10 de novembro de 2015

Capítulo 7

— Da próxima vez  Stefan falou com a voz controlada  eu não vou embora.
Elena sabia o que significava, e isso a aterrorizou. Mas agora que suas emoções haviam aquietado, não quis discutir.
— Ele estava lá — ela falou. — Dentro de uma casa normal cheia de gente normal, simplesmente como se tivesse todo o direito de estar lá. Não pensei que ele ousaria.
— E por que não?  Stefan disse breve e amargamente. — Eu estava lá, em uma casa normal cheia de gente normal, simplesmente como se tivesse todo o direito de estar lá.
— Eu não quis dizer isso. É só que a única outra vez que o vi em público foi na Casa Assombrada, quando ele usava máscara e fantasia, e estava escuro. Antes disso, foi sempre em algum lugar deserto, como o ginásio naquela noite em que eu estava sozinha, ou o cemitério...
Ela soube assim que falou a última parte que foi um erro. Ainda não tinha contado a Stefan sobre ter ido encontrar Damon três dias atrás. No banco do motorista, ele congelou.
— Ou no cemitério?
— Sim... Me referi àquele dia em que Bonnie, Meredith e eu fomos perseguidas. Suponho que deve ter sido Damon. E o lugar estava deserto, a não ser por nós três.
Por que estava mentindo para ele? Porque, uma vozinha em sua cabeça respondeu sinistramente, caso contrário, ele surtaria. Sabendo o que Damon disse a ela, o que ele havia prometido, poderia ser tudo o que era necessário para levar Stefan ao seu limite.
Jamais poderei contar a ele, ela percebeu com um solavanco enjoativo. Não sobre aquele dia ou qualquer coisa que Damon fizesse no futuro. Se ele lutasse com Damon, morreria.
Então ele nunca saberá, prometeu a si mesma. Não importa o que eu tenha que fazer, vou mantê-los longe de um confronto por minha causa. Não importa o que aconteça.
Por um momento, apreensão a tomou novamente.
Quinhentos anos atrás, Katherine havia tentado mantê-los longe de um confronto, e tinha conseguido apenas forçá-los em uma luta mortal. Mas ela não cometeria o mesmo erro, Elena disse a si mesma ferozmente. Os métodos de Katherine haviam sido estúpidos e infantis. Quem mais além de uma criança estúpida se mataria na esperança de que os dois rivais pela a mão dela se tornassem amigos? Tinha sido o pior erro de todo o triste caso. Por causa disso, a rivalidade entre Stefan e Damon virara um ódio implacável. Além do mais, Stefan vivera com culpa desde então; culpava a si mesmo pela estupidez e fraqueza de Katherine.
Procurando por outro assunto, ela disse:
— Você acha que alguém o convidou?
— Obviamente, já que ele estava lá.
— Então é verdade sobre... Pessoas como você. Vocês têm que ser convidados. Mas Damon foi ao ginásio sem um convite.
— Isso porque o ginásio não é uma residência para moradia. Esse é o critério. Não importa se é uma casa, tenda ou um apartamento em cima de um armazém. Se humanos vivos comem e dormem lá, precisamos ser convidados a entrar.
— Mas não te convidei para a minha casa.
— Sim, convidou. Aquela primeira noite, quando te levei em casa, você abriu a porta e inclinou a cabeça para mim. Não precisa ser um convite verbal. Se há intenção, é o suficiente. E a pessoa que convida não precisa ser alguém que realmente viva na casa. Qualquer humano pode fazer.
Elena estava pensando.
— E quanto a uma casa flutuante?
— Mesma coisa. Embora a água corrente possa ser um obstáculo por si só. Para alguns de nós, é quase impossível cruzar.
Elena teve uma súbita visão dela, Meredith e Bonnie correndo pela ponte Wickery. De algum jeito ela soube que se chegassem ao outro lado do rio, estariam salvas do que quer que fosse que estivesse atrás delas.
— Então é por isso  sussurrou. Ainda não explicava como ela soube, no entanto. Era como se o conhecimento tivesse sido posto em sua cabeça vindo de uma fonte externa. Então percebeu algo. — Você me levou através da ponte. Pode atravessar água corrente.
— Isso é porque sou fraco  ele disse categoricamente, sem nenhuma emoção. — É irônico, mas quanto mais fortes são seus Poderes, mais você é afetado por certas limitações. Quando mais permanece no escuro, mais as regras da escuridão se vinculam a você.
— Quais outras regras existem? — perguntou Elena.
Ela estava começando a ter o vislumbre de um plano. Ou pelo menos da esperança de um plano.
Stefan olhou para ela.
— Sim, acho que já passou da hora de saber. Quanto mais souber sobre Damon, mais chances terá de se proteger.
De me proteger? Talvez Stefan soubesse mais do que ela imaginava. Mas quando ele virou o carro em uma rua lateral e estacionou, Elena apenas perguntou:
— Ok. Devo estocar alho?
Ele riu.
— Só se você quiser ser impopular. Há certas plantas, no entanto, que podem ajudar. Como verbena. É uma erva que supostamente protege contra encantos, e pode manter sua mente clara mesmo se alguém estiver usando Poderes contra você. As pessoas costumam usá-las em volta do pescoço. Bonnie amaria isso; era sagrado para os druidas.
— Verbena — repetiu Elena, experimentando a palavra não familiar. — O que mais?
— Luz forte, ou luz do sol direta, pode ser muito dolorosa. Você perceberá a mudança no tempo.
— Eu percebi — disse Elena depois de uma batida. — Você quer dizer que Damon está fazendo isso?
 Deve estar. É preciso Poderes enormes para controlar os elementos, mas facilita para ele andar na luz do dia. Enquanto o tempo se mantém nublado, ele nem sequer precisa proteger os olhos.
— E nem você  Elena respondeu. — E quanto a... bem, cruzes e outras coisas?
