26 de novembro de 2015

Capítulo 44

Elena foi acordada por gritos. Já havia despertado antes para uma alegria inacreditável. Agora estava acordada de novo — mas certamente não era a voz de Damon. Gritando? Damon não gritava!
Vestiu um roupão e disparou porta afora, descendo a escada. Vozes elevadas... confusão. Damon estava ajoelhado no chão. Seu rosto estava pálido e azulado, mas não havia uma planta na sala que pudesse estrangulá-lo.
Envenenado, foi o que Elena pensou e imediatamente seus olhos dispararam pela sala à procura de um copo caído, um prato no chão, qualquer sinal da ação de um veneno. Não havia nada.
Sage batia nas costas de Damon. Ah, meu Deus, como foi que ele se engasgou? Mas isso era idiotice. Os vampiros não respiravam, só para falar e invocar Poder.
Mas então, o que estava acontecendo?
— Você precisa respirar — gritava Sage no ouvido de Damon. — Respire, como se fosse falar, mas depois prenda o ar, como se fosse elevar seu Poder. Pense interiormente. Coloque os pulmões para funcionar!
As palavras só confundiram Elena.
— Pronto! — gritou Sage. — Está vendo?
— Mas só dura um instante. Depois eu preciso fazer tudo de novo.
— Pois sim, a questão é essa!
— Eu digo que estou morrendo e você ri de mim? — gritou um Damon desgrenhado. — Estou cego, surdo, meus sentidos estão descontrolados... E você ri!
Desgrenhado, pensou Elena, incomodada com alguma coisa.
— Bom. — Sage tentou não rir. — Talvez, mon petit chou, não devesse ter aberto uma coisa que não era para você, não é?
— Coloquei proteções em volta de mim antes de abrir. A casa estava segura.
— Mas você não estava... Respire! Respire, Damon!
— Parecia totalmente inofensivo... E confesse... Todos nós íamos... Abrir na noite passada... Mas estávamos cansados demais...!
— Mas fazer isso sozinho, abrir um presente de um kitsune... Foi tolice, não foi?
Um Damon sufocado rebateu:
— Não me venha com sermão. Ajude-me. Por que estou sufocando? Por que não consigo enxergar? Nem ouvir? Nem sentir o cheiro... de nada? Estou lhe dizendo que não sinto o cheiro de nada!
— Você está saudável e afiado como qualquer ser humano. Provavelmente pode derrotar qualquer vampiro, se lutar com um agora. Mas os sentidos humanos são muito poucos e muito embotados.
As palavras giravam na cabeça de Elena... Abrir coisas que não eram para você... Buque de um kitsune... Humano...
Ah, meu Deus!
Ao que parecia, as mesmas palavras passavam pela mente de outra pessoa, porque de repente uma figura veio disparada da cozinha. Stefan.
— Você roubou meu buque? Que o kitsune me deu?
— Eu tive muito cuidado...
— Sabe o que você fez? — Stefan sacudiu Damon.
— Ai. Isso dói! Quer quebrar meu pescoço?
— Isso dói? Damon, você está em um mundo de dor! Entendeu? Eu falei com aquele kitsune. Contei a ele toda a história de minha vida. Elena foi me visitar e ele a viu praticamente... Bom, deixa pra lá... Ele a viu chorar em cima de mim! Você... sabe... o... que... fez? — Era como se Stefan tivesse começado a subir numa série de degraus, e que cada um deles o levasse a um nível mais alto de fúria. E aqui, no topo...
— EU VOU TE MATAR! — gritou Stefan. — Você tomou... minha humanidade! Ele me deu... E você a tomou de miml
— Você vai me matar? Eu é que vou matar você, seu... Seu cretino! Só tinha uma flor no meio. Uma rosa negra, a maior que já vi na vida. E tinha um cheiro... celestial...
— Sumiu! — contou Matt, pegando o buque. Ele o levantou. Havia um buraco no meio do arranjo misto de flores.
Apesar do buraco, Stefan correu para ele e olhou bem o buquê, puxando grandes golfadas de ar. Continuou assim e, e a cada vez que vinha um raio faiscava entre as pontas dos dedos, ele os estalava.
— Desculpe, amigo — disse Matt. — Acho que acabou.
Elena agora entendia tudo. Aquele kitsune... Ele era um dos bondosos, como contavam as histórias de Meredith. Ou pelo menos bom o bastante para se solidarizar com Stefan. E assim, quando foi libertado, preparou um buque capaz de transformar Stefan em humano — os kitsune podem fazer praticamente qualquer coisa com plantas, embora certamente esta fosse uma grande proeza, algo como achar o segredo da eterna juventude... Transformar vampiros em humanas. Então Stefan aguentou tudo sem reclamar e devia finalmente receber sua recompensa... E agora...
— Vou voltar — gritou Stefan. — Eu vou encontrá-lo!
Meredith falou em voz baixa: — Com ou sem Elena?
Stefan parou. Olhou a escada e seus olhos encontraram os de Elena.
Elena... Vamos juntos.
— Não — gritou Stefan. — Eu nunca a submeteria a isso. Então eu não vou, mas vou matar você! — Ele voltou a atacar o irmão.
— O que está feito, está feito. Além disso, eu é que vou matar você, seu desgraçado! Você roubou meu mundo! Eu sou um vampiro! Não sou um...  soltou um palavrão criativo —... humano!
— Bom, agora é — disse Matt. Ele se segurava para não rir alto. — Então eu diria que é melhor se acostumar com isso.
Damon pulou em Stefan, que não se desviou. Num segundo eles estavam no chão, numa mistura de pancadas, chutes, socos e palavrões em italiano que davam a impressão de que havia pelo menos quatro vampiros lutando com cinco ou seis humanos.
Elena se sentou, desconsolada.
Damon... Um humano? Como eles iriam lidar com isso?
Elena levantou a cabeça e viu que Bonnie tinha preparado uma bandeja com todo tipo de coisas que agradavam ao paladar humano, e que ela sem dúvida fizera para Damon antes de ele ter uma crise histérica.
— Bonnie — disse Elena em voz baixa — não dê a ele ainda. Ele vai jogar tudo em você. Mas talvez depois...
— Depois ele não vai jogar? — Elena estremeceu.
— Como é que Damon vai lidar com o fato de ser humano? — perguntou ela a si mesma em voz alta. Bonnie olhou para os dois no chão.
— Eu diria que... esperneando e gritando o tempo todo.
Foi quando a Sra. Flowers veio da cozinha. Trazia uma pilha enorme de waffles, em vários pratos numa bandeja. Ela viu a bola que rolava, xingava e rosnava e reparou que eram Stefan e Damon.
— Ah, meu Deus — disse ela. — Saiu alguma coisa errada?  Elena olhou para Bonnie. Bonnie olhou para Meredith. Meredith olhou para Elena.
— Pode-se dizer... que sim. — Elena arfava.
E depois as três desistiram. Gargalhadas e mais gargalhadas irreprimíveis.
Você perdeu um aliado poderoso, disse uma voz na mente de Elena. Sabia disso?
Pode prever as consequências? Hoje, quando você acabou de voltar de um mundo de Shinichis?
Vamos vencer, pensou Elena. Temos de vencer.

4 comentários:

  1. Não acredito!O Damon,humano?Isso vai ser hilário!

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  2. Kkkkkkkkkkkkk
    A curiosidade 'reviveu' o gato!
    Damon pensou q estava morrendo
    Kkkkk

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  3. Não acredito!!!
    Como assim Damom Humano não !trasforma ele de novo ou agora não tem como voltar a trás?!
    Amei o livro♡

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