25 de novembro de 2015

Capítulo 3

O tempo parou. Elena descobriu que ela estava tateando instintivamente a mente de quem estava beijando-a tão docemente.
Ela nunca tinha apreciado realmente um beijo até que tinha morrido, se tornado um espírito, e então retornado a Terra com uma aura que revela o significado oculto dos pensamentos de outras pessoas, palavras e até mesmo suas mentes e almas. Era como se ela tivesse ganhado um sentido novo e bonito. Quando duas auras se misturavam tão profundamente como agora, as almas descobriam uma a outra.
Semi-consciente, Elena deixou sua aura se expandir, e conheceu a mente quase imediatamente. Para sua surpresa, ela recuou da dela. Isso não estava certo. Ela conseguiu prendê-la antes que ele pudesse recuar para trás de uma grande pedra dura, como uma rocha. As únicas coisas deixadas fora da rocha que a lembrava a foto de um meteorito que tinha visto, com a superfície perfurada e carbonizada – foram as funções do cérebro rudimentar, e um menino, preso à rocha por ambos os punhos e os tornozelos.
Elena ficou chocada. Tudo o que ela estava vendo, ela sabia que era só uma metáfora, e que não devia julgar rápido demais o significado. As imagens diante dela eram realmente os símbolos da alma nua de Damon, mas de uma forma que sua própria mente podia compreender e interpretar, se apenas ela olhasse a partir da perspectiva correta.
Instintivamente, porém, sabia que estava vendo algo importante. Veio através do prazer sem fôlego e doçura estonteante de unir sua alma com outro. E agora, o seu amor inerente e preocupação a levaram a tentar se comunicar.
— Você está com frio? — ela perguntou à criança, cujas correntes eram longas o suficiente para permitir que ele envolvesse seus braços sobre as pernas dobradas. Ele estava vestido de preto esfarrapado.
Ele concordou em silêncio. Seus grandes olhos escuros pareciam engolir seu rosto.
— De onde você vem? — disse Elena com dúvida, pensando em maneiras de aquecer a criança. — Não de dentro disso? — Ela fez um gesto em direção à pedra gigante.
A criança acenou com a cabeça novamente. — Está mais quente lá dentro, mas ele não vai mais me deixar entrar.
— Ele?  Elena estava sempre à procura de sinais de Shinichi, esse espírito de raposa malicioso. — Que 'ele', querido?  Ela já tinha se ajoelhado e tomado a criança nos braços, e ele estava frio, gelado, e o ferro estava congelando.
— Damon — o menino maltrapilho sussurrou. Pela primeira vez os olhos do menino desviaram de seu rosto, para olhar medrosamente ao seu redor.
— Damon fez isso?  A voz de Elena começou forte e acabou tão suave como sussurro do menino, quando ele se virou com olhos suplicantes sobre ela e desesperadamente afagou-lhe os lábios, como a garras sedosas de gatinho.
Tudo isso são apenas símbolos, Elena lembrou a si mesma. É a mente de Damon - sua alma - quem você está olhando.
'Mas e você?' uma parte analítica dela perguntou de repente. Não havia – um tempo antes, quando você fez isso com alguém - e viu um mundo dentro dele, paisagens inteiras de cheias de amor e da beleza do luar, tudo isso simbolizando o funcionamento saudável de uma mente extraordinária. Elena não conseguia lembrar o nome da pessoa agora, mas ela se lembrou da beleza.
Sabia que sua própria mente poderia usar esses símbolos para se apresentar a uma outra pessoa.
Não, ela percebeu de forma abrupta e definitiva: não estava vendo a alma de Damon. A alma Damon estava em algum lugar dentro daquela enorme e pesada bola de rocha. Ele vivia apertado dentro daquela coisa horrível, e quis dessa forma. Tudo o que foi deixado de fora era uma antiga memória de sua infância, um menino que havia sido banido do descanso de sua alma.
— Se Damon te colocou aqui, então quem é você? — Elena perguntou devagar, testando sua teoria, presa aos olhos pretos da criança, e os cabelos escuros e os traços que ela reconhecia mesmo estando tão jovem.
— Eu sou... Damon — o menino sussurrou, branco ao redor dos lábios.
Talvez até mesmo revelando que isso foi muito doloroso, Elena pensou.
