20 de novembro de 2015

Capítulo 31

Permita-nos ter a dignidade de sair de sua armadilha com nossas próprias pernas – ou eu deveria dizer, usando nossa própria chave?, pensou Damon pra Shinichi.
Para Elena ele falou:
 Sim, estamos procurando por ele. Mas você teve uma queda e tanto. Eu quero – eu gostaria de lhe pedir – se você poderia ficar aqui e se recuperar enquanto vou atrás dele.
 Você acha que sabe onde Matt está? — foi tudo o que ela entendeu do que ele disse. Tudo o que ouviu.
 Sim
 Podemos ir agora?
 Você não quer me deixar ir sozinho?
 Não  disse Elena simplesmente. ― Tenho que encontrá-lo. Não vou conseguir dormir se você for sozinho. Por favor, podemos ir agora?
Damon suspirou.
 Tudo bem. Têm algumas...  agora vai ter  roupas que servirão em você no closet. Jeans e coisas assim. Vou pegá-las. Já que eu realmente não posso convencê-la a deitar e descansar enquanto procuro por ele.
 Eu posso fazer isso  Elena prometeu. ― E se você for sem mim, eu simplesmente vou pular a janela e seguir você.
Ela falava sério. Ele foi e pegou a pilha de roupas prometida e virou de costas enquanto Elena vestia uma versão idêntica de jeans e camisa xadrez que esteve usando, porém inteiros e sem manchas de sangue. Então saíram da casa, Elena escovando vigorosamente seus cabelos, mas olhando para trás a cada passo dado.
 O que você está fazendo?  perguntou Damon no exato momento em que ele tinha decidido carregá-la.
 Esperando a casa desaparecer.  E quando ele lhe deu seu melhor olhar de Do que você está falando?” Ela continuou Jeans Armani, exatamente do meu tamanho? Camisolas La Perla também? Camisas xadrez, dois tamanhos maiores que o meu, exatamente como aquela que eu estava usando? Esta casa é tanto uma pensão quanto é mágica. Eu aposto que é mágica.
Damon a pegou nos braços como forma de fazê-la se calar e caminhou em direção à porta do carona de sua Ferrari. Ele se perguntava se já estavam no mundo real agora, ou em outro dos globos do Shinichi.
 Já desapareceu? — ele perguntou.
 Sim.
Que pena, pensou. Ele teria gostado de ficar com ela. Poderia tentar renegociar a oferta com Shinichi, mas havia outras coisas muito importantes para pensar a respeito. Ele deu um aperto suave em Elena, pensando, outras coisas, muito, muito mais importantes.
No carro, ele se conscientizou de três pequenos fatos. Em primeiro lugar, que o clique que seu cérebro automaticamente registrou vindo do banco do carona significou que Elena realmente tinha trancado a fivela de seu cinto de segurança devidamente apertada. Em segundo, que as portas estavam trancadas – ele verificou pelo controle do motorista. E terceiro, que ele dirigia muito lentamente.
Não achava que alguém no estado de Elena se jogaria para fora de carros em movimento em um futuro próximo, mas ele não arriscaria.
Não tinha ideia de quanto tempo este feitiço funcionaria. Elena eventualmente deveria finalmente sair de sua amnésia. Era lógico, já que ele parecia estar, e tinha estado acordado muito tempo antes dela. Em breve ela lembraria... do quê? Que ele a tinha colocado em sua Ferrari contra a sua vontade? (ruim, mas perdoável, ele não poderia saber que ela se atiraria para fora do carro) Que ele estava provocando Mike ou Mitch ou quem quer que seja e ela na clareira? (Ele próprio tinha uma vaga memória de ter feito isso, ou foi outro sonho?) Ele desejava saber a verdade. Quando finalmente se lembraria de tudo? Ele estaria em uma posição muito mais favorável para negociações, uma vez que lembrasse.
