5 de novembro de 2015

Capítulo 5

― Não, senhores, insisto em deixar a menina comigo. Ela é uma fille à la casquette, e como tal está sob a proteção das freiras Ursulinas.
Irmã Marie Madeleine se posicionou na porta de seu quarto, segurando a porta meio fechada à sua frente. Ela tinha dito para Lenobia ir imediatamente para sua cama e depois se posicionou de modo a enfrentar o padre e o capitão, que pairavam no corredor. O padre ainda estava furioso e com o rosto vermelho. O capitão não parecia saber como olhar, ele parecia oscilar entre a raiva e o humor. Quando a freira falou, o comandante deu de ombros e disse:
― Sim, bem, ela está a seu cargo, irmã.
― Ela é uma bastarda e impostora! ― gritou o bispo.
― Bastard sim, impostora não mais ― a freira corrigiu com firmeza. ― Ela admitiu o seu pecado e pediu perdão. Não é agora o nosso trabalho como bons católicos perdoar e ajudar a criança a encontrar seu verdadeiro caminho na vida?
― A senhora não pode acreditar que eu vou permitir que case aquela bastarda com um nobre! ― o padre exclamou.
― E você não pode acreditar que eu iria me envolver numa fraude e quebrar meu voto de honestidade ― a freira replicou.
Lenobia pensou que podia sentir o calor da ira do bispo do outro lado da sala.
― Então o que vai fazer com ela? ― perguntou ele.
― Vou terminar o meu trabalho e ter a certeza de que ela chegará a Nova Orleans segura e casta. A partir daí, caberá ao Conselho das Ursulinas e, é claro, à criança, decidir o seu futuro.
― Isso parece razoável ― concordou o capitão. ― Venha, Charles, vamos deixar as mulheres com seus problemas de mulheres. Eu tenho um excelente porto que ainda não abri. Vamos prova-lo e ter certeza de que sobreviveu à viagem até agora.
Dando a irmã um aceno desdenhoso, ele bateu no ombro do padre antes de ir embora.
O homem de túnica roxa não seguiu imediatamente o capitão. Ao contrário, ele olhou para além da irmã Marie Madeleine, na direção onde Lenobia estava sentada abraçando a si mesma.
― O fogo santo de Deus queima mentirosos ― disse ele.
― Eu acho que o fogo santo de Deus não queima as crianças, no entanto. Bom dia para você, padre ― a Irmã Marie Madeleine falou, e então fechou a porta na cara do padre.
O quarto ficou tão tranquilo Lenobia podia ouvir as pequenas respirações excitadas de Simonette.
Lenobia encontrou o olhar da irmã Marie Madeleine.
― Sinto muito.
A freira levantou a mão.
― Primeiro, vamos começar com o seu nome. Seu nome real.
― Lenobia Whitehall ― por um momento, a onda de alívio de ser capaz de recuperar seu nome ofuscou o medo e a vergonha, e ela foi capaz de dar uma respiração profunda e se fortificar. ― Esse é meu nome real.
― Como você pôde fazer isso? Fingir ser uma pobre menina morta? ― Simonette perguntou.
Ela estava olhando para Lenobia com olhos enormes, como se ela fosse uma espécie incomum, uma assustadora criatura recém-descoberta.
Lenobia olhou para a freira. A irmã concordou, dizendo:
― Todos querem saber. Responda agora e acabe com isso.
― Eu não pretendia ser Cecile por muito temoi, eu simplesmente me mantive calada.
Lenobia olhou para Simonette, vestida com suas sedas adornadas, pérolas e granadas brilhantes em volta do pescoço fino e branco.
― Você não sabe o que é não ter nada – sem proteção ou futuro. Eu não queria ser Cecile. Eu só queria ser feliz e em segurança.
