20 de novembro de 2015

Capítulo 3

Mais tarde naquele dia, Caroline estava sentada com Matt Honeycutt, Meredith Sulez e Bonnie McCullough, todos ouvindo Stefan no celular de Bonnie.
 No fim da tarde seria melhor — disse Stefan a Bonnie. — Ela dorme um pouco depois do almoço, e mesmo assim, vai estar mais fresco em algumas horas. Eu disse a Elena que vocês viriam, e ela está animada para vê-los. Mas lembrem-se de duas coisas. Primeiro, só se passaram sete dias desde que voltou, e ela não é muito... ela mesma ainda. Acho que os sintomas passarão em poucos dias, entretanto, não se surpreendam com nada. E segundo, não digam nada sobre o que virem aqui. Para ninguém.
 Stefan Salvatore! — Bonnie estava escandalizada e ofendida. — Depois de tudo o que passamos juntos, acha que somos fofoqueiros?
 Não fofoqueiros... — a voz de Stefan veio pelo telefone suavemente.
Mas Bonnie continuou sem ouvi-lo.
 Estivemos juntos contra vampiros desonestos na cidade fantasma, e lobisomens, e... vampiros anciões, criptas secretas, assassinatos em série, Damon e nunca dissemos pras pessoas nada sobre ele — Bonnie disse.
 Desculpem-me. Só quis dizer que Elena não estará segura se algum de vocês contar até mesmo para uma pessoa. Seria manchete de jornais imediatamente: “garota retorna à vida”. E aí o que faríamos?
 Entendo — Meredith respondeu brevemente, inclinando-se para que Stefan pudesse ouvi-la. — Você não precisa se preocupar. Cada um de nós fará um juramento para não contar a ninguém. — Seus olhos escuros vaguearam momentaneamente para Caroline e em seguida voltaram para o telefone novamente.
 E tenho que perguntar... — Stefan estava fazendo uso de toda a sua polidez e cavalheirismo formados na Renascença, especialmente considerando que três das quatro pessoas ouvindo-o ao telefone eram do sexo feminino — vocês realmente têm algum jeito de fazer alguém cumprir uma promessa?
 Ah, acho que sim — disse Meredith agradavelmente, desta vez olhando diretamente nos olhos de Caroline. Caroline corou em seu bronzeado, suas bochechas e garganta se tornaram escarlate. — Deixe-nos ajeitar isso, e à tarde estaremos aí.
Bonnie, que estava segurando o telefone, perguntou:
 Alguém tem alguma coisa a dizer?
Matt tinha permanecido silencioso durante a maior parte da conversa. Agora, balançou a cabeça, fazendo o seu cabelo voar. Então, como se não pudesse segurar, disparou:
 Podemos falar com Elena? Só para dizer “oi”? Quero dizer, já faz uma semana inteira. — Sua pele bronzeada corando como um pôr-do-sol quase tão brilhante como Caroline tinha ficado.
 Acho que seria melhor vocês apenas virem aqui. Vocês entenderão quando chegarem. — Stefan desligou.
Eles estavam na casa de Meredith, sentados ao redor de uma mesa antiga no quintal.
 Bem, podemos levar pelo menos alguma comida — sugeriu Bonnie, levantando de sua cadeira. — Só Deus sabe o que a Sra. Flowers tem feito para eles comerem, ou se ela tem feito alguma coisa. — Fez um sinal para os outros, como se estivesse tentando levantá-los de suas cadeiras por levitação.
Matt começou a obedecer, mas Meredith permaneceu sentada.
 Acabamos de fazer uma promessa a Stefan. Há a questão da promessa em primeiro lugar. E as consequências.
 Sei que você está pensando em mim — disse Caroline. — Por que apenas não fala?
 Tudo bem — concordou Meredith. — Estou pensando em você. Por que está tão interessada em Elena novamente? Como podemos ter certeza de que não vai espalhar a notícia por Fell’s Church?
 Por que eu faria isso?
 Atenção. Você gostaria de estar no centro das atenções, dando-lhes todos os suculentos detalhes.
 Ou vinganç, — Bonnie acrescentou, de repente voltando a se sentar. — Ciúmes. Tédio. Ou...
 Tudo Bem — Matt interrompeu. — Acho que já temos razões suficientes.
 Só mais uma coisa — Meredith falou calmamente. — Por que se importa tanto em vê-la, Caroline? Vocês duas não tem se falado direito ao longo de quase um ano, desde que Stefan chegou a Fell’s Church. Deixamos você participar da ligação para Stefan, mas depois do que ele disse...
 Se realmente precisa de um motivo pela qual eu deveria me importar, depois de tudo o que aconteceu há uma semana... bem, achei que você compreenderia sem precisar! — Caroline encarou fixamente com seus olhos verdes de gato brilhando sobre Meredith.
Meredith a fitou de volta com a sua melhor expressão vazia.
 Tudo bem! — Caroline exclamou. — Ela o matou por mim. Ou mandou ele a julgamento, ou seja, o que for. Esse vampiro, Klaus. E depois de ter sido raptada e... e... e usada como um brinquedo sempre que Klaus queria sangue – ou...
Seu rosto se retorceu e sua respiração ficou acelerada. Bonnie sentiu simpatia, mas também ficou cautelosa. Sua intuição estava ardendo, alertando-a. E notou que, embora Caroline tivesse falado sobre Klaus, o vampiro, estava estranhamente silenciosa sobre seu outro sequestrador, Tyler Smallwood, o lobisomem. Talvez porque Tyler foi seu namorado até que ele e Klaus a tinham feito de refém.
 Desculpe-me  Meredith falou em uma voz baixa que realmente soou arrependida. ― Então, quer agradecer Elena...
 Sim, quero agradecer Caroline estava respirando com dificuldade.  E quero ter certeza de que ela está bem.
 Certo. Mas este juramento abrange um tempo muito longo  Meredith continuou calmamente.  Você pode mudar de ideia amanhã, na próxima semana, ou daqui a um mês... e ainda nem sequer falamos sobre as consequências.
 Olha, não podemos ameaçar Caroline — disse Matt. — Não fisicamente.
 Ou arrumar outras pessoas para ameaçar — Bonnie acrescentou esperançosamente.
 Não, não podemos — concordou Meredith. — Mas para ser direta – você será caloura em uma fraternidade no próximo outono, não será, Caroline? Eu sempre posso dizer às suas potenciais irmãs de fraternidade que você quebrou o juramento solene sobre alguém que é incapaz de te machucar – pois estou certa de que ela não quer te machucar. De qualquer maneira, não acho que terão muito carinho por você depois disso.
O rosto de Caroline corou profundamente novamente.
 Você não faria. Não interferiria em minha universidade...
Meredith a cortou imediatamente com duas palavras.
 Me desafie.
Caroline pareceu murchar.
 Eu nunca disse que não faria o juramento, e nunca disse que não o manteria. Por que você me desafia? Eu... eu aprendi muitas coisas neste verão.
“Espero que sim.” As palavras, embora ninguém lhes dissesse em voz alta, pareciam pairar sobre todas elas. O passatempo de Caroline durante todo o ano anterior tinha sido tentar encontrar maneiras de machucar Stefan e Elena.
Bonnie trocou de posição. Havia algo – uma sombra – por trás daquilo que Caroline estava dizendo. Não sabia como ela sabia, talvez o sexto sentido com que tinha nascido. Mas talvez só tivesse a ver com o quanto Caroline tinha mudado, com o que ela tinha aprendido, Bonnie disse a si mesma. Pensando em quantas vezes tinha perguntado sobre Elena na última semana. “Ela realmente está bem?” “Poderia enviar flores?” “Elena já podia receber visitas?” “Quando ela ficaria bem?” Caroline realmente havia sido um incômodo pra Bonnie, embora não tivesse o coração para lhe dizer isso. Todo mundo estava esperando tão ansiosamente quanto ela para ver como Elena estava... Após ter retornado à vida.
Meredith, que sempre tinha uma caneta e papel, rabiscou algumas palavras.
 Que tal isso? — ela perguntou então, e todos se inclinaram para olhar o papel.