Ela não queria magoar esse símbolo da infância de Damon. Queria que ele sentisse a doçura e o conforto que ela estava sentindo. Se a mente Damon tivesse sido como uma casa, ela teria gostado de arrumá-la, e encher todo o quarto com flores e com a luz das estrelas. Se tivesse sido uma paisagem que ela teria colocado uma auréola em volta da branca lua cheia, ou um arco-íris entre as nuvens. Mas em vez disso, apresentou-se como uma criança faminta acorrentada a uma bola que ninguém poderia violar, e ela queria confortar e acalmar a criança.
Ninou o menino, esfregando firme seus braços e suas pernas e aninhando-o contra o seu corpo espiritual.
No começo, ele se sentia tenso e desconfiado em seus braços. Mas depois de algum tempo, quando nada de terrível aconteceu com o contato entre eles, ele relaxou e ela sentiu seu corpo pequeno ficar quente, sonolento e pesado em seus braços. Ela sentiu-se imensamente protetora e amável pela pequena criatura.
Em poucos minutos, a criança em seus braços estava dormindo, e Elena pensou que havia ali a sombra de um sorriso em seus lábios. Ela abraçou seu pequeno corpo, balançando-o suavemente, sorrindo de si mesma. Estava pensando em alguém que a segurou assim quando ela havia chorado. Alguém que foi - não foi esquecido, nunca esquecido - mas que fez sua garganta doer com tristeza. Alguém tão importante - era desesperadamente importante que ela se lembrasse dele agora, agora - e isso ela... ela tinha que... encontrar...
E, de repente, a noite calma do espírito de Damon estava dividida - pelo som, pela luz e pelas energias que mesmo Elena, jovem como ela era nos caminhos do Poder, sabia que tinha sido atiçado pela lembrança de um nome único.
Stefan.
Oh, Deus, ela tinha esquecido dele — tinha realmente, por alguns minutos, permitido a si mesma formar uma imagem do que significava esquecer-se dele. A angústia por todas as horas solitárias de fim de noite, sentada e derramando a sua dor e medo em seu diário - e, em seguida, a paz e o conforto que Damon tinha oferecido tinha realmente feito-a esquecer Stefan. Esquecer o que ele pode estar sofrendo neste mesmo momento.
— Não... não! — Elena estava lutando sozinho na escuridão. — deixe-me... Eu tenho que encontrar... Não posso acreditar que eu esqueci...
— Elena.  A voz de Damon estava calma e gentil - ou pelo menos sem emoções. — Se continuar empurrando assim você vai se soltar - e é um longo caminho até o chão.
Elena abriu os olhos, todas as suas lembranças sobre rochas e crianças voaram para longe, espalhando-se como um dente-de-leão branco soprado em todas as direções. Ela olhou para Damon acusadoramente.
— Você... você...
— Sim — disse Damon com compostura. — Ponha a culpa em mim. Por que não? Mas não te Influenciei, não te mordi. Eu apenas a beijei. Seus Poderes fizeram o resto; eles podem ser incontroláveis, mas são extremamente atraentes do mesmo jeito. Francamente, eu nunca pretendi ser sugado tão profundamente - se você perdoar o trocadilho. — Sua voz era leve, mas Elena teve uma súbita visão de uma criança chorando, e ela se perguntou se ele estava realmente tão indiferente quanto parecia.
Mas essa é sua especialidade, não é? ela pensou, de repente amarga. Ele oferece sonhos, fantasias, o prazer de estar na mente de seus... doadores.
Elena sabia que as meninas e jovens mulheres que Damon... predava... adoravam-no, suas únicas reclamações era que ele não as visitava o suficiente.
— Eu entendo — disse Elena a ele enquanto se dirigiam para mais perto do chão. — Mas isso não pode acontecer novamente. Há apenas uma pessoa que eu posso beijar, e é Stefan.
Damon abriu a boca, mas só então houve o som de uma voz que estava tão furiosa e acusadora como Elena tinha estado, e que não se preocupava com as consequências. Elena se lembrou de outra pessoa que ela tinha esquecido.
— DAMON, SEU BASTARDO, TRAGA-A PARA BAIXO!
Matt.
Elena e Damon chegaram em um giro, parando elegantes, exatamente ao lado do Jaguar. Matt correu imediatamente para Elena e arrebatou-a para longe, examinando-a como se tivesse sofrido um acidente, com especial atenção para seu pescoço. Mais uma vez Elena estava desconfortavelmente consciente de estar vestida com uma camisola de renda branca, na presença de dois meninos.
