7 de novembro de 2015

Capítulo 6 - Confie em mim, deusa. Eu nunca a deixaria cair...


Kalona ficou de mau-humor por vários dias após o teste, repetindo várias vezes em sua mente a conclusão desastrosa do que ele tinha imaginado como uma inspiradora demonstração de paixão e poder.
Como aquilo tinha dado tão terrivelmente errado? Ele praticara dia após dia na pradaria. A tribo vizinha do Povo da Pradaria poderia ter atestado o fato de que ele criara muitos funis girantes de vento e magia, e que ele os controlara facilmente. Os mortais locais tinham até mesmo começado a deixar comida, panelas de barro cheios de ocre precioso e roupas cuidadosamente feitas para ele. Lembrando-se do carinho de Nyx para com esse povo particular, Kalona se vestira cuidadosamente para esse teste, decorando-se para agradá-la.
Mas nada foi como Kalona tinha planejado.
Erebus salvara o dia e ganhara o deleite de Nyx. Kalona não podia suportar a ideia do que mais Erebus teria ganhado de Nyx.
Ele não se permitiria falhar de novo!
— É essa magia elementar miserável que tem culpa. O Ar é tão imprevisível, tão mutável. A escolha de Erebus dos elementos que foi falha. Apesar de que minha escolha pela Água será melhor?
Ele andou ao redor da clareira em que começara a pensar como sua. Ficava longe o suficiente da tribo do Povo da Pradaria para que eles não costumassem passar por ali, e perto o suficiente para que as oferendas que eles continuavam a deixar para ele fossem facilmente acessíveis...
O povo particularmente não interessava Kalona, mas sua comida sim, tal quais as peles macias e grossas que deixavam para ele em seu palete de dormir.
Não surpreendentemente, a superfície da Mãe Terra era dura e desconfortável como seu olhar de advertência. O imortal não tinha necessidade verdadeira de dormir, embora isso não significasse que ele não apreciasse um canto macio e quente para descansar seu corpo.
Croak! Croak! Croak! Acima de Kalona, os corvos que o tinham seguindo ao redor da pradaria emprestaram suas palavras para seu discurso.
— Se vocês têm que jogar uma sombra em mim, façam-no em silêncio! — Os pássaros negros envaideceram e olharam para ele. Kalona balançou a cabeça. — Eu tenho que me focar! Devo controlar a água mais sabiamente do que fiz com ar. Eu tenho que ganhar a alegria de Nyx sobre Erebus.
Não deveria ter sido tão difícil. Antes do teste malsucedido, Nyx o procurara regularmente. Eles tinham passado muitos dias e noites juntos, e ela parecia bem contente por estar em sua presença.
— Sem ser cortejada por um elemento imprevisível! — Kalona gritou sua frustração, fazendo os corvos agitarem as asas sem parar.
Kalona parou de andar e pensou em voz alta.
— Eu a agradei sem precisar usar um elemento ou invocar mágica divina para tal. Eu fiz isso antes, e devo fazer novamente. E depois de um interlúdio íntimo e agradável onde eu a lembrarei de que é a mim que ela deseja, não magia ou elementos ou o poder imprevisível da Criação, eu a levarei para meu próximo teste. Será algo tão simples e íntimo quanto nosso interlúdio, e serei vitorioso, vencendo pelo favor de Nyx!
Kalona correu para a pilha de peles de animais e couros – tal qual eram os presentes ricos do Povo da Pradaria. Ele procurou através do monte até que encontrou o que procurava, uma faca feita de pedra negra, talhada em uma ponta afiada e forte.
— Estou gostando cada vez mais do Povo da Pradaria.
Kalona pegou a faca, uma cesta de frutas, pão sírio e uma das peles mais macias e então decolou para o céu, dirigindo-se para o noroeste, buscando aquilo que ele sabia que agradaria sua Deusa.
