29 de novembro de 2015

Capítulo 35

Elena se sentiu como se não tivesse feito nada em toda sua vida, exceto andar sob a sombra de uma árvore com ramos altos. Não estava frio lá, mas sim quente. Não estava escuro, mas sim opaco. Ao invés da luz carmesim constante do Sol vermelho inchado na Dimensão das Trevas, eles andavam sob um crepúsculo constante. Era enervante sempre olhar para cima, para o céu, e nunca ver a lua... Ou luas... Ou o planeta... Que poderia muito bem estar lá em cima. Ao invés de céu, não havia nada a não ser galhos de árvores emaranhados, claramente pesados e intrinsecamente entrelaçados como que para ocupar o espaço todo acima.
Ela estava ficando louca, ao pensar que eles talvez pudessem estar na lua, na pequena lua brilhante de diamante, que você poderia ver do lado de fora do Portal do Mundo Inferior? Ela era muito pequena para ter uma atmosfera? Pequena demais para ter uma gravidade adequada? Ela havia percebido que se sentia mais leve aqui, e que Bonnie parecia mais alta. Será que ela poderia...? Ela flexionou suas pernas, soltou a mão de Stefan, e pulou.
Foi um salto longo, mas não a levou a qualquer lugar próximo à copa de galhos entrelaçados acima. E também não pousou devidamente com os seus pés.
Ela escorreu em direção às folhas e deslizou de bumbum por, talvez, noventa centímetros antes que pudesse cravar seus dedos e pés e, por fim, parar.
— Elena! Você está bem?
Ela pôde ouvir Stefan e Bonnie dizerem isso por trás dela, seguido de um rápido e impaciente: “Você é louca?” de Damon.
— Eu estava tentando descobrir onde nós estamos testando a gravidade — Ela disse, erguendo-se sozinha e tirando as folhas de seus jeans, humilhada.
Mas que droga! Aquelas folhas haviam ficado presas nas costas de sua camiseta, entrando até mesmo em sua camisola. O grupo havia deixado a maioria de suas peles lá na Casa de Portais, onde Sage poderia guardá-las, e Elena nem sequer tinha uma roupa reserva.
Isso foi idiotice, disse a si mesmo, realmente brava agora.
Envergonhada, ela tentou andar e se sacudir ao mesmo tempo, para tentar tirar as folhas trituradas de seu corpo. Finalmente ela teve que dizer:
— Garotos, vocês poderiam olhar para o outro lado? Bonnie, poderia vir aqui me ajudar?
Bonnie ficou feliz em ajudar e Elena ficou espantada com o tanto de tempo que levou para tirarem todas as folhas de suas costas.
Na próxima vez que você quiser uma opinião científica tente perguntar, a telepatia desdenhosa de Damon comentou.
Em voz alta, ele adicionou:
— Eu diria que a gravidade é cerca de oitenta por cento igual à da Terra e devemos estar na lua. Não que isso signifique alguma coisa. Se Sage não nos tivesse ajudado com essa bússola, nunca seríamos capazes de encontrar o tronco da árvore... Pelo menos, não a tempo.
— E lembrem-se — Elena disse — que a ideia de que a Esfera Estelar está próxima ao tronco é só um palpite. Temos que manter nossos olhos bem abertos!
     Mas o que devemos procurar?
Bonnie gemeu uma vez. Mas agora ela simplesmente perguntou silenciosamente.
— Bem... — Elena virou-se para Stefan — Ela vai brilhar, não vai? Contra esta horrível penumbra?
— Contra esta horrível penumbra de camuflagem verde — Stefan concordou. — Ela deve ser semelhante a uma luz pouco brilhante em deslocamento.
— Mas pensem assim — Damon disse, andando de volta para trás e dando-lhes por um segundo o seu gracioso e brilhante sorriso de duzentos e cinquenta quilowatts —, se não seguirmos a sugestão de Sage, nunca encontraremos o tronco. Se tentarmos vagar aleatoriamente ao redor deste mundo, nunca encontraremos nada... Nem o nosso caminho de volta. E então, não será só Fell’s Church que deixará de existir, nós todos morreremos, nesta ordem: primeiro, os dois vampiros deixaram de lado o seu comportamento civilizado, por causa da fome...