― Mas você é uma bastarda ― disse Aveline de Lafayette, a bonita loira, filha mais nova do Marquês de Lafayette. ― Você não merece a vida de uma filha legítima.
― Como você pode acreditar tal absurdo? ― Lenobia perguntou. ― Por que um acidente de nascimento decide o valor de uma pessoa?
― Deus decide o nosso valor ― interrompeu a Irmã Marie Madeleine.
― E da última vez que chequei, você não era Deus, mademoiselle ― Lenobia disse a jovem Lafayette.
Aveline engasgou.
― Esta filha de uma puta não vai falar assim comigo!
― Minha mãe não é uma prostituta! Ela é uma mulher muito bonita e confiante!
― Claro que você diria isso, mas já sabemos que você é uma mentirosa ― Aveline de Lafayette pegou suas saias e começou a ir na direção de Lenobia, dizendo: ― Irmã, eu não vou dividir um quarto com uma fille de bas.
― Basta! ― o tom da voz da freira fez a arrogante Lafayette fazer uma pausa. ― Aveline, no convento das Ursulinas nós educamos as mulheres. Não fazemos distinção entre classe ou raça em fazê-lo. O importante é tratar a todos com honestidade e respeito. Lenobia nos deu honestidade. Retornaremos com respeito ― a freira passou a olhar para Lenobia. ― Eu posso ouvir a confissão de seu pecado, mas não posso absolvê-lo. Para isso você precisa de um sacerdote.
Lenobia estremeceu.
― Eu não vou confessar ao padre.
A expressão de Marie Madeleine suavizou-se.
― Comece por confessar a Deus, filha. Então, o nosso bom padre Pierre vai ouvir sua confissão quando chegamos ao convento. ― Seu olhar mudou de Lenobia para cada uma das outras meninas na sala. ― Padre Pierre escutaria a confissão de qualquer uma de vocês, porque todos são imperfeitos e tem necessidade de absolvição ― ela virou-se para Lenobia novamente. ― Criança, junte-se a mim no convés, por favor?
Lenobia acenou com a cabeça em silêncio e seguiu a irmã. Elas andaram o curto caminho até a parte traseira do navio e ficaram ao lado da grade preta e das figuras angelicais que decoravam a parte traseira do Minerva. Ficaram sem falar por alguns momentos, olhando para o mar e mantendo seus próprios pensamentos. Lenobia sabia que ser descoberta como uma impostora mudaria sua vida, provavelmente para pior, mas ela não podia deixar de sentir uma pequena emoção por se libertar da mentira.
― Eu odiava a mentira ― ouviu-se falar em voz alta.
― Estou contente de ouvir isso. Você não parece uma menina mentirosa para mim ― Marie Madeleine mudou o seu olhar para Lenobia. ― Diga-me, de verdade, ninguém mais sabe de seu ardil?
Lenobia não esperava a pergunta e desviou o olhar, incapaz de dizer a verdade e não disposta a contar outra mentira.
― Ah, eu vejo. Sua mãe, ela sabia ― Marie Madeleine falou, não maldosa. ― Não importa, o que está feito não pode ser desfeito. Eu não vou perguntar-lhe sobre isso novamente.
― Obrigada, irmã ― Lenobia respondeu calmamente.
A freira fez uma pausa, e então com um tom mais duro continuou.
― Você deveria ter vindo a mim quando viu o padre pela primeira vez em vez de se fingir de doente.
― Eu não sei o que você faria ― Lenobia falou honestamente.
― Eu não estou completamente certa, mas sei que eu teria feito tudo em meu poder para evitar um confronto feio com o padre como o que tivemos hoje ― o olhar da freira era afiado e inquisidor. ― O que há entre vocês dois?
