixar em paz.
 Que diferença faz?  Bonnie estava chorando agora. ― Então a culpa é do Damon. Nem ligo mais. O que não entendo é por que as coisas têm que mudar!
 Você nunca pode cruzar o mesmo rio duas vezes.” Ou mesmo uma só vez se você for um vampiro forte o bastante  Meredith falou ironicamente. Ninguém riu. E então, muito gentilmente: ― Talvez você esteja perguntando para a pessoa errada. Talvez seja a Elena quem você deve perguntar porque as coisas tem que mudar, se ela se lembrar do que aconteceu a ela... do Outro Lado.
 Não quis dizer que eles têm que mudar...
 Mas eles têm que ir  Meredith respondeu, até mais gentil e saudosamente. ― Não vê? Não é sobrenatural; é a vida. Todos têm que crescer...
 Eu sei! Matt tem uma bolsa de estudos para o futebol americano e você vai para a faculdade e então vai se casar! E provavelmente ter bebês!  Bonnie conseguiu fazer isso soar como alguma atividade indecente. ― Eu vou ficar presa numa faculdade de nada para sempre. E ambos serão bem crescidinhos e se esquecerão da Elena e do Stefan... e de mim  Bonnie terminou com uma voz muito baixa.
 Ei  Matt sempre foi muito protetor em relação aos feridos e ignorados. Nesse momento, mesmo com Elena tão recente em sua mente – ele se perguntou se alguma vez se livraria da sensação daquele beijo – estava atraído por Bonnie, que parecia tão pequena e frágil. ― Do que você está falando? Vou voltar depois da faculdade para viver aqui. Provavelmente morrerei bem aqui em Fell’s Church. Ficarei pensando em você. Quero dizer, se você quiser que eu pense.
Ele deu um tapinha no braço de Bonnie, e ela não se afastou de seu toque como tinha do de Meredith. Ela se inclinou para ele, apoiando a testa contra seu ombro.
Quando ela estremeceu uma vez, ligeiramente, ele colocou o braço ao redor dela sem nem mesmo pensar.
 Não estou com frio  Bonnie falou, apesar de não tentar tirar seu braço. ― Está quente esta noite. Eu só... eu não gosto quando você diz coisas como provavelmente morrerei bem aq...” cuidado!
 Matt, cuidado!
 Opa...!  Matt pisou nos freios, xingando, ambas as mãos lutando com o volante enquanto Bonnie se abaixava e Meredith se firmava. O substituto de Matt para seu antigo carro que ele perdera era tão velho quanto o primeiro e não tinha airbags. Era uma coletânea de peças de ferro velho juntas.
 Segurem-se!  Matt gritou enquanto o carro patinava, os pneus cantando, e então todos voaram ao redor enquanto a traseira desviava de uma vala e o para-choque frontal atingia uma árvore.
Quando tudo parou de se mover, Matt soltou sua respiração, relaxando seu aperto mortal no volante. Começou a se virar na direção das garotas e então congelou. Lutou para acender a lâmpada de leitura, e o que viu o manteve congelado novamente.
Bonnie tinha se virado, como sempre em momentos de agonia profunda, para Meredith. Ela estava deitada com a cabeça no colo de Meredith, as mãos travadas no braço e camiseta de sua amiga. A própria Meredith estava sentada, firme, inclinando o mais longe possível para trás, seus pés esticados empurrando contra o chão debaixo do painel; seu corpo arqueado para trás no assento, a cabeça atirada para trás, os braços segurando Bonnie apertadamente.
Empurrado diretamente contra a janela aberta – como uma lança verde torta e desordenada ou o braço agarrado de algum gigante terrestre selvagem – estava o galho de uma árvore. Quase encostava na base do pescoço arqueado de Meredith, e seus galhos mais baixos passavam pelo pequeno corpo de Bonnie. Se o cinto de segurança de Bonnie não a tivesse deixado se virar; se Bonnie não tivesse se abaixado daquele jeito; se Meredith não a tivesse segurado...
Matt se encontrou encarando diretamente a ramificada, mas muito afiada, ponta da lança. Se seu próprio cinto de segurança não o tivesse impedido de inclinar-se naquela direção...
Matt conseguia ouvir a sua própria respiração pesada. O cheiro de pneu estava dominando o interior do carro. Ele até mesmo conseguia sentir o cheiro dos lugares onde galhos menores tinham quebrado e estavam gotejando seiva.
Muito vagarosamente, Meredith esticou-se para quebrar um dos ramos que estava apontado para o seu pescoço como uma flecha. Não quebrava.
Entorpecido, Matt esticou-se e tentou ele mesmo. Mas apesar de a madeira não ser muito mais grossa que seu dedo, era dura e nem mesmo dobrava. Como se tivesse sido endurecido pelo fogo, pensou perplexamente. Mas isso é ridículo. É uma árvore viva; posso ver as raízes.
 Ai.
 Posso, por favor, levantar agora?  Bonnie perguntou em voz baica, sua voz abafada contra a perna de Meredith. ― Por favor. Antes que isso me agarre. Isso quer me agarrar.
