10 de novembro de 2015

Capítulo 3

Bonnie encarou-a.
— Não me lembro de nada sobre a ponte. Não parecia como uma ponte.
— Mas você disse, no final. Pensei que você se lembrasse... — a voz de Elena se perdeu. — Você não lembra esta parte — ela disse insipidamente. Não era uma pergunta.
— Me lembro de estar sozinha, em algum lugar gelado e escuro, e sentindo-me fraca... e com sede. Ou era com fome? Não sei, mas eu precisava de... alguma coisa. E quase queria morrer. E então você me acordou.
Elena e Meredith trocaram olhares.
— E depois disso — Elena contou para Bonnie — você disse mais uma coisa, em uma voz estranha. Você disse para não ir à ponte.
— Ela disse para você não ir à ponte  Meredith corrigiu. — Você em particular, Elena. Ela disse que Morte estava esperando.
— Não me importo com o que está esperando — respondeu Elena. — Se lá é onde Stefan está, é para lá que estou indo.
— Então é para lá que nós todas estamos indo — devolveu Meredith.
Elena hesitou.
— Não posso pedir para vocês fazerem isto — ela disse devagar. — Lá pode ter perigo... de um tipo que vocês não conhecem. Pode ser melhor eu ir sozinha.
— Você está brincando? — Bonnie perguntou, esticando o seu queixo. — Nós amamos perigo. Eu quero ser jovem e bonita na minha sepultura, lembra?
— Não — Elena respondeu rapidamente. — Você foi quem disse que não era um jogo.
— E não é para Stefan também  Meredith a lembrou. — Não estamos fazendo muito bem a ele, paradas aqui.
Elena já estava tirando o seu quimono, movendo-se até o closet.
— É melhor nos agasalharmos. Peguem qualquer coisa que vocês quiserem para se manterem aquecidas  ela falou.
Quando elas estavam mais ou menos vestidas para o tempo, Elena virou-se para a porta. Então parou.
— Robert. Não tem como passarmos por ele pela porta da frente, mesmo se estiver dormindo.
Simultaneamente, as três viraram-se para a janela.
— Oh, maravilhoso — disse Bonnie.
Enquanto elas escalavam o marmeleiro, Elena percebeu que tinha parado de nevar. Mas o ar frio na sua bochecha a fez lembrar-se das palavras de Damon. O inverno é uma estação rancorosa, ela pensou, e tremeu.
Todas as luzes da casa estavam apagadas, incluindo as da sala de estar. Robert já devia ter ido dormir. Mesmo assim, Elena prendeu sua respiração enquanto elas rastejavam pelas janelas escuras. O carro de Meredith estava um pouco mais para baixo na rua. No último minuto, Elena decidiu pegar uma corda, e abriu silenciosamente a porta dos fundos para a garagem. Havia uma correnteza rápida no Riacho Drowning, e atravessá-lo seria perigoso.
O caminho até o final da cidade foi tenso. Enquanto elas passavam pelos arredores da floresta, Elena se lembrou da maneira como as folhas caíram nela no cemitério. Particularmente folhas de carvalho.
— Bonnie, as folhas de carvalho tem algum significado especial? Sua avó falou alguma vez sobre elas?
— Bem, elas são sagradas para os druidas. Todas as árvores são, mas os carvalhos são os mais sagrados. Eles acreditam que o espírito das árvores lhes deram poderes.
Elena digeriu isto em silêncio. Quando alcançaram a ponte e saíram do carro, ela deu um olhar inquieto para os carvalhos do lado direito da estrada. Mas a noite estava clara e estranhamente calma, e nenhuma brisa agitou as folhas secas deixadas nos galhos.
— Procurem por um corvo  disse para Bonnie e Meredith.
— Um corvo? — Meredith perguntou agudamente. — Como o corvo do lado de fora da casa de Bonnie na noite em que Yangtze morreu?
— Na noite que Yangtze foi morto. Sim.
Elena se aproximou das águas escuras do Riacho Drowning com os batimentos acelerados. Tirando o nome, não era uma enseada, mas sim um rio de forte correnteza com bancos de argila vermelha nativa. Acima dele encontrava-se a Ponte Wickery, uma estrutura de madeira construída a quase um século atrás. Uma vez, fora forte o suficiente para suportar carroças; agora era apenas uma passarela que ninguém usava, pois estava muito fora de mão. Era um lugar inútil, solitário e hostil, pensou. Aqui e ali havia porções de neve na terra.
