4 de novembro de 2015

Capítulo 4

O feitiço começou perfeitamente e completamente bem. Mais tarde, Anastasia só pôde sacudir a cabeça e perguntar-se como algo que começou tão bem terminou tão desastrosamente.
Talvez porque havia tomado um tempo para trocar a horrível roupa que erroneamente tinha começado a usar desde que se converteu em professora. Afinal de contas, se ela não estivesse estado nessa parte em particular do feitiço, no momento exato e no lugar específico – se um desses elementos tivesse se modificado, num piscar de olhos, tudo teria mudado.
Bom, tudo mudou sim, só que não como ela tinha previsto.
A luz da lua estava tão boa em seus braços nus. Essa foi uma das razões pela qual ela havia ido mais e mais longe, aproximando-se do poderoso rio Mississipi mais do que era necessário. A lua parecia estar atraíndo-lhe, liberando-a de todas as tolas restrições ela havia se imposto na tentativa de ser alguém que não era.
Anastasia usava agora o tipo de roupa que mais gostava: sua longa e macia saia azul-topázio e uma túnica simples.
Um mês antes de ser chamada a esta nova e maravilhosa House of Night, ela havia se inspirado em um vestido das índias donzelas Lenni Lenape e costurou contas de vidro, conchas e franjas ao redor da bainha da saia e no arredondado decote de sua túnica sem mangas. Anastasia fez um pequeno passo de dança e girou, fazendo as conchas e as miçangas tilintarem.
Nunca usarei aquela horrível roupa outra vez. Quando era humana, isso era tudo o que me era permitido usar. Não cometerei esse erro outra vez, disse a si mesma severamente, e logo lançou sua cabeça para trás e falou com a lua que pendia no escuro céu.
― Isto é o que eu sou! Sou uma professora vampira, uma especialista em feitiços e rituais! Sou jovem e livre!
Ela iria seguir o conselho de sua Alta Sacerdotisa. Anastasia iria ser como a terra. Iria encontrar sua força em sua juventude.
― Também vou vestir-me como desejo, e não como se fosse uma antiga professorinha do interior.
Ou como uma Quakeress da Pensilvânia, como a família humana que deixei para trás quando fui Marcada há seis anos, acrescentou silenciosamente. Ela lembraria as partes boas e pacíficas de seu passado, sem seus limites e restrições.
― Sou como a terra! ― exclamou com alegria, praticamente dançando sobre a grama alta que rodeava a House of Night de Tower Grove.
Não foi apenas a liberdade física de uma troca de roupa que a fez sentir-se melhor – também confiança que Pandeia depositou sobre ela significou muito.
A noite era cálida e clara, e Anastasia ia fazer algo que lhe traria uma alegria indescritível: ia lançar um feitiço que realmente beneficiaria uma House of Night, a sua House of Night.
Mas deter-se em um campo salpicado de girassóis silvestres havia sido um erro descuidado. Ela sabia que os girassóis atraíam amor e luxúria, contudo Anastasia não havia estado pensando no amor, pensava na beleza da noite e no encanto da pradaria. E a verdade é que ela sempre amou girassóis!
O prado era impressionantemente exuberante. Estava tão perto do Mississipi que Anastasia podia ver os salgueiros alinhados ao longo da alta e íngreme margem ocidental. Não podia ver o rio devido às árvores e ao penhasco, mas podia ouvi-lo: esse rico som que sussurrava com a fertilidade da terra, poder e promessas.
No centro da pradaria, perfeitamente situada para capturar toda a luz prateada da lua cheia, estava uma enorme rocha plana de arenito, exatamente como o altar que precisaria para seu feitiço de atração.
Anastasia pôs sua cesta de encantamentos no chão ao lado da grande rocha e começou a dispor os ingredientes para o ritual. Em primeiro lugar, sacou o cálice prateado que seu mentor lhe havia dado como presente de despedida. Era simples, mas bonito, adornado somente com o contorno de Nyx, os braços levantados sustentando um crescente.
Então Anastasia desembrulhou um tecido verde reluzente e revelou um pequeno frasco de rolha contendo vinho com sangue e o abriu, deixando-o repousar em cima da rocha.
Colocou o cálice no centro da pedra e logo puxou um grande pedaço de papel encerado da cesta, abrindo-o para expor uma grande fatia de pão fresco, um pedaço de queijo e as grossas fatias de toucinho cozido. Sorrindo, colocou o papel e a comida junto ao cálice, e encheu-o.
