13 de novembro de 2015

Capítulo 6

— Ela já fez sua escolha. Você mesmo viu quando nos “interrompeu”. Você já escolheu, não foi, Elena? — Stefan não falou com presunção, ou demandando, mas com um tipo de bravata desesperada.
— Eu... — Elena olhou para cima. — Stefan, eu te amo. Mas você não entende, se eu tivesse que escolher nesse instante, escolheria que todos nós ficássemos juntos. Só por ora. Você entende? — Vendo apenas dureza no rosto de Stefan, se virou para Damon. — Você entende?
— Acho que sim — ele lhe lançou um sorriso secreto e possessivo. — Eu disse a Stefan desde o começo que ele era egoísta ao não compartilhá-la. Irmãos deveriam dividir coisas, sabe.
— Não foi isso o que eu quis dizer. 
— Não? — Damon sorriu novamente.
— Não — Stefan disse. — Não entendo, e não vejo como você pode me pedir para trabalhar com ele. Ele é malvado, Elena. Mata por prazer; não tem consciência alguma. Não liga para Fell’s Church; ele mesmo disse isso. Ele é um monstro.
— Nesse momento está sendo mais cooperativo que você — Elena respondeu. Esticou a mão para pegar a de Stefan, procurando por algum modo chegar até ele. — Stefan, eu preciso de você. E ambos precisamos dele. Não pode tentar aceitar isso? — Quando ele não respondeu, acrescentou, — Stefan, você realmente quer ser inimigo mortal do seu irmão para sempre?
— Você realmente acha que ele quer outra coisa? 
Elena encarou suas mãos entrelaçadas, olhando para as superfícies, curvas e sombras. Ela não respondeu por um minuto, e quando o fez, foi muito silenciosamente.
— Ele me impediu de te matar — falou.
Sentiu a explosão da raiva defensiva de Stefan, então sentiu-a lentamente se dissipar. Algo parecido com derrota arrastou-se sobre ele, e ele curvou a cabeça.
— Isso é verdade. E, de qualquer jeito, quem sou eu para chamá-lo de malvado? O que ele fez que eu próprio não fiz?
Nós precisamos conversar, Elena pensou, odiando essa autodepreciação. Mas esse não é lugar nem a hora.
— Então você concorda? — Ela perguntou hesitantemente. — Stefan, me diga o que está pensando.
— Nesse momento estou pensando que você sempre consegue as coisas da sua maneira. Porque você sempre consegue, não é, Elena?
Elena olhou em seus olhos, notando como as pupilas estavam dilatadas, aparecendo apenas um anel de íris verde na beirada.
Não havia mais raiva ali, mas o cansaço e a amargura permaneciam.
Não estou fazendo isso por mim mesma, ela pensou, enviando de sua mente o surto repentino de insegurança. Eu te provarei isso, Stefan; você vai ver. Para variar, não estou fazendo algo para a minha própria conveniência.
— Então você concorda? — ela sussurrou.
— Sim. Eu... concordo.
— E eu concordo — Damon acrescentou, estendendo sua própria mão com exagerada cortesia. Ele capturou a de Elena antes que ela pudesse dizer alguma coisa. — De fato, todos parecemos estar em um furor de pura concordância.
Não, Elena pensou, mas naquele instante, de pé no frio crepúsculo coro, sentiu que era verdade, que todos os três estavam conectados, de acordo e fortes.
Então Stefan puxou sua mão. No silêncio que se seguiu, Elena conseguia ouvir os sons do lado de fora e na Igreja abaixo. Ainda havia choros e gritos ocasionais, mas a urgência geral se fora. Olhando pela janela, viu pessoas tomando seus rumos pelo estacionamento molhado entre os grupinhos que se reuniam ao redor das vítimas feridas. O Dr. Feinberg se movia de grupo em grupo, aparentemente dispensando conselhos médicos. As vítimas pareciam sobreviventes de um furacão ou um terremoto.
— Ninguém é o que aparenta — Elena disse.
— O quê? 
— Foi isso o que Bonnie disse durante o funeral. Ela teve outro de seus episódios. Acho que pode ser importante — ela tentou organizar seus pensamentos. — Acho que há pessoas na cidade sobre quem devemos pesquisar. Como Alaric Saltzman — contou a eles, brevemente, o que tinha escutado mais cedo naquele dia na casa de Alaric. — Ele não é o que aparenta, mas não sei exatamente o que ele é. Devemos vigiá-lo. E já que eu obviamente não posso aparecer em público, vocês dois terão que fazê-lo. Mas não podem deixá-lo suspeitar que vocês sabem — Elena parou quando Damon levantou rapidamente uma mão.