― Nada da minha parte! ― Lenobia respondeu rapidamente, então suspirou e acrescentou: ― Algum tempo atrás, minha mãe, que é devota, disse que deixaria de ir à missa, e manteve-me em casa. Isso não impediu o padre de chegar ao château – não impediu seus olhos de procurar-me.
― O padre tomou sua virgindade?
― Não! Ele não tocou em mim. Eu ainda sou uma moça.
Marie Madeleine benzeu-se.
― Graças a Santíssima Virgem por isso ― a freira exalou um longo suspiro. ― O bispo é uma preocupação para mim. Ele não é o tipo de homem que eu gostaria em Saint Louis. Mas os caminhos de Deus são por vezes difíceis demais para entendermos. A viagem vai terminar em poucas semanas, e uma vez que estivermos em Nova Orleans, o padre terá muitos deveres para mantê-lo ocupado e não pensar em você. Então, só por algumas semanas, teremos que mantê-la fora das vistas dele.
― Nós?
As sobrancelhas de Marie Madeleine se levantaram.
― As freiras Ursulinas são servas da Santa Mãe de todos nós, e ela não iria querer que eu ficar de braços cruzados enquanto uma de suas filhas é abusada, nem mesmo por um padre ― ela afastou os agradecimentos de Lenobia. ― Você será esperada no jantar, agora que foi descoberta. Isso não pode ser evitado, senão causará mais desdém e desprezo.
― O desdém e o desprezo são menos ofensivos do que a atenção do padre ― Lenobia disse.
― Não. Eles fazem você mais vulnerável a ele. Você vai jantar com a gente. Basta não chamar atenção para si. Ele não pode fazer nada na frente da multidão. Apesar disso, estou certa de que você está cansada de fingir a doença e permanecer em seu quarto, mas deve ficar fora de vista.
Lenobia pigarreou, levantou o queixo e decidiu falar.
― Irmã, por várias semanas eu estive deixando o quarto antes do amanhecer e retornava antes que a maior parte do navio despertasse.
A freira sorriu.
― Sim, filha. Eu sei.
― Oh. Eu pensei que você estava rezando.
― Lenobia, acredito que você vai descobrir que muitas das minhas boas irmãs e eu somos capazes de pensar e rezar ao mesmo tempo. Eu aprecio sua honestidade. Onde é que você vai?
― Aqui em cima. Bem, na verdade, ali ― Lenobia apontou para uma parte obscura da plataforma onde os botes salva-vidas ficavam armazenados. ― Eu vejo o nascer do sol e passeio um pouco. E então vou até o porão de carga.
Marie Madeleine piscou, surpresa.
― O porão? Para quê?
― Cavalos ― Lenobia explicou. Eu estou dizendo a verdade, ela pensou. Os cavalos que me atraíram até ali. ― Um par castrados de percherões. Eu gosto muito de cavalos, e sou boa com eles. Posso continuar visitando-os?
― Você sempre vê o padre em suas saídas da madrugada?
― Não, esta foi a primeira vez, e só porque eu fiquei mais tempo depois do amanhecer.
A freira deu de ombros.
― Contanto que você seja cuidadosa, não vejo motivo para prendê-la em seus aposentos mais do que o absolutamente necessário. Mas cuidado, filha.
― Sim, merci beaucoup, irmã.
Impulsivamente, Lenobia jogou os braços ao redor da freira e a abraçou. Depois de apenas um momento, braços maternais a rodearam em troca e a freira lhe deu um tapinha no ombro.
― Não se preocupe, criança ― irmã Marie Madeleine murmurou consoladoramente. ― Há uma grande falta de boas mulheres católicas em Nova Orleans. Vamos lhe encontrar um marido, não tema.
Tentando não pensar em Martin, Lenobia sussurrou:
― Eu preferiria que você encontrasse uma maneira de ganhar a vida.
A freira ainda estava rindo enquanto ambas faziam seu caminho de volta para os aposentos das mulheres.

