26 de novembro de 2015

Capítulo 42

A essa altura Matt e a Sra. Flowers não podiam mais ignorar as luzes ofuscantes. Tinham de sair dali.
Mas assim que Matt abriu a porta, houve... Bom, ele não sabia que era. Algo explodiu no chão e subiu ao céu, e começou a se afastar deles, ficando cada vez menor, até tornar-se uma estrela e desaparecer.
Será que era um meteoro que atravessara a Terra? Mas isso não implicava tsunamis, terremotos, incêndios e talvez até a Terra rachando? Se um meteoro foi capaz de matar todos aqueles dinossauros...
A luz que ficara brilhando no alto desaparecia aos poucos.
— Ora, Deus nos abençoe — disse a Sra. Flowers com a voz baixa e trémula. — Matt, querido, você está bem?
— Sim, senhora. Mas... — Matt não suportou a pressão. — Que diabos era aquilo?
E, para sua surpresa, a Sra. Flowers disse:
— Foi o que pensei também!
— Espere... Tem alguma coisa se mexendo! Volte!
— Matt, querido, cuidado com essa arma...
— Tem gente aqui! Ah, meu Deus! É Elena. — De repente Matt se sentou no chão. Agora só conseguia falar aos sussurros.
— Elena. Ela está viva. Ela está viva!
Pelo que Matt podia ver, havia um grupo de pessoas subindo e ajudando umas as outras a subir por um buraco perfeitamente retangular, talvez de l,5m de profundidade, na trilha de angélicas da Sra. Flowers.
Eles ouviram vozes.
— Tudo bem — dizia Elena, enquanto se curvava. — Agora segure minhas mãos.
Mas ela usava roupas estranhas! Uma tira escarlate que mostrava todo tipo de arranhões e cortes nas pernas. No alto — bom, os restos do vestido cobriam o que um biquini cobriria. E ela estava com as jóias mais reluzentes que Matt vira na vida.
Mais vozes, para o choque de Matt.
— Cuidado, sim? Vou levantá-lo para você...
— Posso subir sozinho. — Sem dúvida era Stefan!
— Viu só? — Elena estava feliz. — Ele disse que pode subir sozinho!
— Oui, mas quem sabe só um empurrãozinho...
— Não é hora para machismo, meu irmãozinho. — E este, pensou Matt, segurando o revólver, era Damon. Balas abençoadas...
— Não, eu quero... fazer isso sozinho... Tudo bem... Consegui. Pronto.
— Pronto! Viu? Ele está melhor a cada segundo! — entoou Elena.
— Cadê o diamante? Damon? — Stefan parecia ansioso.
— Está seguro comigo. Relaxe.
— Quero segurá-lo. Por favor.
— Mais do que a mim? — perguntou Elena. Stefan de repente apagou e no instante seguinte estava deitado nos braços de Elena, enquanto ela dizia,
 Calma, calma.
Matt olhava aquilo tudo. Damon estava bem atrás deles, quase como se fosse seu lugar de direito.
— Vou cuidar do diamante — disse ele. — Você cuida da sua garota.
— Com licença... Desculpe, mas... Alguém pode, por favor, me ajudar a subir? — E essa era Bonnie! Bonnie, queixosa, mas não parecia estar com medo, nem infeliz. Bonnie rindo! — Pegamos todos os sacos com as esferas estelares?
— Pegamos todos que achamos naquela casa. — E esta era Meredith.
Graça a Deus. Todas conseguiram. Mas apesar de sua alegria em ver os amigos, seus olhos eram mais uma vez atraídos a uma figura — aquela que parecia supervisionar as coisas — a de cabelos dourados.
— Precisamos das esferas estelares porque uma delas pode ser... — começava ela quando Bonnie exclamou:
— Ah, olha! Olha! A Sra. Flowers e Matt!
— Ora, Bonnie, eles não estariam esperando por nós — disse Meredith.
— Onde? Bonnie, onde? — perguntou Elena.
— Se forem Shinichi e Misao disfarçados, eu vou... Ei, Matt!
— Alguém, por favor, pode me dizer onde?
— Bem ali, Meredith!