Ele não usou magia para derrubar o pinheiro alto, embora tenha usado sua força imortal, assim como sua velocidade sobrenatural, para escavá-la e a esculpir na forma de um barco pontudo gracioso. Kalona descobriu que gostava de usar suas mãos tanto quanto gostava do cheiro de madeira e da vista para o lago azul. Nyx estava certa sobre a beleza do lago. Sua cor era tão adorável que muitas vezes ele olhava para a água só para ter certeza de que não era apenas um truque de seus olhos. Mas a cor não mudava. Mesmo sob a luz da lua, o corpo redondo e enorme de água, salpicado com uma ilha coberta de árvores, parecia brilhar em azul, suas laterais altas parecendo uma tigela feita de nuvens presas ao céu.
Kalona trabalhou sem parar o dia e a noite inteira no pequeno barco, e enquanto trabalhava, pensou em Nyx. Sua beleza o inspirava, e quando terminou, afastou-se e examinou sua obra. Kalona estava bem satisfeito. A embarcação estava mais do que em condições para navegar. Kalona gostava de acreditar que ela também refletia a beleza de Nyx. Todas as suas laterais tinham símbolos meticulosamente esculpidos que o lembravam da Deusa: estrelas e luas, conchas delicadas e ondas. Ele até tinha replicara as flores brancas que ela usava em seu cabelo da última vez em que a viu.
Ele levou o barco para o lado íngreme do lago para poder descansar na costa rochosa. Então colocou a espessa pele macia dentro dele, assim como a cesta de frutas e o pão sírio. Ele estava pronto para Nyx. Tinha até decidido o que criaria para ela durante seu próximo teste. Ele não tinha praticado sem parar como com a nuvem funil, mas sentia-se confiante de que tinha mudado sua intenção o suficiente para não cometer o mesmo erro de novo. Desta vez ele não mostraria o poder de sua paixão. Desta vez tornaria tangível o prazer que sentia por sua beleza, e lhe mostraria o quanto a adorava, em qualquer forma que ela escolhesse.
Havia apenas uma coisa que ele não conseguia descobrir, e era como fazer Nyx chegar até ele sem usar a água para convocar a intromissão da Mãe Terra. Ele queria estar sozinho com sua Deusa antes do teste, para mostrar-lhe o que suas próprias mãos tinham criado para ela antes de utilizar sua magia e Água e colocar em prática o show público necessário.
Kalona nunca teve que chamar a Nyx até ele antes. Ela só aparecia, normalmente sorrindo e dizendo a ele para parar de ficar tão sério e ir colher flores com ela, ou olhar para a água enluarada com ela, ou beijá-la, gentilmente, exatamente em onde sua pele incrivelmente macia curvava para encontrar com seus ombros graciosos.
Kalona se sacudiu mentalmente. Pensar em beijar Nyx não conjuraria a Deusa.
Talvez ele devesse tentar chamar o nome dela.
— Nyx? — Sua voz ecoou de volta para ele sob a brilhante superfície azul do lago, soando hesitante e quase infantil. Kalona ajustou os ombros e tentou novamente. — Nyx!
Dessa vez o eco foi mais forte, embora tenha produzido o mesmo resultado. Nyx não apareceu.
— Pense! — ele se ordenou. — Deve haver uma maneira de alcançá-la sem usar o elemento da Mãe Terra e trazer a multidão delas aqui.
Como se suas palavras tivessem conjurado uma pequena parte daquela multidão, uma pequena criatura saiu detrás de um pinheiro próximo e falou ironicamente em sua voz sussurrante, a Deusa não chamada como uma serva! A Deusa ordena, não é ordenada!
— Você é uma das deidades de Nyx. Eu a vi ao lado dela na pradaria.
Assim que Kalona falou, a deidade deslizou para trás da árvore.
— Não fuja! Eu preciso de você!
Kalona fez sua voz soar lisonjera, calma. A criatura, movendo-se com uma graça líquida estranha, deslizou parte de seu corpo de trás da árvore, espiando-o.
— Não fique com medo. Eu não a machucarei.
Não estou com medo, disse a deidade, saindo de trás da árvore.
— Exatamente, você não precisa ficar com medo de mim.
L’ota não está com medo.
— L’ota? Esse é o tipo de deidade que você é?
A criatura parecia completamente ofendida.
Eu sou uma skeeaed! Serva da Deusa! Ela me nomeou.
— Então, você é próxima de Nyx.
Sempre.