— Não o Stefan — Gritou Elena.
E Bonnie disse:
— Você é tão mau quanto o Shinichi, com essas suas “revelações” sobre nós!
Damon sorriu sutilmente.
— Se eu fosse tão mau quanto o Shinichi, passarinho, você já estaria sendo amassada como uma caixa de suco vazia... Ou eu estaria lá, sentado ao lado de Sage, saboreando Black Magic...
— Olha, isso é inútil — Stefan disse.
Damon fingiu simpatia.
— Talvez você possa ter... Problemas… Com sua área canina, mas eu não tenho maninho.
Ele deliberadamente ostentou o sorriso, desta vez para que todos pudessem ver os dentes afiados.
Stefan não mordeu a isca.
— E isso está nos atrasando...
— Errado, maninho. Alguns de nós dominamos a arte de falar e andar ao mesmo tempo.
— Damon... Pare com isso. Pare! — Elena disse, esfregando sua testa quente com seus dedos frios.
Damon deu de ombros, ainda movendo-se para trás.
— Você só tinha que pedir — Ele disse, com uma leve ênfase na primeira palavra.
Elena não disse nada de volta. Ela se sentia febril.
Não era um caminho em linha reta. Frequentemente havia enormes montes de raízes retorcidas no caminho, que deviam ser escalados. Às vezes, Stefan tinha que usar o machado em sua mochila para fazer pontos de apoio.
Elena começou a odiar a penumbra verde mais do que tudo. Ela pregava peças em seus olhos, assim como o som abafado de seus pés no chão coberto de folhas pregava peças em seus ouvidos. Várias vezes ela parou... E uma vez Stefan disse:
— Tem mais alguém aqui! Está no seguindo!
Em todas às vezes todos tiveram de parar para ouvir atentamente. Stefan e Damon enviaram sondas telepáticas de Poder o mais longe que puderam chegar, em busca de outra mente. Mas ou ela estava bem disfarçada, a ponto de ser invisível, ou ela nem ao menos existia.
E então, depois de Elena se sentir como se tivesse andado durante sua vida toda, e que teria que andar até que eternidade chegasse ao fim, Damon parou abruptamente. Bonnie, bem atrás dele, prendeu a respiração. Elena e Stefan correram para frente para verem o que era.
O que Elena viu fez ela dizer, sem firmeza:
— Eu acho que perdemos o tronco e... Encontramos... A beirada do mundo...
No chão em frente dela, e até onde ela podia ver, havia uma escuridão repleta de estrelas do espaço. Mas tirando as estrelas, havia um planeta gigante e duas luas enormes, uma azul e branca que rodava e a outra prateada.
Stefan estava segurando sua mão, compartilhando seus pensamentos com ela, e um formigamento correu sobre o braço dela e de repente seus joelhos ficaram fracos, só pelo leve toque dos dedos dele.
Então Damon disse sarcasticamente:
— Olhem para cima.
Elena olhou e arfou. Por um instante seu corpo pareceu complemente mais leve. Ela e Stefan automaticamente enrolaram seus braços em torno de si. E então Elena percebeu o que estavam vendo, tanto em cima como embaixo.
— É água — Ela disse, encarando a piscina espalhada bem acima deles.
— Uma das águas que o Sage nos disse. E não toquem nisto. Nem assoprem.
— Mas parece mesmo que estamos naquela lua menor — Stefan disse suavemente, seus olhos aparentavam inocência enquanto olhava para Damon.
— Sim, bem, então há algo excessivamente mais pesado no centro desta pequena lua, para permitir que haja oito décimos da gravidade que experimentamos normalmente, e para haver atmosfera... Mas quem se importa com a lógica? Este é um mundo que alcançamos através do Mundo Inferior. Por que aplicaríamos lógica?
Ele olhou para Elena com seus olhos um pouco semicerrados.
— Onde está a terceira? A séria?
A voz veio detrás deles... Ele pensou.
Ela estava... Eles todos estavam... Virando-se para olhar a brilhante luz no meio daquela penumbra. Tudo brilhava e dançava diante de seus olhos.