— Não têm efeito. A não ser que a pessoa segurando-o acredite que é uma proteção, isso pode fortalecer a força de vontade delas de resistir enormemente.
— Hã... Balas de prata?
Stefan deu uma risada curta de novo.
— Estas são para lobisomens. Pelo o que ouvi dizer, eles não gostam de prata em qualquer forma. Uma estaca de madeira no coração é ainda o método mais aprovado para a minha espécie. Há outros meios que são mais ou menos efetivos, no entanto: queima, decapitação, impulsionar pregos através das têmporas. Ou, o melhor de todos...
— Stefan! — O sorriso solitário e amargo em sua face a desanimou. — E quanto a se transformar em animais? Antes, você disse que com Poder suficiente você poderia fazer isso. Se Damon pode ser qualquer animal de que ele goste, como vamos reconhecê-lo?
— Não qualquer animal de que ele goste. Ele é limitado a um animal, ou no máximo dois. Mesmo com os Poderes dele, não acho que ele pudesse sustentar nada mais que isso.
— Então nós continuamos procurando por um corvo. 
— Certo. Você pode ser capaz de dizer se ele está por perto, também, olhando animais normais. Eles geralmente não reagem muito bem a nós; sentem que nós somos caçadores.
— Yangtze ficou latindo para o corvo. Foi como se soubesse que tinha algo errado naquilo — Elena lembrou. — Ah... Stefan  ela adicionou em um tom diferente com um novo pensamento atingindo-a — e quanto aos espelhos? Eu não me lembro de já ter visto você em um.
Por um momento ele não respondeu. Então disse:
— Lendas dizem que os espelhos refletem a alma da pessoa que o está olhando. Por isso o povo antigo tem medo dos espelhos; temem que suas almas sejam aprisionadas e roubadas. Minha espécie supostamente não tem reflexo... porque não temos alma.
Lentamente, ele estendeu o braço para o espelho do retrovisor e o inclinou para baixo, ajustando-o de modo que Elena pudesse vê-lo. No vidro prateado, ela viu seus olhos, perdidos, assombrados e infinitamente tristes.
Não havia nada a fazer a não ser abraçá-lo, e Elena o fez.
— Eu te amo — ela sussurrou. Era o único conforto que podia oferecer-lhe. Era tudo o que tinham.
Os braços de Stefan se apertaram em volta dela; seu rosto enterrado em seus cabelos.
— Você é o espelho  ele sussurrou de volta.
Foi bom senti-lo relaxar, a tensão fluindo para fora de seu corpo enquanto calor e conforto fluíam para dentro. Ela estava confortável, também, uma sensação de paz penetrando-a, rodeando-a. Foi tão bom que se esqueceu de perguntar o que ele quis dizer até que eles estavam na frente da porta de sua casa, se despedindo.
— Eu sou o espelho?  indagou então, olhando para ele.
— Você roubou minha alma. Tranque a porta atrás de si, e não a abra de novo essa noite.
E então ele tinha ido.
— Elena, graças aos céus — falou tia Judith. Quando viu a expressão de Elena, ela acrescentou: — Bonnie ligou da festa. Disse que você saiu inesperadamente, e quando não voltou para casa, fiquei preocupada.
— Eu e Stefan fomos dar uma volta — Elena não gostou da expressão no rosto de sua tia quando disse isso. — Algum problema?
— Não, não. É só que...  tia Judith não sabia como terminar a frase. — Elena, me pergunto se poderia ser uma boa ideia... continuar a passar tanto tempo com Stefan.
Elena ficou quieta.
— Você também?
— Não é que eu acredite nos boatos  tia Judith lhe assegurou. — Mas, para o seu próprio bem, poderia ser melhor ficar a uma certa distância dele, para...
— Largá-lo? Abandoná-lo porque as pessoas estão espalhando rumores sobre ele? Manter-me longe da sujeira para o caso de alguma coisa respingar sobre mim? — A cólera libertou-se, e as palavras se acumularam na garganta de Elena, todas tentando sair de uma só vez. — Não, não acho que seja uma boa ideia, tia Judith. E se fosse sobre Robert que nós estivéssemos falando, você não acharia também. Ou talvez sim!
— Elena, não vou admitir que fale comigo nesse tom...
— Eu já acabei, de qualquer maneira!  Elena gritou, e subiu às cegas pelas escadas. Conseguiu conter as lágrimas até estar em seu próprio quarto com a porta trancada. Então caiu na cama e chorou.
Levantou-se arrastando um tempo depois para ligar para Bonnie. Bonnie estava excitada e volúvel. Quem liga, Elena queria dizer, se alguma coisa inesperada aconteceu depois que ela e Stefan saíram? A coisa inesperada foi eles saírem! Não, aquele garoto novo, Damon, não tinha dito nada sobre Stefan posteriormente; ele apenas ficou lá por um tempo e depois desapareceu. Não, Bonnie não tinha visto se ele saiu com alguém. Por quê? Elena estava com ciúmes? Sim, isso era pra ser uma brincadeira. Mas, sério, ele era deslumbrante, não era? Quase mais deslumbrante que Stefan, supondo que você gostasse de cabelos e olhos escuros. Claro, se você gosta de cabelos mais claros e olhos cor de avelã...
Elena imediatamente deduziu que os olhos de Alaric Saltzman eram cor de avelã.
Ela desligou o telefone por fim e só então lembrou do bilhete que encontrou em sua bolsa. Devia ter perguntado à Bonnie se alguém tinha estado perto de sua bolsa enquanto estava na sala de jantar. Mas também, Bonnie e Meredith estiveram na sala de jantar parte do tempo também. Alguém deve ter colocado lá então.
A visão do papel violeta a fez sentir um gosto ruim na boca. Mal podia suportar olhá-lo. Mas agora que estava sozinha, tinha que desdobrá-lo e lê-lo novamente, o tempo todo esperando que a essa altura as palavras pudessem estar diferentes, que ela tivesse lido errado antes.
Mas elas não estavam diferentes. A letra nítida destacava-se contra o fundo pálido como se fossem dez vezes maiores.