— Ah! Sra. Flowers! Hmmm... Espero que não tenhamos acordado a senhora.
— Eu nunca tive um despertar mais feliz — dizia a Sra. Flowers solenemente. — Estou vendo o que vocês deram uma passada na Dimensão das Trevas. Vocês... não estão com roupas suficientes...
Um silêncio súbito. Meredith olhou para Bonnie. Bonnie olhou para Meredith.
— Sei que essas roupas e jóias podem parecer meio demais...
Matt enfim conseguiu falar.
— Jóias? São verdadeiras?
— Ah, não são nada. E estamos todos sujos...
— Perdoem-me. Estamos fedendo... E a culpa é minha... — começou Stefan, mas Elena o interrompeu.
— Sra. Flowers, Matt, Stefan estava preso durante e esse tempo todo! Passou fome e foi torturado... Ah, meu Deus!
— Elena, shhh. Você me salvou.
— Nós o salvamos. Agora, nunca mais vou deixar você ir. Nunca, nunca.
— Calma, amor. Preciso mesmo de um banho e... — Stefan parou de repente. — Não tem grade de ferro! Nada que diminua meus Poderes! Eu posso... — Ele se afastou um pouco de Elena, que o segurou com uma das mãos. Houve um clarão suave e prateado, como uma lua cheia aparecendo e desaparecendo no meio deles.
— Vocês aí! — disse ele. — Quem não quiser os malditos parasitas, posso cuidar disso.
— Está falando comigo — disse Meredith. — Tenho medo de pulgas, e Damon nunca me deu nenhum remédio. Esse é meu amo!
Eles riram, Matt não entendeu a piada. Meredith estava usando... Bom, só podiam ser jóias falsas — mas ainda pareciam valer uma fortuna.
Stefan pegou a mão de Meredith. Houve o mesmo clarão suave. E Meredith recuou.
— Obrigada.
— Eu é que agradeço, Meredith — Stefan respondeu em uma voz baixa.
O vestido azul de Meredith pelo menos estava inteiro, observou Matt. Bonnie — cujo vestido tinha sido cortado em tiras da cor das estrelas — levantava a mão.
— Eu também, por favor!
Stefan pegou sua mão e aconteceu tudo de novo.
— Obrigada, Stefan! Ooooh! Eu me sinto muito melhor! Odeio me coçar!
— Eu é que agradeço, Bonnie. Odeio lembrar que eu estava morrendo sozinho.
— Os outros vampiros, cuidem-se sozinhos! — disse Elena, como se tivesse uma prancheta e verificasse os itens. — E Stefan, por favor... — Ela estendeu as mãos para ele.
Ele se ajoelhou diante dela, beijou suas duas mãos, depois os envolveu na luz branca e suave.
— Mas ainda quero um banho... — disse Bonnie num tom suplicante, enquanto o novo vampiro, o alto e forte, e Damon lançavam um brilho de luar em volta deles mesmos.
A Sra. Flowers falou.
— A casa tem quatro banheiros: no quarto de Stefan, no meu nos dois quartos ao lado do de Stefan. Fiquem à vontade. Vou providenciar uns sais de banho para vocês agora mesmo. — E acrescentou, estendendo os braços para todo o bando maltrapilho, ensanguentado e sujo: — Sintam-se em casa, meus queridos.
Houve um coro de agradecimentos sinceros.
— Vou organizar um rodízio. Stefan precisa se alimentar. Se as meninas puderem ajudar... — acrescentou Elena rapidamente, olhando para Bonnie e Meredith. — Ele não precisa de muito, só um pouquinho a cada hora até amanhecer.
Elena ainda parecia ter vergonha de Matt. Ele também, mas avançou um passo, as mãos vazias estendidas para mostrar que era inofensivo.
— Só podem meninas? Porque eu também tenho sangue e sou saudável como um cavalo.
Stefan rapidamente olhou para ele.
— Não precisa ser só meninas. Mas você não precisa...
— Quero ajudar você.
— Tudo bem, então. Obrigado, Matt.