Kalona escondeu seu sorriso.
— Se você é sempre próxima da Nyx, então onde ela está? Eu não a vejo.
O corpo de formato estranho de L’ota ondulou em consternação, mudando de cores, de rosa pálido para vermelho e ferrugem.
Não está aqui. Outromundo.
Kalona não conseguiu conter seu sorriso.
— Você está me observando para ela?
Não! L’ota exclamou, sua voz mais alta do que seu sussurro normal.
O sorriso de Kalona desapareceu.
— Ela não te enviou para me observar?
Eu observo por mim, não para a Deusa.
As sobrancelhas de Kalona se ergueram em diversão.
— Por que você iria querer me observar?
Você deixa a Deusa triste. Eu quero saber por quê.
Kalona sentiu como se a pequena e estranha deidade tivesse enfiado uma faca em seu coração.
— Nyx tem estado triste?
A cabeça alongada da criatura assentiu, fazendo a franja rosa em sua cabeça balançar.
Eu quero saber por quê.
Kalona achou que a criatura não parecia particularmente preocupada com Nyx, ou sequer aflita que a Deusa estivesse triste. Ela só parecia curiosa.
— Eu quero saber por quê, também. E quero ter certeza de que ela nunca fique triste por minha causa novamente. A única maneira de fazer isso é fazê-la vir até mim, para que eu possa corrigir o erro que a entristeceu. L’ota, por favor, vá até sua Deusa e diga a ela que eu peço, não, que suplico, que ela venha até a mim.
A deidade ficou muito quieta, e Kalona prendeu a respiração, esperando. Quando ela finalmente falou, L’ota surpreendeu Kalona com sua indiferença.
Se você ordenar, eu digo a Deusa que você está aqui.
— Se eu lhe ordenar? Isso é tudo o que é preciso para fazer você dizer à Nyx que eu estou aqui e que suplico que ela venha até a mim?
Não importa. Não é problema meu. Só noto o que ordenam eu notar.
Kalona achou que a criatura era completamente estranha, mas ele disse:
— Então eu ordeno que você vá até a Nyx e a suplique para vir até mim.
O corpo de L’ota se liquefez completamente e ela desapareceu, deixando Kalona encarando o lugar onde ela esteve e se preocupar de que ele tivesse, novamente, cometido um erro.

* * *

— Você encontrou o meu lago favorito.
A voz dela o assustou. Ele estava sentado em uma pedra, olhando para a água azul. Tanto tempo tinha se passado desde que a pequena estranha skeeaed desaparecera que ele tinha começado a pensar desanimado que Nyx não viria. O som de sua voz era como um bálsamo na ferida dolorosa que era o seu coração. Ele levantou-se e se virou tão rapidamente que quase perdeu o equilíbrio.
Ela sorriu.
— Olá.
— Olá — ele disse.
Ele memorizou cada detalhe de sua Deusa. Hoje, ela tinha escolhido aparecer para ele como uma jovem donzela que tinha sido quando eles se conheceram. Seu cabelo loiro ondulava para baixo dos ombros. Seu vestido era simples, a cor do céu de verão; a cor de seus olhos. O único adorno que ela usava era seu cocar de estrelas, que repousava em seu cabelo como um cocar feito de prata com diamantes e as fascinantes tatuagens safira que decoravam sua pele.
Nyx era a coisa mais linda que Kalona já tinha viso, e ele sabia que poderia passar a eternidade olhando em seus olhos.
— Eu senti sua falta.
Eles falaram as palavras juntos.
Kalona não conseguiu se conter por mais tempo. Seus passos largos fecharam o espaço entre eles e ele gentil e cuidadosamente, tomou-a nos braços e ficou lá, segurando-a, respirando o cheiro dela enquanto cada partícula de seu ser se alegrava.
— Sim — ele disse, acariciando seu cabelo e sussurrando em seu ouvido. — Eu encontrei seu lago favorito.
Ela se afastou um pouco para que pudesse sorrir à sua vista.
— Estou feliz que tenha me chamado.
— Estou feliz que você tenha vido.
