15 de novembro de 2015

Capítulo 5

Segunda-feira, 8 de junho, 23:15
Querido Diário,
Não estou dormindo muito bem hoje a noite, então talvez seja melhor escrever em você. O dia todo estive esperando algo acontecer. Você não faz um feitiço como aquele e ver ele funcionar daquele jeito e então ver nada acontecer.
Mas nada aconteceu. Fiquei em casa invés de ir para escola porque minha mãe achou que eu deveria. Ela ficou chateada por Matt e Meredith terem ficado tão tarde na noite de domingo, e disse que eu precisava descansar um pouco. Mas toda vez que me deito vejo o rosto da Sue.
O pai da Sue fez o discurso no funeral da Elena. Me pergunto: quem vai fazer o de Sue na quarta?
Preciso parar de pensar em coisas assim.
Talvez eu tente dormir novamente. Talvez se eu me deitar com os meus fones, não veja Sue.


Bonnie colocou o diário de volta em sua gaveta do criado-mudo e pegou seu Walkman.
Passou pelos canais enquanto encarava o teto com olhos pesados.
Através do crepitar e da irrupção de estática uma voz de um DJ soou em seu ouvido.
— E aqui uma música clássica para todos os fabulosos fãs dos anos cinquenta. ‘Goodnight Sweetheart’ do selo Vee Jay pelos The Spaniels…
Bonnie se perdeu na música.


A vaca preta era de morango, a favorita de Bonnie. A jukebox estava tocando “Goonight Sweetheart” e a bancada estava muito limpa. Mas Elena, Bonnie decidiu, nunca teria realmente usado uma saia de poodle. 
— Nada de poodles, — disse, gesticulando para ela. Elena olhou para cima de seu hot fudge sundae (é um sundae que leva, geralmente, sorvete de baunilha, cauda quente de chocolate, chantilly, noz, e uma única cereja marasca). Seu cabelo loiro estava puxado para trás em um rabo de cavalo. — Quem pensa nessas coisas, de qualquer maneira? — Bonnie perguntou.
— Você pensa, bobinha. Só estou de visita. 
— Oh. — Bonnie tomou um gole da soda. Sonhos. Há uma razão para ter medo dos sonhos, mas não conseguia pensar nisso agora.
— Não posso ficar muito, — Elena disse. — Acho que ele já sabe que estou aqui. Eu só vim te contar... — Ela franziu a testa.
Bonnie olhou para ela simpaticamente. — Não consegue se lembrar também? — Bebeu mais soda. Tinha um gosto estranho.
— Morri jovem demais, Bonnie. Tinha tanto que deveria fazer, realizar. E agora tenho que ajudá-la.
— Obrigada, — Bonnie disse.
— Isso não é fácil, sabe. Não tenho tanto poder. É difícil passar, e é difícil manter-se sã.
— Tem que se manter sã, — Bonnie concordou, acenando. Estava se sentindo estranhamente tonta. O que tinha dentro dessa soda?
— Não tenho muito controle, e as coisas ficam estranhas de algum modo. Ele está fazendo isso, acho. Está sempre lutando contra mim. Ele observa você. E toda vez que tentamos nos comunicar, ele vem.
— Certo. — A sala estava flutuando.
— Bonnie, você está me escutando? Ele pode usar o seu medo contra você. É desse jeito que ele entra.
— Certo...
— Mas não deixe ele entrar. Diga isso a todos. E diga a Stefan... — Elena parou e colocou uma mão em sua boca. Algo caiu no hot fudge sundae. 
Era um dente.
— Ele está aqui. — A voz de Elena estava estranha, indistinta. Bonnie encarou o dente com um horror mesmerizante. Estava deitado no meio do chantilly, junto com os pedaços de amêndoa. — Bonnie, diga a Stefan...
Outro dente caiu, e outro. Elena soluçou, ambos as mãos em sua boca agora. Seus olhos estavam horrorizados, indefesos. — Bonnie, não vá...
Mas Bonnie estava cambaleando para trás. Tudo estava girando ao redor. A soda estava borbulhando para fora do copo, mas não era soda; era sangue. Vermelho vivo e espumoso, como algo que você tossia quando morria. O estômago de Bonnie convulsionou.
— Diga a Stefan que eu o amo! — Era a voz de uma velha desdentada, e encerrou com soluços histéricos. Bonnie ficou feliz de cair na escuridão e se esquecer de tudo.


Bonnie mordiscou a ponta de sua canetinha, olhos no relógio, sua mente no calendário. Mais oito dias e meio de escola para sobreviver. E parecia que cada minuto seria miserável.
