7 de novembro de 2015

Capítulo 7 - A fraternidade de vocês me agrada mais do que qualquer teste jamais poderia...


— Argh! É fétido! — o nariz de Kalona se enrugou com nojo. — Eu não vou levá-la para mais perto dessa lama e sujeira.
— Nyx, aí está você! É adorável vê-la! — a Mãe Terra a abraçou.
— É um prazer vê-la, também — Nyx retribuiu o abraço, e depois sorriu para as dríades dançantes que estavam seguindo a Grande Mãe em todos os lugares. — Se alguma vez eu me perguntar aonde elas foram, saberei que tudo o que preciso fazer é encontrá-la, e será onde as deidades estarão.
O olhar de Mãe Terra foi para Kalona.
— E se alguma vez eu me perguntar aonde você foi, saberei que tudo o que preciso fazer é encontrar Kalona, e será onde Nyx estará.
Kalona inclinou a cabeça um pouco, mas respeitosamente para ela.
— Saúdo-te, Mãe Terra.
— Também lhe saúdo — disse ela. — Quando estiver pronto, pode começar o seu teste, e espero que ele seja melhor que o último.
— Eu estou pronto, mas...
— Mas fui eu quem os convocou aqui! Não há nenhuma necessidade de saírem daqui. A partir deste ponto, terão uma visão perfeita — Erebus desceu do céu acima deles, brilhando dourado como o sol do meio-dia. — Mãe Terra, sua beleza supera a majestade dos pinheiros — disse ele com um floreio e uma reverência.
— Tão charmoso e bonito — a Mãe Terra sorriu carinhosamente para ele.
Então ele se virou para Nyx, e detrás de suas costas ele tirou um único ramo de uma erva perfumada, coberto com uma brilhante flor roxa. Movendo-se para ela, ele sorriu e disse:
— Olá, minha Deusa. Espero que a minha criação a agrade assim como a mim.
Erebus enfiou o raminho no cabelo dela, atrás da orelha.
Nyx sorriu.
— Lavanda! Você está certo, Erebus. Eu amo tanto a fragrância delicada. Muitas vezes eu a esfrego em meus pulsos. Obrigada.
— Você deveria ter trazido o suficiente para todos nós, para que pudéssemos suportar o mau cheiro deste lugar — Kalona disse rispidamente.
— Irmão, eu realmente senti falta de seu rosto carrancudo, mas provavelmente só porque carrega uma semelhança com o meu próprio! — ele bateu no ombro de Kalona.
Nyx pensou que o rosto de Kalona parecia uma nuvem tempestuosa pronta para explodir toda em seu irmão.
— Não há nada de errado com o cheiro deste lugar — a Mãe Terra disse severamente. — Ele vem da mistura do calor e dos minerais que repousam um pouco abaixo no solo. Durante o inverno, muitos animais vêm aqui e tiram conforto do calor que eles proporcionam. Eles não se queixam do cheiro, e nem você deveria, Kalona, você estaria congelando até a morte de outra forma.
— Eu sou um imortal. Nós nunca morremos — Kalona apontou placidamente.
— De fato? — a Mãe Terra replicou. — Nunca é um tempo muito longo.
— Então não vamos mais perder um momento com isso — disse Nyx. — Erebus, o que você criou para mim com água e magia?
— Esperançosamente, algo que lhe agrade muito — com duas batidas de suas grandes asas douradas, Erebus se elevou ao ar, pairando acima deles perto da borda da bacia que continha lama e vapor fétido escapando.

Lama e calor que vem de debaixo da terra,
Misture com a magia para começar o meu show!

