29 de novembro de 2015

Capítulo 40

Mas depois de um tempo sem fim na escuridão gentil e suave, algo estava forçando Elena a voltar para a luz. A luz de verdade. Não a luz verde da penumbra formada pela Árvore. Mesmo com as pálpebras fechadas ela pôde senti-la, sentir seu calor. Um sol amarelo. Onde estava? Ela não podia se lembrar.
E ela não se importava. Algo dentro dela estava dizendo que a gentil escuridão era melhor. Mas então ela se lembrou de um nome.
Stefan.
Stefan estava…?
Stefan era um daqueles… Daqueles que ela amava. Mas ele nunca entendera que aquele amor não era singular. Nunca entendera que ela podia estar apaixonada por Damon e que isso nunca mudaria um átomo de seu amor por ele. E essa falta de entendimento era tão violenta e dolorosa que ela se sentia dividida por duas pessoas diferentes, às vezes.
Mas agora, antes mesmo dela abrir os olhos, percebeu que ela estava bebendo algo.
Estava bebendo sangue de vampiro, e esse vampiro não era Stefan. Havia algo único nesse sangue. Era mais profundo, temperado e pesado, tudo de uma vez.
Ela não pôde evitar de abrir os olhos. Por alguma razão ela não entendeu: eles se abriram e ela tentou de imediato se concentrar no aroma, cor e sentimento de quem estava debruçado sobre ela, abraçando-a.
Não conseguiu entender, tampouco, seu senso de decepção quando ela, lentamente, percebeu que era Sage debruçado sobre ela, abraçando-a suavemente, mas de forma segura em seu pescoço, com o peito nu de bronze e quente do sol.
Mas ela estava deitada bem reta, na grama, pelo o que ela pôde sentir através de suas mãos... E, por algum motivo, sua cabeça estava fria. Muito fria.
Fria e úmida.
Ela parou de beber e tentou engolir. O punho de luz tornou-se mais firme. Ela ouviu a voz de Sage falar, e sentiu o estrondo de seu peito enquanto ele dizia:
— Ma pauvre petite, você deve beber por mais alguns minutos ou mais. E seu cabelo ainda tem um pouco de cinza.
Cinzas? Cinzas? Você não havia posto cinzas na sua cabeça para… O que ela estava pensando? Era como se sua mente tivesse sido bloqueada, afastando-a de… Algo. Mas ninguém diria para ela o que fazer.
Elena se sentou.
Ela estava — sim, ela tinha certeza — no paraíso kitsune e, até um momento atrás, seu corpo havia sido arqueado para trás, de modo que seu cabelo era um fluído claro que ia até o chão. Stefan e Bonnie estavam lavando algo muito preto de seus cabelos. Ambos estavam sujos também: Stefan tinha uma grande mancha em uma de suas maçãs do rosto e Bonnie possuía listras tênues de cinza abaixo de seus olhos.
Chorando. Bonnie esteve chorando. Ela ainda estava chorando, com soluços pequenos que estava tentando suprimir. E agora que Elena podia ver mais claramente, ela pôde ver que as pálpebras de Stefan estavam inchadas e que ele havia chorado também.
Os lábios de Elena estavam dormentes. Ela deitou-se novamente na grama, olhando para cima, para Sage, que estava limpando os olhos furtivamente. A garganta dela doía, não só por dentro, onde os soluços e as arfadas a fariam doer, mas fora, também. Ela tinha uma imagem dela mesma cortando seu pescoço com uma faca.
Através de seus lábios dormentes, ela sussurrou:
— Eu sou uma vampira?
— Pas encore — Sage disse vacilante. — Ainda não. Mas Stefan e eu, ambos demos a você grandes quantidades de sangue. Deve tomar cuidado nos próximos dias. Está no limite.
Isso explicava como ela se sentia. Provavelmente, Damon estaria esperando que ela se tornasse uma, aquele perverso. Instintivamente, ela estendeu a mão para Stefan. Talvez ela pudesse ajudá-lo.
— Não poderemos fazer nada durante um tempo — Ela disse. — Você não precisa ficar triste.
Mas ela mesma se sentia errada. Não se sentia assim desde que havia visto Stefan na prisão e pensou que ele morreria a qualquer momento.
