29 de novembro de 2015

Capítulo 32

— Damon não pretendia ser tão... Tão idiota — Bonnie disse explosivamente. — Ele só... Sente como se fôssemos nós três contra ele... E… E…
— Bem, quem começou isso? Isso acontece desde a caminhada nos thurgs — Stefan disse.
— Eu sei, mas há algo mais — Bonnie disse humildemente. — Já que só tem neve, pedra e gelo... Ele... Eu não sei. Ele se sente preso. Tem algo errado.
— Ele está com fome — Ela disse, atingida por uma súbita percepção.
Desde caminhada nos thurgs que não havia nada para os vampiros caçarem. Não existia nada, nem raposas, insetos ou ratos. É claro, Lady Ulma havia fornecido bastante Black Magic para ele, a única coisa que parecia ser o substituto para o sangue. Mas sua quantidade foi diminuindo e, é claro, eles tinham que pensar na viagem de volta, também.
De repente Elena sabia o que faria bem para ela.
— Stefan — Ela murmurou, puxando-o para um canto da pedra rochosa da entrada da caverna.
Ela tirou o capuz e desenrolou a scarf o suficiente para expor um lado de seu pescoço.
— Não me faça dizer “por favor” tantas vezes — Ela sussurrou para ele. — Não posso esperar mais.
Stefan olhou em seus olhos e viu que ela estava falando sério — determinada — e então beijou uma de suas mãos enluvadas.
— Já faz um bom tempo, eu acho... Não, tenho certeza, ou eu nunca aceitaria uma coisa como esta — Ele sussurrou.
Elena inclinou sua cabeça para trás. Stefan ficou entre ela e o vento, e ela estava quase aquecida. Ela sentiu uma dorzinha inicial e então Stefan estava bebendo, suas mentes se juntaram como duas gotas de chuva sobre uma janela de vidro.
Ele tomou só um pouquinho de sangue.O suficiente para fazer a diferença em seus olhos, indo de um verde-piscina espumante para um córrego efervescente.
Mas então, seu olhar paralisou-se novamente.
— Damon... — Ele disse, e parou desajeitadamente.
O que Elena poderia dizer? Que ela simplesmente havia cortado suas relações com ele? Era para eles se ajudarem mutuamente, ao longo deste desafio; para mostrarem suas inteligências e coragens. Se ela desse para trás, falharia novamente?
— Mande-o aqui rapidamente — Ela disse. — Antes que eu mude de ideia.
Cinco minutos depois, Elena estava novamente naquele cantinho, enquanto Damon virava sua cabeça para frente e para trás com uma precisão desapaixonada, de repente disparando para frente e afundando seus dentes em uma veia proeminente. Elena sentiu seus olhos se alargarem.
Uma mordida que doesse tanto... Bem, ela já não experimentava isso desde os dias em que era burra e despreparada e havia lutado com todas as suas forças para se libertar.
Quando a mente de Damon, havia uma parede de aço. Já que ela tinha de fazer aquilo, ela tinha esperanças de ver o menino que vivia no íntimo da alma de Damon, o Protetor de todas as suas vontades e segredos, mas ela não pôde nem ao menos derreter aquele aço.
Depois de um minuto ou dois, Stefan puxou Damon para longe dela... Sem delicadeza. Damon se afastou emburrado, limpando sua boca.
— Você está bem? — Bonnie perguntou em um sussurro preocupante, enquanto Elena vasculhava a caixa de medicamentos de Lady Ulma, à procura de uma gaze para estancar as feridas não cicatrizadas em seu pescoço.
— Já estive melhor — Elena disse brevemente, enquanto enrolava sua scarf novamente.
Bonnie suspirou.
— Meredith é quem verdadeiramente devia estar aqui — Ela disse.
— Sim, mas Meredith deve ficar em Fell’s Church, também. Só espero que eles consigam segurar as pontas até que nós voltemos.
— Só espero que voltemos com algo que possa ajudá-los — Bonnie sussurrou.