Satisfeita com os aromas e a visão do banquete, que representava a generosidade da Deusa, retirou cinco velas da cesta. Anastasia encontrou o norte facilmente virando na direção do rio, e foi até a parte mais setentrional da rocha para deixar a vela verde, que representava o elemento da qual ela se sentia mais próxima, a terra. Enquanto colocava o resto das velas em suas direções correspondentes: amarelo para o ar, no leste; vermelho para o fogo, no sul; azul para a água, no oeste e a vela púrpura do espírito no centro, Anastasia controlou sua respiração. Tomou respirações profundas, imaginando que extraia o ar impregnado do poder da terra através do solo para seu corpo. Ela pensou em seus alunos e o quanto queria o melhor para eles, e como o melhor significava que eles deveriam ver-se claramente e avançar em seus caminhos com verdade e honestidade.
Quando as velas estavam prontas. Anastasia retirou o resto do conteúdo da cesta de encantamentos: uma comprida trança de erva-doce, uma lata que continha fósforos, luz fluorescente e três pequenas bolsas de veludo – uma contendo folhas secas de louro, outra, agulhas de cedro e a terceira recheada de sal marinho.
Anastasia fechou seus olhos e enviou a sua Deusa a mesma oração sincera e silenciosa que fazia antes de realizar algum feitiço ou ritual.
Nyx, tem meu juramento de que pretendo fazer apenas o bem durante o feitiço que realizarei esta noite.
Anastasia abriu seus olhos e virou primeiro para o leste, acendendo a vela amarela para o ar e chamando o elemento ao seu círculo com uma voz clara, utilizando palavras simples:
― Ar, por favor, una-se ao meu círculo e fortaleça o meu feitiço.
Movendo-se no sentido dos ponteiros do relógio, ela acendeu todas as cinco velas, chamando cada elemento em sua vez, completando o círculo do feitiço ao acender a vela do espírito no centro do altar. Então encarou o norte, tomou outra respiração profunda e começou a falar de coração e alma.
― Eu começo a limpar este espaço com erva-doce.
Ela fez uma pausa para sustentar o final da trança sobre a chama da vela verde da terra. Quando pegou fogo, começou a passar ao redor de si graciosamente, enchendo o ar por cima da rocha com uma espessa fumaça que girava em ondas.
― Qualquer energia negativa deve ir sem deixar rastro.
Ela deixou de lado a trança ainda esfumaçando e estendeu sua mão esquerda em concha. Pegou então a primeira bolsa de veludo. Enquanto esmigalhava as folhas secas em sua palma, continuou o feitiço.
― Consciência e claridade vêm com essas folhas de louro. Através da terra, eu chamo hoje o seu poder.
As agulhas do cedro vieram depois. Anastasia cheirou sua fragrância enquanto as misturava com as folhas trituradas em sua palma, dizendo:
― Cedro, de ti vem a coragem, a proteção e o autocontrole que busco. Empreste-me sua força para que meu feitiço não seja fraco.
Da última bolsa de veludo, retirou os pequenos cristais de sal marinho, contudo não misturou-os aos outros ingredientes. Ele levantou sua palma, agora cheia de louro de cedro.
Ela inclinou a cabeça para trás, sentindo o vento cálido beijado pelo fogo levantando seus abundantes cabelos loiros e ouvindo a água do rio, mostrando-lhe que os elementos, de fato, haviam se unido ao seu círculo e estavam ali, esperando para receber e cumprir seu pedido.
Enquanto começava a dizer as palavras do feitiço, a voz de Anastasia tomou uma encantadora entonação que soava como se ela estivesse recitando um poema com uma melodia que só sua alma podia ouvir.

Esta noite trabalho em um feitiço de atração
Meu desejo é lançar clareza à visão
Com folhas de louro revelarei a verdade
O amor não deve vir de arrogante atitude
O cedro protege das travessuras da juventude
Empresta coragem e controle para suas necessidades.

O sal marinho estava escorregadio contra os dedos de Anastasia no momento em que o ingrediente final era acrescentado ao seu feitiço.
― O sal é a chave que me ata a este feitiço.
Ela se moveu a um lado da vela verde, respirou profundamente e ordenou seus pensamentos. Era agora que precisaria evocar o nome de Dragon Lankford e, em seguida, nomear cada um dos quinze estudantes jogando uma pitada da mistura na chama da terra enquanto esperava e rezava para que o feitiço aderisse e que cada estudante pudesse ver Dragon claramente, com verdade e honra.

Que nesta chama a magia corte como uma espada,
Invocando somente a verdade de Bryan Lankford!

