26 de novembro de 2015

Capítulo 34

 Não pense nessas coisas. — Elena respondeu da mesma maneira que Damon falava e pelo mesmo motivo. — Eu não penso, porque se eu pensar, vou enlouquecer. Mas se eu enlouquecer, como poderei ajudar Stefan? Em vez disso, bloqueio tudo com paredes de ferro e me mantenho à distância a qualquer custo.
— E consegue fazer isso? — perguntou Damon, a voz falhando um pouco.
— Consigo... Porque preciso. Lembra no início, quando estávamos discutindo sobre as cordas que amarravam nossos pulsos! Meredith e Bonnie tinham dúvidas. Mas elas sabiam que eu usaria algemas e rastejaria atrás de você, se fosse necessário. — Elena se virou para olhar Damon na escuridão carmim e acrescente e acrescentou: — E você está sempre fazendo concessões, sabe disso. — Ela passou os braços em volta dele e tocou suas costas curadas, para que ele não tivesse dúvidas do que ela estava falando.
— Isso foi por você — disse Damon rispidamente.
— Na verdade, não — respondeu Elena. — Pensando bem, se você não tivesse concordado com a Disciplina, poderíamos ter fugido da cidade, mas jamais conseguiríamos ajudar Stefan. Se pensar bem, tudo o que fez, tudo mesmo, foi por Stefan.
— Se você pensar bem, verá que fui eu quem colocou Stefan aqui, antes de mais nada — disse Damon, cansado. — Em que pé será que estamos agora?
— Até quando vamos brigar por causa disso, Damon? Você estava possuído quando Shinichi o convenceu a participar disso — disse Elena, sentindo-se exausta. — Talvez você precise ser possuído de novo... Só um pouco... Para se lembrar de como é.
Cada célula do corpo de Damon pareceu se encolher com a ideia. Mas ele apenas disse em voz alta:
— Parece que todos se esqueceram de uma coisa muito importante. A história arquetípica de dois irmãos que se mataram num confronto e se tornaram vampiros porque gostavam da mesma garota.
— O quê? — disse Elena incisivamente, esquecendo-se do cansaço. — Damon, o que você quer dizer com isso?
— Exatamente o que eu disse. Há uma coisa que todos vocês esqueceram. Rá. Talvez até Stefan tenha se esquecido. A história é contada e recontada, mas ninguém a entende.
Damon virou o rosto. Elena se aproximou dele, apenas um pouco, para que ele sentisse seu perfume, que era de essência de rosas naquela noite.
— Damon, me diga. Por favor!
Damon começou a se virar para ela...
E foi nesse momento que os carregadores pararam. Elena só teve um segundo para enxugar as lágrimas, e as cortinas foram puxadas.
Meredith tinha contado a todos sobre a história de Bloddeuwedd, que descobrira em um globo de histórias. Ela sabia tudo: como Bloddeuwedd tinha sido feita de flores e trazida à vida pelos deuses, que traíra o marido até sua morte e que, como punição, foi condenada a passar cada noite, da meia-noite ao amanhecer, como coruja.
E, ao que parecia, havia algo que as lendas não mencionavam. O fato de que ela foi condenada a viver aqui, que fora banida da Corte Celestial para as profundezas do crepúsculo vermelho da Dimensão das Trevas.
Pensando bem, fazia sentido que suas festas começassem às 6 da tarde.
Elena descobriu que sua mente saltava de um assunto a outro. Ela aceitou a taça de Black Magic de um escravo enquanto os olhos vagavam.
Cada mulher e grande parte dos homens na festa vestiam trajes inteligentes que mudavam de cor no sol. Elena se sentiu muito modesta — afinal, tudo do lado de fora parecia ser rosa, escarlate ou vinho. Bebendo de sua taça de vinho, Elena ficou um tanto surpresa ao se ver entrando no modo festa automaticamente, cumprimentando as pessoas que conhecera naquela semana com beijos no rosto e abraços, como se os conhecesse há anos. Enquanto isso, ela e Damon seguiam para a mansão, às vezes com o fluxo de pessoas que se movia sem parar, às vezes contra ela.