* * *

Meredith e Matt passaram desde as duas da manhã até o amanhecer derramando pequenas gotas da Esfera Estelar de Misao pelas ruas da cidade, pedindo ao Poder para que ele, de alguma forma, os ajudasse na luta contra Shinichi. Este movimento de ir de um lugar para o outro também rendeu um bônus surpresa: crianças. Não crianças loucas. As normais, com medo de seus irmãos e irmãs e de seus pais, não se atrevendo a entrar em casa por causa das coisas terríveis que viram lá. Meredith e Matt os tinham abarrotado no SUV de segunda mão da mãe de Matt e os trouxeram até sua casa.
No fim, eles eram mais que trinta crianças, de cinco a dezesseis anos, todos com medo de brincar, falar, ou até mesmo de pedir alguma coisa. Mas eles tinham comido tudo que a Sra. Flowers pôde encontrar que não estava estragado na geladeira ou na despensa de Matt, e nas despensas das casas desertas de ambos os lados da dos Honeycutt.
Matt, observando uma menina de dez anos enfia a pão branco comum na boca com uma fome de lobo, com lágrimas escorrendo pelo seu rosto sujo enquanto ela mastigava e engolia, disse baixinho à Meredith:
— Será que há alguém infiltrado aqui?
— Eu apostaria minha vida nisto — Ela respondeu silenciosamente. — Mas o que vamos fazer? Cole não sabe nada que possa nos ajudar. Só podemos orar que as crianças não possuídas sejam capazes de nos ajudar quando os servos de Shinichi atacarem.
— Eu acho que a melhor opção, quando formos confrontar as crianças possuídas que podem estar armadas, seria correr.
Meredith assentiu distraidamente, mas Matt notou que ela levava a estaca em todos os lugares que ela ia agora.
— Eu já criei um pequeno teste para eles. Vou colocar em cada um deles um Post-It e verei o que acontece. Crianças que fizeram coisas pela qual lamentam vão ficar histéricas; crianças que já estão aterrorizadas, obterão algum conforto; e os infiltrados atacarão ou correrão.
— Eu tenho que ver isso.
O teste de Meredith só mostrou dois infiltrados na multidão toda: um menino de treze anos e uma menina de quinze. Ambos gritaram e correram pela casa, berrando descontroladamente. Matt não pôde detê-los. Quando tudo acabou e as crianças mais velhas foram confortar as mais novas, Matt e Meredith terminaram de colocar amuletos nas janelas e entre as tábuas. Eles passaram a noite estocando alimentos, questionando as crianças sobre Shinichi e a Última Meia-Noite, e ajudando a Sra. Flowers no tratamento de lesões. Eles tentaram deixar um deles de guarda o tempo todo, mas já que eles estavam em movimento desde a uma da manhã, ficaram bem cansados.
Ás quinze para as onze Meredith chegou em Matt, que estava limpando os arranhões de um garoto loiro de oito anos de idade.
— Ok — Ela disse silenciosamente. — Vou pegar meu carro e conseguir novos amuletos que a Sra. Saitou disse que fez para mim agora. Você se importa se eu levar Sabber?
Matt balançou sua cabeça.
— Não, eu faço isso. Eu conheço melhor as Saitou, afinal.
Meredith deu-lhe o que, para uma pessoa menos refinada, poderia ser chamado de bufão.
— Eu as conheço o suficiente para dizer: “Com licença, Inari-Obaasan; com licença, Orime-san; somos os causadores de problemas que vivem pedindo por grandes quantidades de amuletos antidemônios, mas vocês não se importam, não é mesmo?”
Matt sorriu levemente, deixando o garoto ir embora, e disse:
— Bem, elas podem se importar menos se você as chamar pelo próprio nome. “Obaasan” significa “avó”, certo?
— Sim, claro.
— E “san” é só uma coisa que você coloca no final do nome para ser mais educado.
Meredith concordou, adicionando:
— E “uma coisa que você coloca no final do nome” é chamado de “sufixo honroso”.
— Sim, sim, mas esses nomes pelo qual você as chamou são errados. Elas são a avó Orime e a mãe Orime, mãe de Isobel. Então fica Orime-Obaasan e Orime-san, também.
Meredith suspirou.
— Olha, Matt, Bonnie e eu as conhecemos primeiro. A avó se apresentou como Inari. Agora eu sei que ela é um pouco maluca, mas ela certamente saberia o próprio nome, né?
— E ela se apresentou para mim e não disse que seu nome era Orime, mas que sua filha se chamava assim. Fale com ela sobre isso quando você for.
— Matt, posso usar meu notebook? Está na pensão...
Matt deu uma risada curta e aguda, quase um soluço. Ele olhou para se certificar de que a Sra. Flowers estava por perto e então silvou:
— Está em algum lugar no centro da Terra, talvez. Não há mais pensão.
Por um momento parecia simplesmente chocada, mas então ela franziu a testa. Matt olhou para ela sombriamente. Não ajudou muito pensar que só havia eles dois de seu grupo para brigar. Lá estavam eles, e Matt praticamente podia ver as faíscas voando.
— Certo — Meredith disse finalmente. — Eu só vou lá e perguntar à Orime-Obaasan, então dizê-las que foi sua culpa quando elas começarem a rir.
Matt balançou a cabeça.
— Ninguém vai rir, pois você não vai lá.
— Olha, Matt — Meredith disse —, eu andei navegando na Internet e conheço o nome Inari. Veio de algum lugar. E sei que tem... Tem alguma conexão… — Sua voz foi sumindo.
Quando Matt voltou seus olhos para o teto, ele começou a dizer algo. O rosto de Meredith estava pálido e ela estava respirando rapidamente.
— Inari... — Ela sussurrou. — Eu conheço mesmo este nome, mas…
De repente ela segurou o pulso de Matt com tanta força que doeu.
— Matt, o seu computador ainda está funcionando?
— Estava quando a eletricidade voltou. Mas agora até o gerador se foi.
— Mas você tem um celular que se conecta com a internet, não é?
A urgência em sua voz fez Matt, rapidamente, levá-la a sério.
— Claro — Ele disse. — Mas está sem bateria, por no mínimo um dia. Sem eletricidade, não posso recarregá-lo. E minha mãe levou o dela. Ela não consegue viver sem ele. Stefan e Elena devem ter deixado os seus na pensão... — Ele sacudiu sua cabeça ao ver a expressão esperançosa de Meredith e sussurrou: — Ou devo dizer, onde a pensão costumava ser.
— Mas temos que encontrar um celular ou um computador que funcione! Nós temos! Preciso que funcione por só um minuto! — Meredith disse freneticamente, passando por ele como se estivesse tentando bater um recorde mundial.
Matt a estava encarando com espanto.
— Mas por quê?
— Porque nós temos que achar. Eu preciso, mesmo que seja só por um minuto!
Matt só pôde olhá-la, perplexo. Finalmente ele disse:
— Eu acho que podemos perguntar para as crianças.
— As crianças! Uma delas deve ter um celular que preste! Vamos, Matt, temos que falar com elas neste instante. — Ela parou e disse, com voz rouca: — Rezo para que você esteja certo e eu, errada.
— Hã?
Matt não tinha ideia do que estava acontecendo.
— Eu disse que espero estar errada! Reze você, também, Matt... Por favor!

Um comentário:

  1. O que tem o nome Inari?? Inari é aquele garotinho do País das Ondas, do anime Naruto. O que tem de assustador nisso?

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