13 de novembro de 2015

Capítulo 5

O doutor Feinberg, pensou Elena frenética, tentando se retorcer para olhar e se afundar simultaneamente nas sombras. Mas não foi o rosto pequeno e o nariz de gavião do doutor que apareceu diante de seus olhos. O tempo se suspendeu por um momento e logo depois Elena estava em seus braços.
— Ah, Stefan, Stefan...
Sentiu como o corpo dele ficava rígido pelo sobressalto e como a sujeitava mecanicamente, ligeiramente, como se fosse uma desconhecida que o havia confundido com outra pessoa.
— Stefan — repetiu ela desesperada, afundando o rosto em seu ombro enquanto tentava conseguir alguma reação.
Não podia suportar que ele a rejeitasse; se ele a odiava agora, ela morreria...
Com um gemido, tentou abraçar-se ainda mais a ele, desejou fundir-se por completo nele, desaparecer em seu interior. Ah, por favor, pensou, ah, por favor, ah, por favor...
— Elena, está tudo bem. Estou com você.
Continuou falando, repetindo bobagens carinhosas pensadas para tranquilizá-la, de vez em quando acariciava seus cabelos. E ela pôde perceber a mudança quando os braços dele se estreitaram com mais força. Ele sabia quem abraçava naquele momento. Pela primeira vez, desde que acordara nesse dia, Elena se sentia a salvo. Não obstante, transcorreu um bom tempo antes que pudesse relaxar as mãos que o sujeitavam, ainda que só ligeiramente. Não chorava; expressava pressa e pânico.
Por fim, sentiu que o mundo começava a consolidar-se a seu redor. Não se soltou, ainda não. Simplesmente permaneceu ali durante um sem-fim de minutos com a cabeça sobre seu ombro, absorvendo o consolo e a segurança de sua proximidade.
Logo levantou a cabeça para olhá-lo nos olhos.
Ao pensar em Stefan nas primeiras horas daquele dia, pensara em como podia ajudá-la. Sua intenção fora de lhe perguntar, lhe suplicar que a salvasse daquele pesadelo, que fosse com era antes. Mas, naquele momento, enquanto a olhava, sentiu que uma estranha resignação desesperançosa fluía por ela.
— Não há nada que possa fazer, não é? — inquiriu com a voz muito pausada.
Ele não fingiu ignorar o que ela queria dizer.
— Não — respondeu com a voz igualmente pausada.
Elena sentiu como se tivesse dado um passo definitivo para o outro lado de uma linha invisível e não tivesse como voltar. Quando pôde voltar a falar, disse:
— Lamento o modo como agi com você no bosque. Não sei porque fiz essas coisas. Lembro de tê-las feito, mas não consigo lembrar porquê. 
— O que você lamenta? — a voz dele tremia. — Elena, depois de tudo  o que fiz a você, de tudo que aconteceu por minha causa...
Não pôde terminar e abraçaram um ao outro.
— Muito comovente — disse uma voz das escadas. — Quer que eu imite um violino?
A calma de Elena se desfez e o medo serpenteou por sua corrente sanguínea. Esquecera a hipnótica intensidade de Damon e seus ardentes olhos negros.
— Como chegou aqui? — inquiriu Stefan.
— Do mesmo modo que você, suponho. Atraído pelo chamativo sinal de aflição de Elena.
Damon estava realmente irritado; Elena se deu conta. Não simplesmente irritado ou incomodado, mas sim, cólera e hostilidade em vermelho vivo.
Mas fora gentil quando ela se mostrara confusa e irracional. A levara a um lugar onde ficar; manteve-a a salvo. E não a havia beijado enquanto ela se encontrava naquele horripilante estado de vulnerabilidade. Ele fora... amável.
— Com certeza, algo acontece ali embaixo — comentou Damon.
— Eu sei; é Bonnie outra vez — disse Elena, soltando-se de Stefan e retrocedendo.
— Não me refiro a isso, e sim ao que ocorre lá fora.
