26 de novembro de 2015

Capítulo 8

Enquanto eles se apressaram em sair do carro para o solitário quarto de hotel, Elena teve que pressionar suas pernas para manter o ritmo estável. Assim que a porta do quarto foi fechada, com a tempestade mais ou menos do lado de fora e ela mesma rígida e com dores em seu corpo, foi para o banheiro sem se quer acender a luz do quarto. As suas roupas, seus cabelos, e seus pés estavam encharcados.
As lâmpadas fluorescentes do banheiro pareciam muito brilhantes após a escuridão da noite e da tempestade. Ou talvez seja começo de seu aprendizado para fazer o seu Poder circular por seu corpo.
Isso certamente foi uma surpresa. Damon se quer tinha tocado-a, mas o choque que tinha sentido, ainda reverberava em seu interior. E quanto a sensação de ter seu Poder manipulado pelo lado de fora de seu corpo, bem, simplesmente não havia palavras. Tudo bem, tinha sido uma experiência de tirar o fôlego. Mesmo pensar nisso agora, fazia seus joelhos tremerem.
Mas ficou mais claro do que nunca que Damon não queria fazer nada com ela. Elena confrontou seu próprio reflexo no espelho e fez uma careta.
Sim, ela parecia um rato afogado que tinha sido arrastado por uma milha até a sarjeta. Seu cabelo estava molhado, transformado em tufos de cachos jogados ao redor de sua cabeça e de seu rosto; estava tão branca quanto se estivesse doente, e seus olhos azuis encaravam o rosto de uma criança exausta e esquelética.
Por um momento, ela se lembrou de que um dia esteve em uma situação muito pior, sim, apenas há alguns dias atrás, e tendo Damon tratando-a com extrema delicadeza, como se sua aparência de gato molhado não significasse nada para ele. Mas aquelas memórias de Damon tinham sido roubadas por Shinichi, e era muito esperar que aquele tivesse sido talvez seu verdadeiro estado de espírito. Tinha sido... fantasia... como todas as suas outras fantasias.
Furiosa com Damon e consigo mesma pelo formigando atrás dos olhos,  Elena se afastou do espelho.
O passado, era o passado. Ela não tinha ideia do porquê Damon decidiu de repente se afastar de seu toque, ou olhá-la com um olhar gélido e rígido de um predador. Algo o tinha feito odiá-la, apenas por sentar-se no carro com ela. E seja lá o que fosse, Elena teve que aprender a ignorá-lo, pois se Damon partisse, ela não teria nenhuma chance de encontrar Stefan.
Stefan. Ao menos seu coração inquieto podia encontrar sossego ao pensar em Stefan. Ele não se importava com o a sua aparecia: sua única preocupação era o seu bem-estar. Elena fechou os olhos enquanto ligava a água quente da banheira, e despiu suas roupas úmidas, perdida em sua imaginação do amor e apreciação de Stefan.
O hotel tinha fornecido uma garrafinha de sais de banho, mas Elena os deixou de lado. Trouxe seu próprio saquinho transparente de cristais de banho de baunilha em sua bagagem, e esta era a primeira oportunidade que teve de usá-los.
Cuidadosamente, ela despejou cerca de um terço do saquinho na banheira que enchia rapidamente, e foi recompensada com uma explosão de vapor de baunilha, absorvido por seus pulmões com muita gratidão.
Alguns minutos depois, Elena afundou seus ombros na água quente, coberta com uma espuma cremosa de baunilha. Seus olhos estavam fechados, e seu corpo imerso no calor. Os sais de banho suavemente se desintegraram enquanto aliviavam toda a sua dor.
Esses não eram sais de banho comuns. Não tinham cheiro de remédio, mas tinham sido dados a ela, pela senhoria de Stefan, Sra. Flowers, que era uma gentil bruxa branca (que pratica magia branca). Receitas com ervas eram a especialidade da Sra. Flowers, e agora Elena poderia jurar que a tensão dos últimos dias estava sendo sugada de seu corpo e levadas para longe.
Oh, era exatamente disso que ela precisava. Elena nunca apreciou um banho como este antes.
Agora, há apenas uma coisa, disse a si mesma firmemente, então, em seguida inalou o delicioso vapor de baunilha. Você pediu a Sra. Flowers sais de banho relaxantes, mas não pode cair no sono aqui. Irá se afogar, e já sabe qual é a sensação. Estive lá, fiz isso, nem sequer tenho que comprar uma mortalha.