Um cara disse diretamente, se afastando dela na escada. — Sem ofensa, mas os seus amigos ficam morrendo. — Bonnie tinha ido ao banheiro e chorado.
Mas agora tudo que queria era sair da escola, ficar longe dos rostos trágicos e dos olhos acusadores – ou pior, dos olhos de pena. O diretor tinha dado um discurso no amplificador sobre “esse novo infortúnio” e “essa terrível perda,” Bonnie tinha sentido os olhos em suas costas como se estivessem fazendo buracos lá.
Quando o sinal tocou, foi a primeira pessoa a sair pela porta. Mas ao invés de ir para sua próxima aula foi novamente para o banheiro, onde aguardou o próximo sinal. Então, uma vez que os corredores estavam vazios, se apressou na direção da ala de língua estrangeira. Passou por boletins e banners dos eventos do fim do ano sem olhar para eles. De que o vestibular adiantava, de que a formatura adiantava, de que qualquer coisa adiantava agora? Todos poderiam estar mortos no final do mês.
Ela quase deu um encontrão na pessoa parada no corredor. Seu olhar disparou para cima, saindo de seus próprios pés, para captar sapatos tipo dockside modernamente surrados, algum tipo estrangeiro. Acima deles estava uma calça jeans, apertando o corpo, velha o bastante para parecer suave debaixo de músculos fortes. Quadris estreitos. Belo peito. Rosto para deixar um escultor louco: boca sensual, maças do rosto altas. Óculos escuros. Cabelo preto ligeiramente desgrenhado. Bonnie ficou parada boquiaberta por um momento.
Ai, meu Deus. Eu esqueci o quanto ele é lindo, pensou. Elena, me perdoe; vou agarrá-lo.
Então sua mente a puxou com violência novamente para a realidade e ela lançou um olhar assustado ao redor. Ninguém estava à vista. Ela agarrou seu braço.
— Você está doido, aparecendo aqui? Está biruta? 
— Tive que achar você. Achei que fosse urgente.
— E é, mas... — Ele parecia tão incôngruo, parado ali no corredor da escola. Como uma zebra numa manada de ovelhas. Ela começou a puxá-lo na direção de um armário de vassouras.
Ele não estava indo. E era mais forte do que ela. — Bonnie, você disse que falou com...
— Você tem que se esconder! Vou chamar o Matt e a Meredith e trazer eles aqui, então nós podemos conversar. Mas se alguém vir você, provavelmente vai ser linchado. Teve outro assassinato.
O rosto de Stefan mudou, e a deixou empurrá-lo na direção do armário. Ele começou a dizer algo, então claramente decidiu não fazê-lo.
— Esperarei, — ele disse simplesmente.
Levou só alguns minutos para achar Matt na aula de mecânica e Meredith na de economia. Eles voltaram depressa para o armário de vassouras e tiraram Stefan da escola o mais discretamente possível, o que não foi muito.
Alguém deve ter nos visto, Bonnie pensou. Tudo depende de quem, e o quanto é fofoqueiro.
— Temos que levá-lo a um lugar seguro... não em nenhuma das nossas casas, — Meredith dizia. Estavam todos andando o mais rápido possível pelo estacionamento da escola.
— Ótimo, mas onde? Espera um minuto, e quanto à pensão... — A voz de Bonnie se dissipou. Havia um pequeno carro preto na vaga de estacionamento na frente dela. Um carro italiano, insinuante, talhado, e de aparência sexy. Todas as janelas estavam ilegalmente pintadas de preto; você nem ao menos podia ver dentro. Então Bonnie percebeu o emblema de garanhão atrás.
— Ai, meu Deus.
Stefan olhou para a Ferrari distraidamente. — É do Damon. 
Três pares de olhos viraram para ele em choque. — Do Damon? — Bonnie disse, ouvindo o guincho em sua própria voz. Esperava que Stefan tivesse querido dizer que Damon tinha apenas emprestado para ele.
Mas o vidro do carro estava descendo para revelar um cabelo preto tão insinuante e líquido quanto a pintura do carro, óculos de sol espelhados, e um sorriso muito branco. — Buon giorno, — disse Damon suavemente. — Alguém precisa de uma carona?
— Ai, meu Deus, — Bonnie disse novamente, debilmente. Mas não recuou.
Stefan estava visivelmente impaciente. — Vamos nos dirigir para a pensão. Você segue. Estacione atrás do celeiro para que ninguém veja o seu carro. 