— Eu estou bem, honestamente, — disse a Matt. — Só estou um pouco tonta. Vou estar melhor em alguns minutos.
Matt soltou um suspiro de alívio. Ele podia não estar mais apaixonado por ela, como tinha estado antes, mas Elena sabia que ele se importava muito com ela e sempre seria assim. Ele cuidou dela como a namorada de seu amigo Stefan, e também por seus próprios méritos. Ela sabia que ele jamais esqueceria o momento em que estiveram juntos.
Mais, ele acreditava nela. Então, agora, quando prometeu que estava bem, ele acreditou nisso. Estava mesmo disposto a dar a Damon um olhar que não era completamente hostil.
E então os dois garotos se dirigiram para a porta do lado do motorista do Jaguar.
— Oh, não — disse Matt. — Você dirigiu ontem... E olha o que aconteceu! Você mesmo disse - há vampiros nos perseguindo!
— Você está dizendo que a culpa é minha? Vampiros estão perseguindo esse motor potente, pintado de vermelho, gigante, e de alguma forma isso é minha culpa?
Matt simplesmente olhou teimoso: sua mandíbula apertada, sua pele bronzeada ruborizando. — Estou dizendo que devemos revezar. Você já teve a sua vez.
— Não me lembro de nada que tenha sido dito sobre 'turnos'.  Damon conseguiu dar à palavra uma inflexão que a fez soar como uma atividade perversa. — E se eu for em um carro, eu dirijo o carro.
Elena limpou a garganta. Nenhum deles sequer notou.
— Não vou entrar em um carro se você estiver dirigindo! — Matt disse furiosamente.
— Não vou entrar em um carro se você estiver dirigindo! — Damon disse laconicamente.
Elena pigarreou mais alto, e Matt finalmente lembrou-se de sua existência.
— Bem, Elena mal pode esperar por nos conduzir todo o caminho para onde estamos indo, — disse ele, antes que ela pudesse sugerir a possibilidade. — A menos que nós cheguemos lá hoje, — acrescentou, olhando para Damon drasticamente.
Damon balançou a cabeça escura. — Não. Estou tomando a rota cênica. E quanto menos pessoas souberem onde estamos indo, mais chances temos de chegar lá. Você não pode contar se você não sabe.
Elena sentiu como se alguém tivesse tocado de leve os cabelos na parte de trás do seu pescoço com um cubo de gelo. A forma como Damon disse essas palavras...
— Mas eles já sabem para onde estamos indo, não é mesmo? — perguntou ela, agitando-se para trás com praticidade. — Sabem que nós queremos resgatar Stefan, e sabem onde Stefan está.
— Oh, sim. Eles sabem que estamos tentando entrar na Dimensão Sombria. Mas por qual portal? E quando? Se pudermos despistá-los, a única coisa com que precisaremos nos preocupar é com Stefan e os guardas da prisão.
Matt olhou em volta. — Quantos portais existem lá?
— Milhares. Onde três linhas de poder se cruzam, há o potencial para um portal. Mas desde que os Europeus tiraram os Nativos Americanos para fora de suas casas, a maioria dos portais não estão sendo utilizados ou mantidos como eram nos velhos tempos. — Damon deu de ombros.
Mas Elena estava formigando toda com entusiasmo, com a ansiedade. — Por que não encontramos o portal mais próximo e atravessamos, então?
— Viajar por todo o caminho para a prisão pelo submundo? Olha, você não entende nada. Primeiro de tudo, precisa de mim com você para você entrar em um portal - e mesmo assim, não vai ser agradável.
— Não é agradável para quem? Nós ou você? — Matt perguntou severamente.
Damon deu-lhe um longo olhar vazio. — Se você tentar por conta própria seria breve e terminantemente desagradável para você. Comigo, deve ser desconfortável, mas apenas uma questão de rotina. E quanto ao porque não viajar alguns dias lá por baixo - bem, vão ver por si mesmos no futuro, — disse Damon, com um sorriso estranho. — E isso levaria muito, muito mais do que passar por um portão principal.
— Por quê? — Matt exigiu sempre pronto para fazer perguntas das quais Elena realmente não queria saber as respostas.
