15 de novembro de 2015

Capítulo 4

Meredith lançou um curvo olhar irônico para Matt. — Hmm, —  disse. — Agora, quem você acha que Elena chamaria em tempos de dificuldade? 
O sorriso forçado de Bonnie deu lugar a uma pontada de culpa na expressão de Matt. Não era justo provocá-lo com isso. — Elena disse que o assassino é muito forte para nós e é por isso que precisamos de ajuda, — disse a Matt. — E só posso pensar em uma única pessoa que Elena sabe que poderia lutar contra um assassino psicótico.
Devagar, Matt acenou com a cabeça. Bonnie não conseguia dizer o que ele estava sentindo. Ele e Stefan tinham sido melhores amigos uma vez, mesmo depois de Elena ter escolhido Stefan em vez de Matt. Mas isso tinha sido antes de descobrir o que Stefan era, e de que tipo de violência ele era capaz. Na sua raiva e pesar pela morte de Elena, Stefan tinha quase matado Tyler Smallwood e cinco outros caras. Poderia Matt realmente esquecer isso? Poderia ele lidar com Stefan voltando para Fell´s Church?
O rosto enquadrado de Matt não deu nenhum sinal agora, e Meredith estava falando de novo. — Então só o que nós precisamos fazer é deixar algum sangue e cortar algum cabelo. Você não sentiria falta de um ou dois cachos, sentiria, Bonnie?
Bonnie estava tão abstraída que quase perdeu isso. Então sacudiu a cabeça. — Não, não, não. Não é o nosso sangue e nosso cabelo que precisamos. Nós precisamos do sangue e cabelo da pessoa que nós queremos chamar. 
— O quê? Mas isso é ridículo. Se tivéssemos o sangue e cabelo de Stefan não precisaríamos chamá-lo, precisaríamos?
— Não pensei nisso. — Bonnie admitiu. — Normalmente em um encantamento de chamamento você tem as coisas de antemão e usa quando quer chamar a pessoa de novo. O que nós vamos fazer, Meredith? É impossível.
As sobrancelhas de Meredith se juntaram. — Por que Elena pediria isso se é impossível?
— Elena pediu muitas coisas impossíveis, — Bonnie disse sombriamente. — Não me olha desse jeito, Matt; você sabe que ela pediu. Ela não era uma santa. 
— Talvez, mas esse não é impossível, — Matt disse. — Posso pensar em um lugar onde teria o sangue de Stefan, e se tivermos sorte, um pouco do cabelo dele também. Na cripta.
Bonnie recuou, mas Meredith apenas acenou. 
— Claro, — falou. — Quando Stefan estava trancado lá, deve ter sangrando em todo o lugar. E nesse tipo de luta ele pode ter perdido algum cabelo. Se tudo lá em baixo tiver sido deixado intocável...
— Não acho que alguém esteve lá desde a morte de Elena, — Matt disse. — A polícia investigou e depois deixou pra lá. Mas só tem uma forma de descobrir.
Eu estava errada, Bonnie pensou. Estava preocupada como Matt lidaria com a volta de Stefan, e aqui está ele fazendo tudo que pode para nos ajudar a chamá-lo.
— Matt, poderia beijar você! — falou.
Por um instante alguma coisa que não podia identificar cintilou nos olhos de Matt. Surpresa, com certeza, mas tinha algo mais do que isso. De repente Bonnie queria saber o que ele teria feito se realmente beijasse ele. 
— Todas as garotas dizem isso, — ele por fim respondeu calmamente, encolhendo os ombros em uma fingida resignação zombeteira. Foi o mais próximo que chegou de ficar despreocupado o dia todo. 
Meredith, entretanto, estava séria. — Vamos. Temos muito o que fazer, e a última coisa que queremos é ficar presos na cripta depois que escurecer.


