8 de novembro de 2015

Capítulo 5

A lua cheia estava alta no céu quando Stefan voltou à pensão. Ele estava tonto, quase cambaleando, tanto da fatiga quanto pela fartura de sangue que tomara. Havia muito desde que se permitira alimentar-se tão pesadamente. Mas a explosão de Poder selvagem no cemitério o havia pegado em seu frenesi, destruindo o seu já fraco controle. Ele ainda não estava certo de onde o Poder tinha vindo. Esteve observando as garotas humanas do seu lugar nas sombras quando aquilo explodiu atrás dele, fazendo as garotas fugirem. Ele foi pego entre o medo delas correrem para o rio e o desejo de provar esse Poder e achar sua fonte. No final, a havia seguido, incapaz de arriscar que ela se machucasse.
Algo negro tinha levantado voo em direção à floresta enquanto as humanas alcançavam o santuário da ponte, mas nem mesmo os sentidos noturnos de Stefan podiam identificar o que era. Ele tinha observado enquanto ela e as outras duas foram em direção à cidade. Então voltou para o cemitério.
Estava vazio agora, purificado do que quer que estivesse lá. No chão encontrava-se uma fina fita de seda que para olhos comuns teria sido cinza na escuridão. Mas ele viu sua cor verdadeira, e enquanto a sentia entre seus dedos, levantando-a levemente para tocar seus lábios, podia sentir o cheiro do cabelo dela.
A memória o engolfou. Já era ruim o bastante quando ela estava fora de vista, quando o calmo brilho de sua mente apenas provocava as margens de sua consciência. Mas estar na mesma sala que ela na escola, sentir sua presença atrás dele, cheirar a intoxicante fragrância de sua pele ao redor dele, era quase mais do que podia suportar.
Tinha ouvido cada fôlego suave que ela tomava, sentido seu calor irradiando contra suas costas, percebido cada batimento de seu doce pulso. E eventualmente, para seu horror, ele se encontrou cedendo à isso. Sua língua tinha roçado para frente e para trás sobre seus caninos, apreciando a dor prazerosa que estava crescendo ali, encorajando-o. Ele tinha respirado seu cheiro deliberadamente para dentro de suas narinas, e deixado as visões irem até ele, imaginando tudo. Quão suave o pescoço dela seria, e como os lábios dele iriam encontrá-lo com igual suavidade no começo, plantando pequeninos beijos aqui, e aqui, até que ele alcançasse a doce depressão de sua garganta. Como esfregaria seu nariz ali, no local onde o coração dela batia tão forte contra sua pele delicada. E como por fim seus lábios iriam se separar, retroceder os dolorosos dentes agora tão afiados quanto pequenas adagas, e...
Não. Ele saiu do transe com um solavanco, seu próprio pulso batendo alardeantemente, seu corpo tremendo.
A turma fora dispensada, havia movimento a toda sua volta, e ele pôde apenas esperar que ninguém o estivesse observando muito de perto.
Quando ela falara com ele, ele não fora capaz de acreditar que tivera que encará-la enquanto suas veias queimavam e todo a sua mandíbula doía. Tivera medo por um momento que seu controle se quebraria, que iria agarrar os ombros dela e levá-la na frente de todos eles. Não tinha ideia de como tinha escapado, somente que algum tempo depois ele estava focalizando sua energia em exercícios árduos, levemente consciente que não devia usar seus Poderes. Não importava; mesmo sem eles ele era em todos os sentidos superior aos garotos mortais que competiam no campo de futebol americano.
Sua visão era mais aguçada, seus reflexos mais rápidos, seus músculos mais fortes. Nesse instante uma mão bateu em suas costas e a voz de Matt soou em seus ouvidos:
— Parabéns! Bem-vindo ao time!
Olhando para aquele rosto honesto e sorridente, Stefan foi dominado com embaraçamento. Se você soubesse o que eu sou, não sorriria para mim, ele pensou cruelmente. Ganhei a sua competição enganando. E a garota que você ama – você a ama, não? – está em meus pensamentos agora.
