4 de novembro de 2015

Capítulo 5

Dragon sorriu enquanto o rosto da jovem sacerdotisa ruborizava.
― Você confundiu a minha intenção ― ela falou.
― Você mesmo disse – estava lançando um feitiço de atração. Escutei quando falou o meu nome. Obviamente, estava atraindo-me ― fez uma pausa, pensando que tudo tinha sentido agora ― não me estranha que deixei Shaw e o restante dos guerreiros para ir para casa por conta própria desde o porto. Pensei que fosse devido a Biddle. Eu já o tinha visto antes de ir aos Jogos Vampíricos, assim já sabia que não gostava dele, mas esta noite foi tão dura, tão estranha, que suponho que me fez sentir diferente também, quase como se eu não pudesse respirar, e necessitasse estar aqui fora, onde há ar, espaço e... ― ele se interrompeu, rindo um pouco e mostrando o indício de seu famoso sorriso ― mas não importa. A verdade é que estou aqui porque me deseja ― ele coçou o queixo, considerando ― não nos conhecemos ainda. Eu me lembraria de tal beleza. Foi minha reputação pela proeza com a espada que captou seu interesse ou foi um tipo de proeza mais pessoal que...?
― Bryan, eu não te desejo!
― Me chama de Dragon ― ele respondeu automaticamente e continuou ― é claro que sim. Acabou de admitir o seu feitiço de atração. Não é necessário que fique envergonhada. Me sinto lisonjeado. Realmente.
― Dragon ― ela falou num tom que se aproximava do sarcasmo ― estou envergonhada, mas não por sua causa. Tenho vergonha de você.
― Não tem nenhum sentido.
Ele se perguntou brevemente se ela havia batido a cabeça quando caiu.
A sacerdotisa respirou fundo e deixou o ar sair em sinal de exasperação. Então lhe ofereceu a mão e o antebraço, dizendo:
― Merry meet, Bryan Dragon Lankford. Eu sou professora Anastasia, a nova mestra de Feitiços e Rituais na House of Night de Tower Grove.
― Merry meet, Anastasia ― ele respondeu, agarrando o seu braço nu, que era macio e quente ao toque.
― Professora Anastasia  ― ela corrigiu. Rápido demais, soltou-o e falou: ― não deveriam saber deste feitiço.
― Porque não quer que ninguém saiba que me quer?
Incluindo eu?
― Não. O feitiço não tem nada a ver com te querer. É pelo contrário, na realidade ― explicou. E com uma voz que soava como se estivesse ensinando a uma sala de calouros, continuou. ― Isto vai soar cruel, mas a verdade é que estou aqui para lançar o equivalente a um feitiço anti-Dragon Lankford.
Suas palavras o surpreenderam.
― Eu, de alguma maneira, fiz algo para te ofender? Nem sequer me conhece. Como pode não gostar de mim?
― Não é que não gosta ― ela contestou rapidamente, quase como se estivesse tratando de ocultar algo ― aqui está a verdade: nas duas semanas que estive ensinando na House of Night de Tower Grove, quinze calouros vieram me procurar perguntando por feitiços de amor com as quais te prender.
Os olhos de Dragon se arregalaram.
― Quinze? É sério? ― fez uma pausa e contou mentalmente ― só posso pensar em dez meninas que gostariam de me enfeitiçar.
A professora não via nenhuma graça.
― Eu diria se subestima, mas não creio que isso seja possível. Assim apenas suponho que é melhor com o manejo da espada do que com somas. Seja como for, vim aqui fora esta noite com a intenção de lançar um feitiço que levaria a cada uma de suas admiradoras a verdade sobre você, e assim pudessem ver com clareza e honestidade que você não é o companheiro adequado para elas, o que colocaria fim aos seus tontos caprichos ― terminou rapidamente.
Ele não podia lembrar da última vez que havia estado tão surpreendido. Não, isso não estava certo. A última vez que havia sentido esse tipo de profunda surpresa foi quando a noite havia sido iluminada para revelar o mastro de um barco e uma nova vida. Ele sacudiu a cabeça e replicou a primeira coisa que lhe veio a mente.
― Isto é difícil de acreditar para mim. Eu te desagrado de verdade. Eu normalmente agrado as mulheres. Bastante, na realidade.
― Obviamente. Foi por isso que treze delas me pediram para te enfeitiçar.
Ele franziu o cenho.
― Pensei que havia dito quinze antes.
― Treze garotas. Dois garotos ― ela falou secamente. ― Ao que parece, os garotos gostam bastante de você também.
Inesperadamente, Dragon começou a rir.
― Lá vai você! Todos gostam de mim, menos você.
― O que não gosto é dessa ideia de que tantos calouros impressionáveis estão obcecados por você. Simplesmente não é saudável.
― Não é saudável para quem? Eu me sinto muito bem.