Erebus arrancou uma pequena pena dourada de suas asas desfraldadas, a ergueu aos lábios e soprou sobre ela. Sua respiração, misturada com a magia, carregou a pena lenta e certeiramente até a lama e a confusão abaixo. No instante em que ela tocou a terra, houve uma lufada que lembrou Nyx das chuvas da primavera contra um dossel da floresta, e névoa ergueu-se à partir do barro, levando a pena dourada com ele. Quando a luz solar tocou a pena, o dourado se expandiu, brilhou, e mudou para que a lama agora ficasse coberta de névoa mantivesse dentro de si todas as cores do arco-íris.
— Não é diferente do que ele fez antes — Kalona murmurou.
— Sssh — Nyx sussurrou para ele. — O teste dele não está completo.
Erebus arrancou outra pena de sua asa. Esta era uma longa e dourada.
Segurando-a como uma lança, ele falou:

Com a criação emprestada, e minha própria mágica, antiga, Divina,
Eu chamo a água, uma invocação para se juntar a este meu teste.
Venha para fora, gêiser, rica e radiante em poder novamente liberado.
Com seu poder mostre a Nyx que eu sempre serei fiel e verdadeiro!

Erebus atirou a pena longa e dourada. Assim que a atirou, esta navegou em um belo arco para cima e depois para baixo, para baixo, para a terra, fincando-se na lama. Por um momento, nada aconteceu. Então, assim que ela começou a sentir pena do pobre Erebus e sua fracassada criação, a terra sob a pena começou a tremer e com o som de ondas quebrando contra uma costa rochosa, a pena foi levantada por uma coluna de água que pulverizou alto, em linha reta, e forte no ar.
Nyx aplaudiu com prazer enquanto o gêiser continuava a jorrar água e vapor através do arco-íris enevoado no céu azul claro, tão alto que Nyx não teria tido dificuldades de vê-lo a partir do Outromundo.
— Isso é maravilhoso, Erebus!
— Uma poderosa e bonita criação, de fato — a Mãe Terra concordou.
Erebus pousou diante de Nyx, sorrindo como um menino.
— E esta não é a melhor parte dela. A erupção nunca vai parar – jorrará eternamente em sua memória. Assim eu a nomeei Lealdade Antiga. Não importa quanto tempo dure a eternidade, como este gêiser, eu sempre serei o seu companheiro fiel e amigo, minha Deusa.
— Obrigada, Erebus — disse Nyx, abraçando-o. — Sua criação me agrada. Você facilmente passou neste teste.
Ainda sorrindo, Erebus acenou para Kalona.
— Sua vez, irmão.
— Então me sigam, e preparem-se para serem impressionados!
Antes que Erebus pudesse protestar, Kalona tinha pego Nyx em seus braços e saltou para o céu, subindo rapidamente para oeste. Ela olhou por cima do ombro largo dele para ver Erebus os seguindo com a Mãe Terra, que se agarrava a ele, mas também ria ruidosamente.
— As deidades terão que correr para nos acompanhar — ela falou.
— Sim, e eu esperei então que Erebuus carregaria a Mãe Terra.
— Seja amável — ela recomendou, mas temperando sua desaprovação ao descansar a cabeça familiarmente em seu ombro forte.
— Ela não gosta de mim.
— Seja mais amável. Você sempre parece tão defensivo perto dela.
— Seu olhar me deixa desconfortável — ele disse.
— E meu conselho ainda continua o mesmo. Seja gentil – com Mãe Terra, com Erebus, com os mortais que habitam este reino, e, mais importante seja gentil com você mesmo.
— Você não mencionou que devo ser gentil com você — ele apontou.
Nyx acariciou sua bochecha.
— Achei que não precisava.
Ela deitou a cabeça contra o seu ombro novamente e relaxou em seu abraço, esperando em silêncio que o resultado desse teste fosse muito diferente do último.