Logo que falou o nome, aconteceu. Anastasia devia ter jogado a primeira pitada da mistura e dito o nome de Doreen Ronney, que estava totalmente obcecada por Dragon Lankford, porém a noite explodiu ao seu redor em caos e testosterona enquanto um jovem calouro saiu de trás de uma árvore para mais perto, com uma espada na mão.
― Saia! Está em perigo! ― gritou para Anastasia, dando-lhe um brusco empurrão.
Fora de equilíbrio, seus braços se moveram descontrolados, fazendo com que a mistura do feitiço fosse lançada para cima, elevando-se cada vez mais enquanto Anastasia ia para baixo, caindo bruscamente sentada no chão.
Ela ficou sentada, mirando boquiaberta e completamente horrorizada quando o vento cálido que havia estado presente desde que ela abriu o círculo soprou a mistura mágica no rosto do calouro.
O tempo pareceu parar. Foi como se a realidade, por um instante, tivesse mudado e se dividido. Em uma hora Anastasia estava olhando para o novato, congelado no momento, a espada levantada como a estátua de um jovem deus guerreiro. Então o ar entre ela e o calouro imóvel começou a brilhar com uma luz que lhe recordava a chama de uma vela. Se mexia e agitava, tão brilhante que ela teve que levantar a mão para cobrir seus olhos. Enquanto ela fechava seus olhos por causa do brilho, a luz se dividiu no meio, circundando o calouro em um globo de luz tangível, e do seu centro, justaposto na frente do garoto, Anastasia comtemplou outra figura. No inicio era indistinta. Então ela deu um passo adiante, mais perto de Anastasia, de modo que a luz iluminou a professora e bloqueou totalmente a visão do calouro.
No geral, a figura tinha a mesma altura e tamanho do garoto. E também estava brandindo uma espada.
Anastasia observou o seu rosto. Seu primeiro pensamento, seguido rapidamente por comoção e surpresa, foi: tem um rosto amável... e é realmente muito bonito. E então ela balançou a cabeça, dando-se conta do que estava vendo.
― Você é ele! O calouro atrás de você! É você!
Só que não era realmente o garoto. Era claro. Esta nova figura era um homem adulto, um vampiro completo com incríveis tatuagens de aspecto exótico de dois dragões, com a lua crescente no meio da testa, o corpo, asas e caudas se estendendo pelo seu rosto para marcar uma mandíbula firme e lábios cheios, lábios que sorriam de modo encantador e arrebatador para ela.
― Não, não é o calouro ― ela falou, observando de seus lábios até seus olhos castanhos, que brilhavam em reflexo de seu sorriso.
― Você me convocou, Anastasia. Deve saber quem sou.
A voz dele era profunda e agradável a ela.
― Te convoquei? Mas eu... ― sua voz sumiu.
O que ela havia dito momentos antes que o calouro tivesse aparecido e acabado com seu encantamento? Então ela se lembrou.
― Eu tinha acabado de dizer “Que nesta chama a magia corte como uma espada, Invocando somente a verdade de Bryan Lankford!” ― Anastasia se cortou, mirando fixamente as tatuagens do vampiro... tatuagens de dragão...
― Como é possível? Você não pode ser Bryan Lankford. E como sabe o meu nome?
O sorriso dele se ampliou.
― É tão jovem. Eu havia me esquecido ― sustentando o seu olhar, ele se inclinou em um reverência cortês ― Anastasia, minha... minha sacerdotisa, Bryan Lankford é exatamente quem convocou. Sou ele ― ele riu entre dentes brevemente. ― E ninguém tem me chamado de Bryan há muito tempo, exceto você.
― Não quis te convocar literalmente! E está velho! ― ela retrucou, e depois sentiu seu rosto esquentar ― Não, não quis dizer velho velho. Quero dizer que está mais velho que um calouro. Você é um vampiro Mudado. Embora, não velho.
Anastasia desejava desesperadamente desaparecer embaixo do altar de pedra.
O riso de Dragon era suave, bondoso e muito atrativo.
― Pediu a verdade de mim, e foi o que conjurou. Minha Anastasia, assim eu serei no futuro, e é como disse, um velho e vampiro completamente Mudado. Esse novato li, atrás de mim, é quem sou hoje. Mais jovem, sim, mas também impulsivo e demasiado seguro de si.
― Como me conhece? Por que me chama de “minha Anastasia”?
E por que faz com que meu coração se sinta como um pássaro emocionado que está prestes a alçar voo?, acrescentou silenciosamente para si mesma.
