8 de novembro de 2015

Capítulo 4

Na hora que Elena alcançou seu armário, o entorpecimento passava e o caroço em sua garganta tentava se dissolver em lágrimas. Mas ela não choraria na escola, disse a si mesma, não choraria.
Depois de fechar seu armário, foi em direção à saída principal.
Pelo segundo dia consecutivo, ela estava voltando para casa logo depois do último sinal, e sozinha. Tia Judith não conseguiria lidar com isso. Mas quando Elena chegou em casa, o carro de tia Judith não estava na garagem; ela e Margaret deviam ter ido ao supermercado. A casa ainda estava quieta e pacífica enquanto Elena entrava.
Ela estava grata por essa quietude; queria ficar sozinha agora. Mas, por outro lado, não sabia exatamente o que fazer consigo mesma.
Agora que finalmente podia chorar, descobriu que as lágrimas não vinham. Deixou sua mochila afundar no chão do corredor da frente e andou lentamente na sala de estar.
Era uma sala bonita e impressionante, a única parte da casa além do quarto de Elena que pertencia à estrutura original. Aquela primeira casa fora construída antes de 1861, e fora queimada quase completamente durante a Guerra Civil. E tudo o que pôde ser salvo foi essa sala, com sua elaborada lareira emoldurada por curvas, e o grande quarto acima. O bisavô do pai de Elena construíra uma casa nova, e os Gilbert moraram lá desde então.
Ela se virou para olhar por uma das janelas que iam do teto até o chão. O vidro era tão antigo que era grosso e oscilante, e tudo do lado de fora estava distorcido, parecendo levemente embriagado. Ela se lembrou da primeira vez em que seu pai lhe mostrou aquele velho vidro oscilante, quando era mais nova do que Margaret era agora.
A sensação de algo em sua garganta estava de volta, mas ainda assim as lágrimas não vieram. Tudo dentro dela era contraditório. Ela não queria companhia, e ainda assim estava dolorosamente solitária. Queria pensar, mas agora que tentava, seus pensamentos a evitavam como um rato correndo de uma coruja branca.
Coruja branca... ave de caça… comedora de carne… corvo, ela pensou. “O maior corvo que eu já vi,” Matt tinha dito.
Seus olhos doeram novamente. Pobre Matt. Ela o tinha machucado, mas ele fora bom quanto a isso. Tinha sido bonzinho até com Stefan.
Stefan. Seu coração fez um baque forte, espremendo duas lágrimas quentes em seus olhos. Pronto, finalmente ela estava chorando. Ela estava chorando de raiva e humilhação e frustração... e o que mais?
O que tinha realmente perdido hoje? O que ela realmente sentia por esse estranho, esse Stefan Salvatore? Ele era um desafio, sim, e isso o deixava diferente, interessante. Stefan era exótico… excitante.
Engraçado, isso era o que algumas vezes os caras tinham dito à Elena que ela era. E mais tarde ouvia deles, ou de seus amigos ou irmãs, quão nervosos eles estavam antes de sair com ela, como suas palmas ficaram suadas e seus estômagos estavam cheios de borboletas. Elena sempre achou tais histórias divertidas. Nenhum garoto que conhecera a deixou nervosa.
Mas quando falara com Stefan hoje, seu pulso estivera acelerado, seus joelhos bambos. Suas palmas estiveram molhadas. E não havia tido borboletas em seu estômago, havia morcegos.
Ela estava interessada no cara porque ele a deixava nervosa? Não é uma razão muito boa, Elena, disse a si mesma. De fato, uma razão muito ruim.
Mas também tinha aquela boca. Aqueles lábios esculpidos que fizeram seus joelhos ficarem bambos com algo totalmente diferente de nervosismo. E aquele cabelo escuro como a noite – seus dedos coçavam para se entrelaçar naquela suavidade. Aquele corpo flexível e de músculos lisos, aquelas pernas longas... e aquela voz. Fora a voz dele que a fizera se decidir ontem, deixando-a absolutamente determinada a tê-lo. Sua voz era fria e desdenhosa quando estivera falando com o Sr. Tanner, mas estranhamente convincente para tudo aquilo. Ela se perguntou se poderia ficar escura como a noite também, e como soaria dizendo seu nome, sussurrando seu nome...