E permanecera em seus pensamentos apesar de todos os seus esforços naquela tarde para bani-la. Ele havia perambulado cegamente para o cemitério, puxado até a floresta por uma força que não entendia. Uma vez que estava lá ele a observara, lutando contra si mesmo, lutando contra a necessidade, até que a explosão de Poder pôs ela e suas amigas a correr. E então ele voltara para casa – mas somente depois de se alimentar. Depois de perder o controle.
Não conseguia lembrar exatamente como tinha acontecido, como havia deixado isso acontecer. Aquela chama de Poder tinha começado isso, acordado coisas dentro dele que eram melhor deixadas adormecidas. A necessidade de caçar. A ânsia pela perseguição, pelo cheiro do medo e o triunfo selvagem da matança. Fazia anos – séculos – desde que ele sentira a necessidade com tanta força. Suas veias tinham começado a queimar como fogo. E todos os seus pensamentos tinham ficado vermelhos: não podia pensar em nada além do quente gosto cúprico, a vibração primordial de sangue.
Com aquela animação ainda se alastrando, ele deu um ou dois passos atrás das garotas. O que podia ter acontecido se não tivesse sentido o velho? Era melhor não pensar. Mas na medida em que alcançava o final da ponte, suas narinas se alargaram com o cheiro agudo e distinto de carne humana.
Sangue humano. O elixir supremo, o vinho proibido. Mais intoxicante que qualquer licor, a fumegante essência da própria vida. E ele estava tão cansado de lutar contra a necessidade.
Houve um movimento no banco debaixo da ponte, como uma pilha de trapos velhos se movendo. E no instante seguinte, Stefan pousou graciosamente, como um gato, ao lado dele. Suas mãos puxaram os trapos para longe, expondo um rosto fenecido e vacilante encimado num pescoço esquelético. Seus lábios se retraíram.
E então não houve som algum além do da alimentação.
Agora, enquanto tropeçava na escada principal da pensão, ele tentou não pensar nisso, e não pensar nela – na garota que o tentava com seu calor, sua vida. Ela fora aquela que ele verdadeiramente desejara, mas tinha que dar um basta nisso, ele devia matar quaisquer pensamentos assim antes que começassem, de agora em diante. Pelo seu bem, e pelo bem dela. Ele era o pior pesadelo dela que virara realidade, e ela nem ao menos sabia.
— Quem está aí? É você, garoto? — Uma voz rachada chamou com severidade. Uma das portas do segundo andar abriu, e uma cabeça cinzenta apareceu.
— Sim, Sra. Flowers. Sinto muito se a incomodei.
— Ah, precisa de mais do que uma tábua de assoalho rangendo para me incomodar. Você trancou a porta?
— Sim, senhora. Você está... a salvo.
— Está certo. Precisamos ficar a salvo aqui. Nunca se sabe o que pode estar aí fora nessas florestas, sabe?
Ele olhou rapidamente para o pequeno rosto sorridente cercado por fios de cabelo cinza, os brilhantes olhos se movendo rápido. Havia um segredo escondido neles?
—Boa noite, senhora.
— Boa noite, garoto. — Ela fechou a porta.
Em seu próprio quarto ele caiu na cama e se deitou encarando o teto baixo e inclinado. Geralmente descansava desconfortavelmente de noite; não era seu horário natural de sono. Mas naquela noite ele estava cansado. Gastara tanta energia encarando a luz do dia, e a refeição pesada só contribuiu para sua letargia. Logo, embora seus olhos não tivessem se fechado, ele não via mais o teto pintado de branco acima de si.
Recortes aleatórios de memória flutuaram por sua mente. Katherine, tão adorável naquela noite na fonte, a luz do luar cobrindo de prata seu cabelo dourado claro. Quão orgulhoso esteve de sentar-se com ela, ser aquele que compartilhara o segredo dela...


