20 de novembro de 2015

Capítulo 38

Bonnie sabia que ia morrer.
Teve uma premonição clara pouco minutos antes daquelas coisas – as árvores que se moviam como humanos, com seus rostos horrendos e os braços grossos e nodosos – cercarem o pequeno grupo de humanos na floresta. Ela ouviu o uivo de um cão selvagem, virou-se e teve o vislumbre de um deles desaparecendo no brilho de sua lanterna. Os cães tinham uma longa história na família de Bonnie: quando um deles uivava, a morte viria em breve para alguém.
Ela deduziu então que seria a dela.
Mas não disse nada, nem quando a Dra. Alpert falou:
 O que em nome de Deus foi isso?
Bonnie tentava juntar coragem. Meredith e Matt eram corajosos. Era algo intrínseco a eles, uma capacidade de continuar lutando quando qualquer pessoa sã fugiria e se esconderia. Os dois colocavam o bem do grupo acima do deles.
E é claro que a Dra. Alpert era corajosa, para não falar que era forte, e a Sra. Flowers parecia ter decidido que era sua tarefa especial cuidar dos adolescentes.
Bonnie queria mostrar que podia ser corajosa também. Estava tentando manter a cabeça erguida e escutar coisas nos arbustos, enquanto, ao mesmo tempo, escutava com os sentidos paranormais, procurando por algum sinal de Elena. Era difícil distinguir os dois tipos de audição. Havia muito a ouvir com os ouvidos reais; todo tipo de risadinhas baixas e cochichos dos arbustos que não deviam estar ali.
Mas de Elena não havia um som, nem mesmo quando Bonnie chamou seu nome sem parar: Elena, Elena, Elena!
Ela é humana de novo, Bonnie percebeu, por fim, com tristeza. Não pode me ouvir, nem fazer contato. De todas nós, ela foi a única que não escapou por milagre.
E foi quando o primeiro dos homens-árvore assomou na frente do grupo que os procuravam. Como algo saído de um pesadelo de histórias infantis, era uma árvore e depois – de repente – era uma coisa, os galhos superiores unindo-se e formando braços compridos, e todos gritavam e tentavam se afastar.
Bonnie jamais se esqueceria de como Matt e Meredith tentaram ajudá-Ia a fugir.
O homem-árvore não era rápido, mas quando se viraram e correram, descobriram que havia outro atrás deles. E mais à direita e à esquerda. Eles estavam cercados.
Depois, como gado, como escravos, eles foram conduzidos.
Qualquer um que tentasse resistir às árvores apanhava e era algemado por galhos duros de espinhos afiados e em seguida, com um galho fino em volta do pescoço, era arrastado.
Foram apanhados – mas não foram mortos. Estavam sendo levados a algum lugar. Não era difícil entender o porquê: na realidade Bonnie podia imaginar um monte de razões diferentes. Era só uma questão de escolher o mais assustador.
No fim, depois do que pareceram horas de caminhada forçada, Bonnie começou a reconhecer coisas. Estavam voltando à pensão. Ou melhor, estavam indo à verdadeira pensão pela primeira vez. O carro de Caroline estava ali na frente. A casa estava novamente toda iluminada, com exceção de algumas janelas escuras aqui e ali.
E quem os capturara esperava por eles.
Agora, depois de sua crise de choro e súplicas, Bonnie tentava ser corajosa mais uma vez.
Quando aquele rapaz de cabelo estranho disse que seria a primeira, ela entendeu exatamente o que ele quis dizer, e como ia morrer – e de repente perdeu toda a coragem. Mas não ia gritar de novo.
Bonnie podia ver a sacada e as figuras sinistras, mas Damon riu quando os homens-árvore começaram a tirar suas roupas. Agora ele ria, enquanto Meredith segurava a tesoura de jardinagem. Ela não imploraria a ele mais uma vez, não quando não faria diferença nenhuma.
E agora ela estava de costas, com os braços e as pernas amarrados e, portanto, indefesa, com as roupas em farrapos. Queria que a matassem primeiro, assim não teria de ver Meredith cortar a própria língua em pedaços.
Assim que sentiu o último grito de fúria subir por dentro como uma cobra escalando um tronco, ela viu Elena no alto, em um pinheiro branco.


 Asas do Vento  sussurrou Elena, enquanto o chão chegava rapidamente a ela. Muito rapidamente.
As asas se desfraldaram de imediato, de algum lugar por dentro do corpo de Elena. Não eram reais, tinham cerca de dez metros de envergadura e eram feitas de uma teia dourada, de uma cor que ia do âmbar mais escuro nas costas ao citrino claro e etéreo nas pontas. Eram quase imóveis, mal se levantavam e caíam, mas a ergueram, com o vento fustigando por baixo, e a levaram exatamente para onde ela precisava ir.
