25 de novembro de 2015

Capítulo 6

Elena estava usando todos os seus talentos consideráveis de negociação para acalmar Matt, incentivando-o a pedir o segundo e terceiro Waffle Belga; sorrindo para ele do outro lado da mesa. Mas não foi muito bem. Matt estava se movendo como se estivesse preparado para uma corrida, enquanto ao mesmo tempo, não conseguia tirar seus olhos dela.
Ele ainda está imaginando Damon aterrorizando e atacando algumas garotas, pensou Elena, impotente.
Damon não estava lá quando saíram da cafeteria. Elena viu as sobrancelhas de Matt unidas por cima de seus olhos azuis, e começou a ter uma ideia genial.
— Por que não levamos o Jag para uma revendedora de carros usados? Se vamos dar o Jaguar, quero o seu conselho sobre o que poderíamos obter em troca...
— Sim, meu conselho sobre monte de destroços caindo aos pedaços deve ser o melhor— Matt disse, com um sorriso irônico, que dizia que sabia que Elena o estava manipulando, mas que não se importava.
A única concessionária na cidade não parecia muito promissora. Mas mesmo assim não parecia tão deprimente que nem o proprietário. Elena e Matt o encontraram dormindo em um pequeno escritório com janelas sujas.
Matt bateu suavemente na janela manchada, e finalmente o homem começou a se sentar em sua cadeira, e acenou furiosamente para que fossem embora.
Mas Matt bateu novamente na janela, quando o homem tornava a abaixar a sua cabeça mais uma vez, e desta vez o homem sentou-se muito lentamente, deu-lhes um olhar amargo e foi até a porta.
— O que vocês querem? — perguntou.
— Um negócio — Matt disse em voz alta, antes de Elena poder dizer isso em voz baixa.
— Vocês, adolescentes, tem um carro para negociar— o homem baixo disse sombriamente.  Em todos os meus vinte anos como proprietário desse lugar..
— Olha — Matt deu um passo para trás para revelar o Jaguar vermelho brilhando sob o sol da manhã, como uma gigante rosa sobre rodas. — Um Jaguar XZR novíssimo. De zero a sessenta quilômetros em 3.7 segundos! Motor Supercharged AJ-V8 GEN III R com 550 cavalos de potência, com seis velocidades de marcha ZF! Adaptive Dynamics e Active Differential para excepcional tração e manobragem! Não existe um carro como o XZR! — Matt terminou cara a cara com o homem baixo, cuja boca tinha lentamente se aberto, e seus olhos piscaram, alternando entre o carro e o guri.
— Você quer trocar aquilo por algo nesse lugar? — Ele disse, chocado, francamente descrente. — Como se eu tivesse dinheiro para... espere um minuto! — ele se interrompeu. Seus olhos pararam de piscar, e se tornaram olhos de um jogador de poker. Seus ombros se ergueram, mas sua cabeça não, dando a ele uma aparência de abutre.
— Eu não quero — disse categoricamente, e fez como se quisesse voltar ao seu escritório.
 O que quer dizer com 'não quero'? Você estava babando um minuto atrás! — Matt gritou, mas o homem parou de estremecer.
Eu deveria ter falado, pensou Elena. Eu não teria começado uma guerra com uma palavra – mas agora é tarde demais. Ela tentou se esquecer das vozes masculinas e olhou para os carros definhando no lote, cada um cheio de poeira, palavras riscadas no pára-brisa:
10 % DE DESCONTO NO NATAL! CRÉDITO FÁCIL! CHEQUE ESPECIAL! SEM ENTRADAS! CONFIRA!.
Ela estava com medo de cair em lágrimas a qualquer segundo.
— Sem chance de ter um carro como esse aqui — O dono disse, rosto sem expressão. — Quem iria comprá-lo?
— Você enlouqueceu? Esse carro vai te trazer clientes! É... é publicidade! Melhor do que o hipopótamo roxo lá!
— Não é um hipopótamo. É um elefante...
— Quem poderia dizer, meio murcho do jeito que está?
Com dignidade, o proprietário deu um longo olhar para o Jaguar. — Não é novo. Ele tem muitas milhas...
— Foi comprado há apenas duas semanas...
— Então? Em algumas semanas a Jaguar anunciará os carros do ano que vem. — O proprietário acenou com a mão para o veículo parecendo uma rosa gigante de Elena. Obsoleto
— Obsoleto!
— Um carro grande como esse... Bebedor de gasolina...
— Ele é mais eficiente que um híbrido!
— Você acha que as pessoas sabem disso? Eles vêem isso...
— Olha, eu poderia levar esse carro em qualquer outro lugar...
— Então leve. Em meu lote, aqui e agora, esse carro somente vale para troca!
— Dois carros...
