20 de novembro de 2015

Capítulo 6

 Eu disse, cai fora — Meredith repetiu para Caroline, ainda em voz baixa. — Você disse coisas que nunca deveriam ter sido ditas em nenhum lugar civilizado. E acontece que esta é a casa Stefan – e, sim, é direito dele pedir pra você se retirar. Estou fazendo isso por ele, no entanto, porque ele nunca iria pedir a uma garota – e ex-candidata a namorada, devo acrescentar – para dar o fora de seu quarto.
Matt limpou a garganta. Ele tinha se afastado ficando em um canto, e todos tinham esquecido a presença dele.
 Caroline, eu a conheço a tempo demais para ser formal, e Meredith está certa. Se você quer dizer o tipo de coisas que está dizendo sobre Elena, terá que fazê-lo em outro lugar, longe dela. Mas, olha, tem uma coisa que eu sei. Não importa o que Elena fez quando esteve... esteve aqui antes  a voz dele caiu um pouco em admiração, e Bonnie sabia o que ele queria dizer, quando Elena esteve aqui na Terra antes. — Ela está muito mais próxima de um anjo do que você poderia imaginar. Agora ela é... ela é... totalmente...  ele hesitou, procurando pelas palavras certas.
 Pura  Meredith completou facilmente, ajudando-o a terminar a afirmação.
 Sim — Matt concordou. — Sim, pura. Tudo que ela faz é puro. E não há como nenhuma das suas palavras malvadas a atingirem, de qualquer maneira, mas o resto de nós simplesmente não gosta de assistir você tentar.
Houve um baixo Obrigado de Stefan.
 Eu já estava indo — disse Caroline, agora através de seus dentes. — E não se atreva a falar comigo sobre a pureza dela! Aqui, com tudo isto acontecendo! Provavelmente só quer assistir por você mesmo, duas garotas se beijando. Você provavelmente...
 Chega — Stefan disse quase sem expressão, mas Caroline foi levantada e jogada pra fora da porta e largada lá como se fosse carregada por mãos invisíveis. Sua bolsa foi jogada logo depois dela. Em seguida, a porta se fechou silenciosamente.
Os pelos na nuca de Bonnie se levantaram. Este Poder psíquico lhe deixou com os sentidos atordoados e temporariamente paralisada. Mover Caroline – e ela não era uma criancinha – tinha sido um esforço imenso.
Talvez Stefan tivesse mudado tanto quanto Elena. Bonnie olhou para Elena, cuja piscina de tranquilidade tinha ficado um pouco abalada por causa de Caroline.
E você também poderia fazer algo para afastar a mente de Elena disso, e talvez ser digna de algum agradecimento de Stefan, pensou Bonnie.
Ela encostou-se ao joelho de Elena, e quando Elena virou pra olhá-la, Bonnie a beijou.
Elena quebrou o beijo muito rapidamente, como se estivesse com medo de causar algum holocausto novamente. Mas Bonnie viu de uma só vez o que a Meredith tinha dito sobre não ser sexual. Foi... mais como ser examinada por alguém que estava usando todos os seus sentidos ao máximo. Quando Elena se afastou de Bonnie, ela irradiava tal como fez quando foi Meredith, todas as angústias levadas pra longe pela - sim, pela pureza do beijo. Bonnie sentiu como se uma parte da tranquilidade de Elena tivesse ido pra ela.
 ... deveria ter pensado melhor antes de trazer Caroline — Matt estava dizendo a Stefan. — Desculpe por tê-la expulsado, mas conheço Caroline, e ela poderia ter ficado tagarelando por meia hora sem nunca realmente sair.
 Stefan cuidou disso — Meredith disse — ou foi Elena, também?
 Fui eu — Stefan falou. — Matt tinha razão: ela poderia continuar a falar indefinidamente sem realmente sair. E eu simplesmente não conseguiria ouvir alguém falar assim com Elena.
Porque estão falando essas coisas?, Bonnie perguntava. De todas as pessoas, Meredith e Stefan eram os menos inclinados a discussões, mas aqui estavam eles, dizendo coisas que realmente não precisavam ser ditas. Então percebeu que era por Matt, que estava se movendo lentamente, mas com determinação para Elena.
Bonnie se levantou rápida e ágil como se fosse voar, e conseguiu passar por Matt sem olhar para ele. E então foi se juntar a Meredith e Stefan em suas tagarelices – bem, mais ou menos tagarelices – sobre o que acabara de acontecer.