Chegaram a uma escada de mármore branco (rosa sob o sol), que exibia canteiros de esporinhas azuis (violeta) e rosas silvestres cor-de-rosa (escarlates) de cada lado. Elena parou ali por dois motivos. Um deles era conseguir uma taça nova de Black Magic. A primeira já lhe dera um brilho saudável — embora, claro, tudo ali brilhasse continuamente. Ela esperava que a segunda dose a ajudasse a se esquecer de tudo o que Damon trouxera à tona na liteira, a não ser a chave — e a ajudasse a se lembrar do que a havia deixado nervosa antes. Antes que seus pensamentos fossem sequestrados pela conversa de Bonnie e Meredith.
— Espero que a melhor maneira seja perguntar a alguém — disse ela a Damon, que de súbito e silenciosamente estava em seu cotovelo.
— Perguntar o quê?
Elena inclinou-se um pouco para o escravo que lhe servia uma nova taça.
— Posso lhe fazer uma pergunta... Onde fica o salão de baile principal de Lady Bloddeuwedd?
O escravo uniformizado ficou surpreso. Depois, com a cabeca, fez um gesto englobando tudo.
— Esta praça... Sob a abóbada... Ganhou o nome de Grande Salão de Baile — disse ele, curvando-se sobre a bandeja.
Elena o encarou, depois olhou em volta.
Sob uma imensa abóbada — parecia-lhe semipermanente e sustentava em toda parte lindas lanternas em tons que ficavam mais bonitos no sol — o gramado suave se estendia por centenas de metros por todos os lados.
Era maior do que um campo de futebol.


— O que eu queria saber — perguntava Bonnie a uma convidada, uma mulher que dizia ter ido a várias festas de Bloddeuwedd e conhecia cada canto da mansão — é qual sala é o salão principal?
— Ah, minha cara, depende do que quer dizer — respondeu a convidada animada. — Há o Grande Salão externo... Você provavelmente o viu enquanto subia... O grande pavilhão? E há o Salão Branco, lá dentro. É iluminado com candelabros e suas cortinas ficam fechadas. Às vezes é chamado de Salão de Valsa, uma vez que é só o que se toca lá.
Mas Bonnie ainda assimilava, apavorada, as palavras anteriores.
— Tem um salão de baile do lado de fora? — perguntou ela, tremendo, na esperança de que de algum modo não tivesse ouvido direito.
— Isso mesmo, minha cara, e você pode vê-lo através daquela parede ali. — E era verdade. Era possível ver através da parede, porque todas eram de vidro, uma depois da outra, permitindo que Bonnie visse o que parecia ser uma ilusão criada por espelhos: sala após sala iluminada, todas cheias de gente.
Só a ultima sala do primeiro andar parecia ser feita de alguma coisa sólida.
Devia ser o Salão Branco.
Mas, pela parede oposta, onde a convidada apontava — ah, sim. Havia um teto abobadado. Ela se lembrou vagamente de passar por ali. A outra coisa de que se lembrava era...
— Eles dançam na grama? Nesse... gramado enorme?
— É claro. Foi especialmente cortado e suavizado. Fica tranquila que ninguém irá tropeçar num raminho nem montinho de terra. Tem certeza de que está se sentindo bem? Você está muito pálida. Bem... — a convidada riu— tão pálida quanto alguém pode ficar nesta luz.
— Estou bem — disse Bonnie, perplexa. — Estou... muito bem.
Os dois grupos se encontraram logo depois e falaram dos horrores que tinham descoberto. Damon e Elena souberam que o chão do salão externo era praticamente duro como pedra — qualquer coisa que tivesse sido enterrada ali antes de o chão ser suavizado por rolos compressores agora estaria espremida em algo parecido com cimento. Só era possível cavar pelo perímetro.
— A gente devia ter trazido um clarividente — disse Damon. — Alguém capaz de localizar uma pessoa usando um pêndulo ou um pedaço da roupa daquele que desapareceu.
— Tem razão — disse Meredith, o tom de voz claramente acrescentando desta vez. — Por que não trouxemos um clarividente?
— Porque não conheço nenhum — disse Damon, com seu sorriso mais doce e feroz.
Bonnie e Meredith descobriram que o piso do salão de baile interno era de pedra — de um lindo mármore branco. Havia dezenas de arranjos florais no salão, mas só o que Bonnie conseguira tirar deles (o mais discretamente possível) foram simplesmente flores que estavam num vaso com água. Sem terra, nada que pudesse justificar o uso do termo "enterrado".