Ele fechou o pequeno espaço entre os dois e se inclinou junto a ela. Lentamente, cuidadosamente, ele tocou seu rosto.
Ela não podia sentir sua mão, mas seu alento estava claramente visível.
― Te conheço porque é minha, assim como sou seu. Anastasia, olhe-me nos olhos. Diga-me sinceramente o que vê.
Ela tinha que fazer o que ele pedia. Não tinha outra opção. Seu olhar a havia hipnotizado, como tudo o mais relacionado a esse vampiro. Ela olhou em seus olhos e se perdeu em tudo o que via ali: bondade e força, integridade e humor, sabedoria e amor, muito, muito amor. Em seus olhos Anastasia reconheceu tudo o que havia imaginado em um homem.
― Vejo um vampiro que poderia amar ― ela falou sem duvidar. E acrescentou apressadamente: ― mas você é obviamente um guerreiro, e eu não posso...
― Vê um vampiro que ama ― ele corrigiu.
Detendo suas palavras, ele se inclinou adiante, segurando seu rosto com as mãos e pressionando seus lábios contra os dela. Anastasia não deveria ter sido capaz de sentir nada. Mais tarde repetiu a cena várias e várias vezes em sua mente, tratando de decidir como um fantasma conjurado de um homem possivelmente poderia tê-la feito sentir tanto sem realmente poder tocá-la. Porém tudo o que ela podia fazer era tremer e conter seu alento enquanto o desejo por ele, real ou imaginário, pulsava através de seu corpo.
― Ohhh ― ela sussurrou suspirando enquanto ele se movia lamentavelmente para longe dela.
― Meu amor, Anastasia minha, sou um vampiro e um guerreiro. Sei que agora parece impossível, mas creio que é a verdade. Para me converter na pessoa que vê – o homem de bondade e força, integridade e humor, sabedoria a amor – preciso de você. Sem você, sem nós, sou só uma casca do que deveria ser, sou um dragão sem homem. Só você pode tornar o homem mais forte que o dragão. Recorde disso quando a versão jovem, precipitada e arrogante de mim tentar deixá-la louca.
Ele continuou se afastando dela.
― Não se vá!
Seu sorriso encheu seu coração.
― Não vou. Nunca te deixarei voluntariamente, Anastasia minha. Vou estar aqui, crescendo e aprendendo. ― Olhou para trás, para a estátua congelada do novato e riu, reencontrando seu olhar. ― Apesar de possa ser difícil acreditar às vezes. Dê uma oportunidade, Anastasia, seja paciente comigo, valerá a pena. Ah, e não me deixe matar o urso. Não irá te machucar. Ele, como eu, só veio a você devido um feitiço que saiu ligeiramente mal. Nem ele, nem eu ― ele fez uma pausa e sua voz profunda suavizou-se ― nem sequer meu eu jovem e arrogante tem algo de malévolo em mente esta noite. E, meu amor, nunca permitirei que algo te faça mal.
Enquanto dizia essas últimas palavras, Anastasia sentiu um vento frio através de seu corpo como se algum deus ou deusa de repente tivesse derramado água e gelo em suas veias.
No momento em que ela contemplava, com uma estranha mescla de pressentimento e desejo, o espectro adulto de Bryan Lankford, seu olhar, ainda preso ao dele, retrocedeu. A luz brilhou e ele foi absorvido pela sua versão mais jovem, que imediatamente começou a mover-se de novo.
Sentindo como se tivesse sido atingida por um trem, Anastasia viu a versão mais jovem do vampiro, cujo toque etéreo ainda fazia seu corpo estremecer. Ele estava limpando seus olhos chorosos com uma mão enquanto com a outra brandia a espada na direção do enorme urso pardo que de repente apareceu diante dele de pé sobre as patas traseiras. Era tão grande que, por um instante, Anastasia pensou que tal como a versão do futuro de Dragon Lankford, o urso havia sido conjurado pelo seu feitiço de alguma maneira, e era apenas magia, fumaça, névoa e sombras. Só quando o urso rugiu, fazendo vibrar o ar ao seu redor, que Anastasia descobriu que não era nenhuma ilusão.
Os olhos de Lankford se clarearam rapidamente e ele avançou com intenção mortal na direção da criatura.
― Não o machuque! ― Anastasia gritou ― o urso foi atraído acidentalmente para cá por meu feitiço – não tem más intenções.
Bryan retrocedeu, fora do alcance imediato das garras da enorme criatura.
Anastasia o viu estudando o urso.
― Através da sua magia? ― ele perguntou, sem tirar os olhos do animal.
― Sim! Te dou a minha palavra ― ela disse.