— Elena! 
Elena pulou, seu devaneio destruído. Mas não era Stefan Salvatore chamando-a, era a tia Judith tagarelando na porta da frente aberta.
— Elena? Elena! — E essa era Margaret, sua voz estridente e sibilante. — Você está em casa?
Sofrimento fluiu por Elena novamente, e ela deu uma olhada na cozinha. Não podia encarar as perguntas preocupadas de sua tia ou a inocente animação de Margaret agora. Não com seus cílios molhados e novas lágrimas ameaçando a qualquer minuto. Tomou uma decisão rápida e deslizou silenciosamente pela porta dos fundos enquanto a porta da frente batia ao fechar.
Logo estava na varanda dos fundos e foi para o quintal, e hesitou. Ela não queria encontrar nenhum conhecido.
Mas aonde podia ir para ficar sozinha?
A resposta veio quase instantaneamente. É claro. Ela veria sua mãe e seu pai.
Era uma caminhada razoavelmente longa, quase n o limite da cidade, mas nos últimos três anos se tornara familiar para Elena. Cruzou a ponte Wickery e subiu a colina, para além das ruínas da igreja, então desceu o pequeno vale adiante.
Essa parte do cemitério era bem-cuidada; era a parte antiga que permitiam ficar levemente selvagem.
Aqui, a grama estava primorosamente aparada, e buquês de flores salpicavam cores brilhantes. Elena sentou-se na grande lápide de mármore com “Gilbert” entalhado na frente.
— Oi, mãe. Oi, pai  sussurrou.
Ela se inclinou para colocar flores não-me-toque roxas que havia pego no caminho ao passar pelo mercado. Então enroscou suas pernas debaixo de si e simplesmente se sentou.
Ela vinha aqui regularmente após o acidente. Margaret tinha somente um ano quando o acidente de carro aconteceu; não lembrava bem deles. Mas Elena sim. Agora deixou sua mente folhear pelas memórias, e o caroço em sua garganta inchou, e as lágrimas vieram mais facilmente. Ela ainda sentia tanto a falta deles. Mamãe, tão jovem e bonita, e papai, com um sorriso que enrugava o canto dos olhos.
Tinha sorte de ter tia Judith, é claro. Não era toda tia que se despediria do trabalho e se mudaria para uma cidadezinha para tomar conta de duas sobrinhas órfãs. E Robert, o noivo de tia Judith, era mais como um padrasto para Margareth do que um futuro tio-por-casamento.
Mas Elena se lembrava de seus pais. Às vezes, logo depois do funeral, tinha vindo aqui para brigar com eles, com raiva deles por terem sido tão estúpidos a ponto de morrerem. Isso foi quando não conhecia muito bem a tia Judith, e sentira que não havia mais lugar na Terra aonde ela pertencesse.
Aonde ela pertencia agora?, perguntou-se. A resposta fácil era aqui, em Fell’s Church, aonde tinha vivido toda a sua vida. Mas ultimamente a resposta fácil parecia errada. Ultimamente sentia que devia ter alguma outra coisa lá fora para ela, algum lugar que reconheceria ao primeiro olhar e chamaria de lar.
Uma sombra caiu sobre ela, e ela olhou para cima, assustada. Por um instante, as duas figuras paradas eram alienígenas, estranhas, vagamente ameaçadoras. Ela encarou, congelada.
— Elena  disse a figura menor agitadamente, as mãos nos quadris — às vezes eu me preocupo com você, realmente me preocupo.
Elena piscou e então riu brevemente. Eram Bonnie e Meredith.
— O que uma pessoa tem que fazer para conseguir um pouco de privacidade por aqui? — Elena perguntou enquanto elas sentavam.
— Peça-nos para ir embora  sugeriu Meredith, mas Elena só deu de ombros.