Ele sorriu então, iluminando cada parte de seu encanto. Dragon acreditou ver seu severo olhar relaxar um pouco e os grandes olhos azul-turquesa suavizarem, mas suas palavras seguintes foram como um balde de água fria.
― Se fosse mais maduro, se importaria com os sentimentos dos demais.
Ele franziu o cenho.
― É sério? Tenho quase vinte ― Dragon fez um pausa e a examinou de cima a baixo, apreciando ― quantos anos tem?
― Vinte e dois ― ela respondeu, esfregando o queixo.
― Vinte e dois! É demasiado jovem para ser uma professora e para estar dando-me um sermão sobre ser mais maduro.
― E, entretanto, sou sua professora de Feitiços e Rituais, e alguém deveria te dar um sermão sobre o que é agir como adulto. Quem sabe, com um pouco de orientação, poderia amadurecer e ser um guerreiro íntegro e honrado.
― Acabo de regressar dos Jogos onde obtive o título de Mestre da Espada. Já tenho integridade e honra, mesmo que não seja um vampiro completamente Mudado.
― Não pode ganhar integridade e honra nos Jogos. Só se pode obtê-las em uma vida dedicada a esses ideais.
Seus olhos sustentaram os dele e se deu conta de que ela não lhe falava com condescendência. Sua voz soava estranhamente triste, quase derrotada. E Dragon não tinha ideia de porque quis, de repente, dizer ou fazer algo, qualquer coisa que fizesse com que o pequeno sulco de preocupação desaparecesse do rosto dela.
― Eu sei, Anastasia. Professora Anastasia ― ele se corrigiu dessa vez. ― Já estou dedicado ao treinamento dos Filhos de Erebus. Serei um guerreiro algum dia, e defenderei seus estandartes de honestidade, lealdade e valor.
Ele se alegrou ao ver o seu sorriso, apesar de leve.
― Espero que sim. Creio que poderá ser um extraordinário guerreiro algum dia.
― Já sou extraordinário ― Dragon replicou, seu sorriso de volta.
E então ela o surpreendeu uma vez mais ao encará-lo firmemente nos olhos, quase como se ela mesma fosse uma guerreira, e dizendo:
― Se é tão extraordinário, então demonstre.
Dragon brandiu sua espada e se inclinou ante ela, mão em punho contra o peito, como se ele fosse um completo guerreiro Filho de Erebus e ela sua sacerdotisa.
― Envie-me em uma busca! Indique o urso que tenho que matar para demonstrar o meu valor!
Desta vez seu sorriso foi completo, que Dragon pensou que isso iluminava seu já bonito rosto com uma felicidade que parecia brilhar ao seu redor. Sua boca, com os lábios carnudos inclinados estavam distraindo-o, de modo que ele gaguejou confuso e disse:
― Que? Eu?
Quando se deu conta de que ela estava apontando diretamente para ele.
― Inclusive uma vampira que é jovem demais para dar aulas deveria ser capaz de ver que não sou um urso.
― Assumi que estávamos falando metaforicamente quando me pediu que te enviasse em uma busca para demonstrar o seu valor.
― Busca? ― repetiu.
Ele só estava brincando. O que ela estava pensando?
― Bom, suponho que na realidade não se qualifica como uma busca, mas é uma maneira de me mostrar que é extraordinário.
Deu um passou arrogante até ela.
― Agora, estou gostando disso! Estou disposto a fazer sua vontade, minha senhora ― respondeu com sua voz mais encantadora.
― Excelente. Então suba ao meu altar. Vai me ajudar a lançar este feitiço.
Sua arrogância desapareceu.
― Quer que eu te ajude com um feitiço que fará com que as garotas não gostem de mim?
― Não se esqueça dos garotos. E o feitiço não os fará desgostarem de você. Eles apenas o verão com mais claridade, já que estarão livres de sua obsessão por você.
― Devo te dizer, isso me soa arriscado. Parece mais como cortar-me um braço para demonstrar que sou um extraordinário espadachim.
― Não tem que me ajudar.
Ela se voltou para o altar, onde as velas dos elementos e as três bolsinhas de veludo estavam colocadas ao lado do cálice e da comida.
Dragon de ombros e começou a se afastar. Não era problema seu que a estranha sacerdotisa estivesse decidida a dificultar sua vida amorosa. E se treze novatas já não estivessem interessadas nele? (Não contou os garotos). Uma das coisas que havia aprendido desde que descobriu os prazeres das mulheres era que sempre tinham mulheres que o queriam. Havia inclusive começado a rir de si quando as seguintes palavras dela flutuaram até ele.
― Na verdade, esqueça o meu pedido. Deveria estar voltando à House of Night. O amanhecer se aproxima. A maioria dos calouros já está em suas camas.
Ele se deteve e virou-se para ela, com vontade de cuspir fogo. Ela falou-lhe como se fosse uma criança!