Meredith teve que guiar Bonnie para longe da Ferrari. Não era como se Bonnie gostasse de Damon ou que fosse deixá-lo beijá-la novamente como tinha na festa do Alaric. Sabia que ele era perigoso; não tanto quanto Katherine tinha sido, talvez, mas mau. Ele matava desenfreadamente, só por diversão. Matara o Sr. Tanner, o professor de história, na festa de arrecadação de fundos Casa Assombrada no último Dia das Bruxas. Podia matar novamente a qualquer minuto. Talvez fosse por isso que Bonnie se sentia como um rato encarando a brilhante cobra negra quando olhou para ele.
Na privacidade do carro de Meredith, Bonnie e Meredith trocaram olhares.
— Stefan não devia ter trago ele, — disse Meredith.
— Talvez ele tenha simplesmente vindo, — Bonnie propôs. Não achava que Damon era o tipo de pessoa que era levada para qualquer lugar.
— Por que ele veio? Não para nos ajudar, com certeza. 
Matt disse nada. Nem parecia notar a tensão no carro. Simplesmente encarava o pára-brisa, perdido em si mesmo.
O céu estava ficando nublado.
— Matt?
— Deixe-o em paz, Bonnie, — disse Meredith.
Maravilha, pensou Bonnie, depressão se assentando como um cobertor escuro sobre ela. Matt, Stefan e Damon, todos juntos, todos pensando em Elena.
Estacionaram atrás do velho celeiro, próximo ao baixo carro preto. Quando foram para dentro, Stefan estava sozinho. Se virou e Bonnie viu que ele tinha tirado seus óculos de sol. Um ligeiro calafrio passou por ela, O mais leve levantar dos pelos dos braços e do pescoço dela. Stefan não era como qualquer outro cara que conhecera. Seus olhos eram tão verdes; verdes como as folhas de carvalho na primavera. Mas agora eles tinham sombras abaixo.
Houve um momento de embaraço; os três parados de um lado e olhando para Stefan sem dizer uma palavra. Ninguém parecia saber o que dizer.
Então Meredith foi até ele e tomou sua mão. — Você parece cansado, — disse.
— Eu vim o mais cedo que pude. — Ele colocou um braço ao redor dela em um breve e quase hesitante abraço. Nunca teria feito isso nos velhos tempos, Bonnie pensou. Costumava ser tão reservado.
Ela foi para frente para dar seu próprio abraço. A pele de Stefan estava fria debaixo da camiseta, e ela teve que se forçar a não tremer. Quando recuou, seus olhos estavam flutuando. O que sentia agora que Stefan Salvatore estava de volta a Fell’s Church? Alívio? Tristeza pelas memórias que ele trazia consigo? Medo? Tudo que podia afirmar era que queria chorar.
Stefan e Matt estavam olhando um para o outro. Aqui vamos nós, pensou Bonnie. Era quase engraçado; a mesma expressão no rosto de ambos. Mágoa e cansaço, e tentando não demonstrar isso. Não importava o que, Elena sempre ficaria entre eles.
Por fim, Matt estendeu sua mão e Stefan a apertou. Ambos deram um passo para trás, parecendo felizes por terem acabado com isso.
— Onde está Damon? — disse Meredith.
— Procurando ao redor. Pensei que podíamos querer uns minutos sem ele.
— Queremos umas décadas sem ele, — Bonnie disse antes que pudesse se impedir, e Meredith disse:
— Ele não pode ser confiado, Stefan.
— Acho que está errada, — Stefan disse silenciosamente. — Ele pode ser de grande ajuda se assim o decidir.
— Entre matar alguns dos habitantes locais uma noite ou outra?— Meredith disse, suas sobrancelhas erguidas. — Não devia tê-lo trago, Stefan. 
— Mas ele não trouxe. — A voz veio de trás de Bonnie, atrás e assustadoramente próxima. Bonnie pulou e atirou-se instintivamente para Matt, que agarrou seu ombro.
Damon sorriu brevemente, só um canto de sua boca erguido. Tinha tirado seus óculos de sol, mas seus olhos não eram verdes. Eles eram pretos como os espaços entre as estrelas. Ele é quase mais bonito do que o Stefan, Bonnie pensou selvagemente, achando os dedos de Matt e se segurando neles.
— Então ela é sua agora, não é? — Damon disse para Matt casualmente.
— Não, — Matt disse, mas seu agarro em Bonnie não afrouxou.
— Stefan não trouxe você? — induziu Meredith do outro lado. De todos eles, ela parecia menos afetada por Damon, com menos medo dele, menos suscetível a ele.
— Não, — Damon disse, ainda olhando para Bonnie. Ele não vira como as outras pessoas, ela pensou. Ele continua olhando para o que quiser não importa com quem esteja falando. — Você trouxe. 
— Eu? — Bonnie contraiu-se um pouco, incerta do que ele queria dizer.