Não... Era pior... Porque, com Stefan, havia esperança e Elena, agora, sentia como se a esperança tivesse ido embora. Tudo se foi. Ela estava oca: a garota que parecia sólida, mas seu interior estava completamente vazio.
— Estou morrendo — Ela sussurrou. — Eu sei disso… Vocês todos vão se despedir agora?
E com isso, Sage — Sage! — engasgou e começou a soluçar. Stefan, ainda parecendo estranhamente despenteado, com aqueles traços de fuligem no rosto e nos braços e seu cabelo e roupa molhados, disse:
— Elena, você não vai morrer. A menos que queira.
Ela nunca vira Stefan desse jeito antes. Nem mesmo na prisão. Sua chama, aquele fogo interior que ele não mostrava para ninguém a não ser Elena, havia sumido.
— Sage nos salvou — Ele disse, devagar e cuidadosamente, como se lhe custasse um grande esforço para falar. — As cinzas estavam caindo... E você e Bonnie morreriam se respirassem daquilo mais um pouco. Mas Sage colocou uma porta de volta para a Casa de Portais bem na nossa frente. Eu mal pude vê-la; meus olhos estavam cheios de cinzas e as coisas estavam piorando naquela lua.
— Cinzas — Elena sussurrou.
Havia algo no fundo de sua mente, mas mais uma vez sua memória falhou. Era quase como se ela tivesse sido Influenciada para esquecer. Mas isso era ridículo.
— Por que estava caindo cinzas? — Ela perguntou, percebendo que sua voz estava rouca, áspera, como se tivesse gritado durante um jogo inteiro de futebol.
— Você usou as Asas da Destruição — Stefan disse vagamente, olhando para ela com seus olhos inchados. — Você salvou nossas vidas. Mas matou a Árvore... E a Esfera Estelar se desintegrou.
Asas da Destruição. Ela devia ter perdido a paciência. E matara um mundo.
Ela era uma assassina.
E agora a Esfera Estelar estava perdida. Fell’s Church. Oh, Deus. O que Damon diria para ela? Ela havia feito tudo… Tudo errado. Bonnie estava soluçando agora, com seu rosto virado para longe.
— Sinto muito — Ela disse, sabendo o quão inadequado aquilo era.
Pela primeira vez, ela olhou ao seu redor miseravelmente.
— Damon? — Ela sussurrou. — Ele não vai falar comigo? Por causa do que eu fiz?
Sage e Stefan se entreolharam.
Gelo desceu pela espinha de Elena.
Ela começou a se levantar, mas suas pernas não eram aquelas que ela se lembrava. Elas travaram na região do joelho. Ela estava encarando o chão, para suas próprias roupas manchadas e molhadas... E, em seguida, algo parecido com lama desceu sobre sua testa. Lama ou sangue coagulado.
Bonnie disse algo. Ela ainda estava soluçando, mas estava falando, também, em uma voz muito rouca que fez com que ela parecesse mais velha.
— Elena... Nós não tiramos as cinzas de seu cabelo. Sage teve que te dar uma transfusão de emergência.
— Eu mesma tiro — Ela disse, sem rodeios.
Ela flexionou seus joelhos. Caiu sobre eles, sacudindo seu corpo. Então, ela inclinou em direção ao pequeno riacho e deixou sua cabeça cair para frente. Através do choque gelado, ela pôde vagamente ouvir as exclamações das pessoas acima d’água, e Stefan dizendo: “Elena, você está bem?” em sua cabeça.
Não, ela pensou de volta. Mas eu também não estou me afogando. Estou lavando meu cabelo. Talvez Damon, ao menos, olhe para mim se eu estiver apresentável. Talvez ele volte conosco e lute por Fell’s Church.
Deixe-me ajudá-la a levantar, Stefan enviou silenciosamente.
Elena subiu ao ar. Puxou a cabeça pesada para fora da água e sacudiu seu cabelo encharcado, mas limpo, de modo que ele caiu sobre suas costas. Ela olhou para Stefan.
— Por quê? — Ela disse.
E então, com um pânico súbito:
— Ele já foi embora? Ele estava bravo… Comigo?
— Stefan — Sage disse, cansadamente.
Stefan, que estava olhando com seus olhos verdes como se fosse um animal acuado, fez um suspiro fraco.
— A Influência não está funcionando — Sage disse. — Ela vai se lembrar de tudo.

Um comentário:

  1. Não deviam tê-la influenciado! "A dor precisa ser sentida."

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