5 de novembro de 2015

Capítulo 4

Durante as próximas quatro semanas, Lenobia vivia em um estado estranho entre a paz e a felicidade, ansiedade e desespero.
O tempo jogava com ela. As horas que ficava sentada em seus aposentos esperando o entardecer, a noite e, em seguida, o crepúsculo da madrugada, parecia levar uma eternidade para passar. Mas logo que o navio dormia e ela era capaz de escapar dos limites de sua prisão auto-imposta, as próximas horas passavam correndo, deixando-a sem fôlego e ansiando por mais.
Ela espreitava pelo navio, imersa em liberdade com o ar salgado, vendo o sol irromper gloriosamente do horizonte aquoso, e então escorregaria até a alegria que a esperava no convés inferior.
Por algum tempo ela se convenceu de que era apenas os cinzas que a fizeram tão feliz, tão ansiosa para correr para o porão de carga e tão triste quando o tempo passava rápido demais, quando o navio começava a acordar, e ela tinha que voltar para seus aposentos.
Não poderia ter nada a ver com os ombros largos de Martin, seu sorriso ou o brilho dos seus olhos cor de azeitona, a maneira como ele brincava com ela e a fazia rir.
― Aqueles cinzas não comem o pão que você traz. Ninguém come essas coisas ― ele disse, rindo na primeira manhã que ela tinha retornado.
Ela franziu a testa.
― Eles vão comê-lo porque é salgado. Os cavalos gostam de coisas salgadas.
Ela segurou o pão duro para fora, um pedaço em cada mão, e ofereceu aos percherões. Eles cheiraram e depois, com uma delicadeza surpreendente para esses animais de grande porte, tomaram o pão e mastigaram com várias sacudidas de cabeça e expressões de surpresa que fizeram Lenobia e Martin rirem juntos.
― Você estava certa, chérie! ― Martin disse. ― Como você sabe sobre o que os cavalos gostam de comer, uma senhora como você?
― Meu pai tem muitos cavalos. Eu disse que gosto deles. Então passei um tempo nos estábulos ― ela respondeu evasivamente.
― E seu pai, ele não se importa que sua filha esteja nas estrebarias?
― Meu pai não prestava atenção onde eu estava ― ela respondeu, pensando que, pelo menos, era a verdade. ― E você? Onde você aprendeu sobre cavalos?
Lenobia mudou o foco da conversa.
― A plantação de Rillieux perto de Nova Orleans.
― Sim, esse era o nome do homem que você disse que estava encomendando os cinzas. Então Monsieur Rillieux deve confiar bastante em você se enviou-lhe para viajar por todo o caminho de Nova Orleans à França com os seus cavalos.
― Ele deveria. Monsieur Rillieux é meu pai.
― Seu pai? Mas, eu pensei... ― suas palavras sumiram e Lenobia sentiu seu rosto ficando quente.
― Você pensou que por minha pele ser negra meu pai não poderia ser branco?
Lenobia pensou que ele parecia mais divertido do que ofendido, então ela teve uma chance e disse que estava em sua mente.
― Não, eu sei que um de seus pais é branco. O capitão chamou-o de mulato, e sua pele não é realmente negra. É mais leve do que isso. É mais como chocolate com um pouco de creme misturado.
Para si, Lenobia pensou, Sua pele é mais bonita do que o branco puro jamais seria, e sentiu seu rosto chama novamente.
― Quarteirão, chérie Quadroon disse Martin, sorrindo em seus olhos.
― Quarteirão?
― Oui, é que sou. Minha mãe, ela foi a primeira placage de Rillieux. Ela era mulata.
― Placage? Eu não entendo.
― Homens brancos ricos levam as mulheres de cor em marriages de la main gauche.
― Csamentos de mão esquerda?
― Significa que não é real por lei, mas real para Nova Orleans. Essa foi a minha mãe, só que ela morreu pouco tempo depois de meu nascimento. Rillieux me manteve e seus escravos me educaram.
― Você é um escravo?
― Não. Eu sou crioulo. Homem livre de cor. Eu trabalho para Rillieux.