Apesar das palavras bravas de mais cedo, Bonnie estava andando para trás.
— Lembram da última vez que cruzamos essa ponte?  Disse.
Muito bem, Elena pensou. Na última vez que elas cruzaram a ponte, estavam sendo perseguidas por... alguma coisa...do cemitério. Ou alguém, acrescentou mentalmente.
— Nós não vamos atravessar ainda. Primeiro temos que olhar embaixo, deste lado.
Os faróis do carro iluminaram apenas uma pequena porção da margem embaixo da ponte. Enquanto Elena saía do caminho estreito de luz, sentiu uma vibração nauseante de pressentimento. A Morte a esperava, a voz disse. Estava a Morte ali embaixo?
Seus pés escorregaram nas pedras úmidas e cheias de limo. Tudo o que podia ouvir era a pressa da água, e seu eco oco vindo da ponte sobre sua cabeça. E, embora ela tenha forçado sua visão, tudo o que pôde ver no escuro foi a margem bruta e as pilastras de madeira da ponte.
— Stefan?  murmurou, estava quase feliz que o barulho da água cobriu sua voz.
Sentiu-se como uma pessoa chamando ”quem está ai?” para uma casa vazia, ainda com medo do que poderia responder.
— Isto não está certo — Bonnie falou atrás dela.
— O que você quer dizer?
Bonnie estava olhando em volta, balançando a cabeça ligeiramente, seu corpo tenso de concentração.
— Só parece errado. Eu não... bem, eu não ouvi o rio antes. Não podia ouvir nada realmente, apenas o silêncio morto.
O coração de Elena caiu com desânimo. Parte dela sabia que Bonnie estava certa, que Stefan não estava neste lugar selvagem e solitário. Mas parte dela estava muita assustada para ouvir.
— Temos que ter certeza — ela falou através do aperto em seu peito, e moveu-se mais para dentro da escuridão, tateando seu caminho em frente, por não poder ver. Mas no final teve que admitir que não havia nenhum sinal de que alguma pessoa tivesse estado recentemente aqui. Nenhum sinal de uma cabeça escura na água, também. Ela limpou as mãos frias e enlameadas nos jeans.
— Nós podemos checar o outro lado da ponte — sugeriu Meredith, e Elena concordou mecanicamente. Mas não precisava ver a expressão no rosto de Bonnie para saber o que elas achariam. Este era o lugar errado.
— Vamos apenas sair daqui — ela disse, escalando através da vegetação para a cunha de luz além da ponte.
Assim que a alcançou, Elena congelou.
Bonnie engasgou.
— Oh, Deus...
— Voltem  sibilou Meredith. — Até a margem.
Uma figura preta estava claramente delineada contra os faróis do carro acima. Elena, olhando com o coração batendo descontroladamente, não podia dizer nada sobre ela além de que era um homem. O rosto estava na escuridão, mas ela teve um sentimento terrível.
Estava se movendo até elas.
Abaixando-se rapidamente para ficar fora de vista, Elena encolheu-se contra a margem lamacenta embaixo da ponte, encolhendo-se o máximo que podia. Elas não podiam ver nada daqui, mas de repente houve um ruído de passos pesados na ponte. Mal ousando respirar, elas grudaram-se uma na outra, as faces para cima. Os passos pesados rangeram através das tábuas de madeira, movendo-se para longe delas.
Por favor, que ele continue, pensou Elena. Oh, por favor...
Ela afundou seus dentes nos lábios, e então Bonnie choramingou suavemente, sua mão gelada agarrando a de Elena. Os passos estavam retornando.
Eu deveria ir lá, Elena pensou. Sou eu quem ele quer, não elas. Foi isso o que ele disse. Deveria ir lá e enfrentá-lo, e talvez ele deixe Bonnie e Meredith irem. Mas a raiva impetuosa que a tinha sustentado esta manhã estava em cinzas agora. Com toda a sua força de vontade, ela não poderia soltar sua mão da de Bonnie, não poderia se separar.