A resposta adequada parecia ser 'Obrigado, Stefan', mas Matt não conseguiu pensar em nada até que não fosse: ― Obrigado por cuidar de Elena. Stefan sorriu.
— Agradeça a Damon por isso. Ele e os outros me ajudaram... E se ajudaram mutuamente.
— Também levamos cachorros para passear... Sage está aí como prova — disse Damon com ironia.
— Ah... O que me lembra de uma coisa. Eu devia usar o truque de desinsetização com meus dois amigos. Sabber! Talon! Eia! — Ele acrescentou um assovio que Matt jamais conseguiria imitar.
De qualquer forma, Matt estava vivendo num sonho. Um cachorro imenso, quase do tamanho de um pônei, e um falcão saíram da escuridão.
— Agora — disse o vampiro forte, e mais uma vez a luz suave brilhou.
E depois:
— Pronto. Se não se importa, prefiro dormir ao ar livre com meus amigos. Agradeço toda a sua gentileza, Madame, e meu nome é Sage. O falcão é Talon; o cão, Sabber.
— Reivindico o banheiro de Stefan para nós dois — disse Elena, — e o da Sra. Flowers para as meninas. Vocês, meninos, podem se virar sozinhos.
— Eu — disse a Sra. Flowers — vou preparar alguns sanduíches. — E se virou para entrar.
Foi quando Shinichi surgiu da terra.
Ou melhor, quando seu rosto surgiu. Era uma ilusão, mas uma ilusão apavorante e incrível. Shinichi parecia estar mesmo ali, como um gigante que sustentava o mundo nos ombros. A parte preta de seu cabelo misturava-se com a noite, mas as pontas escarlate formaram um halo flamejante em volta de seu rosto. Depois de sair de uma terra dominada por um sol vermelho gigantesco, noite e dia, eram conceitos estranhos.
Os olhos de Shinichi também eram vermelhos, como duas pequenas luas no céu, e focalizavam o grupo perto da casa da Sra. Flowers.
— Olá — disse ele. — O que foi, ficaram surpresos? Não deveriam. Eu não os deixaria voltar sem aparecer para cumprimentá-los. Afinal, já se passou muito tempo... Para alguns de vocês — disse o rosto giganteco, sorrindo com malícia. — Além disso, é claro, para comemorar... Nós salvamos o pequeno Stefan e, meu Deus, até lutamos com uma galinha gigante para conseguir isso.
— Queria ver você enfrentar Bloddeuwedd sozinho, e pegar a chave secreta de ninho dela, tudo ao mesmo tempo — começou Bonnie, mas parou quando Meredith apertou seu braço.
Sage, enquanto isso, murmurava alguma coisa sobre o que sua própria "galinha gigante", Talon, faria, se Shinichi tivesse a coragem de aparecer pessoalmente.
Shinichi ignorou tudo isso.
— Ah, sim, e a ginástica mental por que tiveram de passar. Verdadeiramente formidável. Bem, nunca mais os tomarei por idiotas obtusos que jamais perguntam por que minha irmã lhes deu uma pista, e muito menos pistas que Forasteiros não podem entender. Quer dizer — ele olhou de viés — por que não engolir a chave, antes de mais nada, não é mesmo?
— Está blefando — disse Meredith sem rodeios. — Você nos subestimou, pura e simplesmente.
— Talvez — disse Shinichi. — Ou talvez fosse algo completamente diferente.
— Você perdeu — disse Damon. — Sei que isso pode ser novidade para você, mas é a verdade. Elena adquiriu um controle muito maior de seus Poderes.
— Mas será que funcionarão aqui? — Shinichi sorriu de um jeito sinistro. — Ou de repente desaparecerão na luz de um sol amarelo claro? Ou nas profundezas da verdadeira escuridão?
— Não deixe que ele a iluda, madame — gritou Sage. — Seus poderes vêm de um lugar em que ele não pode entrar!
— Ah, sim, o renegado. O filho rebelado do Rebelado. Qual será seu nome desta vez? Cage? Rage? O que será que essas crianças vão pensar quando souberem quem você realmente é?