Na base da escada, uma voz estava chamando.
— Stefan? Você está aí? 
E então, com outra pessoa:
— Acho que o vi lá em cima.
Soava como o Sr. Carson.
— Vá — Elena sibilou quase em silêncio para Stefan. — Você tem que agir o mais normal possível para que possa ficar aqui em Fell's Church. Vai ficar tudo bem.
— Mas onde você vai? 
— Para a casa da Meredith. Explico mais tarde. Vá.
Stefan hesitou, e então desceu as escadas, gritando:
— Estou indo — então recuou. — Não vou te deixar com ele — falou categoricamente.
Elena lançou seus braços para cima com exasperação.
— Então saiam ambos. Vocês acabaram de concordar em trabalhar juntos; vão voltar atrás agora? — acrescentou para Damon, que estava parecendo inflexível.
Ele deu de ombros novamente.
— Certo. Só uma coisa... está com fome?
— Eu... não — com o estômago revirando, Elena percebeu o que ele estava perguntando. — Não, nem um pouco.
— Isso é bom. Mais tarde, você estará. Lembre-se disso.
Ele comprimiu Stefan escada abaixo, ganhando um olhar abrasador.
Mas Elena ouviu a voz de Stefan em sua mente enquanto os dois desapareciam.
Eu irei até você mais tarde. Espere por mim.
Ela desejou poder responder com seus próprios pensamentos. Também notou algo. A voz mental de Stefan estava muito mais fraca do que estivera há quatro dias quando ele lutara com seu irmão. Pensando nisso, ele não tinha sido capaz de falar de jeito algum com sua mente antes da celebração do Dia do Fundador. Ela ficara tão confusa quando acordara perto do rio que não havia pensando nisso, mas agora se perguntava. O que aconteceu para torná-lo tão forte? E por que sua força estava se esvaindo agora?
Elena teve tempo de pensar nisso enquanto sentava-se no coro deserto, e abaixo as pessoas deixavam a igreja e do lado de fora o céu nublado lentamente ficava mais escuro.
Pensou em Stefan e em Damon, e se perguntou se fizera a escolha certa. Jurara nunca deixá-los brigar por sua causa, mas esse juramento já estava quebrado. Ela era louca de tentar fazê-los viver em uma trégua, mesmo que temporária?
Quando o céu estava uniformemente preto, aventurou-se escada abaixo. A igreja estava vazia e ecoando. Não tinha pensado em como sairia, mas felizmente a porta lateral estava trancada só por dentro. Escorregou para a noite agradecidamente.
Não percebera o quanto era bom estar do lado de fora e no escuro. Estar dentro de prédios a fazia se sentir presa, e a luz do dia machucava seus olhos. Isso era melhor, livre, irrestrita – e invisível. Seus próprios sentidos se regozijavam no mundo exuberante ao redor. Com o ar tão parado, fragrâncias pairavam no ar por mais tempo, conseguia sentir toda uma pletora de criaturas noturnas. Uma raposa catava comida no lixo de alguém. Ratos marrons estavam mastigando algo nos arbustos. Traças noturnas se espalhavam pelo odor.
Descobriu que não era difícil chegar à casa de Meredith sem ser percebida; as pessoas pareciam estar do lado de dentro. Mas assim que chegou lá, ficou olhando para a casa de fazenda graciosa com a varanda telada com desalento. Não podia simplesmente andar até a porta da frente e bater. Meredith estava realmente esperando-a? Ela não estaria do lado de fora se estivesse?
Meredith estava levaria um grande choque se não estivesse, Elena refletiu, olhando à distância para o telhado da varanda. A janela do quarto de Meredith estava acima dele e bem na esquina. Seria um pouquinho fora de alcance, mas Elena achou que conseguiria.
Subir no telhado era fácil; seus dedos das mãos e dos pés acharam apoio entre os tijolos e a mandaram para cima. Mas inclinar-se na beirada para olhar pela janela de Meredith era um esforço. Elena pestanejou contra a luz que fluía.
Meredith estava sentada na beira de sua cama, os cotovelos nos joelhos, encarando o nada.
De vez em quando passava uma mão por seu cabelo escuro. Um relógio na mesa de cabeceira marcada 6:43.
Elena bateu no vidro da janela com suas unhas.
