29 de novembro de 2015

Capítulo 5

— Pensei que você quisesse sair para que pudéssemos conversar com Damon — Stefan disse, ainda de mãos dadas com Elena enquanto ela fazia uma curva acentuada à direita para a escada bamba que os levou para os quartos no segundo andar e, acima deste, para o sótão de Stefan.
— Bem, a menos que ele tenha matado Matt e fugido, não há nada que nos impeça de falar com ele amanhã. — Elena olhou para Stefan e mostrou-lhe suas covinhas — Segui seu conselho e pensei um pouco. Matt é um quarterback bem forte e ambos são somente humanos, certo? Enfim, é hora do seu jantar.
— Jantar? — Os caninos de Stefan responderam automaticamente... Embaraçosa e rapidamente... À palavra.
Ele estava mesmo precisando dar uma palavrinha com o Damon e fazer com que Damon entendesse que ele era um convidado na pensão — nada mais que isso —, mas era verdade: ele poderia fazer isso amanhã. Poderia até ser mais eficaz amanhã, quando a própria ira reprimida de Damon se fosse.
Ele pressionou sua língua contra seus caninos, tentando forçá-los a voltarem ao normal, mas a pequena estimulação deixou-os mais afiados, cortando seus lábios. Agora, eles doíam com prazer. Tudo isso em resposta a apenas uma palavra: jantar.
Elena deu-lhe um olhar provocante e riu. Ela era uma daquelas garotas sortudas com uma risada bonita. Mas esta era claramente uma risadinha maliciosa, vinda de seus planos vingativos de sua infância. Isso fez com Stefan tivesse vontade de fazer cócegas nela só para poder ouvir mais; isso fez com que ele risse com ela; fez com ele a pegasse e exigisse saber qual era a graça.
Ao invés disso, ele disse:
— O que foi, amor?
— Alguém tem dentes pontudos. — Ela respondeu inocentemente, rindo novamente.
Ele se perdeu em admiração por um segundo e também, de repente, perdeu sua mão.
Rindo como uma cascata branca e musical caindo sobre uma pedra, ela correu até as escadas em sua frente, tanto para provocar quanto para mostrar que estava em boa forma, ele pensou. Se ela tivesse tropeçado, ou vacilado, saberia que ele decidiria que sua doação de sangue a machucaria.
Até agora, não pareceu ser prejudicial para nenhum de seus amigos, ou ele teria insistido em dar um descanso para essa pessoa. Mas mesmo Bonnie, tão delicada quanto uma libélula, não parecia estar pior do que ela.
Elena correu até as escadas sabendo que Stefan estava sorrindo por trás dela, e não havia uma sombra de desconfiança em sua mente. Ela não merecia isso, mas só isso a deixava mais ansiosa para agradá-lo.
— Você já teve o seu jantar? — Stefan perguntou assim que alcançaram seu quarto.
— Já faz um bom tempo; rosbife... Cozido. — Ela sorriu.
— O que o Damon disse, assim que viu que era você e viu o que você havia trazido?
Elena riu novamente. Não havia problema em ter lágrimas em seus olhos; suas queimaduras e cortes doíam e o episódio com Damon justificava qualquer sinal de choro.
— Ele chamou de hambúrguer sangrento; sendo que era bife tártaro. Mas, Stefan, não quero falar sobre ele agora.
— Não, claro que não quer, amor.
Stefan estava imediatamente arrependido. E estava tentando tanto não parecer ansioso para se alimentar... Mas não pôde controlar seus caninos.
E Elena também não estava com disposição para brincadeiras. Ela se empoleirou sobre a cama, tirando com cuidado os curativos que a Sra. Flowers havia posto. Stefan, de repente, pareceu perturbado.
Amor... Ele parou abruptamente.
O que foi? Ela terminou com as bandagens, estudando o rosto de Stefan.
Bem, talvez pudéssemos tirar do seu braço dessa vez? Você já está com dor e não quero trapacear com o tratamento anti-tétanico da Sra. Flowers.
Ainda há espaço aqui. Elena disse alegremente.
Mas uma mordida em cima desses cortes... Ele parou de novo.
Elena olhou para ele. Conhecia o seu Stefan. Havia algo que ele queria dizer.
Diga-me, ela o pressionou.
Stefan finalmente a olhou nos olhos, então colocou seus lábios em seu ouvido:
— Eu posso curar as feridas. — Ele sussurrou. — Mas... Isso significa ter de abri-las novamente para que possa sangrar. Isso vai doer.
— Isso pode envenená-lo. — Elena disse rispidamente. — Você não entende? A Sra. Flowers colocou Deus sabe o que nisto...
Ela pôde sentir a risada dele, que enviou um formigamento quente por sua coluna vertebral.
— Não se pode matar um vampiro tão facilmente. — Ele disse. — Só morremos se você atravessar uma estaca em nossos corações. Mas não quero machucá-la... Mesmo se isso a ajudar. Eu te Influenciar para não sentir nada...
Mais uma vez, Elena o interrompeu.