Sobressaltada, Elena o seguiu escada abaixo até o último degrau, onde havia uma janela que dava para o estacionamento. Sentiu Stefan atrás dela enquanto olhava para baixo, para a cena que se desenrolava a seus pés.
Um monte de gente saíra da igreja e formava uma sólida falange no extremo do estacionamento, sem avançar mais. Em frente a eles, no estacionamento, havia uma reunião igualmente grande de cachorros.
Pareciam dois exércitos frente a frente. Não obstante, o que era inquietante era que ambos os grupos estavam totalmente imóveis. As pessoas pareciam paralisadas e os cachorros pareciam aguardar alguma coisa.
Elena viu os cachorros primeiro como diferentes rosnados. Havia cachorros pequenos como corgis de cara afinada, terriers de sedoso pelo castanho e negro e um lhasa apso com um longo pelo dourado. Havia cachorros de tamanho médio como springer spaniels e aireadles e um lindo samoyedo branco como a neve. E havia cachorros grandes: um rottweiler fornido com o pelo cortado, um wolfhound cinza que latia e um schnauzer gigante, totalmente preto. Logo depois começou a reconhecê-los individualmente.
— Aquele é o boxer do Sr. Grunbaum e ali está o pastor alemão dos Sullivan. Mas o que está acontecendo?
As pessoas, a princípio inquietas, pareciam agora assustadas. Mantinham-se ombro a ombro, sem que ninguém quisesse abandonar a primeira fileira e se aproximar mais dos animais.
Entretanto, os cachorros na realidade não faziam nada, simplesmente estavam sentados ou de pé, alguns com a língua pendurada em um leve balançar.
— O mais estranho é o quão imóveis estão — disse Elena.
Cada menor movimento, com a mais imperceptível crispação do rabo ou das orelhas, parecia enormemente exagerado. E não se viam rabos em movimento nem sinais amistosos. Simplesmente... esperavam.
Robert estava mais ou menos na parte posterior do grupo de pessoas. Elena se surpreendeu em vê-lo, mas por um momento não entendeu o motivo. Logo compreendeu que era devido a ele não ter estado na igreja. Enquanto o observava, ele se afastou mais do grupo e desapareceu abaixo do parapeito situado por baixo de onde Elena estava.
— Chelsea! Chelsea...
Alguém havia abandonado a primeira fila por fim. Era Douglas Carson, notou Elena, o irmão mais velho, casado, de Sue Carson. Havia penetrado na terra de ninguém situada entre os cachorros e as pessoas, com uma mão ligeiramente estendida...
Um springer spaniel de orelhas longas que pareciam de cetim marrom virou a cabeça. O toco branco que era o rabo estremeceu levemente, inquisitivo, e o toquinho castanho e branco se levantou. Mas a cadela não se aproximou do jovem.
Doug Carson deu outro passo.
— Chelsea... boa garota. Vem aqui, Chelsea. Vem! — estalou os dedos.
— Você sente os cachorros aí embaixo? — murmurou Damon.
Stefan moveu negativamente a cabeça sem tirar os olhos da janela.
— Nada — disse em tom sucinto.
— Tampouco eu — os olhos de Damon estavam entrecerrados, a cabeça inclinada para trás, evasiva, ainda que os dentes levemente descobertos fizessem Elena se lembrar de um cão de caça. — Mas deveríamos fazer isso, você sabe. Deveriam haver algumas emoções para captar. Em vez disso, cada vez que tento sondá-los é como me chocar em uma parede branca.
Elena queria saber do que falavam.
— O que quer dizer com “sondá-los”? — perguntou. — São animais.
— As aparências enganam — revidou Damon em tom irônico, e Elena pensou nos reflexos em forma de arco-íris nas penas do corvo que a havia seguido desde o primeiro dia de escola. Se olhasse com atenção, podia ver aqueles mesmos reflexos de arco-íris no cabelo sedoso de Damon. — Mas animais têm emoções, em todo o caso. Se seus Poderes são o bastante fortes, pode examinar suas mentes.
