15 de novembro de 2015

Capítulo 3

Os gritos de Vickie saíram do controle. Bonnie podia sentir o pânico que subia em seu peito.
— Vickie, segurem Vickie! Vamos, temos que sair daqui! — Meredith estava gritando para ser ouvida. — A casa é sua, Caroline. Segurem nas mãos uma das outras e você nos leva até a porta da frente.
— Ok — disse Caroline.
Não parecia tão assustada como todas as outras. Essa era a vantagem de não ter imaginação, pensou Bonnie. Não se consegue imaginar as coisas terríveis que podem acontecer.
Ela se sentia bem com a mão magra e fria de Meredith presa à sua. Ela pegou de mau jeito a outra mão de Caroline, sentindo a dureza de suas unhas longas.
Não conseguia ver nada. Seus olhos deveriam se acostumar com a escuridão, mas ainda não enxergava nada, nem mesmo vislumbrava luz, e se assustou com a forma em que Caroline começou a guiá-las. Não havia ninguém através das janelas da rua; o poder parecia estar do lado de fora por todas as partes. Caroline amaldiçoava enquanto esbarrava em algum móvel, e Bonnie tropeçou contra ela.
Vickie choramingava suavemente lá atrás.
— Aguente — sussurrou Sue. — Aguente, Vickie, nós vamos fazer isso. 
Avançaram devagar, o progresso foi lento na escuridão. Então Bonnie sentiu os azulejos embaixo dos pés.
— Este é o hall da frente — disse Caroline. — Fiquem aqui um momento para que eu encontre a porta.
Seus dedos se soltaram dos de Bonnie.
— Caroline! Não vá, onde você está? Caroline, me dê sua mão! — Bonnie choramingou enquanto procurava freneticamente como uma pessoa cega.
Fora da escuridão, algo grande e úmido segurou ao redor de seus dedos. Era uma mão. Não era Caroline.
Bonnie gritou.
Vickie a soltou imediatamente enquanto gritava ferozmente. A mão quente e úmida arrastava Bonnie para frente. Deu pontapés, se esforçou, mas deu no mesmo. Então sentiu os braços de Meredith ao redor de sua cintura, ambos os braços a puxando para trás. O aperto dela a livrou da outra mão.
E então estava voltando e correndo, simplesmente em movimento, enxergando Meredith fracamente ao seu lado. Não estava consciente de que ainda estava gritando até que esbarrou numa grande cadeira e parou, e se ouviu gritar.
— Silêncio! Bonnie, pare, silêncio! — Meredith estava agitando-a. Elas tinham escorregado da cadeira para o chão.
— Algo me segurava! Algo me agarrou, Meredith! 
— Eu sei. Fique quieta! Ainda está ao redor — disse Meredith.
Bonnie escondeu seu rosto no ombro de Meredith para se impedir de gritar de novo. Aquilo estava ali na sala com elas?
Passaram segundos e o silêncio se reuniu ao redor delas. Não importa como Bonnie afiasse sua audição, não podia ouvir nenhum som exceto o de sua própria respiração e o ruído surdo das batidas de seu coração.
— Escute! Temos que encontrar a porta dos fundos. Devemos estar na sala agora. Isso significa que a cozinha está atrás de nós. Temos que chegar lá — Meredith falou em voz baixa.
Bonnie começou a assentir miseravelmente, então abruptamente levantou a cabeça.
— Onde está Vickie? — sussurrou roucamente.
— Não sei. Eu segurava a mão dela, mas a soltei para te ajudar. Conseguir me movimentar.
Bonnie parou.
— Mas por que não está gritando?
Um tremor passou por Meredith.
— Não sei. 
— Oh, Deus. Oh, Deus. Não podemos deixá-las, Meredith. 
— Precisamos.
— Não podemos. Meredith, eu fiz com que Caroline a convidasse. Ela não estaria aqui se não fosse por mim. Teremos que encontrá-la.
Houve uma pausa, e então Meredith murmurou:
— Tudo bem! Mas você escolhe os momentos mais estranhos para se mostrar nobre, Bonnie. 