Não para Bonnie. Era o que todos esperariam. Da altura em que estava, ela só podia agarrar Bonnie, mas não tinha ideia de como cortar as amarras que a prendiam ou se poderia subir novamente.
Elena se desviou então para a sacada no último minuto, arrebatou a podadeira da mão erguida de Meredith, depois pegou um punhado do cabelo longo, sedoso, preto e escarlate. Misao gritou. E depois...
Foi então que Elena realmente precisou acreditar. Até aquele momento ela só havia planado, não voado. Mas agora precisava subir; precisava que as asas trabalhassem... E mais uma vez, embora não houvesse tempo, ela estava com Stefan, sentindo...
... a primeira vez em que o beijou. Outras meninas podiam ter esperado o contrário, que o rapaz tomasse a incitativa, mas Elena não. Além disso, no começo Stefan achava que todo beijo servia para seduzir a presa...
... a primeira vez em que ele a beijou, entendendo que não era uma relação predatória...
E agora ela precisava realmente voar... Eu sei que posso...
Mas Misao era tão pesada – e a memória de Elena lhe faltava.
As grandes asas douradas tremeram e ficaram imóveis. Shinichi tentava subir numa trepadeira para alcançá-Ia e Damon mantinha Meredith imóvel.
E, tarde demais, Elena percebeu que não ia dar certo.
Estava sozinha e não conseguia voar como pretendia. Não contra tantos assim.
Ela estava só, e a dor que a fez querer gritar era lancinante em suas costas. Misao de algum modo ficava mais pesada, e logo ela seria pesada demais para as asas trêmulas de Elena.
Ela estava só e, como os outros humanos, ia morrer...
E então, e meio à agonia que provocava um leve suor por seu corpo, ela ouviu a voz de Stefan.
 Elena! Solte! Caia que eu te pego!
Que estranho, pensou Elena, como se estivesse num sonho. O amor e o pânico de Stefan tinham distorcido sua voz de algum modo – tornando-a um tanto diferente. Deixando-a quase como a de...
 Elena! Estou com você!
... Damon.
Arrancada de seu sonho, Elena olhou para baixo. E lá estava Damon, passando protetoramente diante de Meredith, olhando para ela, de braços estendidos.
Ele estava com ela.
 Meredith  continuou ele ― menina, não é hora de sonambulismo! Sua amiga precisa de você! Elena precisa de você!
Lentamente, desnorteada, Meredith olhou para cima. E Elena viu a vida e o ânimo voltando a seus olhos concentrados no tremor das grandes asas douradas.
 Elena!  gritou ela. ― Estou com você! Elena!
Como Meredith sabia que deveria dizer isso? A resposta era que Meredith sempre sabia o que dizer.
E agora era outra voz que gritava: a de Matt.
 Elena!  gritou ele, como uma aclamação. ― Estou com você, Elena!
E a voz grave da Dra. Alpert:
 Elena! Eu estou com você, Elena!
E a Sra. Flowers, surpreendentemente forte:
 Elena! Eu estou com você, Elena!
E até a pobre Bonnie:
 Elena! Estamos com você, Elena!
E no fundo do coração de Elena, o verdadeiro Stefan sussurrava: Eu estou com você, meu anjo.
 Estamos todos com você, Elena!
Ela não largou Misao. Era como se as grandes asas douradas tivessem apanhado uma corrente ascendente; na realidade, quase a levaram direto para cima, descontroladas – mas de algum modo Elena conseguiu se manter estável. Olhou para baixo e viu as lágrimas que escorriam de seus olhos caírem nos braços estendidos de Damon. Elena não sabia por que chorava, mas em parte era tristeza por ter duvidado dele.
Porque Damon não estava só ao lado dela. A não ser que ela estivesse enganada, ele estava disposto a morrer por ela – cortejava a morte por ela. Ele se atirou nas trepadeiras emaranhadas, estendendo a mão para Meredith e Elena.
Foi preciso um segundo para segurar Misao, mas Shinichi já estava pulando para Elena, na forma de raposa, os lábios repuxados, pretendendo rasgar seu pescoço. Não era uma raposa comum. Shinichi era quase do tamanho de um lobo – certamente do porte de um cachorro grande – e tão cruel quanto o Wolwerine.
Enquanto isso toda a sacada explodiu num tumulto de trepadeiras e gavinhas fibrosas, e Shinichi estava sendo erguido por elas. Elena não sabia para onde se esquivar. Precisava de tempo e de uma saída desimpedida.
Só o que Caroline fazia era gritar.
E então Elena viu sua abertura. Uma brecha nas trepadeiras em que ela se atirou, sabendo que se lançaria também por cima da grade, e de algum modo ainda segurando Misao pelos cabelos. Na verdade, deve ter sido uma experiência extremamente dolorosa para a kitsune fêmea, que balançava de um lado para outro como um pêndulo abaixo de Elena.