E era quase impossível que o Mac estivesse tendo hipotermia em uma tempestade de neve em pleno verão, mesmo que ainda estivesse na clareira até agora. Era uma noite fria, mas o pior que o menino poderia esperar era uma pontada de reumatismo quando tiver lá pelos oitenta anos.
O essencial era que eles não deveriam encontrá-lo. Ele poderia ter algumas verdades desagradáveis para contar.
Damon notou Elena fazendo o mesmo gesto de novo. Um toque em sua garganta, uma careta, e uma respiração profunda.
 Você está enjoada por causa da viagem?
 Não, eu estou... — Ao luar ele podia ver seu rosto ficando corado e voltando ao normal; podia sentir o calor em seu rosto. Ela corou profundamente. — Eu expliquei sobre me sentir... muito cheia. É como me sinto agora.
O que um vampiro faria?
Dizer, desculpe – eu desisti de procurar por causa do luar?
Dizer, eu sinto muito – você vai me odiar pela manhã?
Dizer, para o inferno com amanhã; este assento reclina um pouco?
Mas e se eles chegarem à clareira e descobrissem que algo realmente tinha acontecido com Mutt, Gatt, com o menino? Damon se arrependeria pelo resto dos seus vinte segundos restantes de vida. Elena chamaria batalhões de espíritos do céu em direção a sua cabeça. Mesmo que ninguém mais acreditasse nela, Damon acreditava.
Ele se ouviu dizendo, tão suavemente como nunca tinha falado com Page ou com Damaris:
 Você confia em mim?
 O quê?
 Você confiaria em mim por mais quinze ou vinte minutos, para ir a um determinado lugar onde acho que ele pode estar? Se ele estiver, aposto que você vai se lembrar de tudo e não vai querer me ver novamente em sua vida, então será poupada de uma longa busca. Se ele não estiver e o carro também não, será meu dia de sorte e Mula terá ganhado o prêmio de uma vida toda. Então nós continuaremos procurando.
Elena ficou o observando atentamente.
 Damon, você sabe onde o Matt está?
 Não. — Bem, isso era bastante verdade. Mas ela era uma coisinha brilhante, uma linda coisinha rosa, e mais que tudo isso, ela era inteligente...
Damon interrompeu suas contemplações minuciosas sobre a inteligência de Elena.
Por que ele estava pensando em poesia? Ele estava realmente ficando louco? Havia pensado nisso anteriormente, não tinha? Se perguntar se você está ficando louco, não prova que não está? O louco de verdade nunca duvida de sua sanidade, certo? Certo. Ou será que questionava? E certamente toda essa conversa com ele mesmo não faria bem a ninguém.
Fottuto.
 Tudo bem, então. Vou confiar em você.
Damon soltou um suspiro que não precisava e dirigiu o carro em direção à clareira.
Era uma das jogadas mais emocionantes de sua vida. De um lado, havia sua vida – Elena encontraria uma maneira ou outra de matá-lo se ele tivesse matado Mark, ele estava certo. E por outro... um sabor de paraíso. Com uma Elena disposta, uma Elena ansiosa, uma Elena aberta... ele engoliu. Se encontrou fazendo a coisa mais próxima a rezar que ele havia feito em meio milênio.
Enquanto contornavam a curva na estrada para Little Lane, ele manteve-se em hipervigilância, o motor mal emitia um zunido, o ar da noite trazendo todos os tipos de informações para os sentidos de vampiro. Ele estava completamente consciente de que uma emboscada poderia ter sido criada para ele.
Mas a pista estava deserta. E, como de repente ele pressionou o acelerador para revelar a pequena clareira, ele a encontrou abençoadamente, felizmente, friamente, vazia, nenhum carro ou jovens garotos em idade de faculdade, cujos nomes começavam com “M.”
Ele relaxou contra o encosto.
Elena estava observando-o.
 Você pensou que ele poderia estar aqui.
 Sim — e agora era o momento para a verdadeira questão. Sem perguntar-lhe isso, a coisa toda era uma farsa, uma fraude. — Você se lembra deste lugar?
