29 de novembro de 2015

Capítulo 4

— Primeiro, — Meredith perguntou — o Damon está certo? Se você voltar para o sangue animal, será seriamente enfraquecido?
Stefan sorriu.
— Estarei do jeito que era antes, quando conheci vocês. — Ele disse. — Forte o bastante para fazer isso.
Ele inclinou-se em direção a um objeto de ferro embaixo do cotovelo de Damon, murmurando distraidamente "Scusilo per favore" enquanto pegava o atiçador de lareira.
Damon revirou os olhos. Mas quando Stefan, em um rápido movimento, dobrou o atiçador em formato de U, desdobrando-o de novo e colocando-o novamente em seu lugar, Matt podia jurar que havia uma expressão de inveja no rosto Damon, que nunca expressava nada.
— E isso era ferro, que é resistente a todas as forças sobrenaturais. — Meredith disse uniformemente, enquanto Stefan afastava-se da lareira.
— Mas é claro que ele esteve bebendo de vocês três, garotas charmosas, nos últimos dias... Sem mencionar o poder nuclear que a amada Elena se tornou. — Damon disse, batendo palmas três vezes, lentamente. — Ah... Mutt. Sono spiacente... Quero dizer, não quis adicionar você ao grupo de garotas. Sem ofensas.
— Não me ofendi. — Matt disse entre dentes.
Se ele pudesse, somente uma vez, tirar aquele sorrisinho brilhante do rosto de Damon, morreria feliz, ele pensou.
— Mas a verdade é que você tem sido um doador... Muito... Disposto para o meu Querido Irmão, não é mesmo? — Damon adicionou, seus lábios se contraindo um pouco, como se o atrito o controlasse de sorrir.
Matt deu dois passos em direção a Damon. Era tudo que poderia fazer sem dar uma na cara do Damon, apesar de algo em seu cérebro sempre gritar suicídio quando ele tinha pensamentos como este.
— Tem razão. — Ele disse o mais calmamente possível. — Eu tenho doado sangue a Stefan assim como as garotas. Ele é meu amigo, e há alguns dias atrás parecia que ele tinha acabado de sair de um campo de concentração.
— Claro. — Damon murmurou, como se estivesse sido castigado, mas logo voltou a um tom mais suave: — Meu maninho sempre foi popular com ambos os... Bem, com senhoritas presentes, eu direi gêneros. Até mesmo com um kitsune macho; que, é claro, é o motivo de eu estar nesta confusão. 
Matt viu, literalmente, a cor vermelha, como se olhasse para uma névoa de sangue em cima Damon.
— Falando nisso, o que aconteceu com o Sage, Damon? Ele era um vampiro. Se pudéssemos encontrá-lo, seu problema seria resolvido, não? — Meredith perguntou.
Foi uma boa resposta, assim como todas as respostas que Meredith dava. Mas Damon falou com seus olhos negros fixos no rosto de Meredith:
— Quanto menos você souber e falar de Sage, será melhor. Eu não falaria dele tão deliberadamente... Ele tem amigos lá embaixo. Mas a resposta para sua pergunta: Não, eu não deixaria Sage me transformar em vampiro. Isso só complicaria as coisas.
— Shinichi nos deu boa em descobrir que ele é — Meredith disse, ainda calma. — Você sabe o que ele quis dizer com isso?
Damon deu de ombros.
— O que eu sei é somente da minha conta. Ele gasta o tempo dele no lugar mais baixo e sombrio da Dimensão das Trevas.
Bonnie explodiu.
— Porque Sage se foi? Oh, Damon, ele se foi por nossa causa? Por que deixou Sabber para cuidar de nós? E... Oh... Oh... Oh... Damon , sinto muito! Sinto muitíssimo!
Ela deslizou para fora do assento em formato de coração e inclinou a cabeça de modo que somente seus cachos de morango estavam visíveis. Com sua mãos pequenas e pálidas abraçando seu corpo, parecia que estava prestes a colocar a cabeça entre os pés.
— Isso é tudo culpa minha e agora todos estão zangados... Mas aquilo era tão horrível e eu tive que acreditar na pior coisa que eu pudesse imaginar.
Isso foi um quebra-gelo. Logo, todos estavam rindo. Era tão típico da Bonnie, e era uma verdade para eles. Típico de humano.
Matt queria pegá-la e colocá-la de volta no assento em formato de coração. Meredith sempre fora o melhor remédio para Bonnie. Mas quando ele se encontrou indo alcançá-la, ficou confuso ao ver dois pares de mãos fazendo a mesma coisa. Uma eram as de Meredith, esbeltas e morenas, e os as outras eram do sexo masculino, mais longas e afiadas.
As mãos de Matt se fecharam em um punho. Deixe Meredith pegá-la, pensou, e seu punho desajeitado... De algum jeito... Ficou no caminho dos de Damon. Meredith levantou Bonnie facilmente e sentou novamente no assento de coração. Ele levantou os olhos escuros para Matt e Matt viu compreensão lá.