A única coisa que conseguiu enxergar por sobre o ombro foi Damon, ainda mais rápido do que qualquer coisa que Elena já vira. Ele tinha Meredith nos braços e a passava por uma brecha que levava à porta da varanda. Assim que ela entrou, pareceu descer ao chão e correu para o altar onde Bonnie estava deitada, só para bater em um dos homens-árvore. Por um momento, enquanto Damon olhava para Elena, seus olhares se encontraram e uma faísca foi produzida. Aquele olhar fez Elena formigar.
Depois ela voltou a se concentrar: Caroline gritava de novo; Misao usava seu chicote para tentar pegar a perna de Elena e apelava aos homens-árvore para levantá-Ia. Elena precisava voar mais alto. Não fazia ideia de como controlava suas asas de teia dourada, mas nada parecia se enredar nelas; e obedeciam ao mais leve capricho, como se Elena tivesse nascido com elas. O grande truque era não pensar em como chegar a um lugar, simplesmente imaginar estar lá.
Por outro lado, os homens-árvore cresciam. Era como um pesadelo infantil com gigantes, e no início fez Elena sentir que era ela quem encolhia. Mas a altura das criaturas horrendas agora passava da casa, e seus galhos superiores, como serpentes, batiam em suas pernas enquanto Misao tentava golpeá-Ia com seu chicote. Os jeans de Elena estavam em farrapos. Ela reprimiu um grito de dor.
Tenho de voar mais alto. Eu consigo.
Vou salvar vocês todos. Eu acredito.
Mais rápido do que o mergulho de um colibri, ela disparou para o ar de novo, ainda segurando Misao pelos cabelos pretos e vermelhos. E a kitsune gritava, e seus gritos ecoavam na luta de Damon e Shinichi.
E então, como Elena e Damon planejaram, exatamente como Elena e Damon esperavam, Misao assumiu sua verdadeira forma enquanto Elena segurava pela pelagem da nuca uma raposa grande e pesada, que se retorcia.
Houve um momento de dificuldade enquanto Elena tentava recuperar o equilíbrio. Ela precisou se lembrar de que havia mais peso nas costas, porque Misao tinha seis caudas e era mais pesada do que uma raposa.
Mas Elena voltou a seu poleiro na árvore e ficou ali, capaz de ver a cena abaixo, os homens-árvore lentos demais para acompanhá-Ia. O plano deu certo, a não ser por Damon, justo ele, que tinha se esquecido do que devia estar fazendo.
Longe de voltar a ficar possuído, ele enganara completamente Shinichi e Misao – e ludibriara Elena também. Agora, de acordo com o plano dos dois, ele deveria estar cuidando de todos os espectadores inocentes, deixando Elena seduzir Shinichi.
Em vez disso, algo dentro dele pareceu ter estalado; e ele estava batendo metodicamente a cabeça de Shinichi, na forma humana e gritando:
 Maldito... seja! Onde... está meu... irmão?
 Eu... podia te matar... agora  gritou Shinichi, mas estava sem fôlego. Ele não achava Damon um adversário fácil.
 Pois mate!  retorquiu Damon de pronto. ― E ela...  apontando para Elena empoleirada ― cortará a garganta de sua irmã!
O desdém de Shinichi era mordaz.
 Espera que eu acredite que uma menina com uma aura dessas seja capaz de matar...
Chega uma hora em que é preciso resistir. E para Elena, ardendo de provocação e glória, esta era a hora. Ela respirou fundo, pediu perdão ao universo e se curvou, posicionando a podadeira. Depois a fechou com a maior força que pôde.
E uma cauda de raposa preta com ponta vermelha caiu, retorcendo-se no chão, enquanto Misao gritava de dor e raiva. A cauda caiu se contorcendo e ficou no meio da clareira, contraindo-se como uma cobra que ainda não estava derrotada.
Depois ficou transparente e desapareceu.
Foi quando Shinichi gritou de verdade.
 Sabe o que você fez, sua vaca ignorante? Vou fazer esse lugar desabar em cima de você! Vou deixá-la em pedaços!
 Ah, sim, é claro que vai. Mas primeiro  Damon pronunciava cada palavra deliberadamente ― precisa passar por mim.
Elena mal registrou as palavras dos dois. Não foi fácil para ela fechar aquela tesoura de poda. Significou pensar em Meredith com a podadeira nas próprias mãos, em Bonnie deitada no altar e em Matt, antes, se contorcendo no chão. E na Sra. Flowers, e nas três meninas transviadas, e em Isobel e, principalmente, em Stefan.
Mas como na primeira vez na vida em que tirava o sangue de outra pessoa com as próprias mãos, ela teve um senso de responsabilidade súbito e estranho de um novo dever. Como se um vento gelado tivesse soprado seu cabelo para trás e lhe dissesse no rosto ofegante e congelado: Jamais sem um motivo. Jamais sem necessidade. Jamais, a não ser que não haja outra solução.