Ela olhou ao redor.
 Não. Eu deveria?
Damon sorriu.
Mas tomou a precaução de conduzir o carro mais três centenas de metros, para uma clareira diferente, apenas no caso de ela ter um súbito ataque de memória.
 Havia um malach na outra clareira — explicou ele facilmente. — Esta aqui certamente está livre de monstros. — Oh, mas que mentiroso eu sou, se alegrou. Ainda tenho o dom ou o quê?
Ele havia ficado perturbado... desde que Elena havia voltado do Outro Lado. Mas se na primeira noite tinha ficado tão perturbado que tirara sua jaqueta e colocara em suas costas, bem, ainda não existia palavras para descrever como ele se sentiu quando ela se ergueu diante dele recém retornada da pós-vida, sua pele brilhando na clareira escura, nua, sem vergonha ou sem o conceito de vergonha. E durante a sua massagem, onde as veias traçavam linhas de fogo de um cometa azul contra o céu inverso. Damon estava sentindo algo que ele não tinha sentido durante quinhentos anos.
Ele estava sentindo desejo.
Desejo humano. Vampiros não sentiam isso. Era tudo subliminado com a necessidade de sangue, sempre o sangue...
Mas ele estava sentindo.
Sabia o porquê também. Elena era Aura. Elena era sangue. Trouxe de volta com ela algo mais substancial do que as asas. E enquanto as asas tinham desvanecido, este novo talento parecia ser permanente.
Ele percebeu que fazia um tempo muito longo desde que sentira isso, e que, portanto, ele poderia estar completamente errado. Mas não pensava assim.
Ele pensou que a aura de Elena faria o mais fossilizado dos vampiros se levantar e florescer em virilidade jovem novamente.
Inclinou-se para longe tanto quanto o espaço da Ferrari permitia.
 Elena, há algo que eu deveria dizer.
 Sobre o Matt? — Ela lançou-lhe um olhar direto, inteligente.
 Nat? Não, não. É sobre você. Sei que ficou surpresa de Stefan tê-la deixado sob os cuidados de alguém como eu.
Não havia espaço para privacidade na Ferrari, e ele já estava compartilhando seu calor corporal.
 Sim, eu fiquei — disse ela simplesmente.
 Bem, isso pode ter algo a ver com...
 Isso pode ter tido algo a ver com a forma como decidimos que a minha aura daria tremeliques mesmo a velhos vampiros. De agora em diante, vou precisar de proteção forte por causa disso, Stefan disse.
Damon não sabia o que eram tremeliques, mas ele estava preparado para abençoá-los por lhe darem um ponto de vantagem sobre uma dama.
 Eu acho — falou com cuidado — que de todas as coisas, Stefan gostaria que você tivesse proteção contra o povo diabólico atraído para cá de todas as partes do mundo, e acima de tudo que você não seja forçada a... a tremelicar se esse não for sua vontade.
 E agora ele está me deixando, como um egoísta, idiota, estúpido idealista, considerando todas as pessoas no mundo que possam querer se aproveitar de mim.
 Eu concordo — disse Damon, com o cuidado de manter a mentira sobre o motivo da partida de Stefan intacta. — E já prometi que posso oferecer proteção. Realmente farei o meu melhor, Elena, vou me certificar de que ninguém chegará perto de você.
 Sim — concordou Elena, — mas então algo como isto — ela fez um gesto provavelmente para indicar Shinichi e todos os problemas causados por sua chegada, — vem para cima e ninguém sabe como lidar com ele.
 Verdade — disse Damon.
Ele teve que se balançar para continuar lembrando-se do seu verdadeiro propósito aqui. Estava aqui para... bem, ele não estava do lado de St. Stefan. E a coisa era que, isso era fácil demais...
Lá estava ela, passando as mãos pelos cabelos... uma donzela linda sentada penteando seus cabelos... o sol no céu não era mais tão dourado... Damon se balançou fortemente. Desde quando ele tinha começado a se interessar em canções folclóricas do Antigo Inglês? O que havia de errado com ele?