Os passos soaram logo acima delas. Então houve um silêncio, seguido por um som de algo escorregando na margem.
Não, pensou Elena, seu corpo carregado com medo. Ele estava descendo.
Bonnie lamentou e enterrou sua cabeça contra os ombros de Elena, e Elena sentiu todos os seus músculos tensos enquanto ela via o movimento – pé, pernas – aparecendo da escuridão. Não...
— O que vocês estão fazendo aqui?
A mente de Elena recusou-se a processar esta informação de primeira. Ela ainda estava em pânico, e quase gritou enquanto Matt deu outro passo para a margem, fitando para baixo da ponte.
— Elena? O que você está fazendo? — ele disse de novo.
Bonnie levantou a cabeça. A respiração de Meredith explodiu em alívio. Elena se sentiu como se seus joelhos fossem ceder.
— Matt  ela falou. Foi tudo o que pode reproduzir.
Bonnie foi mais eloquente.
— O que você acha que você está fazendo? — ela exclamou em voz alta. — Tentando nos dar um ataque cardíaco? O que você está fazendo aqui fora a esta hora da noite?
Matt colocou as mãos nos bolsos, passando o olhar por elas. Enquanto elas emergiam debaixo da ponte, ele olhou para fora além do rio.
 Eu segui vocês.
— Você o quê? — disse Elena.
Relutante, ele se virou para encará-la.
— Eu segui vocês  ele repetiu, seus ombros tensos. — Percebi que você encontraria uma maneira de enganar sua tia e sair de novo. Então sentei no meu carro do outro lado da rua e observei a sua casa. Certo o suficiente, vocês três desceram pela janela. Então segui vocês até aqui.
Elena não sabia o que falar. Estava furiosa, é claro, ele provavelmente tinha feito isso só para manter sua promessa a Stefan. Mas o pensamento de Matt sentado lá fora no seu velho e batido Ford, provavelmente congelando até a morte e sem suprimentos... Isto deu a ela uma estranha angústia que não queria prolongar.
Ele estava olhando para o rio novamente. Ela se aproximou dele e falou calmamente.
— Desculpe-me, Matt. Sobre como te tratei em casa, e... e sobre...  ela procurou atrapalhadamente por um minuto e então desistiu. Sobre tudo, ela pensou desesperançada.
— Bem, desculpe-me por assustar vocês ainda há pouco  ele se virou veloz para encará-la, como se isso resolvesse a questão. — Agora vocês podem, por favor, me contar o que vocês pensavam que estavam fazendo?
— Bonnie pensou que Stefan poderia estar aqui.
— Bonnie não —  ressaltou Bonnie. — Bonnie disse logo que era o lugar errado. Nós estávamos procurando por um lugar calmo, sem barulho e fechado. E me senti... cercada — ela explicou para Matt.
Matt olhou para ela cuidadosamente, como se pudesse morder.
— Certamente você sentiu  disse.
— Havia pedras em volta de mim, mas não como as pedras desse rio.
— Uh, não, é claro que não eram — ele olhou pelo canto dos olhos para Meredith, que teve pena dele.
— Bonnie teve uma visão — ela explicou.
Matt recuou um pouco, e Elena pôde ver seu perfil nos faróis. Pela sua expressão, poderia dizer que ele não sabia se fugia ou se as levava para o manicômio mais próximo.
— Não é uma brincadeira. Bonnie é psíquica, Matt. Sei que eu sempre disse que não acreditava este tipo de coisa, mas estava errada. Você não sabe o quão errada. Nesta noite, ela... ela encontrou a mente de Stefan de alguma forma e teve um relance de onde ele está.
Matt deu um longo suspiro.
— Entendo. Certo...
— Não me proteja! Não sou burra, Matt, e estou falando que é verdade. Ela estava lá, com Stefan; sabia de coisas que apenas ele saberia. E ela viu o lugar em que ele está aprisionado.
— Aprisionado — disse Bonnie. — É isso. Não era definitivamente algo aberto como um rio. Mas havia água, água até o meu pescoço. O pescoço dele. E paredes de pedra em volta, coberta com musgo espesso. A água era gelada e cheirava mal também.
— Mas o que você viu? — Elena perguntou.