— Sério, você devia perdoá-la, Damon. — Meredith, sempre com referência imparcial, disse sem rodeios. — Não acho que ela conseguirá dormir esta noite de outra forma.
Damon deu de ombros, frio como um iceberg.
— Talvez... Um dia.
Matt podia sentir seus músculos se contraírem. Que tipo de filho da mãe poderia dizer isso para a Bonniezinha? Porque, é claro, ela estava ouvindo.
— Vai se ferrar. — Matt disse em voz alta.
— O que disse? — A voz de Damon não era mais lânguida e falsamente educada, mas sim como um chicote.
— Você me ouviu. — Matt resmungou. — E se não ouviu, talvez seria melhor que fôssemos lá fora para que eu pudesse dizer mais alto. — Ele adicionou, soando mais corajoso.
Ele ignorou um gemido de "Não!" de Bonnie, e um educado "Quietos" de Meredith. Stefan disse "Os dois..." em uma voz de comando, mas vacilou e tossiu, dando a chance para Matt e Damon saírem pela porta.
Estava bem quente lá fora, na varanda da pensão.
— Esse será o terreno de matança? — Damon perguntou preguiçosamente quando tinham descido as escadas e ficado ao lado do caminho de cascalho.
— Está ótimo para mim. — Disse Matt, seus ossos sabendo que Damon jogaria sujo.
— Sim, definitivamente é bem perto. — Disse Damon, dando um sorriso brilhante desnecessário em direção a Matt. — Você pode pedir por ajuda, enquanto meu maninho está na sala, e ele terá tempo bastante para salvá-lo. E agora, vamos resolver o problema de você se meter na minha vida e do por que você...
Matt deu-lhe um soco no nariz.
Ele não tinha ideia do que Damon pretendia fazer. Se você pede para um cara para ir lá fora, então vocês vão lá. Então, você vai em cima do cara. Não fica bate-papo. Se fizesse isso, você seria rotulado de "covarde" ou de coisa pior. Damon não era o tipo que se precisasse dizer isso.
Mas ele sempre havia sido capaz de repelir qualquer ataque contra ele, enquanto falava alguns insultos... Antes.
Antes, ele teria quebrado cada osso em minha mão e me batido, Matt deduziu. Mas agora... Estou quase tão rápido quanto ele, e ele simplesmente foi pego de surpresa.
Matt flexionou sua mão cautelosamente. Sempre machucava, é claro, mas se Meredith pôde fazer isso com Caroline, então ele poderia fazer com...
Damon?
Mas que droga, eu nocauteei o Damon?
Corra, Honeycutt, ele parecia ouvir a voz do seu velho treinador dizendo-lhe. Corra. Fuja da cidade. Mude de nome.
Já tentei isso. Não funcionou. Nem sequer tinha uma camisa, Matt pensou amargamente.
Mas Damon não estava pulando como um demônio de fogo do inferno, com os olhos de um dragão e a força de um touro furioso para aniquilar Matt. Parecia e soava mais como se estivesse chocado e indignado com seu cabelo desgrenhado e suas botas manchadas de terra.
— Sua... Criança... Ignorante... — Ele ficava alternando entre inglês e italiano.
— Olha — Matt disse. — Estou aqui para brigar, está bem? E o cara mais inteligente que eu conheço uma vez me disse: "Se você vai brigar, não converse. Se vai conversar, não brigue."
Damon tentou rosnar enquanto erguia-se e tirava os espinhos de seus jeans.Mas o rosnado não se saiu muito bem. Talvez seja por causa da forma de seus caninos. Talvez ele simplesmente não estivesse com muita convicção.
Matt havia visto garotos derrotados o suficiente para saber que essa briga estava acabada. Uma estranha exaltação veio sobre ele. Ele continuaria com seus membros e órgãos! Aquele era um momento muito, muito precioso.
Ok, será que devo lhe oferecer uma ajuda? Matt se perguntou, sendo respondido logo por: Claro, seria o mesmo que ajudar um crocodilo temporariamente aturdido. Para quê você precisa de dez dedos inteiros, afinal?
Ora, pois, pensou, virando-se para voltar à porta da frente. Enquanto ele vivesse... O que, ele admitiu, poderia não ser por muito tempo... Ele se lembraria deste momento.
Quando entrou, deu um encontrão com Bonnie, que estava prestes a sair.
— Oh, Matt, oh, Matt . — Ela gritou. Ela o avaliava loucamente. — Você o machucou? Ele machucou você ?
Matt bateu uma vez seu punho em sua outra mão.
— Ele ainda está caído lá fora. — Ele adicionou proveitosamente.
— Oh, não ! — Bonnie arfou, e saiu pela porta.
Ok. A parte menos espetacular da noite. Mas ainda era uma boa noite.