Caroline tinha arrumado um mau inimigo, todos concordaram, e parecia que nada a ensinaria que, quando se atacava Elena, sempre ricocheteava. Bonnie podia apostar que ela estava arrumando um novo ataque agora mesmo contra todos.
 Ela se sente sozinha o tempo todo  disse Stefan, como se estivesse tentando arrumar desculpas para ela.  Quer ser aceita por qualquer pessoa, em quaisquer condições, mas se sente... isolada. Como se ninguém que realmente a conhecesse confiasse nela.
 Ela é defensiva — Meredith concordou. — Mas você poderia esperar que ela fosse mostrar alguma gratidão. Afinal, nós a resgatamos e salvamos sua vida pouco mais de uma semana atrás.
Havia mais que isso, pensou Bonnie. Sua intuição estava tentando lhe dizer algo, algo sobre o que poderia ter acontecido antes de eles conseguirem socorrer Caroline – mas estava tão zangada com o comportamento dela com Elena que ignorou isso.
 Por que alguém deveria confiar nela? — ela perguntou a Stefan, e arriscou uma olhadinha para trás. Elena iria definitivamente conhecer Matt a qualquer momento, e Matt parecia como se estivesse prestes a desmaiar. — Caroline é bonita, certo, mas é só isso. Nunca tem nada de bom a dizer sobre ninguém. Faz joguinhos o tempo todo. Eu sei que fizemos isso algumas vezes, também... mas ela está sempre tentando fazer as outras pessoas parecerem más. Claro, ela pode ter a maioria dos rapazes — uma súbita ansiedade a tomou, e ela falou mais alto para tentar empurrar isso pra longe — mas se você é uma garota, ela é apenas um par de pernas longas e...
Bonnie parou porque a Meredith e Stefan haviam congelado, com uma idêntica expressão de Oh-meu-Deus-de-novo-não em seus rostos.
 E ela também tem uma audição muito boa — disse uma voz agitada e ameaçadora em algum lugar atrás de Bonnie.
O coração de Bonnie saltou em sua garganta. Era isso que dava ignorar suas premonições.
 Caroline... — Meredith e Stefan foram ambos tentar controlar os danos, mas era tarde demais. Caroline havia entrado com longas pernas como se não quisesse que seus pés tivessem que tocar o chão de Stefan. Estranhamente, porém, estava carregando os saltos altos com as mãos.
 Voltei para buscar os meus óculos — disse, ainda naquela voz tremida. — E ouvi o suficiente para saber o que os meus ditos “amigos” pensam de mim.
 Não, você não ouviu, — disse Meredith, tão rapidamente e eloquente quanto Bonnie ficou atordoado e muda. — Você ouviu algumas pessoas muito irritadas colocando a irritação para fora após você tê-las insultado.
 Além disso — disse Bonnie, de repente capaz de voltar a falar — admita, Caroline... você desejava ouvir alguma coisa. Foi por isso que tirou os sapatos. Estava bem atrás da porta escutando, não?
Stefan fechou os olhos.
 Isto é minha culpa. Eu devia ter...
 Não, você não devia — Meredith disse para ele, e para Caroline acrescentou: — E se você puder me dizer uma palavra do que dissemos que não é verdade, ou exagerado, exceto talvez por aquilo que Bonnie disse, e Bonnie... é apenas Bonnie. De qualquer maneira, se puder apontar uma palavra do que o resto de nós disse que não é verdade, eu peço perdão.
Caroline não estava ouvindo. Estava se contorcendo. Ela tinha um tique facial, e seu lindo rosto estava vermelho escuro convulsionando de fúria.
 Oh, vocês implorarão meu perdão, tenham certeza — falou, apontando o indicador com aquela longa unha pra cada um deles. — Vão se arrepender. E se você tentar essa – essa feitiçaria-vampira em mim novamente, tenho amigos – amigos verdadeiros – que gostariam de saber sobre isso.
 Caroline, esta tarde você assinou um contrato...
 Oh, quem liga pra isso?
Stefan se levantou. Estava escuro agora no interior do pequeno quarto com a sua janela poeirenta, e a sombra dele foi lançada pelo quarto pela lâmpada de cabeceira. Bonnie olhou para ele e então para Meredith, com os pelos dos braços e da nuca se eriçando. A sombra era surpreendentemente escura e surpreendentemente alta. A sombra de Caroline era fraca, transparente e curta – uma imitação perto da verdadeira sombra.
A sensação de tempestade estava de volta. Bonnie estava agitada agora, tentando sem sucesso parar o tremor que tinha chegado como se ela tivesse tomado um banho de água gelada. Era um frio que vinha diretamente de seus ossos e foi rasgando camada após camada de calor deles como um gigante ganancioso, e agora estava começando a tremer mais forte...