Uma porta se fechou com força, fazendo-as saltar. Então houve o som de algo quebrando, e passos nas escadas, pensou Bonnie. E brevemente, uma voz se escutou:
— Vickie, onde você está? Não... Vickie! Não! 
— Essa foi Sue — Bonnie abriu a boca, e pulou. — No andar de cima!
— Por que não temos uma lanterna? — Meredith perguntou com raiva.
Bonnie entendeu o que ela quis dizer. Estava escuro demais para sair correndo cegamente pela casa; era aterrorizante demais. Havia um pânico primitivo que martelava em seu cérebro. Precisava de luz, qualquer luz.
Não podia ir tropeçando de novo nessa escuridão, exposta por todos os lados. Não podia.
Entretanto, deu um passo inseguro para longe da cadeira.
— Vamos — ofegou, e Meredith foi com ela, passo a passo, na escuridão.
Bonnie continuou esperando que aquela mão úmida e quente a alcançasse e agarrasse sua mão de novo. Cada centímetro de sua pele tremia de antecipação pelo toque, e ela esticou a mão para sentir o corrimão.
Então cometeu o erro de lembrar o sonho.
No mesmo instante, o doce odor nauseante de lixo a afligiu. Imaginou as coisas se arrastando para fora da terra e então lembrou-se do rosto de Elena, cinza e sem cabelo, com os lábios enrugados para trás, sorrindo abertamente e mostrando os dentes. A situação dependia dela...
“Não posso ir mais longe; não posso, não posso”, pensou. “Sinto por Vickie, mas não posso continuar. Por favor, simplesmente me deixe ficar aqui.”
Estava se agarrando em Meredith, quase chorando. Então de cima veio o som mais horrendo que já tinha ouvido.
Era realmente uma série inteira de sons, mas todos vieram tão juntos, misturados a um crescimento horrível de ruídos. Primeiro eram berros, a voz de Sue gritava:
— Vickie! Vickie! Não!
Então uma queda ressonante, o som de vidro se quebrando, em seguida como se cem janelas estivessem se rompendo. E um grito, uma nota de puro e estranho horror.
Então tudo parou.
— O que foi? O que aconteceu, Meredith?
— Algo ruim — a voz de Meredith estava tensa e afogada. — Algo muito ruim. Bonnie, me deixe ir. Vou ver.
— Não só, você não vai sozinha — disse Bonnie furiosamente.
Encontraram as escadas e o corrimão. Quando chegaram ao patamar, Bonnie podia ouvir um estranho som doente, o tilintar de vidro e seus fragmentos caindo.
E então as luzes se acenderam.
Foi muito súbito; Bonnie gritou involuntariamente. Olhou para Meredith e quase gritou de novo. O cabelo escuro de Meredith estava desgrenhado e suas maçãs do rosto muito marcadas; seu rosto estava pálido e oco de medo.
Plim, plim.
Era pior com as luzes acesas. Meredith estava caminhando até a última porta do corredor, de onde o ruído vinha. Bonnie a seguiu, mas soube de repente, com todo seu coração, que não queria ver o que havia dentro do quarto.
Meredith se aproximou da porta e girou a maçaneta. Parou durante um minuto e então a abriu rapidamente. Bonnie a seguiu até a porta.
— Oh, meu Deus, não se aproxime mais!
Bonnie nem sequer fez uma pausa. Ultrapassou a porta e então olhou ao redor. À primeira vista, parecia como se a lateral inteira da casa tivesse sido destruída. As janelas francesas que se ligavam ao quarto principal e a varanda pareciam ter explodido, a madeira farpada, o vidro estilhaçado. Os pedaços pequenos de vidro estavam caindo por ali precariamente dos remanescentes da madeira. Tilintaram e caíram.
As cortinas transparentes e brancas ondulavam para fora do buraco aberto na casa. Na frente delas, uma silhueta, Bonnie podia ver Vickie. Estava de pé com as mãos para os lados, tão imóvel como um bloco de pedra.
— Vickie, é você? — Bonnie perguntou, era doloroso vê-la viva assim. — Vickie? 