“A séria Meredith; a Bonnie risonha; E Elena com cabelos dourados. Elas sussurram e então ficam em silêncio... Elas aprontam e eu não dou mais a mínima... Mas devo conquistar Elena, Elena com os Cabelos Dourados...”
— Bem, você não vai me conquistar! — Gritou Elena. — E esta citação está completamente incorreta, de qualquer forma. Lembro-me dela na minha aula de inglês do primeiro ano. E você é maluco!
Mesmo com sua raiva e medo, ela se perguntou sobre Fell’s Church. Se Shinichi estava ali, ele poderia trazer a Última Meia- Noite para lá? Ou Misao poderia simplesmente trazê-la?
— Mas eu vou te conquistar, Elena dourada — O kitsune disse.
Tanto Stefan quanto Damon tiraram suas facas.
— É aí que você se engana, Shinichi — Stefan disse. — Você nunca, nunca mais tocará na Elena novamente.
— Eu tenho que tentar. Vocês tiraram todo o resto de mim.
O coração de Elena estava batendo fortemente agora.
Se ele for falar algo que tenha sentido para alguém, será comigo, ela pensou.
— Você não devia estar se preparando para a Última Meia-Noite, Shinichi? — Ela perguntou num tom amigável, temendo, em seu interior, que ele dissesse: “Já terminou.”
— Ela não precisa de mim. Ela não protegeria Misao. Por que eu deveria ajudá-la?
Por um instante Elena não pôde falar. Ela? Ela? Outra além de Misao, outra “Ela” estava envolvida nisto?
Damon segurava uma besta agora, com uma flecha carregada. Mas Shinichi simplesmente se esquivou.
— Misao não consegue mais se mover. Ela havia colocado todo seu Poder dentro da Esfera Estelar, entendem? Ela nunca mais riu ou cantou... Nunca mais aprontou comigo. Ela simplesmente... Ficou parada — Ele disse. — Finalmente, ela me pediu para colocá-la dentro de mim. Ela pensou que nos tornaríamos um só deste jeito. Então ela se dissolveu e incorporou-se direto em mim. Mas isso não ajudou. Agora... Eu mal posso ouvi-la. Vim para buscar minha Esfera Estelar. Eu a tenho usado para viajar através das dimensões. Se eu colocar Misao na minha Esfera Estelar, ela vai se recuperar. Então e a esconderei novamente... Mas não onde a deixei da última vez. Eu a colocarei num lugar bem mais alto, onde ninguém mais poderá encontrá-la.
Ele parecia estar focado em seus ouvintes.
— Então acho que somos Misao e eu que estão falando com vocês neste instante. Exceto que eu estou muito solitário... Não posso mais senti-la.
— Você não vai tocar na Elena — Stefan disse silenciosamente.
Damon estava olhando sombriamente para o resto do grupo, para as palavras de Shinichi: “... Eu a colocarei num lugar bem mais alto...”
— Vai, Bonnie, continue andando — Stefan adicionou. — Você também, Elena. Nós as seguiremos.
Elena deixou Bonnie ir alguns centímetros à frente antes de dizer telepaticamente:
Não podemos nos separar, Stefan; só há uma bússola.
Cuidado, Elena! Ele pode te ouvir!
Veio à voz de Stefan, e Damon adicionou sem rodeios:
Calem a boca!
— Não se incomode em mandá-la calar a boca — Shinichi disse. — Você é louco se pensa que eu só consigo pegar os pensamentos que estão pensando agora. Eu não pensei que você fosse tão burro.
— Não somos burros — Bonnie disse acaloradamente.
— Não? Então descobriram os enigmas que eu fiz para vocês?
— Não é hora para isso — Elena rebateu.
Isso foi um erro, pois fez com que Shinichi se focasse nela novamente.
— Você contou a eles o que pensa sobre a tragédia de Camelot, Elena? Não, eu não pensei que você teria coragem. Eu direi, então, posso? Eu li enquanto você escrevia em seu diário.
— Não, você não pode ter lido meu diário! De qualquer forma... Não se aplica mais aqui! — Elena ostentou.
— Deixe-me ver… Essas são as suas próprias palavras...
Ele assumiu uma voz de leitura.