Meredith pulou e olhou para o lado errado, na direção da porta. Levantou-se em um agachar defensivo, agarrando um travesseirinho com uma mão. Quando a porta não abriu, deu um passo ou dois na direção dela, ainda numa postura defensiva.
— Quem é? — perguntou.
Elena bateu no vidro novamente.
Meredith girou para encarar a janela, sua respiração rápida.
— Deixe-me entrar — pediu Elena. Não sabia se Meredith conseguia ouvi-la, então expressou claramente. — Abra a janela.
Meredith, ofegando, olhou ao redor do quarto como se esperasse que alguém aparecesse e a ajudasse. Quando ninguém apareceu, ela se aproximou da janela como se fosse um animal perigoso. Mas não a abriu.
— Deixe-me entrar — Elena repetiu. Então acrescentou impacientemente: — Se você não queria que eu viesse, por que me chamou?
Ela viu a mudança quando os ombros de Meredith relaxaram ligeiramente. Lentamente, com dedos que estavam extraordinariamente desajeitados, Meredith abriu a janela e recuou.
— Agora me convide a entrar. Caso contrário não posso.
— Pode... — a voz de Meredith falhou e ela teve que tentar novamente. — Pode entrar.
Quando Elena, recuando, se empurrou pelo peitoril e estava flexionando seus dedos com câimbras, Meredith acrescentou quase perplexamente:
— Tem que ser você. Ninguém mais dá ordens desse jeito.
— Sou eu — Elena disse. Ela parou de pressionar as câimbras e olhou nos olhos de sua amiga. — Realmente sou eu, Meredith.
Meredith concordou e engoliu em seco visivelmente. Naquele momento, o que Elena mais teria gostado no mundo era que a outra garota lhe desse um abraço. Mas Meredith não era muito do tipo de abraçar, e nesse momento estava recuando lentamente para se de novo sentar na cama.
— Sente-se — ela disse em uma voz artificialmente calma.
Elena puxou a cadeira da escrivaninha e sem pensar tomou a mesma posição que Meredith estava antes, cotovelos nos joelhos, cabeça abaixada. Então olhou para cima.
— Como você sabia?
— Eu... — Meredith simplesmente encarou-a por um momento, então se sacudiu. — Bem. Você... o seu corpo nunca foi encontrado, é claro. Isso foi estranho. E então aqueles ataques ao velho, à Vickie e ao Tanner... Stefan, e coisinhas que eu juntei sobre ele... mas eu não sabia. Não com certeza. Não até agora — acabou quase em um sussurro.
— Bem, foi um bom chute — Elena apontou.
Ela estava tentando se comportar normalmente, mas o que era normal nessa situação? Meredith agia como se mal aguentasse olhar para ela. Fez Elena se sentir mais solitária, mais sozinha, do que já conseguiu se lembrar de estar em sua vida.
Uma campainha tocou no andar debaixo. Elena escutou-a, mas conseguia afirmar que Meredith não tinha.
— Quem está vindo? — perguntou. — Tem alguém na porta.
— Pedi a Bonnie que viesse às sete horas, se a mãe dela deixasse. Provavelmente é ela. Eu irei ver.
Meredith parecia quase indecentemente ávida a sair.
— Espera. Ela sabe?
— Não... Ah, você quer dizer que devo dar-lhe as notícias gentilmente — Meredith olhou novamente ao redor do quarto, incerta, e Elena acendeu a lampadazinha de leitura ao lado da cama.
— Apague a luz do quarto. Machuca meus olhos de qualquer jeito — ela sussurrou.
Quando Meredith o fez, o quarto ficou turvo o bastante para que ela pudesse se esconder nas sombras.
Esperando que Meredith retornasse com Bonnie, Elena ficou de pé em um canto, abraçando seus cotovelos com as mãos. Talvez fosse má ideia envolver Meredith e Bonnie. Se a imperturbável Meredith não conseguia lidar com a situação, o que Bonnie faria?
Meredith anunciou a chegada delas ao murmurar sem parar:
— Não grite agora; não grite — enquanto fazia Bonnie atravessar a soleira da porta.
— Qual o seu problema? O que você está fazendo? — Bonnie arfava em resposta. — Me solta. Sabe o que tive que fazer para minha mãe me deixar sair de casa esta noite? Ela quer me levar ao hospital em Roanoke.
Meredith fechou a porta com um chute.
— Tudo bem — disse para Bonnie. — Agora você vai ver algo que irá... bem, vai ser um choque. Mas não pode gritar, entendeu? Eu te soltarei se você prometer.
