20 de novembro de 2015

Capítulo 7

Houve uma espécie de engasgo coletivo. Stefan ficou branco, seus lábios comprimidos em uma linha estreita. Bonnie sentiu como se estivesse sufocando com palavras, explicações, em recriminações sobre o comportamento de Caroline. Elena pode ter tido tantos namorados quanto estrelas no céu, mas no final abrira mão de tudo isso – porque se apaixonou – não que Caroline entendesse algo sobre isso.
 Não tem nada a dizer agora? — Caroline continuou. — Não consegue achar nem uma resposta engraçadinha? O morcego comeu sua língua?
Ela começou a rir, mas era uma risada forçada, em seguida, uma torrente de palavras jorrou para fora de sua boca quase incontrolavelmente, todos os termos que supostamente não eram para serem falados em público. Bonnie eventualmente tinha dito a maioria deles em uma hora ou outra, mas aqui e agora, eles formavam uma corrente de poder peçonhento. As palavras de Caroline estavam se transformando em algo que crescia – algo que aconteceria – um tipo de força que não podia ser contida. Reverberações, pensou Bonnie enquanto o som das ondas começaram a se acumular...
Vidro, sua intuição lhe disse. Fique longe de vidros.
Stefan apenas teve tempo de se dirigir a Meredith e gritar:
 Livre-se dessa lâmpada!
E Meredith, que era rápida não só em aceitação, mas também como lançadora de baseball, agarrou a lâmpada e a atirou-a enquanto a lâmpada se estilhaçou numa explosão na janela entreaberta.
Houve um barulho semelhante no banheiro. O espelho tinha explodido por trás da porta fechada.
Então Caroline deu um tapa no rosto de Elena.
Deixou a marca de seu dedo sangrento, onde Elena passou a mão timidamente. Também deixou uma marca branca no formato de uma mão que aos poucos foi ficando vermelha. A expressão de Elena era capaz de arrancar lágrimas de uma pedra.
E Stefan fez a coisa que Bonnie considerou a mais surpreendente de tudo. Muito gentilmente colocou Elena no chão, beijou-a no rosto, e virou-se para Caroline.
Colocou suas mãos sobre seus ombros, sem tremer, apenas segurando-a firmemente, obrigando-a a olhar para ele.
 Caroline — disse. — Pare com isso. Volte. Pelo bem de seus amigos que se importam com você, volte. Pelo bem da sua família que te ama, volte. Pelo bem da sua própria alma imortal, volte. Volte para nós!
Caroline apenas olhou para ele arrogantemente.
Stefan meio que se virou de lado, para Meredith, com uma careta.
 Não sou realmente a pessoa mais indicada para fazer isso — falou bruscamente. — Não é mesmo o ponto forte dos vampiros. — Então virou na direção de Elena, sua voz carinhosa. — Amor, você pode ajudar? Pode ajudar a sua velha amiga novamente?
Elena já estava tentando ajudar, tentando alcançar Stefan. Ela própria tentava ir até ele se apoiando com dificuldade, primeiro na cadeira de balanço e em seguida, em Bonnie, que tentou ajudá-la contra o peso da gravidade.
Elena estava tão vacilante quanto uma girafa recém-nascida de patins, e Bonnie – quase meia cabeça mais baixa – tinha dificuldade em manter seu equilíbrio.
Stefan fez um movimento como se pra ajudar, mas Matt já estava lá, segurando Elena pelo o outro lado.
Então Stefan virou Caroline, e continuou segurando-a para não deixá-la escapar, forçando-a a encarar Elena de frente.
Elena, que estava sendo segurada pela cintura, para que suas mãos ficassem livres, fez alguns movimentos curiosos, parecendo fazer desenhos mais e mais depressa no ar em frente ao rosto de Caroline, ao mesmo tempo cruzando e descruzando as mãos com os dedos em diferentes posições. Ela parecia saber exatamente o que fazia. Caroline seguia com os olhos os movimentos das mãos de Elena como se fosse obrigada, mas era evidente pelo seu rosnado que os odiava.
Magia, pensou Bonnie fascinada. Magia Branca. Ela está chamando anjos, tão seguramente como Caroline estava chamando demônios. Mas seria forte o suficiente para puxar Caroline pra fora da escuridão?
E, finalmente, como se pra completar a cerimônia, Elena inclinou-se para frente e beijou os lábios de Caroline.
Então todo o inferno rolou solto. Caroline de alguma maneira conseguiu liberar uma das mãos do aperto de Stefan e tentou agarrar o rosto de Elena com as unhas. Objetos no quarto começaram a voar através do ar, sem nenhuma intervenção humana. Matt tentou agarrar o braço de Caroline e levou um murro no estômago que o fez se dobrar, seguido por uma pancada na parte de trás do pescoço.