Vickie não virou, não respondeu. Bonnie a girou cautelosamente, e parou ao ver seu rosto. Vickie estava ereta, suas pupilas pareciam as pontas de um alfinete. Estava respirando entrecortadamente, e seu peito se movia com esforço.
— Sou a próxima. Disse que sou a próxima — sussurrou uma e outra vez, mas não parecia estar falando com Bonnie. Não parecia nem mesmo ver Bonnie.
Estremecendo, Bonnie olhou para longe. Meredith estava na varanda. Viu Bonnie alcançar as cortinas e tentou bloqueá-la.
— Não olhe. Não olhe para baixo.
Para baixo onde? De repente Bonnie entendeu. Empurrou Meredith ao passar por baixo de seu braço para parar no limite do desmoronamento. A varana estava tão destruída quanto as janelas francesas e Bonnie podia ver debaixo da linha reta do pátio claro. Na terra havia uma figura retorcida como uma boneca quebrada, os membros tortos, o pescoço dobrado em um ângulo grotesco, o cabelo loiro estendido pela terra escura do jardim. Era Sue Carson.
E ao longo de toda a confusão que assolava, dois pensamentos continuaram brigando para dominar a mente de Bonnie. Um era que Caroline nunca mais teria o quarteto. E o outro era que não era justo que acontecesse isso no aniversário de Meredith. Não era justo.


— Sinto muito, Meredith. Ela não está disponível agora. 
Bonnie ouviu a voz de seu pai na porta da frente quando virou o açúcar, indiferentemente, em uma xícara de chá de camomila. Em seguida soltou a alça. Não era bom estar passando muito mais tempo na cozinha nem mais um minuto. Precisava sair.
— Eu estou bem aqui, papai. 
Meredith estava quase tão mal quanto na última noite, a vermelhidão tingindo ao máximo suas orelhas e olhos. Sua boca era uma linha fixa e firme. 
— Vamos apenas sair e caminhar um pouco — Bonnie falou para seu pai. — Talvez vejamos algum dos garotos. Depois de tudo, você disse que não é perigoso, não é? 
O que ele poderia dizer? O Sr. McCullough olhava para sua filha, a qual herdara parte do seu queixo e encontrara seu olhar em reto. Levantou as mãos.
— Já são quase quatro horas. Volte antes que escureça — disse.
— É o que querem de ambas as formas — respondeu Bonnie a Meredith e caminharam até o carro de Meredith.
Uma vez dentro dele, elas trancaram as portas imediatamente. Quando ligou o carro, Meredith lançou uma olhar de compreensão austera a Bonnie.
— Seus pais não acreditaram. 
— Ah, eles acreditam em tudo o que digo a eles... exceto algo importante. Como podem ser tão tolos? 
Meredith riu brevemente.
— Você tem que analisar do ponto de vista deles. Encontraram um corpo morto sem marcas exceto aquelas causadas pela queda. As luzes estavam apagadas no bairro devido a um defeito elétrico em Virginia. Nos encontraram histéricas dando respostas às perguntas que devem ter parecido bastante estranhas. Quem fez isso? Algum monstro com as mãos suadas. Como sabem? Nossa amiga morta, Elena, nos disse através de uma tábua de Ouija. Não é compreensivo que tenham dúvidas?
— Como se eles nunca tivessem visto algo como isto antes — disse Bonnie enquanto batia na porta do carro com seu punho. — Mas viram. Acham que nós fizemos aqueles cachorros atacarem o Baile de Inverno do ano passado? Acham que Elena morreu por uma fantasia?
— Já estão se esquecendo — respondeu Meredith suavemente. — Você mesma disse. A vida voltou ao normal, e todos em Fell’s Church se sentem mais seguros dessa maneira. Sentem como se tivesse a lembrança de um sonho ruim, e a última coisa que querem é que aconteça algo novo.
Bonnie apenas agitou sua cabeça.
— E é mais fácil acreditar nisso que em um punhado de garotas adolescentes que brincaram com uma Ouija, e que quando as luzes se apagaram simplesmente dançaram como loucas correndo. E uma delas estava tão assustada e desconcertada que se jogou por uma janela. 