Mas Anastasia não havia se dado conta de como o tinha afetado. Estava de costas para ele, como se tivesse apagado completamente Dragon Lankford de sua mente.
Ela estava equivocada a seu respeito. Ele não era uma criança e não lhe faltava honestidade, lealdade ou valor. Ele lhe provaria... e então se ouviu dizer:
― Eu ficarei e a ajudarei com o feitiço.
A professora olhou-o por cima do ombro e ele viu surpresa e algo mais, algo que poderia ser prazer e calor naqueles grandes olhos azuis. Sua voz, no entanto, era indiferente.
― Bom. Venha aqui e sente-se ali, na borda da rocha ― assinalou ― tenha cuidado para não bagunçar o altar ou derrubar um vela.
― Sim, minha senhora. O que quiser ― murmurou.
Ao se reunir a ela, esta levantou uma sobrancelha, mas não disse nada e voltou a colocar as velas e arrumar o altar.
Dragon a estudou enquanto ela trabalhava. Sua primeira impressão foi a delicada beleza de seus longos cabelos cor de trigo que caia reto e grosso até a cintura. Apesar de pequena, possuía generosas curvas, as quais podia ver facilmente através de sua fina túnica de linho e sua longa e larga saia azul.
Ele não costumava prestar atenção no que as mulheres usavam – preferia vê-las sem peça alguma – mas a roupa de Anastasia era decorada com conchas, contas e franjas, dando-lhe um aspecto surreal e de outro mundo, um efeito realçado por suas tatuagens – elegantes videiras e flores, tão requintados em detalhes que pareciam reais.
― Tudo bem, estou pronta para começar de novo. E você? ― ela perguntou.
Ele pestanejou e desviou sua atenção para o altar. Não lhe agradava que ela o tivesse pegado estudando-a.
― Estou pronto. Na realidade, tenho vontade de ouvir os nomes das novatas que pediram feitiços de amor.
Voltou seu olhar para encontrar o dela, assegurando-se de colocar desafio em sua voz.
Anastasia se manteve imperturbável.
― Já que está me ajudando com a conjuração, não terei que nomear as novatas. A sua presença e cooperação acrescentam força ao meu feitiço, o que afetará todos que estão atraídos por você.
Dragon exalou com força.
― Soa como algo bom que eu não tenha uma namorada neste momento. O que vamos fazer sem dúvida estragaria tudo.
― Não, não estragaria. Não se essa pessoa estivesse verdadeiramente interessada em você e não em sua imagem exagerada.
― Me faz soar como um idiota arrogante.
― E é?
― Não! Sou apenas eu.
― Então esse feitiço não afetará ninguém que te queira.
― Está bem, está bem. Entendo. Vamos terminar com isso. O quer que eu faça?
Ela respondeu com outra pergunta:
― Teve três anos de aulas de Feitiços e Rituais, certo?
― Sim.
― Bem, vou misturar as ervas do feitiço em sua mão. Coloque-a em concha ― ela demonstrou com a própria mão ― assim. As plantas em contato o ajudarão emprestando força ao feitiço. Acredita que poderá realizar algumas partes do feitiço se eu o guiar?
Ele conteve sua irritação. Ela não soava condescendente. Soou como se tivesse considerado que ele não aproveitou nada de suas aulas – como se não pudesse ser bom em nada além do manejo da espada.
A professora se surpreenderia.
― Se tem que perguntar, não deve ter checado meu histórico de trabalho nas aulas de Feitiços e Rituais com o professor anterior ― falou baixinho, com a esperança de que seu tom de voz fizesse parecer que haveria encontrado baixas qualificações.
A jovem professora suspirou pesadamente.
― Não, não chequei.
― Assim, tudo o que sabe de mim é quão obsessivas algumas calouras estão por mim.
Seus olhos se encontraram e, de novo, ele viu uma emoção que não pôde identificar no profundo azul.
― Eu sei que algum dia será um guerreiro, contudo não significa que possa lançar um feitiço.
― Tudo o que posso fazer é dar a minha palavra de que farei o melhor esta noite ― ele disse, perguntando-se porque se importava com o que ela pensava.
Anastasia fez uma pausa, como se estivesse escolhendo cuidadosamente sua resposta. Quando finalmente falou, foi para soltar um simples:
― Obrigada, Bryan.
E inclinou a cabeça respeitosamente para ele.
― Me chame de Dragon ― respondeu, tratando de não mostrar o quanto esse pequeno sinal de respeito o havia afetado.
― Dragon ― ela repetiu ― sinto muito se esqueço. É só que “Bryan” me parece bom.
― Saiba que Dragon me parece bom quando se está do outro lado da minha espada ― ele replicou. E logo se deu conta de que havia soado arrogante, e acrescentou apressadamente: ― Não que eu algum dia atacaria uma sacerdotisa. Eu só quis dizer que se me visse em um duelo de espadas, entenderia meu apelido. Quando luto, me transformo num dragão.