E os meus não são, pensou Elena. Sobressaltou-a a pontada de inveja que a percorreu. Apenas uns poucos minutos antes estava abraçada a Stefan, desejando freneticamente se desfazer de qualquer tipo de poderes que tivesse, desejando voltar a ser como antes. E agora desejava que fosse mais potente. Damon sempre tinha um efeito sobre ela.
— Posso não se capaz de sondar Chelsea, mas não acho que Doug deva se aproximar mais — disse em voz alta.
Stefan havia estado olhando fixamente a janela, com o cenho franzido, e agora assentiu levemente, mas com uma repentina sensação de urgência.
— Eu também acho — disse.
— Vamos, Chelsea, seja uma boa garota. Venha aqui.
Doug Carson alcançara a primeira fila de cachorros. Todos os olhos, humanos e caninos, estavam fixos nele, e inclusive movimentos tão pequenos quanto pequenos tremores haviam parado. Se Elena não tivesse visto as barrigas de um ou dois cachorros se moverem respirar, podia ter pensado que todo o grupo era uma exibição gigante de um museu.
Doug se deteve. Chelsea o observava detrás do corgi e do samoyedo. Doug estalou a língua. Esticou a mão, vacilou, e então a esticou mais.
— Não — disse Elena.
A garota contemplava fixamente a silhueta lustrosa do rottweiler. Sua lateral inchava e esvaziava, inchava e esvaziava.
— Stefan, o influencie. Tire-o dali.
— Sim.
Viu como seu olhada se desfocava devido a concentração. Logo Stefan sacudiu negativamente a cabeça, exalando como alguém que tentou levantar algo muito pesado.
— Não consigo; estou esgotado. Não posso fazer daqui.
Abaixo, os lábios de Chelsea se afastaram para trás para mostrar os dentes. A aireadle castanha e dourada se pôs em pé em um movimento de suma elegância, como se fios fossem tirados dela. Os quadris traseiros do rottweiler se contraíram.
E então saltaram. Elena não viu qual dos cachorros foi o primeiro; pareceram se mover juntos como uma enorme onda. Meia dúzia deles caiu sobre Doug Carson com força o suficiente para derrubá-lo de costas, e este desapareceu embaixo dos seus corpos amontoados.
O ar se encheu de um ruído infernal, desde latidos metálicos que pareciam tremer as vigas da igreja e produziram em Elena uma dor de cabeça instantânea até os grunhidos guturais seguidos que sentiu mais do que escutou. Os cachorros arrancavam a roupa, grunhiam, se balançavam, enquanto a multidão se empertigava e gritava.
Elena pôde ver Alaric Saltzman no extremo do estacionamento, o único ali que não corria. Estava de pé muito rígido e parecia mover os lábios e as mãos.
Em todos os outros lugares reinava o caos. Alguém havia conseguido uma mangueira e a dirigia contra o grupo mais maciço, mas não causava nenhum efeito. Os cachorros pareciam ter enlouquecido. Quando Chelsea levantou o focinho castanho e branco do corpo de seu dono, ele estava vermelho.
O coração de Elena batia de tal modo que só podia respirar.
— Eles precisam de ajuda! — gritou justo quando Stefan se afastava violentamente da janela e ia escada abaixo, descendo dois ou três degraus de uma vez.
Elena havia descido metade da escada quando percebeu duas coisas: Damon não a seguia e ela não podia se deixar ser vista.
A verdade era que não podia. A histeria que provocaria, as perguntas, o medo e o ódio uma vez que respondesse as perguntas... Algo que a impulsionava mais profundamente que a compaixão, a lástima ou a necessidade de ajudar a atirou para trás, arrastando-se contra a parede.
No pouco iluminado e fresco interior da igreja, distinguiu uma bolsa efervescente de atividade. As pessoas corriam a toda velocidade de um lado para o outro, gritando. O Dr. Feinberg, o Sr. McCullough, o reverendo Bethea. O ponto imóvel do grupo era Bonnie, tombada sobre um banco com Meredith, tia Judith e a Sra. McCullough inclinadas sobre ela.