A nova voz veio diretamente de trás de Matt e Elena, mas o comerciante de carros arregalou os olhos como se tivesse visto um fantasma. Elena se virou e encontrou com o insondável olhar negro de Damon. Ele estava com seus óculos de sol presos em sua camisa, e estava parado com suas mãos atrás das costas. Ele olhava fixamente para o vendedor.
Alguns momentos passaram, e então...
— O Prius prata... no lado direito de trás... embaixo... embaixo do toldo — o comerciante de carros disse lentamente, e com uma expressão atordoada, em resposta a nenhuma pergunta pronunciada em voz alta.
— Eu... levarei você até lá — acrescentou ele com uma voz que combinava com sua expressão.
— Pegue as chaves que estão com você. Deixe o guri fazer o teste-drive — Damon ordenou, e o proprietário se atrapalhou ao mostrar um chaveiro em seu cinto, e caminhou lentamente para longe, encarando o nada. Elena se virou para Damon. — Um palpite. Você perguntou a ele qual era o melhor carro em seu lote...
— Troque para 'menos repugnante' e você estará perto. — Ele mostrou a ela um sorriso brilhante por um décimo de segundo, e depois o apagou.
— Mas... Damon, por que dois carros? Eu sei que é mais do que justo, mas o que vamos fazer com dois carros?
— Caravana — disse Damon.
— Ah, não — Mas até Elena pôde ver os benefícios disso. Pelo menos depois que eles realizarem uma votação sobre um esquema de rotas para Elena. Ela suspirou. Bem... se Matt concordar..
— Mutt vai concordar— Damon disse, parecendo brevemente, muito brevemente, inocente como um anjo.
— O que você tem nas suas costas? — Elena disse, decidindo não prosseguir com a questão do que Damon pretendia fazer com Matt.
Damon sorriu novamente, mas desta vez um sorriso estranho, apenas com um lado de sua boca. Seus olhos diziam que não era nada demais. Mas sua mão direita saiu, e ela estava segurando a mais bela rosa que Elena já tinha visto na vida.
Era a rosa com o vermelho mais profundo que ela já tinha visto, não havia indícios de roxo - era apenas uma cor de vinho aveludada aberta no exato momento de floração. Era como de pelúcia ao toque, e seu vívido caule verde, com apenas algumas folhas delicadas, aqui e ali, tinha pelo menos dezoito centímetros de comprimento, reto como uma régua.
Elena resolutamente colocou suas mãos atrás, nas costas. Damon não era do tipo sentimental – nem se quer em seus momentos — Princesa da Noite — A rosa provavelmente tinha algo a ver com a viagem deles.
— Você não gosta? — Damon disse. Elena poderia estar imaginando, mas ele quase soava como se estivesse decepcionado.
— É claro que eu gosto. Para que isso?
Damon se recostou. — É para você, Princesa. — Ele disse, parecendo magoado.  Não se preocupe, eu não a roubei — Não, ele não teria roubado. Elena sabia exatamente como ele teria conseguido a rosa... mas era tão linda...
Como ela ainda não tinha feito nenhum movimento para pegar a rosa, Damon a ergueu, e permitiu que as pétalas de seda acariciassem o rosto dela.  Isso a fez estremecer. — Pare com isso Damon — murmurou, embora não parecesse capaz de dar um passo para trás.
Ele não parou. Usou o suave, macio farfalhar das pétalas para delinear o outro lado de seu rosto. Elena automaticamente respirou fundo, mas o que ela cheirou não era uma flor qualquer. Cheirava a algo sombrio, vinho escuro, algo antigo e perfumado, que a fez se sentir embriagada imediatamente.
Embriagada na Magia das Trevas e com sua própria excitação lhe subindo a cabeça... apenas por estar com Damon.
Mas aquilo não era o meu verdadeiro eu, uma voz baixa protestou em sua cabeça. Eu amo Stefan. Damon... Eu quero... Eu quero...
— Você quer saber por que tenho essa particular rosa? — Damon dizia suavemente, sua voz se misturando entre as lembranças dela. — Eu a tenho por causa de seu nome. É uma rosa Black Magic.
— Sim — Elena disse simplesmente. Ela já sabia antes dele dizer. Esse era o único nome que se encaixava.
Agora Damon estava dando a ela um beijo de rosa, um turbilhão floriu em um círculo em sua bochecha e então aplicando pressão. As pétalas mais firmes do meio pressionaram a sua pele, enquanto as pétalas externas roçaram-na.
Elena estava se sentindo distintamente com a cabeça leve. O dia já estava quente e úmido; então como a rosa poderia ser tão fria? Agora as extremidades das pétalas se moveram para traçar seus lábios, e ela queria dizer não, mas nenhuma palavra vinha.