― Isso provavelmente não acontecerá logo.
― Você realmente não gosta de mim.
― Não! Não tem nada a ver com você. Eu não gosto da violência. Cresci... ― Anastasia se interrompeu, sacudindo a cabeça ― isso não tem nada a ver com o feitiço de atração, e precisamos nos manter concentrados. Comecemos. Dê três respirações lentas e profundas comigo e clareie sua mente, por favor.
Dragon não queria fazer isso. Queria perguntar sobre como havia sido criada – o que lhe aconteceu para detestar a violência – mas os três anos de treinamento em Feitiços e Rituais o fez automaticamente seguir o seu exemplo e respirar com ela.
― O círculo já está invocado, não precisaremos voltar a fazê-lo ― ela disse, tomando um grosso ramo de erva do altar para queimar. Anastasia o mirou. ― sabe o que é isso?
― Erva-doce.
― Bom. Sabe para que se usa nos feitiços?
Dragon vacilou, como se estivesse pensando muito para lembrar a resposta.
― Para limpar a energia negativa? ― Bryan propositalmente respondeu com dúvida.
― Sim. Correto, muito bem ― Anastasia lhe falou como se fosse um calouro terceiranista.
Ele escondeu seu sorriso enquanto Anastasia passava o ramo de erva sobre a vela verde da terra. Ele voltou a acender com facilidade. Então, girando no sentido do relógio ao redor deles, se virou para ele e disse:
― Eu começo a limpar este espaço com erva-doce ― fez uma pausa, dando-lhe um olhar de expectativa.
― Qualquer energia negativa deve ir sem deixar rastro ― ele completou sem vacilar.
Ela transmitiu seu prazer com um doce sorriso que fez com que o ar ficasse preso em sua garganta, e Dragon de repente ficou muito, muito contente de que havia sido especialmente bom em Feitiços e Rituais.
Anastasia colocou o ramo fumacento de volta ao seu lugar no altar e pegou uma pitada de ervas da primeira bolsinha. Aproximou-se dele e ele levantou sua mão até ela, a palma em forma de concha como ela lhe havia mostrado. Anastasia salpicou os pedaços de folha seca, cujo odor lhe era familiar, não só porque recentemente havia sido soprado em seu rosto, mas porque ele havia passado os últimos três anos prestando atenção nas aulas. Assim quando a sacerdotisa disse “Consciência e claridade vêm com essas folhas de louro...”, fez uma pausa e olhou-o, ele automaticamente respondeu “Através da terra, chamamos hoje o seu poder”.
Ela o recompensou com outro doce sorriso antes de ir até a segunda bolsa de veludo. Voltou para salpicar as agulhas secas sobre o louro.
― Cedro, de ti vem a coragem, a proteção e o autocontrole que buscamos.
― Empreste-nos sua força para que este feitiço não seja fraco ― recitou, sem esperar a pausa.
Desta vez o sorriso de Anastasia pareceu pensativo, o que fez Dragon sentir-se satisfeito consigo mesmo. Cheio de si, estava sentado ali, sorrindo, sabendo que o último ingrediente do feitiço seria o sal para uni-lo, quando a sacerdotisa o surpreendeu por completo ao alcançá-lo e apoiar sua mão sobre a cabeça dele.
Sentiu uma sacudida com seu toque e seu olhar procurou o dela. Os olhos dela se arregalaram enquanto ela falava com uma voz sem calor:
― Uma parte desse feitiço deve vir de você...
Ela fez uma pausa e tudo o ele pôde fazer foi ficar sentado ali, em silêncio, com seu pulso martelando enquanto a mão dela deslizava abaixo por sua bochecha.
― ...de maneira que seja lançado direto, forte e verdadeiramente.
Seus esbeltos dedos se envolveram ao redor de vários fios de cabelo que haviam escapado da peça de couro que os unia para longe de seu roso. Então ela puxou. Forte. E arrancou vários fios, que caíram na palma de sua mão.
Dragon resistiu à urgência de gritar e esfregar seu couro cabeludo.
Só então ela se virou para a terceira bolsinha de veludo e regressou com os cristais de sal, mas não os jogou sobre a mistura em sua mão. Em vez disso ela pegou sua outra mão e levou onde estava o altar. Lentamente, enquanto segurava sua mão dele entre as delas, os dois começaram a caminhar no sentido do relógio ao redor das brilhantes velas.
A voz de Anastasia mudou quando chegou ao coração do feitiço. Dragon não pôde completar as frases por ela, já que nunca tinha ouvido esse feitiço em particular, mas enquanto ela falava e ambos se moviam, ele conseguiu sentir o poder do feitiço banhando-os. Ficou centrado em suas palavras, atraído como se elas tivessem textura e tato.

