29 de novembro de 2015

Capítulo 7

Bonnie estava em seu novo quarto do primeiro andar, e estava se sentindo muito confusa. Black Magic sempre a fazia se sentir risonha, em seguida, com muito sono, mas de alguma forma esta noite seu corpo se recusou a dormir. Sua cabeça doía.
Ela estava prestes a acender a luz da cabeceira, quando uma voz familiar lhe disse:
— Que tal um pouco de chá para a sua dor de cabeça?
— Damon?
— Peguei um pouco das ervas da Sra. Flowers e decidi fazer um copo para você também. Você não é uma menina sortuda?
Se Bonnie tivesse ouvido atentamente, poderia ter ouvido algo parecido com aversão por trás daquelas palavras dóceis — mas ela não ouviu.
— Sim — disse, se referindo à primeira coisa.
A maioria dos chás da Sra. Flowers tinham um cheiro bom e eram deliciosos. Este aqui estava especialmente gostoso, mas granulava em sua língua.
Não só o chá estava bom, mas Damon também ficou para conversar enquanto ela bebia tudo.
O estranho era que este chá feito para ela não a deixava sonolenta, mas sim como se ela só pudesse se concentrar em uma coisa de cada vez. Damon nadou pelo seu campo de visão.
— Sentindo-se mais relaxada? — Ele perguntou.
— Sim, obrigada.
Estranho, muito estranho. Até mesmo sua voz soava lenta e arrastada.
— Queria me certificar de que ninguém estava pegando pesado com você só por causa daquele erro bobo sobre a Elena. — Ele explicou.
— Eles não estavam, é sério — Ela disse. — Na verdade, todos estavam mais interessados em ver você e Matt brigando...
Bonnie colocou a mão por cima de sua boa.
— Oh, não! Não quis dizer isso. Sinto muito!
— Tudo bem. Devo melhorar amanhã.
Bonnie não conseguia imaginar por que alguém estaria com tanto medo de Damon, que foi tão bom a ponto de pegar sua caneca de chá e dizer que ele iria colocá-la na pia. Isso era bom, porque ela estava se sentindo como se não fosse capaz de levar. Que acolhedor. Que confortável.
— Bonnie, posso te perguntar uma coisinha?
Damon pausou.
— Não posso te dizer o porquê, mas... tenho que descobrir onde a Esfera Estelar de Misao está guardada. — Disse ele sinceramente.
— Oh... Isso. — Bonnie disse vagamente.
Ela deu uma risadinha.
— Sim, isto. E sinto muitíssimo ao perguntar para você, porque você é jovem e inocente... Mas sei que me dirá a verdade.
Após este elogio e conforto, Bonnie sentiu como se pudesse voar.
— Foi no mesmo lugar o tempo todo. — Disse ela com um desgosto sonolento. — Eles tentaram me fazer pensar que a haviam mudado de lugar... Mas quando o vi descendo à dispensa, soube que não fizeram isso.
No escuro, houve uma agitação de pequenos cachos e, em seguida, um bocejo.
— Se eles realmente fossem mudá-la de lugar... Deveriam ter me mandado ir lá para fora ou algo assim.
— Bem, talvez eles estivessem preocupados com sua vida.
— Quê? — Bonnie bocejou mais uma vez, não tendo certeza do que ele disse. — Quero dizer, um velhíssimo cofre com combinação? Eu disse para eles... Que esses cofres antigos... Poderiam... Ser facilmente... — Bonnie soltou algo como um suspirou depois parou.
— Estou feliz que tivemos essa conversa. — Damon disse no silêncio.
Não houve resposta vinda da cama.
Puxando a coberta de Bonnie o mais alto possível, ele a puxou um pouco para baixo. Ela cobria todo rosto dela.
Agora... “eu o vi descendo à dispensa”. Damon pensou enquanto lavava a caneca com cuidado e colocando-a de volta ao armário. A fala soava estranha, mas ele quase tinha matado a charada agora, e na verdade foi tudo bem simples. Tudo que ele precisava era de mais doze cápsulas de dormir da Sra. Flowers e dois pratos cheios de carne crua. Ele tinha todos os ingredientes... Mas nunca tinha ouvido falar de uma dispensa.
Pouco tempo depois, ele abriu a porta para o porão. Não. Não correspondia aos critérios de “dispensa” que ele havia visto em seu celular. Irritado e sabendo que a qualquer momento alguém provavelmente desceria as escadas para pegar alguma coisa, Damon deu meia-volta, frustrado. Havia um painel em madeira elaboradamente talhado em frente ao porão, mas nada mais.