Quando Lenobia apenas olhou para ele, tentando pensar em tudo o que estava aprendendo, ele sorriu e disse:
― Uma vez que está aqui, quer me ajudar a limpar os cavalos, ou você fugir de volta para o seu quarto como uma boa senhora?
Lenobia ergueu o queixo.
― Já que estou aqui, eu fico. E eu vou te ajudar.
A hora seguinte foi acelerada rapidamente. Os percherões eram grandes para escovar, e Lenobia tinha estado ocupada, trabalhando com Martin e falando sobre nada mais pessoal do que cavalos e discutindo os prós e contras do corte da cauda, apesar de que todo o tempo ela não conseguia parar de pensar em placage marriages de la main gauche.
Foi só quando Lenobia começou a sair ela juntou coragem de fazer a Martin a pergunta que estava circulando em sua mente.
― No placage – as mulheres podem escolher, ou elas tem que estar com quem as queria?
― Existem muitos tipos de pessoas, chérie, e muitos tipos de arranjos, mas pelo o que eu vejo é mais uma questão de escolha e amor.
― Bom ― Lenobia disse. ― Estou feliz por eles.
― Você não tinha escolha, tinha, chérie? ― Martin perguntou, encontrando seu olhar.
― Fiz o que minha mãe me disse para fazer ― ela respondeu com sinceridade, e então saiu do porão de carga e levou o cheiro dos cavalos e a memória dos olhos de azeitona com ela durante todo o longo e tedioso dia.

* * *

O que começou como acidente tornou-se hábito, e se converteu em algo que só se comparava em ver os cavalos. Lenobia não podia esperar para ver Martin – ouvir o que ele iria dizer em seguida, seus sonhos e até mesmo seus medos. Ela não quis confiar nele, gostar dele – temer por ele – mas ela o fez. Como não? Martin era engraçado, inteligente e bonito, muito bonito.
― Está ficando mais magra ― ele disse a ela no quinto dia.
― O que está falando? Eu sempre fui pequena ― Lenobia fez uma pausa enquanto escovava a juba emaranhada de um dos cinzas e espiou Martin. ― Eu não sou magra ― disse com firmeza.
― Magra, chérie. Isso que você é.
Ele passou por baixo do pescoço do cavalo castrado e de repente estava ali, ao lado dela, íntimo, caloroso e sólido. Ele pegou o pulso dela delicadamente na mão e envolveu-o facilmente com o dedo indicador e o polegar.
― Vê? Você todo osso.
Seu toque a chocou. Ele era alto e musculoso, mas gentil. Seus movimentos eram lentos, constantes, quase hipnóticos. Era como se cada movimento fosse feito deliberadamente, para não assustá-la. Inesperadamente, ele lembrou-a de um percherão. Seu polegar acariciou o interior de seu punho, sobre o ponto de pulsação.
― Eu tenho que fingir que não quero comer ― ouviu-se admitir.
― Por que, chérie?
― É melhor para mim se eu ficar longe de todos, e estar enjoada dá-me uma razão ficar sozinha.
― Todo mundo? Por que não fica longe de mim? ― ele perguntou com ousadia.
Mesmo que seu coração sentiu como se fosse bater de seu peito, ela puxou o pulso de seu aperto suave e deu-lhe um olhar severo.
― Eu vim para os cavalos, não para você.
― Ah, les chevaux. Claro.
Ele acariciou o pescoço do cavalo castrado, mas ele não sorriu como ela esperava, nem brincou de volta. Ao contrário, apenas olhou-a, como se pudesse ver através de sua fachada resistente a suavidade de seu coração. Ele não disse mais nada, e em vez disso entregou-lhe uma das escovas grossas de um balde por perto.
― Ele gosta mais dessa.
― Obrigada ― ela falou, e começou a trabalhar seu caminho através do corpo amplo do cavalo castrado com a escova.
Houve apenas um pequeno silêncio desconfortável e, em seguida, a voz de Martin surgiu do outro lado do cavalo.