Meredith e Bonnie tinham vindo aqui muitas vezes para encontrá-la nos meses depois do acidente. De repente, ela se sentiu feliz por isso, e grata a ambas. Como a nenhum outro lugar, ela pertencia às amigas que ligavam para ela. Não se importava se elas soubessem que estivera chorando. Aceitou os lencinhos amassados que Bonnie ofereceu e limpou seus olhos.
As três sentaram juntas e em silêncio por um tempo, observando o vento agitar o grupo carvalhos na beira do cemitério.
— Eu sinto muito sobre o que aconteceu  Bonnie disse por fim, com uma voz suave. — Aquilo foi realmente terrível.
— E o seu nome do meio é “Tato”  disse Meredith.  Não pode ter sido tão ruim, Elena.
— Você não estava lá  Elena se sentiu ficando quente novamente com a memória. — Foi terrível. Mas eu não ligo mais  ela acrescentou categoricamente, com despeito. — Estou farta dele. Eu não o quero mais. 
— Elena!
— Eu não quero, Bonnie. Ele obviamente se acha bom demais para... para americanos. Então ele pode simplesmente pegar aqueles óculos de sol de designer e...
Houve bufos de risada das outras garotas. Elena assou seu nariz e balançou sua cabeça.
— Então  ela disse à Bonnie, determinada a mudar o assunto  pelo menos Tanner pareceu estar com um humor melhor hoje.
Bonnie pareceu atormentada.
— Você sabe que ele fez eu me recrutar para ser a primeira a fazer meu relatório oral? Eu não me importo, de qualquer forma; farei o meu sobre os druidas, e...
— Sobre o quê?
— Dru-i-das. Os velhos esquisitos que construíram o Stonehenge e faziam mágica e coisa e tal na antiga Inglaterra. Eu descendo deles, e é por isso que sou vidente.
Meredith bufou, mas Elena franziu a testa para o talo de grama que estava girando entre seus dedos.
— Bonnie, você realmente viu alguma coisa ontem na minha palma? — ela perguntou abruptamente.
Bonnie hesitou.
— Eu não sei  ela disse por fim. — Eu... eu pensei ter visto naquela hora. Mas às vezes minha imaginação me escapa.
— Ela sabia que você estava aqui  Meredith falou inesperadamente.  Eu pensei em procurar na cafeteria, mas Bonnie disse, “Ela está no cemitério”.
— Disse? — Bonnie pareceu pouco surpresa, mas impressionada. — Bem, veja só. Minha avó em Edimburgo tem a segunda visão e eu também. Sempre pula uma geração.
— E você descende dos druidas  Meredith acrescentou solenemente.
— Bem, é verdade! Na Escócia eles mantêm as antigas tradições. Você não acreditaria em algumas das coisas que minha avó faz. Ela tem um jeito de descobrir com quem você vai se casar e quando você vai morrer. Ela me disse que eu vou morrer cedo.
— Bonnie!
— Ela disse. Eu vou estar jovem e bonita no meu caixão. Não acha que isso é romântico?
— Não, não acho. Eu acho que é nojento  disse Elena.
As sombras estavam ficando mais longas, e o vento estava frio agora.
— Então com quem você vai se casar, Bonnie? — Meredith perguntou com jeito.
— Eu não sei. Minha avó me disse o ritual para descobrir, mas nunca tentei. É claro — Bonnie fez uma pose sofisticada — ele tem que ser escandalosamente rico e totalmente lindo. Como o nosso misterioso estranho moreno, por exemplo. Especialmente se ninguém mais o quiser  ela lançou um olhar travesso para Elena.
Elena recusou a isca.
— E quanto à Tyler Smallwood? — ela murmurou inocentemente. — Seu pai é certamente rico o bastante.
— E ele não é feio  concordou Meredith solenemente. — Isto é, claro, se você for uma amante de animais. Aqueles enormes dentes brancos.