— Você. Você fez o feitiço, não fez? 
— Oh... — Ah, diabos. Uma imagem brotou na mente de Bonnie, de cabelo preto em um guardanapo branco. Seus olhos foram para o cabelo de Damon, mais fino e liso do que o de Stefan, mas tão escuro quanto. Obviamente Matt tinha cometido um erro na separação.
A voz de Stefan estava impaciente. — Você nos chamou, Bonnie. Viemos. O que está havendo?
Sentaram-se no embrulho decadente de feno, todos exceto Damon, que permaneceu de pé. Stefan estava se inclinando para a frente, as mãos nos joelhos, olhando para Bonnie.
— Você me disse... disse que a Elena falou com você. — Houve uma perceptível pausa antes que pudesse falar o nome. Seu rosto estava tenso com controle.
— Sim. — Ela conseguiu sorrir para ele. — Tive esse sonho, Stefan, esse sonho muito estranho...
Contou a ele sobre isso, e sobre o que aconteceu depois. Levou um tempão. Stefan escutou intensamente, seus olhos verdes chamejando toda vez que ela mencionava Elena. Quando contou sobre o fim da festa de Caroline e sobre como acharam o corpo de Sue no quintal, o sangue esvaiu-se de seu rosto, mas ele não disse nada.
— A polícia veio e disse que ela estava morta, mas já sabíamos disso, — Bonnie terminou. — E levaram a Vickie embora... a pobre Vickie estava simplesmente delirando. Não nos deixaram falar com ela, e a mãe dela desliga se ligamos. Algumas pessoas estão até mesmo dizendo que Vickie fez isso, o que é insano. Mas eles não acreditarão que Elena falou conosco, então não acreditarão em nada que ela disse. 
— E o que ela disse foi ‘ele,’ — Meredith interrompeu. — Diversas vezes. É um homem; alguém com muitos poderes psíquicos.
— E foi um homem que agarrou a minha mão no corredor, — disse Bonnie. Ela contou a Stefan sua suspeita sobre Tyler, mas como Meredith apontou, Tyler não se encaixava no resto da descrição.
Ele não tinha nem o cérebro nem o poder psíquico para ser quem Elena estava avisando-as sobre.
— E quanto a Caroline? — Stefan perguntou. — Será que ela viu algo? 
— Ela estava lá na frente, — Meredith disse. — Achou a porta e saiu enquanto estávamos todas correndo. Ouviu os gritos, mas estava assustada demais para voltar para a casa. E para ser honesta, não a culpo. 
— Então ninguém realmente viu o que aconteceu exceto a Vickie. 
— Não. E Vickie vai dizer nada. — Bonnie continuou a história de onde havia parado. — Uma vez que percebemos que ninguém acreditaria em nós, nos lembramos da mensagem da Elena sobre o feitiço de convocação. Nós achamos que devia ser você quem ela queria convocar, porque pensou que você podia fazer algo para ajudar. Então... pode? 
— Posso tentar, — Stefan disse. Ele se levantou e andou um pouco para longe, virando as costas para eles. Ficou daquele jeito em silêncio por um momento, sem se mover. Por fim se virou de volta e olhou Bonnie nos olhos. — Bonnie, — ele disse, silenciosamente, mas intenso, — nos seus sonhos você falou realmente com a Elena cara a cara. Acha que se entrar em transe poderia fazer isso novamente?
Bonnie ficou um pouco assustada com o que ela viu em seus olhos. Eram chamejantes esmeraldas verdes em seu rosto pálido. De uma só vez foi como se ela pudesse ver atrás da máscara de controle que ele usava. Debaixo havia tanta dor, tanto desejo – tanta intensidade que mal conseguia suportar olhar.
— Eu podia, talvez... mas Stefan... 
— Então faremos isso. Bem aqui, bem agora. E veremos se pode me levar com você. — Aqueles olhos eram hipnotizantes, não com qualquer Poder escondido, mas com a absoluta força de sua vontade. Bonnie queria fazer aquilo por ele – ele a fez querer fazer qualquer coisa por ele. Mas a memória daquele último sonho era demais. Não podia suportar aquele horror novamente; não podia.
— Stefan, é perigoso demais. Posso estar me abrindo para qualquer coisa – e tenho medo. Se essa coisa tomar controle da minha mente, não sei o que pode acontecer. Não posso, Stefan. Por favor. Mesmo com o tabuleiro de Ouija, estamos simplesmente convidando ele a entrar. 
Por um momento achou que ele fosse tentar fazê-la fazer isso. Sua boca se apertou em uma linha obstinada, e seus olhos flamejaram ainda mais brilhantemente. Mas então, lentamente, o fogo deles morreu.