Elena de repente sentiu algo crescer por dentro. Rápido demais para dizer adeus à infância, ela se tornou uma guerreira.
 Todos vocês pensavam que eu não podia lutar  disse ela ao grupo reunido.  Estavam errados. Pensavam que eu não tinha Poder. Também estavam errados. E vou usar a última gota do meu Poder nesta luta, porque vocês, gêmeos, são verdadeiros monstros. Não, são... abominações. E se eu morrer vou descansar com Honoria Fell e vou cuidar de Fell’s Church.
Fell’s Church vai apodrecer e morrer se contorcendo com seus vermes, disse uma voz perto de sua orelha, e era uma voz grave, nada parecida com o grito estridente de Misao. Ao se virar, Elena sabia que era o pinheiro branco. Um ramo duro e escamoso, cheio de agulhas serreadas e pegajosas de resina, bateu em seu diafragma, tirando seu equilíbrio – e fazendo com que involuntariamente abrisse as mãos. Misao prontamente escapou e se escondeu nos galhos da árvore de Natal.
 Árvores... más... vão... para o... Inferno ― gritou Elena, atirando todo o peso do corpo na podadeira que segurava na base do galho que tentara esmagá-Ia.
O galho tentou se afastar e ela torceu a tesoura na casca escura e ferida, soltando a pressão quando caiu um pedaço grande, restando apenas um único filete de resina para mostrar onde estivera.
Depois ela procurou por Misao. A raposa via que não era tão fácil se deslocar por uma árvore. Elena olhou o grupo de caudas. Estranhamente, não havia coto, nem sangue, nenhum sinal de que a raposa fora ferida.
Era por isso que ela não se tornava humana? A perda de uma cauda?
Mesmo que ela estivesse nua quando voltasse à forma humana – como contavam algumas histórias de lobisomens – ela estaria em melhores condições de descer.
Misao parecia finalmente ter preferido o método lento mas seguro de descida – galho após galho segurando seu corpo de raposa, descendo ao galho seguinte. O que significava que ela só estava a três metros de Elena.
E só o que Elena tinha de fazer era deslizar pelas agulhas abaixo e depois – com as asas ou por outros meios – parar. Se ela acreditasse em suas asas. Se a árvore não a atirasse para fora.
 Você é lenta demais  gritou Elena. Depois começou a deslizar para vencer a distância... não muito grande, nas dimensões humanas... a seu objetivo.
Até que viu Bonnie.
O corpo leve de Bonnie ainda estava deitado no altar, pálido e parecendo frio. Mas agora quatro dos horrendos homens-árvore a seguravam, um em cada mão e em cada pé. Eles já a estavam puxando com tanta força que ela era erguida no ar.
E Bonnie estava consciente. Mas não gritava. Não fazia um ruído para atrair a atenção para si; e com uma onda de amor, pavor e desespero Elena percebeu que foi por isso que antes ela não fez nenhum estardalhaço. Ela queria que os protagonistas ali lutassem sem se incomodar em resgatá-Ia.
Os homens-árvore se inclinaram para trás. O rosto de Bonnie se contorcia de agonia.
Elena precisava alcançar Misao. Precisava da chave dupla de raposa para libertar Stefan, e as únicas pessoas que podiam dizer a ela onde a chave estava eram Misao e Shinichi. Ela olhou a escuridão no alto e percebeu que parecia um pouco menos densa do que quando vira pela última vez, o céu parecia cinza-escuro, e não preto – mas não havia ajuda nenhuma ali. Ela olhou para baixo e viu Misao aumentando um pouco a velocidade de sua fuga. Se Elena a deixasse escapar...
Stefan era o amor de sua vida. Mas Bonnie – Bonnie era sua amiga – desde a infância...
E ela viu o Plano B.
Damon lutava com Shinichi – ou tentava lutar.
Mas Shinichi estava sempre a um centímetro de distância do punho de Damon. Os punhos de Shinichi, por outro lado, sempre acertavam o alvo, e agora o rosto de Damon era uma máscara de sangue.
 Use madeira! ― Misao orientava aos gritos, as maneiras de criança de repente desapareceram. ― Vocês, homens, seus idiotas, acham que tudo se resolve nos punhos!
Shinichi quebrou um pilar de suporte da sacada com uma só mão, mostrando sua verdadeira força. Damon sorriu beatificamente. Elena sabia que ele estava gostando daquilo, mesmo levando em consideração as muitas feridas pequenas que aquelas lascas de madeira provocariam.
Foi no meio disso que Elena gritou:
 Damon, olhe para baixo!  Sua voz parecia fraca com a cacofonia de guinchos, choros e gritos de fúria. ― Damon! Olhe para baixo... Para Bonnie!