Alguma coisa estava acontecendo com Caroline nas sombras – algo estava se aproximando dela... ou vindo por ela... ou talvez ambos. Em qualquer caso, estava ao redor dela agora, e em volta de Bonnie também, a tensão era tão espessa que Bonnie ficou bloqueada, o seu coração agitado. Ao seu lado, Meredith – a prática, cabeça-controlada Meredith – se agitava nervosamente.
 O que...?  Meredith começou em um sussurro.
De repente, como se tudo tivesse sido requintadamente coreografado pela escuridão, a porta do quarto de Stefan se fechou... a lâmpada se apagou... e o antigo laminado da janela veio para baixo, deixando o quarto em súbita e completa escuridão.
Caroline gritou. Era um som horrível – como se alguém tivesse agarrado-a e arrancado sua coluna vertebral pela garganta.
Bonnie gritou também. Não pôde evitar, embora seu grito tivesse parecido demasiado fraco e sem fôlego, como um eco, o contrário do que Caroline tinha feito. Graças a Deus que pelo menos Caroline não gritou por muito tempo. E Bonnie foi capaz de parar o novo grito que estava se construindo em sua própria garganta, apesar de sua agitação ser pior do que nunca. Meredith tinha um braço apertado em torno dela, mas então, como a escuridão e o silêncio se seguiram e Bonnie não parava de tremer, Meredith levantou-se sem piedade e a passou para Matt, que parecia espantado e envergonhado, mas tentou segurá-la de maneira estranha.
 Não é tão escuro que seus olhos não possam se acostumar — ele falou. Sua voz estava rouca, como se precisasse de um pouco de água. Mas foi a melhor coisa que poderia ter dito, porque de todas as coisas no mundo para temer, o pior medo de Bonnie era o escuro. Havia coisas ali, coisas que só ela conseguia enxergar.
Ela conseguiu, apesar do terrível medo, parar de pé com seu apoio – em seguida, engasgou, e ouviu Matt engasgar também.
Elena estava brilhante. Não apenas ela, mas o brilho se estendia por trás dela, e para ambos os lados, saído de um par de muito bem definidas e inegavelmente presentes... Asas.
 Ela tem a-asas, — sussurrou Bonnie, com um estremecimento, desta vez causado por sua admiração e não por terror ou medo.
Matt era quem estava agarrado nela agora, como uma criança, e obviamente, não poderia responder.
As asas se moviam com a respiração de Elena. Ela estava sentada no ar, firme agora, uma mão estendida com os dedos todos espalhados em um gesto de negação.
Elena falou. Não era qualquer linguagem que Bonnie tivesse ouvido antes, duvidou que fosse um idioma usado por qualquer pessoa na Terra. As palavras eram afiadas, como o desmoronamento de uma miríade cacos de cristal que tinham caído de um lugar muito alto e muito longe.
A forma das palavras quase fazia sentido para Bonnie, como se suas próprias habilidades psíquicas ficassem sucintas perto do tremendo poder de Elena. Era um poder que permanecia elevado contra as trevas, e agora ele e ia varrendo os lados...
Fazendo as coisas do escuro galoparem para longe, as suas garras arranhando em todas as direções. As palavras afiadas seguiram-lhes todo o caminho, dissipando-as agora...
E Elena... Elena estava tão bela a ponto de fazer o coração doer, tanto quanto fora quando tinha sido uma vampira, e parecia quase tão pálida como uma.
Mas Caroline estava gritando, também. Estava usando poderosas palavras de Magia Negra, e para Bonnie era como se as sombras de todos os tipos de escuro e coisas horríveis fossem provenientes de sua boca: lagartos e serpentes e muitas pernas de aranhas.
Era um duelo, um duelo de magia. Só que, como Caroline tinha aprendido tudo isso sobre magia negra? Ela nem sequer era de linhagem bruxa como Bonnie.
Do lado de fora do quarto de Stefan, em torno dele, havia um som estranho, quase como um helicóptero. wipwipwipwip... Isso aterrorizou Bonnie.
Mas ela tinha que fazer alguma coisa. Era celta por descendência, e psíquica, bem, porque não podia evitar isso, e tinha que ajudar Elena.
Lentamente, como se estivesse abrindo caminho contra rajadas de ventos, Bonnie se esticou para colocar sua mão sobre a de Elena, para oferecer sua força a Elena.