Maldição! Ele não seria impedido, não neste momento. Teria sua vida como vampiro de volta, ou não iria querer nenhuma outra!
Para enfatizar esse sentimento, ele bateu o punho contra o painel de madeira na frente dele.
A batida soou oca.
Imediatamente, toda a frustração desapareceu. Damon examinou o painel com muito cuidado. Sim, havia dobradiças em suas bordas, onde nenhuma pessoa em sã consciência esperaria delas. Não era um painel, mas uma porta — sem dúvida, para a dispensa onde a Esfera Estelar estava.
Não demorou muito para que seus dedos sensíveis — até mesmo os seus dedos humanos eram mais sensíveis que os da maioria — encontrassem o local onde ele apertaria um botão e a porta se abriria toda. Ele pôde ver as escadas. Colocou seu embrulho embaixo do braço e desceu.
A partir da iluminação da pequena lanterna que tinha pego do armazém, a dispensa era como fora descrita: uma sala úmida de terra para armazenar frutas e legumes antes que as geladeiras fossem inventadas. E o cofre era do jeito que Bonnie havia dito: um antigo cofre de combinação enferrujado que qualquer um o abriria mais ou menos em sessenta segundos. Damon levaria cerca de seis minutos, com seu estetoscópio (ele tinha ouvido dizer, uma vez, que você poderia encontrar qualquer coisa na pensão, se procurasse com vontade, e parecia ser verdade) e cada átomo do seu ser se concentrando num pequeno barulho de vidro.
Antes, porém, havia a Besta para se conquistar. Sabber, o hellbound negro havia se revelado, acordado e alerta a partir do momento em que a porta secreta tinha sido aberta. Sem dúvida, eles usaram as roupas de Damon para ensiná-lo a uivar loucamente ao odor de seu perfume.
Mas Damon tinha seu próprio conhecimento sobre ervas e tinha saqueado a cozinha da Sra. Flowers até encontrar um punhado de hamamélia, uma pequena quantidade de vinho de morango, anis, alguns óleos de menta, e alguns outros óleos essenciais que ela tinha em estoque, doces e fortes. Misturou tudo, e isto criou uma loção pungente, que ele teve o cuidado de aplicar em si mesmo. A mistura feita para Sabber tinha um emaranhado de odores fortes.
A única coisa que o cão sabia era que não era Damon quem estava sentado nos degraus e lançando-lhe bolhas de hambúrguer e delicadas tiras de filé mignon. Cada um dos quais ele engoliu todo. Damon assistia com interesse enquanto o animal consumia a mistura de sonífero e carne, com a cauda batendo no chão.
Dez minutos depois, Sabber, o hellbound, estava esparramado, feliz e inconsciente.
Seis minutos depois disto, Damon estava abrindo o cofre de ferro.
Um segundo depois, ele estava puxando uma fronha do antigo cofre da Sra. Flowers.
Sob o brilho da lanterna, descobriu que realmente segurava a Esfera Estelar, mas que ela tinha pouco mais que a metade de seu Poder.
Agora, o que isso significava? Havia um pequeno buraco perfurado na parte superior do globo, de modo que nenhuma gota preciosa seria desperdiçada, não mais do que o necessário.
Mas quem tinha usado o resto do líquido e por quê? Damon havia visto a Esfera cheia até o topo com um líquido opalescente e brilhante há poucos dias atrás.
De alguma forma, entre aquele dia e agora, alguém tinha usado a energia que equivalia à vida de cem mil indivíduos.
Será que os outros tentaram fazer algum ato notável com ela e falharam, custando a queima de tanto Poder? Stefan estava frágil demais para usar isso tudo, Damon estava certo disso. A não ser...
Sage.
Com uma Convocação Imperial em mãos, Sage estava propenso a fazer qualquer coisa. Então, algum tempo depois que a Esfera tinha sido traga para a pensão, Sage derramara quase metade da força de vida da Esfera Estelar e, em seguida, sem dúvidas, deixou-a para trás, para que Mutt ou alguém a fechasse.
E uma quantidade tão colossal de energia só poderia ter sido usada para... Abrir o Portal para a Dimensão das Trevas.
