20 de novembro de 2015

Capítulo 5

Damon estava dirigindo sem rumo quando viu a garota.
Ela estava sozinha, andando à pé pelo acostamento, seu cabelo avermelhado soprando ao vento, braços pra baixo carregando pacotes pesados.
Damon imediatamente fez a coisa cavalheiresca. Deixou o carro deslizar até o encostamento, esperou a menina dar os poucos passos que faltavam para alcançá-lo, e em seguida, pulou para fora do carro e se apressou em abrir a porta de passageiros para ela.
O nome dela, descobriu, era Damaris.
Logo a Ferrari estava de volta à estrada, indo tão rápido que o cabelo avermelhado de Damaris tremulava atrás dela como uma bandeira. Era uma jovem mulher e estava completamente livre da espécie de transe induzido que ele tinha distribuído livremente por aí durante todo o dia, o que era uma boa coisa, pensou ele laconicamente, porque sua imaginação tinha sido muito usada naquele dia e ele estava quase sem nada.
Mas lisonjear esta bela criatura, com o seu resplendoroso cabelo que era de um vermelho dourado e sua pele leitosa não precisaria de imaginação de qualquer maneira. Ele não previa nenhum problema com ela, e pensou que poderia mantê-la com ele durante a noite.
“Veni, vidi, vici”. Vi, vi e venci, pensou Damon, abrindo um sorriso impetuoso. E então pensou melhor – talvez não tenha vencido ainda, mas aposto minha Ferrari nisso.
Ele se distraiu por uma “visão cênica” quando Damaris derrubou sua bolsa e se curvou para pegá-la, observou a parte de trás de seu pescoço, onde os pelos finos alaranjados eram surpreendentemente delicados contra a brancura da sua pele.
Ele lhe beijou ali imediatamente, impulsivamente, sentindo que sua pele era suave como a pele de um bebê – e quente contra seus lábios. Deu a ela total liberdade de ação, interessado em ver se ela daria um tapa nele, mas ao invés disso, ela apenas endireitou-se e tomou um pouco de ar, insegura antes de permitir que ele a puxasse para seus braços para ser beijada, incerta, quente e tremendo, seus olhos azuis escuros entregues e tentando resistir ao mesmo tempo.
 Eu... não devia ter deixado você fazer isso. Não vou permitir novamente. Quero ir para casa agora.
Damon sorriu. Sua Ferrari estava a salvo.
Seu protesto tinha sido particularmente agradável, pensou enquanto continuava a dirigir. Se ela continuasse como estava fazendo, ele até poderia ficar com ela uns dias, talvez mesmo transformá-la.
Agora, porém, foi incomodado por uma inexplicável inquietação interior. Elena, é claro. Esteve tão perto dela na pensão e não se atreveu a se impor e ir até lá, por causa do que ela poderia fazer. Oh, bem, o que ele já deveria ter feito a essa altura, pensou com uma súbita veemência. Stefan estava certo – havia algo de errado com ele hoje.
Ele estava frustrado em um grau que nunca imaginou ser possível. O que ele deveria ter feito era ter enterrado o rosto do seu maninho na terra, quebrado o seu pescoço como o de uma ave e, em seguida, subido aqueles degraus estreitos e pegajosos para pegar Elena, ela querendo ou não. Ele não tinha feito isso antes por causa de alguma chatice sem sentido, sobre seus gritos enquanto ele levantasse aquele queixo incomparável e enterrasse dolorosamente seus dentes em sua garganta branca como lírios.
Havia um barulho dentro do carro.
―... você não acha? — Damaris estava dizendo.
Irritado e ocupado demais com a sua fantasia para pensar sobre o que sua mente podia ter ouvido-a falar durante seu discurso, ele a calou, e ela ficou instantaneamente quieta. Damaris era adorável, mas uma garota de beira de estrada. Agora estava sentada com o seu cabelo alaranjado dando chicotadas ao vento, mas com os olhos em branco, suas pupilas contraídas, absolutamente parada.
E tudo por nada. Damon fez um sibilo de exasperação. Não conseguiu voltar ao seu sonho, mesmo em silêncio, os sons imaginários dos gritos de Elena não voltaram.
Mas não haveria mais gritos, uma vez que ele a transformasse em vampira, uma pequena voz em sua mente sugeriu. Damon levantou a cabeça e se inclinou para trás, com apenas três dedos no volante. Uma vez tentou fazer dela a sua princesa das trevas, então por que não? Ela pertenceria completamente a ele, e se tivesse que abrir mão de seu sangue mortal, bem... não estava exatamente obtendo nada dele agora, não era? Disse a voz insinuante. Elena, pálida e brilhante com a aura de poder de vampira, o cabelo loiro quase branco, um vestido preto acetinado contra sua pele. Agora, aí estava uma imagem que faria o coração de qualquer vampiro bater mais rápido.
Ele a queria mais do que nunca agora que ela tinha sido um espírito.
Mesmo como uma vampira ela reteria a maior parte de sua própria natureza, e ele podia imaginar a cena: a luz dela e a escuridão dele, a sua brancura suave em seus braços revestidos com sua jaqueta preta de couro. Iria parar aquela boca requintada com beijos, sufocá-la com eles.