Era como se ela tivesse sido transportada no tempo, de volta aos primeiros dias em que Damon tinha aparecido para ela, tinha primeiro afirmado a ela por si próprio. Quando ela quase tinha deixado ele a beijar antes de saber o seu nome...
Ele não tinha mudado de ideia desde então. Vagamente, Elena se lembrou de ter pensado em algo como isso antes.
Damon mudou outras pessoas, enquanto ele mesmo permanecia inalterado.
Mas eu mudei, pensou Elena, e de repente, lá estava, areia movediça sob seus pés. Mudei muito desde então. O bastante para ver coisas em Damon que nunca imaginei que poderiam existir. Não apenas as partes de selvageria e fúria demoníaca, mas as partes gentis. A honra e a decência que foram presas como veias de ouro no interior dessa rocha que era a sua mente.
Tenho que ajudá-lo, pensou Elena. De algum jeito, tenho que ajudá-lo – e ao garoto acorrentado na rocha.
Esses pensamentos escorriam devagar através de sua mente, enquanto ela parecia estar separada de seu corpo. Estava tão envolvida neles, que de fato, que de alguma forma ela perdeu a noção de seu corpo, e só agora ela percebeu que Damon estava mais próximo dela. Suas costas estavam contra um dos velhos carros. E Damon falava levianamente, mas com um tom de seriedade.
— Então, uma rosa por um beijo? — perguntou. — Ela é chamada Black Magic, e eu a consegui honestamente. O nome dela era... era...
Damon se interrompeu, e por um momento um olhar de intensa perplexidade faiscou em seu rosto. Então ele sorriu, mas era um sorriso de um guerreiro, que brilhou e sumiu quase antes de você ter certeza de que o viu.
Elena sentiu problemas. Claro que Damon ainda não lembrava o nome de Matt corretamente, mas ela nunca o viu esquecer o nome de uma garota de que ele realmente estava tentando lembrar. Especialmente de ter se alimentado dessa garota minutos antes.
Shinichi de novo? Elena se perguntou. Ele ainda estava tomando as memórias de Damon – apenas alguns flashes, não é? A sensação é boa ou ruim? Elena sabia que Damon estava pensando a mesma coisa. Seus olhos negros estavam em chamas. Ele estava furioso – mas havia uma certa vulnerabilidade em sua fúria.
Sem pensar, Elena colocou suas mãos nos braços de Damon. Ela ignorou a rosa, mesmo quando ele traçou a curva da sua maçã do rosto com ela. Tentou falar com severidade. — Damon, o que vamos fazer?
Foi quando Matt apareceu andando até eles. Bem, correndo, na verdade. Ele teceu o caminho através de um labirinto de carros, contornou um SUV branco com um pneu furado, gritando, — Ei, vocês, aquele Prius é...
E então ele parou.
Elena sabia o que ele estava vendo: Damon acariciando-a com a rosa, e ela praticamente o abraçando. Ela se soltou dos braços de Damon, mas não se afastou, impedida pelo carro atrás dela.
— Matt... — Elena começou, mas em seguida a sua voz sumiu. Ela estava prestes a dizer: 'Isso não é o que parece. Nós não estávamos nos abraçando. Eu realmente não ia tocá-lo' Mas era isto o que parecia. Ela se importava com Damon; tinha tentado pensar bem sobre ele.
Com um pequeno choque, o pensamento se repetiu com a força de um raio de luz solar na pele de um vampiro desprotegido.
Ela se importava com Damon. Realmente se preocupava. Geralmente, era difícil estar com ele, por que eles eram parecidos em muitas maneiras. Cabeça dura, cada qual querendo seguir seu próprio caminho, impulsivo, ansioso...
Damon e ela eram parecidos.
Pequenos choques percorriam Elena, e seu corpo inteiro parecia vulnerável. Ela ficou contente por encostar-se no carro atrás dela, mesmo que isso sujasse suas roupas de poeira.
Eu amo o Stefan, pensou, quase histérica. Ele é o único que eu amo. Mas preciso de Damon para poder resgatá-lo. E Damon parecia estar caindo em pedaços na frente dela. Todo o tempo ela esteve olhando para Matt, os olhos dela cheio de lágrimas que não iriam cair. Ela piscou, mas elas persistiam em permanecer em seus cílios.
— Matt... — ela sussurrou.
Ele não disse nada. Não precisava. Estava tudo em sua expressão: Espanto se voltando para Elena em uma forma que ela nunca viu antes, não quando ele estava olhando para ela. Era uma espécie de alienação que a calou completamente, que cortou qualquer laço existente entre eles.