— Mas você nunca pode sair à luz do sol?
— Eu posso, sim, contanto que use isso — ela levantou uma pequena mão branca, e a luz do luar brilhou no anel de lápis-lazúli. — Mas o sol me cansa tanto. Eu nunca fui muito forte.
Stefan olhou-a, a delicadeza de seus traços e a pequeneza de seu corpo. Ela era quase tão insubstancial quanto lã de vidro. Não, nunca teria sido forte.
— Eu ficava frequentemente doente quando criança — ela falou suavemente, seus olhos no movimento da água na fonte. — Da última vez, o cirurgião disse que eu finalmente morreria. Eu me lembro do papai chorando, e lembro de deitar na minha grande cama, fraca demais para me mover. Cada respiração era muito esforço. Eu estava tão triste de deixar o mundo e com tanto frio, com muito frio.
Ela estremeceu, e então sorriu.
— Mas o que aconteceu?
— Eu acordei no meio da noite para ver Gudren, minha camareira, de pé perto da minha cama. E então ela deu um passo para o lado, e vi o homem que trouxera. Fiquei aterrorizada. Seu nome era Klaus, e escutei as pessoas na vila dizerem que ele era maligno. Gritei para Gruden me salvar, mas ela só ficou parada ali, observando. Quando ele colocou sua boca em meu pescoço, achei que ele fosse me matar.
Ela parou. Stefan estava encarando-a com horror e pena, e ela sorriu reconfortantemente.
— Não foi tão terrível afinal. Houve um pouco de dor no começo, mas isso rapidamente passou. E a sensação na verdade era prazerosa. Quando ele me deu seu próprio sangue para beber, eu me senti mais forte do que estivera há meses. E então nós esperamos juntos as horas até o amanhecer. Quando o cirurgião veio, ele não pôde acreditar que eu era capaz de me sentar e falar. Papai disse que era um milagre, e ele chorou novamente de alegria — seu rosto ficou perturbado. — Terei que deixar meu papai em breve. Um dia ele irá perceber que desde a doença eu não envelheci uma hora sequer.
— E você nunca envelhecerá?
— Não. Essa é a maravilha disso, Stefan! — Ela olhou para ele com uma alegria infantil. — Serei jovem para sempre, e nunca morrerei! Imagina?
Ele não podia imaginá-la como outra coisa que não o que ela era agora: adorável, inocente, perfeita.
— Mas... Você não achou isso aterrorizante no começo?
— No começo, um pouco. Mas Gudren me mostrou o que fazer. Foi ela quem me disse para fazer esse anel, com uma pedra que me protegeria da luz do sol. Enquanto deitava na cama, ela me trazia um preparado de leite quente e outras bebidas para mim. Mais tarde, me trazia animais que seu filho capturava.
— E não... pessoas?
Sua risada soou alta.
— É claro que não. Eu posso conseguir tudo o que preciso em uma noite de uma pomba. Gudren diz que se desejar ser poderosa, eu devo tomar sangue humano, já que a essência da vida de um humano é mais forte. E Klaus costumava me encorajar, também; ele queria fazer uma troca de sangue novamente. Mas eu digo à Gudren que não quero poderes. E quanto à Klaus... — Ela parou e abaixou seus olhos, de modo que seus pesados cílios deitaram-se sobre sua bochecha. Sua voz estava muito suave enquanto continuava. — Não acho que é algo para se fazer levianamente. Eu tomarei sangue humano somente quando achar meu companheiro, aquele que ficará ao meu lado por toda a eternidade.
Ela olhou para ele seriamente.
Stefan sorriu, sentindo-se tonto e explodindo de orgulho. Mal podia conter a felicidade que sentia naquele momento.
Mas isso foi antes de seu irmão Damon voltar da universidade. Antes que Damon voltasse e visse os olhos azuis de pedras preciosas de Katherine.