Houve um silêncio e então Meredith acrescentou:
— Queria que Alaric estivesse aqui. 
Normalmente, Bonnie teria lhe dado um tapinha nas costas e respondido: "Eu também”, em uma voz luxuriosa. Alaric era um dos caras mais atrativos que já vira, mesmo sendo um intrépido jovem de vinte e dois anos de idade. Agora, apenas deu um aperto desconsolado no braço de Meredith.
— Pode chamá-lo de alguma forma? 
— Na Rússia? Nem sequer sei em que parte da Rússia ele está agora. — Bonnie mordeu seu lábio.
Meredith estava dirigindo para Lee Street, e no estacionamento da escola secundária podiam ver a multidão.
Ela e Meredith trocaram olhares, e Meredith acenou.
— Nós também podemos — disse. — Vamos ver se eles são mais inteligentes do que seus pais.
Bonnie podia ver os rostos sobressaltados que seguiam o carro enquanto cruzavam o espaço.
Quando saíram do carro, as pessoas se afastavam para trás fazendo um caminho para elas até o centro da multidão.
Caroline estava lá movendo seus cotovelos, mãos e agitando o cabelo castanho avermelhado distraidamente.
— Não vamos dormir de novo nessa casa até que ela seja reparada — dizia, estremecendo-se em seu suéter branco. — Papai, disse que iremos para um apartamento no Heron até que seja consertada.
— Que diferença isso faz? Ele pode segui-los até Heron, tenho certeza disso — disse Meredith.
Caroline se virou, mas seus olhos verdes como de gato realmente não encontraram os de Meredith.
— Quem? — disse vagamente.
— Ah, Caroline, você também! — Bonnie explodiu.
— Só quero sair de lá — disse Caroline.
Seus olhos se arregalaram e Bonnie por um instante se assustou.
— Não posso mais — como se tivesse que demonstrar suas palavras, ela empurrou do seu caminho a multidão.
— Deixe-a ir, Bonnie — disse Meredith. — É inútil. 
— Ela é inútil — disse Bonnie furiosamente. Sim, esperava que Caroline agisse dessa maneira, mas o que há com as outras pessoas?
Viu a resposta nos rostos ao redor dela. Todos pareciam assustados, como se ela e Meredith tivessem com alguma doença repugnante. Como fossem o problema.
— Não acredito nisso — murmurou Bonnie.
— Também não acredito nisso — disse Deanna Kennedy, uma amiga de Sue. Estava na frente da multidão, e não parecia tão tranquila como os outros. — Falei com Sue ontem a tarde e estava tão feliz. Não pode estar morta — Deanna começou a soluçar. Seu namorado pôs um braço ao redor dela, e várias outras garotas começaram a chorar.
Os caras da multidão mudavam seus rostos para uma postura mais rígida.
Bonnie sentia um pouco a onda de esperança.
— Ela não vai ser a única morta — continuou. — Elena nos disse que a cidade inteira está em perigo. Elena disse... — com pesar, Bonnie escutou o que expressava o fracasso. Podia ver a forma que seus olhos vidravam quando mencionou o nome de Elena.
Meredith tinha razão; eles colocariam tudo que tinha acontecido no último inverno no esquecimento. Já não acreditavam.
— O que há de errado com todos vocês? — disse desvalidamente, queria bater em algo. — Na verdade, não pensam que Sue se jogou da varanda! — eles estavam murmurando. O namorado de Deanna se encolheu de ombros defensivamente e começou.
— Bem, a polícia disse que Vickie Bennett estava no quarto, não é? E agora ela está mal da cabeça outra vez. E um pouco antes escutou Sue gritar: “Não, Vickie, não!”.
Bonnie se sentia como se o vento a tivesse golpeado para fora de si.
— Acham que Vickie... Oh, Deus, não estão pensando! Me escutem. Algo agarrou minha mão naquela casa, e não era Vickie. E Vickie não ganharia nada atirando Sue da varanda.
— Não era forte o suficiente — disse Meredith apontando. — Ela pesava aproximadamente noventa e cinco libras encharcada.
Alguém da multidão da parte de trás murmurava sobre as pessoas insanas com força sobre humana.