A cripta estava debaixo da igreja arruinada que ficava em um morro no cemitério. Era apenas o meio da tarde, abundância de luz sobrando, Bonnie continuava a dizer a si mesma enquanto subiam o morro, mas um arrepio subiu pelos seus braços de qualquer maneira. O cemitério moderno já era ruim o suficiente, mas o velho cemitério era assustador ao extremo até na luz do dia. Havia tantas lápides desintegradas se inclinando loucamente na grama muita alta, representando tantos jovens homens que foram mortos na Guerra Civil. Você não precisa ser psíquico para sentir a presença deles.
— Espíritos inquietos, — ela murmurou.
— Hmm? — falou Meredith enquanto pisava em cima de uma pilha de entulho que foi uma das paredes da igreja arruinada. — Olha, a tampa da tumba ainda está aberta. Isso são boas notícias; Não acredito que seríamos capazes de abri-la.
Os olhos de Bonnie passaram ligeiramente na estátua de mármore branco cravada na tampa. Honoria Fell descansava lá com o seu marido, mãos cruzadas em cima do peito, parecendo tão delicada e triste quanto nunca. Mas Bonnie sabia que não haveria mais ajuda daquele lugar. Os deveres de Honoria como protetora da cidade que fundou já acabaram. 
Deixando Elena para carregar o fardo, pensou Bonnie sinistramente, olhando pra baixou no buraco retangular que levava para a cripta. Degraus de ferro desapareciam na escuridão. 
Mesmo com a ajuda da lanterna de Meredith era difícil descer até aquele cômodo subterrâneo. Dentro, estava úmido e silencioso, as paredes feitas com pedras polidas. Bonnie tentou não tremer.
— Olha, — disse Meredith quietamente.
Matt tinha a lanterna direcionada para o portão de ferro que separava a ante-sala da cripta da sua câmara principal. As pedras dali estavam manchadas de preto com sangue em muitos lugares. Olhar as poças e riachos de grumos de sangue seco fez Bonnie se sentir tonta. 
— Nós sabemos que Damon foi quem se machucou mais, — Meredith disse, se movendo para frente. Soou calma, mas Bonnie podia ouvir o tenso controle na voz dela. — Então deve ter estado desse lado onde tem a maior parte do sangue. Stefan disse que Elena estava no centro. Isso quer dizer que Stefan deveria estar... aqui. — Ela se inclinou pra baixo.
— Eu faço isso, — Matt falou rispidamente. — Você segura a luz. — Com uma faca de plástico de piquenique do carro de Meredith ele raspou na incrustada pedra. Bonnie engoliu em seco, feliz por só ter tomado chá no almoço. O sangue estava em tudo em abstrato, mas quando você está efetivamente de frente com tanto desse jeito – especialmente quando é o sangue de um amigo que foi torturado...
Bonnie se virou, olhando para as paredes de pedra e pensando em Katherine. Tanto Stefan quanto seu irmão mais velho, Damon, estiveram apaixonados por Katherine, na Florência do século XV. Mas o que eles não sabiam era que a garota que eles amaram não era humana. Um vampiro na sua vila alemã tinha transformado-a para salvar sua vida quando estava doente. E Katherine, por conta própria, tinha transformado os dois irmãos em vampiros. 
E depois, pensou Bonnie, fingiu a própria morte para conseguir que Stefan e Damon parassem de brigar por ela. Mas não funcionou. Se odiaram mais do que nunca, e ela odiou os dois por isso. Voltou para o vampiro que a transformou, e no passar dos anos se tornou tão má quanto ele era. Até que no final tudo o que queria fazer era destruir os irmãos que um dia tinha amado. Conduziu os dois até Fell´s Church para matá-los, e esse cômodo era onde quase conseguiu fazer isso. Elena tinha morrido parando ela. 
— Aqui, — Matt disse, e Bonnie piscou e voltou para ela mesma. Matt estava parado com um guardanapo de papel que agora tinha flocos do sangue de Stefan nas suas dobras. — Agora o cabelo, — disse.
Eles varreram o chão com seus dedos, achando poeira e várias folhas e fragmentos de coisas que Bonnie não queria identificar. Entre os detritos havia longos fios de pálido cabelo dourado. De Elena – ou de Katherine, Bonnie pensou. Elas se pareciam demais. Havia também curtos fios de cabelo preto, crespo e levemente ondulado. De Stefan. 
Era um trabalho devagar e meticuloso, selecionar todos e colocar os cabelos certos em outro guardanapo. 