Juro que não direi a ninguém sobre quaisquer eventos sobrenaturais relacionados a Stefan ou Elena, a não ser que seja dada permissão específica para fazê-lo por Stefan ou Elena. Também ajudarei na punição de quem romper este voto, de forma a ser determinada pelo resto do grupo. Esta promessa é feita em perpetuidade, com o meu sangue como minha testemunha.

Matt estava concordando com a cabeça.
 Em perpetuidade”... perfeito,  disse.  Isso soa como o que escreveria um advogado.
Mas a punição se o juramento não fosse seguido não tinha nada haver com advogados. Cada um dos indivíduos em torno da mesa pegou o papel, leu-o em voz alta e, em seguida, assinou solenemente. Depois, cada um picou o dedo com um alfinete que Meredith tinha em sua bolsa e acrescentou uma gota de sangue ao lado de suas assinaturas, com Bonnie fechando os olhos ao picar o seu.
 Agora é realmente obrigatório — disse ela séria, como quem sabe das coisas. — Eu não tentaria quebrar isto.
 Já tive o suficiente de sangue por um longo tempo — Matt falou, espremendo o seu dedo e olhando para ele melancolicamente.
Foi então que aconteceu. O contrato de Meredith estava estendido no centro da mesa para que todos pudessem apreciá-lo, quando, de um carvalho alto que estava entre os fundos do quintal e a floresta, um corvo voou para eles. Ele aterrissou em cima da mesa, soltando um crocitar do fundo de sua garganta, fazendo Bonnie gritar também. O corvo lançou um olhar aos quatro seres humanos, que apressadamente puxaram pra trás suas cadeiras para sair de seu caminho. Então levantou a cabeça para outro lado. Era o maior corvo que todos já tinham visto, e o sol iluminava um arco íris em sua plumagem.
O corvo parecia, em todo o sentido da palavra, estar examinado o contrato. E então fez algo tão rapidamente que fez Bonnie se atirar para junto de Meredith, pulando de sua cadeira. Ele abriu as asas, se inclinando para frente, e bicou violentamente o papel, parecendo visar dois pontos específicos.
E então se foi, primeiro estremecendo e em seguida, se distanciando até que se tornou uma pequena mancha escura contra o sol.
 Ele arruinou todo o nosso trabalho — Bonnie choramingou ainda atrás Meredith.
 Acho que não — Matt, que estava mais perto da mesa, respondeu.
Quando se atreveram a avançar e olhar para o papel, Bonnie sentiu como se alguém tivesse jogado um balde de gelo em suas costas. Seu coração começou a acelerar.
Impossivelmente, as violentas bicadas deixaram o papel vermelho, como se o corvo tivesse trazido mais sangue para ele. E as marcas vermelhas, surpreendentemente delicadas, aparentavam exatamente como letras ornamentadas:

D

E abaixo disto:

Elena é minha.

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