Mas agora os pensamentos de Elena estavam obscuros e mais fragmentados, enquanto a água quente continuava a relaxar os seus músculos, e o aroma de baunilha rodopiava em torno de sua cabeça. Ela estava perdendo a continuidade, sua mente se prendendo em devaneios... Ela estava cedendo ao calor e ao luxo de não fazer nada...
Ela estava dormindo.
Em seu sonho, ela se movia rapidamente. Estava apenas meio iluminado, mas de alguma forma ela podia afirmar que estava caindo, através de uma profunda névoa acinzentada. O que a preocupava era que ela parecia estar rodeada por vozes discutindo, e estavam discutindo sobre ela.
— Uma segunda chance? Eu falei com ela sobre isso.
— Ela não se recordará de nada.
— Não importa se ela lembrará. Tudo permanecerá no interior dela, adormecido.
— Isso germinará dentro dela... até que chegue a hora certa...
Elena não fazia ideia do que isso significava.
Então a névoa foi se diluindo, as nuvens abrindo passagem para ela, e ela descia, mais e mais devagar, até que foi depositada delicadamente em um campo coberto de agulhas de pinheiros.
As vozes desapareceram. Estava deitada no chão da floresta, mas não estava nua. Estava vestindo sua camisola mais bonita, com laços rendados. Ouvia sons baixos da noite ao seu redor quando de repente sua aura reagiu de uma forma como nunca tinha reagido antes.
Ela lhe disse que alguém estava chegando. Alguém, que lhe trouxe uma sensação de segurança em tons quentes amadeirados, em suaves tons de rosa e em profundos azuis violetas que a envolveram antes mesmo da pessoa chegar.
Esses... eram... sentimentos de alguém por ela. E por trás do amor e da preocupação que sentiu, havia profundo verde-folha, feixes quentes de ouro e um misterioso tom translúcido, como uma cachoeira que brilhava enquanto caia e espumava como diamantes ao redor dela.
Elena, a voz sussurrou. Elena.
Era tão familiar...
Elena. Elena.
Ela conhecia...
Elena, meu anjo.
Isso significava amor.
Mesmo se Elena estivesse levantada e rodopiando em seu sonho, ela levantando seus braços. Essa pessoa deveria estar com ela. Era sua magia, seu consolo, seu melhor-amado. Não importa como ele chegou até lá, ou o que tinha acontecido antes. Ele era a sua eterna alma gêmea.
Então...
Braços fortes a seguraram com ternura...
Um corpo quente próximo ao dela...
Beijos doces...
Muitos... Muitas vezes...
O sentimento familiar de se derreter em seus braços...
Ele era tão gentil, mas quase feroz em seu amor por ela. Ele havia jurado não matar, mas mataria para salvá-la. Ela era seu bem mais precioso em todo o mundo... Qualquer sacrifício valia a pena se ela estivesse em segurança e livre. Sua vida nada significava sem ela, então ele ficaria feliz em dá-la, rindo e beijando suas mãos até o seu último suspiro.
Elena respirou o maravilhoso cheiro de folhas do outono de seu suéter, e se sentiu confortada. Como um bebê, se deixou ser aliviada simplesmente por cheiros familiares, pela sensação de sua bochecha encostada em seu ombro e pela maravilha de estarem respirando juntos em sincronia.
Quando ela tentou dar um nome a esse milagre, apareceu em sua mente.
Stefan...
Elena nem mesmo precisava olhar para o seu rosto para saber que os olhos verde-folha de Stefan estariam dançando como águas de um pequeno lago agitado pelo vento e com espumas refletindo mil diferentes pontos de luzes. Ela enterrou a cabeça em seu peito, com medo de deixá-lo partir, embora não pudesse lembrar o porquê.
Eu não sei como cheguei aqui, ela lhe disse. Na verdade, não lembrava nada antes de ouvir o seu chamado, apenas imagens embaralhadas.
Isso não importa. Estou com você.
O medo se apoderou dela. Isto não é... apenas um sonho, não é?
Nenhum sonho é apenas um sonho. Eu sempre estive com você.
Mas como chegamos aqui?