— Nada. Era como se estivesse cega. De alguma forma sabia que se houvesse até mesmo o mais fraco raio de luz eu seria capaz de ver, mas não pude. Estava negro como um túmulo.
— Como um túmulo... — um fino arrepio passou por Elena. Ela pensou sobre a igreja arruinada acima do cemitério. Havia um túmulo lá, um túmulo que ela pensou ter se aberto uma vez.
— Mas um túmulo não seria tão molhado — Meredith opinou.
— Não... mas eu não tenho ideia nenhuma de onde pode ser então  Bonnie concordou. — Stefan não estava realmente em seu juízo perfeito; ele estava tão fraco e tão machucado. E com tanta sede...
Elena abriu a boca para parar Bonnie de continuar, mas no mesmo momento Matt interrompeu.
— Eu vou dizer com o que isto parece para mim. Um poço.
As três garotas olharam para ele, ligeiramente separado do grupo como se fosse um ouvinte. Elas quase tinham se esquecido dele.
— Poço? — disse Elena.
— Exatamente. Quero dizer, isto parece com um poço.
Elena piscou, excitação agitando-se nela.
— Bonnie?
— Poderia ser — Bonnie concordou lentamente. — O tamanho, as paredes e tudo estariam certas. Mas um poço é aberto; eu seria capaz de ver as estrelas.
— Não se estivesse coberto — disse Matt. — Muitas das fazendas antigas por aqui têm poços que não são mais usados, e alguns fazendeiros os cobrem para ter certeza que crianças pequenas não caiam. Meus avós fazem isso.
Elena não podia mais conter sua agitação.
— Pode ser isso. Tem que ser isso... Bonnie, lembre-se, você disse que é sempre escuro lá.
— Sim, e tinha uma sensação de subsolo — Bonnie estava agitada, também, mas Meredith interrompeu com uma pergunta seca.
— Quantos poços você acha que existem em Fell’s Church, Matt?
— Dúzias, provavelmente — ele respondeu. — Mas cobertos? Não tantos. E se você está sugerindo que alguém jogou Stefan nele, então não pode ser um lugar onde pessoas possam ver. Provavelmente algum lugar abandonado...
— E o carro dele foi encontrado nesta rota — lembrou Elena.
— A velha fazenda dos Francher  disse Matt.
Todos olharam de um para o outro. A fazenda dos Francher eram ruínas abandonadas por mais tempo que alguém podia lembrar. Encontrava-se no meio da floresta, e a mesma tinha se apossado dela há quase um século atrás.
— Vamos lá  adicionou Matt simplesmente.
Elena colocou uma mão no seu braço.
— Você acredita...?
Ele olhou para longe por um momento.
— Não sei em que acreditar  disse por fim. — Mas estou indo. 
Eles se separaram e pegaram ambos os carros, Matt com Bonnie na frente, e Meredith seguindo com Elena. Matt pegou uma pequena estradinha em desuso para dentro da floresta até ela desaparecer.
— A partir daqui a gente anda — ele disse.
Elena estava feliz por ter pensado em trazer uma corda; eles precisariam dela se Stefan estivesse mesmo no poço dos Francher. E se ele não estivesse...
Não se deixaria pensar sobre isto.
Era difícil seguir pelo meio da floresta, especialmente no escuro. A vegetação rasteira era espessa, e os galhos mortos os arranhavam. Mariposas se agitavam em volta deles, roçando na bochecha de Elena com asas invisíveis.
Eventualmente, eles chegaram a uma clareira. As fundações da velha casa podiam ser vistas, construções de pedra presas ao chão, agora, por ervas daninhas e espinheiros. Na maior parte, a chaminé estava ainda intacta, com lugares ocos onde o concreto havia colado uma vez, como um monumento em desintegração.
— O poço deve estar em algum lugar lá atrás — Matt disse.
Foi Meredith quem encontrou o poço e chamou os outros. Eles se reuniram em volta e olharam para a superfície plana de blocos quadrados de pedra quase no nível do solo.
Matt parou e examinou a sujeira e as ervas daninhas em volta.
— Foi movido recentemente  observou.
Foi neste momento que o coração de Elena começou a bater fervorosamente. Ela podia senti-lo ecoando na sua garganta e nas pontas dos seus dedos.