— Porque é como uma selva, onde sanguessugas de um metro e meio caindo das árvores vão ser a menor de suas preocupações, ou um terreno baldio, onde qualquer inimigo pode atacá-lo e todo mundo é seu inimigo.
Houve uma pausa enquanto Elena pensava duramente. Damon ficou sério.
Claramente, ele realmente não queria fazer isso - e não eram muitas as coisas que incomodavam Damon. Ele gostava de lutar. Mais só se fosse para perder tempo...
— Tudo bem, — disse Elena lentamente. — Vamos continuar com seu plano. — Imediatamente, os dois rapazes chegaram à porta do lado do motorista segurando novamente.
— Ouça, — disse Elena sem olhar para nenhum deles. — Eu vou dirigir o meu Jaguar até a próxima cidade. Mas primeiro vou entrar e trocar de roupa e talvez até mesmo tirar alguns minutos de sono. Matt vai querer encontrar um riacho ou algo onde ele possa se limpar. E então vou para qualquer cidade mais próxima para tomar café-da-manhã e...
... a briga pode começar de novo, — Damon terminou para ela. — Você pode fazer isso, Querida. Vou encontrá-los em qualquer lugar gorduroso que você escolher.
Elena concordou com a cabeça. — Você tem certeza que vai ser capaz de nos encontrar? Estou tentando segurar a minha aura baixa, realmente.
— Olha, um Jaguar motor potente, pintado de vermelho, em qualquer sobrevoo sobre uma cidade você pode encontra, essa rota vai ser tão evidente como um OVNI, — disse Damon.
— Por que ele não vem apenas com... — A voz de Matt parou. De alguma forma, embora tenha tido o mais profundo ressentimento contra Damon, muitas vezes ele conseguiu esquecer que ele era um vampiro.
— Então você está indo para lá primeiro para encontrar alguma jovem garota caminhando para a escola de verão, — disse Matt, seus olhos azuis parecendo escurecer. — E vai descer rapidamente sobre ela e levá-la onde ninguém possa ouvir seus gritos e então vai puxar a cabeça para trás e vai afundar seus dentes em sua garganta.
Houve uma pausa relativamente longa. Em seguida, Damon disse em um tom levemente ferido — Eu não vou.
— Isso é o que você, seu povo, faz. Fez isso comigo.
Elena viu a necessidade de uma intervenção drástica: a verdade. — Matt, Matt, não foi Damon quem fez isso. Foi Shinichi. Você sabe disso. — Ela delicadamente tomou Matt pelos braços e virou-o até que ele estava de frente para ela.
Por um longo momento Matt não olhou para ela. O tempo se esticava e Elena começou a temer que ele estivesse fora do seu alcance. Mas então, finalmente, ele levantou a cabeça para que ela pudesse olhar em seus olhos.
— Tudo bem, — disse ele baixinho. — Vou junto com ele. Mas você sabe que ele está saindo para beber sangue humano.
— De um doador disposto! — Damon, que tinha uma boa audição, gritou.
Matt explodiu novamente. — Porque você os torna dispostos! Você os hipnotiza...
— Não, eu não.
—... ou 'os Influencia', ou o que quer que seja. Como você gostaria que...
Pelas costas de Matt, Elena estava fazendo agora um furioso movimento à Damon de continue com as mãos, como se ela estivesse espantando um bando de galinhas. No começo Damon apenas levantou uma sobrancelha para ela, mas depois deu de ombros com elegância e obedeceu, sua forma desfocando quando ele se transformou em um corvo e rapidamente se tornou um ponto no sol nascente.
— Você acha que, — Elena disse calmamente, — que poderia se livrar de sua estaca? Isso está deixando Damon completamente paranoico.
Matt olhou por toda parte exceto para ela e finalmente concordou. — Eu vou jogá-la fora quando descer para me lavar, — disse ele, olhando para suas pernas enlameadas severamente. — De qualquer forma, — acrescentou — entra no carro e tentar dormir um pouco. Parece que você precisa.
— Acorde-me dentro de algumas horas, — disse Elena sem a menor ideia de que dentro de algumas horas ela ia me arrepender disso mais do que ela poderia dizer.

2 comentários:

  1. Damon beijou Elena no pescoço? (Confusa)

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    1. Não foi na boca... Ela virou o pescoço para ele mas ele a beijou na boca os só assim ela consegue (tenta no caso dele) ver a alma da outra pessoa.

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