— E além disso, por que Shinichi e Misao colocariam a chave na água se sabiam que seria jogada fora logo depois? — perguntou Bonnie, com a testa franzida, enquanto Meredith acrescentava:
— E como achamos uma tábua solta no mármore? Então não vemos como pode ter sido enterrada aqui. Aliás, eu verifiquei... E o Salão Branco foi construído há anos, então não é possível que eles tenham escondido debaixo das pedras do prédio.
Elena, já na terceira taça de Black Magic, disse:
— Tudo bem. Então vamos pensar o seguinte: uma sala riscada da lista. Já temos metade da chave... Olha como foi fácil...
— Talvez eles estivessem apenas nos provocando — disse Damon, erguendo uma sobrancelha. — Para nos animar, antes de destruir nossas esperanças completamente... Aqui.
— Não pode ser — disse Elena, desesperada, fuzilando-o com os olhos. — Viemos de tão longe... Misao não imaginava que faríamos isso. Vamos encontrá-la. Nós vamos encontrá-la.
— Muito bem — disse Damon, de repente sério. — Vamos encontrá-la, nem que para isso seja preciso passarmos por empregados e usarmos picaretas na terra do lado de fora. Mas primeiro, vamos procurar dentro da casa. Deu certo da última vez.
— Está certo — disse Meredith, pela primeira vez olhando diretamente para ele e sem reprovação. — Bonnie e eu ficamos com os andares superiores e vocês podem ficar com os inferiores... Talvez possam dar uma olhada no Salão de Valsa.
— Tudo bem.
Eles partiram para o trabalho. Elena queria poder se acalmar. Apesar da maior parte do vinho que tomou oscilar dentro dela ou talvez graças a estas taças ela via algumas coisas sob uma nova ótica. Mas devia se concentrar na busca e só na busca. Faria qualquer coisa, qualquer coisa, disse ela a si mesma, para conseguir a chave. Qualquer coisa por Stefan.
O Salão Branco tinha cheiro de flores e era ornado com botões grandes e opulentos no meio de uma folhagem abundante. Inúmeros arranjos protegiam uma área em volta de uma fonte, formando um recanto íntimo em que os casais podiam se sentar. E, embora não houvesse uma orquestra à vista, a música se derramava no salão, exigindo uma reação do suscetível corpo de Elena.
— Acho que você não sabe dançar valsa — disse Damon de repente, e Elena percebeu que estivera balançando no ritmo da música, de olhos fechados.
— Claro que sei — respondeu Elena, meio ofendida. — Todas nós fizemos aulas com a Srta. Hopewell. Em Fell‘s Church isso era o equivalente a frequentar aulas de etiqueta — acrescentou, vendo o lado engraçado disso e rindo consigo mesma. — E a Srta. Hopewell adorava dançar e nos ensinou cada dança e movimento que considerava elegante. Mas eu tinha 11 anos na época.
— Seria um abuso pedir que dançasse comigo? — disse Damon.
Elena o fitou com o que ela sabia que eram olhos grandes e confusos.
Apesar do vestido escarlate decotado, ela não se sentia uma sereia irresistível esta noite. Estava nervosa demais para absorver a magia tecida na roupa, magia que agora percebia lhe dizer que era uma chama dançante, um elemental do fogo. Ela imaginou que Meredith deveria estar se sentindo um regato tranquilo, fluindo rápida e constantemente a seu destino, mas cintilando por todo o caminho. E Bonnie — Bonnie, é claro, era um espírito do ar, o que significava dançar com a leveza de uma pluma naquele vestido opalescente, que mal sofria a ação gravidade.
Mas de repente Elena se lembrou de certos olhares de admiração que vira em sua direção. E agora, de uma hora para outra, Damon estava vulnerável? Será que ele não imaginava que ela dançaria com ele?
— Claro que adoraria dançar — disse ela, percebendo um leve choque o que não tinha percebido antes, que Damon usava um smoking branco impecável. Evidente, era a única noite em que isso podia atrapalhá-los, mas o fazia parecer um príncipe do sangue.
Os lábios de Elena se retorceram levemente com o título. Do sangue... Ah, sim.
— Tem certeza de que sabe dançar valsa? — perguntou ela a Damon.
— Boa pergunta. Aprendi em 1885 porque na época era considerado devasso e indecente. Mas depende se você está se referindo à valsa inglesa, à valsa vienense, à valsa lenta ou...