Nada tão distante parecia ser capaz de romper a concentração de Damon – ele parecia decidido a descobrir onde estava Stefan, ou matar Shinichi de tanto tentar.
Mas naquele momento, para ligeira surpresa de Elena, a cabeça de Damon se virou de repente e de imediato. Ele olhou para baixo.
 Uma jaula  gritou Shinichi. ― Construam uma jaula.
E três galhos se inclinaram de todos os lados para prender Damon e Shinichi em seu pequeno mundo, formando um engradado que os contivesse.
Os homens-árvore se inclinavam ainda mais para trás. E, contra sua vontade, Bonnie gritou.
 Está vendo?  Shinichi riu. ― Cada um de seus amigos morrerá nessa agonia, ou pior. Um por um, vamos chegar a você!
Foi quando Damon realmente pareceu enlouquecer. Ele começou a se mover como mercúrio, como uma chama, aos saltos, como um animal de reflexos muito mais velozes do que os de Shinichi. Agora havia uma espada em sua mão, sem dúvida conjurada pela chave mágica, e a espada retalhava os galhos que se estendiam para prendê-Io. Depois ele estava no ar, saltando sobre a grade pela segunda vez naquela noite.
Desta vez o equilíbrio de Damon foi perfeito e, em vez de ter ossos quebrados, ele conseguiu um pouso gracioso e felino bem ao lado de Bonnie. E sua espada faiscava em um arco, varrendo tudo em volta da menina, cortando as pontas duras como dedos dos galhos que a mantinham presa.
Um segundo depois, Bonnie estava sendo erguida, segurada por Damon que saltava com facilidade do altar improvisado e se perdia nas sombras perto da casa.
Elena soltou a respiração e voltou a cuidar de seus problemas.
Mas seu coração bateu mais forte e mais rápido, de alegria, orgulho e gratidão, enquanto ela descia deslizando pelas agulhas afiadas e dolorosas e quase passou em disparada por Misao, que tentava escapar.
Conseguiu segurar firme a raposa pela nuca. Misao soltou um estranho lamento animal e cravou os dentes na mão de Elena com tanta força que parecia que iam arrancar um pedaço. Elena mordeu o lábio até sentir o sangue vir, tentando não gritar.
Que seja esmagada, e morra, e vire pó, disse a árvore no ouvido de Elena. Sua espécie pode alimentar a minha dessa vez. A voz era antiga, malévola e muito, muito assustadora.
As pernas de Elena reagiram sem parar para consultar sua mente. Fizeram força para cima e as asas douradas de borboleta se abriram de novo, sem bater, mas ondulando, mantendo Elena parada acima do altar.
Ela puxou o focinho da raposa que rosnava até o próprio rosto, mas não perto demais.
 Onde estão as duas partes da chave de raposa?  perguntou. ― Diga ou cortarei outro rabo. Eu juro que farei isso. Não se iluda... Não é só seu orgulho que está perdendo, não é? Suas caudas são seu Poder. Como seria não ter nenhuma delas?
 Como ser humana... a não ser por você, aberração  agora Misao ria de novo como um cão ofegante, as orelhas de raposa achatadas na cabeça.
 Responda à pergunta!
 Até parece que você poderia entender as respostas que eu daria. Se eu lhe contasse que uma metade está dentro do instrumento de prata do rouxinol, isso lhe daria alguma ideia?
 Poderia, se você explicasse melhor!
 Se eu lhe dissesse que uma está enterrada no salão de baile de Blodwedd, você poderia encontrá-Ia?
De novo o riso ofegante, enquanto a raposa dava pistas que não levavam a lugar nenhum, ou levavam a toda parte.
 São estas as respostas?
 Não!
Misao guinchou de repente e chutou com as patas, como se fosse um cachorro cavando a terra. Só que a terra era o diafragma de Elena, e as patas pareciam poder penetrar suas entranhas. Ela sentiu a combinação se rasgar.
 Estou lhe dizendo; não estou de brincadeira!  gritou Elena. Ela ergueu a raposa com o braço esquerdo, embora sentisse dor. Com a mão direita, posicionou a tesoura de poda.
 Onde está a primeira parte da chave?
 Procure sozinha! Você só tem o mundo todo e cada moita para olhar.
A raposa partiu para seu pescoço de novo, os dentes brancos marcando a carne de Elena.
Elena forçou o braço a segurar Misao mais alto.
 Não diga que não avisei ou que tem algum motivo para reclamar!
Ela fechou a podadeira.
Misao soltou um grito que quase se perdeu na comoção geral.
Elena, sentindo um cansaço cada vez maior, disse:
 Você é uma completa mentirosa, não é? Olhe para baixo, se quiser. Eu não cortei nada de você. Você só ouviu a tesoura estalar e gritou.