 — “Querido diário,
Um dos enigmas de Shinichi era o que eu pensei ser sobre Camelot. Você sabe, a lenda do Rei Arthur, a Rainha Guinevere e o cavaleiro que ela amava, Lancelot. E aqui vai o que eu pensei: muitas pessoas inocentes morreram e ficaram miseráveis por que três pessoas egoístas — um rei, uma rainha e um cavaleiro — não se comportavam civilizadamente. Eles não conseguiam compreender que quanto mais você ama, mais amor você encontra. Mas esses três não poderiam desistir do amor, e simplesmente o compartilharam... Os três...”

— Cala a boca! — Berrou Elena. — Cala a boca!
Meu Deus, Damon disse, minha vida é isso aí.
A minha também. Stefan parecia tonto.
Só esqueçam isso tudo, Elena disse a eles. Não é mais verdade. Stefan, eu sou sua para sempre, e eu sempre fui. E agora temos que nos livrar deste idiota e correr para o tronco.
— Misao e eu costumávamos fazer isso — Shinichi disse. — Falar com nós mesmos, em uma frequência especial. Você certamente é uma boa manipuladora, Elena, ao evitar que eles se matem por sua causa.
— Sim, é uma frequência especial que eu chamo de verdade — Elena disse. — Mas não sou metade da manipuladora que Damon é. Agora, nos ataque ou deixe-nos ir embora. Estamos com pressa!
— Atacar vocês?
Shinichi parecia estar pensando na ideia. E então, mais rápido do que Elena pôde acompanhar, ele foi em direção à Bonnie. Os vampiros, que estavam esperando que ele fosse até Elena, foram pegos de guarda baixa, mas Elena, que havia visto o brilho dos olhos dele em direção à garota mais fraca, já estava pulado em direção a ele. Ele voltou tão rápido que ela encontrou-se indo direto para as suas pernas, mas então percebeu que ela tinha uma chance de tirar-lhe o equilíbrio. Ela deliberadamente foi com o objetivo de dar uma cabeçada em seu joelho, ao mesmo tempo em que daria uma facada no pé dele.
Perdão Bonnie, ela enviou, sabendo o que ele faria. Seria o mesmo que havia feito o seu fantoche, Damon, na época em que ele havia feito Elena e Matt de reféns... Exceto que ele não precisava de um galho de pinheiro para fazer dor. Uma energia negra surgiu em suas mãos, indo diretamente para o corpinho de Bonnie.
Mas havia outro fator que ele não havia levado em conta. Quando fez Damon atacar Matt e Elena, ele teve o bom senso de ficar longe enquanto Damon direcionava agonia para os corpos deles. Desta vez, ele agarrou o corpo de Bonnie e colocou suas mãos em volta dela. E Bonnie era uma telepata excelente, principalmente nas projeções. Quando a primeira onda de agonia a atingiu, ela gritou... E redirecionou a dor para Shinichi.
Era como se houvesse completado um circuito. Não fez com que Bonnie se machucasse menos, mas significava que tudo que Shinichi fizesse a ela, ele sentiria em seu próprio corpo, amplificado por causa do medo de Bonnie. Foi neste sistema que Elena entrou com tudo. Quando sua cabeça deu de impacto com o joelho dele, o osso desta região estava bem frágil, e algo lá dentro quebrou. Atordoada, ela concentrou-se em mirar a faca em direção aos pés no solo abaixo.
Não teria funcionado se ela não tivesse dois vampiros extremamente ágeis bem atrás dela. Já que Shinichi não havia caído, ela teria de levantar e ficar ao nível de seu pescoço para poder esfaqueá-lo ali.
Mas Stefan estava a uma fração de segundos atrás dela. Ele a agarrou e estavam fora do alcance de Shinichi antes que o kitsune pudesse avaliar melhor a situação.
— Me solta — Elena arfou para Stefan.
Ela estava determinada a salvar Bonnie.
— Eu deixei cair minha faca — Ela acrescentou astuciosamente, encontrando um motivo mais concreto para forçar Stefan a soltá-la para que pudesse voltar à briga.
— Onde?
— Próximo aos pés dele, é claro.