* * *

Kalona desceu sobre uma floresta verdejante preenchida com o verde vibrante de árvores antigas.
Rochedos formavam encantadores e pequenos desfiladeiros, e toda a paisagem estava forrada com samambaias e musgos. Ele desceu ao chão, aterrissando em um grupo de pedras maiores cobertas de musgos, e gentilmente a soltou. Antes de Erebus e a Mãe Terra se juntassem a eles, ele a beijou rápida, mas cuidadosamente, e disse:
— Olhe para cima.
Em seguida ele pulou da pedra, suas grandes asas transportando-o para o alto, de modo que em breve ele desapareceu na copa verde.
Erebus e a Mãe Terra chegaram logo depois, e não muito tempo após isso, algumas dríades se materializaram, tagarelando o seu descontentamento por terem sido deixadas para trás.
— Onde ele está? — a Mãe Terra perguntou.
Nyx apontou para cima.
— Ele disse para olhar para cima.
— Não é nada além da lateral de uma colina, cheia de rochas escarpadas, musgos e samambaias. Não há sequer trilhas de veados que levem até lá. É muito rochoso, muito liso — a Mãe Terra disse, olhando para cima.
— Eu me pergunto qual a intenção do meu irmão — Erubus disse.
Nyx sorriu para ele, notando que ele parecia apenas curioso e nem um pouco invejoso. Ela passou o braço pelo seu.
— Você não é nem um pouco mesquinho.
O sorriso de Erebus era brilhante como a luz do sol.
— Por que eu perderia meu tempo sendo mesquinho quando ser feliz e alegre é bem mais divertido?
— Uma excelente pergunta, jovem Erebus — a Mãe Terra concordou, olhando fixamente para Nyx. — Uma Deusa sábia se perguntaria por que alguém escolheria ser mesquinho ao invés de alegre.
Incomodada, Nyx não encontrou o olhar da Mãe Terra. Em vez disso, ela olhou para cima, buscando um vislumbre de asas ao luar. Ela foi recompensada com uma silhueta contra o escuro da vegetação. Ele estava de pé no topo da borda íngreme do penhasco rochoso. Abaixo dele, ainda acima de onde Nyx e o resto deles estavam de pé, havia uma borda de rocha coberta de musgo que formava uma borda que parecia uma bacia diante dos rochedos abertos e descia floresta abaixo.
Kalona ergueu um braço por cima da cabeça, a mão estendida e aberta, e sua voz ressoou com força contra as rochas.

Com sua beleza, ela me capturou,
Espetado através do coração e da alma eu sempre devo ser.
O reino mortal deve sempre se alegrar que ela seja verdadeira.
Abandonar seu voto é algo que Nyx nunca vai fazer.
Então venha a mim a minha Divina magia antiga.
Tome forma em uma arma destinada a ser minha!

O ar acima de Kalona parecia tremer, e uma longa lança ônix de repente se materializou.
Kalona agarrou-a e ordenou:

Água, atente o dom da criação dentro do meu apelo.
Espelhada em seu mais favorito cocar de cristal, uma cachoeira brilhante!