Misao meteu com muita habilidade uma pata no olho de Elena. Ah, bom.
Agora, para Elena, não havia mais questões morais ou éticas. Ela não estava provocando a dor, estava simplesmente drenando Poder. A tesoura batia num snap, snap, snap e Misao gritava e a xingava, mas abaixo delas os homens-árvore encolhiam.
 Onde está a primeira parte da chave?
 Solte-me e eu direi  a voz de Misao era menos estridente de repente.
 Por sua honra... Se puder dizer isso sem rir?
 Por minha honra e minha palavra de kitsune. Por favor! Não pode deixar uma raposa sem uma cauda de verdade! É por isso que as que você cortou não doeram. Elas são distintivos de honra. Mas minha verdadeira cauda está no meio, tem a ponta branca e, se cortá-Ia, verá sangue e deixará um coto.  Misao parecia completamente acovardada, pronta para cooperar.
Elena sabia avaliar as pessoas e confiava em sua intuição, e sua mente e seu coração lhe diziam para não confiar nesta criatura. Mas ela queria tanto acreditar, ter esperanças...
Fazendo uma descida curva e lenta para que a raposa ficasse perto do chão – ela não cederia à tentação de largá-Ia a vinte metros de altura – Elena disse:
 E então? Por sua honra, quais são as respostas?
Seis homens-árvore ganharam vida em volta delas e investiram com dedos de galhos ávidos e gananciosos para Elena.
Mas Elena não estava inteiramente de guarda baixa. Não soltou Misao; só afrouxou um pouco. Então voltou a segurá-Ia com firmeza mais uma vez.
Uma onda de força a fez subir rapidamente pela sacada, até um furioso Shinichi e uma chorosa Caroline. Depois Elena olhou nos olhos de Damon. Estavam cheios de um orgulho quente e feroz, por ela. Ela estava cheia de uma paixão quente e feroz.
 Não sou um anjo  anunciou ela a qualquer um do grupo que ainda não tivesse entendido isso. ― Não sou um anjo e não sou espírito. Sou Elena Gilbert e estive do Outro Lado. E agora estou disposta a fazer o que precisa ser feito, e parece incluir acabar com alguns de vocês!
Houve um clamor abaixo que no início ela não conseguiu identificar.
Depois percebeu que eram os outros – seus amigos. A Sra. Flowers e a Dra. Alpert, Matt e até a enlouquecida Isobel. Eles estavam torcendo – e eram visíveis porque de repente o quintal estava à luz do dia.
Estou mesmo fazendo isso?, perguntou-se Elena, e percebeu que de algum modo estava. Ela iluminava a clareira em que ficava a casa da Sra. Flowers, enquanto deixava o bosque no escuro.
Talvez eu possa estender a luz, pensou ela. Tornar o antigo bosque mais novo e menos cruel.
Se ela fosse mais experiente, jamais teria tentado isso. Mas ali, naquele momento, sentia que podia se arriscar a qualquer coisa. Elena olhou rapidamente para os quatro lados do antigo bosque e gritou:
 Asas da Purificação!
E viu as asas de borboleta imensas, encanecidas e iridescentes se abrirem altas e largas, e ainda mais largas, e depois se espalharem ainda mais.
Ela estava ciente do silêncio, de estar tão arrebatada pelo que fazia que nem a luta de Misao importava. Era um silêncio que a lembrava de uma coisa: de todas as mais belas músicas se reunindo num único acorde poderoso.
E o Poder explodiu dela – não o Poder destrutivo que Damon enviou tantas vezes, mas um Poder de renovação, de primavera, de amor, juventude e purificação.
E Elena viu a luz se espalhar cada vez mais, as árvores ficarem menores e mais familiares, com mais clareiras entre as moitas. As trepadeiras rasgadas e pendentes desapareceram. No chão, espalhando-se como um círculo em expansão, brotavam flores de todas as cores, lindas violetas em grumos aqui e moitas de cenouras silvestres ali, e rosas silvestres por todo lado. Era tão lindo que seu peito doeu.
Misao sibilou. O transe de Elena finalmente foi rompido e ela olhou ao redor, vendo que os homens-árvore horrendos tinham desaparecido na luz do sol e em seu lugar havia um trecho largo e marrom-avermelhado, pontilhado de árvores fossilizadas e formas estranhas. Algumas pareciam quase humanas. Por um momento, Elena olhou o cenário, confusa, percebendo o que estava diferente. Todos os humanos de verdade tinham sumido.
 Eu nunca devia ter trazido você aqui!  E esta, para surpresa de Elena, era a voz de Misao. Ela falava com o irmão. ― Você estragou tudo por causa dessa garota. Shinichi no baka!
 A idiota é você!  gritou Shinichi para Misao. ― Onare!
Está reagindo como eles querem...
 E o que mais posso fazer?