Esta noite trabalhamos em um feitiço de atração
Nosso desejo é lançar clareza à visão
Com folhas de louro revelaremos a verdade
O amor não deve vir de arrogante atitude
O cedro protege das travessuras da juventude
Empresta coragem e controle para suas necessidades.

Dragon estava tão concentrado no som de sua voz que levou um momento para processar o que estava ouvindo. No momento em que compreendeu que provavelmente estava chamando-o de arrogante, haviam chegado diante da vela vermelha do fogo e ela se virou para ele. Levantando sua mão que continha as ervas sobre a vela, acrescentou sal à mistura e entoou:
― O sal é a chave que me ata a este feitiço!
Então sacou um pouco de sal da mistura e alimentou a chama dizendo:
― Que nesta chama a magia corte como uma espada, Invocando somente a verdade de Bryan Lankford!
Com um zás! a chama consumiu a mistura, subindo tão alto que Dragon teve que puxar sua mão para trás para evitar se queimado.

* * *

Na House of Night de Tower Grove, quinze calouros de detiveram. Estava perto o bastante do amanhecer para que sete deles já estivessem dormindo, e seus sonhos conduziram a uma sugestão, aromatizada de louro e cedro.
O futuro de Dragon Lankford não te tocará...

* * *

Sally McKenzie estava rindo com sua companheira de quarto, Isis, comentando sobre a elegância de Dragon Lankford quando, de repente, levantou a cabeça e falou a Isis:
― Acredito que devemos mudar de opinião.
― Ele é valente, é forte,
Mas para ambas Dragon Lankford não é o melhor consorte.
Isis, seu riso acalmado, deu de ombros e assentiu. As garotas apagaram as luzes dos abajures e foram dormir sentindo-se mais que ligeiramente inquietas.

* * *

À mente dos meninos apaixonados, chegou o claro pensamento:
Nunca conhecerão o toque de Dragon Lankford
Os desejos por ele não são reais.
Um calouro chorou em silêncio em seu travesseiro. O outro mirou a lua cheia, perguntando-se se teria amado algum dia.

* * *

Quatro das seis calouras que estavam terminando seu trabalho na cozinha vacilaram em suas atividades. Camelia encarou Anna, Beatrice e Anya e disse:
― É grande a minha percepção
Para ver que Dragon não me entregaria seu coração.
Logo Anya completou, inclinando-se para ajudar Anna a limpar um copo:
― Sua espada é sua vida,
Não me importam tais conflitos.
A continuação veio de Beatrice, que perdeu a cor de seu rosto enquanto sussurrava:
― Um consorte humano é a minha realidade,
Com um vampiro nunca encontrarei a felicidade.