— Vamos tirar isto — disse numa voz mal acima de um sussurro.
A laje de pedra era tão pesada que Matt não podia deslocá-la. Finalmente todos os quatro puxaram, segurando um dos lados dela, até que, com um gemido, o bloco se moveu alguns centímetros. Uma vez que havia uma minúscula abertura entre a pedra e o poço, Matt usou um galho morto para erguer como uma alavanca, alargando a abertura. Então todos puxaram de novo.
Quando houve uma abertura larga o suficiente para sua cabeça e ombros, Elena curvou-se, olhando para dentro. Ela estava quase amedrontada para acreditar.
— Stefan?
Os segundos seguintes, pairando sobre a abertura escura, olhando para baixo na escuridão, ouvindo apenas os ecos dos seixos agitados pelo movimento dela, foram agonizantes. Então, incrivelmente, houve outro som.
— Quem...? Elena?
— Oh, Stefan! — o alívio a fez ficar fora de si. — Sim! Estou aqui, estamos aqui, e vamos tirá-lo daí. Você está bem? Está machucado? — A única coisa que a impediu de cair para dentro do poço foi Matt pegando-a por trás. — Stefan, aguente, nós temos uma corda. Diga-me que você está bem.
Houve um fraco, quase irreconhecível som, mas Elena soube o que era. Uma risada. A voz de Stefan estava abatida, mas inteligível.
— Eu... já estive melhor — ele falou. — Mas eu estou... vivo. Quem está com você? 
— Eu estou. Matt — Matt falou libertando Elena. Ele se curvou para o buraco. Elena, quase delirando de euforia, notou que ele estava com um olhar ligeiramente atordoado. — E Meredith e Bonnie, que vai dobrar algumas colheres para nós depois. Vou atirar uma corda para você... Aí está, a não ser que Bonnie possa levitá-lo para fora. — Ainda de joelhos, ele se virou para olhar Bonnie.
Ela deu um tapa no topo da cabeça dele.
— Não brinque sobre isto! Traga-o para cima!
— Sim, senhora — respondeu Matt, um pouco tonto. — Aqui, Stefan. Você terá que amarrar isto em volta de você.
— Sim — confirmou Stefan. Ele não podia argumentar por seus dedos insensíveis por causa do frio ou se eles conseguiriam ou não transportar o seu peso para cima. Não havia outra maneira.
Os próximos quinze minutos foram terríveis para Elena. Precisou de todos os quatro para içar Stefan para fora, embora a principal contribuição de Bonnie fosse dizer: “vamos lá, vamos” sempre que tinha uma pausa para respirar. Mas as mãos de Stefan finalmente agarraram a borda do buraco escuro, e Matt estendeu o braço para agarrá-lo sob os ombros.
 Em seguida, Elena o estava segurando, os braços fechados em torno de seu peito. Ela poderia dizer como as coisas estavam erradas por seu silêncio não natural, pela flacidez de seu corpo. Ele usou a última reserva de sua força ajudando a puxar-se para fora; suas mãos estavam cortadas e sangrando. Mas o que mais preocupava Elena era o fato de que aquelas mãos não devolveram seu abraço desesperado.
 Quando se afastou o suficiente para olhar para ele, viu que sua pele estava pálida como cera, e havia sombras negras sob os olhos. Sua pele estava tão fria que a assustava.
 Ela olhou para os outros ansiosamente.
 A testa de Matt estava franzida de preocupação.
— É melhor levá-lo para a clínica rápido. Ele precisa de um médico.
— Não!  A voz ra fraca e rouca, e tinha vindo da figura sem força que Elena embalava.
Ela sentiu Stefan se encolher, sentiu-o lentamente levantar a cabeça. Seus olhos verdes fixos nos dela, e ela viu urgência neles.
— Sem... médicos — aqueles olhos queimaram nos olhos dela. — Prometa... Elena. 
Os próprios olhos de Elena arderam e sua visão embaçou.
— Eu prometo  murmurou.
Então sentiu o que quer que estivesse mantendo-o consciente, a corrente de pura força de vontade e determinação, entrar em colapso. Ele caiu nos braços dela, inconsciente.

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