Quando Elena agarrou sua mão, Bonnie percebeu que Meredith estava do seu outro lado. A luz cresceu. As coisas rastejantes correram dela, gritando e batendo umas nas outras na fuga.
A próxima coisa que Bonnie soube era que Elena estava caindo. As asas tinham ido embora. E as coisas rastejantes do escuro desapareceram, também.
Elena os tinha expulsado, usando enormes quantidades de energia para esmagá-los com Poder Branco.
 Ela vai cair — Bonnie sussurrou, olhando Stefan. — Usou uma magia muito forte.
Então, quando Stefan começou a se dirigir para Elena, várias coisas aconteceram muito rapidamente, como se o quarto tivesse sido atingido por vários raios de luz.
Lampejo: o laminado da janela rolou pra cima, abrindo furiosamente.
Lampejo: a lâmpada ligou novamente, revelando-se nas mãos de Stefan. Ele devia estar tentando consertá-la.
Lampejo: a porta do quarto de Stefan abriu lentamente, rangendo, como se quisesse se redimir de ter batido antes.
Lampejo: Caroline estava no chão, gemendo, respiração difícil. Elena tinha vencido...
Elena caiu.
Só os reflexos inumanamente rápidos de Stefan poderiam tê-la capturado, especialmente com ele do outro lado da sala. Mas Stefan tinha deixado a lâmpada com Meredith e atravessou a distância mais rápido do que os olhos de Bonnie poderiam seguir. Então estava segurando Elena, abraçando-a protetoramente.
 Oh, inferno — disse Caroline.
Trilhas negras de máscara pra cílios corriam pelo seu rosto, tornando seu olhar não muito humano. Ela olhou para Stefan ódio franco. Ele olhou de volta solenemente, não, soberanamente.
 Não chame o inferno — ele respondeu em uma voz muito baixa. — Não aqui. Não agora. Porque o inferno poderia ouvir e chamar de volta.
 Como se já não tivesse — devolveu Caroline, e nesse momento era  digna de pena – miserável e patética. Como se tivesse começado algo que não sabia como parar.
 Caroline, o que está dizendo? — Stefan entendeu. — Está dizendo que você já fez alguma troca...?
 Ai — disse Bonnie, de repente e involuntariamente, acabando com humor sinistro no quarto.
Uma das unhas que Caroline tinha quebrado e deixado um rastro de sangue no chão. Bonnie sentiu um latejo de simpatia sentindo a dor em seu próprio dedo até que Caroline apontou sua mão sangrenta pra Stefan.
Então a simpatia de Bonnie virou náusea.
 Quer uma lambida? — disse. Sua voz e rosto mudaram completamente, e ela não fez nenhuma questão de tentar esconder isso. — Ah, vá lá, Stefan — começou a zombar. — Andou bebendo sangue humano nestes dias, não é? Humano ou... seja lá o que ela seja, ou o que virou. Você dois voam como morcegos juntos agora, não é?
 Caroline — Bonnie sussurrou. — Você não as viu? Suas asas...
 Exatamente como um morcego, ou outra coisa de vampiro. Stefan a transformou...
 Eu vi — disse Matt plenamente, atrás Bonnie. — Elas não eram asas de morcego.
 Será que alguém tem olhos? — Meredith disse de onde estava, perto da lâmpada. — Olhem aqui.
Ela se abaixou. Quando levantou de novo, estava segurando uma longa pena branca. Que brilhava na luz.
 Talvez ela seja um corvo branco, então — devolveu Caroline. — Isso seria adequado. E não posso acreditar como vocês estão todos – todos – tão cuidadosos com ela, como se... como se ela fosse uma espécie de princesa. Sempre a queridinha de todos, não é mesmo, Elena?
 Pare com isso — ordenou Stefan.
 Todos, essa é a palavra chave — Caroline cuspiu.
 Pare com isso.
 O jeito como você estava beijando todo mundo, um após o outro — ela deu um estremecimento teatral. — Todo mundo parece ter esquecido, mas isso estava mais para...
 Pare, Caroline.
 A Elena Real — a voz de Caroline tinha se tornado fingidamente suave, mas não podia manter o veneno fora, pensou Bonnie. — Porque quem a conhecia antes sabia quem você era, antes de o Stefan nos abençoar com sua irresistível presença, você era uma...
 Caroline, pare com isso...
 Uma puta! É isso! Bem barata, uma puta qualquer!

3 comentários:

  1. Carolina é invejosa, mas não deixa de ter razão, Elena era muito egoísta também. Só que as pessoas mudam.

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