Stefan soltou Caroline para acolher Elena e tirar ela e Bonnie do caminho. Ele pareceu presumir que Meredith poderia cuidar de si mesma – e estava certo. Caroline foi na direção de Meredith, mas Meredith estava pronta. Agarrou o punho de Caroline e a jogou na direção contrária. Caroline aterrissou em cima da cama, torta, e em seguida, se jogou em Meredith novamente, desta vez agarrando o cabelo dela com uma mão. Meredith se livrou dela, deixando uma mecha de cabelo entre os dedos de Caroline. Então pegou Caroline de guarda baixa e acertou um soco em sua mandíbula. Caroline desmaiou.
Bonnie vibrou e se recusou a se sentir culpada por isso. Então, pela primeira vez, enquanto Caroline estava desmaiada, Bonnie reparou que as unhas de Caroline estavam todas lá, novamente longas, fortes, curvas e perfeitas, nenhuma delas estava estragada ou quebrada.
O poder de Elena? Deveria ter sido. Quem mais poderia ter feito isso? Com apenas alguns movimentos e um beijo, Elena tinha cicatrizado a mão de Caroline.
Meredith estava massageando a sua própria mão.
 Nunca percebi que doía tanto derrubar alguém — comentou. — Eles nunca mostram isso nos filmes. É o mesmo para rapazes?
Matt corou.
 Eu... hum, nunca realmente...
 É o mesmo para todos, até mesmo vampiros — disse Stefan brevemente.
 Você está bem, Meredith? Quero dizer, Elena poderia...
 Não, estou bem. E Bonnie e eu temos um trabalho a fazer — ela balançou a cabeça pra Bonnie, que concordou ligeiramente com um aceno de volta. — Caroline é nossa responsabilidade, e deveríamos ter percebido o real motivo de ela ter voltado ao invés de ir embora. Ela não tem carro. Aposto que tentou ligar pra alguém vir buscá-la, mas não conseguiu, e, em seguida, voltou aqui para cima de novo. Então agora temos que levá-la para casa. Stefan, me desculpe, esta não foi uma boa visita.
Stefan olhou sinistramente.
 É provavelmente o máximo que Elena pode aguentar, de qualquer maneira — disse. — Mais do que pensei que ela poderia, na verdade.
 Bem, sou eu que estou de carro, Caroline é a minha responsabilidade também — Matt disse.
 Talvez pudéssemos voltar amanhã? — Bonnie perguntou.
 Sim, suponho que seria melhor — concordou Stefan. — Eu quase odeio ter que deixá-la ir — acrescentou, olhando para a inconsciente Caroline, com o rosto sombrio. — Estou com medo por ela. Muito medo.
Bonnie não entendeu.
 Por quê?
 Eu acho... bem, pode ser cedo demais para dizer, mas ela parece estar possuída por algo, mas não tenho ideia do quê. Acho que tenho que fazer uma séria investigação.
E lá estava novamente a água gelada escorrendo pelas costas de Bonnie. A sensação de quão próximo o oceano de medo estava, pronto para cair sobre ela e levá-la rapidamente para o fundo.
Stefan acrescentou:
 Mas o que é certo é que ela está se comportando estranhamente – mesmo para Caroline. E não sei o que vocês ouviram quando ela estava amaldiçoando, mas eu ouvi outra voz por trás dela, guiando-a — ele virou-se para Bonnie. — Você ouviu?
Bonnie estava tentando lembrar. Havia alguma coisa – apenas um sussurro – apenas um segundo antes de ouvir a voz da Caroline... Menos de um segundo, e apenas o mais fraco dos sibilantes sussurros...
 E o que aconteceu aqui pode se tornar pior. Ela chamou o inferno num momento em que esta sala era saturada com Poder. E Fell’s Church por si própria já é o cruzamento de tantas linhas de Poder, isso não é brincadeira. Com tudo isso acontecendo, bem, eu apenas queria que tivéssemos um bom para-psicologista por perto.
Bonnie sabia que todos pensaram em Alaric.
 Vou tentar contatá-lo pra voltar — disse Meredith. — Mas normalmente ele está fora de alcance no Tibet ou Timbuktu fazendo investigação nestes dias. Vai demorar um pouco até mesmo para mandar uma mensagem para ele.
 Obrigado — Stefan parecia aliviado.
 Como disse, ela é nossa responsabilidade — Meredith falou calmamente.
 Lamentamos por tê-la trazido — Bonnie disse em voz alta, esperando internamente que algo dentro Caroline pudesse ouvi-la.
Eles se despediram individualmente de Elena, sem muita certeza de como seria. Mas ela simplesmente sorriu para cada um deles e tocou suas mãos.
Por sorte ou pela existência de algo muito além da sua compreensão, Caroline acordou. Ainda parecia mais racional, porém um pouco confusa, quando o carro chegou à entrada de sua casa. Matt a ajudou a sair do carro e caminhou até a porta segurando seu braço, onde a mãe de Caroline respondeu à campainha. Uma mulher tímida, parecendo cansada, não parecia estar surpresa ao receber a filha naquele estado em uma tarde de verão.
Matt deixou as meninas na casa de Bonnie, onde passariam a noite em uma preocupada especulação. Bonnie adormeceu com os sons das maldições de Caroline ecoando em sua cabeça.