Matt olhou para ela, assustado, e roçou sua bochecha contra a ponta ramificada do grande galho.
 Isso não vai te agarrar.  Mas seu estômago estava fazendo barulhos enquanto remexia cegamente para afrouxar seu cinto de segurança. Por que Bonnie deveria ter o mesmo pensamento que ele tivera; que a coisa era um enorme, torto e desordenado braço? Ela nem conseguia ver.
 Você sabe que isso quer  Bonnie sussurrou, e agora o ligeiro tremor parecer estar tomando seu corpo todo. Ela esticou-se para trás para tirar o cinto de segurança.
 Matt, precisamos deslizar  Meredith falou. Ela tinha cuidadosamente mantido sua posição curvada para trás de aparência dolorosa, mas Matt conseguia ouvi-la respirar arduamente. ― Precisamos deslizar na sua direção. Isso está tentando se enroscar ao redor da minha garganta.
 Isso é impossível...  Mas ele conseguia ver, também. As pontas recém-ramificadas dos galhos menores tinham se movido apenas infinitesimalmente, mas havia uma curva nelas agora, e as ramificações estavam pressionando a garganta de Meredith.
― É só provavelmente que ninguém pode ficar curvada para trás desse jeito para sempre  ele disse, sabendo que isso era doidice. ― Há uma lanterna no porta- luvas...
 O porta-luvas está completamente bloqueado pelos galhos. Bonnie, você consegue se esticar para soltar meu cinto de segurança?
 Vou tentar  Bonnie deslizou para frente sem levantar a cabeça, remexendo para achar o botão de abrir.
Para Matt, parecia que os galhos perenes, desordenados e aromáticos estavam engolfando-a. Puxando-a para suas farpas.
 Temos uma maldita árvore de Natal aqui.
Ele olhou para longe, para o vidro da janela de seu lado. Colocando as mãos em volta dos olhos para ver melhor na escuridão, inclinou sua testa contra o vidro surpreendentemente frio.
Houve um toque na parte de trás de seu pescoço. Ele pulou, então congelou. Não era nem frio nem quente, como a unha de uma garota.
 Droga, Meredith...
 Matt...
Matt estava furioso com ele mesmo por pular. Mas o toque era... arranhento.
 Meredith?  Afastou suas mãos vagarosamente até que ele conseguisse ver no reflexo da janela escura.
Meredith não estava tocando nele.
 Não... se mova... para a esquerda, Matt. Há um pedaço longo bem afiado ali.  a voz de Meredith, normalmente fria e um tanto remota, geralmente fazia Matt pensar naquelas fotos de calendário de lagos azuis cercadas por neve. Agora ela simplesmente soava chocada e tensa.
 Meredith!  Bonnie disse antes que Matt pudesse falar. A voz de Bonnie soava como se estivesse vindo debaixo de um colchão de penas.
 Está tudo bem. Só tenho que... afaste isso  Meredith disse. ― Não se preocupe. Não vou te soltar também.
Matt sentiu um pinicar mais afiado de ramificações. Algo tocou seu pescoço no lado direito, delicadamente.
― Bonnie, para com isso! Você está puxando a árvore para dentro! Você está puxando-a para Meredith e para mim!
 Matt, cala a boca!
Matt calou a boca. Seu coração estava martelando. A última coisa que queria fazer era esticar-se para trás. Mas isso é estúpido, pensou, porque se Bonnie realmente está movendo a árvore, eu pelo menos posso segurá-la para ela.
Ele se esticou para trás, hesitando, tentando observar o que fazia no reflexo da janela. Sua mão se fechou sobre um nó grosso de casca de árvore e galhos.
Ele pensou, não me lembro de ver um nó quando estava apontado para a minha garganta...
 Peguei!  uma voz abafada disse, e houve um clique de um cinto de segurança se desfazendo. Então, muito mais tremulamente, a voz disse: ― Meredith? Há farpas enfiadas em todas as minhas costas.
 Está bem, Bonnie. Matt  Meredith falava com esforço, mas com grande paciência, do jeito que todos falaram com Elena. ― Matt, tem que abrir a sua porta agora.
Bonnie disse com uma voz de horror:
 Não são só as farpas. São pequenos galhos. Meio como fios farpados. Eu estou... presa...
 Matt! Você precisa abrir a sua porta agora...
 Eu não consigo.
Silêncio.
 Matt?
Matt estava se segurando, empurrando com seus pés, ambas as mãos presas ao redor da casca de árvore escamosa agora. Ele empurrou-se para trás com toda a sua força.
 Matt!  Meredith quase gritou. ― Está cortando a minha garganta!
 Eu não consigo abrir a porta! Tem uma árvore desse lado também!
 Como pode ter uma árvore aqui? Essa é a estrada!
 Como pode ter uma árvore crescendo aqui?
Outro silêncio. Matt conseguia sentir as farpas – as lascas de galhos quebrados – mordendo mais profundamente sua nuca. Se ele não se movesse logo, nunca seria capaz de fazê-lo.

Um comentário:

  1. Uau
    Nss acabaram de falar vou morrer aki e isso acontece
    E essa arvora loka

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