* * *

Na suntuosa residência da Grande Sacerdotisa da House of Night de Tower Grove, Pandeia recebia sua companheira em sua cama quando o lindo rosto de Diana registrou surpresa e ela falou:
― O destino do calouro Lankford estará
Mais longe do que a gente verá.
― Diana? Está bem?
Pandeia tocou a bochecha de sua companheira e olhou no fundo de seus olhos. Diana sacudiu a cabeça como um gato livrando-se da água.
― Estou. Eu... isso foi estranho. Essas palavras não eram minhas.
― Em que estava pensando antes de falar?
Ela encolheu os ombros.
― Suponho que me perguntava se todos os guerreiros já haviam regressado dos Jogos, e estava pensando que Dragon orgulhou a nossa House of Night.
A Grande Sacerdotisa assentiu, entendo na mesma hora.
― É o feitiço de Anastasia. Atraiu a verdade sobre Dragon a quem estava pensando nele durante o feitiço.
Diana bufou.
― Dificilmente sou uma caloura apaixonada.
Pandeia sorriu.
― É claro que não, meu amor. Isto demonstra a força do feitiço da jovem Anastasia. Podemos ter certeza de que não haverá novatos obsessivos atrás dele amanhã.
― Quase sinto pena do garoto.
― Não sinta. Se algum dos calouros estava destinado a amá-lo, um pouco de realidade o levará para o amor verdadeiro. De qualquer modo, o que te foi revelado mostra que Dragon terá, de fato, um futuro brilhante.
Diana devolveu o abraço a sua companheira, dizendo:
― Ou, ao menos, terá um muito interessante.

* * *

Na House of Night de Chicago, onde os Jogos Vampíricos haviam terminado recentemente, Aurora, uma bela jovem vampira, se deteve no meio da carta que estava escrevendo para o jovem que havia esquentado sua cama e seu coração depois de ter derrotado cada espadachim com quem lutou. Dragon Lankford havia reclamado o título de Mestre da Espada juntamente com o afeto de Aurora.
Entretanto, se pegou afastando sua pena e levantando a fina folha de papel para tocar a chama da vela mais próxima enquanto se dava conta da veracidade das palavras que giravam por sua mente sussurrando:
Não foi mais que uma aventura.
Outro vampiro fará meu coração cantar.
O que havia estado pensando? Dragon havia sido uma encantadora diversão e nada mais.