Ela pôde sentir Stefan tentando segurar uma risada exagerada.
— Acho que aquele é um bom lugar para deixá-la. Pegue uma das minhas — Ele adicionou.
Se vocês já terminaram de papear, é melhor virem aqui para acabarmos com ele, veio à fria telepatia de Damon.
Neste momento Bonnie desmaiou, mas com seu próprio circuito telepático ainda bem aberto e direcionado de volta para Shinichi. E agora Damon havia ficado no modo ofensivo, como se ele não se importasse como o bem-estar de Bonnie, contanto que a tirasse das garras de Shinichi.
Stefan, rápido como uma cobra, foi em direção a uma das muitas caudas que balançavam atrás de Shinichi, anunciando seu tremendo Poder. A maioria delas era translúcida, e elas cercavam sua verdadeira cauda — a cauda vermelho-vivo que toda raposa tinha.
A faca de Stefan cortou uma e a cauda fantasma caiu ao chão e então desapareceu. Não houve sangue, mas Shinichi ajoelhou-se cheio de fúria e dor.
Damon, por sua vez, foi impiedosamente atacar de frente. Como Stefan havia distraído o kitsune por trás, Damon cortou ambos os pulsos dele — um de forma rápida, enquanto o outro como se quisesse arrancar-lhe o membro. Então ele deu outro golpe, no momento em que Stefan, com Elena segurando-se em seu quadril como se fosse um bebê, arrancava outra cauda fantasma.
Elena estava lutando. Estava seriamente preocupada que Damon pudesse matar Bonnie para chegar até Shinichi. Além disso, ela não seria tratada como uma peça de bagagem! A civilização havia sumido em torno dela enquanto reagia ao seus instintos mais profundos: proteger Stefan, proteger Bonnie, proteger Fell’s Church. Derrotar o inimigo. Ela mal percebeu que, em seu estado, ela havia afundado seus dentes fracos, mas ainda dentes humanos, no ombro de Stefan.
Ele estremeceu um pouco, mas a ouviu.
Bem, tente pegar a Bonnie, então... Veja se pode ajudá-la.
Ele a soltou justo quando Shinichi virou-se para encará-lo, canalizando a dor negra diretamente para Stefan que, na Terra, havia sido lançada sobre os pés de Matt e Elena.
Elena, após ser lançada, descobriu que todos estavam agindo em turnos, como que para protegê-la e, de repente, ela viu uma oportunidade. Pegou a forma mole de Bonnie e Shinichi deixou cair à menina menor nos braços dela.
Palavras estavam ecoando no cérebro de Elena. Tente pegar a Bonnie. Veja se você pode ajudá-la.
Bem, ela estava com a Bonnie agora. Seus sentidos dividiram as ordens de Stefan.
... Afaste-se de Shinchi. Ela é uma refém de valor inestimável.
Elena descobriu que ela poderia quase gritar de tão furiosa que estava agora. Tinha que manter Bonnie a salvo... Mas isso significava abandonar Stefan, o nobre Stefan, à mercê de Shinichi. Ela afastou Bonnie para longe — tão pequena e delicada — e ao mesmo tempo deu uma olhada para trás, para Stefan. Ele estava com uma leve carranca de concentração agora, mas não estava só sendo esmagado pela dor; ele estava avançando ao ataque.
Mesmo quando a cabeça de Shinichi começou a ficar em chamas. As pontas vermelhas e brilhantes de seu cabelo preto tinham explodido em chamas, como se nada mais pudesse expressar sua inimizade e sua certeza de vencer.
Parecia que ele estava uma coroa de fogo, uma auréola infernal.
Nisto, a raiva de Elena transformou-se em arrepios que desceram sua espinha enquanto ela assistia a algo que a maioria das pessoas nunca viveu para analisar: dois vampiros atacando juntos, perfeitamente em sintonia. Havia a selvageria elementar, como nas aves ou nos lobos, mas havia também a beleza impressionante de duas criaturas que trabalhavam como um único e unificado corpo.