Matt fez a maior parte. Quando eles terminaram, estavam cansados e a luz que vinha pra baixo da abertura retangular no teto era de um azul não ofuscante. Mas Meredith sorriu tigrinamente.
— Nós conseguimos, — falou. — Tyler queria Stefan de volta; bom, nós traremos Stefan de volta pra ele.
Bonnie, que só tinha prestado atenção a metade do que ele estava fazendo, ainda perdida nos seus próprios pensamento, congelou.
Estava pensando em outras coisas, nada a ver com Tyler, mas na menção de seu nome alguma coisa cintilou na mente dela. Uma coisa que percebeu no estacionamento e depois esqueceu mais tarde no calor da discussão. As palavras de Meredith tinham provocado isso e agora estava subitamente tudo claro de novo. Como ele soubera! Ela quis saber, o coração acelerado.
— Bonnie? Qual é o problema?
— Meredith, — falou calmamente, — você contou a polícia especificamente que nós estávamos na sala de estar quando tudo estava acontecendo lá em cima com Sue?
— Não, acho que eu só disse que estávamos lá embaixo. Por quê?
— Porque eu também não contei. E Vickie não poderia ter dito porque ficou catatônica de novo, e Sue está morta e Caroline estava lá fora nesse tempo. Mas o Tyler sabia. Lembra, ele falou, ‘Se vocês não estivessem se escondendo na sala de estar, teriam visto o que aconteceu.’ Como ele poderia saber?
— Bonnie, se você está tentando sugerir que o Tyler é o assassino, isso simplesmente não vai colar. Ele não é esperto o suficiente para organizar uma série de assassinatos, pra começar. — Meredith disse.
— Mas tem algo mais. Meredith, ano passado no Baile do segundo ano, Tyler tocou no meu ombro nu. Nunca esqueci isso. As mãos dele eram grandes, carnudas, quentes e úmidas. — Bonnie estremeceu diante da recordação. — Igual a mão que me agarrou ontem a noite.
Mas Meredith estava balançando sua cabeça, e até Matt parecia não estar convencido.
— Elena com certeza perdeu o tempo dela nos pedindo pra trazer Stefan de volta, — ele disse. — Eu poderia tomar conta do Tyler com alguns ganchos direitos. 
— Pense sobre isso, Bonnie, — Meredith adicionou. — Tyler tem o poder psíquico de mover o tabuleiro Ouija ou entrar nos teus sonhos? Ele tem?
Ele não tinha. Psicologicamente falando, Tyler era tão inútil quanto Caroline. Bonnie não poderia negar isso. Mas também não poderia negar sua intuição. Não fazia sentido, mas continuava a achar que Tyler esteve na casa ontem a noite.
— É melhor nós nos movermos, — Meredith disse. — Está escuro, e o seu pai vai ficar furioso.
Eles estavam todos em silêncio no caminho pra casa. Bonnie continuava a pensar em Tyler. Uma vez na casa dela, levaram os guardanapos lá pra cima e começaram a olhar para os livros de Bonnie sobre os Druidas e magia Céltica. Desde que descobriu que era descendente da antiga raça de magos, Bonnie se interessou pelos Druidas. E em um dos livro achou o ritual para o encantamento de chamamento.
— Nós precisamos comprar velas, — falou. — E água pura – melhor que seja engarrafada. — Falou para Meredith. — Giz para desenhar um círculo no chão, e alguma coisa para fazer um pequeno fogo nele. Posso achar esses aqui em casa. Não tem pressa, o encantamento tem que ser feito a meia noite.
Meia noite era um longo tempo a esperar. Meredith comprou os itens necessários em uma mercearia e os trouxe. Eles jantaram com a família de Bonnie, apesar de ninguém ter muito apetite. As onze horas, Bonnie tinha o círculo desenhado no chão de madeira escura do quarto dela e todos os outros ingredientes em um baixo banco dentro do círculo. Na batida das doze horas ela começou.
Com Matt e Meredith assistindo, ela fez um pequeno fogo em um pote de argila. Três velas estavam queimando atrás do pote; enfiou um pino a meio caminho do meio do centro. Depois desenrolou um guardanapo e cuidadosamente adicionou os flocos secos de sangue dentro de uma taça com água. Ela virou um bolorento rosa. 
Abriu o outro guardanapo. Três pitadas do escuro cabelo foram para o fogo, fritando com um horrível cheiro. Depois três gotas da manchada água, soando um silvo.
Os olhos dela foram para as palavras no livro aberto