Eu quero tocá-lo. Mais do que qualquer garoto que já conheci. E sei que ele quer isto, também, mas está se segurando.

As palavras dela. Do seu diário. O que havia sido roubado.


No dia seguinte, Meredith e Bonnie tocaram sua campainha.
— Stefan me ligou ontem à noite  disse Meredith. — Disse que queria ter certeza de que você não iria andando sozinha para a escola. Ele não vai para a escola hoje, então perguntou se eu e Bonnie podíamos vir aqui e ir com você.
— Te escoltar — disse Bonnie, que claramente estava de bom humor. — Acompanhar você. Acho que é terrivelmente doce da parte dele ser tão protetor.
— Ele provavelmente é de aquário, também — acrescentou Meredith. — Vamos, Elena, antes que eu mate Bonnie para fazê-la parar de falar sobre Alaric.
Elena andou em silêncio, imaginando o que Stefan estaria fazendo que o impediu de ir à escola. Sentiu-se vulnerável e exposta durante o dia, como se sua pele estivesse ao avesso. Um daqueles dias em que estava pronta para chorar por qualquer motivo.
Sobre o quadro de avisos estava um pedaço de papel violeta.
Ela deveria saber. No fundo sabia. O ladrão não estava satisfeito deixá-la saber que suas palavras privadas tinham sido lidas. Ele estava mostrando-lhe que isso podia vir a público.
Ela rasgou o bilhete para fora do quadro e o amassou, mas não antes de ter vislumbrado as palavras. De relance, elas foram gravadas em seu cérebro.

Sinto como se alguém o tivesse machucado terrivelmente no passado e ele nunca superou. Mas também acho que há algo de que ele tem medo, algum segredo que teme que eu descubra.