— Algo maligno, — gemia, e então a cabeça de tia Judith se levantou, virando em direção a Elena.
Elena escapou escada acima tão rápido quanto pôde, rezando para que sua tia não a tivesse visto. Damon estava junto à janela.
— Não posso descer. Acham que estou morta!
— Oh, você se lembrou disso. Bom para você. 
— Se o Dr. Feinberg me examinar, saberá que algo não vai bem, não é? — exigiu com ferocidade.
— Pensará que é um espécime interessante, acredito.
— Então não posso ir. Mas você pode. Por que não faz alguma coisa?
Damon seguiu olhando pela janela e suas sobrancelhas levantaram.
— Por quê?
— Como por quê? — a grande preocupação e a excitação de Elena alcançaram o ponto máximo e ela quase o esbofeteou. — Porque precisam de ajuda! Porque você pode ajudar. Não se importa com ninguém além de si mesmo?
Damon reluzia sua máscara mais indestrutível, a expressão de educada inquisição que havia mostrado quando se convidou para jantar na casa de Elena. Mas ela sabia que sob aquela máscara estava furioso, furioso por tê-los encontrado juntos. Atormentava-a de propósito e com selvagem divertimento.
E ela não podia evitar reagir daquele modo, com uma cólera frustrada e impotente. Foi até ele, e ele a segurou pelos pulsos e a manteve à distância, seus olhos entediados. Sobressaltou-a ouvir o som que surgiu de seus próprios lábios então; era um chiado que parecia mais felino que humano. Reparou que tinha os dedos curvados como garras.
O que estou fazendo? Atacá-lo porque não quer defender as pessoas dos cachorros que os estão atacando? Que sentido tem isso? Respirando com dificuldade, relaxou as mãos e umedeceu os lábios. Retrocedeu e ele a soltou.
Houve um longo momento enquanto olhavam um para o outro.
— Vou descer — anunciou Elena em voz pausada e se virou.
— Não.
— Eles precisam de ajuda.
— Tudo bem, então, maldita seja — jamais havia ouvido a voz de Damon soar tão pausada e furiosa. — Eu... — interrompeu e Elena, virando-se rapidamente, o viu estalar um punho contra o parapeito da janela, fazendo o vidro vibrar.
Mas a atenção de Damon estava lá fora e sua voz estava perfeitamente serena quando disse em tom seco:
— A ajuda chegou.
Eram os bombeiros. Suas mangueiras e os jorros de água eram muito mais potentes que a mangueira de jardim, e a pressão empurrou os cachorros para trás com sua terrível potência. Elena viu um xerife com uma arma e se mordeu o interior da bochecha quando ele apontou e ajustou a mira. Escutou um estalido e o schnauzer gigante caiu abatido. O xerife voltou a apontar.
Finalizou rapidamente depois disso. Vários cachorros já corriam, fugindo dos jorros d’água, e com o segundo estampido da pistola, muitos mais abandonaram o ataque e foram até os extremos do estacionamento. Era como se o propósito que os havia guiado os tivesse liberado todos de uma vez. Elena sentiu uma onda de alívio ao ver Stefan de pé, ileso, no meio da debandada, empurrando um golden retriever de aspecto atordoado longe da figura de Doug Carson. Chelsea deu um passo na ponta das patas até a figura de seu dono e olhou seu rosto, deixando cair a cabeça e o rabo.
— Tudo terminou — anunciou Damon.
Soou apenas levemente interessado, mas Elena o viu com vivacidade. “Tudo bem, então, maldita seja. Eu...” o quê? O ele estava a ponto de dizer? Damon não estava com humor para terminar, mas ela sim estava com humor para insistir.
— Damon... — pousou uma mão sobre seu braço.
Ele ficou rígido, então se virou para ela.
— Bem?
Por um momento, permaneceram olhando um para o outro, então escutaram passos na escada. Stefan tinha voltado.