Bryan olhou-a rapidamente e Anastasia sentiu uma estranha sacudida de reconhecimento com o olhar. Então o novato lhe fez uma reverência e disse:
― Será melhor tenha razão.
Anastasia teve que pressionar seus lábios firmemente para não gritar: foi a sua versão adulta que me disse isso! Ela duvidava que ele iria escutá-la gritar. Ele tinha voltado sua atenção para o urso.
A grande criatura se levantava sobre o garoto, mas Bryan simplesmente se agachou, pegou a vela mais próxima e levantou-a contra o urso. A chama da vela vermelha ardia como uma tocha.
― Xô! Saia! ― gritou em uma voz que tinha mais autoridade do que ela esperava de alguém que ainda não era um vampiro.
― Saia daqui! Xô! Tudo isso foi um acidente, a sacerdotisa não quis te convocar.
O urso se afastou do brilho da vela, bufando e grunhindo. Bryan deu um passo adiante.
― Diga que se vá!
Com um enorme sentimento de alívio, Anastasia observou a besta descer para as quatro patas e, com um grunhido ao calouro, trotar serenamente até o rio. Atuando unicamente por instinto, ela se colocou de pé.
― Certo, está bem, estou segura agora. Tudo está sob controle ― ela falou enquanto o ignorava e tomava a vela vermelha de sua mão, ainda acesa. ― Não rompa o círculo. Este feitiço tem poder demais para desperdiçar ― disse firmemente.
Ela não olhou para ele, não queria distrair-se. Em vez disso, focou sua atenção na chama, protegendo-a com a mão e colocando cuidadosamente a vela em seu lugar antes de voltar a enfrentar Bryan Lankford.
Seu cabelo ela loiro, longo, grosso e atado atrás, o que a fez recordar do cabelo do Bryan adulto, que também era da mesma cor clara, mas caía livremente pelos ombros, emoldurando o seu rosto amável. Havia um pouco de cinza em suas têmporas? De alguma forma, ela não conseguia se lembrar mais. No entanto, podia recordar perfeitamente a cor exata de seus lindos olhos castanhos.
― O que foi? Não rompi o círculo. A vela não se apagou. Olhe, está exatamente onde estava antes.
Anastasia se deu conta de que havia ficado observando-o sem falar. Ele deve pensar que sou completamente louca.
Ela abriu sua boca para dizer algo que explicasse um pouco da estranheza da noite, e então ela o olhou realmente, ao jovem Bryan diante dela. Ele tinha ingredientes espalhados por todo o rosto – cristais de sal nas sobrancelhas e louro e cedro nos cabelos.
Sua repentina risada surpreendeu a ambos.
As sobrancelhas dele se levantaram.
― Eu arrisco a minha vida para te salvar de uma criatura selvagem que você ri de mim?
Ele estava tratando de soar sério e ofendido, mas Anastasia podia ver uma centelha de humor em seus olhos castanhos.
― Você está coberto por meus ingredientes, e sim, isso te faz parecer engraçado.
Também o fazia parecer juvenil e um bonitinho, mas ela guardou essa parte para si. Ou ao menos assim pensou. Enquanto os dois estavam de pé ali, contemplando-se, o brilho nos olhos de Bryan era cúmplice.
Quando seus lábios começaram a elevar-se num sorriso, o estômago de Anastasia deu uma estranha sacudida, e ela rapidamente falou:
― Embora eu não devesse rir, sem importar o quão engraçado esteja. Meu encantamento sobre você significar que terei que refazer toda a mistura.
― Então não devia ter jogado em cima de mim ― ele replicou com um arrogante movimento de cabeça.
A diversão de Anastasia começou a desvanecer-se.
― Não joguei em você. O vento soprou em seu rosto quando eu caí porque você me empurrou.
― Verdade? ― ele levantou um dedo, como se testando a direção do vento ― que vento?
Anastasia franziu o cenho.
― Deve ter se extinguido, ou talvez se acalmado pela interrupção do meu feitiço.
― Eu não te empurrei ― continuou como se ela não tivesse falado ― coloquei-a atrás de mim para poder te proteger.
― Não precisava me proteger. O urso foi um acidente. Estava confuso, não era perigoso. Eu estava lançando um feitiço de atração, e de alguma forma o urso foi atraído por ele ― ela explicou.
― Então foi um feitiço de atração ― a irritação que havia começado a aparecer em sua voz se desvaneceu para ser substituída por um riso arrogante e outro olhar cúmplice ― por isso disse o meu nome. Você me deseja.

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