Kalona apontou a lança para as pedras a seus pés, e a água, respondendo ao seu chamado, jorrou de dentro da fissura da rocha, transbordando sobre a borda de um vazamento poderoso que se alargava, espumando cristalina e branca, caindo na bacia abaixo em perfeita imitação do cocar brilhante de estrelas que decorava o cabelo de Nyx.
Nyx engasgou com prazer, batendo palmas e rindo. Kalona voou para a frente sobre a borda ao chão para ela, pegando-a quando ela se jogou em seus braços.
— Mãe Terra! Kalona recriou seu presente que eu amo tão ternamente — disse Nyx, sorrindo para a amiga quando seus pés estavam mais uma vez no chão.
O sorriso da Mãe Terra era cauteloso, mas sincero.
— Ele recriou, de fato. Bem feito, Kalona. Isso decorará minha floresta maravilhosamente, e sempre me lebrará do carinho que tenho pela nossa leal Deusa.
As dríades vibravam de acordo, dançando em torno das pedras cobertas de musgo.
Erebus se aproximou de Kalona, estendendo a mão.
— É algo belo, digno de nossa Deusa.
Kalona hesitou apenas um momento. Então segurou a mãe de Erebus. Sorrindo ironicamente, ele disse:
— Obrigado, irmão. E essa coisa de beleza não fede.
Erebus jogou a cabeça para trás e riu.
— Você ganhou hoje, irmão! E eu livremente admito que isso me agrada. Você deve mostrar o seu senso de humor com mais frequência. E eu gosto desse Kalona mais que do severo, e carrancudo.
Nyx foi até eles, e sobre suas mãos cruzadas, ela colocou a sua própria.
— A fraternidade de vocês me agrada mais do que qualquer teste jamais poderia. É como se a água tivesse me transbordado com alegria!
Junto a eles, a Mãe Terra disse:
— E isto é o que eu pretendia quando defini esses testes. Eu só queria ter certeza de que companheiros dignos tinham sido criados para a nossa Deusa. Estou bem satisfeita hoje, também. Digam-me, Kalona e Erebus, que elemento escolherão para o seu teste final?
Nyx acenou para Erebus.
— Como Kalona escolheu Água, este próximo é escolha sua.
— Se o meu irmão estiver de acordo, adiarei minha escolha e pedirei que você decida por mim em vez disso.
— Eu estou de acordo com o meu irmão — disse Kalona.
O sorriso de Nyx estava radiante.
— Então eu escolho o Espírito como o elemento para seu teste final.
— Muito bem, então. Até que cada um tenha feito sua criação, eu lhes concedo o domínio sobre o Espírito. Então eu tenho dito; que assim seja — anunciou a Mãe Terra.
— E agora eu devo deixá-los — disse Erebus.
— Me deixar? — Nyx sorriu interrogativamente para ele.
— Oh, só por agora. Acredito que a Grande Mãe e eu precisamos voltar para a Lealdade Antiga — Erebus falou, olhando de Kalona para Nyx, e em seguida, enviou a Mãe Terra um olhar aguçado. — Parece que perdemos várias das deidades. E acho que elas ainda devem estar no gêiser. Você sabe como elas podem ser distraídos por cores cintilantes.
 — Devemos ir buscá-las, pobrezinhas — a Mãe Terra prontamente concordou com ele. Enquanto Erebus a ergueu cuidadosamente em seus braços, ela chamou: — Venham, dríades, vamos voltar e encontrar suas irmãs.
Antes que ele saltasse para o céu, Nyx tocou o braço de Erebus.
— Obrigada. Você é precioso para mim.
— Assim como você é para mim, minha Deusa — ele disse. — Adeus, irmão. Se precisar de ajuda com o seu próximo teste, pode me encontrar seguindo o sol nascente.
Com as dríades tagarelando a tiracolo, Erebus foi para o céu, deixando Kalona e Nyx completamente sozinhos.
— Ele é mais esperto do que eu achava que era, embora sua altura ainda me surpreenda — Kalona falou.
— A altura dele? Vocês dois são quase idênticos.
— Ele é mais baixo e novo do que eu— disse Kalona. — Embora, agora que você mencionou a similaridade da nossa aparência, admito que ele é extremamente bonito.
— Você é incorrigível! — Nyx o empurrou de brincadeira no peito.
Rindo, Kalona a agarrou e caiu para trás. Enquanto Nyx gritou, ele desfraldou suas asas e eles flutuaram lentamente até a terra em uma borda logo acima da bacia que agora estava cheia de água de cristalina. Ainda segurando-a em seus braços, Kalona murmurou em seu ouvido:
— Eu disse que nunca a deixaria cair.
— Eu te disse como são geladas as águas da montanha? — Nyx retrucou, olhando incerta para baixo deles na piscina espumante.
— Eu não posso comandar o fogo, mas você, minha Deusa, pode — ele comentou.
Nyx sorriu.
— Sim, eu posso! — Saindo de seu abraço, ela enfrentou a cachoeira e ergueu as mãos, invocando: — Eu chamo-o, Fogo. Seu calor nestas águas eu verdadeiramente desejo.
Imediatamente as rochas que cercavam a cachoeira e a piscina começaram a brilhar como brasas, e névoa quente levantou a partir da bacia.
— Vamos? — perguntou Kalona.
— Você já sabe a minha resposta. Eu sou uma amante da água — disse ela. — Eu também gosto muito de você.
Deliberadamente, a Deusa colocou as mãos para trás e puxou uma fita de prata, afrouxando seu vestido. Com um aceno de seus ombros, ele caiu de seu corpo para formar uma poça colorida como o céu a seus pés. Vestindo apenas o seu cocar de estrelas, ela falou:
— Você vai se juntar a mim?
— Sempre — ele respondeu, e a levou em seus braços.
A atenção deles foi consumida pelo prazer que encontravam um no outro, e nem notaram a skeeaed. Com os olhos apertados em inveja, L’ota assistia a vida amorosa dos imortais ante de silenciosamente deslizar para longe para desaparecer na escuridão das sombras.

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