— Matt não... —  Mas saiu apenas em um sussurro.
E então para seu espanto, Damon falou.
— Você acha que sabe tudo sobre mim, não é? Você pode culpar uma garota por tentar se defender — Elena olhou para suas mãos, que agora tremiam. Damon continuava: — Você sabe que é tudo minha culpa. Elena nunca..
Foi quando Elena percebeu. Damon estava Influenciando Matt.
— Não! — Ela pegou Damon desprevenido, o agarrando, sacudindo-o novamente.  Não faça isso! Com Matt não! — Os seus olhos negros encontraram os dela, e o que ela viu, realmente não era bom. Damon tinha interrompido o uso de seu Poder. Se fosse qualquer outra pessoa, teria acabado como uma mancha de graxa no chão.
— Eu estou te salvando — Damon disse em tom gélido. — Você está me recusando?
Elena se sentiu vacilando. Talvez, apenas uma vez, e para benefício de Matt...
Algo apareceu do interior dela. Tudo o que ela podia fazer era não deixar sua aura escapar completamente.
— Nunca mais tente isso em mim novamente — Elena disse. Sua voz era calma, e fria como gelo.  Não ouse tentar me Influenciar novamente! E deixe Matt em paz! — Algo como aprovação cintilou nas trevas sem fim do olhar de Damon. Que desapareceu antes que ela pudesse ter certeza de que tinha visto. Mas quando ele falou, parecia menos distante.
— Tudo bem — disse a Matt.  O que você planeja jogar agora? Dê o nome — Matt respondeu devagar, sem olhar para nenhum dos dois. Ele não estava Influenciado, mas com uma calma mortal. — Eu ia dizer que, o Prius não é de todo ruim, e o negociante, tem outro. Está em boas condições. Poderíamos ter dois carros iguais...
— Então poderíamos prosseguir a viagem, e se dividir caso alguém esteja nos seguindo! Não saberiam qual perseguir — Normalmente, Elena teria jogado os braços em torno de Matt nesse momento. Mas Matt encarava seus sapatos, o que provavelmente é uma boa ideia, já que Damon, com os seus olhos fechados, sacudia a cabeça como se não pudesse acreditar em uma ideia tão idiota.
Está certo, Elena pensou. É a minha aura – ou a de Damon – que eles estão seguindo? Não podemos confundi-los com carros iguais, se não tivermos auras iguais, também.
O que realmente significava, era que ela teria que dirigir com Matt todo trajeto. Mas Damon nunca aceitaria isso. E ela precisaria de Damon para chegar até o seu amado. Seu único companheiro de verdade: Stefan.
— Eu levarei um dos carros nojentos — Matt estava dizendo, se arranjando com Damon, a ignorando.  Eu usava carros nojentos. Já fiz um acordo com o comerciante. Nós deveríamos ir. — Ainda conversando apenas com Damon ele disse: — Você deveria me dizer para onde nós estamos indo. Poderíamos nos separar...
 Damon ficou em silêncio por um longo tempo, então disse bruscamente: — Sedona, no Arizona, para começar — Matt o olhou, enojado.  Esse lugar cheio de lunáticos da Nova Era? Você está brincando...
— Eu disse que vamos começar a partir de Sedona. É um completo deserto - nada além de rochas em volta. Você poderia se perder... muito facilmente. — Um sorriso brilhante apareceu no rosto de Damon, mas logo ele o apagou.
— Nós vamos estar no Juniper Resort, North Highway 89A — adicionou ele, suavemente.
— Entendi — Matt disse. Elena não podia ver nenhuma emoção na expressão de seu rosto, mas sentia que a sua aura estava borbulhando em vermelho.
— Agora, Matt — Elena começou, — realmente deveríamos nos encontrar a noite, então se você nos seguir... — Elena se interrompeu, com uma respiração profunda.
Matt tinha se virado. Ele não se virou enquanto ela falava. Ele continuou andando, sem dizer nenhuma palavra.
Não olhou para trás.

4 comentários:

  1. Nossa, Matt ficou grilado! Eu também ficaria, sei que Elena se preocupa com Damon, mas toda vez que ela tá com ele ela tem que ficar se lembrando que ama Stefan! Parece até que ela tá tentando se convecer disso.

    ResponderExcluir
  2. Eu quero que Helena fique com Estefan

    ResponderExcluir
  3. sai Damon! A Elena é do Stefan e vc é meu, então desgruda dela

    ResponderExcluir
  4. Me perdoem quem ama Stefan, mas esse amor todo é uma chatice. Gosto de Damon. A escritora fez muito meloso a parte de Elena e Stefan acabou estragando um pouco.

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!