Querido Diário,
Algo vai acontecer esta noite.
Não posso falar ou escrever, e não me lembro como digitar num teclado muito bem, mas posso enviar pensamentos a Stefan e ele pode escrever para mim. Nós não temos quaisquer segredos um com o outro.
Então este é o meu diário agora. E...
Esta manhã acordei de novo. Acordei de novo! Ainda é verão lá fora, e tudo está verde. Os narcisos no jardim estão todos com flor. E tive visitantes. Não sei exatamente quem são, mas três deles são fortes, de cores claras. Eu os beijei, então não vou esquecê-los novamente.
O quarto era diferente. Eu só podia ver um borrão de cor, sombreado de preto. Tive de usar palavras fortes do poder branco para evitar que ela trouxesse para o quarto de Stefan coisas do escuro.
Estou ficando com sono. Quero estar com Stefan e senti-lo me abraçando. Eu amo Stefan. Abriria mão de qualquer coisa para poder ficar com ele. Ele me perguntou: “até de voar?” Até de voar, para estar com ele e mantê-lo seguro. Qualquer coisa para mantê-lo seguro. Até a minha vida.
Agora quero ir para ele.
Elena.

(E Stefan se desculpa por estar escrevendo no diário de Elena, mas ele tem a dizer algumas coisas, porque talvez algum dia ela vai querer lê-lo, para se lembrar. Tenho anotado os pensamentos dela em frases, mas eles não vêm desta forma. Vêm como fragmentos pensados, acho eu. Vampiros são treinados para traduzir o cotidiano das pessoas em pensamentos coerentes e frases, mas os pensamentos dela precisam de mais tradução do que a maioria. Normalmente, ela pensa em imagens brilhantes, com uma ou duas palavras dispersas.
O “quarto” visitante a que ela se refere é Caroline Forbes. Elena a conhece desde sua infância, acho. O que me deixou confuso é que hoje Caroline lhe atacou de quase todas as maneiras imagináveis, e ainda quando pesquiso sua mente, não posso encontrar nenhum sentimento de raiva ou mesmo qualquer dor. É quase assustador captar isso em sua mente.
A pergunta que realmente gostaria de responder é: O que aconteceu com Caroline durante o curto período de tempo que foi raptada por Klaus e Tyler? Ela fez o que fez hoje por sua livre e espontânea vontade? Será que há algum resquício do ódio de Klaus ainda vivo nela? Ou será que temos outro inimigo em Fell’s Church?
E o mais importante, o que faremos sobre isso? Stefan, aquele que agora está sendo puxado da frente do comput

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