— Ah, tenha dó, ou vamos perder outra dança. — Elena pegou a mão dele, sentindo faíscas mínimas, como se tivesse afagado o pelo de um gato do jeito errado, e o puxou para a multidão que dançava.
Começou outra valsa. A música inundava o salão e quase fazia Elena flutuar enquanto os pelinhos de sua nuca se eriçavam. Todo o seu corpo formigava, como se ela tivesse bebido algum elixir celestial.
Era sua valsa preferida desde a infância: aquela com que foi criada. A Bela Adormecida, de Tchaikovsky. Mas uma parte infantil de sua mente jamais podia deixar de combinar as notas envolventes e doces que vinham depois do início estrondoso e eletrizante com a letra da versão da Disney: Eu conheço você; dancei com você uma vez num sonho...
Como sempre, provocavam lágrimas em seus olhos; faziam seu coração cantar e seus pés quererem voar, em vez de dançar.
Seu vestido era decotado nas costas. A mão quente de Damon estava em sua pele.
Eu sei, algo sussurrou para ela, por que consideravam esta dança devassa e indecente.
E agora, certamente, Elena sentiu a chama. Fomos feitos para ser assim. Ela não conseguia lembrar se era uma velha citação de Damon ou algo que ele acabara de sussurrar em sua mente. Como duas chamas que se unem e se fundem em uma só.
Você é boa, disse Damon, e desta vez Elena sabia que era ele falando, e que estavam no presente.
Não precisa me parabenizar. Já estou feliz demais! Elena riu. Damon era um especialista, e não apenas era preciso com os passos. Ele dançava uma valsa devassa e indecente. Tinha uma condução firme, que a força humana de Elena claramente não podia romper. Mas podia interpretar pequenos sinais dela.
Coisas que Elena queria e ele obedecia, como se estivessem dançando no gelo, como se a qualquer momento pudessem girar e saltar.
O estômago de Elena derretia lentamente e levava outros órgãos internos com ele.
E não lhe ocorreu nem uma vez pensar no que os amigos, os rivais e os inimigos do colégio teriam achado de ela se derreter com música clássica. Ela estava livre da animosidade mesquinha, da vergonha medíocre das diferenças.
Não queria mais saber de rótulos. Queria poder voltar para mostrar a todos que ela jamais desejou isso.
A valsa acabou cedo demais e Elena quis apertar o botão Replay e recomeçar tudo. Houve um momento em que a música parou e ela e Damon ficaram se olhando, com idêntica exaltação, desejo e...
E então Damon se curvou diante dela.
— Há mais na valsa do que só mexer os pés — disse ele, sem olhar para ela. — Há uma graça oscilante que pode ser colocada nos movimentos, uma chama que salta de alegria e unidade... Com a música, com o parceiro. Não precisa dominar a valsa para saber disso. Muito obrigado por me dar esse prazer.
Elena riu, mas queria chorar. Jamais quis parar de dançar. Queria dançar tango com Damon — um tango de verdade, do tipo que a obriga a se casar depois. Mas havia outra missão... Uma missão importante que precisava ser concluída.
E, ao se virar, havia uma multidão de outras coisas diante dela. Homens, demônios, vampiros, criaturas semelhantes a bestas. Todas queriam uma dança. As costas do smoking de Damon se afastavam dela.
Damon!
Ele parou, mas não se virou. Sim?
Me ajude! Precisamos achar a outra metade da chave!
Ele pareceu levar um segundo para entender o que estava acontecendo, mas depois compreendeu e voltou para ela e, pegando-a pela mão, disse numa voz clara e ressoante:
— Esta garota é minha... assistente pessoal... Não quero ela dance com ninguém, apenas comigo.
Houve protestos em relação a isso. Os escravos que eram levados a esses bailes não costumavam ser proibidos de interagir com estranhos. Mas justo nesse momento houve uma espécie de agitação na lateral do salão, levando por fim a multidão para o lado oposto de onde Damon e Elena estavam.
— O que é? — perguntou Elena, esquecendo a dança e a chave.
— A pergunta é quem é — respondeu Damon. — E eu responderia: nossa anfitriã, Lady Bloddeuwedd em pessoa.
Elena se viu espremendo-se atrás dos outros para ter um vislumbre desta criatura extraordinária. Mas quando finalmente viu a mulher parada sozinha na porta do salão, ela ofegou.