— Elena, o que é isso? Qual o problema? Elena, volte aqui!
Bonnie e Meredith a seguiram até o banheiro feminino, onde parou perto da lixeira, rasgando o papel em pedaços microscópicos, respirando como se tivesse acabado de correr uma corrida. Elas se olharam e em seguida viraram para examinar os boxes do banheiro.
— Ok  Meredith disse ruidosamente — privilégios dos veteranos. Você! — Ela deu um soco na única porta fechada — saia.
Um farfalhar, e então uma caloura perplexa apareceu.
— Mas eu ainda nem...
— Saia. Fora — Bonnie ordenou, — E você  ela disse para a garota que lavava as mãos — saia daqui e certifique-se de que ninguém entre.
— Mas por quê? O que vocês...
— Anda, criança. Se alguém passar por aquela porta, nós a responsabilizaremos.
Quando a porta estava de novo fechada, elas se viraram para Elena.
— Ok, isso é um assalto — disse Meredith. — Vamos, Elena. Entregue.
Elena rasgou o ultimo minúsculo pedaço de papel, surpreendida entre gargalhadas e lágrimas. Ela quis contar-lhes tudo, mas não pôde. Resolveu por contar sobre o diário.
Elas ficaram tão bravas, tão indignadas, quanto ela.
— Tem que ter sido alguém da festa — Meredith disse então, uma vez que cada uma delas tinha expressado sua opinião sobre a personalidade, imoralidade e o provável destino pós-vida do ladrão. — Mas qualquer um pode ter feito isso. Não me lembro de alguém em particular perto da sua bolsa, mas aquela sala estava cheia de gente, e pode ter acontecido sem eu perceber.
— Mas por que alguém iria querer fazer isso? — Bonnie colocou. — A não ser que... Elena, na noite em que nós encontramos Stefan, você insinuou algumas coisas. Disse que achava que sabia quem era o assassino.
— Não acho que sei; eu sei. Mas se você está perguntado se isso pode estar conectado, não tenho certeza. Acho que pode estar. A mesma pessoa pode ter feito isto.
Bonnie estava horrorizada.
— Mas isso significa que o assassino é um estudante da escola! — quando Elena sacudiu a cabeça, ela prosseguiu. — As únicas pessoas que estavam na festa e não são estudantes eram aquele garoto novo e Alaric — sua expressão mudou. — Alaric não matou o Sr. Tanner! Ele nem estava em Fell’s Church.
— Eu sei. Alaric não fez isso — ela tinha ido longe demais para parar agora; Bonnie e Meredith já sabiam demais. — Damon matou.
— O garoto era o assassino? O garoto que me beijou?
— Bonnie, calma — como sempre, a histeria de outras pessoas fazia Elena se sentir mais controlada. — Sim, ele é o assassino, e nós três devemos ficar alertas contra ele. É por isso que estou contando a vocês. Nunca, nunca o convidem para ir às suas casas.
Elena parou, observando as faces das suas amigas. Elas estavam olhando fixo para ela, e por um momento teve um revoltante sentimento de que elas não tinham acreditado. Que estavam questionando sua sanidade.
Mas tudo o que Meredith perguntou, numa voz até imparcial foi:
— Você tem certeza disso?
— Sim. Tenho certeza. Ele é o assassino e foi quem colocou Stefan no poço, e pode ir atrás de uma de nós da próxima vez. E não sei se há um modo de pará-lo.
— Bem, então — Meredith devolveu, erguendo as sobrancelhas. — Não me surpreende que você e Stefan estivessem com tanta pressa para sair da festa.