Shhh... Você esta cansada. Vou te segurar. Por minha vida, eu juro. Descanse apenas. Deixe-me te abraçar, apenas mais uma vez.
Só uma vez? Mas...
Mas agora Elena estava preocupada e confusa, e ela deixou sua cabeça trombar para trás, tinha que ver o rosto de Stefan. Inclinou seu queixo para trás, e encontrou olhos risonhos de uma infinita escuridão, em um rosto pálido, acinzentado e incrivelmente lindo.
Ela quase gritou de horror.
Calma, calma, meu anjo.
Damon!
Os olhos escuros encontraram os dela, cheios de amor e diversão. Quem mais?
Como você se atreve, como você chegou aqui? Elena estava cada vez mais confusa.
Não pertenço a lugar algum, apontou Damon, de repente parecendo triste. Você sabe que eu sempre estarei com você.
Eu não quero; eu não quero. Devolva-me o Stefan!
Mas era tarde demais. Elena tinha conhecimento da água morna vazando da banheira ao seu redor. Ela acordou bem na hora em que sua cabeça ia ser submersa pela água.
Um sonho...
Ela sentia que seu corpo estava mais flexível e leve, mas não podia deixar de se sentir triste com o sonho. Isso não tinha sido uma experiência fora de seu corpo, tampouco – tinha sido simplesmente um insano e confuso sonho com ela mesma.
Eu não pertenço a lugar nenhum. Eu eternamente estarei com você.
Agora, o que esse jargão queria dizer?
Mas algo dentro de Elena tremeu, enquanto ela lembrava.
Ela rapidamente se trocou – mas não para uma camisola de renda Valenciennes, e sim para um moletom cinza e preto. Quando ela saiu, estava se sentindo muito cansada, irritada e pronta para brigar caso Damon desse qualquer sinal de ter manipulado os seus pensamentos enquanto ela dormia.
Mas Damon não deu sinal nenhum. Elena viu a cama, focalizou-a, tropeçou na direção dela e se jogou, afundando sua cabeça nos travesseiros que afundaram insatisfatoriamente sob a sua cabeça. Elena gostava de seus travesseiros firmes.
Ficou deitada por alguns instantes, apreciando suas sensações pós-banho, sua pele gradualmente esfriou e, então a sua cabeça também. Tanto quanto podia confirmar, Damon estava exatamente do mesmo jeito que tinha ficado quando entraram no quarto. E ele ainda estava silencioso que nem de manhã.
Finalmente, para acabar com isso, ela falou com ele. E sendo Elena, ela atingiu o coração do problema.
— O que há de errado, Damon?
— Nada — Damon encarou a janela, como se estivesse concentrado em algo por trás do vidro.
— Como não há nada?
Damon balançou a cabeça. Mas de alguma forma isso expressou a opinião dele por esse quarto de hotel.
Elena examinou o quarto com sua visão muito brilhante de alguém que tinha forçado o seu corpo além dos limites. Contemplou as paredes beges, tapete bege, uma poltrona bege, uma mesa bege, e é claro, uma colcha bege.
Mesmo Damon não podia rejeitar o quarto por ele não combinar com seu preto básico, ela pensou, e depois: Ah, estou cansada. E desnorteada. E assustada. E... incrivelmente estúpida. Há apenas uma cama aqui. E estou deitada nela.
— Damon.. Se esforçando, ela se sentou. — O que você quer? Tem uma cadeira. Eu posso dormir na cadeira...
Ele deu meia volta, e ela viu que ele não estava aborrecido, nem fazendo joguinhos. Estava furioso. Estava lá, assassino mais rápido do que os olhos humanos pudessem acompanhar, e seus músculos relaxaram antes mesmo de começar a se contrair.
Damon com seus movimentos bruscos e seu silêncio assustador. Estava olhando pela janela novamente, o corpo posicionado, como sempre para... algo. Agora ele parecia pronto para sair pela janela.
— Vampiros não precisam dormir, — disse em voz mais gélida e mais controlada que ela tinha ouvido desde que Matt os abandonou.
Isso lhe deu energia para sair da cama. — Você sabe que eu sei que isso é uma mentira...
— Fique com a cama, Elena. Vá dormir. — Mas sua voz era a mesma. Ela tinha esperado uma ordem, uma ordem maçante. Damon pareceu mais tenso, mais controlado do que nunca. Mais agitado do que nunca.