— Não! Não me importo se doer. Contanto que você receba o tanto de sangue que precisa.
Stefan respeitava Elena o suficiente para saber que não devia fazer a mesma pergunta duas vezes. E ele mal podia mais se conter. Viu-a deitar-se e, em seguida, estendido ao seu lado, inclinou-se para chegar até os cortes manchados de verde. Ele lambeu gentilmente, num primeiro momento, as feridas, e depois correu a língua de cetim sobre elas. Não tinha ideia de como o processo funcionava ou quais produtos químicos estavam indo para as lesões de Elena. Era tão automático quanto respirar para os seres humanos. Mas depois de um minuto, ele riu baixinho.
O quê foi? O que foi? Ela perguntou, sorrindo como se o seu hálito lhe fizesse cócegas.
Seu sangue está misturado com erva-cidreira, Stefan respondeu. A receita de cura da Vovó tem erva-cidreira e álcool! Erva-cidreira e vinho!
Isso é bom ou ruim? Elena perguntou incerta.
É bom... Mudar o cardápio. Mas ainda o seu sangue o melhor de todos. Está doendo muito?
 Elena sentiu-se corar. Damon tinha curado sua bochecha desta forma, lá na Dimensão das Trevas, quando ela tinha protegido, com seu próprio corpo, uma escrava ensanguentada de uma chicotada. Ela sabia que Stefan conhecia a história, e ele devia saber que a linha branca em sua bochecha havia sido apenas a carícia da cura.
Comparado com aquilo, esses arranhões não são nada, ela enviou.
Mas um súbito arrepio passou sobre ela.
Stefan! Nunca implorei por seu perdão por ter protegido Ulma, correndo o risco de não ser capaz de salvá-lo. Ou pior... Por dançar enquanto você estava morrendo de fome... Para manter a fachada até que pudéssemos pegar as Chaves Gêmeas...
Você acha que eu me importo com isso? A voz de Stefan simulava raiva enquanto ele fechava um corte em sua garganta. Fez o que tinha que fazer para me encontrar... Para me salvar... Depois de eu tê-la deixado aqui sozinha. Você acha que eu não compreendo? Eu não merecia ser salvo...
Agora, Elena sentia um pequeno soluço sufocá-la.
Nunca diga isso! Nunca! E acho... Acho que eu sabia que você me perdoaria ou eu teria sentido cada jóia que eu usei queimar. Tivemos que ir atrás de você como cães atrás de raposas... E estávamos com tanto medo de que um passo em falso poderia significar o seu enforcamento... Ou o nosso.
Stefan estava abraçando-a mais forte agora.
Como posso fazer você entender? Ele perguntou. Você desistiu de tudo... Até de sua liberdade... Por mim. Vocês se transformaram em escravas. Você... Você... Foi Disciplinada.
Elena perguntou descontroladamente:
Como você sabe? Quem te contou?
Você me contou, amada. Em seu sono... Em seus sonhos.
Mas, Stefan... Damon tirou a dor de mim. Você sabia disso?
Stefan ficou em silêncio por um instante, depois respondeu:
Eu... Entendo. Eu não sabia disso.
Cenas diversas da Dimensão das Trevas borbulhavam na mente de Elena. Aquela cidade de bugigangas manchada de brilho ilusório, onde uma chicotada que espalhava sangue na parede era tão apreciado quanto um punhado de rubis espalhados na calçada...
Amor, não pense nisso. Você me seguiu, e me salvou, agora estamos aqui juntos, Stefan disse.
O último corte fora fechado, ele deitou a bochecha sobre a dela.
Isso é tudo que me importa. Você e eu... Juntos.
Elena quase estava tonta de tão feliz que estava por ser perdoada, mas havia algo dentro dela, algo que tinha crescido e crescido e crescido durante a semana em que ela estava na Dimensão das Trevas. Um sentimento por Damon que não foi resultado de sua necessidade pela ajuda dele. Um sentimento que Elena pensou que Stefan pudesse compreender. Um sentimento que até poderia mudar o relacionamento entre eles três: ela, Stefan e Damon. Mas agora, Stefan pareceu assumir que tudo voltaria ao que era antes dele ser sequestrado.
Ah, bem, por que se preocupar com o amanhã, quando esta noite fora suficiente para fazê-la chorar de alegria?
Este era o melhor sentimento do mundo: o conhecimento de que ela e Stefan estavam juntos, e ela fez Stefan lhe prometer repetidamente que ele nunca a deixaria para ir a outra busca, não importasse o quão breve, não importasse a causa.
Mesmo agora, Elena não pôde se concentrar no que estava preocupada até poucos instantes.
Ela e Stefan sempre tinham encontrado o céu nos braços um do outro. Estavam destinados a ficarem juntos para sempre. Nada mais importava, agora que ela estava em casa.
“Casa”, era onde ela e Stefan estavam juntos.

Um comentário:

  1. Será que a Elena pensou que ela, Stefan e Damon podiam ser tipo um casal de três???

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!