* * *

Na cabine particular do capitão, diretamente abaixo de onde Lenobia e Marie Madeleine tinham falado tão pouco, o padre Charles de Beaumont estava sentado perto da janela aberta, silencioso como a morte, imóvel como uma estátua.
Quando o capitão voltou da cozinha com duas garrafas empoeiradas de porto em seus braços musculosos, Charles fez um show de estar interessado no ano e safra. Ele fingiu ter gostado do vinho rico quando bebeu profundamente, sem saboreá-lo, apenas com a necessidade de extinguir a chama da raiva que queimava tão brilhantemente dentro dele enquanto os pedaços da conversa que ouviu ferviam por sua mente: O que há entre vocês dois? O padre tomou a sua virgindade? O desdém e o desprezo são menos ofensivos do que a atenção do padre. Mas cuidado, filha...
O capitão exclamava e falava sobre as marés, as estratégias de combate e outros assuntos tão banais enquanto a raiva de Charles, umedecida pelo vinho, cozida lentamente e com cuidado, cozinhava completamente os jogos de ódio, luxúria e fogo – sempre fogo.

* * *

A refeição da noite teria sido um desastre se não fosse pela irmã Marie Madeleine. Simonette era a única menina que falava com Lenobia, e ela o fez com inícios bobos e engraçados, como se aos quinze anos tivesse se esquecido de que não deveria gostar mais de Lenobia.      
Lenobia concentrou-se em sua comida. Ela pensou que ia ser como o céu ser capaz de comer uma refeição completa, mas o olhar quente do bispo a fazia sentir-se tão doente e com medo que ela acabou empurrando a maior parte do robalo delicioso e batatas amanteigadas em torno de seu prato.
Irmã Marie Madeleine fez com que tudo funcionasse, no entanto. Ela manteve o capitão envolvido em uma discussão sobre a ética da guerra, que incluía o padre e as suas opiniões eclesiásticas. Ele não podia ignorar a freira, não quando ela estava mostrando interesse tão evidente em sua opinião. E em muito menos tempo do que Lenobia teria imaginado, a irmã estava pedindo para ser dispensada.
― Já, madame? ― o capitão piscou olhos turvos para ela, rosto vermelho da bebida. ― Eu estava gostando tanto da nossa conversa!
― Perdoe-me, bom capitão, mas eu gostaria de ir enquanto ainda há alguma luz no céu noturno. As mademoiselles e eu gostaríamos muito de dar algumas voltas no convés.
As mademoiselles, obviamente chocadas com a proposta da freira, olharam para ela em diferentes graus de surpresa e horror.
― Caminhas? Pelo convés? E por que você iria querer fazer isso, irmã? ― perguntou o padre com uma voz forte.
A freira sorriu placidamente.
― Oui, eu acho que ficamos muito tempo enfiadas em nossos quartos ― então, ela mudou sua atenção para o capitão. ― Você não explicou muitas vezes sobre os benefícios saudáveis do ar do mar? E olhe para você, senhor, um homem grande e forte. Faríamos bem em imitar seus hábitos.
― Ah, verdade, verdade.
O capitão inchou ainda mais o seu peito largo.
― Excelente! Então, com sua permissão, vou recomendar que as meninas e eu façamos caminhadas frequentes pelo navio em diferentes momentos do dia. Todos devemos estar conscientes da nossa saúde, e agora que o último dos enjoos se dissolveu, não há nada para manter-nos em nossos aposentos ― Marie Madeleine falou dando um rápido olhar para Lenobia, seguido por um olhar de desculpas para o capitão, como se incluísse-o em seu desgosto com o comportamento da menina.
Lenobia pensou que irmã Marie Madeleine foi absolutamente brilhante.
― Muito bem, madame. Ótima ideia, realmente ótima. Não acha, Charles?
― Acho que a boa irmã é uma mulher muito sábia ― veio a resposta astuta do religioso.
― É uma bondade dizê-lo, padre ― Marie Madeleine disse. ― E não vamos assustá-lo, porque a partir de agora ninguém saberá onde qualquer uma de nós estará!
― Eu me lembrarei. Eu me lembrarei. ― De repente, expressão severa do bispo mudou e ele piscou como se em surpresa. ― Irmã, agora tenho um pensamento de que estou absolutamente seguro, por causa de seu anuncio ambicioso sobre assumir o controle do barco.
― Mas, padre, eu não quis dizer...
O padre ignorou seus protestos.
― Oh, eu sei que não quis dizer nada de mal, irmã. Como eu estava dizendo, meu pensamento era de que seria muito bom se você mudasse o seu santuário para a Santa Mãe para o convés, talvez um pouco acima de nós, onde estaria muito bem protegido. Talvez a tripulação gostasse de participar de suas devoções diárias ― ele fez uma reverência para o capitão, e acrescentou ― no horário que suas funções permitirem, evidentemente.
― Claro, claro ― o capitão confirmou.
― Bem, certamente eu poderia fazer isso. Enquanto o tempo permanecer claro ― disse Marie Madeleine.
― Obrigado, irmã. Considere isso como um favor pessoal para mim.
― Muito bem, então. Sinto que temos muito realizado esta noite ― a freira falou com entusiasmo. ― Au revoir, monsieurs. Vamos, senhoritas ― concluiu ela, e depois conduziu seu grupo para fora da sala.
Lenobia sentiu o olhar do bispo até mesmo com a porta fechada, bloqueando a sua visão dela.
― Bem, então, vamos caminhar um pouco?
Sem esperar por uma resposta, Marie Madeleine caminhou propositadamente para a escada curta que levava para o convés, onde ela respirou fundo e incentivou as meninas a "”andarem e esticarem suas pernas jovens”.
Quando Lenobia passou pela freira, ela perguntou baixinho:
― O que ele poderia querer com a Santa Mãe?
― Eu não tenho ideia. Mas certamente a Santíssima Virgem dar uma volta no convés não a ferirá ― ela fez uma pausa, sorriu para Lenobia, e acrescentou: ― Assim como não vai machucar o resto de nós.
― Pelo o que fez esta noite, irmã, merci beaucoup.
― De nada, Lenobia.