— Não importa quem ele seja — gritou Bonnie. — Nós o conhecemos. Sabemos que ele é um vampiro, mas é gentil e generoso, e nos ajudou várias vezes. — Ela fechou os olhos, mas teve de se escorar quando a gargalhada tempestuosa de Shinichi fez tudo voar.
— Então, 'Madame' — zombou Shinichi —, acha que conquistou 'Sage'. Mas será que conhece o que no xadrez chamamos de gambitoNão? Bem, tenho certeza de que sua amiga inteligente ficará feliz em lhe contar.
Houve uma pausa. Depois Meredith disse, sem expressar nada:
— Gambito é quando um jogador de xadrez sacrifica alguma coisa... por exemplo, um peão... deliberadamente... para conseguir outra coisa. Uma posição no tabuleiro que ele queira, por exemplo.
— Eu sabia que você poderia explicar. O que acha de nosso primeiro gambito?
Outro silêncio, depois Meredith falou:
— Imagino que queira dizer que nos devolveu Stefan para pegar algo melhor.
— Ah, se você tivesse cabelos dourados... Como sua amiga Elena tão generosamente exibiu.
Ninguém entendeu nada e todos olharam para Shinichi. Alguns para Elena.
Que prontamente explodiu.
— Você pegou as lembranças de Stefan?
— Ora, ora, nada tão drástico, meu bem. Mas uma bela jogadora que a cada partida revela um truque diferente... Ela sim ajudou muito.
Elena voltou o olhar para o rosto gigante com o mais completo desdém.
— Seu... grosso.
— Ah, estou ofendidíssimo. — Mas a verdade era que o rosto gigante de Shinichi parecia magoado, furioso e perigoso. — Sabem quantos de vocês, amigos íntimos, escondem segredos? É claro que Meredith é a rainha dos segredos, escondendo os dela dos amigos por todos esses anos. Você acha que já arrancou tudo dela, mas o melhor ainda está por vir. E é claro que temos o segredo de Damon.
— Que se for contado aqui e agora provocará uma guerra imediata — disse Damon. — E sabe de uma coisa, é estranho, mas tenho a sensação de que você apareceu esta noite para negociar.
Desta vez a gargalhada de Shinichi era realmente um vendaval e Damon teve de saltar para trás de Meredith, evitando que ela fosse jogada no buraco feito pelo elevador.
— Muito nobre — falou Shinichi novamente num trovão, quebrando alguns vidros das janelas da Sra. Flowers. — Mas preciso mesmo ir. Deixo uma lista com as recompensas que vocês ainda têm de procurar antes que o grupinho possa se olhar nos olhos?
— Acho que já os temos. E você não é mais bem-vindo a esta casa — disse a Sra. Flowers friamente.
Mas a mente de Elena ainda trabalhava. Mesmo parada ali, sabendo que Stefan precisava dela, ela tentava entender o que havia por trás disso: o segundo gambito de Shinichi. Porque Elena tinha certeza de que este era o primeiro.
— Onde estão as fronhas? — perguntou ela numa voz incisiva que assustou todos.
— Eu estava com uma, mas a entreguei a Sabber. — Sage disse.
— Eu estava segurando uma, mas larguei quando alguém me puxou, deve estar no fundo do buraco. — disse Bonnie.
— Ainda estou com uma, mas não entendo de que adianta... — começou Damon.
— Damon! — Elena se virou para ele. — Confie em mim! Temos a sua e a de Sage em segurança... e a de Bonnie no buraco?
No momento em que ela disse "confie em mim", Damon largou sua fronha por cima da de Sage e pulou no buraco, que ainda era tão brilhante das linhas de força que feria os olhos de um vampiro.
Mas Damon não reclamou.
— Peguei!... Não, espere! Uma raiz! Uma maldita raiz se enroscou numa das esferas! Alguém me passe uma faca, rápido!
Enquanto todos procuravam uma faca nos bolsos, Matt fez uma coisa que deixou Elena de boca aberta. Primeiro olhou para o buraco de l,5m de profundidade enquanto apontava — um revólver, era isso? Sim... Ela reconheceu o gêmeo do revolver de Meredith. Depois, sem tentar descer calmamente, ele simplesmente saltou no buraco, como Damon fizera.