Rápido nos calcanhares tu vens,
Três vezes chamado pelo meu encantamento,
Três vezes importunado pelo meu fogo.
Venha para mim sem demora.

Ela leu devagar as palavras em voz alta, três vezes. Depois sentou para trás em cima de seus calcanhares. O fogo continuava queimando. As chamas das velas dançavam.
— E agora o quê? — Matt disse.
— Não sei. Só diz para esperar que a vela do meio queime até o pino.
— E depois o quê?
— Acho que a gente vai descobrir quando acontecer.


Amanhecia em Florença.
Stefan assistiu a garota se mover pra baixo na escada, uma mão descansando levemente sobre o corrimão para manter o seu equilíbrio. Os movimentos dela eram lentos e ligeiramente parecidos com um sonho, como se estivesse flutuando.
De repente, oscilou e se agarrou ao corrimão com mais firmeza. Stefan se moveu rapidamente atrás dela e colocou a mão embaixo do seu cotovelo. 
— Você está bem?
Ela olhou pra ele com o mesmo jeito sonhador. Era muito linda. As roupas caras dela eram a última moda e o seu cabelo moderno e desordenado era loiro. Uma turista. Ele sabia que era americana antes dela falar.
— Sim... eu acho... — seus olhos castanhos estavam sem foco.
— Você tem como ir pra casa? Onde está hospedada?
— Na Via dei Conti, perto da capela Medici. Estou com o programa Gonzaga in Florence.
Droga! Não uma turista, então; uma estudante. Isso quer dizer que ela levaria a história com ela, contaria aos colegas de turma sobre o bonito garoto italiano que conheceu na noite passada. Um com os olhos escuros como a noite. Aquele que a levou para seu lugar exclusivo na Via Tornabuoni, tomou vinho e jantou com ela e depois, à luz do luar, talvez, no seu quarto ou talvez fora no varanda em anexo, se inclinou mais próximo para olhar dentro dos olhos e dela e...
O olhar de Stefan se desviou da garganta da garota com suas duas vermelhas perfurações. Ele já viu marcas como aquelas várias vezes – como elas ainda poderiam ter o poder de incomodá-lo? Mas incomodavam; elas o deixavam enjoado e começavam uma lenta queimação na sua barriga.
— Qual é o seu nome?
— Rachael. Com um “a.” — Ela soletrou.
— Tá certo, Rachael. Olhe pra mim. Você vai voltar para a sua pensione e não vai lembrar de nada sobre ontem à noite. Não sabe onde foi ou o que viu. E você nunca me viu antes, também. Repita.
— Não lembro de nada sobre ontem a noite, — disse obediente, os olhos dela nos dele. O pode de Stefan não era forte o suficiente como seria se ele estivesse tomando sangue humano, mas eram forte o suficiente para isso. — Não sei onde fui nem quem vi. Eu não vi você.
— Bom. Você tem dinheiro pra voltar? Aqui. — Stefan puxou um punhado de amarrotadas liras – a maioria notas de 50.000 e 100.000 – de seu bolso e a levou pra fora. 
Quando ela estava segura em um táxi, ele voltou pra dentro e foi direto para o quarto de Damon. 
Damon estava se espreguiçando perto da janela, descascando uma laranja, sem nem estar vestido ainda. Ele olhou pra cima, irritado pela entrada de Stefan. 
— É costume bater, — falou.
— Onde você conheceu ela? — disse Stefan. E depois, quando Damon o olhou com um olhar em branco, ele adicionou, — Aquela garota, Rachael.
— Era esse o nome dela? Acho que não me incomodei de perguntar. No Bar Gilli. Ou talvez foi no Bar Mario. Por quê?
Stefan se esforçou para conter sua raiva. — Essa não foi a única coisa que você não se incomodou de fazer. Você não se incomodou de influenciá-la para esquecer você, também. Quer ser pego, Damon?
Os lábios de Damon se curvaram em um sorriso, arrancando uma parte da casca da laranja. — Nunca sou pego, irmãozinho.
— Então o que vai fazer quando eles vierem atrás de você? Quando alguém perceber ‘Meu Deus, tem um monstro sugador de sangue na Via Tornabuoni’? Matar todos eles? Esperar até eles derrubarem a porta da frente e então se dissolver na escuridão?
Damon o olhou diretamente, desafiadoramente, aquele fraco sorriso ainda preso nos seus lábios. 
— Por que não? — falou.
— Maldito seja! — falou Stefan. — Me escuta, Damon. Isso tem que parar. 
— Estou tocado com a sua preocupação com a minha segurança. 
— Não é justo, Damon. Pegar uma garota sem ela querer, desse jeito...
— Oh, ela queria, irmão. Queria muito, muito.
— Você falou pra ela o que você ia fazer? Falou das consequências de trocar sangue com um vampiro? Os pesadelos, as visões psíquicas? Ela queria isso? — Damon claramente não ia responder, então ele continuou. — Você sabe que é errado.
— Para falar a verdade, eu sei. — Com isso, Damon deu um dos seus repentinos, irritantes sorrisos, como se o ligasse e desligasse instantaneamente.
— E você não liga, — Stefan disse pesarosamente, olhando pra longe.
Damon jogou longe a laranja. Seu tom estava macio, persuasivo. — Irmãozinho, o mundo é cheio de coisas que você chama de ‘erradas,’ — falou. — Por que não relaxa e se junta ao lado vencedor? É muita mais divertido, asseguro a você.
Stefan se sentiu ficando quente de tanta raiva. — Como você pode dizer isso? — ele relampejou de volta. — Não aprendeu nada com a Katherine? Ela escolheu o ‘lado vencedor.’
— Katherine morreu tão rápido, — disse Damon. Ele estava sorrindo de novo, mas seus olhos estavam frios.
— E agora tudo o que consegue pensar é sobre vingança. — Olhando para o seu irmão, Stefan sentiu um peso esmagando em seu próprio peito. — Isso e no seu próprio prazer, — ele falou.
— O que mais pode ser? Prazer é a única realidade, irmãozinho – prazer e poder. E você é um caçador por natureza, tanto quanto eu sou, — Damon falou. Ele adicionou, — Não lembro de convidar você para vir para Florença comigo, de qualquer forma. Já que não está gostando, por que, simplesmente, não vai embora?
O peso no peito de Stefan de repente se apertou, insuportavelmente, mas o seu olhar continuou no de Damon, sem hesitar. — Você sabe porquê, — falou calmamente. E com isso teve a satisfação de ver os olhos de Damon cair. 
Stefan conseguia ouvir as palavras de Elena em sua mente. Ela estava morrendo, e a sua voz estava fraca, mas ele a ouviu claramente. Vocês têm que tomar conta um do outro. Stefan, você promete? Prometam tomar conta um do outro? E ele prometeu, ia manter sua palavra. Não importava o quê.
— Você sabe porque não vou embora, — ele falou de novo para Damon, que não olhava para ele. — Você pode fingir que não se interessa. Pode enganar o mundo todo. Mas eu sei. — Seria mais generoso nesse momento deixar Damon sozinho, mas Stefan não estava nesse tipo de humor generoso. — Sabe aquela garota que você pegou, Rachael? — adicionou. — O cabelo estava certo, mas os olhos dela estavam na cor errada. Os olhos de Elena eram azuis.
Com isso ele se virou, pretendendo deixar Damon aqui para pensar sobre tudo isso – se Damon fosse fazer algo tão construtivo, claro. Mas nunca chegou até a porta.