As garotas olharam uma para outra e então caíram na risada ao mesmo tempo. Bonnie jogou um punhado de grama em Meredith, que se limpou e atirou um dente-de-leão nela. Em algum lugar no meio disso, Elena percebeu que ficaria bem. Era ela mesma novamente, não uma perdida, não uma estranha, mas Elena Gilbert, a rainha da Robert E. Lee. Puxou a fita laranja-amarelada de seu cabelo e a balançou livremente por seu rosto.
— Eu decidi o que falar no meu relatório oral  ela falou, observando com olhos estreitos enquanto Bonnie tirava com os dedos grama de seus cachos.
— Sobre o quê? — indagou Meredith.
Elena inclinou seu queixo e olhou para o céu vermelho e roxo acima da colina. Tomou um ponderado fôlego e deixou o suspense crescer por um momento. Então ela disse friamente:
— A Renascença Italiana. 
Bonnie e Meredith a encararam, então olharam uma para outra e explodiram em berros e gargalhadas novamente.
— Aha  disse Meredith quando se recuperaram.  Então a tigresa regressou.
Elena mostrou-lhe um sorriso ferino. Sua confiança abalada havia retornado. E ainda que não entendesse, ela sabia de uma coisa: não deixaria Stefan Salvatore escapar vivo.
— Tudo bem  ela disse rapidamente. — Agora, escutem, vocês duas. Ninguém mais pode saber disso, ou serei motivo de riso na escola. E Caroline iria amar qualquer desculpa para me fazer parecer ridícula. Mas eu ainda o quero, e vou tê-lo. Não sei como ainda, mas vou. Até que eu bole um plano, contudo, nós vamos tratá-lo com indiferença.
— Oh, nós vamos?
— Sim, nós vamos. Você não pode tê-lo, Bonnie; ele é meu. E tenho que ser capaz de confiar em você completamente.
— Espere um minuto  disse Meredith, um brilho em seu olhar. Ela soltou o alfinete de sua blusa, então, levantando seu dedão, deu uma rápida picada. — Bonnie, me dê sua mão.
— Por quê? — Bonnie perguntou, olhando o alfinete com suspeita.
— Porque eu quero casar com você. Por que você acha, idiota?
— Mas... Mas... Ah, tudo bem. Ai!
— Agora você, Elena  Meredith picou o dedão de Elena eficientemente, e então espremeu-o para conseguir uma gota de sangue. — Agora  ela continuou, olhando para as outras duas com brilhantes olhos negros — todas nós pressionamos os nossos dedões juntos e juramos. Especialmente você, Bonnie. Jure manter esse segredo e fazer o que quer que Elena peça em relação a Stefan.
— Olha, juramento com sangue é perigoso  Bonnie protestou seriamente. — Quer dizer que você tem que ser fiel ao seu juramento não importa o que acontecer, não importa o que haja, Meredith.
— Eu sei  Meredith falou cruelmente. — É por isso que estou dizendo para você fazer isso. Lembro do que aconteceu com Michael Martin.
Bonnie fez careta.
— Isso foi há anos, e nós terminamos logo de qualquer jeito e... Ah, tudo bem. Eu vou jurar  fechando seus olhos, ela disse: — Eu juro manter isso segredo e fazer qualquer coisa que Elena peça em relação a Stefan.
Meredith repetiu o julgamento. E Elena, encarando as pálidas sombras dos dedões unidos na reunião ao anoitecer, tomou um longo fôlego e disse suavemente:
— E eu juro não descansar até que ele pertença a mim.
Uma rajada fria de vento soprou pelo cemitério, erguendo o cabelo das meninas e fazendo com que folhas secas se agitassem no chão. Bonnie arfou e recuou, e todas olharam ao redor, então riram nervosamente.
— Está escuro  disse Elena, surpresa.
— É melhor irmos para casa  Meredith falou, colocando seu alfinete de volta enquanto ficava de pé.
Bonnie se levantou, também, colocando a ponta de seu dedão na boca.
— Tchau  Elena disse suavemente, encarando a lápide. A flor roxa era um borrão no chão. Ela pegou a fita laranja amarelada que descansava ao lado dela, virou-se, e acenou para Bonnie e Meredith. — Vamos.