Da sua cama no quarto de telhado baixo, Stefan gemeu. Então a escuridão o puxou para as profundezas e novas imagens começaram a adejar por sua mente.
Eram vislumbres esparsos do passado que não formavam uma sequência conectada. Ele os via como cenas brevemente iluminadas por flashes de luz. O rosto de seu irmão, deformado numa máscara de raiva desumana.
Os olhos azuis de Katherine brilhando e dançando à medida que ela dava piruetas em seu novo vestido branco. O vislumbre branco atrás de um limoeiro. A sensação de uma espada em sua mão; a voz de Giuseppe gritando de longe. O limoeiro. Ele não deve ir atrás do limoeiro. Ele viu o rosto de Damon novamente, mas dessa vez seu irmão estava rindo selvagemente. Rindo continuamente, um som como o esmigalhamento de um copo quebrado. E o limoeiro estava perto agora...
— Damon – Katherine – não!
Ele estava sentado totalmente ereto em sua cama.
Passou suas mãos trêmulas por seu cabelo e estabilizou sua respiração.
Um sonho terrível. Havia muito tempo que fora torturado por sonhos como aquele; muito tempo, deveras, desde que tivera um sonho. Os últimos poucos segundos repetiram-se continuadamente em sua mente, e ele viu novamente o limoeiro e ouviu novamente a risada de seu irmão.
Aquilo ecoava em sua mente quase claramente demais. De repente, sem estar atento de uma decisão consciente de se mover, Stefan se encontrou na janela aberta. O ar noturno estava gelado nas suas bochechas enquanto ele olhava na prateada escuridão.
— Damon? — Ele enviou o pensamento em uma explosão de Poder, investigando. Então caiu em absoluta imobilidade, escutando com todos os seus sentidos.
Ele não sentia nada, nenhuma onda de resposta. Perto, um par de pássaros noturnos levantou voo. Na cidade, muitas mentes estavam dormindo; na floresta, animais noturnos cuidaram de seus negócios secretos.
Ele suspirou e voltou para o quarto. Talvez estivesse errado quanto à risada; talvez até mesmo estivesse errado sobre a ameaça no cemitério. Fell’s Church estava quieta, e pacífica, e ele deveria tentar emular isso. Precisava dormir.