— VOCÊ NÃO VAI QUERER SABER... — rugiu Shinichi, mas ninguém prestava atenção nele.
O salto de Matt não terminou tão leve como o de Damon. Matt ofegou e soltou um palavrão abafado, mas não perdeu tempo; ainda de joelhos, passou a arma a Damon.
— Balas abençoadas... Atire!
Damon agiu muito rápido. Destravou a arma rapidamente e mirou na raiz, que agora disparava para a parede macia do buraco, com a ponta enrolada em uma esfera.
Elena ouviu dois disparos do revólver; três. Depois Damon avançou e pegou uma bola enrolada em ramos, mediana e clara como cristal onde sua verdadeira superfície podia ser vista.
— Abaixe isto! — Shinichi estava com muita raiva. Os dois pontos vermelhos dos olhos eram como chamas, como luas em brasa. Ele parecia querer que obedecessem pelo volume de seus gritos, — EU DISSE, NÃO ENCOSTE SUAS MÃOS HUMANAS IMUNDAS NISSO!
— Ah, meu Deus! — Bonnie ofegou.
— É de Misao... Só pode ser — disse Meredith simplesmente.
— Ele arriscou a dele; mas não com a dela. Damon, passe para mim, junto com o revólver. Aposto que não é à prova de balas.
— Ela se ajoelhou, estendendo a mão para o buraco. Damon, com a sobrancelha erguida, obedeceu.
— Ah, meu Deus — gritou Bonnie, da beira do buraco. — Matt torceu o tornozelo... Só faltava essa.
— EU AVISEI — rugiu Shinichi. — VOCÊS VÃO SE ARREPENDER...
— Espere — disse Damon a Bonnie, sem dar a mínima para Shinichi.
Sem fazer alarde, ele pegou Matt e voou para fora do buraco. Colocou o rapaz louro ao lado de Bonnie, que arregalou os olhos castanhos numa completa confusão.
Matt, porém, era um legítimo habitante da Virgínia. Depois de engolir em seco uma vez, soltou um ― Obrigado, Damon.
— Tudo bem, Matt — disse Damon e, quando alguém ofegou:
— O que foi?
— Você acertou — exclamou Bonnie. — Lembrou do nom... Meredith! — ela se interrompeu, olhando a menina alta. — A grama!
Meredith, que estivera examinando a esfera estelar com uma expressão estranha, agora atirou o revólver para Damon e tentou com a mão livre rasgar a grama que se entrelaçava em seus pés e já subia pelo tornozelo. Mas ao fazer isso, a grama parecia subir ainda mais e pegar sua mão, prendendo-a juntos com os pés. E agora brotava, crescia, disparando corpo acima para a esfera que ela segurava no alto. Ao mesmo tempo, apertava seu peito, expulsando o ar dos pulmões.
Tudo aconteceu tão rápido que foi só quando ela disse, ofegante: ― Alguém pegue a esfera,  que os outros correram para ajudá-la. Bonnie foi a primeira a chegar e tentou rasgar com as unhas a vegetação que apertava o peito de Meredith. Mas cada folha era como aço, e ela não conseguiu arrancar nenhuma. Nem Matt ou Elena. Enquanto isso, Sage tentava levantar o corpo de Meredith — para afastá-la da terra — mas não teve mais sucesso que os demais.
O rosto de Meredith, claramente visível na luz que ainda brilhava do buraco, empalidecia.
Damon tirou a esfera das mãos de Meredith pouco antes de a grama emaranhada subir por seu braço e alcançá-la. Ele andou de um lado para outro mais rápido do que o olho humano podia acompanhar, sem parar em um lugar por tempo suficiente para ser agarrado por qualquer planta.
Mas ainda assim a grama em volta de Meredith a apertava. Agora seu rosto estava ficando azul. Os olhos estavam arregalados, a boca aberta para uma respiração que não lhe vinha.
— Pare! — gritou Elena a Shinichi. — Vamos lhe dar a esfera! Solte-a!