Silenciosamente, elas se dirigiram à colina em direção à igreja em ruínas. O juramento feito com sangue deu-lhes uma sensação solene, e enquanto elas passavam pela igreja, Bonnie estremeceu. Com o sol se pondo, a temperatura tinha abaixado abruptamente, e o vento aumentava. Cada rajada mandava sussurros pela grama e fazia com que as antigas árvores de carvalho agitassem suas folhas suspensas.
— Estou congelando  Elena disse, parando por um momento no buraco negro que uma vez fora a porta da igreja e olhando para baixo para a paisagem.
A lua ainda não tinha se erguido, e ela podia apenas perceber o antigo cemitério e a ponte Wickery além dele. O cemitério datava dos dias da Guerra da Secessão, e muitas das lápides tinham nomes de soldados. Parecia selvagem; arbustos e grandes ervas daninhas cresciam nas sepulturas, e heras americanas abundavam granitos decadentes. Elena nunca gostara disso.
— Parece diferente, não? Na escuridão, quero dizer  ela falou instavelmente. Não sabia como dizer o que realmente quisera dizer, que não era um lugar para os vivos.
— Nós podíamos ir pelo caminho mais longo  sugeriu Meredith  mas isso significaria outros vinte minutos de caminhada.
— Eu não me importo em ir por esse caminho  disse Bonnie, engolindo em seco. — Sempre disse que queria ser enterrada no antigo.
— Dá pra parar de falar sobre querer ser enterrada? — Elena repreendeu, e começou a descer a colina.
Mas quanto mais ela descia pelo caminho estreito, mais desconfortável se sentia. Diminuiu até que Bonnie e Meredith a alcançaram. À medida que elas se aproximavam da primeira lápide, seu coração começou a bater mais forte. Tentou ignorá-lo, mas toda sua pele estava formigando com percepção e os pelinhos em seus braços estavam levantados. Entre as rajadas de vento, todo som parecia horrivelmente magnífico; o esmagamento de seus pés contra o caminho de folhas espalhadas era ensurdecedor.
A igreja em ruínas era uma silhueta negra atrás delas agora. O caminho estreito conduzia-se entre as lápides incrustadas com líquen, muitas das quais eram maiores que Meredith. Grandes o bastante para algo se esconder atrás, Elena pensou desconfortavelmente. Algumas das próprias lápides eram amedrontadoras, como a com o querubim que parecia um bebê de verdade, exceto que sua cabeça tinha caído e fora cuidadosamente colocada sob seu corpo. Os grandes olhos da cabeça de granito estavam vazios. Elena não conseguia desviar seu olhar dele, e seu coração começou a golpear.
— Por que nós estamos parando? — Meredith perguntou.
— Eu só... desculpe  Elena murmurou, mas quando se forçou a virar, imediatamente endureceu. — Bonnie? — ela chamou. — Bonnie, qual é o problema?
Bonnie estava encarando diretamente o cemitério, seus lábios separados, os olhos tão arregalados e vazios quanto os do querubim de pedra. Medo passou pelo estômago de Elena.
— Bonnie, pare com isso. Pare! Não é engraçado.
Bonnie não respondeu.
— Bonnie! — chamou Meredith.
Ela e Elena olharam uma para outra, e de repente Elena sabia que tinha que fugi. Ela girou para começar a descer o caminho, mas uma voz estranha falou atrás dela, e ela se virou rapidamente.
— Elena  a voz disse.
Não era a voz de Bonnie, mas vinha da boca de Bonnie. Pálida na escuridão, ela ainda encarava o cemitério. Não havia expressão em seu rosto de jeito nenhum.
— Elena  a voz disse de novo, e acrescentou, à medida que a cabeça de Bonnie virava na direção dela. — Há alguém esperando lá fora por você.
Elena nunca soube bem o que aconteceu nos próximos minutos. Algo pareceu se movimentar entre as escuras sombras curvadas da lápide, mudando e se elevando entre elas. Elena berrou e Meredith gritou por ajuda, e então ambas estavam correndo, e Bonnie estava correndo com elas, berrando, também.