5 de setembro (na verdade começo de 6 de setembro – por volta de 1h)
Querido diário,
Eu devia voltar logo para a cama. Há apenas alguns minutos acordei pensando que alguém estava gritando, mas agora a casa está silenciosa. Tantas coisas estranhas aconteceram hoje à noite que meus nervos estão em alerta, acho.
Pelo menos acordei sabendo exatamente o que vou fazer com Stefan. O negócio todo meio que brotou na minha mente. O Plano B, Fase Um, começa amanhã.


Os olhos de Frances estavam flamejando, e suas bochechas estavam enrubescidas à medida que ela se aproximava das três garotas na mesa.
— Ah, Elena, você tem que ouvir essa!
Elena sorriu para ela, educada mas não muito íntima. Frances abaixou sua cabeça morena.
— Quer dizer... posso me juntar à vocês? Eu acabei de ouvir a coisa mais selvagem sobre Stefan Salvatore.
— Sente-se — convidou Elena graciosamente. — Mas — ela acrescentou, passando manteiga em um pãozinho — não estamos muito interessadas na notícia.
— Você? — Frances encarou. Ela olhou para Meredith, então para Bonnie. — Vocês estão brincando, certo?
— Nem um pouco — Meredith furou uma ervilha e a olhou pensativamente. — Temos outras coisas em mente hoje.
— Exatamente — disse Bonnie depois de um começo repentino. — Stefan é notícia velha, sabe. Passé. — Ela se abaixou e massageou seu tornozelo.
Frances olhou suplicantemente para Elena.
— Mas eu achei que você quisesse saber tudo sobre ele.
— Curiosidade — Elena disse. — Afinal de contas, ele é um visitante, e eu queria dar-lhe as boas-vindas à Fell's Church. Mas é claro que eu tenho que ser leal à Jean-Claude.
— Jean-Claude?
— Jean-Claude — concordou Meredith, levantando suas sobrancelhas e suspirando.
— Jean-Claude — ecoou Bonnie entusiadasmente.
Delicadamente, com o dedão e o indicador, Elena tirou uma foto de sua mochila.
— Aqui está ele de pé na frente do cottage em que ficamos. Logo depois de ter me dado uma flor e dito... Bem — ela sorriu misteriosamente. — Eu não deveria repetir.
Frances estava olhando a foto. Mostrava um jovem bronzeado, sem camisa, de pé em frente à um arbusto de hibisco e sorrindo timidamente.
— Ele é mais velho, não é? — ela perguntou com respeito.
— Vinte e um. É claro — Elena olhou por sobre o ombro para a fila — minha tia nunca aprovaria, então estamos escondendo dela até que eu me forme. Nós temos que escrever um para o outro em segredo.
— Que romântico — Frances exalou. — Eu não contarei à uma alma, prometo. Mas quanto à Stefan...
Elena lançou-lhe um sorriso superior.
— Se — ela disse — eu vou desfrutar de algo europeu, prefiro francês à italiano toda vez. — Ela virou-se para Meredith. — Certo?
— Mm-hmm. Toda vez — Meredith e Elena sorriram conscientemente uma à outra, então viraram-se para Frances. — Não concorda?
— Oh, sim, — disse Frances afobadamente. — Eu, também. Toda vez.
Ela própria sorriu conscientemente e acenou com a cabeça diversas vezes enquanto se levantava e ia embora.
Quando ela se foi, Bonnie disse de forma lastimosa:
— Isso irá me matar. Elena, eu vou morrer se não ouvir a fofoca.
— Oh, aquilo? Eu posso te contar — Elena replicou calmamente. — Ela ia dizer que tem um rumor circulando por aí de que Stefan Salvatore é um policial da narcóticos.
— Um o quê? — Bonnie encarou, e então caiu na risada. — Mas isso é ridículo. Que policial da narcóticos no mundo se vestiria daquele jeito e usaria óculos escuros? Quero dizer, ele fez tudo o que pôde para chamar atenção para si mesmo... — sua voz dissipou-se, e seus olhos castanhos arregalaram-se. — Mas então, isso pode ser o motivo de ele fazer isso. Quem iria suspeitar de alguém tão óbvio? E ele mora sozinho, e é terrivelmente reservado... Elena! E se for verdade?
— Não é — disse Meredith.
— Como você sabe?
— Porque fui eu quem comecei — com a expressão de Bonnie, ela sorriu e acrescentou: — Elena me disse para fazer.
— Ohhhh. — Bonnie olhou admiravelmente para Elena. — Você é má. Posso contar às pessoas que ele tem uma doença terminal?
— Não, não pode. Eu não quero nenhuma espécie de Florence Nightingale se enfileirando para segurar sua mão. Mas você pode contar às pessoas o que quiser sobre Jean-Claude.
Bonnie pegou a fotografia.
— Quem ele realmente era?
— O jardineiro. Ele era louco por esses arbustos de hibisco. Também era casado, e tinha dois filhos.
— Pena — disse Bonnie seriamente. — E você disse à Frances para não contar a ninguém sobre ele...
— Certo — Elena checou seu relógio. — O que significa que as, ah, diga-se duas horas, deve estar por toda a escola.