Para ter algo a dizer, perguntou:
 Como está se sentindo?
Nesse exato momento ela ergueu a mão em sua garganta.
Ela fez uma careta.
 Nada mal.
E isso os fez olhar um para o outro. E então Elena sorriu e ele teve de sorrir de volta, a princípio apenas um leve movimento com os lábios, e depois um sorriso amplo.
Ela era... droga, ela era tudo, encantadora, corajosa, inteligente... e linda. E ele sabia que seus olhos estavam dizendo tudo isso pra ela e que ela não estava se afastando.
 Podemos andar um pouco  disse ele, e os sinos tocaram e trombetas fizeram fanfarras, houve uma chuva de confetes e uma revoada de pombas...
Em outras palavras, ela disse:
 Tudo bem.
Eles escolheram um pequeno caminho para fora da clareira que parecia fácil de enxergar no escuro para a visão apurada de Damon. Damon não queria que ela caminhasse demais. Sabia que ela ainda sentia dor e não queria que ele soubesse ou tivesse que cuidar dela. Alguma coisa dentro dele disse, “Bem, então aguarde até que ela dizer que está cansada e ajude-a a sentar.”
E alguma coisa além do controle dele, aproveitando a primeira hesitação do pé de Elena, a levantou, desculpando-se em uma dúzia de idiomas diferentes e, literalmente agindo como um tolo, até que ela estivesse sentada confortavelmente em um banco feito de um arbusto com as costas devidamente encostadas e com um leve cobertor de acampamento sobre os joelhos. Ele completou o gesto dizendo:
 Vai me dizer se houver algo, qualquer coisa, que você queira?
Ele acidentalmente enviou para ela uma onda de pensamentos de possíveis coisas que ela poderia querer, que eram um copo de água, ele sentado ao seu lado e um bebê elefante, que ele havia visto em sua mente que ela gostava muito.
 Sinto muito, mas não acho que consigo o elefante — disse, de joelhos, fazendo o banquinho mais confortável para ela, quando pegou um pensamento aleatório dela: que não era tão diferente de Stefan como parecia.
Nenhum outro nome poderia ter causado nele a vontade de fazer o que fez em seguida. Nenhuma outra palavra, ou conceito, poderia ter esse efeito sobre ele. Em um segundo, o cobertor fora arrancado, o banco tinha desaparecido, e ele estava segurando Elena em seu colo com o pescoço completamente exposto para ele.
A diferença, disse-lhe, entre mim e meu irmão é que ele ainda está esperando deslizar por alguma fresta de uma porta lateral e acabar no céu. Eu não sou bobo e chorão com o meu destino. Sei pra onde estou indo. E eu não – ele deu-lhe um sorriso deixando os caninos totalmente estendidos – ligo nenhum pouco para isso.
Os olhos dela estavam arregalados – ele a havia assustado. E o susto a havia feito pensar em uma resposta não intencional, e completamente honesta.
Seus pensamentos foram projetados em direção a ele, fácil de lerem. Eu sei – eu sou assim também. Quero o que eu quero. Não sou tão boa como Stefan. E eu não sei...
Ele ficou admirado. O que você não sabe, querida?
Ela apenas balançou a cabeça, os olhos fechados.
Para quebrar o impasse, ele sussurrou em seu ouvido:
 E o que acha sobre isso então?

“Diga que sou corajoso.
Diga que sou mau.
Diga-me suas – vaidades.
— Eu sou vaidoso.
Mas você Erinyes, só pra acrescentar.
Eu beijei Elena.”

Seus olhos se abriram.
 Oh, não! Por favor, Damon — ela estava sussurrando. — Por favor! Por favor, não agora! — E engoliu com dificuldade. — Além disso, você me perguntou se eu gostaria de uma bebida, e subitamente isso não é uma bebida. Eu não pediria uma bebida se não estivesse com sede, mas, estou com tanta, tanta sede, talvez com tanta sede quanto você, talvez?