Elena percorreu o caminho estreito, tropeçando em pedras e protuberâncias de raiz de grama. Bonnie soluçava em busca de ar atrás delas, e Meredith, a calma e cínica Meredith, ofegava selvagemente. Houve uma repentina batida e um som agudo em uma árvore de carvalho acima deles, e Elena descobriu que podia correr mais rápido.
— Há algo atrás de nós  Bonnie chorou estridentemente. — Ah, Deus, o que está acontecendo?
— Vão para a ponte  Elena arfou através do fogo em seus pulmões. Ela não sabia por que, mas sentia que elas tinham que chegar lá. — Não pare, Bonnie! Não olhe para trás! — ela agarrou a manga da outra garota e a arrastou.
— Eu não consigo  Bonnie choramingou, agarrando com força sua lateral, seu ritmo hesitando.
— Sim, você consegue  resmungou Elena, agarrando a manga de Bonnie novamente e a forçando a continuar se movendo.  Vamos. Vamos!
Ela viu o brilho prateado de água perante elas. E ali estava a clareira entre as árvores de carvalho, e a ponte mais à frente. As pernas de Elena estavam tremendo e seu fôlego estava sibilando em sua garganta, mas ela não se deixaria retardar. Agora podia ver as tábuas de madeira da ponte para pedestres. A ponte estava a seis metros delas... três metros... um e meio.
— Nós conseguimos!  ofegou Meredith, os pés trovejando na madeira.
— Não parem! Cheguem ao outro lado!
A ponte rangeu à medida que elas corriam vacilantemente por ela, seus passos ecoando pela água. Quando ela pulou na terra comprimida na margem distante, soltou por fim a manga de Bonnie, e permitiu que suas pernas cambaleassem e parassem.
Meredith estava curvada, as mãos nos quadris, respirando profundamente. Bonnie estava chorando.
— O que foi isso? Ah, o que foi isso? — ela perguntou.  Ainda está vindo?
— Eu pensei que você fosse a expert  Meredith disse instavelmente. — Pelo amor de Deus, Elena, vamos cair fora daqui.
— Não, está tudo bem agora  Elena sussurrou. Havia lágrimas em seus próprios olhos e ela estava tremendo, o hálito quente na parte de trás de seu pescoço tinha sumido. O rio se esticava entre elas e aquilo, as águas num tumulto escuro. — Aquilo não pode nos seguir aqui  ela disse.
Meredith a encarou, então à outra margem com suas árvores de carvalho agrupadas, então a Bonnie. Ela umedeceu seus lábios e riu brevemente.
— Claro. Não pode nos seguir. Mas vamos para casa de qualquer jeito, está bem? A não ser que você queira passar a noite aqui.
Algumas sensações inomináveis estremeceram por Elena.
— Não hoje, obrigada  ela disse. Colocou um braço ao redor de Bonnie, que ainda estava fungando. — Está tudo bem, Bonnie. Nós estamos a salvo agora. Vamos.
Meredith estava olhando através do rio novamente.
— Sabe, eu não vejo nada lá trás  ela disse, sua voz mais calma.  Talvez não houvesse nada atrás de nós de modo algum; talvez nós simplesmente tenhamos entrado em pânico e nos assustamos. Com uma ajudinha da nossa sacerdotisa druida aqui.
Elena não disse nada à medida que elas começaram a caminhar, mantendo-se muito juntas pela estrada de terra. Mas ela queria saber. Ela queria muito saber.

9 comentários:

  1. Esse juramento é perigoso o.o minha intuiçao

    ResponderExcluir
  2. Gabrielly no mundo do Olimpo30 de janeiro de 2016 16:56

    isso foi assustador

    ResponderExcluir
  3. Esse tipo de juramento e o caramba... É um pouco de experiência, você aprende a não o fazer, porque pode se foder toda com o que prometeu... Ou jurou.

    ResponderExcluir
  4. minha intuição indica que era o Damon chamando por Elena

    ResponderExcluir
  5. minha intuição indica que seria o Damon chamando por Elena

    ResponderExcluir
  6. Acho que era o Damon...........

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!