* * *

O padre fez suas desculpas e deixou o capitão com seu vinho. Ele se retirou para sua pequena cabine, sentou no balcão único e acendeu um longo e fino castiçal. Enquanto seus dedos acariciavam a chama, pensou na menina bastarda.
No começo, ele tinha ficado furioso e chocado com a sua decepção. Mas então quando olhou para ela, sua raiva e surpresa se uniram para formar uma emoção muito mais profunda.
Charles tinha esquecido a beleza da moça, embora as muitas semanas de celibato forçado a bordo deste navio maldito poderia ter algo a ver com seu efeito sobre ele.
― Não ― ele falou para a chama. ― É mais do que a minha falta de um companheiro de cama que a faz desejável.
Ela era ainda mais bonita do que ele se lembrava, mas tinha perdido peso. Era uma lástima, mas facilmente remediada. Ele gostava dela mais macia, mais cheia e suculenta. Ele iria ter certeza de que ela comeria, quer queria quer não.
― Não ― repetiu ele. ― Há mais do que isso.
Foram aqueles olhos. O cabelo. Os olhos ardiam como fogo lento. Ele podia ver que ela sentia a sua atração, que estava tentando negar sua força.
O cabelo era de prata, como o metal que tinham sido testado e endurecido pelo fogo, e, em seguida, se transformado em algo mais do que tinha sido um dia.
― E ela não é uma verdadeira fille à la casquette. Ela nunca mais será a noiva de um cavalheiro francês. Ela tem, na verdade, sorte de ter me chamado a atenção. Ser minha amante é mais, muito mais do que ela esperaria de seu futuro.
O desdém e o desprezo são menos ofensivos do que a atenção do padre. A memória de suas palavras veio a ele, mas ele não se permitiu ficar com raiva.
― Ela será convencida. Não importa. Gosto muito mais se elas têm algum espírito.
Seus dedos passaram pela a chama, mais e mais perto, absorvendo o calor, mas não queimando.
Seria bom tornar a menina sua amante antes de chegarem a Nova Orleans. Então aquelas Ursulinas pomposas não teriam nada sobre o que reclamar. Uma menina virgem lhes poderia importar – uma bastarda deflorada que havia se tornado amante de um padre estaria fora de seus cuidados e fora do seu alcance.
Mas primeiro ele teria que fazê-la sua, e para isso ele precisava silenciar aquela madre condenada.
Sua mão livre enrolou-se ao redor da cruz de rubi que estava pendurada no meio de seu peito e a chama começou a tremular descontroladamente.
Era somente a proteção da freira que estava mantendo a bastarda longe de ser seu brinquedo durante o resto da viagem e além disso, só freira poderia atrair a ira da Igreja sobre ele. As outras garotas eram inconsequentes. Elas não se levantariam contra ele, muito menos falariam contra ele a qualquer autoridade. Ao capitão não importava nada, exceto uma viagem suave e seu vinho. Enquanto Charles não estuprasse-a na frente do homem, ele provavelmente iria mostrar apenas um leve interesse, embora, possivelmente, pudesse querer usar a menina também.
A mão do padre, aquela que estava acariciando a chama, fechou-se em um punho. Ele não compartilharia suas posses.
― Sim, eu vou ter que me livrar da freira ― Charles sorriu e relaxou a mão, permitindo que a chama aumentasse novamente. ― E já tomaram medidas para acelerar o seu fim prematuro. É uma vergonha que o hábito que ela usa é tão volumoso e tão altamente inflamável. Eu posso sentir que um terrível acidente poderia acontecer a ela...

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