— Stefan... está ferido? — ela tagarelou, repentinamente desorientada.
— Estou perfeito — limpou o sangue da bochecha com uma manga esfarrapada.
— Como está Doug? — perguntou Elena, engolindo saliva.
— Não sei. Está ferido. Tem muita gente ferida. Essa foi a coisa mais estranha que já vi.
Elena se afastou de Damon e subiu a escada para entrar na galeria do coro. Sentia que devia pensar, mas sua cabeça martelava. A coisa mais estranha que Stefan já vira... isso era dizer muito. Algo estranho ocorria em Fell’s Church.
Alcançou a parede atrás da última fileira de assentos e pousou a mão sobre ela, se deixando cair até estar sentada no chão. As coisas pareciam cada vez confusas e aterradoramente claras. Algo estranho ocorria em Fell’s Church. No dia da festa do fundador, havia jurado que não se importava com cidade ou com as pessoas que viviam ali. Enquanto abaixava a vista para contemplar o funeral, havia começado a pensar que talvez se importasse. E então, quando os cachorros haviam atacado lá fora, sabia. Se sentia de algum modo responsável pela cidade, de um modo como nunca se sentira.
Seu sentimento anterior de desconsolo e solidão haviam ficado de lado por um tempo. Agora havia algo mais importante que seus próprios problemas. E ela se agarrou a aquilo, porque a verdade era que na realidade era incapaz de lidar com sua própria situação. Não, realmente, não podia...
Ouviu o meio soluço sufocado que emitiu e ao levantar os olhos viu Stefan e Damon na galeria do coro, olhando-a. Sacudiu ligeiramente a cabeça, apoiando uma mão contra ela, sentindo como se saísse de um sonho.
— Elena...? 
Foi Stefan que falou, mas Elena se dirigiu ao outro irmão.
— Damon — disse com a voz insegura — se eu perguntasse uma coisa, você me diria a verdade? Sei que não foi você que me perseguiu até a Ponte Wickery. Pude perceber que fosse o que fosse, era diferente. Mas quero perguntar isso: foi você quem jogou Stefan em um poço artesanal há um mês?
— Em um poço?
Damon se encostou contra a parede oposta, com os braços cruzados sobre o peito; parecia educadamente incrédulo.
— Na noite do Halloween, na noite em que mataram o Sr. Tanner. Depois que apareceu pela primeira vez para Stefan no bosque. Ele me disse que o deixou na clareira e começou a andar até o carro, mas que alguém o atacou antes que o alcançasse. Quando acordou, estava preso em um poço, e teria morrido se Bonnie não nos tivesse levado até ele. Sempre assumi que foi você que o atacou. Ele sempre assumiu que você o fez. Mas foi você?
O lábio de Damon se curvou, como se não gostasse da exigente intensidade da pergunta. Mudou o foco dela para Stefan com olhos entrecerrados e brincalhões. O momento se prolongou até o ponto que Elena teve que cravar as unhas nas palmas das mãos pela tensão. Então Damon deu de ombros e olhou a um ponto indeterminado situado mais além.
— A verdade é que não — respondeu.
Elena soltou o ar que havia retido.
— Não pode acreditar nisso! — estalou Stefan. — Não pode acreditar em nada que ele diga.
— Por que teria que mentir? — replicou Damon, desfrutando, ao ver que Stefan perdia o controle. — Admito sem arrependimento ter matado Tanner. Bebi seu sangue até que se enrugou como uma uva passa. E não me importaria de fazer o mesmo contigo, irmão. Mas, um poço? Não é precisamente meu estilo.
— Acredito em você — disse Elena.
Sua mente pensava freneticamente. Virou a cabeça para Stefan.
— Não percebe? Há algo mais aqui, em Fell’s Church, algo que não podia ser sequer humano... que possa nunca ter sido humano, quero dizer. Algo que me caçou, que empurrou o carro para fora da ponte. Algo que fez que esses cachorros atacarem as pessoas. Há alguma força terrível aqui, algo maligno... — sua voz se apagou, e olhou mais além, até o interior da igreja que havia visto Bonnie deitada. — Algo maligno... — repetiu em voz baixa.