Mas no que ele estava pensando? Vampiros não beijam assim por prazer, especialmente não outros vampiros. O sangue e a caça eram tudo. Beijar além do necessário para conquistar sua vítima era inútil, não levaria a lugar algum. Apenas idiotas sentimentais como o seu irmão se importavam com essa besteira. Um casal de vampiros poderia compartilhar o sangue de uma vítima, os dois bebendo de uma só vez, ambos controlando a mente da vítima, e usufruindo juntos da ligação mental, também. Era assim que obtinham prazer.
Ainda assim, Damon encontrava-se animado com a ideia de beijar Elena, de forçar seus beijos nela, de sentir o seu desespero para fugir dele de repente parar – com aquela pequena hesitação que chega pouco antes da resposta, antes de se entregar completamente a ele.
Talvez eu esteja enlouquecendo, pensou Damon, intrigado. Nunca tinha ficado louco antes, não que ele pudesse recordar, e ali estava algo de apelativo na ideia. Fazia séculos desde que sentiu este tipo de excitação.
Sorte sua, Damaris, pensou. Tinha chegado ao ponto onde a Rua Sycamore entrava na floresta antiga, e a estrada a partir dali era sinuosa e perigosa. Sem pensar, encontrou-se se virando em direção a Damaris para acordá-la novamente, registrando com satisfação que seus lábios eram suavemente cor de cereja, sem batom. Ele beijou-lhe levemente, então esperou por sua resposta.
Prazer. Ele podia ver sua mente aprovando o ato.
Olhou a estrada à frente e depois tentou novamente, desta vez segurando o beijo. Estava deliciado com sua resposta, com a resposta de ambos.
Isso era incrível. Tinha que ter algo a ver com a quantidade de sangue que ele tinha tomado, mais do que nunca em um único dia, ou a combinação...
Ele subitamente teve que desviar sua atenção de Damaris para a direção.
Um pequeno animal vermelho aparecera na estrada à sua frente como que por magia. Damon normalmente não sairia do seu caminho para atropelar coelhos, porcos-espinhos, e coisas do gênero, mas este o tinha irritado em um momento crucial. Ele agarrou o volante com as duas mãos, seus olhos negros e frios como gelo glacial das profundezas de uma caverna, e acelerou em direção à pequena coisa vermelha.
Não tão pequena – haveria um solavanco.
 Espere  ele murmurou para Damaris.
No último instante, a coisa avermelhada se desviou. Damon girou o volante para segui-la e, em seguida, encontrou-se de frente a uma vala. Apenas os super reflexos de um vampiro – e a pronta resposta de um veículo muito caro – o mantiveram para fora da vala. Felizmente Damon tinha ambos, girando em um círculo apertado, os pneus cantaram e fizeram fumaça em protesto.
E nenhum solavanco.
Damon saltou pra fora do carro em um movimento fluido e olhou ao redor. Mas seja lá o que fosse aquilo, tinha desaparecido completamente, tão misteriosamente quanto tinha aparecido.
Estranho.
Ele desejou não estar diretamente sob o sol, a luz brilhante da tarde reduzia severamente a sua acuidade visual. Mas teve um vislumbre de como a coisa chegou perto, e pereceu que tinha uma aparência deformada. Fino em uma extremidade e maior na outra.
Oh, bem.
Voltou para o carro, onde Damaris estava tendo um ataque de nervos. Ele não estava com vontade de consolar ninguém, então simplesmente colocou-a de volta para dormir. Ela caiu para trás no banco, deixando lágrimas para secar sobre suas bochechas.
Damon voltou para o carro ainda se sentindo frustrado. Mas agora sabia o que queria fazer hoje. Queria encontrar um bar – qualquer um, puído e barato ou imaculado e caro – e queria encontrar outro vampiro. Com Fell’s Church sendo um lugar tão propício no mapa, não deveria ser difícil encontrar algum nas áreas circundantes. Os vampiros e outras criaturas das trevas eram atraídos para lugares como esse, como abelhas a madressilvas.
E então arrumaria uma luta. Seria totalmente injusto – Damon era o vampiro mais forte, pelo que sabia – e, além disso, estava cheio como um carrapato do coquetel do sangue das melhores donzelas de Fell’s Church. Ele não se importava. Pareceu-lhe uma boa maneira para extravasar suas frustrações em algo, e – ele abriu aquele inimitável, incandescente sorriso para o nada – algum lobisomem ou vampiro ou Ghoul estava prestes a cumprir seu destino. Talvez mais do que um, se tivesse sorte o bastante de encontrá-los. Depois disso – a deliciosa Damaris como sobremesa.
A vida era boa, afinal. E a não vida, pensou Damon com seus olhos brilhando perigosamente por trás dos óculos escuros – era ainda melhor. Ele não se sentaria em um canto emburrado porque não poderia ter Elena imediatamente. Estava saindo para se divertir e se fortalecer, e então em algum momento muito próximo, iria até a casa de seu patético e covarde irmão mais novo e a pegaria. Ele passou o olhar no espelho retrovisor do carro por um instante. Por alguma aberração na iluminação ou inversão da atmosfera, pareceu ver seus olhos por trás das lentes escuras dos óculos, uma chama vermelha.

2 comentários:

  1. UAuuu
    Esse livro promete
    Super ansiosa pra acabar ♡
    To apaixonada pelo livro ♡

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  2. Gostaria muito de saber que bicho vermelho é esse que fica entrando nas pessoas por aii

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