― Então, chérie, que história te conto hoje? A de como qualquer coisa que você planta na terra preta da Nova França cresce mais alto do que estes petite chevaux, ou sobre as pérolas nos tignons do belo placage e como as mulheres que passeiam pela praça?
― Conte-me sobre as mulheres – sobre o placage ― Lenobia disse, e então ela ouviu avidamente o modo como Martin pintava em sua imaginação as lindas mulheres que eram livres para escolher de quem gostavam, mas não livres o suficiente para fazer com que suas uniões fossem legais.
Então na manhã seguinte, quando ela correu para o porão, encontrou-o já preparando os cavalos. Um pedaço de queijo e carne de porco quente perfumada entre duas fatias grossas de pão fresco estavam sobre um pano limpo perto dos barris de aveia. Sem olhar para ela, Martin disse:
― Coma, chérie. Você não tem que fingir para mim.
Talvez essa foi a manhã em que Lenobia mudou seu pensamento. Ela começou a pensar em ver Martin de madrugada ao invés de visitar os cavalos de madrugada. Ou, mais precisamente, talvez, foi quando ela começou a admitir a mudança para si mesma.
E, uma vez que mudou para ela, Lenobia começou a procurar por sinais de Martin que ela era mais do que apenas sua amiga, mais do que ma chérie, a menina a quem levava e pedia por histórias de Nova França. Mas tudo o que ela encontrou em seu olhar foi a bondade era familiar. Tudo o que ouviu em sua voz era paciência e humor. Uma ou duas vezes ela pensou captar um vislumbre de mais, especialmente quando eles riram juntos e o verde oliva de seus olhos parecia brilhar com manchas de marrom dourado, mas ele sempre se virava quando Lenobia o olhava por muito tempo, e sempre havia uma história engraçada onde o silêncio entre eles tornava-se demasiado grande.
Pouco antes que o mundo de paz e felicidade que ela tinha encontrado se quebrasse e explodisse, Lenobia finalmente encontrou a coragem de fazer a pergunta que não permitira que ela fosse dormir. Estava sacudindo as saias e sussurrando para um cavalo, mas de repente respirou fundo e falou:
― Martin, eu preciso lhe fazer uma pergunta.
― O que é, chérie? ― ele respondeu distraidamente, enquanto recolhia as escovas e panos de linho que haviam usado para limpar os castrados
― Você me contra histórias de mulheres como sua mãe, mulheres de cor que se tornam placage e vivem como esposas de homens brancos. Mas o que há de homens de cor com mulheres brancas? O que há de placage masculino?
De fora do compartimento, o seu olhar encontrou o dela e ela viu a sua surpresa e depois diversão, e soube que ele iria humilhá-la, rindo. Então, ele realmente olhou em seus olhos, e sua resposta afiada se apagou.
Ele balançou a cabeça lentamente de um lado para o outro. Sua voz soou cansada e seus ombros largos pareceram afundar.
― Não, chérie. Não há placage do sexo masculino. A única forma de um homem de cor poder estar com uma mulher branca é se ele deixar a Nova França e passar em branco.
― Passar em branco? ― Lenobia sentiu falta de ar diante sua audácia. ― Você quer dizer fingir que é branco?
― Oui, mas não eu, chérie ― Martin estendeu o braço. Era longo e musculoso e, à luz filtrada do convés superior, parecia mais como bronze do que marrom. ― Esta pele é escura demais para passar, e eu acho que não sou nem mais claro nem mais escuro do que sou. Nah, chérie. Eu sou feliz em minha própria pele.
Seus olhares se firmaram e Lenobia tentou dizer-lhe com um olhar tudo o que estava começando a desejar, tudo que ela estava começando a querer.
― Eu vejo uma tempestade em seus olhos cinzentos, chérie. Deixe assim. Você é fort. Mas não é forte o suficiente para mudar a maneira como o mundo pensa, a maneira como o mundo acredita.
Lenobia não respondeu até que abriu a porta do pequeno compartimento dos percherões. Ela foi para Martin, alisou a saia, e depois olhou para os olhos dele.
