25 de novembro de 2015

Capítulo 4

 Você está tremendo. Deixa que eu faço isso sozinha — Meredith disse, colocando uma mão nos ombros de Bonnie enquanto estavam juntas em frente a casa de Caroline Forbes.
Bonnie começou a se sentir pressionada, mas logo se controlou. Era tão humilhante tremer em uma manhã na Virgínia, no final de julho. Era humilhante ser tratada como uma criança, também. Mas Meredith, que era apenas seis meses mais velha do que ela, parecia mais adulta do que o habitual.
Seu cabelo negro estava solto, seus olhos pareciam maiores, sua pele olivácea, corada nas maçãs do rosto, ela estava linda.
Ela praticamente poderia ser minha babá, pensou Bonnie desanimadamente. Meredith usava sapatos de salto alto, ao invés de suas usuais sapatilhas. Em comparação, Bonnie se sentiu mais nova e mais baixa do que nunca. Passou as mãos pelos seus cachos loiro-morango, tentando levantá-los pelo menos uma polegada mais alto.
— Não estou assustada. Eu estou com f-frio — Bonnie disse com toda dignidade que pode reunir.
— Eu sei. Você sente algo vindo de lá, não é? — Meredith acenou com a cabeça para a casa em frente delas.
Bonnie olhou de soslaio para ela e depois para Meredith. De repente, a maturidade de Meredith era mais reconfortante do que irritante. Mas antes que ela olhasse para a casa da Caroline novamente soltou: — Por que você está de salto alto?
— Ah — disse Meredith olhando para baixo.  Praticidade. Se alguém tentar pegar no meu tornozelo, eu faço isso — Ela bateu o pé, fazendo um estalo.
Bonnie quase sorriu. — Você trouxe seu soco inglês de bronze também?
— Não preciso disso também; Vou bater em Caroline, desarmada, se ela tentar qualquer coisa — Mas não mude de assunto. Eu posso fazer isso sozinha.
Bonnie colocou sua mão sobre a mão fina com dedos longos de Meredith. Ela apertou. — Sei que você pode. Mas sou a única que deveria. Foi a mim quem ela convidou.
— Sim — Meredith disse, com seus lábios finos e elegantes curvados. — Ela sempre sabe aonde enfiar a faca. Bem, aconteça o que acontecer, Caroline que fez isso a ela mesma. Primeiro vamos tentar ajudá-la, por nós e por ela mesma. Em seguida faremos com que ela busque ajuda. Depois disso...
— Depois disso — disse Bonnie com amargura, — não temos como prever. — Ela olhou para a casa de Caroline mais uma vez. Parecia distorcida... de alguma forma, como se estivesse vendo através de um espelho distorcido. Além disso, ela tinha uma áurea ruim: preto, riscado com cinza esverdeado. Bonnie nunca tinha visto uma casa com tanta energia antes.
E era fria, essa energia, como respirar dentro de um frigorífico. Bonnie se sentiu como se sua energia vital estivesse sendo sugada e fosse transformada em gelo, se tivesse oportunidade.
Deixou Meredith tocar a campainha. Ela tinha um leve eco, e quando a Sra. Forbes atendeu, sua voz parecia ecoar um pouco também. O interior da casa também parecia um reflexo distorcido, Bonnie pensou, mas ainda mais estranho foi a sensação. Se fechasse os olhos, podia se imaginar em um lugar muito maior, onde o chão declinava.
— Vocês vieram ver a Caroline — a senhora Forbes disse. Sua aparência chocou Bonnie. A mãe de Caroline parecia uma idosa, com cabelos grisalhos e um pálido rosto vazio.
— Ela está em seu quarto. Vou mostrá-lo a vocês — disse a mãe de Caroline.
— Mas senhora Forbes, nós sabemos onde... — Meredith se calou quando Bonnie colocou a mão em seu braço. A desbotada e encolhida mulher desapareceu. Ela quase não tinha áurea nenhuma, Bonnie percebeu como uma facada no coração. Ela conhecia Caroline e seus pais a tanto tempo – como era possível que isso tenha acontecido com eles ?
Eu não vou xingar Caroline, não importa o que ela fez, Bonnie prometeu silenciosamente. Não importa. Mesmo... sim, mesmo depois do que ela fez com Matt, eu tentarei lembrar algo de bom dela.
Mas já era difícil pensar nessa casa, muito menos pensar algo de bom.
Bonnie sabia que a escada se aproximava do fim; ela podia ver cada passo que dava. Mas todos os seus outros sentidos lhe diziam que estava descendo. Era uma sensação horrível, que a estava deixando tonta: essa inclinação acentuada para baixo era como assistir seus pés subirem.
Havia também um cheiro estranho e pungente, de ovos estragados. Um odor podre que se podia provar no ar.
A porta de Caroline estava fechada, em frente a ela uma bandeja de comida com um garfo e uma faca. A senhora Forbes correu à frente de Bonnie e Meredith, e rapidamente pegou a bandeja, abriu a porta de Caroline e o colocou lá dentro, fechando a porta atrás dela.
Mas pouco antes de desaparecer, Bonnie pensou que tinha visto um movimento na comida dentro da porcelana fina.
— Ela quase não fala mais comigo — disse a senhora Forbes, com a mesma voz vazia que tinha usado antes.  Mas disse que estava esperando por vocês...
Ela correu, deixando-as sozinhas no corredor. O cheiro de ovos podre, não, de enxofre, Bonnie percebeu, era muito forte.
Enxofre – ela reconheceu o cheiro da aula de química do ano passado.
Mas como um cheiro tão horrível foi chegar na casa elegante da senhora Forbes? Bonnie virou-se para perguntar a Meredith, mas ela já estava balançando a cabeça. Ela conhecia essa expressão.
Não diga nada.
Bonnie engoliu em seco, limpou seus olhos, e viu Meredith virar a maçaneta da porta de Caroline.
O quarto estava escuro. A luz do corredor revelava que as cortinas de Caroline tinham sido reforçadas por colchas. Não havia ninguém na cama.
— Entra logo! E fecha essa porta, rápido!
Era a voz de Caroline, com a típica impertinência de Caroline. Uma enxurrada de alívio tomou conta de Bonnie. A voz não era masculina que chocava o quarto, ou um uivo, era Caroline de mal humor.
Ela entrou na penumbra diante dela.

2 comentários:

  1. Caroline tá comendo coisas vivas??

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  2. Pelo que entendi por ela está grávida de um lobisomem ela pode se tornar uma pois está no gene da criança

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