— Está escuro demais para ver algo, e você está me assustando. Qual é o seu problema, Meredith? Ah, está bem, eu prometo, mas do que você está falando...
— Elena — disse Meredith.
Elena tomou isso como um convite e deu um passo a frente. A reação de Bonnie não foi o que esperava. Ela franziu a testa e se inclinou para frente, espiando na luz turva. Quando viu a figura de Elena, arfou. Mas então, enquanto encarava o rosto de Elena, bateu suas mãos com um grito de alegria.
— Eu sabia! Sabia que eles estavam errados! Toma, Meredith – e você e Stefan pensavam que sabiam muito sobre afogamento e tudo mais. Mas eu sabia que vocês estavam errados! Ah, Elena, senti sua falta! Tudo vai ser tão...
— Fique quieta, Bonnie! Fique quieta! — Meredith disse urgentemente. — Eu disse para você não gritar. Escute, sua idiota, acha que se Elena realmente estivesse bem ela estaria aqui no meio da noite sem ninguém saber sobre isso?
— Mas ela está bem; olhe-a. está de pé ali. É você, não é, Elena?
Bonnie começou a ir na direção dela, mas Meredith a agarrou antes.
— Sim, sou eu — Elena teve o estranho pressentimento de que estava vagando em uma comédia surreal, talvez uma escrita por Kafka, só que não sabia suas falas. Não sabia o que dizer a Bonnie, que parecia entusiasmada. — Sou eu, mas... não estou exatamente bem — ela disse embaraçadamente, sentando-se novamente.
Meredith cutucou Bonnie para que se sentasse na cama.
— Por que vocês duas estão agindo tão misteriosamente? Ela está aqui, mas não está bem. O que isso quer dizer?
Elena não sabia se ria ou chorava.
— Olha, Bonnie... ah, não sei como dizer isso. Bonnie, a sua avó vidente já te falou sobre vampiros?
Um silêncio caiu, pesado como um machado. Os minutos passaram. Impossivelmente, os olhos de Bonnie se alargaram mais ainda; então, deslizaram na direção de Meredith. Houveram muitos mais minutos de silêncio, e então Bonnie inclinou-se em direção à porta.
— Ah, olha, meninas — disse suavemente — isso está ficando realmente estranho. Quero dizer, realmente, realmente, realmente...
Elena procurou algo em sua mente.
— Pode olhar os meus dentes — disse.
Retraiu seu lábio superior, cutucando um canino com seu dedo. Sentiu os caninos mais longos e afiados, como a garra de um gato se esticando preguiçosamente.
Meredith foi até a frente e viu, então desviou o olhar rapidamente.
— Entendo — disse, mas em sua voz não havia nada do antigo prazer irônico com sua própria inteligência. — Bonnie, olha.
Toda a relação, toda a animação tinha sido drenada de Bonnie. Ela parecia como se fosse ficar doente.
— Não. Eu não quero. 
— Você tem que ver. Tem que acreditar, ou nunca chegaremos a lugar algum — Meredith agarrou uma Bonnie rígida e resistente. — Abra seus olhos, sua bobinha. É você que ama todas essas coisas sobrenaturais.
— Mudei de ideia — Bonnie disse, quase choramingando. Havia histeria genuína em seu tom. — Me deixe em paz, Meredith; não quero olhar.
Ela se soltou com violência.
— Não precisa — Elena sussurrou, atordoada. Desalento fluiu para dentro dela, e lágrimas encheram seus olhos. — Essa foi uma má ideia, Meredith. Irei embora.
— Não. Ah, não vá — Bonnie virou-se tão rapidamente como tinha girado para longe e se precipitou aos braços de Elena. — Sinto muito, Elena; sinto muito. Não ligo para o que você é; só estou feliz por você estar de volta. Tem sido horrível sem você.
Ela estava soluçando sinceramente agora.
As lágrimas que não vieram quando Elena estivera com Stefan vieram agora. Chorou, segurando Bonnie, sentindo os braços de Meredith envolverem as duas.
Todas estavam chorando – Meredith silenciosamente, Bonnie audivelmente e a própria Elena com apaixonada intensidade. Sentia como se estivesse chorando por tudo o que havia acontecido a ela, por tudo que tinha perdido, por toda a solidão, o medo e a dor.
Eventualmente, todas acabaram sentando no chão, joelhos encostados, do jeito que ficavam quando eram crianças numa festa do pijama, tramando planos secretos.
— Você é tão corajosa — Bonnie disse a Elena, soluçando. — Não entendo como consegue ser tão corajosa quanto a isso.