Ele devolveu o sorriso. O assustava como a presença dela poderia fazê-lo tão feliz, e como sua ausência poderia fazê-lo tão miserável, mas ele empurrou de lado esses pensamentos, determinado a se manter no momento, a aproveitar cada instante que ele tinha a sós com ela.
— Eu fiz algo para você.
Seu sorriso desapareceu.
— Ah. Você está pronto para completar o próximo teste? Nós devemos chamar…
Ele tocou seus lábios com seu dedo, calando-a gentilmente.
— Estou pronto para completar o próximo teste, mas primeiro, eu queria te mostrar o que eu fiz para você. Eu não usei magia. Não chamei a Água. Só usei o meu desejo de te agradar. Eu não preciso de teste para me ensinar isso.
Colocando o braço envolta de seus ombros, ele a guiou para o lugar em que tinha deixando o barco.
Ele sentiu seu pequeno sobressalto de surpresa.
— Você fez isso para mim?
— Fiz.
Ela se soltou do seu meio abraço e correu para o barco, passando as mãos sobre os símbolos gravados em torno dele e soltando sons suaves de prazer. Quando olhou para ele, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Eu queria que você fosse capaz de flutuar no lago em paz e não pensar em nada além da beleza que a rodeia — ele falou. — Espero que lhe agrade.
Nyx correu até ele e, rindo, se atirou em seus braços. Agarrada em seu pescoço, ela cobriu o seu rosto com beijos, dizendo:
— Sim, me agrada! Eu adorei! Obrigada! Obrigada!
Ele estava rindo com ela quando abriu as asas e a ergueu do chão, girando em torno dela. Nenhum deles percebeu que eles estavam pairando no alto até que o olhar de Nyx tentou encontrar o barco. Ela arquejou e apertou seu pescoço. Kalona apertou os braços ao redor dela.
— Confie em mim, deusa. Eu nunca a deixaria cair.
Nyx olhou em seus olhos.
— Eu confio.
Então ela o beijou. Não de brincadeira, ou suavemente, como antes. A Deusa o beijou como se ela estivesse sedenta, e apenas ele poderia saciar sua necessidade.
Kalona respondeu a sua paixão com cuidado. Ele queria esmagá-la contra ele e reivindicá-la como sua. Mas ainda mais que isso, ele queria agradá-la. Então, deixou Nyx levar o tempo que quisesse explorando seus lábios, tocando seu rosto, penteando seus dedos pelos cabelos longos e espessos dele. O tempo todo a segurando. Ele a manteve segura.
Cedo demais, ela parou sua exploração, e seu rosto corado e sua respiração profunda lhe diziam que ela aproveitara tanto quanto suas palavras diziam.
— Eu gosto de seu sabor — ela falou.
Ele sorriu, feliz por ter moderado seu desejo com paciência.
— E isso, minha Deusa, me agrada.
— Você me levaria para passear em seu barco?
— Seria meu prazer, mas não é o meu barco. É seu.
— Kalona, às vezes você diz exatamente a coisa certa.
Ele bufou enquanto eles desciam lentamente até o chão.
— Às vezes, mas não frequentemente.
— Acho que você está ficando melhor nisso — ela disse.
— Eu não poderia piorar — pegando a mão dela, ele a ajudou a entrar no barco. — E-eu fiz uma confusão no teste do Ar — ele falou, empurrando a embarcação na água antes de entrar com ela. Quando ela não o respondeu, ele se manteve ocupado com o remo de madeira, guiando o barco para a superfície vítrea do lago.
Quando finalmente olhou para ela, Nyx o observava, sua expressão ilegível.
— Você ainda está com raiva de mim? — ele perguntou.
Ela balançou a cabeça.
— Eu nunca estive com raiva de você. Eu estava triste e desapontada.
— Saber que lhe causei tristeza me fere. Eu farei melhor no próximo teste. Eu juro.
— Não foi o teste que me deixou triste. Não foi o teste que me desapontou.
— Então foi o quê?
— Você foi cruel com Erebus. Ele não merecia isso.
Kalona quase quebrou o remo em dois. Incapaz de conter seu ciúme, ele deixou escapar:
— Você não o prefere!
— Kalona, ambos foram criados para mim. Ambos têm um propósito e um lugar ao meu lado. Se você não quer me entristecer ou me desapontar, não nutrirá hostilidade por seu irmão.