* * *

E, por último, no interior do edifício de tijolos proibido que servia como uma prisão em Saint Louis, Missouri, os sussurros do vento flutuaram para baixo... para baixo... para baixo... até as entranhas do lugar e da habitação escondida onde o delegado Jesse Biddle caminhava de um lado ao outro diante da criatura que mantinha cativa em uma jaula de prata. Na verdade ele não se dirigia a ela, mas falava dela.
― Tenho que aprender como usar mais de seu poder. São tão descarados. É como se pensassem que são normais – que tem direito de estar aqui! ― gritou. ― Eu os odeio. Odeio a todos! Sobretudo esse arrogante moleque. Devia tê-lo visto descer do bote esta noite. Todo inflamado por sua vitória. Sabe como chama a si mesmo? Dragon Lankford! Ele não é nenhum dragão. É o mesmo pequeno bastardo que esteve se pavoneando por aqui durante os últimos três anos com essa brilhante e reluzente espada, atuando como se fosse melhor que todos – todos os humanos. Que arrogante filho da...!
O lamento da criatura foi lúgubre. Fez os pelos de Biddle se arrepiarem.
― Cale-se ou jogarei água com sal em você de novo! Isso te queimará bem como o próprio frango que é!
Olhos que pareciam inquietantemente humanos na cara do enorme corvo encontraram os seus. Apesar de que a criatura não fosse completamente substancial, seus olhos brilhavam em um ardente vermelho.
― Atravéssss de ssssua obsesssssão por Dragon Lankford o sssseu futuro vejo.
Ele irá mudar a hisssstória.
Biddle encarou a coisa com repugnância.
― Por que isso me importaria?
― Ssssseu amor é a chave
Para derrotar gente como eu e voccccê.
― Do que está falando, besta imunda?
― Sssse a Dragon for permitido brilhar.
A luzzzzz da Esssscuridão se extinguirá.
Isso fez com que Biddle se detivesse. Havia prendido essa besta metade-homem enquanto absorvia os restos da força de um índio xamã agonizante. O velho de pele vermelha havia tentado jogar esta estranha jaula de prata sobre a criatura, mas o xamã estava muito fraco – perto demais da morte para recuperar-se do ataque da criatura quando Biddle havia passado pela cabana do velho.
As últimas palavras do ancião haviam sido: “Queime erva-doce para se proteger disso. Faça peso na jaula com pedras de turquesa. Jogue-o num barril de água salgada para que nunca tome o poder de outro...”
Biddle havia decidido rapidamente que estaria condenado se perdesse seu tempo seguindo as ordens de um velho índio morto. Começou a rir, deixando o corpo e a coisa na jaula para que o próximo transeunte limpasse.
Então a criatura virou seus olhos vermelhos para ele.
Olhos humanos.
Quase com tanta repulsa quanto fascinação, Biddle se aproximou para ver exatamente o que era a coisa.
Foi então que ele viu. A escuridão de movia dentro das sombras que rodeavam a coisa.
Se aproximou mais da jaula.
Foi então que Biddle sentiu. O poder que deslizava desde a criatura, através da jaula, até o homem morto se deteve ali, pairou e logo desceu na direção do sangue que havia se acumulado no chão ao redor de sua boca.
Algo sobre a sombria e retorcida escuridão havia incitado Biddle a mover-se, aproximar-se, tocar. Movido por impulso do fundo de sua mente, Biddle se interpôs entre a jaula e o homem morto, enfiando-se no meio dos filamentos da escuridão.
Recordando, o delegado Biddle cerrou os olhos em êxtase. A dor havia sido fria e aguda de imediato, mas o poder e o prazer eram tão fortes que era como se ele estivesse absorvendo a escuridão através de sua pele e alma.
Biddle não havia destruído a criatura. A manteve alimentada com sangue, mas só ocasionalmente, uma vez que alimentar a coisa a deixava mais forte, assim como Biddle. E se ele conseguisse quebrar a gaiola de prata?
Agora Biddle encarava a criatura de sombras e tratava de se convencer que não seria pego e capturado como sua presa.
Então a coisa, movendo-se inquieta, falou em um estranho ritmo que demonstrava mais ânimo do que havia mostrado nas duas primeiras semanas que o havia tido, repetindo:
― Ouça a verdade esta noite,
Se a Dragon for permitido brilhar.
A luz da Escuridão se extinguirá.
Biddle chegou mais perto da jaula.
― A luz da Escuridão. Se refere a essa coisa que você fez, a coisa que te rodeia?
A coisa que às vezes posso roubar de ti, pensou, mas não disse.
O olhar da criatura encontrou o dele, e Biddle supôs que não importaria se tivesse dito em voz alta. A coisa sabia.
― Ssssim, para manter o poder de deseja
Deve matar o seu amor, a vampira Anastassssia.

* * *

Dragon ainda piscava para expulsar os pontos brilhantes de sua visão quando sorriu para Anastasia e disse:
― Seu feitiço parece ter funcionado.
― Nosso feitiço ― corrigiu suavemente e lhe apresentou outro sorriso ― nosso feitiço foi forte ― Anastasia fez uma pausa e logo perguntou: ― fecharia o círculo comigo?
Uma onda de inesperado prazer não o deixou confiar em sua voz, então Dragon apenas assentiu.
― Bem, fico feliz. É apenas certo que o fechemos juntos.
Anastasia inclinou sua cabeça para trás e disse:
― Obrigada, espírito, por fazer parte do nosso círculo esta noite.
Então se inclinou e soprou a vela púrpura.
Dragon foi até a vela verde e limpou a garganta.
― Obrigada, terra, por fazer parte do nosso círculo esta noite.
Dragon soprou a chama.
Em turnos, juntos, agradeceram à água, ao fogo e ao ar. Logo a jovem professora se virou para ele, tomou suas mãos entre as suas e falou:
― Obrigada, Bryan Lankford, por se unir ao meu círculo esta noite.
Foi nesse momento que Bryan Dragon Lankford se deu conta de que Anastasia não era só uma bela vampira e uma dotada sacerdotisa. Ela era a vampira mais bela e a sacerdotisa mais incrível que jamais tinha visto. E sem pensar, ele se inclinou e beijou seus sorridentes lábios.

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