***

— Eles fizeram o quê? — Elena perguntou a Stefan.
Frios cataplasmas presos por bandagens apertadas foram envoltos em torno de seu braço, mão e coxa, a Sra. Flowers havia cortado seu jeans transformando-o em short e a limpou o sangue seco com ervas.
Seu coração estava batendo com mais dor. Mesmo que ela não tivesse percebido que Stefan estava em sintonia com todos da casa quando ele estava acordado. Tudo que ela podia pedir a Deus era que ele estivesse dormindo quando ela e Damon... Não! Ela tinha que parar de pensar nisso, e agora!
— Eles foram lá fora lutar — Stefan disse. — É idiotice, é claro. Mas é uma questão de honra, também. Não posso interferir.
— Bem, eu posso... Isso se você tiver terminado, Sra. Flowers.
— Sim, amada Elena. — A Sra. Flowers disse, prendendo um band-aid no pescoço de Elena. — Agora, você não deve pegar tétano.
Elena parou no meio de uma ação.
— Pensei que você contraísse tétano a partir de lâminas enferrujadas. — Ela disse. — Da... Essa parecia nova em folha.
— Tétano se pega a partir de lâminas sujas, minha querida. — A Sra. Flowers a corrigiu. — Mas essa... — Ela segurava uma garrafa — É uma receita da própria Vovó a que mantém qualquer ferida livre de qualquer doença durante séc... Durante anos.
— Uau. — Elena disse. — Nunca tinha ouvido falar da Vovó . Ela era uma... Curandeira?
— Ah, sim. — A Sra. Flowers disse sinceramente. — Na verdade, ela fora acusada de ser uma bruxa. Mas no seu julgamento, não se pôde provar nada. Aqueles que a acusaram não pareciam poder falar coerentemente.
Elena olhou para Stefan somente para descobrir que ele estava olhando para ela. Matt estava em perigo de ser arrastado ao tribunal... Alegando ter agredido Caroline Forbes enquanto estava sob alguma droga desconhecida e terrível. Nada relacionado com tribunais interessava a ambos. Mas ao olhar para o rosto preocupado de Stefan, Elena decidiu não prosseguir com o assunto. Ela apertou sua mão.
— Temos que ir agora, mas falaremos sobre a Vovó mais tarde. Ela me parece ser fascinante.
— Só lembro-me dela como uma velha reclusa e excêntrica que não se enganava com a felicidade e que achava que todos eram tolos. — Disse a Sra. Flowers. — Acho que estava indo pelo mesmo caminho até que vocês, crianças, chegaram e me fizeram acordar. Obrigada.
— Somos nós que devemos agradecer — Elena começou, abraçando a velha senhora, sentindo seu coração parar de bater.
Stefan estava olhando para ela com amor. Tudo ia ficar bem... Para ela.
Estou preocupada com Matt, ela pensou para Stefan, testando águas mais vigorosas. Damon ainda é bem rápido... E não gosta de Matt nem um pouco.
Eu acho, Stefan retornou com um sorriso torto, que isso é um eufemismo bastante impressionante. Mas também acho que você não deve se preocupar até ver quem voltou ferido.
Elena olhou aquele sorriso, e pensou por um momento sobre o impulso e atlético Matt. Depois de um instante, ela sorriu de volta. Estava se sentindo culpada e protetora... E salva. Stefan sempre a fazia se sentir salva. E agora, ela queria prejudicá-lo.

***

No jardim da frente, Bonnie humilhava a si mesma. Ela não conseguia deixar de pensar, mesmo agora, sobre o quão belo Damon parecia, o quão sombrio, selvagem e bonito. Ela não pôde evitar pensar nas vezes em que ele sorrira para ela, rira para ela, viera para salvá-la numa ligação de emergência.Ela tinha o pensamento de que, um dia... Mas agora, sentiu como se o seu coração estivesse quebrado em dois.
— Eu só queria poder arrancar a minha língua. — Ela disse. — Eu não devia ter assumido nada do que vi.
— Como você teria sabido que eu não estava roubando Elena de Stefan? — Damon disse cansadamente. — Esse seria o tipo de coisa que eu faria.
— Não, não é! Você fez tanta coisa para libertar Stefan da prisão... Você sempre encarou os maiores perigos... E evitou que nos machucassem. Você fez tanta coisa por outras pessoas...
De repente, os braços de Bonnie estavam sendo segurados por mãos tão fortes que sua mente foi inundada de clichês. Um aperto de ferro. Forte como tiras de aço.
E uma voz como uma corrente gelada veio até ela.
 — Você não sabe nada sobre mim, ou sobre o que eu quero, ou sobre o que faço. Tudo que sabe é que eu poderia estar armando alguma neste momento. Então, não quero ouvir você falando sobre algumas coisas, ou imaginando que eu não lhe mataria se você entrasse em meu caminho. — Damon disse.
Ele saiu e deixou Bonnie sentada ali, encarando-o. E ela estava errada. Não estava chorando, no final das contas.

Um comentário:

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!