Kalona se esforçou para controlar sua agitação interna.
Ele queria gritar, dizer a ela que não suportava compartilhá-la, não suportava pensar nela cobrindo o rosto de Erebus com beijos alegres, ou explorando o sabor dos lábios dele.
— Eu juro que tenho amor suficiente dentro de mim para os dois — ela disse, movendo-se para a frente para poder pressionar a palma de sua mão sobre o seu coração. — Confie em mim, Kalona. Eu nunca vou quebrar um juramento.
Então ela o beijou e Kalona não conseguia pensar em nada além do aroma de sua pele e a maravilha de seu toque.
As águas ao redor deles explodiram com deidades animadas. Elas saltavam por cima e ao redor do barco em agitação, chamando freneticamente por Nyx.
— Sim, sim, eu entendo. Eu conheço o lugar. Eu irei. Eu irei — a deusa disse às criaturas, e com silvos satisfeitos, elas desapareceram tão rapidamente quanto tinham aparecido.
Nyx suspirou e limpou a água do seu rosto e do dele, sorrindo em tom de desculpa para ele.
— Deixe-me adivinhar — Kalona disse. — Erebus está pronto para seu teste.
— Você está correto. Podemos continuar o que nós começamos mais tarde?
— Sim, é claro — ele respondeu, virando o barco em direção à costa, escondendo sua mágoa e frustração dela.
Ele a ajudou a sair do barco, puxando-o bem para cima da costa rochosa. Ficou em silêncio, já antecipando a alegria que Nyx sentiria ao qualquer que fosse espetáculo magnífico que Erebus tivesse inventado para ela nesse momento, quando a Deusa o rodeou com os braços dela pelas costas, pressionando sua bochecha contra as costas nuas dele e acariciando suas asas de prata.
— Eu gostaria que você escolhesse a felicidade. Há tanta felicidade maravilhosa entre nós, o suficiente para durar uma eternidade — ela disse.
Ele apertou seus braços sobre o dela, amando a sensação de calor dela contra a frieza enluarada de sua pele. Ele respirou fundo, e com isso fez um esforço consciente para liberar sua frustração.
Kalona conseguia sentir o sorriso dela.
— Isso! Assim é melhor — ela disse, e beijou primeiro no meio de suas costas, e depois em cada uma de suas asas. Ele pensou que ela fosse soltá-lo, embora ele tivesse permanecido quieto, na esperança de ganhar apenas mais um momento com ela. Ela tirou os braços ao redor dele, mas se manteve próxima. Ele sentiu sua hesitação, e então, ela acariciou cada uma de suas asas suavemente. — Elas são tão bonitas. Eu poderia olhar para elas para sempre e ainda achar cores diferentes dentro delas. Você sabia que elas não são realmente brancas?
— Elas estão atrás de mim, portanto, fica difícil para eu ver — seu sorriso se refletia em sua voz.
— Elas são como a luz da lua, é claro, mas de perto suas cores me lembram de pérolas. Tão bonitas... — ela repetiu, acariciando-as.
Kalona virou-se e pegou-a nos braços.
— Que o fato de você poder encontrar tamanha beleza em mim seja um tipo especial de magia.
— Tudo está bem entre nós — ela falou, olhando em seus olhos penetrantemente. — Por favor, saiba disso. Seu lugar em meu coração não pode ser preenchido por qualquer outro ser nesse reino ou no Outromundo.
Kalona a beijou suavemente.
— Diga-me, deusa, onde devo levá-la?
— Para o leste e, em seguida, um pouco ao norte. Se entendi corretamente as náiades, o que demora algum tempo, Erebus escolheu um local perfumado para o local de seu próximo teste.
Kalona não pôde deixar de resmungar.
— O que ele vai fazer? Regar um campo de flores para você?
Nyx riu e enroscou os braços ao redor de seu pescoço.
— Essa não é exatamente a fragrância que eu me lembro deste lugar, por isso a criação de flores lá seria, realmente, uma coisa excepcional.
Kalona decolou com a Deusa em seu abraço, temendo o que estava por vir.

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