Ela era feita de flores... lembrou-se Elena. Como seria uma mulher feita de flores?
Sua pele seria do tom mais claro de rosa em um botão de macieira, pensou Elena, olhando descaradamente. Seu rosto seria de um rosa um pouco mais escuro, como uma rosa da cor do amanhecer. Os olhos, enormes na face perfeita e delicada, seria da cor de esporinha, com cílios densos e etéreos que os fariam ficar semicerrados, como se ela estivesse sempre num sonho. E ela teria cabelos amarelos, claros como prímulas, caindo quase até o chão, em tranças que eram incorporadas em tranças mais grossas até que todo o cabelo se reunisse pouco acima dos tornozelos delicados. Os lábios seriam vermelhos como papoulas, entreabertos e convidativos.
E ela teria um aroma parecido com o de um buquê que reunia todas as primeiras flores da primavera. Ela andaria como se oscilasse na brisa.
Elena só conseguiu pensar ficar de pé, olhando esta visão como as dezenas de convidados em volta dela. Só mais um segundo para beber essa beleza, pediu sua mente.
— Mas o que ela está vestindo? — Elena se ouviu dizer em voz alta. Ela não conseguia se lembrar nem de um vestido estonteante, nem de um vislumbre da pele lustrosa de flor de maçã através das muitas tranças.
— Uma espécie de vestido. E de que mais seria feito? Flores — disse Damon com ironia. — O vestido dela era feito com todas as flores que já vi na vida. Não entendo como ficam no lugar... Talvez sejam seda costurada. — Ele era o único que não parecia deslumbrado com a visão.
— Será que ela falaria conosco... Só por uns minutos? — quis saber Elena. Ela ansiava por ouvir a voz mágica e delicada da mulher.
— Duvido — respondeu um homem na multidão. — Ela não fala muito... Pelo menos não antes da meia-noite. Ora essa! É você! Como vai?
— Muito bem, obrigada — respondeu Elena educadamente, depois recuou rápido. Era um dos jovens que enfiaram seus cartões na mão de Damon no final da cerimônia do Chefão, na noite da sua Disciplina.
Agora ela só queria sair dali discretamente. Mas havia homens demais e estava claro que eles não deixariam que ela e Damon escapassem.
— Esta é a menina de quem lhe falei. Ela entra num transe e nem nota que está sendo espancada; não sente nada...
— ... sangue escorrendo pelo corpo como água e ela nem piscou...
— Eles são mágicos profissionais. Estão em turnê...
Elena estava prestes a dizer que Bloddeuwedd proibia estritamente esse tipo de barbárie em sua festa quando ouviu um dos jovens vampiros falar.
— Não sabia? Eu fui um dos que convenceu Lady Bloddeuwedd a convidar você para a festa. Contei a ela sobre sua apresentação e ela ficou muito interessada em ver.
Ora, lá se vai minha desculpa, pensou Elena. Mas pelo menos seja gentil com esses jovens. Eles podem ser úteis de alguma maneira depois.
— Receio que não posso fazer isto esta noite — disse ela em voz baixa, para que eles próprios se calassem. — Vou me desculpar diretamente com Lady Bloddeuwedd, é claro, pois infelizmente não será possível.
— Sim, é — a voz de Damon, bem atrás dela, a assustou. — É perfeitamente possível... Desde que alguém encontre meu amuleto.
Damon! O que está dizendo?
Calma! É o que precisamos.
— Infelizmente, há umas três semanas e meia perdi um amuleto muito importante. Parecido com este. — Ele pegou a metade da chave de raposa e deixou que todos dessem uma boa olhada.
— Foi o que usou para fazer o truque? — perguntou alguém, mas Damon era muito mais esperto que eles.
— Não, muita gente me viu representar mais ou menos há uma semana sem ele. É um amuleto pessoal, mas uma parte dele está faltando, e eu simplesmente não tenho vontade de fazer mágica.
— Parece uma raposinha. Você não é um kitsune? — perguntou alguém... Inteligente demais para o próprio bem, pensou Elena.
— Realmente parece, mas na verdade não é isso. É uma flecha. Uma flecha com duas pedras verdes na ponta. É um... amuleto masculino.
Uma voz feminina de algum lugar na multidão se manifestou.
— Até parece que você precisa de um feitiço masculino! — E ouviram-se risos.

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