Suas pálpebras se fecharam. — É por causa de Matt?
— Não.
— É por causa de Shinichi?
— Não!
Aha.
— É, não é? Você está com medo de que Shinichi passe por todas as suas defesas e te possua novamente. Não é?
— Vá para a cama, Elena, — Damon disse sem emoção.
Ele ainda estava ignorando-a completamente, como se ela não estivesse lá. Elena ficou furiosa.
— O que é preciso para mostrar a você que confio em você? Estou viajando sozinha com você, sem qualquer ideia para onde estamos indo realmente. Estou confiando em você, a vida de Stefan. — Elena estava atrás de Damon agora, no tapete bege que cheirava a... nada, tipo como a água fervida. Nem mesmo como pó.
Suas palavras eram como pó. Havia algo sobre elas que soava oco, errado. Eram verdadeiras mas não estavam fazendo nada em Damon...
Elena suspirou. Tocar Damon inesperadamente sempre era um negócio complicado, com todos os riscos de desencadear o instinto assassino dele por acidente, mesmo quando ele não estava possuído. Ela estendeu a mão, agora, com muito cuidado, para colocar as pontas dos dedos na sua jaqueta de couro. Falou do jeito mais direto e sem emoção que podia.
— Você também sabe que agora tenho mais sentidos do que os cinco habituais. Quantas vezes terei que te dizer isso, Damon? Sei que não era você torturando a Matt e a mim na semana passada — A despeito de si mesma, ela podia ouvir a súplica em sua própria voz. — Sei que você me protegeu nessa viagem, quando eu estava em perigo, até mesmo matou por mim. Isso significa muito para mim. Você pode dizer que não acredita no sentimento humano de perdão, mas não acho que você o esqueceu. E quando você sabe que não há nada para perdoar, em primeiro lugar a...
— Isso não tem absolutamente nada a ver com a semana passada! — A mudança em sua voz, a força nela, machucou Elena como se fosse uma chicotada. Machucava-a... e assustava. Damon estava sério. Ele também estava sob uma tensão terrível, não como se estivesse lutando contra a posse de Shinichi, mas diferente.
— Damon...
— Deixa-me em paz!
Agora, onde eu já ouvi algo parecido antes? Confusa, seu coração batendo, Elena tateando suas memórias. Ah, sim. Stefan. Quando tinham estado pela primeira vez juntos em seu quarto, quando ele estava com medo de amá-la. Quando ele tinha certeza de que a condenaria se mostrasse que se importava com ela. Poderia Damon ser assim como o irmão, de que ele sempre zombou?
— Pelo menos, vire-se e fale comigo cara a cara.
— Elena.  Era um sussurro, mas soou como se Damon não conseguisse conjurar sua ameaça sempre sedosa. — Vá para a cama. Vá para o inferno. Vá a qualquer lugar, mas fique longe de mim.
— Você é tão bom nisso, não é? — Agora a voz de Elena estava gélida. — De forma imprudente, com raiva, — ela se aproximou ainda mais. — Empurrando as pessoas para longe. Mas sei que você não se alimentou esta noite. Não há nada que você quer de mim, e você não pode ser o mártir faminto, tal como Stefan...
Elena tinha falado sabendo que suas palavras incitariam uma resposta de algum tipo, mas a usual resposta de Damon para este tipo de coisa era encostar-se a alguma coisa e fingir que não ouviu.
O que aconteceu foi completamente diferente do que ela esperava.
Damon se virou, pegou-a precisamente, segurando-a presa em um inquebrável aperto. Então, com um só golpe de sua cabeça, como um falcão em um rato, ele a beijou. Era forte o suficiente para segurá-la, e não machucá-la.
O beijo foi longo e duro e por um bom tempo Elena resistiu por puro instinto. O corpo de Damon era frio contra o dela, ainda úmido e quente do banho. O jeito que ele a segurava, se colocasse pressão em pontos específicos, podia machucá-la seriamente. E depois - ela sabia – ele iria libertá-la. Mas será que ela realmente sabe o que ela sabia? Será que ela estava disposta a quebrar um osso para descobrir?