Muito lentamente, Damon deixou escapar um suspiro e sorriu. Havia apenas algumas maneiras de se entrar na Dimensão das Trevas, e como agora era humano, ele não poderia dirigir até o Arizona e passar por um Portal público, assim como fizera na primeira vez com as garotas. Mas agora, ele tinha algo ainda melhor: uma Esfera Estelar para abrir o seu próprio Portal privado. Ele não conhecia nenhuma outra formar de ir, a menos que tivesse a sorte de segurar umas das quase-místicas Chaves Mestras que permitiam que qualquer um vagasse pelas dimensões à vontade.
Sem dúvida, algum dia no futuro, em algum canto, a Sra. Flowers encontraria outra nota de agradecimento: dessa vez, com algo que fosse valioso — algo requintado e de valor inestimável e, provavelmente, de uma dimensão muito longe da Terra. Era assim que Sage operava.
Tudo estava quieto lá em cima. Os humanos foram depender de seu companheiro animal para mantê-los seguros. Damon deu uma olhadinha pela dispensa e não viu nada além de uma sala escura e completamente vazia, exceto pelo cofre que agora estava fechado. Colocando sua própria parafernália sob a fronha, ele deu um tapinha em Sabber, que gentilmente roncou, e virou-se em direção aos degraus.
Foi quando viu uma figura em pé na porta. A figura, em seguida, escondeu-se atrás dela, mas Damon havia visto o suficiente.
Em uma mão, a figura segurava uma imensa estaca de combate.
Isso significava que ela era uma caçadora. De vampiros.
Damon conhecera vários caçadores — brevemente — durante o tempo. Eram, segundo sua opinião, intolerantes, irracionais, e ainda mais estúpidos do que a maioria dos humanos, porque eles geralmente haviam sido criados sob lendas de vampiros com dentes em forma presas que arrancavam as gargantas de suas vítimas e as matavam. Damon seria o primeiro a admitir que havia alguns vampiros assim, mas a maioria era mais contida. Caçadores de vampiros habitualmente trabalhavam em grupos, mas Damon tinha um palpite de que este estaria sozinho.
Agora, ele subia os degraus devagar. Estava bastante certo sobre a identidade desta caçadora, mas, se estivesse enganado, teria que desviar de uma estaca lançada direto para ele como se fosse um dardo. Não haveria problema se ainda fosse um vampiro. Seria um pouquinho mais difícil, estando ele desarmado e em grande desvantagem tática.
Ele alcançou o topo das escadas ileso. Esta foi realmente a parte mais perigosa da escalada, pois um tiro certeiro poderia tê-lo levado de volta para baixo. É claro que um vampiro não seria permanentemente ferido por causa disso, mas — novamente — ele não era mais um vampiro.
Mas a pessoa que estava na cozinha lhe permitiu subir todo o caminho da dispensa sem impedimentos.
Uma assassina com honra. Que adorável.
Virou-se lentamente para encarar sua caçadora. Ficou imediatamente impressionado. Não havia sido a força óbvia da caçadora, que seria capaz de acabar com uma figura alta como ele com aquela estaca, que o impressionou. Foi a arma em si. Perfeitamente equilibrada, foi feita para se ser segurada no meio, e o design de jóias em seu punho mostrava que o seu criador tinha bom gosto. As extremidades mostravam que ele tinha um senso de humor também. As duas extremidades da estaca foram feitas de madeira-ferro para mostrar força mas elas também foram decoradas. Em geral, foram feitas para se assemelhar a uma das mais antigas armas da humanidade: a lança dos homens das cavernas. Mas havia pequenos pedaços de objetos na estaca, fixadas firmemente. Esses minúsculos pedaços eram feitos de materiais diferentes: prata para lobisomens, madeira para vampiros, cinza branca para os Antigos, ferro para todas as outras criaturas místicas, e alguns que Damon não conseguiu descobriu para que serviam.
— Elas são recarregáveis. — A caçadora explicou. — Agulhas hipodérmicas injetadas com o impacto. E, é claro, diferentes venenos para diferentes espécies... Rápidas e simples para contra humanos; wolfsbane para aqueles cachorros sarnentos, e por aí vai. Queria tê-la encontrado antes do nosso confronto com Klaus.
Então, ela pareceu voltar à nossa realidade.
— E aí, Damon, como é que vai ser? — Perguntou Meredith.

Um comentário:

  1. Ela é o segredo que ela escondia?? Meredith é uma caçadora de vampiros?? Por isso Shinich disse que ela era uma assassina!

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