― Mesmo no Novo Mundo? ― Sua voz era pouco mais que um sussurro.
― Chérie, não falamos disso, mas eu sei que você é uma das fille à la casquette.
Está prometida a um grande homem. Isso não é verdade, chérie?
― É verdade. Seu nome é Thinton de Silegne. Ele é um nome sem rosto, sem coração, sem corpo.
― Ele tem um nome com terra, porém, chérie. Conheço seu nome e sua terra. Sua fazenda, os Houmas, é como o paraíso.
― Não é o paraíso que eu quero, Martin. É apenas v...
― Não! ― ele a deteve, pressionando o dedo contra seus lábios. ― Você não pode falar. Meu coração, ele é forte, mas não forte o suficiente para lutar contra as suas palavras.
Lenobia pegou a mão de seus lábios e segurou-a na dela. Sentiu-a quente e áspera, como se não houvesse nada que não pudesse derrotar ou defender com essa mão.
― Eu só peço que o seu coração escute.
― Oh, chérie. Meu coração, ele já ouviu suas palavras. Seu coração, ele fala para mim. Mas é só até aí que podem chgar... essa conversa silenciosa entre nós.
― Mas... eu quero mais ― ela falou.
― Oui, mon chou petite, eu quero mais, também. Mas não pode ser. Cecile, não podemos ser.
Essa foi a primeira vez que ele a chamou por esse nome desde que tinha vindo com ele de madrugada, e ao som ela levou um susto, tanto que deixou cair a mão e se afastou dele.
Ele acha que eu sou Cecile, a filha legítima de um barão. Digo a ele? Será que isso importa?
― E-eu deveria ir ― ela tropeçava nas palavras, completamente dominada pelas camadas conflitantes de sua vida. Lenobia começou a ir para a grande saída de carga do convés. Atrás dela, Martin falou.
― Não volte aqui outra vez, chérie.
Lenobia olhou por cima do ombro.
― Você está dizendo que não quer que eu volte?
― Eu não poderia dizer essa mentira para você.
Lenobia deu um suspiro longo e trêmulo de alívio antes de dizer:
― Então, se você me perguntar, a minha resposta é sim. Vou voltar aqui novamente. Amanhã. Ao amanhecer. Nada mudou.
Ela continuou andando, e ouviu o eco de sua voz segui-la, dizendo:
― Tudo mudou, minha querida...
Os pensamentos de Lenobia estavam em tumulto. Tinha tudo mudado entre eles?
Sim. Martin disse que seu coração ouviu minhas palavras. Mas o que isso significa? Ela subiu a escadaria estreita e entrou no corredor que ia da entrada do porão, passava pelo alojamento da tripulação, dava acesso ao convés e terminava nos quartos dos passageiros do sexo feminino. Ela correu ao passar pela tripulação. Foi depois que ela voltou normalmente, ouviu quase todos os sons dos membros da tripulação sobre farfalhando dentro, prontos para começar o dia. Ela deveria ter sabido à época que ela precisava ser mais cuidadosa. Deveria ter parado e escutado, mas tudo o que Lenobia podia ouvir era o som de seus pensamentos respondendo sua própria pergunta: O que significa Martin dizer que que seu coração ouviu as minhas palavras? Isso significa que ele sabe que eu o amo.
Eu o amo. Eu amo Martin.
Foi quando ela admitiu a si mesma que o padre, vestes roxas que rodando em torno dele, apareceu no corredor a menos de dois passos atrás dela.
― Bonjour, mademoiselle ― cumprimentou-a.
Se Lenobia não estivesse tão distraída, teria imediatamente abaixado a cabeça, feito uma reverência e corrido de volta para a segurança de seus aposentos. Em vez disso, ela cometeu um erro terrível. Lenobia olhou para ele.
Seus olhares se encontraram.
― Ah, é a senhorita que tem passado tão mal toda a viagem.
Ele parou e viu a confusão em seus olhos escuros. Inclinou a cabeça e franziu o cenho enquanto a estudava.