— Vickie tem um registro psiquiátrico.
— Elena nos disse que era um cara! — Bonnie quase gritou perdendo a batalha com o autodomínio. Os rostos inclinados eram incrédulos, inflexíveis. Então viu um que fez seu peito estremecer.
— Matt! Diga a eles que você acredita em nós. 
Matt Honeycutt estava de pé na lista com suas mãos nos bolsos e sua cabeça loira levantou. Agora ele a buscava, e o que Bonnie viu em seus olhos azuis fez sua respiração se contrair. Não era duro e incrédulo como os demais, mas estava cheio de um desespero que lhe dava a aparência de maldade. Se encolheu de ombros sem tirar as mãos dos bolsos.
— Se isso importa, acredito em vocês — disse. — Mas que diferença isso faz? Todos vamos ter nossa hora em algum momento.
Bonnie, pela primeira vez na sua vida, se emudeceu. Matt estava desgostoso desde que Elena tinha morrido, mas isso...
— Ele acredita, entretanto — Meredith estava dizendo rapidamente, aproveitando o momento — agora temos que conseguir fazer algo para convencer o resto de vocês.
— Talvez Canal Elvis para nós — disse a voz que fez imediatamente o sangue de Bonnie ferver. Tyler. Tyler Smallwood. Sorrindo abertamente como um modelo de anúncio de um suéter caríssimo de Perry Ellis, mostrando todos os dentes brancos e fortes. 
— Não é tão bom como o e-mail psíquico de uma Rainha de Boas-Vindas morta, mas é um começo — acrescentou Tyler.
Matt sempre disse que Tyler estava pedindo um soco no nariz. Mas Matt, o único cara na multidão perto de Tyler, o psíquico, estava desanimado olhando fixamente a terra.
— Cala a boca, Tyler! Não sabe o que aconteceu na casa — disse Bonnie.
— Bem, parece que nem você. Talvez se não tivesse estado escondida e afastada, tinha visto o que aconteceu. Então alguém podia acreditar em você. 
As palavras de Bonnie morreram em sua língua. Olhou fixamente para Tyler, abriu sua boca, e então a fechou. Tyler esperou. Quando não falou, ele mostrou seus dentes de novo.
— Aposto que Vickie fez isso — disse enquanto pestanejava para Dick Carter, o ex-namorado de Vickie. — É uma garota forte, não é Dick? Ela podia ter feito — se virou e continuou deliberadamente por cima de seu ombro. — Ou algum dos Salvatore está na cidade.
— Verme! — gritou Bonnie. Mesmo Meredith clamou na frustração. Devido ao curso e a mesma menção de pandemônio sobre Stefan, Tyler sabia o que podia acontecer. Todos estavam olhando para a pessoa ao lado e exclamando em alarme, horror e excitação. Embora as garotas estivessem entusiasmadas.
Eficazmente, isso pôs fim na reunião. As pessoas estavam indo longe e clandestinamente, mas agora irrompiam de dois e três enquanto defendiam e aceleravam sua opinião.
Bonnie olhava irritada e fixamente.
— Supondo que eles acreditem. O que espera que façamos? — disse Matt.
Ela não tinha notado que ele estava do seu lado.
— Não sei. Algo a mais que simplesmente ficar de pé e esperar ser pego —  tentou olhá-lo na cara. — Matt, está bem?
— Não sei. E você?
Bonnie pensou.
— Não. Quero dizer, de uma forma estou surpresa, estou tratando de ser eu porque quando Elena morreu, não podia fazer isso. Mas então Sue estava perto, e além do mais... não sei — quis bater em alguma coisa outra vez. — Simplesmente tudo isso é demais!
— Você está louca. 
— Sim, estou louca — de repente Bonnie entendeu os sentimentos que esteve tendo todos estes dias. Sue, simplesmente tinha sido assassinada, isso era ruim. Verdadeiramente ruim. E quem quer que fosse, era impossível escapar dele. Isso seria... se o mundo está assim, há um lugar onde isso possa passar e possa ser impune... se isso é a verdade... — Ela encontrou o que não tinha um modo de acabar.