Bonnie sentiu seu coração rasgar. — Stefan, sinto muito, — sussurrou.
— Teremos que fazer isso por conta própria, — ele disse. A máscara estava de volta, mas seu sorriso parecia duro, como se o machucasse. Então falou mais rapidamente. — Primeiro temos que descobrir quem é o assassino, o que ele quer aqui. Tudo o que sabemos é que algo malvado veio para Fell’s Church novamente.
— Mas por quê? — disse Bonnie. — Por que qualquer coisa malvada simplesmente escolhe aqui? Não sofremos o bastante?
— Parece uma coincidência um pouco estranha, — Meredith disse de maneira engraçada. — Por que somos tão unicamente abençoados? 
— Não é coincidência, — disse Stefan. Ele se levantou e ergueu sua mão como se não tivesse certeza de como começar. — Há alguns lugares nesse planeta que são... diferentes, — disse. — Estão cheios de energia psíquica, tanto positiva quanto negativa, boa e má. Alguns desses lugares sempre foram desse jeito, como o Triângulo das bermudas e Salisbury, o lugar onde construíram Stonehenge. Outros se tornam assim, especialmente quando muito sangue foi derramado. — Ele olhou para Bonnie.
— Espíritos inquietos, — ela sussurrou.
— Sim. Houve uma batalha aqui, não houve? 
— Na Guerra da Secessão, — Matt disse. — Foi assim que a Igreja no cemitério ficou arruinada. Foi um massacre de ambos os lados. Ninguém ganhou, mas quase todos que lutaram foram mortos. A floresta é cheia de seus túmulos. 
— E o solo foi encharcado de sangue. Um lugar que atrai os sobrenaturais. Atrai o mal. Foi por isso que Katherine foi atraída para Fell’s Church em primeiro lugar. Senti isso também, quando vim para cá na primeira vez.
Bonnie afobadamente tomou um gole. — Bom, — disse verdadeiramente.
— Quando terminarem, joguem os copos no lixo. Gosto das coisas organizadas. — A Sra. Flowers lançou um olhar pelo celeiro, balançando sua cabeça e suspirando. — Que pena. Uma garota tão bonita. — Ela olhou para Stefan com olhos penetrantes como os de contas de ônix. — Teve seu trabalho cortado para você dessa vez, garoto, — disse, e se foi, ainda balançando sua cabeça. 
— Ora! — disse Bonnie, encarando ela, impressionada. Todos os olhos simplesmente olharam uns para os outros inexpressivamente.
— ’Uma garota tão bonita’ – mas qual? — disse Meredith por fim. — Sue ou Elena? — Elena tinha na verdade passado mais ou menos uma semana nesse mesmo celeiro no inverno passado – mas a Sra. Flowers não devia saber disso.
— Você disse algo a ela sobre nós? — Meredith perguntou para Damon.
— Nenhuma palavra. — Damon parecia divertido. — Ela é uma velha senhora. Está caduca. 
— Ela é mais astuta do que qualquer um de nós lhe dá crédito, — Matt disse. — Quando penso nos dias que passamos observando-a fazendo cerâmica naquele porão – vocês acham que ela sabia que estávamos observando? 
— Não sei o que pensar, — Stefan disse vagarosamente. — Só estou feliz por ela parecer estar do nosso lado. E nos deu um lugar seguro para ficar.
— E suco de uva, não se esqueça disso. — Matt sorriu para Stefan. — Quer um pouco? — Ele ofereceu o copo furado.
— É, você pode pegar o seu suco de uva e... — Mas o próprio Stefan estava quase sorrindo. Por um instante Bonnie viu os dois do jeito que costumavam ser, antes de Elena morrer. Amigáveis, quentes, tão confortáveis juntos quanto ela e Meredith eram. Uma dor passou por ela.
Mas Elena não está morta, pensou. Está mais aqui do que nunca. Está direcionando tudo o que dizemos e fazemos.
Stefan sossegou novamente. — Quando a Sra. Flowers entrou, eu estava prestes a dizer que era melhor começarmos. E acho que devíamos começar pela Vickie.
— Ela não nos receberá, — Meredith retrucou instantaneamente. — Seus pais estão mantendo todos longe.
— Então teremos simplesmente que passar por cima dos pais dela, — Stefan disse. — Vem conosco, Damon? 
— Visitar outra garota bonita? Eu não perderia. 
Bonnie se virou para Stefan com alarme, mas ele falou reasseguradamente enquanto guiava-a para fora do celeiro. — Vai ficar tudo bem. Ficarei de olho nele.
Bonnie esperava que sim.

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