Ela fez o gesto de dar tapinhas sob o seu queixo de novo.
O interior de Damon se derreteu.
Ele estendeu a mão e a fechou em torno de um copo de cristal delicado. Bebeu um gole do líquido habilmente, testando-o como um buque – ah, requintada – então delicadamente rolou em sua língua. Era a coisa real. Vinho de magia negra, produzido de uvas Clarion Loess de Magia Negra. Era o único vinho que a maioria dos vampiros beberia – e havia histórias apócrifas de como ele os mantivera sob seus pés quando a sua outra sede, não podia ser amenizada.
Elena estava observando sua bebida, seus olhos azuis arregalados amplamente sob o violeta profundo do vinho, diziam-lhe um pouco da sua história. Ele gostava de assisti-la quando ela estava assim – investigando com todos os seus sentidos plenamente despertos. Ele fechou os olhos e lembrou alguns momentos de escolha do passado. Depois os abriu novamente para encontrar Elena, parecendo muito com uma criança sedenta, bebendo ansiosamente...
―... seu segundo copo?  ele percebeu a primeira taça aos seus pés. — Elena, onde você conseguiu outro?
 Eu apenas fiz o que você fez. Estendi a mão. Não é como se isso fosse muito difícil, não é? Tem gosto de suco de uva, e eu estava morrendo por uma bebida.
Será que ela realmente podia ser tão ingênua? Na verdade, o vinho de magia negra não tinha o forte odor ou sabor do álcool. Era sutil, criado para o paladar exigente de um vampiro. Damon sabia que as uvas eram cultivadas no solo que uma geleira deixada para trás. Naturalmente, esse processo era apenas para os vampiros antigos, pois levara anos para construir vinhedos suficientes. E quando o solo estava pronto, as uvas eram cultivadas e processadas em cubas de madeira dura, sem nunca ver o sol. Isso era o que dera o seu sabor delicado e sua aparência de veludo negro. E agora...
Elena tinha um bigode de suco de uva. Damon queria muito beijá-lo e tirá-lo dali.
 Bem, um dia você pode dizer às pessoas que bebeu dois copos de Magia Negra em menos de um minuto, e impressioná-los — disse ele.
Mas ela estava fazendo o tap-tap-tap novamente sob o queixo.
 Elena, você quer ter um pouco do seu sangue extraído?
 Sim! — Ela disse no tom de toque de sino de alguém que finalmente, teve a pergunta certa feita.
Ela estava bêbada.
Jogou os braços para trás, soltando-os sobre o banco, deixando seu corpo inerte aceitando qualquer novo movimento. O banco tornara-se um sofá de camurça preto com encosto alto: um divã, e neste momento, o pescoço esguio de Elena estava descansando no ponto mais alto deste encosto, a garganta exposta ao ar. Damon virou-se com um pequeno gemido. Ele queria levar Elena até a civilização. Estava preocupado com sua saúde, levemente preocupado com... Mutt, e agora... ele não podia ter nada do que queria. Ele não poderia fazer isso com ela bêbada.
Elena fez outro tipo de som que pode ter sido o seu nome.
 D’m’n’? — ela murmurou. Seus olhos se encheram de lágrimas.
Qualquer coisa que um enfermeiro poderia ter feito por um paciente, Damon teria feito por Elena. Mas parecia que ela não queria ter engolido dois copos de Magia Negra na frente dele.
 Minha bochecha  Elena botou para fora, com um soluço perigoso no final. E segurou o pulso de Damon.
 Sim, este não é o tipo de vinho para esbanjar. Espere, tente sentar-se ereta e deixe-me tentar...