Ele estava acariciando seu cabelo, o que era tão injusto, enrolando as pontas e esmagando-as entre os dedos... Apenas horas antes ele a ensinou a sentir coisas com as pontas do cabelo. Ele conhecia os seus pontos fracos.
Não os pontos fracos de qualquer mulher. Ele conhecia os dela; sabia como fazê-la querer gritar de prazer, e como acalmá-la.
Não havia nada para fazer além de testar a sua teoria, e talvez, quebrar um osso. Ela não ia entregar-se quando não o tinha permitido. Ela não iria!
Mas então se lembrou da curiosidade que sentia pelo garotinho, e da rocha, e então abriu sua mente para Damon. Ele caiu na sua própria armadilha.
Logo suas mentes se conectaram. Aconteceu algo parecido com fogos de artifícios. Explosões. Foguetes. Estrelas nascendo. Elena comandou sua mente para ignorar o seu corpo, e começou a olhar para a rocha.
Estava fundo, profundo dentro da parte mais trancada de seu cérebro.
Profundo nas eternas trevas que dormiam lá. Mas Elena parecia ter trago um holofote com ela. Para onde quer ela se virasse, teias negras de aranhas e arcos de pedras caiam no chão.
— Não se preocupe, — Elena encontrou-se dizendo. — A luz não vai fazer isso com você! Você não tem que viver aqui. Vou te mostrar a beleza da luz.
O que estou dizendo? Elena se perguntou como até mesmo as palavras saíram de seus lábios. Como posso prometer-lhe, se talvez ele goste de viver aqui no escuro!
Mas no segundo seguinte, ela tinha chegado muito mais perto do menino, perto suficiente para ver seu pálido e pensativo rosto.
— Você veio de novo, — disse ele, como se fosse um milagre. — Você disse que viria, e veio! — Isso derrubou todas as barreiras de Elena de uma vez. Ajoelhou-se, e puxando o pelas correntes ao máximo, pegou-o no colo.
— Está feliz que eu tenha voltado? — perguntou delicadamente. Ela já estava acariciando os seus cabelos lisos.
— Oh, sim! — Isso era um grito, e assustou Elena quase tanto quanto agradou. — Você é a melhor pessoa que eu já... a coisa mais linda que eu já...
— Calma, — Elena lhe disse: — Calma. Tem que haver alguma maneira de aquecê-lo.
— É o ferro, — a criança disse humildemente. — O ferro mantém-me fraco e frio. Mas tem que ser de ferro; caso contrário ele não seria capaz de me controlar.
— Eu vejo, — Elena disse severamente. Ela estava começando a ter uma ideia sobre que tipo de relacionamento Damon tinha com este menino. Por um momento, em um palpite, ela pegou dois pedaços de ferro nas mãos e tentou separá-los. Elena tinha uma super luz aqui; porque não superpoderes?
Mas tudo o que aconteceu foi que ela torceu e virou para nada, e cortou seu dedo contra uma saliência do ferro.
— Oh — Os enormes olhos escuros do garoto se fixaram na esfera escura de sangue. Ele parecia fascinado... E com medo.
— Você quer isso? — Elena estendeu a mão para ele, hesitante. O que é uma pequena quantidade para quem cobiça o sangue de outras pessoas, ela pensou.
Ele assentiu timidamente como se estivesse certo de que ela estaria irritada.
Mas Elena apenas sorriu e ele segurou o dedo com reverência e tomou todo o globo de sangue de uma vez, fechando os lábios como um beijo.
Quando levantou a cabeça, ele parecia ter um tom de cor a mais em seu rosto pálido. — Você me disse que Damon mantém você aqui, — disse ela, segurando-o novamente, o calor de seu corpo sendo sugado pelo corpo frio dele. — Você pode me dizer por quê?
A criança ainda estava lambendo os lábios, mas ele imediatamente virou o rosto em sua direção e disse, — Sou O Guardião dos Segredos. Mas... triste... os segredos têm sido tão grandes, que nem eu sei o que eles são...
Elena seguiu o movimento da cabeça dele, de seus pequenos membros para as correntes de ferro ligadas em uma bola metálica. Ela sentiu um naufrágio dentro de si, e uma profunda pena para com o pequeno guardião. E ela se perguntou o que na terra poderia estar dentro dessa grande esfera de pedra que Damon guardava tão atentamente.
Mas ela não teve chance de perguntar.

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