Depois da escola, as garotas foram à casa de Bonnie. Foram recebidas na porta da frente por um estridente latido, e quando Bonnie abriu a porta, um pequinês muito velho e gordo tentou escapar. Seu nome era Yangtze, e era tão mimado que ninguém exceto a mãe de Bonnie o suportava. Ele beliscou o tornozelo de Elena enquanto ela passava.
A sala de estar era turva e lotada, com um monte de móveis particularmente enfeitados e cortinas pesadas nas janelas. A irmã de Bonnie, Mary, estava lá, tirando o alfinete do chapéu em seu ondulado cabelo vermelho. Ela era apenas dois anos mais velha que Bonnie, e trabalhava na clínica de Fell’s Church.
— Oh, Bonnie — ela disse — fico feliz por estar de volta. Olá, Elena, Meredith.
Elena e Meredith disseram “olá”.
— Qual o problema? Você parece cansada — Bonnie observou.
Mary deixou seu chapéu na mesinha de centro. Ao invés de responder, ela fez uma pergunta.
— Ontem à noite, quando você voltou para casa tão abatida, onde disse que vocês garotas tinham estado?
— Lá no... só lá na ponte Wickery.
— Foi o que eu pensei — Mary tomou um longo fôlego. — Agora, me escute, Bonnie McCullough. Nunca mais vá lá novamente, e especialmente sozinha e à noite. Entendeu?
— Mas por que não? — Bonnie perguntou, estupefata.
— Porque ontem à noite alguém foi atacado lá, é por isso. E você sabe onde eles o encontraram? Bem no banco debaixo da ponte Wickery.
Elena e Meredith se encararam com assombro, e Bonnie agarrou com força o braço de Elena.
— Alguém foi atacado debaixo da ponte? Mas quem? O que aconteceu?
— Eu não sei. Essa manhã um dos trabalhadores do cemitério o viu deitado lá. Ele era algum mendigo, suponho, e provavelmente estava dormindo debaixo da ponte quando foi atacado. Mas estava parcialmente morto quando o trouxeram, e ele não recobrou a consciência ainda. Ele pode morrer.
Elena engoliu em seco.
— O que você quer dizer com “atacado”?
— Quero dizer — disse Mary claramente — que sua garganta quase foi arrancada. Ele perdeu uma quantidade incrível de sangue. No começo acharam que poderia ter sido um animal, mas agora o Dr. Lowen diz que foi uma pessoa. E a polícia disse que quem quer que tenha feito isso pode estar se escondendo no cemitério — Mary olhou para cada uma delas em fila, sua boca uma linha reta. — Se vocês estiveram na ponte, ou no cemitério, Elena Gilbert... Então essa pessoa pode ter estado lá com vocês. Entenderam?
— Você não tem mais que nos assustar — disse Bonnie fracamente. — Nós entendemos, Mary.
— Tudo bem. Bom — os ombros de Mary caíram, e ela esfregou sua nuca com cansaço. — Tenho que deitar por um instante. Eu não quis ser brigona.
Ela saiu da sala de estar.
Sozinhas, as três garotas olharam uma para outra.
— Poderia ter sido a gente — Meredith falou baixinho. — Especialmente você, Elena; foi lá sozinha.
A pele de Elena estava formigando, a mesma sensação dolorosa de alerta que tivera no velho cemitério. Ela podia sentir o frio do vento e ver as fileiras de altas lápides ao seu redor. A felicidade de Robert E. Lee nunca pareceu tão distante.
— Bonnie — ela disse lentamente — você viu alguém lá? Foi isso o que quis dizer quando disse que alguém estava esperando por mim?
Na sala turva, Bonnie olhou para ela sem entender.
— Do que está falando? Eu não disse isso.
— Sim, você disse.
— Não, não disse. Eu nunca disse isso.
— Bonnie — disse Meredith — ambas ouvimos você. Você encarou as velhas lápides, e então disse à Elena...
— Não sei do que estão falando, eu não disse nada. — O rosto de Bonnie estava comprimido com raiva, mas havia lágrimas em seus olhos. — Eu não quero mais falar sobre isso.
Elena e Meredith olharam uma para outra desamparadas. Lá fora, o sol se escondeu atrás de uma nuvem.

6 comentários:

  1. Gabrielly no mundo do Olimpo30 de janeiro de 2016 17:26

    MEU DEUS

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  2. e muito diferente da serie !! AMEI

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  3. Caramba, a Katherine é tão diferente da série! Será que é verdade, ou o Stefan ainda vai contar alguma coisa que nos faça mudar de idéia sobre ela? Basta ler pra descobrir né haha

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  4. Será que a Emily tem o mesmo nome no livro? O espírito que possuiu a Bonnie

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