Um vento frio pareceu soprar dentro dela e se encolheu contra si mesma, sentindo-se vulnerável e só.
— Se procura maldade — indicou Stefan com a voz dura — não precisa procurar muito longe.
— Não seja mais estúpido do que não pode evitar ser — disse Damon. — Eu disse a você há quatro dias que outra pessoa havia matado Elena. E disse que ia encontrá-lo e dar conta dele. E vou fazê-lo — descruzou os braços e se ergueu. — Vocês dois podem continuar a conversa em particular que tinham quando os interrompi.
— Damon, espera.
Elena não pôde evitar o calafrio que a percorreu quando ele disse “matado”.
Não podem ter me matado; ainda estou aqui, pensou, sentindo que o pânico voltava a crescer em seu interior. Mas nesse momento afastou o pânico para um lado para falar com Damon.
— Seja lá o que for essa coisa, é forte — disse. — Eu a senti quando ia atrás de mim e parecia encher todo o céu. Não acredito que nenhum de nós tenha a menor possibilidade contra ela.
— E então?
— E então... — Elena não teve tempo de ordenar seus pensamentos até aquele ponto; se movia puramente por instinto, por intuição. E a intuição lhe dizia que não deixasse Damon ir. — E então... acredito que nós três deveríamos permanecer juntos. Acredito que temos maiores probabilidade de encontrá-lo e dar conta juntos do que separados. E talvez possamos detê-lo antes que machuque... ou mate... alguém mais.
— Francamente, minha querida, não me importo nem um pouco com as outras pessoas — respondeu Damon em tom encantador; depois lhe dedicou seus gélidos sorrisos relâmpagos. — Mas está sugerindo que essa é sua escolha? Lembre-se, nós concordamos que quando estivesse mais racional, você escolheria um.
Elena o olhou com firmeza. Estava claro que essa não era sua escolha, se ele dizia no ponto de vista romântico. O anel que Stefan lhe dera reluzia; ela e Stefan pertenciam um ao outro.
Mas então lembrou-se de algo mais; apenas algo fugaz: levantar os olhos para Damon no bosque e sentir tal... tal excitação, tal afinidade com ele. Como se ele compreendesse a chama que ardia em seu interior como ninguém mais. Como se juntos pudessem fazer qualquer coisa que quisessem, conquistar o mundo ou destruí-lo; como se fossem melhores do que todos que já viveram antes.
Eu estava irracional, disse a si mesma, mas aquela pequena lembrança fugaz não queria desaparecer.
E depois lembrou de algo mais: o modo como Damon fora mais tarde aquela noite, como a havia mantido a salvo e inclusive fora amável.
Stefan a olhava e sua expressão mudara de belicosidade para raiva amarga e depois medo. Uma parte dela queria tranquilizá-lo por completo, envolvê-lo com os braços e dizer-lhe que era sua e sempre seria, e que nada mais importava. Nem a cidade, nem Damon, nem ninguém.
Mas não o faria. Porque outra parte de seu ser se importava com a cidade. E porque outra parte mais estava simplesmente confusa de um modo terrível, terrível. Tão confusa...
Sentiu que um terrível tremor se iniciava no mais profundo de seu ser e logo descobriu que não podia detê-lo. Sobrecarga emocional, pensou, e afundou a cabeça entre as mãos.

5 comentários:

  1. Vamos encher novamente essas páginas de comentários \o/

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  2. Migs... Elena...
    Isso não é sobrecarga emocional... E c* doce mesmo! Cê quer o Stefan e no fundo sabe disso! Pega o men e me dá o Damon. Creio que ninguém se importaria... Né?

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  3. Eu prefiro a Elena com o Stefan do que com o Deamon

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  4. Estamos aí, essa page precisa de um agito. De sombrio já não basta o Livro

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