 Ouvi você dar as pistas à garota  rosnou Shinichi. ― Você faria qualquer coisa por sua aparência, sua egoísta...
 E é você que me diz isso? Enquanto não perdeu nem uma cauda?
 Só porque sou mais rápido...
Misao o interrompeu.
 É mentira e você sabe disso! Retire o que disse!
 Você está fraca demais para brigar! Devia ter fugido há muito tempo! Não me venha com lamentações.
 Não se atreva a falar comigo desse jeito!
E Misao saltou do aperto de Elena e atacou Shinichi. Ele estava errado. Ela era uma boa lutadora. Em um segundo formaram uma zona de destruição, rolando sem parar, brigando, mudando de forma o tempo todo. Voavam pelos preto e escarlate para todos os lados. Da bola de corpos que se reviravam, saíam trechos de diálogo...
―... ainda não achou as chaves...
―... nenhum deles, de qualquer forma...
―... mesmo que achassem...
―... o que importaria?
―... ainda precisa encontrar o rapaz...
―... digo que está só se exibindo, deixando que tentem...
O riso horrível e estridente de Misao.
 E ver o que eles descobrem...
―... no Shi no Shi!
Subitamente, a luta terminou e os dois se tornaram humanos.
Estavam abatidos, mas Elena sentia que não havia mais nada que pudesse fazer se decidissem lutar novamente.
Em vez disso, Shinichi disse:
 Estou quebrando o globo. Aqui  ele se virou para Damon e fechou os olhos, ― é onde está seu precioso irmão. Estou colocando em sua mente... Se puder decifrar o mapa. E quando chegar lá, vai morrer. Não diga que não avisei.
Para Elena, ele fez uma mesura e disse:
 Lamento que você também vá morrer. Mas memorizei uma ode para você.

Rosas e lilases silvestres,
Bergamotas e margaridas,
O sorriso de Elena
Afugenta o inverno.
Mirtilo e violeta,
Dedaleiras e íris,
Olham onde ela pisa
E pegam a relva que se inclina.
Onde quer que passem seus pés,
Flores brancas separam a relva ...

 Prefiro ouvir uma explicação direta sobre onde estão as chaves  disse Elena a Shinichi, sabendo que depois da canção não obteria mais nada de Misao. ― Sinceramente, estou enjoada e cansada de toda essa sua besteirada.
Ela percebeu que mais uma vez todos olhavam para ela e sabia o porquê. Podia sentir a diferença em sua voz, em uma atitude, em seu padrão de fala. Mas principalmente, por dentro, o que ela sentia era liberdade.
 Vamos lhe dar tudo isso  respondeu Shinichi. ― Não as tiramos do lugar. Encontre-as pelas pistas... Ou por outros meios, se puder.
Ele piscou para Elena e se virou, encontrando uma deusa da vingança pálida e trêmula.
Caroline. Independentemente do que estivesse fazendo nos últimos minutos, também estivera chorando, esfregando os olhos e torcendo as mãos – ou assim Elena deduziu a partir dos borrões de sua maquiagem.
 Você também?  disse ela a Shinichi. ― Você também?
Shinichi abriu seu sorriso lânguido.
 Eu também o quê?
 Também está caído por ela? Compondo poemas... Dando pistas para encontrar Stefan...
 Não são pistas de verdade  disse Shinichi de um jeito reconfortante, sorrindo novamente.
Caroline tentou bater nele, mas ele a pegou pelo pulso.
 E você acha que vai embora agora?  a voz de Caroline se elevava a um grito, não tão agudo como o guincho estridente de Misao, mas com seu próprio vibrato espantoso.
 Eu sei que vamos embora  ele olhou para a rabugenta Misao. ― Depois de resolvermos mais um assunto. Mas não com você.
Elena ficou tensa, mas Caroline tentava atacar Shinichi novamente.
 Depois do que você me disse? Depois de tudo o que me disse?
Shinichi olhou para ela de cima a baixo, parecendo vê-Ia pela primeira vez. Ele também pareceu genuinamente pasmo.
 O que eu disse a você?  perguntou ele. ― Já nos falamos antes desta noite?
Houve uma risada aguda. Todos se viraram. Misao estava de pé, rindo, com as mãos cobrindo a boca.
 Eu usei a sua imagem  ela falou ao irmão, com os olhos baixos, como se confessasse um pecado. ― E a sua voz. No espelho, quando dei as ordens a ela. Ela estava se recuperando de um relacionamento, de alguém que a abandonou. Eu disse que tinha me apaixonado por ela e que queria me vingar dos inimigos dela... Mas ela teria que fazer umas coisinhas para mim.
 Como espalhar malach por meio de garotinhas  Damon apontou com severidade.
Misao riu novamente.
 E em um ou dois meninos. Sei como é ter esses malach dentro de você. Não dói nada. Eles só ficam... aí.