— SOLTAR A MENINA? — berrou Shinichi, rindo. — TALVEZ SEJA MELHOR CUIDAR PRIMEIRO DE SEUS PRÓPRIOS INTERESSES ANTES DE ME PEDIR UM FAVOR.
Assustada, Elena olhou em volta e viu que a grama tinha quase completamente envolvido um Stefan ajoelhado, fraco demais para se mover com a rapidez dos outros. E ele não soltou um gemido sequer para chamar atenção para si.
— Não! — O grito desesperado de Elena tragou o riso de Shinichi. — Stefan! Não! — Mesmo sabendo que era inútil, ela se atirou nele e tentou arrancar a grama de seu peito magro.
Stefan simplesmente lhe abriu o mais fraco dos sorrisos e balançou a cabeça com tristeza.
Foi quando Damon parou. Estendeu a esfera para o semblante ameaçador de Shinichi.
— Pegue! — gritou ele. — Fique com a bola, desgraçado, mas solte os dois agora!
Desta vez o riso tempestuoso de Shinichi não parava. Uma espiral de grama cresceu de um ponto ao lado de Damon e um segundo depois tinha formado um punho imenso, verde e revolto, que quase alcançou a esfera. Mas...
— Ainda não, meus queridos — disse a Sra. Flowers, ofegante. Ela e Matt saíram correndo do depósito do pensionato, Matt mancando muito, e os dois estendiam o que pareciam ser Post-Its.
Só o que Elena conseguiu ver foi que Damon voltava à velocidade feroz, afastando-se do punho, e Matt colava um pedaço de papel na grama que cobria Stefan, enquanto a Sra. Flowers fazia o mesmo na vegetação em Meredith.
Enquanto Elena olhava, incrédula, a grama pareceu derreter, morrendo em folhas cor de feno que caíam no chão.
No segundo seguinte ela abraçava Stefan.
— Vamos entrar, meus queridos — disse a Sra. Flowers. — É seguro no depósito... Quem puder ajude os feridos, é claro. — Meredith e Stefan respiravam com dificuldade. Mas Shinichi tinha a última palavra.
— Não se preocupem — disse ele, estranhamente calmo, como se percebesse que tinha perdido... Por ora. — Vou recuperar a esfera muito em breve. Não sabem usar esse tipo de poder! E, além de tudo, vou lhes dizer o que estavam escondendo de seus supostos amigos. Só uns segredinhos, que tal?
— Vá para o inferno com seus segredos — gritou Bonnie.
— Cuidado com o linguajar! Que tal este: uma de vocês guardou um segredo a vida toda e ainda o esconde. Entre vocês há um assassino... E não estou falando de matar um vampiro nem nada parecido. E há a questão da verdadeira identidade de Sage... Boa sorte em suas pesquisas! Um de vocês já teve a memória apagadaE não me refiro a Damon nem Stefan. E que tal o segredo do beijo roubado? Ou da noite no hotel, de que parece que ninguém se lembra, a não ser Elena. Podem perguntar a ela uma hora dessas sobre suas teorias a respeito de Camelot. E também...
Foi quando um som alto como as gargalhadas gigantes de Shinichi o interrompeu. Rasgou a face do céu, deixando-a ridiculamente caída. Depois o rosto desapareceu.
— O que foi isso...?
— Quem está com a arma...?
— Que tipo de arma pode fazer uma coisa dessas?
— Uma arma com balas abençoadas — disse Damon friamente, com o revólver apontado para baixo.
— Quer dizer que você fez isso?
— Boa, Damon!
— Esqueçam Shinichi!
— Ele é um mentiroso, isso eu posso garantir.
— Eu acho — disse a Sra. Flowers — que agora podemos finalmente entrar.
— É, vamos tomar banho.
— Só uma última coisa. — A voz de Shinichi parecia vir de toda parte; do céu, da terra. — Vocês realmente vão adorar saber o que estou pensando. Se eu fosse vocês, começaria a negociar essa esfera AGORA! — Mas sua risada distante e o som feminino abafado atrás dele era quase como um choro, como se Misao não conseguisse evitar. — VOCÊS VÃO ADORAR! — insistiu Shinichi num rugido.

Um comentário:

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!