— Você não sabe como estou me sentindo por dentro. Não sou corajosa mesmo. Mas tenho que lidar com isso de algum jeito, porque não sei o que fazer.
— Suas mãos não estão frias — Meredith apertou os dedos de Elena. — Só meio geladinhas. Achei que elas seriam mais frias.
— As mãos do Stefan não são frias tampouco — Elena disse, estava pronta para continuar, mas Bonnie gritou:
— Stefan?
Meredith e Elena olharam para ela.
— Seja sensata, Bonnie. Você não vira uma vampira sozinha. Alguém tem de transformá-la.
— Mas você quer dizer que Stefan...? Você quer dizer que ele é um...? — A voz de Bonnie se sufocou.
— Acho — disse Meredith — que talvez essa seja a hora de nos contar a história toda, Elena. Como todos esses pequenos detalhes que deixou de fora da última vez que te pedimos pela história toda.
Elena concordou.
— Você tem razão. É difícil de explicar, mas vou tentar — ela tomou um longo fôlego. — Bonnie, você se lembra do primeiro dia de aula? Foi a primeira vez que ouvi você fazer uma profecia. Você olhou a minha palma e disse que eu conheceria um garoto, um garoto moreno, um estranho. E que ele não era alto, mas que ele fora uma vez. Bem... — olhou para Bonnie e então para Meredith — Stefan não é realmente alto. Mas uma vez ele foi... comparado às outras pessoas do século quinze. 
Meredith concordou, mas Bonnie fez um som fraco e oscilou para trás, parecendo traumatizada.
— Você quer dizer...
— Quero dizer que ele vivia na Itália da Renascença, e as pessoas normais eram mais baixas. Então Stefan era mais alto em comparação. E, espera, antes que você desmaie, tem algo que você deve saber. Damon é o irmão dele.
Meredith concordou novamente.
— Achei que fosse algo do tipo. Mas então por que Damon estava dizendo que ele é um universitário?
— Eles não se dão muito bem. Por muito tempo, Stefan nem soube que Damon estava em Fell’s Church — Elena gaguejou. Estava aproximando-se da história privada de Stefan, que sempre sentiu que era o segredo que ele deveria contar. Mas Meredith estivera certa; era hora de revelar a história toda. — Escute, era assim: Stefan e Damon estavam apaixonados pela mesma garota lá na Itália da Renascença. Ela era da Alemanha, seu nome era Katherine. A razão pela qual Stefan estava me evitando no início da escola era porque eu a lembrava; ela tinha cabelo loiro e olhos azuis, também. Ah, e esse era o anel dela.
Elena soltou a mão de Meredith e mostrou-lhes o anel dourado complexamente esculpido com uma única pedra de lápis-lazúli.
— E o negócio era que Katherine era uma vampira. Um cara chamando Klaus a tinha transformado em sua vila na Alemanha para salvá-la de morrer de sua doença terminal. Stefan e Damon sabiam disso, mas eles não ligavam. Pediram que ela escolhesse com quem queria casar.
Elena parou e deu um sorriso torto, pensando em como o Sr. Tanner estivera certo; a história se repetia mesmo. Só esperava que sua história não terminasse como a de Katherine.
— Mas ela escolheu ambos. Trocou sangue com ambos, e disse que os três seriam companheiros pela eternidade.
— Que pervertido — murmurou Bonnie.
— Que idiotice — apontou Meredith.
— Acertou — Elena concordou. — Katherine era um doce, mas não muito esperta. Stefan e Damon já não se gostavam. Disseram a ela que tinha que escolher, que eles nunca pensariam em dividi-la. Ela saiu correndo chorando. No dia seguinte... bem, eles acharam o corpo dela, ou que sobrara dele. Entenda, um vampiro precisa de um talismã como esse anel para sair ao sol sem ser morto. E Katherine saiu na luz do sol e tirou o seu. Pensou que se estivesse fora da jogada, Damon e Stefan se reconciliariam.
— Ai, meu Deus, que ro... 
— Não, não é — Elena cortou Bonnie selvagemente. — Não é nem um pouco romântico. Stefan tem vivido com a culpa desde então, e acho que Damon também, apesar de ele nunca admitir. O resultado imediato foi que eles pegaram duas espadas e mataram um ao outro. Sim, mataram. É por isso que são vampiros agora, e é por isso que se odeiam tanto. E é por isso que provavelmente sou louca ao tentar fazê-los cooperar agora.

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