 Alguma vez alguém a obrigou a fazer uma coisa que você não queria? — perguntou Elena. Ela podia sentir os olhos azuis em brasa. ― Acha que isso doeria, Misao?
 Não era você?  Caroline ainda olhava para Shinichi; obviamente não conseguiu acompanhar o roteiro. ― Não era você?
Ele suspirou, sorrindo de leve.
 Não era eu. Acho que meu fraco são cabelos dourados. Dourados... ou vermelhos contra o preto  acrescentou apressadamente, olhando a irmã.
 Então era tudo mentira  disse Caroline, e por um momento o desespero estava estampado em seu rosto inchado pela raiva, com a tristeza maior do que esses dois sentimentos. ― Você é outro fã de Elena.
 Escute — Elena falou asperamente ― eu não o quero. Eu o odeio. O único homem que me importa é Stefan!
 Ah, ele é o único, é?  perguntou Damon, com um olhar para Matt, que puxara Bonnie para perto deles enquanto se desenrolava a briga das raposas. A Sra. Flowers e a Dra. Alpert os seguiram.
 Você entendeu o que eu quis dizer  Elena devolveu a Damon.
Damon deu de ombros.
 Muitas jovens de cabelos dourados terminam noivas do serviçal rude  depois ele balançou a cabaça. ― Por que estou falando essas besteiras?  Seu corpo compacto parecia assomar sobre Shinichi.
 É só um efeito residual... de estar possuído... Sabe como é.
Shinichi agitou as mãos, os olhos ainda em Elena.
 Meus padrões de pensamento...
Parecia que começaria outra briga, mas Damon se limitou a sorrir e disse, de olhos semicerrados:
 Então você deixou Misao fazer o que quisesse com a cidade enquanto vinha atrás de mim e de Elena.
 E de...
 Mula  disse Damon apressada e automaticamente.
 Eu ia dizer Stefan  Elena apontou. ― Não, acho que Matt foi vítima de um dos esqueminhas de Misao e Caroline antes de eu e ele esbarrarmos em você, quando você estava completamente possuído.
 E agora acha que pode simplesmente ir embora — Caroline falou numa voz tremida e ameaçadora.
 Nós estamos indo embora — disse Shinichi rigidamente.
 Caroline, espere — Elena chamou. ― Posso ajudá-Ia... Com as Asas da Purificação. Você está sendo controlada por um malach.
 Não preciso de sua ajuda! Preciso de um marido!
O silêncio foi completo no telhado. Nem mesmo Matt interferiu desta vez.
 Ou pelo menos um noivo  murmurou Caroline, com a mão na barriga. ― Minha família não aceitaria isso.
 Vamos dar um jeito  Elena respondeu com brandura; depois, com firmeza:  Caroline, acredite.
 Eu não acreditaria em você nem que...  a resposta de Caroline foi obscena.
Depois ela cuspiu na direção de Elena e ficou em silêncio, por opção própria ou porque o malach dentro dela queria assim.
 De volta aos negócios, então  disse Shinichi. ― Vejamos, nosso preço pelas pistas da localização de Stefan é um pouco da memória de Damon. Digamos... De quando o encontrei até agora ― ele sorriu de um jeito desagradável.
 Não pode fazer isso!  Elena sentiu o pânico tomar seu corpo, começando pelo coração e disparando para os cantos mais distantes de cada membro. ― Ele agora é diferente; se lembra das coisas... Ele mudou. Se tirar a memória dele...
 Todas as doces mudanças desaparecerão  disse Shinichi a ela. ― Prefere perder sua própria memória?
 Sim!
 Mas você foi a única que ouviu as pistas sobre a chave. E de qualquer modo, não quero ver as coisas através de seus olhos. Quero ver você... pelos olhos dele.
Agora Elena estava pronta para começar ela mesma outra briga. Mas Damon disse, já se distanciando:
 Vá em frente e pegue o que quiser, mas se não saírem desta cidade logo depois, vou arrancar sua cabeça com essa tesoura.
 Concordo.
 Não, Damon.
 Quer Stefan de volta?
 Não a esse preço!
 Que pena  intrometeu-se Shinichi. ― Não existe outro trato.
 Damon! Por favor... Pense bem!
 Já pensei. É minha culpa que os malach tenham se disseminado tanto, antes de tudo. É minha culpa por não investigar o que estava acontecendo com Caroline. Não liguei para o que acontecia com os humanos, desde que os recém-chegados os mantivessem longe de mim. Mas posso consertar umas coisas que fiz a você encontrando Stefan  ele se virou um pouco para ela, com o antigo sorriso diabólico nos lábios. ― Afinal, cuidar de meu irmão é minha tarefa.
 Damon... Me escute.
Mas Damon olhava para Shinichi.
 Concordo  disse ele. ― Temos um trato.

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