29 de novembro de 2015

Capítulo 6

Bonnie não conseguiu dormir depois da conversa com Damon. Ela queria falar com Meredith, mas havia uma massa uniforme e surda na cama de Meredith.
A única coisa que pôde pensar foi em ir à cozinha e preparar uma xícara de chocolate quente, sozinha em sua miséria. Bonnie não era boa em ficar a sós consigo mesma.
Mas quando se decidiu, quando chegou ao térreo, ela não foi para a cozinha. Passou direto. Tudo estava escuro e com uma aparência estranha na penumbra silenciosa. Acender uma luz só tornaria as coisas mais escuras ainda. Mas ela conseguiu, com os dedos trêmulos, apertar o interruptor que estava ao lado do sofá. Agora, se ela pudesse encontrar um livro ou coisa parecida...
Ela estava agarrada ao seu travesseiro como se fosse um ursinho de pelúcia, quando a voz de Damon disse atrás dela:
— Pobre passarinho. Não devia estar acordada a essa hora, você sabe.
Bonnie começou a falar e mordeu seus lábios.
— Espero que você não esteja mais ferido. — Ela disse friamente, com toda sua dignidade, mas suspeitou que não havia sido muito convincente.
Mas o que ela devia fazer?
A verdade é que Bonnie não tinha nenhuma chance em vencer um duelo de esperteza com Damon — e ela sabia disso.
Damon quis dizer “Ferido? Para um vampiro, um soquinho como aquele era...”
Mas, infelizmente, ele também era humano. E doeu.
Não por muito tempo, prometeu a si mesmo, olhando para Bonnie.
— Pensei que você nunca mais quisesse me ver. — Disse ela, com o queixo tremendo.
Parecia ser cruel demais usar um passarinho vulnerável. Mas que escolha ele tinha?
Vou fazer as pazes com ela de qualquer forma, algum dia, eu juro, ele pensou. E ao menos eu posso ser agradável agora.
— Não foi isso o que eu disse. — Ele respondeu, esperando que Bonnie não se lembrasse exatamente do que ele havia dito.
Se pudesse influenciar aquela menina-mulher antes dele... Mas ele não podia. Era humano agora.
— Você disse que me mataria.
— Olha, eu tinha acabado de me transformar em humano. Não acho que você saiba o que isso signifique, mas isso não tem acontecido comigo desde que eu tinha 12 anos de idade, e ainda era um humano comum.
O queixo de Bonnie continuou tremendo, mas as lágrimas haviam parado.
Você é a mais corajosa quando está com medo, Damon pensou.
— Estou mais preocupado é com os outros. — Ele disse.
— Os outros? — Ela piscou.
— Em quinhentos anos de vida, a pessoa tende a fazer uma quantidade notável de inimigos. Não sei, talvez seja só eu. Ou talvez seja o simples fato de ser um vampiro.
— Oh. Oh, não ! — Bonnie gritou.
— Qual o problema, passarinho? A vida tende a ser curta, sendo ela longa ou breve.
— Mas... Damon...
— Não se aflija, gatinha. Tenho um dos remédios da Natureza. — Damon tirou de seu bolso do peito um pequeno cantil que cheirava a Black Magic.
 — Oh... Você o salvou! Que esperteza a sua!
 — Que experimentar? Senhoras… Deixe-me consertar… Jovens primeiro.
 — Oh, eu não sei. Costumo ficar meio bobona.
 — O mundo é bobo. A vida é uma bobagem. Especialmente quando você foi condenada por seis pessoas antes mesmo do café-da-manhã.
Damon abriu o cantil.
— Oh, tudo bem!
Claramente emocionada em “beber com o Damon”, Bonnie tomou um elegante gole.
Damon engasgou para encobrir uma risada.
— É melhor você tomar goles maiores, passarinho, ou vai demorar a noite toda até que chegue a minha vez.
Bonnie respirou fundo, e depois deu um gole profundo. Após cerca de mais três deles, Damon decidiu que ela estava pronta.
Bonnie ria sem parar agora.
— Eu acho... Você acha que já tive o bastante?
— Que cores você está vendo lá fora?
— Rosa? Violeta? É isso mesmo? Não estamos mais no anoitecer?
— Bem, talvez as Luzes do Norte estejam nos visitando. Mas você está certa, eu deveria levar você para a cama.
— Oh, não! Oh, sim! Oh, não! Nãonãonão sim !
— Shh...
— SHHHHHH!
Que maravilha, Damon pensou, eu exagerei.
— Quero dizer, colocar você na cama. — Ele disse firmemente. — Só você. Aqui, vou levá-la à cama do primeiro andar.
— Porque eu poderia cair das escadas?
— Pode se dizer que sim. E este quarto é muito mais agradável do que o que você compartilha com Meredith. Agora você irá dormir e não dirá nada a ninguém sobre o nosso encontro.
— Nem mesmo para a Elena ?
— Para ninguém. Ou posso ficar com raiva de você.
— Oh, não! Eu não vou, Damon. Juro pela sua vida!
— Isso é... Bem preciso. — Disse Damon. — Boa noite.
O luar encapsulava a casa. Um nevoeiro se misturava ao luar. Uma figura esbelta e encapuzada aproveitou as sombras tão habilmente que ele teria passado despercebido mesmo se alguém estivesse olhando lá para fora e não havia ninguém.

2 comentários:

  1. Gente mesmo o Damon sendo assim continuo super apaixonada por ele💜💜💚

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