E talvez porque ele disse as palavras sem pensar, sem pensar em ser rude, sem pensar em manipulá-la de uma maneira ou de outra, estava tudo bem. Elena obedeceu e ele colocou dois dedos de cada lado de suas têmporas e apertou levemente. Por uma fração de segundo, estiveram próximos a um desastre, e em seguida, Elena estava respirando de forma lenta e calma. Ela ainda estava afetada pelo vinho, mas não estava mais bêbada.
E a hora havia chegado. Ele tinha que dizer a verdade.
Mas, primeiro, precisava acordar.
 Um café expresso triplo, por favor  disse ele, esticando a mão. Apareceu imediatamente, aromático e preto como a sua alma. ― Shinichi diz que o expresso é a única desculpa para a raça humana.
 Seja lá que for Shinichi, eu concordo com ele ou ela. Um café expresso triplo, por favor  disse Elena para a mágica que havia na floresta, neste globo de neve, neste universo. Nada aconteceu.
 Talvez esteja só em sintonia com a minha voz agora — Damon falou mostrando-lhe um sorriso tranquilizador, e então pegando um expresso pra ela.
Para sua surpresa, Elena fez uma careta.
 Você disse Shinichi. Quem é?
A última coisa que Damon queria era ter Elena envolvida com Kitsune, mas se iria realmente contar tudo, ela teria que se envolver.
 Ele é um kitsune, um espírito de raposa. E a pessoa que me deu o endereço da web que colocou Stefan pra correr.
A expressão de Elena congelou.
 Na verdade — Damon disse: — Acho que eu preferiria chegar a casa antes de dar o próximo passo.
Elena levantou os olhos exasperados para o céu, mas deixou-o pegá-la e levá-la de volta para o carro.
Ele apenas tinha percebido que era o melhor lugar para contar a ela.
Era claro que não tinham nenhuma urgência em chegar a qualquer lugar que estivesse fora da velha floresta. Eles não encontraram nenhum caminho que não terminava em trilhas sem saída, pequenas clareiras ou árvores. Elena parecia nada surpresa ao encontrar a pequena trilha que levava à perfeitamente equipada casa que Damon não disse nada quando entraram e ele fez um novo inventário do que eles tinham.
Tinham um quarto com uma cama grande e luxuosa. Tinham uma cozinha. E uma sala de estar. Mas qualquer um destes ambientes poderia se tornar qualquer tipo de quarto que você escolhesse, simplesmente por pensar nele antes de abrir a porta. Além disso, havia as chaves – deixadas pelo o que Damon tinha percebido ser um Shinichi seriamente abalado – que permitiam que as portas fizessem mais. Insira uma chave em uma porta e anuncie o que você quer e lá estará – mesmo, ao que parecia ser fora do território Shinichi no espaço-tempo. Em outras palavras, elas pareciam ser a ligação para o mundo real exterior, mas Damon não estava totalmente certo sobre isso. Seria esse o mundo real ou era apenas mais um jogo de armadilhas de Shinichi?
O que tinham agora era uma longa escada em espiral para um observatório ao ar livre com uma plataforma em torno dele, assim como no teto da pensão. Havia até um quarto exatamente como o de Stefan, Damon notou enquanto carregava Elena pelas escadas.
 Vamos até em cima? — Elena parecia confusa.
 Sim.
 E o que faremos aqui em cima? — Elena perguntou, quando ele a colocou em uma cadeira com um cobertor leve sobre os joelhos.
Damon sentou em uma cadeira de balanço, balançando um pouco, com seus braços em volta dos joelhos, o rosto inclinado para o céu nublado.
Ele balançou mais uma vez, parou e se virou para ela.
 Imagino que já que estamos aqui... — disse, em seu tom zombeteiro que significava que ele estava falando muito serio ― então, posso te contar a verdade, toda a verdade, nada além da verdade.

Um comentário:

  1. Esse Damon é uma figura, Matt é um nome tão fácil de lembrar rs
    Mas sinceramente, eu não estou gostando muito do livro... Muito Elena pra cá, Elena pra lá... todo mundo só pensa na Elena... Acho que estou sendo meio chata rs

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