Pelas expressões de Stefan e de Damon, podia-se perceber que aquela era a batalha final. A carranca ocasional de Stefan e o sorriso cruel de Damon significavam que Shinichi estava enviando seu Poder abrasador e obscuro para os dois. Mas não eram humanos fracos com quem estava lidando agora. Ambos era vampiros com corpos que se curavam quase que instantaneamente — e vampiros que haviam se alimentado recentemente... Dela, Elena. Seu sangue extraordinário era como um combustível para eles.
Então eu já sou parte disto, Elena pensou. Eu os estou ajudando neste instante.
Isto teria que satisfazer a selvageria que esta luta sem barreiras provocava nela. Arruinar a perfeita sincronia que os dois vampiros tinham para manipular Shinichi seria um crime, especialmente quando Bonnie ainda estava mole em seus braços.
Sendo nós duas humanas, somos passivas, ela pensou. E Damon não hesitaria em me dizer isso, mesmo quando tudo o que eu queria era entrar para dar um só golpe.
Bonnie acorda, Bonnie, ela pensou. Segure-se em mim. Estamos dando o fora daqui.
Ela pegou a garota menor sob as axilas e a arrastou. Ela arrastou-se para a penumbra oliva que se estendia em todas as direções. Quando tropeçou em uma raiz e, acidentalmente, sentou-se, ela decidiu que havia ido longe o bastante, manobrando Bonnie para o seu colo.
Então ela colocou suas mãos em torno do rostinho em formato de coração de Bonnie e pensou nas coisas mais reconfortantes que pôde. Um mergulho em Warm Springs. Um banho quente na casa de Lady Ulma e, em seguida, uma massagem, deitadas confortavelmente em um sofá com o cheiro de incenso floral subindo ao seu redor. Um afago em Sabber na pensão da Sra. Flowers. A decadência de dormir tarde e acordar em sua própria cama... Com sua própria mãe, pai e irmã em casa.
Assim que Elena pensou nisso, não pôde evitar ao dar um pequeno suspiro, e uma lágrima caiu na testa de Bonnie. Os cílios de Bonnie se abriram.
— Não fique triste — Ela sussurrou. — Elena?
— Eu tenho você, e ninguém vai machucá-la novamente. Você ainda não se sente bem?
— Estou um pouquinho melhor. Mas pude te ouvir, na minha mente, e isso fez com que eu me sentisse melhor. Eu quero um longo banho e uma pizza. E segurar a bebê Adara. Ela quase pode andar, você sabe. Elena… Você não está me escutando!
Elena não estava. Ela estava assistindo ao desfecho da luta entre Stefan, Damon e Shinichi. Os vampiros haviam feito o kitsune se ajoelhar e agora estavam disputando sobre ele como se fossem um casal de filhotes de passarinho ao longo de um verme particularmente saboroso. Ou, talvez, como um casal de filhotes de dragão... Elena não tinha certeza se pássaros sibilavam um para o outro.
— Oh, não... Eca!
Bonnie viu o que Elena estava assistindo e entrou em colapso, escondendo sua cabeça contra o ombro de Elena.
Ok, Elena pensou. Eu entendo. Não há nenhum tipo de selvageria em você, há, Bonnie? Malícia, sim, mas nada como a sede de sangue. E isso é bom.
Mesmo enquanto ela pensava nisso, Bonnie sentou, erguendo-se em linha reta e batendo no queixo de Elena, apontando à distância.
— Espera! — Ela gritou. — Você está vendo isso?
Isso era uma luz muito brilhante, que queimava cada vez mais à medida que cada vampiro encontrava um lugar a seu gosto para atingir Shinichi, ao mesmo tempo.
— Fique aqui — Elena disse um pouco grossa, pois quando Bonnie havia colidido com seu queixo, ela acidentalmente mordeu a língua.
Ela correu de volta para os dois vampiros e bateu em suas cabeças o mais forte que pôde. Ela tinha que ganhar suas atenções antes que ficassem completamente no modo de alimentação.
Como não era de se surpreender, Stefan voltou ao normal primeiro, e então a ajudou a puxar Damon para longe de seu inimigo derrotado.
Damon rosnou e começou a andar, nunca tirando os olhos de Shinichi enquanto o kitsune abatido lentamente se sentou. Elena percebeu gotas de sangue espalhadas. Então ela viu, escondido no cinto de Damon, algo preto, vermelho e lustroso: a cauda verdadeira de Shinichi.