— Então o que? Você não quer mais viver aqui? O que se o mundo é isso? 
Seus olhos estavam tão perdidos e amargos. Bonnie estava agitada. Mas disse fielmente:
— Não vou deixar esse ser o meu caminho. E você também não. 
Ele simplesmente olhava para ela como se fosse uma criança pequena que insiste em ver o Papai Noel.
Meredith disse:
— Se nós esperarmos que as outras pessoas nos levem a sério, seria melhor que nós nos levássemos a sério. Elena se comunicou conosco. Queria que fizéssemos algo. Agora se realmente acreditarmos, deduziríamos bem o que é.
O rosto de Matt tinha se encurvado ante a menção de Elena. Pobre garoto, ainda está apaixonado por ela como quando era viva, pensou Bonnie. Me pergunto se algo podia fazê-lo se esquecer dela. E disse:
— Vai nos ajudar, Matt?
— Ajudarei — disse quietamente. — Mas ainda não sei o que estão fazendo.
— Vamos pegar o assassino antes que ele mate os outros — disse Bonnie. Era a primeira vez que compreendera totalmente que isto era o que quis dizer que fizessem.
— Sozinha? Porque está sozinha, você sabe.
— Estamos sós — corrigiu Meredith. — Mas isso é o que Elena estava tentando nos dizer. Disse que tínhamos que fazer um feitiço para ter ajuda. 
— Um feitiço fácil com só dois ingredientes — Bonnie lembrou de seu sonho. Se excitou. — E disse que já tinha me dito o ingrediente... mas ela não tinha.
— Ontem a noite ela disse que havia influências corruptoras distorcendo a comunicação — disse Meredith. — Agora para mim me parece que isso estava acontecendo no sonho. Acha que Elena e você realmente estavam bebendo chá?
— Sim — disse Bonnie muito positiva. — Quero dizer, sei que nós realmente não estávamos tendo um chá celebrando uma festa Warm Spring, mas penso que Elena estava enviando essa mensagem para meu cérebro. E então os corruptores através de algo a empurraram para fora. Mas ela lutou, e depois de um minuto voltou ao comando.
— Ok. Então significa que temos que nos concentrar no começo do sonho, quando ainda era Elena que se comunicava com você. Mas se o que ela estava dizendo já estivesse distorcido por outras influências, então talvez tenha saído diferente. Talvez não fosse algo que disse, talvez fosse algo que ela fez... 
As mãos de Bonnie tocaram seus cachos.
— O cabelo! — gritou.
— O que?
— O cabelo! Perguntei quem o penteou, e falamos sobre isso, e ela disse ‘o cabelo é muito importante’. E Meredith... quando ela estava tentando nos dizer os ingredientes noite passada, a primeira letra de deles era H (h de hair, cabelo, deixei no original porque nunca se sabe o q pode vir desse h) 
— Esse é o primeiro! — os olhos escuros de Meredith estavam se acendendo. — Agora temos que pensar no outro.
— Mas sei esse também! — os risos de Bonnie borbulhavam exuberantemente. — Ela me disse depois de que falamos sobre cabelo, e pensei que ela simplesmente estava sendo estranha. Ela disse, ‘o sangue também é importante’.
Meredith fechou seus olhos diante da realização.
— E na noite anterior, a tábua de Ouija disse ‘O sangue... sangue de sangue’. Pensei que era a outra coisa que nos ameaçava, mas não era — disse. Abriu seus olhos. — Bonnie, acha que realmente é isso? Esses são os ingredientes ou temos que começar a nos preocupar com chá e jarros de barro e ratos? 
— Esses são os ingredientes — disse Bonnie firmemente. — São o tipo de ingredientes no sentido de convocar um feitiço. Estou certa que posso encontrar um ritual para saber o que fazer com isso em um dos meus livros mágicos célticos. Temos que deduzir a pessoa que supostamente vamos invocar... — algo a golpeou, e sua voz se apagou como em um desmaio.
— Estava me perguntando quando perceberia — disse Matt enquanto falava primeiramente pausado. — Você não sabe quem é, sabe?

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