Caroline deu a Elena um sorriso afetado no refeitório. Mas Elena mal notou.
Uma coisa percebeu logo, no entanto. Vickie Bennett estava lá.
Vickie não tinha ido para a escola desde a noite em que Matt, Bonnie e Meredith a haviam encontrado errante na estrada, delirando sobre neblina, olhos e alguma coisa terrível no cemitério. Os médicos que a examinaram posteriormente disseram que não havia nada muito ruim com o seu psicológico, mas ela ainda não tinha retornado à Robert E. Lee. As pessoas sussurravam sobre psicólogos e os remédios que eles estavam tentando.
Ela não parecia louca, no entanto, Elena pensou. Parecia pálida, moderada e com um tipo de amassado em suas roupas. E quando Elena passou por ela e a observou, seus olhos eram como os de filhotes assustados.
Foi estranho sentar numa mesa semivazia, com somente Bonnie e Meredith como companhia. Geralmente as pessoas ficavam apertadas para pegar lugares ao redor delas três.
— Nós não terminamos de conversar esta manhã — Meredith disse. — Pegue algo para comer, e então vamos descobrir o que fazer com esses bilhetes.
— Não estou com fome — Elena falou categoricamente. — E o que podemos fazer? Se for Damon, não há como pará-lo. Confiem em mim, não é um caso para a polícia. É por isso que não contei a eles que ele é o assassino. Não há nenhuma prova, além disso, eles nunca iriam... Bonnie, você não está ouvindo.
— Desculpa — disse Bonnie, que estava olhando por sobre a orelha esquerda de Elena. — Mas algo estranho está acontecendo ali.
Elena se virou. Vickie Bennett estava de pé na frente do refeitório, mas já não parecia amassada e moderada. Olhava em volta da sala com um sorriso malicioso e avaliativo.
— Bem, ela não parece normal, mas eu diria que está parecendo estranha — Meredith falou. Então adicionou: — Esperem um minuto.
Vickie estava desabotoando seu casaquinho. Mas o modo como ela fazia isso... Com rápidos movimentos deliberados e pequenos de seus dedos, tudo enquanto olhava em volta com aquele sorriso secreto – era estranho. Quando o último botão estava aberto, ela pegou o cardigã delicadamente entre o dedo indicador e o polegar e deslizou para baixo ao longo de um braço, e depois do outro. Ela jogou o casaco no chão.
— Estranha é a palavra — confirmou Meredith.
Estudantes que passavam na frente Vickie com bandejas carregadas deram uma olhadela para ela com curiosidade e então espiavam por sobre os ombros quando já tinham passado. Eles não pararam de andar exatamente, no entanto, até ela tirar seus sapatos.
Fez isso graciosamente, usando a ponta do pé para puxar o sapato pelo calcanhar. E então tirou o segundo.
— Ela não pode continuar com isso — Bonnie murmurou, quando os dedos de Vickie moveram-se para o botão de imitação de pérola na sua blusa de seda branca.
Cabeças estavam se virando; as pessoas cutucavam uns aos outros e gesticulavam. Em volta de Vickie, um pequeno grupo tinha se formado, permanecendo longe o suficiente para não interferir na visão de ninguém.
A blusa de seda branca foi tirada, tremulando como um fantasma no chão.
Vickie vestia um sutiã rendado de branco por baixo.
Não havia nenhum barulho na cafeteria exceto alguns sussurros. Ninguém comia. O grupo em volta de Vickie tinha ficado mais largo.
Vickie sorriu recatadamente e começou a desabotoar a fivela em sua cintura. Sua saia pregueada caiu no chão. Ela saiu de dentro dela e a empurrou para o lado com o pé.
Alguém levantou no fundo da cafeteria e cantou:
— Tira! Tira!
Outras vozes se juntaram.
— Ninguém vai pará-la? — revoltou-se Bonnie.
Elena levantou-se. Da última vez que estivera perto de Vickie, a garota gritara e a expulsara. Mas agora, quando chegou mais perto, Vickie lhe deu um sorriso conspiratório. Seus lábios se moveram, mas Elena não pôde entender o que estava dizendo acima da cantoria.
— Vamos, Vickie. Vamos — ela chamou.
O cabelo castanho claro de Vickie balançou e ela deslizou a alça de seu sutiã.
Elena abaixou-se para pegar o cardigã e embrulhou-o em volta dos ombros magros da menina. Quando o fez, quando tocou Vickie, aqueles olhos semicerrados se abriram como os de um filhote assustado de novo. Vickie a fitou selvagemente, como se tivesse acabado de despertar de um sonho. Olhou para baixo, para si mesma, e sua expressão se tornou desacreditada. Apertando mais seu casaquinho a sua volta, ela recuou, tremendo.
A sala estava silenciosa novamente.
— Está tudo bem  disse Elena, acalmando-a. — Vamos.
Ao som de sua voz, Vickie pulou como se tivesse sido tocada por um arame farpado. Olhou fixo para Elena, e então explodiu em gritos.
— Você é uma deles! Eu vi você! Você é má!
Ela se virou e correu descalça para fora do refeitório, deixando Elena atordoada.

6 comentários:

  1. Um striptease? Uaaaau... Tá bom então, né?

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  2. Ando desconfiando que nossa garota Katherine não é "tão frágil e boa", como aparentou ser...

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  3. Gente, se toca. Eles não fizeram a Katherine uma vadia na serie por nada neh.

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  4. Eeeeu acho que ela não morreu realmente tampouco, deve ter fingido exatamente para o que aconteceu, deve ser tudo parte do plano......

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  5. A Katherine e a Katherine pau que nasceu torto morre torto

    ~MIRELLE

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