A selvageria se foi... Rapidamente. Elena queria esconder a cabeça no ombro de Stefan, mas virou o rosto para um beijo.
Stefan ficou constrangido.
Então Elena se afastou e eles formaram um triângulo em volta de Shinichi.
— Nem pense em atacar — Damon disse agradavelmente.
Shinichi deu levemente de ombros.
— Atacar vocês? Por que me incomodaria? Vocês não terão para onde voltar, mesmo se eu morrer. As crianças estão pré-programadas para matar. Mas — Com uma veemência súbita —, eu queria que nunca tivéssemos ido à sua maldita cidade... E eu queria que nunca tivéssemos seguido as ordens Dela. Eu queria nunca ter deixado Misao se aproximar Dela! Eu queria que...
Ele parou de falar de repente.
Não, é mais do que isso, Elena pensou.
Ele congelou, com os olhos bem abertos, encarando.
— Oh, não — Ele sussurrou. — Oh, não, eu não quis dizer isso! Eu não quis! Eu não me arrependo...
Elena teve o pressentimento de algo estava vindo até eles numa velocidade tremenda, tão rápida, na verdade, que ela só teve tempo de abrir sua boca antes daquilo atingir Shinichi.
O que quer que fosse, o matou e foi embora sem tocar em mais ninguém.
Shinichi caiu de cara na sujeira.
— Não se incomode — Elena disse delicadamente, enquanto Stefan reflexivamente moveu-se em direção ao cadáver. — Ele está morto. Ele fez isto a si mesmo.
— Mas como? — Stefan e Damon exigiram em coro.
— Eu não sou uma expert — Elena disse. — Meredith é a expert nisto. Mas ela me disse que kitsune só podem ser mortos ao destruirmos suas Esferas Estelares, ou dando-lhes um tiro com uma bala abençoada... Ou pelo “Pecado do Arrependimento”. Meredith e eu não sabíamos o que isso significava naquela época... Isso foi antes de irmos à Dimensão das Trevas. Mas acho que acabamos de vê-lo em ação.
— Então você não pode ser um kitsune e se arrepender de alguma coisa que você tenha feito? Isso é... Desagradável — Stefan disse.
— Nem tanto — Damon disse secamente. — Mas se isso funcionasse com vampiros, não há dúvidas de que você ficaria permanentemente morto quando acordasse no jazido de nossa família.
— Antes — Stefan disse sem demonstrar expressão —, eu tinha me arrependido de ter te dado o golpe mortal, enquanto eu estava morrendo. Você sempre disse que eu me sinto muito culpado, mas isto é uma coisa que eu gostaria de poder mudar.
 Houve um silêncio que se estendeu e se estendeu. Damon estava na frente do grupo agora, e ninguém além de Bonnie podia ver seu rosto.
De repente Elena pegou a mão de Stefan.
— Nós ainda temos uma chance! — Ela disse para ele.
— Bonnie e eu vimos algo brilhando por ali! Vamos correr!
Ele e Elena ultrapassaram Damon correndo e ele pegou a mão de Bonnie também.
— Igual o vento, Bonnie!
— Mas com Shinichi morto... Bem, temos mesmo que encontrar a Esfera Estelar dele, ou a maior Esfera Estelar, ou sei-lá-o-quê que está escondida neste lugar horrível? — Bonnie perguntou.
Certa vez, ela teria gemido, Elena pensou. Agora, apesar de qualquer dor que ela sentisse, ela estava correndo.
— Receio que temos mesmo que encontrá-la — Stefan disse. — Porque, segundo o que ele disse, Shinichi não estava no comando, no final das contas. Ele e sua irmã estavam trabalhando para alguém, alguém do sexo feminino. E quem quer que Ela seja, deve estar atacando Fell’s Church agora.
— As probabilidades apenas mudaram — Elena disse. — Nós temos uma inimiga desconhecida.
— Mas ainda assim...
— A sorte — Elena disse — está lançada.

Um comentário:

  1. Foi uma forma meio estúpida do Shinich morrer. Mas já tava na hora dele morrer mesmo, então, tanto faz.

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