— Está aqui! — disse Meredith asperamente, seus olhos na chama da vela e no pino.
Bonnie respirou fundo. Alguma coisa estava abrindo na frente dela como uma linha de prata, um túnel prata de comunicação. Ela estava se apressando ao longo dele, sem ter como parar a si mesma ou checar sua velocidade. Oh, Deus, pensou, quando eu alcançar o fim e bater...
O lampejo na cabeça de Stefan foi sem som, sem luz, e poderoso como uma trovoada. Ao mesmo tempo ele sentiu um violento impulso o puxando. Uma urgência em seguir – alguma coisa. Isso não era nada parecido com o furtivo e subliminar empurrão de Katherine para ir a algum lugar; isso era um clamor psíquico. Um comando que não poderia ser desobedecido.
Dentro do lampejo ele sentiu uma presença, mas mal podia acreditar quem era.
Bonnie?
Stefan! É você! Funcionou!
Bonnie, o que foi que você fez?
Elena me mandou fazer. Verdade, Stefan, ela mandou. Nós estamos com problemas e precisamos... 
E foi isso. A comunicação desmoronou, desabando dentro si mesma, encolhendo-se até um pequeno ponto. Se foi, e como consequência deixou o quarto vibrando com Poder. 
Stefan e o seu irmão foram deixados encarando um ao outro.


Bonnie soltou uma longa respiração que não tinha percebido que havia segurado, e abriu os olhos, apesar de não se lembrar de ter fechado eles. Se encontrava deitada de costas. Matt e Meredith estavam agachados sobre ela, parecendo alarmados.
— O que aconteceu? Funcionou? — Meredith demandou.
— Funcionou. — Ela deixou eles a ajudarem a levantar. — Fiz contato com Stefan. Falei com ele. Agora tudo que podemos fazer é esperar e ver se ele vem ou não.
— Você mencionou a Elena? — Matt perguntou.
— Sim. 
— Então ele vem.

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