― Mas eu pensei que você fosse a filha de... ― sua voz sumiu enquanto seus olhos se arregalaram em compreensão, reconhecimento.
― Bonjour, padre.
Ela falou rapidamente, abaixou a cabeça, fez uma reverência e tentou recuar. Mas já era tarde demais. A mão do padre serpenteava para fora e agarrou seu braço.
― Eu conheço o seu rosto bonito, e não é o de Cecile Marson de La Tour d'Auvergne, filha do Barão d'Auvergne.
― Não, por favor. Deixe-me ir, padre.
Lenobia tentou se afastar dele, mas o aperto quente era mais forte do que ferro.
― Eu conheço o seu lindo, lindo rosto ― repetiu ele. Sua surpresa transformou-se num sorriso cruel. ― Você é uma filha do Barão, mas você é a sua filha bastarda. Todos próximos do castelo de Navarra sabem da pequena fruta suculenta que caiu do lado errado da árvore do Barão.
Sua filha bastarda... pequena fruta suculenta... lado errado... As palavras a golpearam, enchendo-a de pavor. Lenobia balançou a cabeça para trás e para frente, para trás e para frente.
― Não, eu devo voltar aos meus aposentos. Irmã Marie Madeleine vai notar minha ausência.
― Como, aliás eu notei.
O bispo e Lenobia foram surpreendidos pela voz de comando da irmã Marie Madeleine o suficiente para que Lenobia fosse capaz de puxar seu braço e tropeçar pelo corredor até a freira.
― O que é isso, padre? ― Irmã Marie Madeleine perguntou. Mas antes que o padre pudesse responder a ela, a freira tocou a face Lenobia e disse: ― Cecile, por que está tremendo tanto? Você já esteve doente de novo?
― Você a chama de Cecile? Faz parte dessa pecaminosa farsa?
O padre parecia encher o corredor enquanto ele pairava sobre as duas mulheres.
Claramente, não intimidada, irmã Marie Madeleine se adiantou, colocando-se entre Lenobia e o sacerdote.
― Eu não tenho ideia do que está falando, padre, mas está assustando a criança.
― Esta criança é uma impostora bastarda! ― o padre rugiu.
― Padre! O senhor ficou louco? ― disse a freira, recuando, como se ele a tivesse golpeado.
― Você sabe? É por isso que tem a mantido escondida durante toda a viagem? ― o padre continuou com raiva.
Lenobia podia ouvir os sons de portas abrindo por trás dela e ela sabia que as outras meninas estavam vindo para o corredor. Ela não podia olhar para elas, ela não iria olhar para elas.
― Isso é uma farsa! Vou excomunga-la. O próprio Santo Padre vai ouvir isso!
Lenobia podia ver os olhares curiosos que os tripulantes foram dando-lhes enquanto o discurso do padre chamava mais e mais a atenção. E então, no corredor, muito atrás do padre, Lenobia avistou o rosto assustado de Martin e viu que ele estava vindo em sua direção.
Era terrível o suficiente que a irmã Marie Madeleine estivesse lá, protegendo e acreditando nela. Ela não poderia suportar que Martin fosse de alguma forma puxado para a bagunça que havia feito de sua vida também.
― Não! ― Lenobia chorou, movendo-se para irmã Marie Madeleine. ― Eu fiz isso sozinha. Ninguém sabia, ninguém! Especialmente a irmã.
― O que é que a criança fez? ― o capitão perguntou quando entrou no corredor, franzindo a testa do padre para Lenobia.
O padre abriu a boca para gritar o seu pecado, mas antes que pudesse falar, Lenobia confessou.
― Eu não sou Cecile Marson de La Tour d'Auvergne. Cecile morreu pela manhã, e a carruagem veio para levá-la ao Le Havre. Sou outra filha do Barão d'Auvergne – sua filha bastarda. Eu tornei-me Cecile, sem que ninguém no château soubesse porque eu queria uma vida melhor para mim.
Lenobia encontrou o olhar da freira fixamente.
― Estou arrependida. Eu menti para você, irmã. Por favor, me perdoe.

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